25 de janeiro

34 semanas – hora de desacelerar

por luíza diener

foto_mtgravida

eu tô MUITO grávida. lascou.
de uma semana pra cá meu corpo tem quase gritado pra mim, ou escrito em letras garrafais: LUÍZA, TÁ NA HORA DE PARAR!
modéstia à parte, eu me considero uma pessoa muito sensível ao que meu corpo me diz. grávida ou não. nas gravidezes foi ainda mais intenso e nessa não poderia ser diferente. mas caramba! 34 semanas ainda e meu corpo tá me mandando desligar os motores e ficar em casa. pra mim é fácil ouvir. difícil é obedecer.

porque também tem uma outra maquininha que funciona 24h sem descanso aqui dentro, que é minha mente. e essa…. ahhh!!! essa daqui é frenética! ela não para, ela pensa em problemas e encontra soluções. ela olha pra ontem, hoje, amanhã, tenta resolver as paradas, pensa em todas as possibilidades do que eu posso fazer quando o marido chega em casa pra ficar com as crianças ou nos finais de semana.
minha mente me manda aproveitar um milhão de lojas em promoção pra comprar tudo que ainda falta pra esse bebê, roupas pro benjoca e pra sansa – que de repente cresceram e estão com as calça tudo pegando frango – me manda ir ao mercado estocar as coisas do próximo mês. porque, se eu já estou desacelerando agora, não é daqui a um mês que meu corpo estará tinindo pra encarar quatro horas de supermercado.
ela me manda pro clube com as crianças quando abre um solzão lá fora, me leva num parquinho, num piquenique com outras amigas e seus um milhão de filhos. ela me acorda domingo de manhã escrevendo esse post enquanto eu ainda estou morrendo de cansaço, mas não consigo voltar a dormir. porque ela não deixa.

meu corpo mudou um bocado na última semana. sinto ele todo se preparando pra o grande momento. é muito impressionante ver como ele sabe o que fazer. eu só preciso respeitar e deixar.
mas minha mente segue no ritmo de sempre. ritmo acelerado de quem tem filhos e vive sempre na maratona do passa ou repassa.

na minha mente toca uma bateria de escola de samba, acompanhada de um cavaquinho: diguiriguidiguiriguidiguiriguidiguirigui.
enquanto isso no, meu corpo, toca uma música clássica beeeem suave.

difícil conciliar os dois. mas minha própria mente fala pra mim: “eu to aqui gritando, cantando alto, pulando e rodopiando que nem daiane dos santos, mas você precisa escutar seu corpo.”
aí lasca pra mim.

eu não quero. eu não posso. eu não tenho como diminuir o ritmo com duas crianças dentro de casa e de férias. e praticamente sozinha. mas eu tenho que.
e aí, nega, te vira! entra no teu ninho, segura na mão de deus e vai. que isso pode demorar ainda 4, 6, 8 semanas!
minha mente grita porque ela sabe que não são só essas semanas restantes pro parto. tem um puerpério todo pela frente.
ou seja, te prepara pra ficar de boa aí por uns 2, 3, 4 meses. porque ainda que eu me aventure a sair com um bebezinho de poucos meses de vida – e eu sei que vou! ah, se vou! – vão ser aquelas saídas pá-pum que, quando tudo parece lindo, o bebê começa a chorar de fome, frio, fralda suja, cansaço.  nessa hora eu não tô nem aí pra mim. eu tenho que respeitar meu bebê e as necessidades primárias dele.

é fácil enquanto eu tô no meu-corpo-minhas-regras.
a gente começa suave esse desprendimento na gravidez justamente por ter que pensar no bebê que está sendo gerado lá dentro. aprende a comer diferente, dormir diferente, ir num ritmo diferente do que seguia antes. mas ainda sabe seu limite e se permite dar uma forçadinha. além de levar o bebê com a gente onde for, na hora que for.
mas quando ele nasce, esquece seu corpo! suas regras? eu rio na cara das minhas regras! rá-rá-rá-rá-rá!

tudo isso é só um treino pra quando ela ou ele chegar. por mais que eu já tenha passado por isso outras duas vezes – a primeira foi, sem dúvida, a mais difícil – é sempre complicado pra mim desacelerar a mente e me entregar ao que ainda virá. mas que opção eu tenho?
muito mais fácil se entregar que ficar lutando, nadando contra a maré e entrar em estado de negação.

crédito foto: dupla exposição

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categorias: desenvolvimento da gravidez, estou grávida, eu gestante, guadalupe, para gestantes

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4 Comments »

  1. Ai denta…te amo! <3
    Quando você aprender como colocar corpo e cabeça na mesma música me avisa, pleaaaaaase!!!!

    Comentário by Laura — janeiro 25, 2016 @ 8:52 pm

  2. Te entendo, perfeitamente!
    Sempre fui assim tb. Mas isso me rendeu um prematuro de 32 semanas… Agora tô (mãe solo) com uma de 15 anos, um de 2 anos e 3 meses e tentando desacelerar com 12 semanas de gestação e ainda tem MUITA água pra rolar…

    Comentário by Isabela — janeiro 26, 2016 @ 11:01 pm

  3. Luiza de Deus, tenta desacelerar mesmo. Faz uma lista do que realmente é urgente e do que pode 'esperar' ou que alguém possa fazer por vc. Inventa um piquenique pro Hilan e para as crianças e chama uma amiga pra ir as compras com vc (to parecendo minha avó querendo resolver assunto que não é meu rrrsss).

    Ah estou mudando de ideia, acho que é menina.

    Um imenso abraço.

    Comentário by Mayra Muhieddine — janeiro 27, 2016 @ 10:24 am

  4. Luiza, tem mesmo que relaxar!
    Vc pariu com 37 e depois com38 semanas, não foi? Então, se continuar nessa regra, seu baby minion roxo chega em 3/4 semanas.
    Hora de relaxar mesmo!

    Comentário by Amanda Barreto — janeiro 28, 2016 @ 10:53 pm

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