birra ou ansiedade de separação?

porque o benjamin tá super nessa fase e esse texto veio bem a calhar

Tradução de um trecho do capítulo O Choro e as Separações do livro The Science of Parenting de Margot Sunderland. Esse livro foi premiado em 2007 pela Academia Britânica de Medicina como o melhor livro de medicina popular. Não é um simples livro de conselhos para pais, mas sim um livro que, baseado em mais de 800 experimentos científicos, explica o que a ciência nos diz sobre como os diferentes tipos de criação afetam os nossos filhos.

Quando o bebê chega aos seis ou oito meses de idade, começa a operar a angústia da separação que, geralmente, continua a se manifestar de uma forma ou outra até os cinco anos. Em breve o bebê começa a sentir pânico quando não vê sua mãe. É preciso levar a sério a intensidade dos seus sentimentos. A mãe é o seu mundo, é tudo para o bebê, representa sua segurança.

Um pouco de compreensão

O bebê não está “chatinho” nem “grudento”. O sistema de angústia da separação, localizado no cérebro inferior está geneticamente programado para ser hipersensível. Nos primeiros estágios da evolução era muito perigoso que o bebê estivesse longe da sua mãe e, se não chorasse para alertar seus pais do seu paradeiro, não conseguiria sobreviver. O desenvolvimento dos lóbulos frontais inibe naturalmente esse sistema e, como adultos, aprendemos a controlá-lo com distrações cognitivas.

Se você não está, como ele sabe que você não foi embora para sempre?

Você não pode explicar que vai voltar logo, porque os centros verbais do seu cérebro ainda não funcionam. Quando ele aprender a engatinhar, deixe-o segui-la por todas as partes. Sim, até ao banheiro.
Livrar-se dele ou deixá-lo no cercadinho não só é muito cruel, também pode produzir efeitos adversos permanentes. Ele pode sentir pânico, o que significa um aumento importante e perigoso das substâncias estressantes no seu cérebro.

Isso pode resultar em uma hipersensibilização do seu sistema de medo, o que lhe afetará na sua vida adulta, causando fobias, obsessões ou comportamentos de isolamento temeroso. Pouco a pouco, ele vai sentir-se mais seguro da sua presença na casa, principalmente quando comece a falar.

A separação aflige as crianças tanto quanto a dor física

Quando o bebê sofre pela ausência dos seus pais, no seu cérebro ativam-se as mesmas zonas que quando sofre uma dor física. Ou seja, a linguagem da perda é idêntica à linguagem da dor. Não tem sentido aliviar as dores físicas, como um corte no joelho e não consolar as dores emocionais, como a angústia da separação. Mas, tristemente, é isso o que fazem muitos pais. Não conseguem aceitar que a dor emocional de seu filho é tão real como a física. Essa é uma verdade neurobiológica que todos deveríamos respeitar.

Às vezes, impulsamos nossos filhos a ser independentes antes do tempo

Nossas decisões como pais podem empurrar nossos filhos a uma separação prematura. Um exemplo seria enviá-los a um internato (1) pequenos demais. As crianças de oito anos ainda podem ser hipersensíveis à angústia da separação e ter muita dificuldade em passar longos períodos de tempo longe dos seus pais. Sua dor emocional deve ser levada a sério. O Sistema GABA do cérebro é sensível às mais sensíveis mudanças do seu entorno, como a separação de seus pais. Estudos relacionam a separação a pouca idade com alterações desse sistema anti-ansiedade.

As separações de curto prazo são prejudiciais

Alguns estudos detectaram alterações a longo prazo do eixo HPA do cérebro infantil devido a separações curtas, quando a criança fica aos cuidados de uma pessoa desconhecida. Esse sistema de resposta ao estresse é fundamental para nossa capacidade de enfrentar bem o estresse na vida adulta. É muito vulnerável aos efeitos adversos do estresse prematuro. Os estudos com mamíferos superiores revelam que os bebês separados de suas mães deixam de chorar para entrar num estado depressivo.

Param de brincar com os amigos e ignoram os objetos do quarto. À hora de dormir há mais choro e agitação. Se a separação continuava, o estado de auto-absorção do filho se agravava e lhe conduzia à letargia e a uma depressão mais profunda.
Pesquisas realizadas nos anos setenta demonstraram que alguns bebês cuidados por pessoas desconhecidas durante vários dias entravam em um estado de luto sofriam de um trauma que continuava a afligir-lhes anos depois. Os bebês estudados estavam sob os cuidados de adultos bem intencionados ou em creches residenciais durante alguns dias. Seus pais iam visitá-los, mas basicamente, estavam em mãos de adultos que eles não conheciam.
Um menino que se viu separado de sua mãe durante onze dias deixou de comer, chorava sem parar e se jogava ao chão desesperado. Passados seis anos, ele ainda estava ressentido com sua mãe. Os pesquisadores observaram a inúmeras crianças que haviam sido separadas de seus pais durante vários dias e se encontravam em estado de ansiedade permanente. Muitos passavam horas imóveis, olhando a porta pela qual havia saído sua mãe. Aquele estudo, em grande parte gravado em filme, mudou no mundo inteiro a atitude em relação às crianças que visitam suas mães no hospital.

