32 comments

  1. Nossa, que post intenso.
    Te acompanho desde a gravidez do Benjamin (sim, é verdade hehehe), e sempre amei acompanhar o desenvolvimento dele e confesso que sempre desconfiei que ele fosse superdotado, ele sempre me pareceu muito inteligente e sensível.
    Hoje tenho o meu bebê (que por sinal, se chama Benjamin também 🤷🏾‍♀️), e ainda que ele tenha apenas sete meses, faço questão de ler tudo sobre todos os assuntos, pra estar preparada se um dia eu precisar.
    Obrigada por compartilhar com a gente tudo isso. Que Deus abençoe vocês sempre e que você é Hilan saibam a cada dia mais como lidar com seus três presentes lindos.
    Beijos enormes em vocês cinco 😘

  2. Eita, Luíza. Li tudo de um fôlego só, ou seja, estou até roxa. Vou precisar de alguns dias para digerir muito do que você escreveu. Mexeu comigo por tudo que é lado: como mãe, como professora, como coordenadora de escola, como esposa e como a criança que um dia fui. Então, estou liquidificada neste momento. Quando as ideias entratem em decantação eu volto aqui. Um beijo, estou muito grata por ter compartilhado isto. Um abração de quem te entende. Até breve.

  3. Meu Deus do céu não só li tudo como me identifiquei demais, pulei o pré dois porque não queria brincar e sim estudar, sempre tive facilidade demais e me entediava fácil, na quarta série fiz uma prova de matemática toda de cabeça e a professora me acusou de colar, fez meus pais irem até lá e que eu refizesse a prova junto deles. Eu refiz mas criei um bloqueio tão grande com matemática que meus pais tiveram que me por no Kumon na quinta série…eu nunca tinha parado pra pensar no gênio difícil da Luna mas com o seu texto identifiquei ela em tudo até os 3/4 anos do Benjoca, ela explode sempre de frustração, é exigente demais com ela e eu não peso nela não, ela tem só 3 anos e 4 meses…mas o bichinha pra frente. A escola até foi fácil até o momento mas é o primeiro ano dela ainda então fiquei receosa por lembrar de mim nessa fase dos 5, 6…deus queira que seja mais fácil que eu kkkkkkkkk

  4. Luíza!
    Eu acompanho vcs desde antes do Benjoca, e meu interesse quando ainda era adolescente pela infância culminou na minha escolha académica pela pedagogia. Adoro ler seus relatos desde sempre, e esse em especial veio ao encontro de uma vontade que vem crescendo há alguns anos: me especializar no processo de aprendizado de crianças com altas habilidades.
    Lendo seu texto, também me veio à cabeça o filme extraordinário, e explico o pq: o filme, pra mim, não foi sobre o menino, mas sobre a irmã dele. Meu irmão tem asperger e isso ecoou em mim de uma forma bem peculiar.
    Vontade de correr pra Bsb pra tomar um café contigo e trocar figurinhas!

    Beijo!
    Ah! Me sinto da família hahah

  5. Lu (desculpa a intimidade, mas eu já te sigo há anos!) Falo a você como professora da SEDF: muitas vezes vc vai precisar estar com a lei impressa e praticamente esfregar na cara da direção da escola/regional de ensino e fazer os direitos de Benjamim serem atendidos.

    Agora além de pedagoga falo como criança que foi adiantada 2 anos na escola: aconselho você e Hilan a não cederem a esse desejo. O contexto educacional realmente vai estimulá-lo bastante, mas o prejuízo emocional é gigante. Sentir-se deslocado, ser permanentemente cobrado a ser melhor que os outros porque “se tá adiantada é porque sabe mais que os outros”; mais adiante sentir que não cabe naquele meio em que se encontra. Tudo isso detona nosso emocional.
    Assim como Benjamim, sempre tive a dificuldade em lidar com frustrações, e me cobrei demais. Hoje, aos 25 anos, tá igual. A diferença é que hoje faço psicoterapia para achar o caminho do equilíbrio emocional/psicológico. E minha bagagem pessoal me faz olhar com respeito e atenção aos meus alunos.

