26 de agosto

5 mitos na criação de filhos

por hilan diener

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lendo o livro soluções para disciplina sem choro, de elizabeth pantley, me deparei com um capítulo sensacional que se chama banindo mitos. ele começa dizendo que como se já não fosse suficientemente difícil criar nossos filhos, muitos pais acreditam em mitos que complicam o processo fazendo com que sintam-se confusos, frustados e inadequados.
esses mitos horríveis tornam-se nuvens escuras e quase sufocantes pairando sobre nossas cabeças, perturbando a alegria da experiência maravilhosa e épica que é criar filhos.  então separei/adaptei alguns mitos para ajudar a comunidade de pais e mães aflitos a dissipar um pouco a culpa e ansiedade e também a prevenir problemas futuros.

eis os mitos mais comuns na criação dos filhos:

MITO 1:  se um pai for realmente apegado, envolvido e afinado com seu filho, a criança se comportará bem naturalmente e a disciplina não será necessária.

A VERDADE: você pode envolver-se totalmente com o seu filho desde o momento que ele nasce. você pode ler todos os melhores livros escritos para pais, fazer cursos e fazer tudo absolutamente certo, mas seu filho ainda se comportará mal. a verdade é que isso acontece com todas as crianças. todas cometem erros. todas choramingam, teimam e se mostram agressivas. isso ocorre porque todas elas são seres humanos – jovens, inexperientes e ingênuos.

quando uma criança não se comporta bem, isso não é reflexo da falta de envolvimento ou habilidade dos pais. não é uma indicação de que algo deu errado. é simplesmente uma faceta da nossa condição humana.

é nosso dever e privilégio amar nossos filhos, orientá-los, guiá-los, nos envolver com eles e ser pais dedicados da melhor maneira que pudermos. e é nosso dever entender que nosso filhos são perfeitos – uma perfeição realista e humana que permite erros e maus comportamento no trajeto para o crescimento e desenvolvimento.

nossos filhos não precisam ser impecáveis para receberem nosso amor e apoio incondicionais.

MITO 2: se você ama seu filho e suas intenções são boas, será naturalmente um bom pai ou boa mãe.

A VERDADE: amar seu filho é fácil. criá-lo que é difícil. boas habilidade parentais são aprendidas. criar filhos é complicado, intensivo e sofre mudanças constantes.

para ser um pai calmo e eficiente, você precisa de conhecimento, informação e habilidades. raramente uma pessoa já nasce com todo o pacotão dentro da sua cabeça.

MITO 3: bons pais não perdem a paciência e não gritam com seus filhos.

A VERDADE: até mesmo a pessoa mais tranquila e relaxada perde a paciência e grita, de tempos em tempos – todos somos humanos. não importando o quanto amemos nossos filhos, eles desafiarão nossa paciência, cometerão erros e nos irritarão.

somos um  jovem casal com dois filhos, escrevemos sobre maternidade/paternidade. eventualmente somos até pagos para escrever sobre isso, vivemos ativamente a criação dos nossos filhos, levantamos a bandeira da criação com apego, mas há momentos em que o benjoca apronta que perdemos, sim, a paciência e gritamos, exatamente como você faz. exatamente como qualquer pai ou mãe do mundo. às vezes sobra até pro tov. hahaha.

MITO 4: os pais são totalmente responsáveis pelo comportamento e ações dos seus filhos. pais exemplares têm filhos que só podem ter um bom futuro.

A VERDADE: assim como as personalidades dos adultos diferem, o mesmo ocorre com as crianças. mesmo quando duas crianças são criadas exatamente da mesma forma, na mesma casa e com os mesmos pais, suas diferentes personalidades e percepções sobre a vida afetam a forma como interpretam seus mundos. é verdade que as ações dos pais podem influenciar imensamente o comportamento – mas a personalidade e as experiências de vida fora da família têm um impacto sobre a forma como a criança responde a qualquer situação.

os pais não são 100% responsáveis por todas as ações assumidas por seus filhos. as crianças são seres humanos separados dos pais e desde a idade precoce suas decisões começaram a afetar a trilha que seguirão na vida.
crianças não são um um livro em branco no qual podemos escrever o que bem entendermos ou um boneco de massinha que podemos moldar em qualquer forma que desejarmos. elas já nascem com personalidade própria.

porém, quero deixar bem claro que os pais realmente fazem diferença, e muita. a forma como educamos nossos filhos terá um impacto enorme sobre o adulto que ele se transformará. mas o mérito não será completamente nosso.

MITO 5: se lermos livros escritos para os pais, comparecermos a cursos e aprendermos habilidades e ferramentas eficientes, sempre estaremos no controle. depois que aprendemos todas as abordagens corretas para a criação dos nossos filhos, nossas vidas como pais serão muito tranquilas.

