06 de abril

aquele paizão da p*%#@

por hilan diener

quando você se achar um paizão da p@#a ou um homão desconstruidão, PARE! pense melhor e baixe a bolinha porque ainda estamos longe.

outro dia li um texto no @quartinhodadani que era mais ou menos assim: PROCURA-SE pai que: em rodinhas de amigos fale sobre a melhor fralda/ fique apreensivo com a introdução alimentar/ que sabe qual roupa ainda cabe na cria e qual roupa não cabe mais/ que se preocupa, com meses de antecedência, com a festinha de aniversário /que levante, depois de estar deitado, pra checar se tem uniforme limpo pra amanhã… e continua com mais uma dezena de situações.

QUE LAPADA!

estou muito longe de ser esse pai. que vergonha! o caminho para igualdade nos cuidados da casa e dos filhos ainda está muito longe de ser igualitário. como mudar isso? por que é tão difícil para nós, homens, sermos assim: pais de verdade?? sinceramente… e se a sua esposa ou companheira morresse hoje, como você faria? correria pra sua mãe ou encararia essa barra como a maioria das mães solo fazem?

PROCURA-SE um mundo mais igual e justo. mas será que vamos arregar quando esse dia chegar? será que os pais querem esse novo mundo?

eu quero, mas isso só começa de verdade quando nós – homens e pais –  reconhecemos nossos privilégios e não temos medo de perdê-los – a favor de mais justiça e divisão de trabalho.

tem 5 meses que eu pedi demissão do meu trabalho para ficar em casa tentando trabalhar e educar/criar as crianças junto com a luíza. a esmagadora maioria dos homens não tem noção de como é foda ficar em casa! meu trabalho formal era um spa comparado a isso daqui. sinto vergonha de como eu reclamava que estava cansado quando voltava do trampo. ficar em casa é trabalho que não acaba nunca! é um trabalho invisível.

teve um dia que a luíza estava com a sansa e o benjoca resolvendo alguma coisa e eu fiquei sozinho com a caçula e comecei a passar mal ~piriri nervoso~ me fechei dentro do banheiro com ela e fiquei lá, morrendo silenciosamente no trono. ok, não tão silenciosamente. detalhe que a lupe ficou querendo subir no meu colo e tentando jogar algum brinquedo no meio das minhas pernas. tentei me limpar, mas ela queria ficar deitada no meu colo porque começou a ficar com sono. quando eu consegui terminar o serviço e me vestir veio uma voz na minha cabeça. “esse é só um vislumbre do que sua esposa passou por anos a fio”. pensei: “como  ela deu conta?” comentei mais tarde reconhecendo quantas vezes ela teve que cuidar dos três sozinha um dia inteiro, mesmo passando mal. eu com só uma no meu encalço – por um curto período de tempo – já estava pedindo arrego!  

a expectativa que eu tinha de quando pedi demissão seria de que eu teria muito mais tempo para trabalhar e fazer outras coisas. HAUAHAHAUH quanta inocência! eu não faço a menor ideia de como é ficar sozinho com três e nem vou saber na mesma proporção que a luiza sabe. tenho apenas alguns vislumbres. luiza continua trabalhando em casa e eu passo meio período (às vezes menos que isso) sozinho com elas. sozinho, assim, ela num cômodo trabalhando e eu no outro, com os mininu tudo pra cá e pra lá. mas na hora que lupita chora, é pra mãe que ela vai, pra mamar e dormir. na hora que o calo aperta, eu sei que posso contar com a luíza. fazemos todas as refeições os 5 juntos e eu nunca cozinhei uma papinha sequer pra guadalupe, só esquento o que luíza deixou congelado (dia desses fiz o primeiro almoço pra todos: um macarrão com molho pronto. ahahahah!). vergonha.