    Seu texto me sensibilizou muito para o assunto. Desculpa o textão.

  6. Me identifiquei em tudo… (Te acompanho desde a gravidez dele, até pq meu filho tem exatamente a mesma idade e eu amava acompanhar o desenvolvimento do Joca junto com o do meu)
    Meu filho recebeu diagnóstico de TDAH, o pai dele tem, então eu já desconfiava. Porém esses acessos de ira, os questionamentos intensos, as habilidades intelectuais são bem relevantes, e eu não tinha pensado em Altas Habilidades até então…. Muito obrigada por nós relatar TD isso, passei exatamente por todas essas coisas com o meu filho na escola e na família, porém um pouco pior. Ele as vezes pede para morrer, pq não gosta de cometer erros. 😥 Isso tem me preocupado muito. Vou pedir uma avaliação melhor nesse ponto. Obrigada e bj nos seus pequenos. 😘

  7. Definitivamente vcs são pais admiráveis!! Sempre achei linda a forma como vc descreve seus filhos, a forma como vc conhece cada um deles no detalhe. Os posts mensais deles mostram isso claramente e o meu desejo é ter esse olhar com o meu filho também. Benjoca é um menino abençoado por ser quem é e por ter os pais que tem.

  8. Você sabia que muitas escolas oferecem bolsa para alunos com altas habilidades? E Escolas como o Mackenzie Brasília oferecem bolsa por mérito e tem um programa de inclusão para acolher crianças que necessitam de mais. Eles são bem abertos para visitação e apresentação do programa. Tem aula de robótica com lego, e eles criam o tempo todo. Minha filha é das artes rsrsrs e foi o lugar mais acolhedor que encontramos.

    1. Acho bem legal isso. Estudei no Mackenzie quando era adolescente e me sentia um peixe fora dágua no meio daquela galera muito rica, que me olhava de cima abaixo (eu era bolsista). Não sei se hoje em dia ainda é tão elitista, mas peguei abuso de escola particular basicamente por causa do Mackenzie. Até entrar lá eu estudava em escola pública e, inclusive, sofri preconceito da parte de professora de história que me tratava diferente porque eu tinha vindo da rede pública. Mas são águas passadas (mesmo assim quero distância. Ahahahha). De qualquer maneira, já ouvi falar bem e tem uns diferenciais muito interessantes mesmo 🙂

  9. Olhaaa te acompanho sim desde a gravidez do Benjamim. Me identifiquei demais com seu relato, não levei meu filho em nenhum especialista mas ele é muito conhecido na escola por ser como é. E eu tambem pulei um ano na escola quando criança. Meu filho está super entediado com os deveres “de bebê “. Gostei muito do seu relato e vou pesquisar mais sobre o assunto. Beijos.

  10. Luíza, li cada uma das palavras do post. Sou dessas que te acompanha desde a gestação do Benjoca! Me identifiquei com a sua história e passei a te admirar ainda mais depois desse post. Parabéns pela dedicação na busca incansável por ajuda. Que Deus continue abençoando sua família!

  11. Olá Luiza,
    li todo seu texto muito obrigada por tê-lo escrito.
    Me identifiquei com cada linha escrita até os 4 anos(idade atual da minha filha). Estamos em um processo de diagnóstico que já dura quase um ano, quando ela tiver 5 anos faremos os testes decisivos.
    Conosco começou com uma coisa que todos achavam muito boba e pra mim não era- minha filha colocava tudo na boca- tudo! Não importava o que fosse, pedra, papel, planta, brinquedo. É como se ela “enxergasse através da boca” levei ao médico e o primeiro momento Tbm falaram que era uma das características de Asperger. Mas, o médico decidiu fazer alguns testes com ela e ele além de excluir o diagnóstico de autismo, levantou toda essa questão de altas habilidades.
    Minha pergunta para vc é: o Benjamin além de
    crises de frustração ele se mostra com dificuldades para gerenciar o emocional como um todo? Por exemplo, quando está muito feliz ou triste. Não só em momentos de frustração.

