20 de janeiro

de quando eu tinha medo de “acostumar mal” meu filho

por luíza diener

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um dia desses estava lendo meus emails antigos, quando me deparei com esse em especial:

“assim, eu to tentando equilibrar um e outro. por um lado eu quero ter um bebê seguro e que sinta-se muito amado.
por outro eu não quero estragar a criança.
o benjamin tem um temperamento forte e quando a coisa não é do jeito que ele quer, abre o berreiro.
o problema é que ele tá ficando viciado em mim e quando vem pro meu colo, acha que eu sou um peito gigante.
ele vai, mama e no meu colo fica tranquilão. quando vejo que vai dormir eu coloco no berço e ele dorme. alguns minutos depois, quando percebe minha ausência, abre um berreiro.
aí eu só chego perto e falo qualquer coisa com ele e ele acalma.
depois de uns minutos de serenidade eu saio de perto e daqui a pouco começa o chororô de novo. daqueles sem motivo aparente e que resolvem só com um “oi, eu não te abandonei, filho”.
se por algum motivo eu o pego no colo sem ser hora de mamar, ele já vem com aquela boquinha procurando peito. se não acha o peito começa a ficar irritado e passa do branco (amarelado) pro vermelho em questão de segundos.

aí entra o medo de criar um filho mimado que só quer saber da mãe. eu quero é ter um filho bem resolvido, independente, educado, mas que nunca duvide do amor de seus pais. é querer demais? ahahahhaha

agora, acho sim que vou começar a ingressar o mundo da literatura louca de criação de bebês. aí eu examino e retenho o que é bom.

beijos e valeu”

e eis a resposta que recebo da minha amiga:

“Leia o livro que estou mandando em anexo. Você vai ficar bem mais tranquila.

Lu, o Benjo não vai ficar viciado em você. Os bebês já nascem viciados na mãe, não tem como piorar 😉

Respeite o temperamento dele. Se ele é chameguento, dê chamego. É isso que vai ajudá-lo a se tornar seguro e independente, vai por mim. Te garanto que quando ele for adolescente, não vai estar mamando no seu peito nem dormindo na sua cama 😉

Sabe o que faz uma criança mimada e dependente? A insegurança e a carência da mãe. Se a mãe fica com o bebê no colo o dia inteiro, dorme com ele, não deixa ninguém mais chegar perto porque ELA está se sentindo sozinha, aí pode ser um problema. Essas são as que depois não deixam o filho dormir na casa dos amigos ou parentes porque quer ele só pra si, depois ligam no celular do filho na noite de núpcias, coisa do tipo. Acho isso tão não a sua cara…

Mas se é o Ben que pede, é uma necessidade dele. Bebês tão pequenos não têm caprichos, eles querem sobreviver.

Beijos!”

e a minha réplica:

“oi lia! obrigada pelo livro! vou fazer o download e ler sempre q tiver um tempinho. tem tanto tempo q eu não leio espanhol. sera que ainda dou conta? vou aproveitar e fazer download de um dicionario.

já li sobre cama compartilhada e achava bem legal na época. acho que na prática eu to fazendo tudo meio às avessas do que planejava.
em algumas situações, inclusive, me rendi à chupeta. até escrevi sobre isso mas não postei. sei lá. tenho vergonha. ahahahhaha!
ou seja, to usando escondido.
me ajuda um tanto, acalma o benji nas crises de cólica, mas eu deixo ela escondida.

to meio desnorteada ainda, confesso. ainda sem decidir que linha assumir. pq não quero ser mãe linha dura. não quero ligar pro meu filho na lua de mel. eu sou mãe de menino e morro de medo de ser A SOGRA. mas tb não quero que meu menino seja aquele levado que não obedece ninguém senão a mãe e olhe la. quero um menino amado e que respeite e obedeça os mais velhos (e os mais novos também, por que não?)

mais uma vez, valeu!
benjos”

e esse foi apenas o começo de um processo cabuloso de mudanças. na época o benjamin estava com apenas um mês de vida.

quem me reconhece neste email? eu não!! inclusive, ao reler, me deu vontade de voltar 3 anos e me dar uns tabefes pra me acordar. dou graças a deus por ter tido amigas pró amamentação (e pró amor, na verdade) ao meu lado naquela época que, pra mim, foi tão difícil. não sei que tipo de mãe teria me tornado não fosse por elas, pelas leituras, pelos blogs que me ajudaram a crescer como mãe. talvez eu tivesse mudado, vai saber, mas a duras penas.

