11 de abril

álbum de figurinhas

por luíza diener

armadilha

minha infância é recheada de boas lembranças. não tenho sequer uma memória amarga daquele tempo que, de tão bom, me fez valorizar essa fase tão importante nas nossas vidas e prezar pra que meus filhos também desfrutem da infância deles da forma mais pura e plena possível.
e, dentre tantas boas memórias, umas das coisas que eu muito curtia era colecionar. o que quer que fosse. colecionar era meu hobby. colecionei latinhas de refrigerante, tampinhas de todo tipo, moedas, botões, papéis de carta, até insetos já colecionei. dentre outras coisas, lembro-me de como era gostoso colecionar álbum de figurinhas. não pela coleção em si – até porque nunca completei um álbum sequer – mas pelo prazer de abrir o pacotinho, sentir aquele cheiro, tirar a figurinha do adesivo, tentar grudá-la no álbum de forma mais reta e perfeita possível, dentro da linha. tudo isso era prazeroso para mim.

benjamin completará 4 anos em poucos meses. ele nasceu no ano da copa de 2010 e eu optei por ter um álbum para guardar para ele. tentei comprar algumas figurinhas, mas sempre que eu ia à banca, tinha acabado. então ele está lá, guardado para um futuro não tão distante, na nossa cápsula do tempo.

ontem benjamin voltou da escola com um álbum de figurinhas da copa de 2014 na mão. a princípio eu achei legal, lembrei da minha infância, pensei na gente colecionando as figurinhas e coisa e tal. até ver o recadinho da escola:

“sr. pai, mãe ou responsável,
os alunos ganharam da editora panini um álbum da copa do mundo 2014.
atenciosamente, equipe do jardim.”

de repente uma luzinha acendeu. alguma coisa estava me incomodando, mas eu não sabia ao certo nomear o que era.
saímos da escola e ele carregava aquilo nas mãos, todo contente.

enquanto voltava para casa, fiquei matutando a ideia, até que encontrei com o marido e conversei com ele sobre o tal “presente” que ele havia ganhado não da escola, mas da editora que comercializa o álbum e os cromos.
enquanto eu havia demorado minutos e mais minutos para processar a ideia, a reação dele foi instantânea: “que absurdo!” e de repente eu consegui dar nome aos bois e a todas as ideias que eu vinha ruminando.

antes que eu apresente nossos argumentos aqui, gostaria de compartilhar uma notícia que li há pouco:

Com 1 mil reais em figurinhas, jovem completa álbum da Copa em 8 horas” (clique para ler).
trata-se de um rapaz que comprou mil pacotinhos de figurinhas, trocou umas repetidas, vendeu o restante, completou o álbum e ainda ficou com uma grana pra fazer o que quisesse e bem entendesse.
nesse caso, vemos um jovem esperto e oportunista que viu a chance de fazer dinheiro. mas, pensando bem, veja o tanto de dinheiro que ele precisou investir para completá-lo tão rápido!

quem já colecionou figurinhas na vida sabe que é quase impossível ter um álbum completo, a não ser que você seja muito sagaz e esteja disposto a investir um certo dinheiro. geralmente é um amigo ou conhecido que completa, nunca a gente (a não ser que você seja esperto como esse garoto. esse não era meu caso ; ).
numa proporção menor do exemplo dado acima, li outras reportagens sobre jovens (geralmente são adolescentes e adultos, raramente crianças) que completaram seus álbuns. vi desde gente que gastou R$ 150,00 até esse exemplo extremado, onde gastou-se mil reais. mas o que fica pra mim é: se você pretende levar a sério essa história de completar um álbum de figurinhas, prepare-se para gastar alguns bons dinheiros.

e, ainda nas notícias frescas que andaram pipocando por aí, recentemente o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente – CONANDA – proibiu a publicidade infantil. essa notícia chegou para mim esta semana e eu soltei fogos porque quem acompanha mais de perto esse lance do consumismo voltado para crianças, sabe que as empresas e publicitários pegam pesado, muito pesado.

quem quiser pode ler o texto completo – publicado dia 4 de abril no diário oficial da união – clicando aqui. eu selecionei apenas dois trechos para fundamentar meus argumentos a seguir:

“a prática do direcionamento de publicidade e comunicação mercadológica à criança com a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço” é abusiva e, portanto, ilegal segundo o Código de Defesa do Consumidor.