    Se vc puder responder te agradeço enormemente.

    1. Oie. Então, ele á MUITO INTENSO. Em tudo. Tem um lado sensorial muito forte: precisa mexer em tudo, morder tudo, tocar, fuçar. Quebra muitas coisas. Vive cheio de roxos do tanto que esbarra. Quando ele era mais novo, tinha uma coisa que caía, do nada, parado. Tava sentado na cadeira e de repente caía dela. Foi crescendo e foi melhorando, mas aquilo me deixava perplexa. Não preocupada, porque ele não chorava nem reclamava. Raras eram as vezes.
      Ele ainda tem essa fase oral muito acentudada. Rói as golas das blusas, coloca tudo na boca especialmente quando está assistindo televisão. Parece que não consegue sossegar nem parado. Comida tem que ser sempre uma explosão de sabores: quer muito sal, muita pimenta (é louco por pimenta), temperos diversos. Adora chupar limão e, se dependesse, comeria toda comida salgada com vinagre e pimenta.
      É muito doido isso. Cheguei a cogitar um transtorno sensorial (que é muito comum em autistas). O transtorno sensorial pode ser pra mais (sensory seeker), que é isso de buscar sensações o tempo todo, ou pra menos (sensory avoider), que é a criança que não suporta barulhos altos, não gosta de ser tocada, abraçada, tem agonia de certas texturas, seletividade alimentar acentuada e tal.
      Pra falar a verdade, benjoca é um pouco dos dois. Ele também não é muito fã de abraço (dá um abraço meio desajeitado na gente) e morre com barulhos altos, barulho de gente mastigando, etc.
      Mas o transtorno sensorial por si só não é suficiente para fechar diagnóstico de autismo (lembra que eu falei que ele tem esse fenótipo ampliado do autismo?) e pode acontecer de outras pessoas não-autistas terem esse transtorno também (provavelmente ele e eu temos)

  12. Acompanho vc pelo Instagram e FB já tem alguns anos. Conheço algumas pessoas próximas a vc (Thirza de Bsb e sua tia Arline e família- de Anapolis)
    Não passo por situações parecidas em casa, mas sua história é bem interessante e acho que a gente sempre pode fazer boas reflexões.
    Parabéns pelo modo como cria seus filhos! Super beijo!
    Aline Regis Pereira de Almeida

  13. Oi Luisa. Não te acompanho desde a gravidez do Benjamin, não. Mas desde que você era uma potencial gestante, kkkk. Obrigada pelo relato. Muito esclarecedor e muito importante para acalmar os ânimos de muitos pais. Por aqui, tenho sogro e cunhado com altas habilidades. O sogro soube trabalhar muito bem este lado, mas o cunhado não, infelizmente. . E é por isso que sinto tanto medo com meu filho mais velho (tenho 3 meninos), com 7 anos. Ele não tem muita habilidade motora e é péssimo (ou eu diria que não se esforça) em qualquer exercício físico. Mas ele não é como as outras crianças… não sei exatamente o que me impressiona ou me deixa irritada…. Sei que a inteligência dele para a idade é de incomodar e já foi motivo de muitas idas às escolas em que estudou e na que estuda atualmente. Já foi cogitada a opção de adianta-lo, mas como vocês e por sugestão da professora dele (equestre já havia sido professora do meu cunhado que eu mencionei acima) optamos por deixar as coisas como estão pois é muito importante ele curtir a infância dele com os amigos, na idade apropriada, já que em casa ele só não se entedia com alguma coisa se estiver lendo ou pesquisando.
    Também já fomos motivos de zoiera por parte de outros pais quando mencionamos a questão e, após algumas decepções preferimos ficar quietos já que entendemos que todos os pais – principalmente os de primeira viagem – sempre acham o filho muito inteligente e falar do nosso parecia uma simples bobeira.
    Moramos em uma cidade pequenina no interior de SP e existem poucos recursos à disposição que não os convencionais. Por isso, o jeito é ir se adaptando. Eu adorava desafiar meu filho com varias atividades acima da média dele e vê-lo respondendo ao meu estímulo, mas o fato de ter dois filhos menores e o pouco tempo que me sobra me fez deixar que ele se adeque à curiosidade no tempo dele e isso parece ter sido bom, pois hoje me parece que ele está mais próximo em seu jeito e atitudes do restante de sua turma. E tudo o que eu quero é que me filho esteja na média. Nem acima, nem abaixo, pois sofremos nós e eles. Um abraço e desculpe se fui confusa no relato. Correria de quem está aproveitando o tempo enquanto amamenta 😂😂😂 o mais novo!

