12 de janeiro

32 semanas – mais de 7 meses

por luíza diener

32semanas

domingo eu completei 32 semanas.
pela minha conta maluca, foi com 31 semanas e uns dias quebrados que fechei 7 meses de gravidez.

eu tive um período de bem estar muito bom até agora, mas de repente.. puf! a gravidez bateu de jeito.
sempre digo que uma grávida de 30 semanas é uma senhora grávida, mas dessa vez não consegui escrever a respeito.
(aliás, eu sempre escrevi meus posts quando sobra tempo: ou quando as crianças tiram a soneca da tarde ou quando dormem à noite. sem soneca e morta no final do dia, me resta dar uma cochilada onde encosto – e posso – e tempo de escrever, que era bom, agora tá ameaçado de extinção tipo mico leão dourado).

azia, dor nas costas, na bunda, nas pernas, câimbra, tudo isso tem me acometido, ainda que tudo em pequenas porções. a maioria no final do dia ou à noite, mas nada que me deixe inválida por muito tempo.
foi somente no natal e ano novo que senti que minhas forças estavam se exaurindo. também pudera, não é preciso estar grávida pra ficar morta depois de tantos eventos em horários incomuns e ainda com duas crianças que não te permitem dormir até meio dia no dia seguinte (por mais que tenham pilhado até quase quatro da manhã).

de qualquer maneira, tenho sentido que está na hora de me recolher.
alguma vez eu vi a teoria de que no primeiro trimestre a gestante se recolhe, por causa da oscilação hormonal e da quantidade de mudanças que de repente seu corpo tem a urgência de se adaptar. no segundo trimestre, ela se expande: de repente aqueles desconfortos diminuem, a barriga ainda não é tão grande a ponto de incomodar, mas saliente o suficiente pra que notem a gravidez. o mundo te acolhe, te trata bem (às vezes até demais), você está cheia de planos e expectativas e, o melhor, tem energia pra realizar boa parte das coisas que deseja fazer. aí, no terceiro trimestre, ela volta a se recolher. é aquela fase do ninho, de preparar o lar pra receber a nova vida, de aceitar as mudanças do corpo e se permitir cuidar pra que tudo corra bem nessa reta final.

eu sempre sinto isso, é impressionante!, mas nem sempre consigo respeitar essas fases. nesta terceira vez em me sinto quase obrigada a me isolar, visto que temos um carro só, hilan usa ele durante o dia e qualquer estabelecimento mequetrefe perto daqui fica a uns 3 quilômetros de distância. civilização mesmo, fica bem mais longe que isso.
então me resta ficar em casa com as crianças, o cachorro, as aranhas, sapos, passarinhos. as vizinhas amigas estão viajando e a cidade se recolhe toda vez que chove. porque, pra completar, é janeiro e em brasília janeiro parece uma cidade fantasma. não tô achando ruim não; tô curtindo. não tenho que levar nem buscar menino na escola, não estamos entupidos de eventos sociais e a única coisa com hora marcada é nossa bendita igreja aos domingos de manhã (que não dou conta de ir à noite não). meu relógio biológico trabalha em modo diurno, quase que em horário comercial. quando hilan chega do trabalho eu passo o bastão pra ele e deito acabada no sofá.

ainda assim, palmas pra mim, porque tenho dado conta de umas coisas que jamais conseguiria antes: fazer almoço todo dia durante toda a gravidez (eu nunca tinha feito isso a minha vida inteira), dar atenção pras crianças e ainda conseguir manter meu bom humor ligeiramente estável – bem mais que nas outras gestações.

vejo muitas mães preocupadas em proporcionar uma gravidez maravilhosa para gerar filhos maravilhosos: ler para o bebê, cantar para o bebê, fazer massagem na barriga, conversar com o bebê, comer comidas saudáveis e variadas. tudo isso é válido, mas cada vez mais acredito que não apenas a mãe influencia o bebê como o bebê influencia a mãe (já falei sobre isso no final do post de 37 semanas da sansa). essa tranquilidade, essa serenidade, isso não vem de mim.
dos três, esse é o bebê que mexe menos, ou melhor, ele sempre mexe, várias vezes por dia, mas sempre em movimentos tranquilos e nada bruscos. eu não sei o que é sentir esse bebê mexer à noite. parece que ele apaga. ou talvez seja eu, tamanho o cansaço. ahahahaha!
dizem que nessa idade gestacional os movimentos ficam mais suaves, mas finalmente eles estão mais visíveis a olho nu e consigo perceber com clareza onde o bebê se encontra: cabeça láááá embaixo, as costinhas do lado esquerdo da barriga e o bumbum na parte alta esquerda da barriga. aliás, tem horas que esse baby decide fazer a dança da bundinha e fica meia banda apalpável pela pele e a outra meia banda debaixo da minha costela. a fim de evitar esses desconfortos costelares e a falta de ar de quando a bundona tá alta, eu gentilmente empurro minha barriga pra baixo com as mãos e isso me dá um baita alívio.

