07 de outubro

5-3-1 vamos!

por hilan diener

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anteriormente publicamos um post chamado 5 mitos na criação de filhos,  do livro soluções para disciplina sem choro, de elizabeth pantley. foi um sucesso, muita gente compartilhou e comentou se sentindo aliviada por ser uma mãe/pai normal.
já no post de hoje – também retirado e adaptado do livro da pantley – gostaria de compartilhar com vocês algo que tem sido – em um geral – uma ferramenta bacana para ajudar o benjamin a encerrar uma atividade antes de começarmos outra.

explico: sabe quando seu filho está lá, amarradão brincando e vocês têm que ir embora? chega a dar um frio na barriga só de pensar em iniciar o movimento para a partida, né? especialmente quando eles já chegaram naquela fase dos terrible two (three, four, five..), onde nem sempre gostam de ter sua vontade contrariada.

quando as crianças estão concentradas na brincadeira, elas geralmente se lançam por inteiro a isso (tipo eu jogando candy crush). é essa intensidade que lhes permite absorver tanto sobre o mundo nos primeiros anos de vida. elas estão sempre aprendendo, sempre assimilando algo novo. em virtude dessa intensidade, pode ser muito difícil para uma criança mudar de uma  atividade para outra sem primeiro fazer um ajuste mental.

quando uma criança está no meio de uma brincadeira e os pais chamam para comer ou fazer xixi, raramente podemos esperar que ela abandone de imediato o que estava fazendo. é bem parecido quando estamos vendo nossa série de televisão favorita e o telefone toca ou alguém te chama. muitas vezes deixamos o telefone tocando até que o comercial comece e olhe lá.

você pode ajudar seus filhos a mudarem de atividade dando-lhes tempo para processar a mudança mentalmente, antes de poderem agir fisicamente.

antes de mudar de atividade, dê uma alerta de cinco minutos, depois mais um alerta de que faltam três minutos e, finalmente um alerta de um minuto para, então, ir embora.

vou dar um exemplo de algo que aconteceu semana passada: eu estava com o benjoca numa festinha de aniversário e ele estava super envolvido com os amigos, as danças, o suco de caju. era uma festa de criança mais velha, ainda sem previsão de acabar mesmo depois do parabéns e, para o benjamin, aquele já era um horário avançado.
então fui até onde ele estava, olhei em seus olhos – para me certificar de que ele me escutava – e disse “filho, brinca mais um pouquinho porque a gente vai embora em cinco minutos” e mostrei a mão aberta, pra ele ver os cinco dedos na minha mão.
voltei à mesa onde conversava com os pais de algumas crianças e já comecei o movimento da minha parte para ir embora também: juntar as coisas da lembrancinha, procurar sapato de criança, bolsa, beber mais um suco, encerrar algum assunto que estivesse sendo conversado.
logo depois (eu marco o tempo no relógio), voltei a ele dizendo “mais três minutinhos” e mostrei o três da idade dele com a mão.
os minutos se passaram e voltei avisando “só mais um minuto (e um dedo levantado)!” e aproveito para propor uma atividade final, como dançar mais um pouco ou comer uma pipoquinha. enquanto isso eu já recolho nossas coisas, despeço- me dos adultos (não sei vocês mas, por aqui, o que mais demora é despedir dos adultos. a gente dá tchau e continua conversando. coisa esquisita!) e encontro a chave do carro.
tempo esgotado, é hora de comunicar a ele: “vamos?”. nesse dia ele respondeu de imediato, até porque as crianças maiores se envolveram em alguma brincadeira mais complexa para ele, mas não espero que, como um robozinho programado, ele vá exatamente no mesmo instante. por isso, depois do vamos?, peço que se despeça dos amigos que estiverem perto e da aniversariante e invento alguma brincadeira que encaminhe para a nossa partida, como apostar corrida até o carro, abrir a lembrancinha só depois de colocar o cinto da cadeirinha ou coisa semelhante.

não é 100% garantia de sucesso, mas posso dizer que na maioria das vezes funciona bem, justamente porque ele foi preparado para ir embora.
vale observar que isso não deve aplicar-se apenas à criança, mas também aos pais.
já contei o caso de sucesso, então também posso contar que às vezes falhamos. exemplo prático é quando eu sei que temos que ir embora (porque benjamin precisa tomar um remédio que está em casa, porque constança está cansada e chorosa, porque temos outro compromisso, etc) mas eu estou tão envolvida em alguma conversa que não quero sair naquele momento. nessas horas a contagem serve para mim.

cinco_tres_um_vamos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

pelos exemplos parece que é mais um método para ir embora de algum lugar, mas ele pode ser aplicado em atividades cotidianas dentro de casa também (até porque benjoca surta muito mais em casa que na rua).

esse tipo de contagem é bem diferente da contagem regressiva típica até um desastre: “mamãe vai contar! um, dooois, trêêêêêêsssss… ok, agora vocês estão encrencados! o tempo acabou!”
esse “5-3-1 e vamos” é uma forma respeitosa de deixar que o seu filho saiba com antecedência o que virá e de permitir que ele termine o que está fazendo para realizar essa transição. faça isso diariamente como um modo de ajudar seu filho a cooperar com você em muitas tarefas, como vestir-se, terminar o almoço, guardar brinquedos, entrar no banho, sair do banho e se arrumar para dormir.