o máximo de tempo que estive sozinho com os três foi no dia do aniversário da luíza, onde ela viajou de manhã e só voltou no começo da noite. mas eu estava na casa da mãe dela, não precisei preparar três refeições sozinho ao longo do dia, não precisei lavar louça nem roupa e minha sogra ainda me ajudou a dar banho nos pequenos no fim do dia. enquanto guadalupe estava naquele dorme-não-dorme e eu tentava acalmá-la no quarto, as crianças estavam lá, limpinhas, alimentadas, banhadas, com adultos na sala e eu com lupe no outro cômodo. ela dormia e acordava. luíza finalmente chegou, deu mamá e acalmou a ferinha. a vida voltou ao seu normal e mesmo assim no final do dia eu tava um bagaço. imagina a luíza, que passou anos vivendo essa rotina maluca com filhos, praticamente sozinha.

dia desses eu tava chorando e me sentindo culpado porque tem seis anos que sou pai e só agora estou conhecendo meus filhos de uma forma profunda e descobrindo como as personalidades deles são complexas e distintas. luíza me disse que só agora eu tô raspando a superfície desse negócio que é ter filhos. r a s p a n d o a s u p e r f í c i e! quando tiver um buraquinho, espero ainda estar vivo pra contar pra vocês. porque, meu amigo, não é fácil! e por milhares de anos as mulheres deram conta disso tudo sozinhas e a duras penas, com anulação de sonhos, desejos e seu tempo.

você quer esse futuro desigual para suas filhas? claro que não, né? espero que não!

então vamos?! vamos! com a ajuda de Deus e mirando no exemplo da minha mulher, eu quero e vou mudar. ela merece, nossos filhos merecem, constança e guadalupe merecem esse mundo novo.

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categorias: Tags:, , empoderamento, erros comuns, para papais, psicologia autodidata introspectiva

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19 Comments »

  1. Hilan, adorei seu texto. Mas, posso ser indiscreta? Como fazem pra viver se pediu demissao? Desculpe minha indiscrição, é que realmente fiquei pensando.Grande abraço a todos.. Mara

    Comentário by mara borba — abril 6, 2017 @ 11:24 am

  2. olá! obrigado!
    estou trabalhando junto com a luiza no blog. vivemos de freelas e da renda que o blog gera. 🙂

    Comentário by hilan diener — abril 6, 2017 @ 11:31 am

  3. Oi, Mara! Além dos freelas que Hilan falou e da renda do blog, passamos um tempo nos planejando financeiramente e poupando pra ter uma renda extra como lastro, caso qualquer imprevisto aconteça 😉

    Comentário by luíza diener — abril 6, 2017 @ 1:01 pm

  4. Por favor me perdoem….rsrs….fiz essa pergunta pois já pensamos tanto nisso e nunca vemos possibilidades. Acho que o que eu preciso seria rever todos os "luxos" que temos e cortar algo. Gostei muito de ler sob a perspectiva de um homem. Abraço Luiza e Hilan.

    Comentário by Mara borba — abril 6, 2017 @ 7:28 pm

  5. Ótimo texto. Eu como pessoa pirada e precavida, já deixei o marido/ pai orientado caso eu não possa mais estar presente na vida da nossa familia…. Tudo na tentativa de ajudar… mas talvez eu só esteja tentando manter tudo de acordo com o q eu acho melhor!!!!!
    Hahahah! Espero que a gente nunca precise dessas orientações!!!!

    Comentário by Bruna — abril 6, 2017 @ 11:31 am

  6. Óooooteeeemo texto. Mandei para meu marido agora

    Comentário by Val — abril 6, 2017 @ 2:24 pm

  7. Amei o texto Hilan. Vou mandar para o marido agora kkk. Obrigada por falar das suas experiências aqui.

    Comentário by Daniely Cardoso — abril 6, 2017 @ 3:09 pm

  8. Como é verdade… Se eu deixar minha bebê com o marido, ele só vai trocar a fralda quando explodir. Comida? Só 2 vezes no dia. E olha que é um pai que ajuda MUITO, dá banho, cuida, troca a fralda (quando EU MANDO), dá comida (quando eu digo que é hora). Mas acho que nunca percebeu a complexidade que é ter filhos como o Hilan descreveu nesse texto.

