16 de janeiro

amor entre irmãos

por luíza diener

grito

mês passado eu falei aqui sobre a dificuldade que eu estava tendo em criar um vínculo com o bebê dentro da minha barriga.

olha só: eu, adulta, casada há 6 anos, mãe de um filho de quase 2 e meio, que se auto-denomina potencial gestante e idealiza ter filhos há muito mais tempo que isso, logo eu tive dificuldades em estabelecer um vínculo inicial com meu bebezinho.

agora imagine o que é isso para uma criança pequena.

lembro-me constantemente da minha infância, sempre acompanhada e dividida com minhas duas irmãs mais velhas. foi uma coisa linda, mágica incrível. temos idades muito próximas e quase todas as nossas brincadeiras eram juntas, sempre.
quer dizer, essa é a lembrança que ficou pra mim, depois de crescida.
eis uma frase que costumávamos repetir sempre umas às outras: “te odeio! quero que você morra!

e outras célebres pérolas que costumávamos soltar: “você foi achada num ninho de cobras”, “ninguém te suporta”, “nunca mais quero ser sua irmã”. pera aí! será que eu e minhas irmãs não nos amávamos? será que nossa infância foi uma farsa?

não. pra falar a verdade, minha infância contém as melhores lembranças que tenho de toda a minha vida. e não seria assim se não fosse pelas minhas irmãs.

apesar das palavras duras ditas em momentos de raiva, eles não passavam de lapsos curtíssimos que, poucos minutos depois, eram seguidos de abraços, beijos e novas brincadeiras.

mesmo com tantas juras de ódio e já tendo desejado do fundo do meu coração infanto-juvenil que minhas irmãs desaparecessem do planeta terra, eu sabia que as amava de verdade e que sem elas nunca seria quem eu sou. hoje elas são, sem sombra de dúvidas, as melhores amigas que eu tenho.

tendo todas essas lembranças em mente, como não desejar tudo isso pro meu filho?

como não querer que ele e esse bebezote aqui dentro não cresçam juntos, descubram um mundo de aventuras e aprendam a aprontar escondidos de mim e do hilan?

como não desejar esse vínculo tão forte que só irmãos têm e que perdura por uma vida inteira?

mas infelizmente não acredito que esse seja um vínculo instintivo que mães e bebês têm. se dois irmãos são criados distantes um do outro, pode ser que na vida adulta nunca venham a se entender.

pra mim, o amor entre irmãos é uma coisa diária.

mas como criar isso antes mesmo deles começarem a conviver, quando o mundo deles é ainda tão distante um do outro?

claro que eu, mãe coruja e didática que tento ser, tenho me esforçado em tentar gerar esse vínculo desde já. no post da semana passada eu mencionei que o mindoca pergunta pelo seu bebê, faz carinho e beija a barriga.

mas tento ir além disso.

uma das primeiras decisões foi deixar que ele participasse das consultas pré-natais. visita a ginecologista, exame de ultrassom, ele sempre está lá. faz amizade com todo mundo, ouve o coração do bebê, ajuda a médica a me examinar (menos lá embaixo, ok?). diz que é o ajudante e ajuda mesmo, o máximo que pode.

por enquanto as mudanças são pequenas, mas o bebê sempre faz parte de nossas conversas.

pouco tempo depois dele desmamar, meu peito logo secou. e eu expliquei que o peito da mamãe não tinha mais leite, mas que quando o bebê nascesse, ia voltar a ter leite e que o neném ia precisar mamar, porque bebês só se alimentam de leitinho.

perguntei se ele ia emprestar o peito pra irmãzinha ou irmãozinho e ele disse que sim.

desde então, toda vez que vê meu peito é a mesma conversa: o leite secou? vai ter leite pra irmãzinha? eu vou emprestar o peito da mamãe pro neném.

e tentamos sempre conversar sobre coisas que bebês fazem e crianças não e vice versa. que ele já é uma criança e não chupa mais chupeta, que não dorme mais no berço, que não usa mais fralda… mas que bebês não andam de motoca (velotrol) nem bicicleta, que bebês pequenos não podem comer biscoito, fruta, carne, ou beber suquinho. que crianças sabem jogar bola, podem ir ao parquinho e até escorregar sozinhas.

que ser bebê é bom, mas ser criança é bom também.

ele já está sabendo que vai dividir o quarto, mas que nos primeiros meses o bebê vai dormir com a mamãe, por ser muito pequenininho. ele sabe que bebês pequenos choram muito (como o priminho dele) e que fazem cocô na fralda, mas que ele vai poder me ajudar a fazer o bebê parar de chorar cantando música, fazendo careta.. que vai poder me ajudar também a trocar a fralda do bebê e até dar banho nele.

ainda não contei para ele as maravilhas de se ter um irmão com quem dividir brincadeiras e aventuras para não gerar a expectativa de algo que ainda vai demorar a acontecer.

mas sei que essas coisas grandes começam nas pequenas.