  14. Ah que alívio, parece que estou descrevendo minha filha maior. Não imagina o quanto seu texto me ajudou estamos na alfabetização e tudo que li é igualzinho aqui, cada fase, os desenhos (que percebi a diferença em uma exposição na escola) a necessidade de explicações detalhadas e complexas, se vestir (uma tortura em fase de melhora) a fala muito precoce, conjugações etc . Já fomos ao neuropediatra, homeopata, muitas conversas com o pediatra, já li sobre tudo que vc citou e nada encaixa no perfil, mas o texto do Benjoca é a melhor descrição, impressionante! obrigada , conversarei com outros profissionais para tentar esclarecer o nosso caso aqui . Vocês são uma família ótima, bjos.

  15. Primeiro, quero agradecer o post. Sou professora da rede pública de São Paulo e esse tipo de relato é sempre importante para repensarmos nossa prática.
    Segundo, eu sugeriria algumas atividades como alguma luta (Kung Fu, Capoeira) ou Yoga, coisas que desafiam ele corporalmente, mas também treinam concentração e encontro com si mesmo. Sim, treinam concentração, pq concentração também é treino. E a separação de corpo e mente (nossa grande falha enquanto sociedade) cai por terra nessas práticas. Embora eu entenda que ele consiga se concentrar numa atividade que gosta, entendo que as habilidades mais caras a nós são o auto conhecimento e o auto controle.
    Terceiro que cada família faz pela sua criança o que considera melhor dentro de seus valores e expectativas, mas eu enquanto professora nunca apoiaria a aceleração de turma. Frequentar uma sala de altas habilidades paralelamente eu acho super importante, mas lembrar que escola regular na turma de acordo com a idade da criança como forma de inclusão social, pra ele e pras outras crianças é muito importante, ele e toda a sociedade entender que cada indivíduo é único com suas habilidades e limitações faz parte da educação formal. E a aceleração muitas vezes esbarra em limitações de sociabilidade: embora seja uma criança extremamente perspicaz, a maturidade emocional ainda está em processo e é mais fluido e menos impactante que esse processo aconteça mediado pelos pares de idade parecida. Eu vejo um maior sofrimento emocional em crianças que têm o processo de educação acelerado e uma maior (ainda maior da que já existe) cobrança de si mesmo.
    Acho importante entender a escola não só como espaço de conteúdo, mas como espaço de convívio e socialização.
    Acho incrível que ele tenha possibilidade de frequentar uma biblioteca pública e um espaço amplo de descoberta e exploração como o quintal da casa de vocês. Acho sim que isso faz toda a diferença na educação dele.
    No mais, muito obrigada pelo relato e muita paciência e calma.
    Todo indivíduo tem alguma peculiaridade.

  16. Luiza, admiro seu olhar atento para seus filhos. Que eu tenha essa sensibilidade e um olhar específico para cada um. Sou professora e depois desse relato, vou me policiar para não podar alunos assim como seu filho. Ainda precisamos avançar muito no campo educacional a ponto de ter esse olhar, que crianças como seu filho, e tantas outras, necessitam por parte de seus educadores. Até porque a minoria recebe um olhar tão atento de seus pais.