“considera-se abusiva a publicidade e comunicação mercadológica no interior de creches e instituições escolares de educação infantil e fundamental, inclusive em seus uniformes e materiais didáticos”.

(me inspirei no site do instituto lana, aqui).

tendo todos esses pensamentos em ordem, peço que viajem comigo para que cheguem onde cheguei:

a princípio a minha reação foi “oba! que legal! um álbum de figurinhas para toda a família colecionar e se divertir!”. de fato, colecionar proporciona diversão na certa. a surpresa, a troca entre outras pessoas, aprender a dar valor a certas coisas… muitas lições podem ser tiradas a partir de um ato simples como esse.
mas o álbum não foi presente da escola, foi um presente da editora que distribui o álbum. isso pra mim faz toda a diferença.
se fosse uma ideia da diretora ou professores do corpo docente eu pensaria: “nossa, como eles são bacanas! foram atrás de presentear todos os alunos nessa época da copa!”. mas não, né?

dizem que cavalo dado não se olha os dentes. pois em casos como esse eu olho os dentes, a cela, as ferraduras, as motivações e intenções de quem deu o cavalo. a editora “presenteou” por volta de 120 crianças apenas nesse pequeno jardim de infância. quantas outras escolas eles abordaram? quantas crianças foram impactadas?

dei uma folheada no álbum e contei 8 anunciantes (dentre eles, a própria panini e a fifa).

para completar o álbum você precisa de 649 figurinhas diferentes, sendo que 9 delas – vejam só que esperteza – são patrocinadas.
vamos agora fazer os cálculos: cada pacotinho vem com 5 figurinhas diferentes e custa R$ 1,00. se você for uma pessoa sortuda, muito sortuda mesmo, daquelas que nasceu com o bumbum virado pra lua, é sempre sorteado em rifa de escola, bingo beneficente da igreja e acerta na mega sena toda vez que joga, pode ser que não tire nenhuma figurinha repetida e consiga completar o álbum gastando apenas R$ 129,80. sim, esse é o valo mínimo que se “investe” nesses pacotinhos de cromos autocolantes.
mas se, como eu, você nunca ganha nada, nem troco a mais porque o vendedor não tinha moedas, nem raspadinha, nem palito de picolé premiado, mermão, você ainda pode completar seu álbum solicitando os cromos faltantes pela internet. cada figurinha custa R$ 0,20 e há a restrição de 40 por pedido. ah, esqueci de dizer que você tem que pagar R$ 6,50 de taxa de entrega por pedido.
vinte centavos vezes quarenta mais seis e cinquenta. seiscentos e quarenta e nove dividido por quarenta. resta nove, vezes vinte centavos mais seis e cinquenta. pronto! você pode montar seu álbum sem sair de casa gastando R$ 240,30.
mas ah! você acaba de perder todo o encanto e magia de abrir os pacotinhos, sentir o cheiro, trocar com os amigos, torcer pra tirar aquela figurinha linda, glamurosa e brilhantosa que você sempre sonhou! sem falar no momento mágico que você terá com seus filhos! se você faz questão disso tudo, prepare-se para gastar uma pequena fortuna (e não diga que não avisei!).

veja bem, vamos voltar ao começo do texto: eu não sou contra álbum de figurinhas! estou me manifestando a respeito de como ele atingiu meu filho e outras 119 crianças hoje de maneira invasiva e contra a consulta de qualquer pai ou responsável por aqueles pequenos que, num belo dia ensolarado de uma quinta feira qualquer, levaram seus pequenos à aula.
eu fiquei observando na saída as caras felizes de todos eles com o treco na mão (que benjoca inocentemente chama de revista e sem fazer ideia da existência das figurinhas, por enquanto) e confesso: me alegrei com eles, porque me lembrei da alegria da minha infância. mas depois me enraiveci não com a escola, não com a copa e não com o produto em si. me chateei com tudo que acontece quando o assunto é ganhar as crianças para, assim, ganhar rios de dinheiro. isso é covardia! não é à toa que a conanda considerou que toda publicidade direcionada às crianças é abusiva, inclusive dentro de escolas.