    Comentário by Rubia — abril 6, 2017 @ 3:52 pm

  9. você está falando aí da sua casa ou da minha? ahahhaha! porque, como hilan disse que eu disse, ele esta só raspando a superfície. até então eu facilitava o trabalho dele porque ele sempre vinha esse discurso de “trabalhei o dia inteiro, estou morto” (e, quando não falava, expressava isso corporalmente muito bem). mas decidi não facilitar mais pra ele no momento em que ele pisou o pé dentro pra trabalhar em casa. já rolou muita treta mandando ele trocar a fralda transbordando de xixi quando neném acabou de acordar (quando era com benjamin, quando era com sansa e até hoje muitas vezes, com lupe). três filhos, seis anos, e agora cinco meses full time em casa pra ele começar a internalizar aquele basicão que a gente assume desde o momento em que traz nossos filhos ao mundo.
    foi só de umas semanas pra cá que, quando dá 11h da manhã ele diz “precisamos pensar no almoço”, ainda que ele não saiba fazer almoço. pelo menos começou a tomar isso como responsabilidade “nossa”, não somente minha. e outras pequenas coisas que, de grão em grão, vão mudando comportamentos e, gradualmente, transformando essa tarefa de criar nossos filhos juntos algo mais igualitário.
    o lance é não desistir e perseverar, mas sem transformar isso num pé de guerra (ou pelo menos TENTAR não transformar, porque tem horas que vamos combinar…)
    beijão :*

    Comentário by luíza diener — abril 6, 2017 @ 5:10 pm

  10. Engraçado como vc teve que vivenciar a experiencia para poder enxergar tudo isso. Os pais – pelo menos os que conheço – precisam ter a água batendo na bunda para perceber isso. Será que isso é uma coisa intrínseca do ser humano? O que me preocupa, desde sempre, é a quantidade de pais que nunca terão esse insight, que acham isso é papo de mulher preguiçosa ou feminista. mesmo assim, não consigo achar incrível ele ter descoberto tudo isso sozinho… sim, é uma conquista, mas a máxima do "é o mínimo que vc faz" super se encaixa aqui. Benvindo ao primeiro mês de maternidade, Hilan!

    Comentário by Tamy — abril 12, 2017 @ 12:24 pm

  11. Assistam capitão fantastico. Acho a cara dessa família

    Comentário by amanda — abril 6, 2017 @ 9:15 pm

  12. Parabéns, genro querido. Adorei o texto. Que Deus continue a dar sabedoria a vocês dois nesta santa parceria de criar seus filhotes, meus netinhos queridos. Beijos do raio da sogra kkkkk

    Comentário by Daisy — abril 8, 2017 @ 8:48 pm

  13. Parabéns, genro querido. Adorei o texto. Que Deus continue a dar sabedoria a vocês dois nesta santa parceria de criar seus filhotes, meus netinhos queridos. Beijos do raio da sogra kkkkk

    Comentário by Daisy — abril 8, 2017 @ 8:48 pm

  14. <3

    Comentário by hilan diener — abril 9, 2017 @ 10:10 pm

  15. Meus pais eram casados. Minha mãe faleceu quando eu tinha 15 anos e meu irmão 11. Desde então meu pai nos abandonou. Não, ele não pegou as malas e foi embora. A verdade é que ele não precisou nem sair de casa pra nos abandonar. Deixou de fazer a feira, deixou de comprar roupa, sapato, farda pra escola. Nunca mais almoçamos em casa, íamos todo ia comer na casa da minha avó. Ele passou a levar vida de adolescente solteiro. Arranjou namoradas novinha, fez assinatura da revista Playboy (e aquela coisa deprimente ficava na sala, no revisteiro, me matando de vergonha), ignorou todas as reuniões de pais da escola, não se importava quando eu saía pra festas com as amigas.. não ia deixar, nem buscar, também não ligava no meio da balada pra saber se tava tudo bem. Que diferença pra minha mãe… Ela sabia o nome e apelido de todas as minhas amigas, me perguntava o que tinha acontecido com fulana, caso eu passasse muito tempo sem sair com a fulana. Com ela eu chegava da festa e encontrava um lanchinho na mesa da cozinha. Fora todo o resto né? Quando minha mãe morreu meu pai que nunca fez nada significativo (mas a gente não notava pq tinha mamain fazendo tudo) simplesmente lavou as mãos de vez. Ao ponto de a gente desistir dele e ir morar com meus avós de fato.
    Mas o pior disso é que eu olho pro lado e poucos são os amigos que tem um pai de verdade. A maioria tinha pais divorciados, ficou com a mãe e via o pai as vezes. A cada 15 dias e olhe lá. Tem também os filhos de mãe solo. E tem essa modalidade de pai ausente mesmo presente.
    Homem pode escolher ser ou deixar de ser pai. A qualquer momento. E muitos o fazem na maior cara de pau. Sem um pingo de constrangimento.
    Meu filhote tem um mês. E eu penso muito no homem que vou criar. Quero que ele quebre este ciclo. Por hora tenho investido energia em ajudar o pai dele a se desconstruir. É um pai que não chega nem perto de gabaritar a lista das Dani. Mas que tem consciência disso (pq fiz questão de mostrar) e está caminhando pra melhorar… Que as próximas gerações sejam melhores!! Chega de machismo!