já espero conflitos, crises de ciúmes e choros inexplicáveis.
já espero regressões da parte dele, mesmo que não queira que nada disso aconteça.
mas estou de coração aberto e disposta a ser paciente, dar a atenção que ele merece sem deixar de cuidar do outro, tão pequeno e frágil. estou pronta para ensiná-lo a compreender que, mesmo que seja difícil, ter irmãos é algo fantástico.

e só agora, terminando de escrever essas últimas linhas, eu percebi como meu foco para com meus filhos mudou tanto. antes eu me preocupava em somente suprir meu filho com todo amor, carinho e cuidado que eu pudesse dar. mas de repente, com outro a caminho, eu anseio com toda a força do meu coração que meus filhos se amem o tanto quanto eu os amo e que tenham essa cumplicidade que, graças a deus, eu tive o privilégio de ter com as minhas irmãs.

lumala

ê saudade desse tempinho bom!

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categorias: amor, benjamin, constança, estou grávida, eu gestante, irmãos, publicidade

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16 Comments »

  1. Luíza, amei tanto este post! Ontem mesmo estava conversando com amigas sobre o próximo filho, ter ou não ter (por questões financeiras a dúvida, lígico). E elas me lembraram o quanto eu fui feliz por ter sempre meu irmão por perto e o quanto a gente é importante um na vida do outro. Assim como aconteceu com você, minha infância foi feliz demais. E ele SEMPRE estava do meu lado. Mesmo qnd fomos para faculdade, dividimos apt. E só nos "separamos" qnd casei. E nos aproximamos ainda mais – pois nao tinha a briga normal da convivencia. 🙂 Ter irmão é uma dádiva que a gente demora um tempo para racionalizar, mas que a gente sente desde o início! Um beijo para vcs!

    Comentário by Julia Costa — janeiro 16, 2013 @ 9:20 am

  2. Estou com uma sobrinha querendo devolver o irmãozinho e vejo, perfeitamente, como este primeiro amor é importante…
    Louca pelo meu segundinho, tb!

    Bjs, bjs!

    Comentário by Gabi Sallit — janeiro 16, 2013 @ 10:28 am

  3. q lindo foi ler seu post, ainda mais p/ mim, filha unica que sonha em saber atraves das filhas como é ter um irmão. Estou esperando a segunda (31 semanas) e tenho uma menininha quase da mesma idade do benjamim (2 anos e 2 meses). Sempre fico pensando em como trabalhar para que elas criem uma convivencia saudável e um vinculo que só os irmão tem. Espero saber ajudar isso a acontecer, pq acredito que boa parte do relacionamento entre irmãos é fruto da harmonia do lar proporcionada pelos pais. Bjus

    Comentário by Ana — janeiro 16, 2013 @ 10:39 am

  4. Precisa dizer que essa foto é a coisa mais fofa do mundo? Adorei!
    Eu e meu irmão temos uma diferença de 12 anos…eu vim "por acaso", eu fui o descuido da mamãe e do papi..rsrsrsrs
    Amo meu irmão, mas não fomos amigos de fazer as mesmas coisas… Eu penso mt nisso. Quero muito dar um(a) imão(ã) para minha filha, mas dai vem o problemão: e a parte financeira? Imagina, eu e meu marido trabalhamos…e grana para escola de 2??? Meu Deus, esse é só um "obstáculo", fora tantas outras coisas… quero mt outro filho, minha filha ja tem 2 anos, mas sinceramente, não sei o que faço… Por ela, com toda certeza, ela merece um(a) irmão(ã)! Ter irmão é ter amigo compartilhar, amar, ter companhia, ter alguém para dividir a felicidade e somar o amor!!

    Comentário by Juliana — janeiro 16, 2013 @ 10:52 am

  5. Nossa, que post mais lindo!!!!! Digno de prêmios!
    Um presente para seus filhos lerem no futuro.
    Bjos

    Comentário by Cintya Danker — janeiro 16, 2013 @ 12:02 pm

  6. Nossa… me emocionei!!! Realmente, ter irmãos é um privilégio. Poder compartilhar tudo com alguém da sua idade e que vive sob o mesmo teto e enfrentando os mesmos desafios que vc, é algo único! Sou mt feliz de ter irmãos!

    Comentário by Stephanie Quinderé — janeiro 16, 2013 @ 12:48 pm

  7. Lindo lindo, adorei o post, e também tenho passado por isso, já que também estou grávida do segundo filho! Adorei! bjs

    Comentário by Mariana — janeiro 16, 2013 @ 1:02 pm

  8. sempre achei legal isso que irmão tem! eu tenho um irmao, mais de um… na real tenho 3! e sei pouco ou nada sobre eles! Não existe vínculo, são estranhos! mas sempre acho bonito quando vejo isso em outras famílias

    Comentário by carolina — janeiro 16, 2013 @ 2:56 pm

  9. Que mimosas…
    amey o texto Luíza! lindo de viver….

    beijos

    Comentário by Mamãe do Otávio — janeiro 16, 2013 @ 5:57 pm

  10. Luisa, primeiro parabens pelo seu blog , passo aqui quase todos os dias (mas morro de preguiça de comentar) e sobre o post preciso dizer que amei . Tenho um irmao 3 anos mais jovem e eu o amo d+ porem houve uma época que sinceramente eu o detestava, o tempo passou me casei nos distanciamos e percebi como sentia falta dele ,e entao eu percebi que a culpa de tanto desentendimento era dos meus pais , sabe sempre comparando sempre fazendo q um sentisse ciumes do outro logico que eles nao faziam isso querendo que a gente brigasse + faziam isso sempre e o resultado foi muita briga muita confusao.