e aí, vem a espertinha da panini e distribui esse tanto de álbum pra criançada. vamos lá, será que a intenção deles era simplesmente alegrar a garotada? santa inocência, batman! se assim fosse, eles também dariam de presente as seiscentas e tantas figurinhas necessárias para completá-lo. mas não, deram apenas quatro, para dar a eles o gostinho de quero mais, depois de colarem e verem que ainda faltam outras tantas.
é como melar apenas os lábios de uma criancinha com chocolate e depois achar ruim se elas pedirem por mais.
entende que o buraco é mais embaixo?
isso foi imposto aos nossos filhos contra a nossa vontade! a escola, ao invés de ter mandado um bilhetinho como o mostrado acima, pregado ao álbum, poderia ter mandado apenas uma nota:

“sr. pai, mãe ou responsável,
os alunos ganharam da editora panini um álbum da copa do mundo 2014.
quem quiser, pode retirá-lo na secretaria da escola.
atenciosamente, equipe do jardim”.

pronto! foi-me dada a opção de escolher se meu filho vai ou não ganhar o “presente”.

é como o ensino religioso nas escolas. muito se fala, muito se discute. uns são a favor, outros são contra, mas a minha opinião é que isso deve ser decidido pelos pais. religião não se impõe. um pai que é cristão, por exemplo, e na escola fala-se sobre jesus, pode ser que goste, mas outro pai que é budista, agnóstico, ateu, pode não receber a notícia com tanto entusiasmo.
afinal, isso não trata-se de certo ou errado, trata-se de opção e isso deve ser respeitado, quer concordemos ou não.
por isso, na dúvida, não ofereça. deixe que cada um decida de acordo com o que achar melhor.

“luíza, então você é contra toda e qualquer publicidade ou ação voltada diretamente para o público infantil?”
sim!
“ah, mas se você não quer que seu filho seja bombardeado pela publicidade, então desliga a televisão que tá tudo certo!”
santa inocência, batman, parte II! se fosse fácil assim… mas isso não é questão de escolha. ela está em todos os lugares. infiltrada nas escolas, escancarada na televisão, nos outdoors, no cinema. e o consumismo faz parte do nosso dia-a-dia, como comer, escovar os dentes, conversar com os amigos. você vê nos produtos licenciados no mercado, na papelaria, nas bancas de jornal, na camiseta do amigo, no brinquedo do vizinho ou, pra ser mais precisa, nos brinquedos que seu filho tem.
eu nunca comprei, mas benjamin tem tanto produto licenciado.. e não é que eu queira me livrar de todos eles (até porque eles se multiplicam contra a minha vontade), mas eu sinceramente gostaria que essas coisas não fossem tão intensas e gritantes.

o episódio da panini foi apenas mais um dentre tantas coisas que nos atingem constantemente, mas me indignou porque neste caso específico a editora agiu de má fé, propositadamente. numa escola pública onde nem todos os pais têm dinheiro para comprar coisas básicas para seus filhos ou mesmo pagar uma escola, muito menos para gastar mais de cem reais em figurinhas autocolantes. tava a velha a fiar em seu lugar e BAM! veio uma necessidade desnecessária ser imposta sobre ela.

se fosse tão fácil se proteger desse consumismo maluco, eu ficaria feliz.
não é como ver uma tempestade se aproximando lá fora, fechar as portas e janelas e aguardar, com segurança, ela passar.
ela entra mesmo assim, de maneira sutil, por uma fresta na janela, uma goteira, uma infiltração na parede. às vezes vem de forma mais explícita, como quando um vento se encarrega de levar as telhas e um aguaceiro toma conta da casa sem dó nem piedade.

tão inocente quanto achar que as culpadas de abuso sexual são as mulheres que usam roupas curtas ou andam sozinhas na rua. a culpa é de quem abusa, sempre!
os culpados são as grandes empresas e os estrategistas de marketing e publicidade. nós é que somos as vítimas. pior que isso, nossos filhos!
eles que crescem nesse mundo achando que precisam de certas coisas para serem felizes, para serem aceitos e inclusos socialmente. que acham que tudo se compra, que precisam de televisão, videogame e outras parafernálias tecnológicas para se divertirem e esquecem da simplicidade que é brincar ao ar livre, transformar uma caixa de papelão numa nave espacial, uma casinha, um esconderijo.
que, quando crescem, associam suas mais tenras e inocentes memórias de infância a brinquedos que ganharam, a idas ao shopping, a lanchonetes, comidas entupidas de açúcar e, quando procuram consolo para si e para seus filhos, repetem esses comportamento para confortá-los.

