18 de abril

15 minutos de carreira solo

por luíza diener

sábado saí sem marido, sem cachorro, sem bebê, sem lenço e com documento.
foi uma saída rápida de cerca de uma hora. passei na casa da minha mãe pra pegar o carro emprestado e resolvi ir até lá de ônibus.

saindo de casa, a caminho da parada de ônibus, comecei a sentir uma sensação diferente.
se vocês pensam que eu estava sofrendo de saudades, enganam-se. se acham que senti uma super liberdade, tampouco acertaram. a sensação era de hands free.

não gosto de estrangeirismos, mas a expressão coube como uma luva.
eu saí com uma bolsa bem pequena, apenas com tamanho suficiente para caberem carteira, óculos, celular e chave.
enquanto eu andava, balançava os braços e me senti pelo menos 10 kg mais leve.

são quase 8 meses de benjamin extra útero e mais uns 4 meses desde quando ele começou a dar volume e peso à pança.
ou seja, há mais de um ano eu não me sentia única e exclusivamente eu.
há mais de um ano eu não me locomovia sem arrastar vários quilos a mais junto comigo.

e foi assim, livre, leve e solta que cheguei à parada de ônibus.
cheguei quase invisível, sem ter que lidar com quaisquer tipos de olhares por causa do barrigão ou do bebê à tiracolo.
senti-me uma pessoa totalmente normal, sem escapar da média. medíocre. que coisa ótima!

quando sentei-me no banco do ônibus, não sabia nem o que fazer. deveria ter levado um livro, afinal, foi dentro ônibus que eu li alguns dos melhores livros da minha vida.
na minha bolsa não tinha livro, não tinha fralda, não tinha nenhum brinquedinho.
joguei um joguinho no celular feliz da vida, até chegar ao meu destino.

na casa da minha mãe eu voltei ao meu papel predominante de mãe: peguei uns potinhos de papinha vazios, uns brinquedinhos do benji, botei tudo numa caixa, peguei o carro e voltei à minha casa.

confesso que pensei que ao chegar, o benjamin abriria aquele sorriso lindo que ele faz pro meu marido todo fim do dia, quando ele volta do trabalho. ia jogar-se nos meus braços, me abraçar e dizer mamãe. aham!
ele só olhou pra mim e continuou o que estava fazendo, como se qualquer coisa fosse mais interessante que eu.

e foi assim. eu curti, eles curtiram e todos comemora.

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categorias: desperate housewife, marcos importantes

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16 Comments »

  1. Que delícia sentir-se uma ao invés de uma e meia, né? rsrsrs
    Adorei ler seu sobre seu momento de “mais uma na multidão”.
    E só quem é mãe em tempo integral sabe como é gostoso tirar 15 minutinhos pra ser “livre, leve e solta” de vez em qdo (sem achar que sou uma mãe desnaturada, por favor).
    Bjo

    Comentário by Jemima — 18 de abril de 2011 @ 12:55 pm

  2. Nao sou mae ainda, espero ser um dia.
    Mas seus posts me fazem viver tudo isso antecipadamente, tenho a nitida impressao que terei mtas das suas
    sensacoes.
    Amo seu blog!
    Beijinhos e boa semana!

    Comentário by Bina — 18 de abril de 2011 @ 1:13 pm

  3. Tô sonhando com meus 15 minutos de carreira solo!!!! Já comprei até um super dia num salão nesses sites de compras da vida pra o grande momento de solitude – praticamente a realização de um sonho! =D
    E é pq eu nem tinha pensado nesses dois detalhes: sair com uma bolsa mini e ser só mais uma na multidão!

    Comentário by Reinações de Gabezinho — 18 de abril de 2011 @ 1:19 pm

  4. Uma saída de uma hora pra mim, por enquanto, é comparável a uma viagem à Asia.
    Mas tudo ao seu tempo!
    Eu nem sei mais usar bolsa, eu acho, só bolsa de fraldas!