agradeço especialmente à lia miranda, que foi a minha anja do email acima, e à paloma varón (do extinto peripécias de cecília e fofices de clarice), que me ajudaram imensa e infinitamente. empolguei e reli inúmeros emails que trocávamos na época e só senti meu coração encher de uma gratidão inexplicável.
meu conselho a todos, especialmente às mães de primeira viagem? leiam, se informem! não contentem-se com comentários vagos e ignorantes do tipo “vai acostumar mal seu filho”. sigam seus instintos, permitam-se uma maternidade mais visceral e menos regrada, cheia de pode-não-pode.

ser mãe é uma delícia. ser mãe de recém nascido, então, é triplamente delicioso! entregue-se!

e pra quem ficou curiosa sobre o livro, chama-se Bésame Mucho, do dr. Carlos Gonzáles, mais um que revolucionou minha forma de encarar a maternidade. para quem se interessou, clique aqui para fazer download, mas já aviso que está todo em espanhol. mesmo assim, é bastante compreensível. ele tem outros livros igualmente ótimos. outra leitura muito recomendada são os livros da Laura Gutman, especialmente o de título a maternidade e o encontro com a própria sombra. eu não li – apenas uns trechos – mas já ouvi de pessoas muito confiáveis que o livro é excelente, então deixo minha recomendação aqui.

por último, quero compartilhar um blog que muito me ajudou (e continua ajudando): maternar consciente. tem, inclusive, vários trechos traduzidos para o português dos autores mencionados acima.

minha gratidão é tanta que tento ajudar o máximo possível de mães que hoje vêm me procurar com as mesmas angústias que um dia eu tive. e assim a gente vai fazendo uma corrente do bem, gerando mães tranquilas e bebês (crianças, adultos…) felizes.

vão lá ser mães, suas maravilhosas!

ps: no fim das contas aderi à livre demanda, a essa maternidade visceral que alguns chamam de criação com apego (que de certa forma praticava sem saber que isso tinha esse nome) e amamentei benjamin por quanto tempo ele quisesse quando, por fim, com 2 anos e 3 meses, ele desmamou naturalmente. hoje tenho “um filho bem resolvido, independente, educado, mas que nunca duvida do amor de seus pais” e não precisei deixar ninguém chorando de fome. graças a deus por isso!

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23 Comments »

  1. Indico o grupo virtual de amamentação no Facebook. Ótimo! Sou grata a elas! Meu bebê tem 9m e ainda mama livre demanda msm meu peito tendo ficado aberto pr 2m. AMAmentar… é amor!

    Comentário by daniele — janeiro 20, 2014 @ 8:19 am

  2. Ai…. como eu aprendo com você! Muito obrigada por compartilhar suas experiências, tenha uma ótima semana!

    Comentário by Debora — janeiro 20, 2014 @ 8:36 am

  3. Engraçado como nós mães temos os mesmos medos e inseguranças. Como nenhuma de minhas amigas tem filhos eu encontrei a ajuda que precisava exatamente aqui no seu e em outros blogs de maternidade, e sinto essa mesma gratidão!

    Comentário by Janete Domingues — janeiro 20, 2014 @ 8:37 am

  4. Salve, salve Luíza!! Como é bom ler um post como esse após um final de semana que comentei com o marido sobre a minha dúvida de estar criando a Malu muito dependente de mãe. Detalhe: só porque ela está numa fase tipo: "mamãe quero colinho".

    Daí quando a gente tem anjos assim como vc que de uma forma linda diz pra gente: siga o seu coração. Seja uma mãe visceral. Isso é luz, melodia aos ouvidos. Força para eu continuar amamentando (ela está com 2 anos), continuar dando colinho sempre que ela pedir, continuar dando beijinho quando ela cair e vier na minha direção pedidndo um beijo para sarar, continuar ignorando os milhares de convites que recebo para sair com azamigas após o trabalho e correr ao encontro da pequena.

    Então é isso: Um viva a materinidade VISCERAL. beijo. Paz e Luz no seu caminho.

    Lu

    Comentário by Luciane Zorzin — janeiro 20, 2014 @ 8:49 am

  5. Também me entendi com esses livros. Na gravidez eu tinha lido apenas os de "adestramento" de bebês e, confesso, me senti bem confusa quando a Cecília nasceu. Seu blog também sempre me auxiliou. Tenho uma amiga grávida agora e vou indicar o blog, mas não vou emprestar os meus dois volumes da"encantadora de bebês". Pode até ajudar muito algumas pessoas, mas pra mim nada funcionou e me deixou com culpa! Quando relaxei, tudo fluiu melhor!