    Comentário by josi — janeiro 16, 2013 @ 7:25 pm

  11. Agora que eu também sou mae , tenho 2 filhas de 7 e 3 anos e a 3 filha de ve chegar na proxima semana, eu tento fazer tudo diferente sem comparacoes sem cobrancas , procuro ensina-las a se respeitarem e incentivo a dividirem tudo ,inclusive o quarto tambem as envolvi muito nos preparativos da chegada da nova baby e tem funcionado. Então me arrisco a dizer que a gente ja nasce preparado para amar o irmao, mas cabe aos pais fazerem esse amor desabrochar e virar um grande amor .Peço a Deus todos os dias que me conceda a graça de ver minhas filhas se amarem e se respeitarem cada vez mais.

    Comentário by josi — janeiro 16, 2013 @ 7:32 pm

  12. Sabe, ler esse texto foi delicioso… tenho um rapaz de 2 anos e meio e estou grávida de 5 meses de uma princesa… desde quando descobrimos a gravidez já começamos a conversar com ele de forma positiva… sempre falando em acrescentar alegria e nunca em perdas. Colocando que ser irmão mais velho, como a mamãe é, é maravilhoso pq vc pode ajudar a cuidar do neném, tomar conta, ensinar várias coisas… que é responsabilidade de menino grande e ele já é um rapaz!!!
    Também senti essa dificuldade do vínculo inicial mas com o tempo ele foi chegando e já não consigo fazer planos para um e não incluir o outro… Ser mãe é prazeroso e ter a alegria de descobrir que terei um parceirão nessa nova caminhada é emocionante!

    Comentário by Aline Moreno — janeiro 17, 2013 @ 7:31 am

  13. Oi, Luiza, lindo post. Também nunca comentei. Achei engraçado ter descoberto seu blog só há pouco tempo, pois na época da minha gravidez li tudo quanto é blog de mãe e nunca tinha chegado ao seu. Além disso, descobri lendo os seus posts que você é de Brasília, assim como eu.
    Enfim, eu sou mãe do príncipe Henrique, um ano e 9 meses e estou doidinha pelo segundinho. Estamos esperando algumas coisas se ajeitarem para isso. Sobre irmãos: tenho um irmão e uma irmã e lá em casa sempre foi tudo muito junto, unido, crescemos brincando e brigando juntos, assim como você e suas irmãs. Muito amor no meio!! Eu sempre falei que o meu príncipe não merece ser filho único (desculpe para quem não concorda, mas nunca gostei da idéia do filho único) e espero que Deus me dê a benção de ser mãe mais uma ou duas vezes. Beijão pra você. Blog sensacional!!

    Comentário by Juliana Cunha — janeiro 17, 2013 @ 10:21 pm

  14. Qual das menininhas é você??? Aqui em casa era assim tbm, minhas irmãs tinham os cabelos pretinhos e eu era loira. Elas ficavam me infernizando dizendo que eu era adotada rsrs. Mas é coisa de irmão, nos amamos muito!
    Beijos

    Comentário by Andreia Lazaro — janeiro 18, 2013 @ 8:57 am

  15. "Oh, como é bom e agradável
    Viverem unidas, as irmãs, as irmãs, as irmãs,
    viverem unidas, as irmãs, as irmãs, as irmãs! "
    Adorava cantar a musiquinha quando vias as lindinhas aos beijinhos e abraços !
    Muito bom ter os filhos pertinhos uns dos outros. Tem dia que a gente quase morre, mas vale muito a pena !
    Lindo e verdadeiro post.
    Sei que vai ser assim também com Benjoca e cia ltda.
    Beijinhos da mamy que está lendo tudo quanto é posto dos últimos tempos de uma vez

    Comentário by Daisy — fevereiro 4, 2013 @ 5:27 pm

  16. Lindo seu post e lembra bem minha convivência com minha irmã, apesar de termos 5 anos de diferença! mas foi exatamente essas frases que diziamos uma para outra qdo crianças… Ahh… Mas hj lembramos isso e damos mtas risadas qdo recordamos!!! Estou esperando o meu segundo filho, o meu primeiro tem 2 anos e 2 meses. E eu qria q fosse uma diferença de + ou – 2 até 4 anos de idade, para q eles aproveitassem bastante essa grande União entre irmãos…. Um bjo e irei continuar vendo seus posts…

    Comentário by Franciely-ES — fevereiro 21, 2013 @ 12:28 pm

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