[pra quem quiser saber como identificar a posição do bebê, clique aqui]

sinto os movimentos sempre nessa região do bumbum (dele, não meu). às vezes por toda a parte alta da barriga – tanto do lado direito quanto esquerdo – onde acredito que pode até pintar um pezinho de vez em quando. outro lugar de movimentação bem menor é lá embaixo, perto da pelve, onde se encontra a cabeça – provavelmente onde estão as mãozinhas.
às vezes dá pra ver a barriga saltando por causa dos soluços desse neném, mas nunca dura muito tempo.

estrias eu ainda não tive, pelo menos não dessa gestação. algumas reapareceram das gravidezes anteriores, mas nenhuma nova. também pudera, tenho sentido minha pele espichar muito pouco se comparada à gravidez do benjoca, onde a pele era virgem nesse quesito e coçava muuuuito. e talvez não ter passado por um último trimestre na época de seca – e sim de chuva – possa colaborar também. então fico por enquanto com aquelas velhas de guerra: no umbigo, no lado dos quadris e, se tiver alguma nova por aí, nem tô sabendo. já as celulites, elas são minhas fiéis companheiras.

por último, as contrações. aquelas tais de treinamento que eu tenho certeza de que me acompanham desde as 16 semanas (apesar de achar que elas datam desde as 12 semanas), agora também vêm descompassadas e doloridas. tenho várias indolores e algumas que doem na parte baixa da barriga. todas me deixam sem ar. algumas me lembram as primeiras contrações de parto, mas sei que ainda falta bastante pra isso acontecer.
faço o que sempre fiz: aproveito as contrações como um sinal do meu corpo. elas podem aparecer quando estou há muito tempo sentada, então levanto e me movimento. também podem surgir depois de um dia de muito esforço, daí eu sento. ou mesmo quando mudo bruscamente de posição enquanto durmo.
me ouço, me respeito, procuro aumentar a ingestão de água (dizem que ajuda) e no fim fica tudo bem outra vez.

e, cara, eu quero muito esse bebê! me pego pensando nele ou nela com frequência. me sinto muito pronta pra ser mãe de três! semana passada eu sonhei pela primeira vez com o bebê e o parto e foi muito delicioso!
no sonho eu tinha passado a noite inteira em trabalho de parto sem saber, porque simplesmente dormi o tempo todo. aí acordava e paria um bebê lindo, gordo, enorme, careca, com a naturalidade de quem acorda e dá aquela cagadinha básica (pra quem costuma cagar quando acorda, claro). ele já aparentava ter uns quase quatro meses. e só.
foi tão singelo e ao mesmo tempo tão aproximador do meu bebê que passei o dia todo lembrando desse sonho e rindo pras paredes.
não tenho a ansiedade de esperar esses próximos meses como se fossem infinitos (apesar de parecerem algumas vezes) porque sei que passa voando. curto cada momento dos meus filhotes que já estão aqui porque um dia ansiei por eles também, que hoje estão super gigantes, espoletas e enchendo a casa de barulho e meu coração de alegria. é só uma questão de um curto espaço de tempo até que sejam essas três lindezas do meu coração reunidas do lado de fora, nos meus braços <3

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categorias: amor, desenvolvimento da gravidez, estou grávida, guadalupe, para gestantes

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11 Comments »

  1. Assim vc me inspira a ter o terceiro <3

    Comentário by Carla Jeacomo — janeiro 12, 2016 @ 8:13 pm

  2. Deus te abençoe nessa reta final! Pois é duuuro! Maravilhosamente difícil e magicamente cansativo!!!!
    Tudo junto e misturado!
    Mal vejo a hora de ver o rostinho dele ou dela!
    Meio difícil pedir pra vc descansar…com mais 2….chega a ser piada…
    Mas enfim…rezo para q vc consiga descansar….rs…
    Abraços!