não, não dá pra achar que a solução é largar tudo e ir morar no meio do mato, sem tv, internet nem grandes centros de consumo, vivendo à base de agricultura orgânica de subsistência e permuta com os vizinhos (apesar de eu achar isso tudo louvável e morrer de vontade de fazer isso).
ela está diante dos nossos olhos e cabe a nós, mães e pais, diariamente ensinar nossos filhos como se portar diante de tudo isso.

eu amo a escola do benjamin. tenho um carinho enorme por todos que trabalham e estudam lá.
mas sei que, ao conviver rotineiramente com pessoas diferentes de nós, ele trará sempre novidades para casa. a maior parte delas, claro, é boa.
mas volta e meia preciso mostrar algumas coisas sob a ótica do que cremos e defendemos.
quanto mais ele mergulha nesse mundo, mais eu preciso ensiná-lo a nadar nele. e aí é que começa a verdadeira educação.

diante de situações como essa, me sinto impotente. às vezes dá vontade de só me jogar e deixar a correnteza nos levar.
mas é isso que nossa cultura nos ensina: a se acomodar. a romantizar essas situações, que já estão tão impregnadas em nós que não damos conta de ver o tamanho do dano que nos causaram e continuarão a causar em nossos filhos, agora de maneira ainda mais incisiva e brutal que na nossa época.
mas lembro que o único jeito de vencer certas situações é botando a boca no mundo e aqui estou eu.

esse é só o começo, eu sei. estou só aquecendo ; )

e você? já passou por situação semelhante?
quer botar a boca no trombone?
aproveite pra botar a boca no mundo também. não vamos nos calar e nos conformar enquanto sambam e sapateiam na cabeça dos nossos pequenos!
leia, compartilhe, escreva seu próprio texto. converse na escola de seus filhos, converse na sua casa, converse seus pequenos, mas não se cale!

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48 Comments »

  1. Faz todo o sentido. Foi uma clara ação de Marketing. Fica a dica para as Instituições de Ensino também virarem parceiras contra essa propaganda abusiva focando crianças.

    E no supermercado então em que as gondôlas de "gordices" ficam na altura das crianças? Agora pergunta se o tomate e o alface ficam na mesma altura?!

    Excelente post! (Como sempre…)

    Comentário by fabiola — abril 11, 2014 @ 8:43 am

  2. Texto perfeito..nao tenho filhos mas quero passar um pouco de como foi minha infância quando tiver os meus…sinto muito mais feliz em lembrar das minha brincadeiras na rua do que não ter tido aquele patins da moda… Bjs

    Comentário by Karina — abril 11, 2014 @ 8:58 am

  3. Olha Luíza, como mãe tenho a mesmíssima opinião que a sua, aliás, tenho vários "causos" também!

    Meu pai adotou há alguns anos um menino de dois anos, quando ele foi pra casa do meu pai, ele era super tranquilo, aceitava e agradecia tudo que davam a ele, um anjo que caiu do céu, e minha "adorada" madrasta sempre muito atenta ao filho, o deixa (até hoje) a frente da TV, porque pra ela, mais vale uma criança comportada, à uma que revire a casa do avesso, detalhe… lá não se vê um copo sujo na pia… CREDO! Aqui em casa nesse momento tem vários, fora os patinhos e bichinhos do Davi espalhados no corredor, mas voltando… Com três anos de idade, a adorável criança só usava sandália do BEN10 e só agradecia se o presente de aniversário fosse de quem??? Do Ursinho Pimpão? NÃO! Do BEN10!!
    Com o tempo, passou a exigir danoninhos e afins. Ao ganhar um mini-game em forma de carrinho, logo que viu que na embalagem indicavam outras cores, mal agradeceu o presente e já exigiu as outras duas cores de mini-game sem ao menos brincar com o que havia acabado de ganhar.
    Um belo dia, eu na casa do meu pai com o Davi recém-nascido, ele fez novo escanda-lo, agora já com 7 anos, querendo um álbum de figurinha (coincidência) e meu pai na hora não tinha dinheiro na carteira, o que ele fez? Chutou meu pai e o xingou no meio da rua, passado algumas horas, ele resmungou "O senhor tinha que ter me dado, não é pra isso que você trabalha?" – A minha vontade foi de espancá-lo, mas beleza, não me entrometi e eis que um dia depois, veio meu pai com o tal álbum de figurinha, o mesmo aconteceu no final do ano, onde por preguiça, ele reprovou de ano, mas tudo bem, sem problema, eles resolveram com medicamento "anti-falta-de-atenção", coisa que acho absurda e claro, um presente!
    Deram um álbum de figurinha? Não! Um tablet! kkkk
    Nem vou dizer qual a minha opinião… mas acho que nem precisa, né?