por que você marca o tempo no relógio? na idade do benjamin (ele está com três anos agora), as crianças não têm uma noção de tempo. se ela estiver fazendo algo que gosta, você disser 5 minutos e demorar 15 é bem provável que ela nem perceba a diferença. marcar os minutos no relógio ajuda a criança a começar a internalizar essa noção de tempo e também nos auxilia a sermos constantes nas nossas propostas.

por que mostrar os dedos indicando o tempo? o recurso visual ajuda a criança a prestar atenção no que está sendo dito. às vezes ela está tão concentrada que nossas palavras chegam a ela como uma coisa vaga e distante. além disso, muitas crianças acham divertido contar com os dedos.

esse método é garantia de sucesso? não. não gosto nem de chamar de método, porque automaticamente faz a pessoa esperar por um resultado – de preferência imediato e sempre satisfatório. digo que para essa contagem de tempo funcionar, você tem que estar em sintonia com o seu filho ou filha. se a criança não costuma ter um bom diálogo com os pais, se ela está acostumada a afrontar a autoridade deles e fazer apenas o que quer, na hora e do jeito que quer, prepare-se para um fiasco!

é interessante observar que, em lugares barulhentos ou que a criança está extremamente envolvida, ela pode não notar que você está falando com ela. por isso, em alguns casos, é necessário ir até ela e falar olhando diretamente (como foi na festinha de aniversário).
às vezes o grau de interesse também pode variar e nem será necessário cronometrar, apenas alertar que “daqui a pouquinho a gente vai fazer outra coisa”.
especialmente quando estão em casa e só vocês, onde a dinâmica é diferente. observe como funcionam essas diferentes dinâmicas e adapte de acordo com a necessidade.

essa é apenas uma sugestão de algo que você pode fazer com seus pequenos. imagino isso mais como um truque que como um método ou técnica. cada pai ou mãe tem um jeito – torto ou não – de fazer com que o seu filho coopere, como cartas na manga, por assim dizer.
o ideal é ver o que melhor funciona para cada filho e saber respeitar as limitações e mudanças deles.

afinal, adultos e crianças são seres humanos, criaturas complexas, onde não existe uma técnica única, que funcione em todas as situações, com todas as pessoas. é melhor ter não só uma, mas várias cartas na manga.

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5 Comments »

  1. Muito legal essa dica, em casa ha alguns meses vem dando certo, na hr do banho e dormir, uns minutinhos antes ja vou avisando q logo é hr do banho e de dormir, qd pegava ele de surpresa era uam choradeira só…agora qd aviso alguns minutos antes ele aceita numa boa, meu filhote Miguel temn 2 anos e 6 meses, hj vou começar a mostrar o tempo nos dedos como vc fez…vamos ver se percebo diferença…eu brinco em casa q antes de td é preciso preparar o terreno c eles, nd de pegar de surpresa, nem nós gostamos qd somos interrompidos….adorei as dicas bjks

    Comentário by Jana Gimenes — outubro 7, 2013 @ 11:00 am

  2. Avisar antes é sempre bom pra qualquer um. Sempre fazemos assim, não assim tão no relógio, mas sempre avisamos umas 3 vezes… as vezes até falamos mais sério, fazemos um acordo com toque de mão e tudo e um – tá entendido? – rs

    Mas muitas vezes o que mais funciona mesmo é levar alguma coisa do lugar ou situação que estava antes pra próxima. Isso li até num livro, a escritora, que é uma psicóloga comenta que as crianças demoram a se identificar com o espaços e é a mesma demora pra se desvencilhar da situação (ou algo assim, faz tempo que li)… levar alguma coisa junto é um jeito de ir se separando aos poucos sem nada brusco, pra ir se adaptando a nova situação.

    Então no caso da festinha, levar a lembrancinha é uma ajuda, pq vc leva algo do lugar, ás vezes ir embora do restaurante é mais fácil só de levar um canudo junto… sair da brincadeira e ir pro banho é mais fácil quando a gente leva um brinquedo que ele tava brincando junto… e assim vai.

    Comentário by carolina — outubro 7, 2013 @ 11:00 am

  3. Eu uso o método Diener 5 3 1 de avisar que vai embora desde que as meninas tem 1 ano aqui em casa e é sucesso sempre. Nada de chororô pra ir embora! Ufa! Agora só tenho que lembrar quando vou mudar de atividade ou brincadeira, esse é mais difícil.

    Comentário by Tati — outubro 7, 2013 @ 2:22 pm

  4. Boa dica! Vou praticar! bjs Camila Vaz

    Comentário by mundodepalavras — novembro 20, 2013 @ 11:12 pm

  5. […] 5, 3, 1.. vamos! – prevendo chiliques na hora de ir embora ou antes de mudar de atividade […]

    Pingback by potencial gestante – dicas para lidar com ataques de raiva, birras e choramingos — fevereiro 24, 2015 @ 3:58 pm

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