Mas, não é bom o estresse?

Algumas pessoas justificam sua decisão de deixar o bebê desconsolado como uma forma de “inoculação de estresse”. O que significa apresentar ao bebê situações moderadamente estressantes para que aprenda a lidar com a tensão. Aqueles que afirmam que os bebês que choram por um prolongado período de tempo só sofre um estresse moderado estão enganando a si mesmos.

(1) Nota da tradutora: a autora é inglesa e o sistema de internato é muito comum no Reino Unido.

li este texto no blog da rapha, o maternar consciente. recomendo fortemente. tem muitos textos incríveis!

Related Posts with Thumbnails

26 comments

  1. concordo com tudo, mas confesso que nao sabia que onegoco era tao profundo, apesar de eu nunca deixar chorando, e nunca deixar ngm cuidando dele que nao seja o pai.

    mas eu jurava q a ansiedade da separaçao acabava ali no 9 mes… jura q nao? 5 anos??? God!! hehhehehehe

    bjo bjo

  2. Essa discussão é mais velha que pão fatiado. Nem quero descreditar a autora, pois ela apoia todas as mães que sentem o instinto de "grudar" em seus filhos e nunca deixa-los chorando. Mas dai para falar que causa "danos pemanentes"? Sera que a mãe de hitler o deixava chorando no cercadinho cruelmente?
    Cada autor fala uma coisa diferente do outro, nunca sei o que vai tornar minha filha feliz, e o que vai torna-la uma mimada egoista.
    incertezas e inseguranças andam sempre ao lado de nós, mães.

    1. julia, pode parecer altamente cliche, mas você tem que se deixar guiar pelos seus instintos. se ele manda você grudar, grude. se mandar você ignorar, ignore.
      nem essa autora e nem a encantadora de bebês, por exemplo, estão 100%.
      mas que eu risquei esta última da minha lista, ah! isso eu risquei mesmo!

      1. sabe aquela " it takes a village to raise a child"?Não sou eu que tenho a ulima palavra em TUDO dela. Quando meu marido/mãe/irmã/sogra/cunhada cisma que o choro é manha e vai passar, vc não pode dar aquela " me dá MEU filho que EU sei o que é melhor". As vezes fico com aquela culpa, sabe de "ela ta chorando, eu tenho que ir salva-la" sei que ela não ta sofrendo, e não a nada para "salva-la" de, mas…por via das duvidas, me dá ela aqui, que no meu colo ela acalma…
        Tam bem perdi o respeito pela tracy, minha sogra odeia que eu leia estes livros, ela acha que vou instalar um regime militar com essas Super babás!

  3. Ola Luiza, gosto muito de seu blog e pela primeira vez vou comentar, rs

    Meus pais me criaram com muito amor e carinho, sempre! Porém, como a maioria dos brasileiros, saiam cedo para trabalhar e voltavam tarde. Tive inumeras babás, ia ao parquinho desde 1 ano de idade e posso te afirmar com toda certeza do mundo: SOU MUITO FELIZ, GRATA E ORGULHOSA DE MEUS PAIS. , não sou traumatizada, nem nunca tive nenhum destes sintomas, meus pais separaram-se quando eu tinha 6 anos e me dou mutito bem com os dois, são minhas paixões. Cada individuo é muito particular, até entre gemeos há personalidades diferentes… não considero , pelo simples fato da mãe nao estar grudada na criança na maior parte do dia que ele será um ser depressivo. Há muitas contradições entre os autores, alguns afirmam que a qualidade do tempo com a criança é mais importante que a quantidade, sei lá, na realidade NINGUÉM É O DONO DA VERDADE, prefiro filtrar o que ouço e seguir meus instintos.

    Bjus e até mais.

    1. concordo totalmente, thais! ninguém é dono da verdade.
      a gente tem que adotar o método que mais se adequa não apenas ao nosso estilo de vida, mas Às nossas convicções.
      convicções já me fizeram, inclusive, abandonar certos estilos de vida.
      acho que a gente tem que sentir-se bem com a criação que dá aos nossos filhos. sabendo que todos estão bem, isso é o melhor a se fazer.

  4. Destestei!!! Não vou nem continuar lendo até o final. TUDO virou neurociências: O sistema de angústia da separação (oi????)…centros verbais do seu cérebro ainda não funcionam (ahã) e pra piorar: Isso pode resultar em uma hipersensibilização do seu sistema de medo, o que lhe afetará na sua vida adulta, causando fobias, obsessões ou comportamentos de isolamento temeroso. Só esqueceram de avisar à autora que o cérebro não causa comportamentos sozinho. Ele é parte do processo e não o processo em si.

    Cai nessa não Lu. Bjssssssssssssss.