    Comentário by Costurando Nuvens — abril 11, 2014 @ 9:00 am

  4. Luiza, o que vc vai fazer com o Álbum?

    Comentário by Vanessa — abril 11, 2014 @ 9:13 am

  5. Oi Luíza, na escola do meu filho já teve show do Patati Patatá “de graça” com posterior divulgação de produtos e outros teatrinhos no mesmo esquema. O pior foi folder de empresa de webdesign que veio na agenda. Tá, neste caso não era direcionado às crianças, mas achei um absurdo mesmo assim. Botei a boca no mundo, quase trocamos o Pedro de escola, mas não fomos em frente por perceber que são quase todas assim. Então decidi enfrentar a cada vez que ocorresse até encontrar uma escola bacana. Agora tem uma escola sensacional nova aqui perto,mas e a coragem de tirá-lo de seus amiguinhos e de seu espaço tão querido? Ai, ai

    Comentário by Rafaela — abril 11, 2014 @ 9:15 am

  6. Essa semana perguntei pro meu marido: você vai ser o único pai que não vai colecionar o álbum da copa com o filho?
    E ele me respondeu: já viu a roubalheira que está sendo a copa? Já viu a entrevista onde o Pelé fala que as mortes ocorridas nas construções dos estádios são normais? Já viu o tanto de patrocínio no álbum?

    Eu não esperava isso dele, que é um entusiasta por esporte, e confesso que fiquei um pouco chateada pelo Heitor não ter uma recordação da copa no Brasil, quando crescesse. Mas ele continuou a me mostrar os pontos negativos da copa (até pq eu não me envolvo com nenhuma notícia de futebol), e me sugeriu qu eu escrevesse a respeito. (Que bom que você o fez, eu achei muito bom o texto).

    Sobre produtos licenciados, nós aqui em casa gostamos de cozinhar, e queremos envolver o Heitor na cozinha desde cedo. Como é muito cedo pra ele cozinhar de fato, nós o levamos no marcado, apresentamos os legumes e frutas que ele compra, ele ajuda a ensacar, essas coisas. E ele adora tomate cereja, embora seja bem mais caro que o tomate normal, eu compro. E outro dia: SURPRESA! Apareceu no mercado um tomate cereja da Galinha Pintadinha pelo dobro do preço. Ou melhor pelo mesmo preço e com a metade da quantidade. Ele viu e começou a falar "uvaaa", "popó"… E aí como explico?
    Confesso que para evitar o escândalo no mercado eu coloquei o tomate no carrinho e quando ele se distraiu eu tirei. Mas pô! Não posso mais fazer as minhas compras em paz? Eu amo a Galinha Pintadinha, mas olha onde estávamos… E era um mercado tipo quitanda, quase sem produtos industrializados.
    Achei um absurdo.

    Comentário by Jeane Avellar — abril 11, 2014 @ 9:18 am

  7. Na escola da minha filha, deixará à disposição uns álbuns do angry birds, pegou quem quis

    Comentário by Fabiola — abril 11, 2014 @ 9:24 am

  8. solução: escola waldorf… lá até roupas, mochilas e acessórios pedem que não sejam os de personagens… a mochila da minha é da minie, presente, mas boa, impermeavel… vou usar até o próximo ano… mas de resto, nada de personagens… é bom! não que ela não conheça, ou não peça, mas pelo menos na escola, não é bombardeada com estas coisas…

    Comentário by Thaty Baldini — abril 11, 2014 @ 9:31 am

  9. Você foi conversar na escola? Ligou e reclamou na empresa? Denunciou ao CONAR e ao Instituto Alana? Denunciou em outros órgãos competentes? Fiquei curiosa sobre o resto… Tem mais ou é só o passo um: denúncia no blog?

    Comentário by Adriana Franco — abril 11, 2014 @ 10:13 am

  10. Adorei!!! Saber que pelo código tb inclui os uniformes, na escola da minha filha eles não disponibilizam nas papelarias como a maioria por um preço razoável , eles vendem lá mesmo na secretaria.
    – R$ 32.00 – uma ralé de camiseta;
    – R$ 32,00 – o shorts -saia em tec tell
    – 87,00 – casaco de frio … e por ai vai.. o que acho um abuso.
    Será que questiono com a escola sobre isso? E ainda exigem uniforme completo, ( o que concordo) mas esses valores…. Salgadooooo..