    Beijos

    Comentário by Daniela — 18 de abril de 2011 @ 1:28 pm

  5. sem ter que lidar com olhares alheios?
    e as tias lésbicas aleatórias?

    hahaha

    Comentário by iulo — 18 de abril de 2011 @ 1:54 pm

  6. Vc deu aquela olhada no banco do ônibus quando se levantou para sair do ponto? Tipo "estou tão livre de tralha, será que deixei algo no banco do ônibus?" Minha mãe (que teve 3 filhas) esta a tão acostumada a sempre carregar algo, que quando ela sai de casa sem nada nas mãos, ela fica com a impressão que esqueceu algo em algum balcão, banco, mesa no caminho.

    Comentário by Julia Bittencourt — 18 de abril de 2011 @ 2:25 pm

  7. Eu faço isso de vez em quando. Ou ainda a versão de me deixar sozinha em casa. Bernardo sai com as duas e eu fico sozinha em casa, fazendo nada. Aaahhhh, como é bom! Revigora as energias, né?
    Beijos

    Comentário by Paloma — 18 de abril de 2011 @ 2:33 pm

  8. aiaiaia é exatamente como me sinto as vezes… o pior é que nós que nós sentimos mais a falta dele do eles a nossa.
    Vai ver daqui a mais ou menos uns dois meses, esse sorrizo que el ta para o pai vai ser pra vc… vira um grude, um verdadeiro carrapato.

    Comentário by Simone — 18 de abril de 2011 @ 2:43 pm

  9. Ahhh que coisa boa!!!
    Já faz um tempo que deixei de ser só eu, euzinha da silva, estou na fase de ser barriga, depois eu…
    bjusss

    ahhh o kit da promoção chegou e estou amando, tudo gostoso, cheiroso e fresquinho.:)

    Comentário by Augusta — 18 de abril de 2011 @ 2:44 pm

  10. Parece a primeira vez que fui à academia depois que Emília nasceu. Mesmo com a pança flácida, não dava pra imaginar que eu era uma recém-parida. A sensação era muito boa mesmo. Se sentir ordinária…

    Comentário by lia — 18 de abril de 2011 @ 4:13 pm

  11. êba, consegui comentar!

    Comentário by lia — 18 de abril de 2011 @ 4:13 pm

  12. É exatamente essa a sensação mesmo! hands free! E tu descreveu muito bem isso! É assim que me sinto também quando eu saio sem o os meus anexos por alguns minutos. Às vezes me sinto estranha, não sei bem onde por as mãos, mas na maioria me sinto individuo de novo. =)

    Comentário by @bach_tremere — 18 de abril de 2011 @ 4:15 pm

  13. eu gostava muito de ser barriga, ah como eu gostava… sabe, as pessoas abrem passagem e dão lugar muito mais do que quando você está com bebê no colo… uma coisa impressionante. E eu era uma grávida muito disposta até uma semana antes dele nascer. e claro, pra mim a melhor parte era que tudo que eu comia era mil vezes mais gostoso do que de costume 😀

    Comentário by carolina — 18 de abril de 2011 @ 4:24 pm

  14. morrendo de rir…
    na primeira vez que saí solo, fui até o supermercado fazer umas comprinhas e, na fila, me peguei ninando a bandeja de tomates!hahahahahaha

    Comentário by Mariana Perri — 18 de abril de 2011 @ 4:59 pm

  15. Lu
    adoro fazer isso quando estou na casa da minha mãe!

    Deixo o Gui com ela e imploro para ir sozinha sem ninguém, apenas com o celular no bolso e um porta níquel!hahahaah e o Gui nem desconfia que eu não estava em casa! ótimo!!!!

    Bom isso, né!!! E melhor ainda quando nossos babys ficam bem sem a nossa presença!!!!!

    Comentário by Rebeca — 18 de abril de 2011 @ 6:03 pm

  16. kkkkk.. Muito bom, Luíza! Me divirto com seus posts.. E o pior é que é isso mesmo, eles ficam ótimos na nossa ausência, por mais que doa um pouco acreditar nisso rsrs…
    Bjocas! http://cegonhatrends.blogspot.com

    Comentário by Cegonha Trends — 18 de abril de 2011 @ 10:44 pm

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