16 de fevereiro

a lua de mel

por luíza diener

2014-03-26 10.01.37

hoje acordei num dia pacífico.

ok que começou de uma maneira bastante típica: filha escorregando numa folha de desenho jogado no chão e batendo a cabeça na quina da parede, filho descendo da mesa no meio do café da manhã alegando que não estava com fome e depois surtando porque queria comer mais, marido gritando com cachorro e eu dando bronca em todo mundo. mas ainda assim foi pacífico.

se tem algo que me deixa tranquila é conseguir cuidar da alimentação de toda a família (seja fazendo uma comida equilibrada ou comprando mantimentos saudáveis para todos), cuidar um pouco da casa, organizar algumas coisas e, claro, tirar um tempo pra mim.
por causa das férias de quase 3 meses do benjamin, decidi aproveitar ao máximo meu tempo com os dois e minha casa só não virou uma zorra, criou vida própria, transformou-se num monstro peludo e saiu andando pela cidade, destruindo carros e vilarejos vizinhos porque eu conto com a ajuda de uma diarista que vem de duas a três vezes por semana (uma santa! uma pessoa maravilhosa que virou amiga da família <3 ).

então hoje, em pleno feriado de carnaval, acordamos sem pressa, sem nenhum compromisso agendado pro dia, preparei umas tapiocas com chia, um ovinho no capricho, café preto, suco de uva integral. comemos, conversamos, tudo em paz.
enquanto preparava as tapiocas, coloquei roupas pra lavar e, depois que comemos, estendi uma maquinada de roupa e já coloquei outra, com as fraldas da sansa (que tinha meses que eu não usava nela porque estava sem tempo pra cuidar da casa e não queria deixar esse trabalho a mais pra diarista). aproveitei também pra tirar as manchas das roupas das crianças.
e agora, enquanto hilan assiste desenho com joca e sansa toca o terror pela casa afora, eu pude entrar no quarto e sentar pra escrever, pra organizar as ideias, pra fazer planos pra este ano de 2015 (pois é, com março batendo na porta).

em meio a isso tudo eu encontrei paz. vendo mais cedo joca e sansa brincando de lutinha e curtindo a brincadeira sem ninguém sair chorando (e vendo que sansa aprendeu a se defender do irmão com unhas e dentes, literalmente), notando o quanto eles estão crescendo e ganhando mais independência.

me deliciei demais com a fase de bebê da sansa. não tinha curtido joca tanto assim, porque estava ansiosa pra ser mãe, pra vê-lo crescer, pra brincar e conversar com ele e não percebi a delícia e delicadeza dos bebês, o cheirinho deles, os barulhos fofos que eles fazem, o tanto que eles são totalmente dependentes e como é bom aprender a se doar de corpo, alma, sono e sanidade por uma pessoinha.
sim, eu curti minha bebê, cheirava ela dia e noite (quase que lambendo-a literalmente), mas sofri demais ao ver meu primogênito – que foi filho único por quase 3 anos – lutar pra conseguir atenção gritando, chorando, regredindo, esmagando e batendo na irmã sem que ela conseguisse se defender.
sofri me desdobrando pra não deixar nenhum dos dois de lado, pra dar a atenção que os dois mereciam, sem conseguir atender a nenhum deles completamente.
sofri porque – por mais que tenha curtido muito a bebezice da sansa – não consegui me dedicar tanto a ela quanto fiz pelo irmão. ela veio no embalo e o mundo não parou por ela. aliás, a velocidade com que eu fazia as coisas passou a ser muito mais frenética (até então, sem a ajuda da faxineira nem de ninguém): acordar, fazer café pro joca, deixar ele na escola, fazer feira, voltar pra casa, dar mamá e tentar fazer ela dormir quase sempre sem sucesso, fazer almoço com ela na minha cola (no sling, no cadeirão e, por fim, no chão da cozinha, conforme ela crescia), deixar o almoço pelas metades, buscar benjoca na escola e sansa dormir no carro, chegar em casa e sansa acordar ainda cansada, ficar com ela no colo enquanto termino o almoço, hilan chegar do trabalho e eu simplesmente depositar os dois sob a responsabilidade do pai enquanto faço o bife, sirvo a mesa, boto todo mundo pra comer… a manhã, que era o tempo que eu tinha pra me dedicar a ela, estava dividida entre um milhão de outras coisas e ela ficava só recolhendo as migalhas de atenção que caíam entre uma tarefa e outra. à tarde, então, nem se fala, porque até hoje é tempo da soneca deles, de eu cuidar do blog, dar uma ajeitada na casa e tentar passear com eles debaixo do bloco, quando é possível.