    Comentário by Selma — abril 11, 2014 @ 10:29 am

  11. Luiza, deve confessar que apesar de ainda não ser mãe, sempre que desânimo e vejo coisas absurdas sendo ensinada e estimulada nas crianças da minha família, venho aqui, e nunca me decepciono. Com seus textos, você me dá um sopro novo, de confiança de uma nova geração. Mais consciente e humana. Obrigada!

    Comentário by Silvania Rodrigues — abril 11, 2014 @ 10:31 am

  12. Ainda não sou mãe, mas esse é um assunto que me incomoda profundamente. Tanto que o tema da minha monografia na conclusão do curso de Comunicação Social foi a necessidade de proibir a publicidade de alimentos para crianças. Especifiquei a de alimentos, mas sou contra qualquer tipo de propaganda pra esse público. Em alguns países esse tipo de ação (do álbum de figurinhas) e qualquer tipo de propaganda direcionada a crianças é proibida por lei até os 12 anos. Quem sabe um dia chegaremos nesse patamar.

    Comentário by Bruna — abril 11, 2014 @ 10:42 am

  13. Na escola da minha fulha vai uma equipe de fantoches uma vez ao ano e eles dão no final um bonequinho e um DVD por "apenas" R$50,00.

    Eles mandam o recado dizendo que quem não quiser pode devolver, mas depois de já ter dado tudo na mão da minha filha e ela chegar toda animada querendo abrir? É muita sacanagem….
    Colocasse na mochila sem ela ver ou então falava que quem quisesse retirava na escola

    Comentário by Carla — abril 11, 2014 @ 10:46 am

  14. Um jornal de grande circulação de Salvador está vendendo o jornal e de grátis vem o tal álbum. Uma tia me ligou toda serelepe perguntando se queria q ela comprasse para meu filho, eu de cara, sei lá pq não aceitei. Nunca gostei de álbum de figurinhas pelo motivo de saber que muito raramente eu iria conseguir completar sem gastar os zóios da cara. Então nem quero que meu filho se sinta tentado em ter o álbum e ficar azucrinando meu juízo pra comprar figurinhas e blá blá blá.
    Corro léguas desse mal.

    Bjos!

    Comentário by Priscila Nascimento — abril 11, 2014 @ 10:50 am

  15. Na livraria aqui do lado de casa, tem álbum disponível de graça, a gente só compra as figurinhas, então acho que deu no mesmo que a ação da editora na escola…Eu vou fazer o álbum pq na última copa tb fiz e achei legal, mesmo não tendo filhos, com um pouco de esforço consegui completar o álbum todo e o dei de presente ao meu marido, completinho, logo depois engravidamos e ficou de recordação… agora tenho um menino de 3 anos que não vai entender muito, mas vai achar o máximo colar os "adivivos" no livro….

    Comentário by Daiane — abril 11, 2014 @ 10:50 am

  16. A primeira coisa que pensei quando li que era um álbum de figurinhas da copa foi: mas até a escola quer persuadir as crianças desde cedo nesse mundo do futebol. Não que eu não goste de futebol, como esporte é ótimo praticar, ver alguma partida e tal. Agora futebol o ano inteeeeeeiro pra distrair o povo, ninguém merece. E não é só campeonato nacional que o pessoal acompanha, é europeu também. Foi quarta-feira que passou, meu esposo acompanhando na mesma noite 3 jogos da Libertadores parece… É muita perda de tempo, pra algo que não vai mudar absolutamente nada pra nós. Se o Brasil ainda investisse bem no esporte, ainda teríamos motivos pra vestir camisas e tal, mas não é assim e está muito longe de ser. Com certeza as crianças, jovens, todos no geral devem ser incentivados a praticar esportes, mas sabemos qual é o principal motivo desses campeonatos o ano todo. Concordo totalmente contigo a respeito da atitude da diretora. Não dá pra criar os filhos longe de todo apelo comercial, mas dá pra orientar e ajudar para que tenham opinião e saibam o que realmente é importante. Bjos

    Comentário by Mayra Muhieddine — abril 11, 2014 @ 11:01 am

  17. Ah, sobre isso tem dois documentários excelentes: Criança-a alma no negócio e Muito Além do Peso. Tem os dois na íntegra no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=TsQDBSfgE6k https://www.youtube.com/watch?v=49UXEog2fI8

    Comentário by Bruna — abril 11, 2014 @ 11:16 am

  18. Luíza, excelente texto!

    Você conversou com a escola sobre isso? Qual foi o posicionamento deles?