    Comentário by Aline Duenha — janeiro 20, 2014 @ 8:49 am

  6. Oi Lu leio o blog a bastante tempo, antes mesmo de se quer imaginar Que um dia teria um bebe. Tenho uma bebeia de 4 meses e Moro na Irlanda, aqui amamentar e uma coisa quase impropria, todos usam a mamadeira quado digo Que sou adepta a amamentacao em demands livre me chamam de louca. Seu blog me ajuda muito, e’ uma lembranca constante de Que nao sou louca e e’ normal tem um bebe Que seja apegado a Mae.

    Comentário by Hingryd Teschi — janeiro 20, 2014 @ 8:59 am

  7. filhote tem nove meses, e quando nasceu tb pensava que se fizesse isso ou aquilo iria deixar meu bebe mal acostumado. HOje não penso assim e me arrependo de não ter ficado com o pequeno mais no colo, e olha que ele ficava. Tento ficar o máximo com ele, dar colo, fazer carinho e que se dane o resto.

    Comentário by Silvinha — janeiro 20, 2014 @ 9:07 am

  8. que post bonito… acho que muitas de nós nos dilaceramos entre o senso comum, aquilo que pensávamos ser o melhor antes de nos tornarmos mães e o que a experiência da maternidade pede da gente, né? não é fácil decidir, pois é uma briga entre razão e coração, onde a razão, ainda por cima, não tem razão nenhuma. no fim das contas, acho que temos medo da dependência do bebê, desse apego, dessa necessidade que eles têm da gente. mas na medida em que aceitamos que é assim, as decisões se tornam tão mais simples.

    Comentário by alerib — janeiro 20, 2014 @ 9:38 am

  9. Estou com um bebe de um mes, e confesso que estou um pouco assustada ele so quer meu colo e mama sem parar, a parentada fica falando que ele vai ficar manhoso e que nao vou dar conta de fazer mais nada se continuar atendendo as

    vontades dele e bla bla.

    Como ele é meu primeiro filho fico sem saber o que fazer…

    Obrigada pela ajuda e desculpe os erros pois estou digitando com ele no colo 🙂

    Comentário by Aline — janeiro 20, 2014 @ 9:41 am

  10. Nossa,me identifiquei tanto!!! Estou passando exatamente com o que tu passou com a tua falta de experiencia,Lu. Meu filho está com 34 dias e ainda estou tão enrolada, que acho que estou confundindo meu bebe. Não sei se faço a vontade dele em deixá-lo dormir no meu colo ou na minha cama, ou se faço o que dizem ser o certo em acostumá-lo no berço(o que está me parecendo mais uma missão impossível).Amamentar é um drama,sou totalmente à favor, mas ele também quer estar pendurado o tempo todo, o que me faz nunca saber se é fome ou manha.Sou muito ansiosa,tive uma gravidez difícil, e sei que isto reflete sim em seu desenvolvimento.Já o sinto bem ansioso.Ai, tomara que todas estas minhas dúvidas também se transformem,um dia quem sabe, em apenas história para contar.E que eu possa contar, que isso tudo em nada afetou no seu bom desenvolvimento.

    Comentário by Débora Ghizzo Burato — janeiro 20, 2014 @ 10:01 am

  11. Oi Luiza! Quando tive minha primeira filha, li os livros de adestramento, mas graças a Deus nunca consegui praticar… O instinto falou mais alto. Minha filha é linda e saudável. Agora de segunda viagem (aliás, ando relendo seus posts de Sansa – minha bebê tem 10 dias então estou na loucura aqui!). E agora tem sido bem mais gostoso, dou colo, dou dengo, faço cara de paisagem pros pitacos… tenho outra visão e isso tem me ajudado muito.
    Seu blog é tudo de bom! Me ajuda horrores. Hoje vim reler vários de seus posts só pra me sentir normal nessa montanha-russa que é ser mãe de 2! Obrigada por partilhar sua vida conosco!

    Comentário by Clarissa — janeiro 20, 2014 @ 10:47 am

  12. Muito bom, Luíza. O Heitor está com 1 ano e 4 meses, mamando tudo que tem vontade na mamãe e dormindo na nossa cama. Quando alguém vem me criticar eu imagino uma música bem ridícula e fico olhando para a cara da pessoa até ela terminar de falar.
    O Heitor é extremamente calmo, obediente, inteligente, respeita os nossos nãos. Não tem motivo de eu achar que todo o apego que damos a ele vai"estragá-lo".
    E ah… tenho vergonha de dizer quando eu desmamei da minha mãe… Beijos! http://www.meufilhousou.com.br/

    Comentário by Jeane Lucas Avellar Kratochwill — janeiro 20, 2014 @ 10:50 am

  13. Aproveitando a oportunidade, também gostaria de agradecer você, a Lia e a Paloma! Os blogs de vocês ajudaram a me mostraram como a maternidade pode ser algo natural, instintivo e lindo, sem essa de colo demais estraga, dá logo a chupeta ou essa criança vai ficar viciada em peito etc. Beijo grande a vocês três e suas famílias lindas!