  17. Post muito legal e cheio de informações. Infelizmente existe esse péssimo mito da criança superdotada. Quando eu era criança passei por alguns testes e programas para crianças especiais. Entrei na pré alfabetização com 4 anos. Com 16 já tinha terminado o ens médio. Assim como seu filho eu me destacava em desenho e exatas. Por algum motivo eu não sou boa em nada atualmente, sou muito perfeccionista e me frustro demais por não conseguir terminar as coisas que começo. Na vida escolar era um custo eu fazer amigos, era insegura, evitava ao máximo ser notada. Hoje tenho 26 anos, um suado diploma de faculdade (custei formar), depressão, sou casada, desempregada e tenho um filho de 19 meses. No final das contas nada me serviu ser “superdotada”, sinto que sempre foi um entrave na minha vida, não sei pq romantizam essa condição. Eu me desinteresso com facilidade de tudo, isso é horrível! Ainda bem que vc está buscando conduzir seu filho valorizando o que ele gosta e o ajudando a se adaptar a esse mundão. Tenho certeza que ele é e será muito feliz.

    1. Cara, você foi muito certeira no seu comentário. A minha grande preocupação com o Benjamin, no final das contas, é fazer dele uma pessoa resiliente, que resista às adversidades, cresça e amadureça. Que não ache que seu talento é algo que o deixa à frente dos outros, mas uma responsabilidade que foi conferida a ele.
      Ele e eu somos extremamente perfeccionistas. Eu sempre achei que isso fosse algo bom e só me toquei que poderia ser péssimo (se não canalizado de forma adequada) quando tinha uns 24 anos. A partir daí, comecei a travar batalhas diárias comigo mesma e essa luta já tem mais de 9 anos. “Antes feito que perfeito”, diz meu marido e, ainda que eu discorde muitas vezes, tenho feito disso meu mantra. Porque muita coisa fica inacabada porque não saiu exatamente como eu idealizei. Não consegui terminar a faculdade porque tinha muita facilidade em algumas matérias e, em outras, era péssima. Aquilo foi me desmotivando, desmotivando e acabei largando. Por que? Porque acostumei a sempre tirar a melhor nota, a sempre ser muito boa, a estudar pouco ou quase nada e, de repente, eu ralava, ralava e não conseguia aprender certas matérias. Minha mente bloqueia dificuldades. Isso daí é coisa que só terapia dá jeito e desde agora tenho tentado ajudar Benjoca a ser mais forte, resistente, perseverante e desapegado também. Tá dando certo. Às vezes ele mesmo chega pra mim e fala “para, mãe, não precisa ficar perfeito. vamos”. Ahahahahah!
      A gente sempre vai errar: como pessoa e, especialmente, como mãe. Mas não pode deixar que esse medo de errar paralise a gente.
      É um dom, mas pode ser um fardo. E vamos nessa, tentar conduzir tudo da forma mais leve possível.
      Beijos

  18. Que texto maravilhoso! É engraçado que a gente tem nossas aflições e fica com medo de estar pirando.Mas, que bom que você foi além, que bom que dividiu essa experiência conosco. Minhas preocupações com a Malu são sempre se ela esta se desenvolvendo bem para sua idade e não se ela é muito desenvolvida. É comum encontrarmos país que se gabariam de situações assim como a sua, mas você teve uma visão mais ampla, sacava a responsabilidade maior, educar já é difícil. Obrigada por dividir.

  19. Luíza,
    Te acompanho desde o Dromos (haha).
    Sempre te admirei de longe, sendo amiga da Fê.
    Você sempre teve alguma coisa a sua volta que trazia segurança e leveza (sei bem que cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é… haha).
    Já me manifestei aqui algumas vezes, mesmo não tendo nenhuma experiência pessoal com os assuntos (sem casamento ou filhos).
    Mas me emocionei DEMAIS com o texto.
    Já explico.