A VERDADE: pais são pessoas, e as pessoas não são perfeitas. não importando quantas habilidades maravilhosas você domine, não importando quanto conhecimento acumule, existirão momentos em que suas emoções interferirão e não reagirá da melhor maneira. de fato, quanto mais sabemos, mais somos críticos sobre nossas ações. começamos a ver os erros com maior clareza e a julgamos nossas falhas com mais rispidez.  os melhores pais são aqueles que se esforçam mais, mas ainda assim se veem sob a luz mais dura possível.

tenha em mente que as crianças são pessoas. eles têm emoções voláteis, humores que variam e muitas necessidades e carências.

desejar 100% de perfeição como pai ou mãe é uma meta impossível. setenta por cento é mais ou menos o nível de perfeição que podemos ter como pais. essa porcentagem resulta em uma família feliz. mesmo com os altos e baixos, 70% terá como resultado um adulto bem resolvido. ou não.

* * *

há outros mitos, teorias, ideias e expectativas que você acredita ou acreditava?
comente e conte sua experiência.

e não deixe de ler nosso outro post a respeito:

 

a disciplina do amor

 

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categorias: amor, criança, educação, erros comuns, filmes e livros, para mães, para papais, quer uma dica?, questões

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16 Comments »

  1. Tão bom ler essas palavras… me deixa tão feliz… as vezes me cobro tanto em relação a minha filhotinha… me culpo tanto… me acho uma monstrinha… Mas não sou a única . Ufa!! Aliviada agora! Afinal somos humanos, e como eles tem emoções… mudam o humor e coisa e tal, nós também participamos desse mal, e portanto não é toda hora que temos paciência pra colocar em prática as táticas aprendidas em inúmeras leituras sobre como ser mães/pais melhores!! Amei o post… aliás, como todos os que escrevem!! Parabéns… uma iniciativa maravilhosa. Além de ajudar os pais a se sentirem humanos, tem a historinha dos seus pimpolhos registrado… e cada emoção vivida em todas as fases!!

    Comentário by Débora Quintana — agosto 26, 2013 @ 9:42 am

  2. Nossa… foi ótimo ler esse post! Aqui em casa o nosso pequeno que agora esta com 2 anos e 5 meses de duas semanas para cá mudou completamente (cresceu, estirou), de ursinhos carinhosos todo fofo e ternurento ele se tornou um taz mania furioso, comilão, inquieto, grita, joga os brinquedos longe, nos seus acessos de raiva tenta bater em quem estiver por perto… e é aí que entra a questão, de aprender a lidar com a situacao nova, com o medo de nunca as coisas voltarem ao "normal", na maioria do tempo (maybe 70%) é possível assumir uma postura bacana, equilibrada, zen…. mas os 30% é que são elas… e aí vem frustracao, dúvidas… mas é isso aí seguimos buscando esse equilibrio entre o bem e o mau, os altos e baixos da maternagem/paternagem! Beijooooooo

    Comentário by cinthia — agosto 26, 2013 @ 9:47 am

  3. Olha…identificação total!!! Nada fácil para uma mãe-pai como eu com um filhote genioso de 4 anos Yan cheio de "personalidade" e encantador moleque! Tem dias que a tolerância é zero, que dá vontade de surtar, enlouquecer, arrancar os cabelos…inveja do Jó…o da paciência…Muito bom a gente se deparar com outras "mães humanas", longe daquelas de propaganda de margarina, onde é tudo lindo, perfeito…ser mãe é maravilhoso…a maior experiência da vida…mas não é fácil não genteeeeeeeeee!!! E temos dito!!!! Beijos e coragem!!!!!!

    Comentário by Alessandra Mascarenhas — agosto 26, 2013 @ 11:41 am

  4. O comentário da cinthia, acima, parece relatar a minha casa ! Meu Mateus, com 2 anos e 4 meses, está na mesma fase. Então na maioria das vezes eu tenho equilíbrio pra disciplinar com amor: dou um abraço, faço ele se acalmar, converso com ele pra mostrar o motivo de negar tal coisa pra ele. Mas quando junta o cansaço, preocupações da vida adulta, e tantas outras questões, acabo saindo da linha. Meu marido é bem mais equilibrado, consegue se manter sereno na maioria das vezes, e assim vamos equilibrando. Eu acredito que toda essa cobrança, feita por nós mesmos, vem do formato novo das famílias: as mães foram pro mercado de trabalho. As que não estão no mercado de trabalho, na maioria das vezes, o marido tem carga horária extensa pra dar conta sozinho do orçamento familiar. Com isso, nós acabamos ficando menos tempo em casa, consequentemente estamos sempre achando que deixamos lacunas. Infelizmente eu não pude optar por ficar em casa com meus filhos, preciso trabalhar. Então, eu escolho ser feliz desta forma. Não fico com eles tantos quanto gostaria (tenho Mateus e um mais velho com 14 anos), mas quando estou tento ser 100% deles, meu tempo é pra eles. Eu tenho tentado cada vez mais sair dessa energia de culpa que dizem fazer parte da maternidade. Não quero isso pra mim e pra minha família. Ótima ideia voces trazerem um post com esse conteúdo e tantos outros que mostram a 'vida real'. Tem muito blog por aí mostrando uma maternidade cor-de-rosa que não existe. Beijos para todos !