    Comentário by Rhana Rabbi — abril 11, 2014 @ 12:36 pm

  19. Meu Deus o que fazer? Para onde ir? Fico me perguntando onde esse mundo vai parar parece que estamos nadando contra a maré. Tenho um bebê de cinco meses e minha alma gela só de pensar em enfrentar essas situações.

    Comentário by Adriana — abril 11, 2014 @ 3:10 pm

  20. vcs ja viram a propaganda da ri happy (loja de brinquedos), dizendo q na Páscoa o legal mesmo é ganhar brinquedo!
    choquei!
    inversão total de valores…

    Comentário by Renata — abril 11, 2014 @ 4:11 pm

  21. Olha só Luisa
    http://g1.globo.com/economia/midia-e-marketing/no

    Comentário by Marina — abril 11, 2014 @ 7:10 pm

  22. Pessoal, sinceramente… O Álbum é produto de uma empresa privada, você coleciona se quiser, compra as figurinhas se quiser… Acho muito válido questionar com a escola, pois certamente ela recebeu algo da empresa por “abrir as portas” da escola e permitir essa distribuição.

    Agora ficar questionando o quanto é gasto pra completar o álbum etc… Tenho uma filha que vai completar 05 anos daqui a alguns dias, já tentei comprar alguns álbuns de filmes, de princesas, mas não gostou, não tem paciência, então não vou comprar o da Copa.

    Mas se ela gostasse, compraria.

    A educação que ela tem em casa permite que façamos isso com responsabilidade. Ela nem de longe tem tudo que quer e nem fica insistindo até chorar para comprar coisas, ela já tem essa consciência porque ensinamos aos poucos e vamos continuar ensinando.

    O que vejo aqui são muitos pais transferindo a responsabilidade de ensinar aos seus filhos sobre determinados valores.

    Um abraço!

    Comentário by Daniele Barbosa Paulino — abril 12, 2014 @ 9:00 am

  23. Oi, Luíza.
    Já falei um pouco sobre isso no meu blog. Na ocasião (há quase um ano), o que aconteceu foi um show dentro das dependências da creche que meu filho frequentava.
    Lamentável. http://intimidadevidaselvagem.blogspot.com/2013/0
    bjs

    Comentário by Ártemis — abril 12, 2014 @ 1:19 pm

  24. Concordo com você. Entregaram isso na escola que trabalho também.

    Comentário by vagner — abril 13, 2014 @ 3:21 am

  25. Sempre te conheci, nunca comentei. Da um bom nome de filme contemporâneo, hein? Hahah

    O mais importante? Você se deu conta da tramóia e nao se deixou enganar pelo lobo vestido de ovelhinha fofa e peluda. Pois a maioria sequer considera a possibilidade, e acham que um ato de tamanha generosidade e desprendimento deve ser aplaudido. Ate mesmo a escola, muitas vezes!

    Portanto, cabe aos pais antenados mostrar à escola que nao ē bem assim. Concordo totalmente que um simples bilhete pedindo pros interessados pegarem o presente na secretaria teria resolvido tudo!

    Parabéns pelo Post e pelo raciocínio! Adorei!

    Beijos!

    nicolandoporai.wordpress.com

    Comentário by Luciana — abril 13, 2014 @ 12:32 pm

  26. Nossa … Você é FODA !!! Desculpe o palavrão. Mas sua colocação foi perfeita. Essa semana eu apresentei a minha enteada de 3 anos e meio, um álbum de figurinha. Justamente pelo mesmo motivo seu de gostar delas. Brincamos juntas, ela procura pelos números e letras, reconhece os personagens e inventa histórias… Muito divertido e saudoso pra mim que tive alguns álbuns na infância e amava !!! Mas ler seu post me fez mergulhar em pensamentos que até então eu com uma filha de 7 meses ainda não havia mergulhado. Penso que devo proteger e ensinar muitas coisas para minha filha, mas ainda não vivi nenhuma situação com relação a imposição de "mercadorias" na nossa convivência. Sei que estaremos expostas, e será uma batalha enfrentar essa indústria safada e sem vergonha que temos … Parabéns mais uma vez !!!