    Meu irmão é dislexo.
    Diagnóstico entre os 12 aos 14 anos.
    Aprendeu a LER aos 14.
    Sou a irmã mais velha que assistiu e viveu isso de forma "acessória".
    Meu pai escrevia letras na areia quando ele tinha 9 anos e ele se irritava e não conseguia entender, enquanto isso o irmão de 6 interagia com meu pai. Meu irmão sentia um ódio, uma raiva, uma injustiça de ser mais velho e não conseguir.
    Foram anos de terapia, psicólogos, pedagogos e afins na busca de um "diagnóstico".
    Não era burrice nem preguiça, era uma dificuldade, uma limitação que não fazia sentido pra NINGUÉM.
    Um dia, num consultório desses da vida, meu pai vê uma revista na sala de espera, lê e conclui: É ISSO QUE MEU FILHO TEM.
    E aí começou a saga para achar um profissional que ACREDITASSE NISSO.
    Idas a consultas, sessões, terapias… viagem a SP para uma bateria de exames na Associação Brasileira de Dislexia.
    É ISSO!
    Laudo, lei, escolas.
    Escolas (particulares de grande nome aqui no DF) REJEITANDO meu irmão, por não saberem lidar.
    Anos de repetição, recuperação e etc.
    Vida social dele sempre foi maravilhosa, desenhos a mil, brincadeiras, curiosidades e conhecimentos a mil… mas não peça a ele leituras, contas, redações nem nada.
    Veio a saga: minha mãe (principalmente) lendo livros pra ele, eu corrigindo pequenas redações e textos (vez por outra), meu pai ajudando nas curiosidades, discovery channel salvando de monte, e videos de youtube.
    Aos 16 ele reprovaria mais uma vez (ainda não tinha começado o ensino médio), meu pai disse: "Filho, quer parar de estudar? Tudo bem. Vamos trabalhar. Vamos procurar outra atividade…"
    Nisso meu irmão decidiu que iria SIM estudar e que seria rico (hahaha).
    Nunca mais repetiu de ano, recuperação sempre, mas ano não.
    Diziam os especialistas: Ele não vai fazer uma segunda língua e nem faculdade… não criem expectativas.
    Hoje ele tem 30 anos, trabalha numa multinacional, troca e-mail com gente do mundo inteiro na língua que disseram que ele não aprenderia.
    Sofri com ele, não como ele nem como meu pai ou mãe, mas sofri.
    Vejo todas essas dificuldades e me emociono sempre, mas dá um orgulho danado de fazer parte dessas histórias.
    Benjamin ainda vai te dar MUITO MAIS ORGULHO do que já dá hoje.
    Não só pra vc, mas pro pai, pras irmãs.
    Ele vai ganhar o mundo do jeito dele.
    E vai ser lindo!

    *Foi uma história resumida, mas que tenho um mega orgulho de compartilhar… e posso até ter errado alguns dados pq pra mim o que interessa é o resumo. Ele é meu orgulho.
    haha

    1. Q lindo relato. Sou professora e tenho alunos com dislexia que se tivessem o apoio da família, como seu irmão teve, também teriam possibilidade de construir uma narrativa como essa. Chorei com esse relato, assim como com o da Luiza. O que toda criança precisa, independente da sua condição específica é amor e empatia.

  20. Adorei… agora estou vendo meu filho é alguns alunos com olhos diferente…. tenho que estudar….ler…refletir…. Obrigada, me despertou essa leitura. Obrigada!