sansa ainda é bastante grudada em mim – talvez por ter aprendido a ganhar atenção literalmente no grito – mas tem aprendido a ficar mais com outros que não eu, a pedir colo pra outras pessoas sem sempre achar que vão roubá-la de mim (ou me roubar dela).

aí, quando vejo amigas ou conhecidas que estão grávidas do segundo filho ou que tiveram seu segundinho(a) recentemente (com essa diferença pequena de idade entre um e outro), me dá pavor.
não sinto saudade; sinto aflição. lembro do tanto que fiquei cansada, estressada. do tanto que me irritava com o benjamin como se a culpa fosse dele e de como, depois, me sentia extremamente culpada por descarregar isso nele.
ver sansa começar a dar birras e chiliques (olha os terrible two chegando aí, gente!) me dá um alívio enorme, por incrível que pareça. porque vejo que ela está crescendo, mostrando suas vontades, aprendendo a se comunicar com o mundo, a conquistar seu espaço como o pequeno ser humano que ela é, não como um bebezinho que vai de colo em colo e só faz o que lhe é mandado. ver ela aprender a se defender do benjoca me traz alívio, mas ver eles brincando, interagindo, conversando numa língua própria, se abraçando e beijando o tempo inteiro (mesmo que mais cedo ou mais tarde alguém se canse), é a coisa mais incrível do mundo.
me faz ver que, ainda que esses mais de dois anos (porque na gravidez já começaram as dificuldades) tenham sido muito difíceis pra todos nós, agora chegou a hora de colher os frutos. não que não estivéssemos colhendo antes e não que esteja tudo um mar de rosas agora, mas parece que tudo encontrou seu equilíbrio, sabe?
e eu não quero que isso mude.
quero curtir mais meus dois filhos, quero me dedicar mais ainda a eles e à nossa família. quero tirar sempre um tempo pra cuidar só de mim e, graças a deus, isso tem sido muito mais frequente. dormir a noite inteira, acordar disposta e ficar de bem com todo mundo é gratificante demais.
são esses momentos de lua de mel que fazem tudo valer a pena. olhar pra trás e lembrar do mantra “vai passar, vai passar” e ver que muita coisa realmente passou, mais rápido do que eu esperava.

que possamos curtir tudo isso juntos. que essa lua de mel se estenda por muito tempo e que, mesmo em meio a dificuldades (que sempre surgirão), possamos encontrar alegria nisso tudo.

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categorias: 4 anos, amor, criança, desperate housewife, mês 18-24, psicologia autodidata introspectiva, toddler

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12 Comments »

  1. Que lindo relato lu… como é bom curtir todas as fases e melhor ainda quando se pode respirar… lembro que uma vez vc disse que queria ter 3 filhos e fechar a fábrica aos 30 anos… queria saber se vc ainda tem esse plano e pique para encarar essas fases de novo. que deus abençoe sua linda família

    Comentário by Joyce — fevereiro 16, 2015 @ 1:55 pm

  2. Oi, Joyce! Oi, Karen!
    Como as duas estão interessadas na mesma resposta, vou escrever pras duas aqui, ok?

    Bem, antes de ter o Benjamin, meu plano era mesmo ter 3 filhos antes dos 30: o primeiro com 24, o terceiro perto dos 27 e ter o segundo nesse meio tempo. Ou seja, 3 filhos em pouco mais de 3 anos.
    Sempre me diziam “ah, espera o primeiro pra você ver!” e foi justamente isso que aconteceu. Não era tão fácil ou romântico quanto eu esperava, apesar de ser muito delicioso e intenso.
    Conforme vi Benjoca crescer e ganhar autonomia, senti que era a hora de pensar no segundinho. Ele tinha 2 anos quando engravidei da Sansa.
    Joca nasceu quando eu tinha 25 anos. Demorei 1 ano e 4 meses para menstruar novamente e menstruava pouquíssimo (tipo uma vez a cada 2 ou 3 meses).
    Sansa nasceu quando eu tinha 28. Ela está com 1 ano e 8 e, bem, até hoje nada das “regras” (ahahhaha!) virem. Ou seja, mesmo que eu estivesse planejando, não daria tempo de chegar mais um antes da “meta”, visto que faço 30 anos mês que vem (eeee!).

    A boa notícia é que não sei se, de fato, vou encerrar a fábrica. Quer dizer, não pretendo fazer nenhum tipo de intervenção cirúrgica como método contraceptivo.
    Muito provavelmente manteremos o plano e teremos 3 filhos (4 não faz parte do plano, mas vai que, né? ahhahaha), mas definitivamente não será agora.
    Estou pra elaborar um post mais extenso sobre o assunto, mas provavelmente ele vai demorar um pouco pra sair.

    Obrigada por participarem aqui nos comentários, meninas!

