12 de janeiro

anônimos famosos parte II

por luíza diener

há uns anos, antes da existência do pequeno benjoca, escrevi este post sobre a vergonha alheia que eu sentia do rapaz que tocava violão no laboratório perto da minha acupuntura. é fato, só de lembrar dessa história eu ficava com vergonha.

prometi que nunca iria àquele lugar, por pura compaixão.

mas claro que eu fui depois disso. mas só lembrei hoje, quando fui fazer um exame de sangue e lá estava outro cara dando seu repetáculo.
desta vez o sentimento não foi de vergonha. na verdade eu nem sabia que sentimento era aquele.
o cara tava menos engomado, é fato.
sem gravata, de camisa cinza escura. e ele era realmente bom.
claro que ele fazia uns trejeitos meio a la caetano veloso, mas ele podia se permitir aquilo.

naquele momento eu estava sendo atendida no balcão, então não dava pra vê-lo direito do meu lugar.
só que logo entrei no dilema: e quando eu sentar pra esperar minha vez de fazer o exame, o que eu faço?
olho na cara dele e fico com um sorriso meio amarelo, do tipo “ei, cara! que legal sua música, apesar dessa situação constrangedora”? dou uma gorjetinha? ou faço cara de paisagem e finjo que ele não existe? se eu fingir que ele não está lá será meio falta de respeito e desmerecimento com o trabalho dele. se eu ficar encarando, ele pode pensar ou que estou a fim dele ou que eu sou daquelas stalker crazy eyes maluca. e se eu der uma gorjeta, aí sim ele pode se ofender.

mas antes que eu pensasse em arrumar um assento pra aguardar meu grande momento, já me chamaram. ufa!

calculo que ele estivesse lá desde umas 7h da manhã. eu fui atendida umas 10h30 e em seguida ele pegou seu banquinho, seu violão e se mandou.
e aí eu só consegui pensar: “que cara esperto! não deve trabalhar nem 4h, tem o resto do dia livre e ainda tira uma graninha”.

e saí de lá admirada.

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categorias: filosofia de boteco

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5 Comments »

  1. Adorei seu blog vou estar acompanhando sempre.

    Comentário by Michelle — 12 de janeiro de 2012 @ 4:12 pm

  2. Luiza,
    às vezes nem tão esperto assim, vai que ele acaba ali e vai tocar em outra freguesia até conseguir pagar o pão da semana???

    Comentário by Avassaladora — 12 de janeiro de 2012 @ 4:32 pm

  3. Luiza, foi no Sabin……………kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Comentário by Priscila Reges — 13 de janeiro de 2012 @ 12:47 am

  4. Hahahah, eu fiz exame de sangue hoje mas não tinha tocador não 🙂
    Luíza, citei seu blog lindo lá no meu!
    Dá uma passadinha!
    Beijos da Gy e da Duda!!!! http://falandodevoce.wordpress.com/2012/01/12/emb

    Comentário by falandodevoce — 13 de janeiro de 2012 @ 9:55 am

  5. vida de artista é difícil, né?

    dia desses fui no mercado e tinha um músico tocando lá. adorei! deixou as compras mais alegres!

    bjbjbj
    http://maeporacaso.spaceblog.com.br/

    Comentário by gabriela — 15 de janeiro de 2012 @ 12:31 pm

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