    Comentário by Luciene Asta — agosto 26, 2013 @ 1:10 pm

  5. Eu grito ou falo mais nervosa com o Linus, sei lá, uns 3 dias por semana…. E isso varia/depende da situação em que estamos…. Dai outro dia eu perguntei pra ele se a mamãe é muito brava com ele….. Ele fez que não! Daí eu perguntei: a mãe briga o tanto que precisa? E ele fez que sim! … Fiquei muito surpresa com a resposta!

    Comentário by Carolina tsai — agosto 26, 2013 @ 1:43 pm

  6. libertador.

    obrigada pelo post. adorei a parte de que mãe que grita não queima no fogo do inferno rs
    abs!!!

    Comentário by isabelasperandio — agosto 26, 2013 @ 5:52 pm

  7. Descobri o blog de vocês pelo Manual da Família Moderna. Como toda boa história tem um início comecei a ler o blog desde o primeiro post! Li TODOS os posts, terminei hoje! Ainda sou potencial mas não vejo a hora de vivenciar toda essa experiência maravilhosa que é ter filhos! Inclusive mostro os posts paternos para o meu marido hehehe.
    Beijos pra vocês

    Comentário by Kelly Bueno — agosto 26, 2013 @ 8:29 pm

  8. Tal comportamento (o de gritar) é um transtorno recorrente em minha cabeça. Depois de contar até 10 DEZENAS de vezes, sai um GRITO que perturba mais a mim do que o pequeno que me diz: "fala baixinho mamãe". Fico derretida e sofro ainda mais de culpa. Graças a Deus tentamos a cada dia melhorar e aprender com nossos erros e acertos também. Beijos pra vocês!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Comentário by nilza — agosto 26, 2013 @ 10:29 pm

  9. Sempre achei que não iria ser chata como a minha mãe, mas não é isso que o meu filho pensa beijos

    Comentário by Ariane — agosto 27, 2013 @ 11:07 pm

  10. simplesmente amei disse tudo q eu buscava respostas..agora alívio total pois impor limites e educar não é tarefa muito fácil mas cada dia q passa,só tenho aprendido…

    Comentário by joanne souza — agosto 28, 2013 @ 8:36 am

  11. […] *Fonte: Potencial Gestante […]

    Pingback by 5 Mitos na Criação de Filhos | Por Hilan Diener | Bibliografia da Doula — agosto 29, 2013 @ 11:31 am

  12. Meu pequeno de 1 ano e dois meses parece ser muito carente, quer colo o tempo todo e toda a minha atenção exclusiva para ele 100% do tempo que estou em casa, com ele e se eu ñ der é aquele chororo. Meu esposo fica bravo comigo por eu fazer tudo o que o nosso pequeno quer, mas as vezes eu saio do sério e brigo com ele, grito, digo que não gosto do que ele está fazendo e ai ele chora ainda mais. Me sinto culpada pois já passo menos tempo do que gostaria com ele e acabo pegando ele no colo, acalentado-o. As vezes me sinto a pior mãe do mundo, acho que ao invés de educar estou é estragando meu filho fazendo as vontades dele. Com essa idade ele já entende o que pode ou não pode?? Devo ser mais firme com ele?? Como faço isso??? Por favor me ajudem!

    Comentário by Júlia — setembro 19, 2013 @ 9:58 am

  13. Feliz em ler esse post pois as vezes me sinto uma megera com meu pimpolho, as vezes dou um berro com ele e me da uma vontade de voltar atrás, abraça-lo e beija-lo kkkk. Fico fula da vida cm todos sabem criança parece que sabe a maneira de nós tirar do sério, e quando menos queremos é ai que eles aprontam mesmo. kkk Mas amo de mais meu pequeno, as vezes tenho medo que ele um dia duvide disso!!

    Comentário by Caroline — junho 2, 2014 @ 11:46 am

  14. É tão bom lê esse post e pensar que não sou a única que tenho essas dúvidas, sou mãe de primeira viagem de uma menina de 2 anos e meio e desde que ela nasceu acompanho seu blogue, e posso te dizer que tem me ajudado muito com a Manuela, parabéns pela dedicação Luiza.

    Comentário by adriele — junho 2, 2014 @ 10:39 pm

  15. "duas crianças são criadas exatamente da mesma forma, na mesma casa e com os mesmos pais", vejo muito esse racíocinio e ele para mim é um dos maiores mitos que existem, minha avó que teve 5 filhos e, dentre estes, um dá trabalho até hoje, adora dizê-la, mas após ter meu segundo filho, vejo como não sou a mesma mãe, não é o mesmo pai, pode até ser a mesma casa, mas a educação e os pais nunca serão iguais!

    Comentário by Tainá — junho 3, 2014 @ 9:07 am

  16. Criar um filho é muita responsabilidade.

    Comentário by ketina — setembro 4, 2014 @ 12:56 pm

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