    Comentário by Larissa — janeiro 12, 2016 @ 10:25 pm

  3. Muito abençoada. Leio seus post e penso sempre que poderiamos ser best friends..kkkk..sempre me inspiras. Quero muito meu segundinho…mas sinto no meu corpo e na minha alma que ainda não tá na hora. Bju na alma e no coração…

    Comentário by Juci — janeiro 12, 2016 @ 10:37 pm

  4. Que linda

    Comentário by fabrinadutra — janeiro 13, 2016 @ 2:57 am

  5. Luiza! Que barriga linda!
    Muito bom receber notícias da sua gravidez. Tenho ficado quietinha nos meus comentários mas acompanho sempre.
    Meus gêmeos fizeram dois anos e estão cada dia mais espertos. Tô apaixonada por essa fase de desenvolvimento acelerado da linguagem.
    Às vezes me pego olhando pra barriga, com saudade da gravidez. Aí penso: será? Mas logo em seguida desisto. Acho que ainda não me recuperei totalmente fisicamente.
    Quando der tempo, venha aqui escrever pra gente. Também imagino que seríamos amigas se morássemos perto. Sinto até saudade quando fica um tempo maior sem post. Hahahahaha
    Beijo grande pra todos vcs!!

    Comentário by Mari Caroni — janeiro 13, 2016 @ 7:07 am

  6. Que lindo Luiza!

    Por aqui, estou grávida do segundo (minha mais velha tem 1a7m). Sou doula, e vamos ter um PD também.
    Ainda estamos com 6 semanas, e pouca gente sabe da nova gestação…

    Mas no fundo do coração, queremos ter cinco filhos… E te vendo com 3, e todo esse amor e alegria, dá muita vontade de trazer cinco mesmo pro mundo rsrs

    Boa reta final pra vocês!

    Beijos

    Comentário by Raissa Osorio — janeiro 13, 2016 @ 8:46 am

  7. Muito amor transmitido em suas palavras Luísa. .. A foto e o post.. tudo lindo!! Parabéns!!!

    Comentário by Sabrina — janeiro 13, 2016 @ 3:20 pm

  8. Luíza, lendo esse post me surgiu uma dúvida (é só uma dúvida genuína, por favor não leve como ofensa porque não é a intenção). Como vocês fazem para levar as crianças a igreja e introduzir a religião sem que seja algo imposto / obrigatório? Pergunto isso porque vejo muitas famílias fazendo isso com os filhos e não acho legal (mas, pelo que vejo no blog, não creio que seja a postura de vocês).

    Beijos, adoro o blog e sua família.

    Comentário by Juliana — janeiro 18, 2016 @ 11:52 am

  9. Oi, Juliana, tudo bem? Religião não é imposição, é crença. Acreditamos em Deus e nos princípios bíblicos. Acreditamos que isso é tão importante para nossos filhos quanto é para nós. Deus é a razão do nosso viver, então é isso que ensinamos para eles, porque nisso acreditamos. Quem olhar de fora pode achar que isso é imposição. Mas a nossa crença e valores são transmitidos aos nossos filhos diariamente, não somente na igreja. É tão natural quanto comer, dormir, ouvir música, conversar.
    Então eles acreditam. Muito mais do que papai noel, coelhinho da páscoa ou outras histórias que nossas crianças são incentivadas a acreditar. E é lindo ver como a fé deles é pura. <3

    Comentário by luíza diener — janeiro 18, 2016 @ 6:25 pm

  10. vocês são maravilhosos! fico mt feliz de ver famílias assim, pois concordo totalmente que religião é crença e não deve ser imposta. essa naturalidade torna tudo mais leve

    Comentário by Juliana — janeiro 21, 2016 @ 7:52 pm

  11. Lindo demais. .. tb estou nesta reta final. Sentindo e vibrando com cada momento e é legal saber que em algum lugar por ai se encontra alguém com os mesmos sentimentos meus. Deus abençoe esse tempo precioso sua família seu parto e sua vida. Obrigada por alegrar meu dia com seus pensamentos. Um abraço Juliana

    Comentário by Juliana — janeiro 21, 2016 @ 7:14 am

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