    Comentário by Renata — janeiro 20, 2014 @ 2:26 pm

  14. Tenho uma filha de 2 meses e apesar de rodar em alguns pediatras, que sempre diziam que estava tudo normal e que era comportamental, eu sentia que não era normal essa necessidade toda de colo. Até que pesquisando em blogs e fóruns, vi que ela tinha quase todos os sintomas de refluxo oculto.
    Essa coisa toda de ser visceral eu senti na pele e continuo seguindo meus instintos.
    Obrigada pelo blog. Me ajuda muito.

    Comentário by Vivian — janeiro 20, 2014 @ 4:48 pm

  15. Nossa, post perfeito! Estou grávida do meu primeiro filhote e tenho um milhão de dúvidas! Posso dizer que ele já me mudou tanto que me virou do avesso! Eu sempre fui controladora e autoritária, sempre falei que queria uma cesárea agendada e que iria ler aqueles livros de adestramento infantil. Já mudei tanto em 7 meses… Hoje já me decidi pelo parto natural humanizado e me identifico muito com a tal criação com apego.

    Adoto seu blog, parabéns

    Comentário by Andreia — janeiro 21, 2014 @ 12:29 am

  16. Olá!!!! Quem quiser tenho o Besame Mucho traduzido, posso enviar por email sem problemas, ótima leitura! Contato deisecharlise@gmail.com

    Comentário by Deise — janeiro 21, 2014 @ 7:33 am

  17. Ôh, Deise, por favor, envie pra mim. Vou entrar em contato com vc por email. Muito obrigada

    Comentário by Valdecir — janeiro 23, 2014 @ 8:24 pm

  18. lindo post. mas leia o livro da Gutman inteiro! ainda vai ajudar, vale a pena. já reli muitas vezes.

    Comentário by anameliacoelho — janeiro 21, 2014 @ 12:50 pm

  19. Voltei no tempo também lendo esses seus e-mails. Nossa, quanta saudade da Lia! O último post dela é o nascimento da Ana, sua 3ª filha. Claro que não deve ser fácil dar conta de 3. A gente nem conhece vcs, mas se apega pq lê todo dia, vê fotos, videos… São verdadeiras amigas virtuais! Saudades da Paloma tb, quando ela mudou-se com a família pra longe… Tomara que elas apareçam por aqui, pra dar notícias. Vc tb é uma amigona, Luíza. Lembro do dia que vi o primeiro video que vc colocou aqui, fazendo uma receita. Nossa, fiquei tão feliz por ver vc em movimento (não só fotos), ouvir tua voz! Um beijo grande!!!

    Comentário by Aline Cavalcanti — janeiro 22, 2014 @ 10:57 am

  20. Olá Luiza! Que post lindo… tenho certeza que muitas mães se encontraram nas suas palavras. Às vezes tenho a impressão que faço tudo do avesso com minha filha… há 5 anos! E quer saber? Ela é a melhor coisa deste mundo!
    Muito bom ler posts assim. Trabalho com mamães fazendo consultoria de sono infantil e fico muito feliz quando encontro mulheres mães como você provou neste texto que é!
    Parabéns!!

    Comentário by Michele — janeiro 29, 2014 @ 6:24 pm

  21. Oi Luiza!! Tentei entrar no blog e está restrito! 🙁 vc tem um email deles de contato para eu pedir acesso! Minhas gêmeas estão numa fase meio estranha. Uma quer colo para dormir e a outra quer minha cama. Marido não quer “acostumar mal” e eu quero dar provas de criação com apego para ele!!! 🙂 beijocas

    Comentário by Ale Flach — março 13, 2014 @ 10:08 am

  22. Esse é o mal de toda mamãe. De fazer o bebê ficar mal acostumado.

    Comentário by ketina — setembro 17, 2014 @ 1:06 pm

  23. Luíza tenho certeza que você lê pensamentos. Esse post é mais do que precisava nesse momento, com um bebê de 5 meses que quer dormir na minha cama.rs

    Comentário by Letícia Viegas — fevereiro 12, 2015 @ 9:59 am

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