    Comentário by Bianca — abril 10, 2017 @ 7:26 am

  16. Sabe Hilan e Luíza fiquei super feliz em saber que agora podem se dedicar mais ao blog juntos, sempre achei o hilan um paizão, mas agora lendo ele admitindo o quão mãezona é a Lu vejo que ele é um paizão da porra!

    Ameii o vídeo no you tube , espero vê-los mais por lá!

    O blog as vezes não consigo ler sempre, mas o you tube consigo acompanhar durante as tarefas do dia a dia!

    Comentário by Andressa — abril 14, 2017 @ 9:15 pm

  17. Puxa, o exemplo do Dylan é bonito e inspirador. To indo p o terceiro filho 3 anos, 1 ano e a gestação. Toco meu próprio negócio, tenho flexibilidade de de tempo. Tento fazer o máximo cozinho, lavo, arrumo, tento estar o máximo de tempo junto. Mas sinceramente….por mais que eu me esforce nao chego nem perto…..Tiro o chapéu pra minha esposa, grávida de 6 meses, cuidando deles em tempo integral. Faz tudo com maestria, com amor……..É algo inexplicável. Meu raciocínio nao tem a mesma velocidade, a intuição é diferente………Tem algo diferente nela…..Um dom….uma habilidade extraordinária.
    Me irrito com os caras q não ajudam, que só querem o nome e o amor de pai. Acho sim que o mundo na criação de filhos ambos tenham que se doar e a busca de valores e responsabilidades​ deva de fato ser mais igualitária no esforço. Mas vejo que ambos tem valores e percepções absolutamente diferentes originários dá natureza de cada um. Não justificáveis para o desleixo ou mesmo a omissão nos papéis e para uma justificativa para o fugir. Valores louváveis e absolutamente necessarios que se bem direcionados somam muito a formação do caráter dos filhos.
    Não conseguirei ser como ela nunca. Tem algo diferente nelas…..Algo tão especial e diferente que merece mais doação e compreensão…
    Nunca vou sentir o cansaço de uma gestação, as dores de um parto e até mesmo a mudança hormonal de uma TPM
    Mesmo estando absolutamente longe de ser um pai tão habilidoso como uma mãe, continuo tentando fazer a cada dia o melhor mas ainda é pouco
    Mas mesmo assim acredito que eu possa me doar mais para tentar tentar tornar está tarefa mais leve e graciosa e sei que assim estarei quem sabe raspando a superfície né Dylan? mas a bem da real é que a água tem que bater na bunda dá maioria dos homens p fazer algo que seja louvável qd o assunto é filhos…para uns pouca água p outros nem o mar adianta.

    Parabéns a vcs pelo blogs e pelas lições de vida é a todos que entendem a missão de criar filhos.

    Comentário by Fábio FLS — abril 15, 2017 @ 9:14 pm

  18. Tô com vontade de imprimir e sair panfletando esse textO maravilhoso por aí, pode?
    Com os devidos, créditos, obviO!

    Que texto, Hilan! QUE TEXTO!!!

    Foda o teu posicionamento!

    Comentário by Thaissa Vieira — abril 21, 2017 @ 7:14 am

  19. pode!!! jajajajja

    Comentário by hilan diener — abril 26, 2017 @ 9:23 pm

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