  21. Amei o texto e me enxerguei no Benjamin. Tive uma primeira infância muito maluca, porque sempre tive esse apetite por conhecimento desde que me lembro. Aprendi a ler muito cedo, antes dos 5 anos. Ia passear com meus avós no shopping e lia os nomes das lojas, as vitrines e outdoors do caminho. E bebê então, com meses já falava frases, cantei até o parabéns no meu primeiro aniversário. Ao entrar na primeira série, fui literalmente adiantada de ano porque eu estava atrapalhando o desempenho da sala. Fiz uma prova e passei tranquila. Respondia tudo em voz alta, sempre buscando mais e mais. Ao ser adiantada, sofri muito porque na 2ª série era cobrada caligrafia, o que eu não sabia. E me sentia péssima por não conseguir escrever com letra cursiva. Achava que eu era um ET, sofri bullying e me isolei. Tentei deixar essa sagacidade por saber tudo escondida, mas não funcionou. E eu sempre busquei aprovação do mundo sobre tudo o que fazia (faço isso um pouco até hoje). Amava computação desde cedo, e meu irmão mais velho tava se formando quando eu decidi fazer faculdade de Ciência da Computação. Me identifiquei com muita coisa legal no currículo da faculdade, mas programação (que é o que realmente têm possibilidade de carreira nessa área) eu odiava. O que eu realmente amo fazer é conversar, e ajudar pessoas, e eu conseguia fazer isso com o Suporte Técnico. Mas como essa parte da Informática é desvalorizada real no Brasil, eu larguei a faculdade de mão (e eu ainda estava grávida na época, turbilhão de emoções). Eu consigo fazer bem várias coisas diferentes, mas não amo nada. Não me encontrei, e isso me dói. Essas coisas me marcam muito, porque eu imagino que tô decepcionando o meu eu criança, sabe? Agora tenho 25 anos, um filho de 2 anos maravilhoso (que provavelmente não tenha esse "dom") e não faço ideia do que fazer da minha vida. Gostaria muito de ter tido a oportunidade que o Benjamin tem hoje, e acredito que com todo esse estímulo, o potencial dele é enorme! E se ele se encontrar, vai ser graças a vocês que sempre estiveram do lado dele pra acreditar no que ele realmente queria pra vida dele. Obrigada pelo texto, um beijo pro Benjoca e desculpa o desabafo. 🙂

  22. Luiza, também te acompanho desde a gestação do Benjamim. rsrs. Inclusive você me "incentivou" a buscar um parto humanizado, o qual vivenciei em toda sua plenitude há 4 anos.
    Fico muito feliz em saber que vocês estão no caminho certo para lidar com todas essas particularidades. Que Deus os abençoe sempre nessa cuidado maravilhoso com seus filhos.
    Obrigada por compartilhar não só essas experiências, mas tanta coisa que sempre ajuda uma ou outra mãe/pai de primeira viagem.
    Um abraço pra família inteira.

  23. Te acompanho desde q o Benjamin é pequeninho e o que sempre admirei é como vc é dedicada em proporcionar o melhor para os seus filhos, o quanto vc é presente e cuidadosa.
    Isso é uma inspiração pra mim.
    Que Deus continue abençoando a família de vcs e que os três sejam usados por Ele de acordo com a sua vontade. Ele tem um propósito especial na vida de cada um e vai usar toda a capacidade do Benjamin e todo o seu preparo para que ele faça diferença nesse mundo.
    Abracos

  24. Estava viajando quando vi que você tinha feito o post sobre altas habilidades, agora sentei pra ler. Eu tenho um filho diferente digamos assim, na escola é como você descreve, altos e baixos, precisa de disciplina, é mimado, quer atenção, é o que costumamos ouvir. Não come muitas coisas, é cheio de manias e regras. A família diz que é super dotado mas eu definitivamente não gosto deste rótulo também… Falava aos seis meses, no começo achei engraçado, depois era assustador um bebê que sabia usar verbo e colocar tudo nas frases no lugar certo. Hoje quando ele fala uma palavra errada eu não permito que corrijam por que simplesmente nunca vivi isso, depois de dois dias a palavra simplesmente é pronunciada de forma correta. Sabe de assuntos em que nunca falamos ou vivemos, se interessa por coisas incomuns as de criança, gosta de brincar com ferramentas, pilhas e moedas. Nunca se machucou com elas e sabe como usar cada uma delas. Enfim, eu procuro tudo sobre o assunto, autismo foi descartado, asperger a escola também descartou e é a primeira vez que vejo algo sobre altas habilidades. Vi uma luz no fim do túnel. Obrigada pelas informações. E só pra constar eu leio seu blog dede a barriga do Benjoca tbm!

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