    Beijos

    Comentário by luíza diener — fevereiro 16, 2015 @ 4:42 pm

  3. Fiquei curiosa com a sua resposta Luiza para a pergunta da Joyce, adorei tbm o seu relato, tenho dois tbm.. uma com 5 e o outro agora com 1 ano e 3 meses.. e como me encaixo em tantas coisas que você escreve!! As vezes dou uma passada no seu blog pra ver se encontro um texto desses maravilhosos que você escreve pra tirar forças, exemplos e aprendizado!!!

    Comentário by Karen Sabrina — fevereiro 16, 2015 @ 2:39 pm

  4. Oi, Karen! Acabei de responder você e a Joyce no mesmo comentário.
    Obrigada pelo comentário tão fofo!
    Beijos

    Comentário by luíza diener — fevereiro 16, 2015 @ 4:43 pm

  5. ps: até eu odeio o refresh!!!

    Comentário by luíza diener — fevereiro 16, 2015 @ 4:23 pm

  6. Oi Lu! Nossa, vc descreveu absolutamente tudo que estou sentindo nesse momento. É delicioso demais ter 2, mas tem vezes que minha vida beira o desespero rs. Obrigada por textos assim, que me mostram que eu sou normal e que logo logo tudo isso vai passar… E talvez eu até pense em ter mais 1 rs. Bjs

    Comentário by Raquel McAlister — fevereiro 16, 2015 @ 9:53 pm

  7. Ai que medinho…Mãe de uma menina de 1 ano e 2 meses e grávida de dois meses.

    Comentário by fabrinadutra — fevereiro 17, 2015 @ 5:54 pm

  8. Nossa, como ler este post me fez sentir que sou normal.

    Ainda estou longe desta lua de mel, mas como você mesma disse “vai passar”. A diferença que minha mais velha protege sempre o irmão, não briga com ele o trata com muito carinho. Mas esta desfraldando e vai ir para escolinha, então estamos e pleno vapor, nas adaptações.

    Obrigado por compartilhar Luiza!!!

    Obs. Aqui vamos encerrar a fabrica, tenho medo da sobrinha de sanidade mental acabar caso tenho outros filhos. Bjs

    Comentário by Maiza — fevereiro 17, 2015 @ 10:54 pm

  9. Tenho três uma de seis e meio, um de dois e meio,e um de um ano, resumindo loucura quando acorda,para dormi,para comer, o dia td e para sair nem se fala…. Me considero vencedora, trabalho ak não falta, arrumar a casa só na soneca da tarde, ou de madrugada, como já fiz tanto, as vezes da vontade de chorar que nem vc falou, a consciência pesa, mas somos imperfeitas, me dão muito trabalho, mas SOU MUITO FELIZ POR TÊ-LOS, e aconselho quem quer ter mais

    …Bjs Luiza

    Comentário by sueli — fevereiro 17, 2015 @ 10:58 pm

  10. Lindo! Me fez sentir mais humana, principalmente esse trecho:

    " ficar com ela no colo enquanto termino o almoço, hilan chegar do trabalho e eu simplesmente depositar os dois sob a responsabilidade do pai enquanto faço o bife, sirvo a mesa, boto todo mundo pra comer… a manhã, que era o tempo que eu tinha pra me dedicar a ela, estava dividida entre um milhão de outras coisas e ela ficava só recolhendo as migalhas de atenção que caíam entre uma tarefa e outra. à tarde, então, nem se fala, porque até hoje é tempo da soneca deles, de eu cuidar do blog, dar uma ajeitada na casa e tentar passear com eles debaixo do bloco, quando é possível.""

    hehehe… achava que só eu largava tudo pela metade, atrasava o almoço, entrava quase em colapso 🙂

    bjs e que sua lua de mel continue! a minha ainda está por vir!
    (isso pq só tenho 1!)

    Comentário by Jana Bevilacqua — fevereiro 18, 2015 @ 12:55 am

  11. Olá! nem acredito que li este post. visito seu blog em busca de alento, sério.estou no olho do furacão: terrible twos acrescido à ansiedade de separação do segundo com 9 meses. tudo isso somado aos terríveis efeitos colaterais da pílula cerazette. resultado: morta de cansada! eu tento driblar tudo e me pergunto se vou sentir sausades dessa ralação. e sei que vou sentir… bjos querida!

    Comentário by leticia — fevereiro 24, 2015 @ 4:04 pm

  12. que bom ler isto, estou com um menino de 2 anos e 2 meses e uma menina de 4 meses, affffffff, também tenho brigado muito com o Davi e depois quase morro de arrependimento, ele só quer atenção tadinho, Deus me ajude.

    Comentário by Davi Campos Sena — março 2, 2015 @ 10:25 pm

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