    Comentário by Fernanda — abril 13, 2014 @ 10:53 pm

  27. Luíza, estou passando exatamente pela mesma situação. Há mais ou menos duas semanas o Felipe recebeu em casa um desenho para colorir, com um espaço para nós pais colocarmos nossos dados, pois segundo o Felipe eles ganhariam de "brinde" uma revistinha com atividades. Lógico que na hora eu já saquei a deles, com certeza a primeira vem de brinde e as outras teremos que comprar. Markiting abusivo, e agora ilegal. Desde aquele dia eu fiquei com aquela pulguinha coçando. É lógico que o Felipe coloriu o desenho e nos preenchemos o tal formulário, embora, totalemnte a contragosto. Acontece que quem defende que são os pais que precisam ensinar as crianças sobre limites e essas propagandas mentirosas e abusivas não sabe o que é chegar em casa e a criança te apresentar uma coisa dessa toda empolgada, porque tenho certeza que todos os outros pais vão preencher o tal folheto sem pestanejar. Uma criança de 6 anos vai entender o porquê de nós sermos contra o bendito do folheto. É obvio que não. A única coisa que ela vai entender é que nós não queremos que la "ganhe" o tal brinde.

    Comentário by Francine B — abril 16, 2014 @ 2:37 pm

  28. cont.
    O fato é que isso ta me incomodando de um tanto que vc não imagina. Porque é isso hoje amanhã outra coisa. Eu pensei em escrever uma carta a escola, falando sobre meu descontentamento, explicando sobre a minha opnião sobre o consumismo e tudo isso que vc já sabe. Mas, tenho certeza que meu marido será contra. Ele vai achar desnecessário e que seria melhor a gente falar pessoalmente na reunião. Acontece que eu nem sei qdo vai ser a outra reunião e eu não gostaria de falar dessa forma, porque acho que me expresso muito melhor escrevendo. Tenho medo de falar na hora da reunião e diminuirem a importancia da minha preocupação na frente dos outros pais, que com certeza, nesse caso vão acabar achando um exagero meu. Entende?? Sem falar que na hora eu acabo travando e não falando tudo o que tenho vontade.
    Acredito que o medo do meu marido seja pelo fato da gente sempre ser taxado de chatos, aqueles pais que arrumam confusão por qulquer coisa. Entende?? E nós gostamos da escola. O Felipe mais ainda.

    Comentário by Francine B — abril 16, 2014 @ 2:49 pm

  29. cont
    Vc ainda não tem filhos maiores, mas vc já sentiu medo de expor alguma opnião na escola e depois seu filho sofrer uma espécie de antipatia por parte dos professores em decorrencia disso. Não sei se vc vai me entender, mas tem coisas que eu evito pq tenho medo da professora transferir ao meu filho a "antipatiia" que ela possa ter de mim caso eu fique "implicando". Entende?? Queria muito que vc falasse sobre isso. bjos

    Comentário by Francine B — abril 16, 2014 @ 2:49 pm

  30. Luiza, meu filho de 4 anos tb recebeu o álbum na escola. lembrei da sua postagem e reclamei na secretaria.parabéns pelo post. Concordo com vc.

    Comentário by ana luiza — abril 16, 2014 @ 9:11 pm

  31. Criança, a alma do negócio: https://www.youtube.com/watch?v=KQQrHH4RrNc

    Comentário by Amanda Torquette — abril 22, 2014 @ 9:44 pm

  32. Muito bom o texto, mas sinceramente acho que o problema não é da editora e sim da escola.
    Quando saímos, nos e nossos filhos somos bombardeados pela publicidade e por tudo o que ela nos oferece.
    Nos, como pais, devemos proteger nossos filhos e procurar separar e oferecer o melhor.
    E qdo não estamos presentes?
    Dai minha opinião. A escola é a responsável e não a editora.

    Comentário by Cadu melo — abril 22, 2014 @ 11:40 pm

  33. […] desses deparei-me com este texto enquanto eu juntava minhas próprias ideias sobre álbuns de figurinhas. Nele, encontrei […]

    Pingback by Para além da diversão dos álbuns de figurinhas ‹ Milc — junho 22, 2014 @ 9:48 pm

  34. Belo post.

    Comentário by ketina — setembro 26, 2014 @ 12:57 pm

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