  5. Oi Luíza. Acho partes desse pensamento interessantes, mas basear toda a relação entre pais e filhos na neurobiologia é uma falácia. A gente tem que tomar cuidado com esses discursos que padronizam tudo, porque eles não levam em consideração as especificidades das famílias e de cada criança. Além disso, me pergunto: por que é tão ruim que o bebê sofra? Acho que essa ideia é um reflexo da sociedade contemporânea, que evita a dor ao máximo, que quer livrar-se dos estados depressivos com remédios, que quer viver tudo intensamente o tempo todo. Pela psicanálise, o sofrimento faz parte inevitavelmente da vida infantil. É através da falta que o bebê simboliza a mãe, o seio, as fontes de satisfação e pode ser criativo e autêntico. Mas, a própria psicanálise também diz que, antes de poder simbolizar, o bebê precisa sentir-se inteiramente amparado, cuidado, em um ambiente estável. As coisas não são tão rígidas como os neuro parecem mostrar. Somos seres humanos, culturais, complexos e mutáveis. Beijos e boa sorte com o Benjamin!

  6. Oi Luiza, adorei o texto. Como o Frederico está com 7 meses, acho que estamos bem nessa fase. Li o comentário da Carolina Pombo e achei interessante esse ponto de vista diferente. Concordo que o sofrimento faz parte da vida, mas acho que a questão é que um bebê ainda não tem maturidade para lidar com o sofrimento e com a questão da separação. No fundo acredito que qualquer extremo é ruim.
    Bjs! http://cegonhatrends.blogspot.com

  7. Nossa que bom ler isso! Eu sou adepta do não deixar com ninguém nem deixar chorar, mas sou muito criticada por isso. Ninguém entende, nem meu marido. É bom saber que mesmo instintivamente eu faço sentido… Hehehe

  8. Eu também não gosto de deixar a minha filha chorando muito tempo, mas quando vejo que é birra não dou muita moral. Mas a minha filha é muito grudada em mim e no meu marido se saimos de perto abre o maior berreiro. Cada pai sabe lidar bem com seus filhos, o instinto fala mais alto.

    Beijos

    Ana

  9. Luiza, acompanho teu blog desde os 4 meses de gravidez. Meu gatinho já está com 5 meses. Já vi vc comentar algo parecido com isso, mas lá vai: desde o momento que vc tem uma criança na sua vida todo mundo se acha no direito de se meter na sua relação mãe-filho. Acho tudo vc colocar posts como este, porque eles informam. Como vc, eu leio de tudo e por instinto vou seguindo aquilo que me parece razoável e pronto. E por muitas vezes mudo de opnião várias vezes sobre um mesmo assunto. Indepentente de concordar, adorei o texto. Valeu pelo blog!!!

  10. Gente, quanta besteira, não? Acho legal ter um post aqui da Rosely Sayão, por exemplo, que é mais ponderada. Vejam só: como será que todos nós crescemos saudáveis e com capacidade de discernimento, se nossos pais eram das antigas, ou seja, deixavam a gente chorar no chiqueirinho? E nossos pais, então, o que seria deles, já que nossos avós, esses sim, eram adeptos da filosofia "deixe chorar senão fica manhoso"? E as famílias de quase todos os brasileiros, então, com mais de 10 filhos e uma única mãe, como será que essa mãe fazia? De verdade, nem 8 nem 80. Acabei me deparando com esse post por acaso, porque minha menina entrou nessa fase da angústia de separação, como chamam… mas mães sempre vão se culpar por qualquer coisa. Nós temos as costas bem largas.. Mas se tem uma coisa que tenho trabalhado na minha cabeça é o seguinte: sou a mãe que posso ser. E isso basta para mim, espero que baste para minha filha. Se não bastar para ela, tem sempre a opção de se fazer terapia e encarar seus demônios. E, claro, o dia que nossos filhos tiverem filhos, eles podem fazer tudo diferente…

  11. Eu sinceramente não acreditava nessas coisas, achava que as crianças devem aprender a ser independentes desde pequenas e por aí vai, pois fui criada por avós, tios, amigos, e sempre fui muito independente. Mas pra morder minha língua, engravidei com 15 anos, e só ao nascer meu bebê desenvolvi transtornos psíquicos de montes, bipolaridade, agorafobia, depressão pós parto, sonifobia, e transtorno de ansiedade de separação, passei meses horríveis, não deixava ninguém pegar o meu filho, não queria afastar o corpo dele do meu, e também não ficava sem minha mãe e minha avó. Fiz milhares de terapias, seções com psicólogos, terapeutas, psiquiatras, até em padres e benzedeiras, e o resultado apareceu, o fato do afastamento de minha mãe ao nascer me causou um transtorno tão grande que refletiu na minha maternidade, não querendo que meu filho sentisse o mesmo drama. Hoje em dia ainda faço tratamento e faço de tudo pra que o meu bebê não sogra os transtornos que eu sofri. cada um defende o que acha certo, mas é só passando para ver o que se sente de verdade.

  12. Olá. Também me chamo Benjamin. Tenho vinte e seis anos. Entrei na escola aos dois anos e meu pai traumatizou esse momento, que está em minha memória até hoje. Cresci uma criança prodigio, mas sempre de um único amigo. Sofri com meu nome e isso ajudou a piorar a ansiedade de separação. Até hoje tenho dificuldade para lidar com muita coisa que achava que eram de minha personalidade, recentemente estou conseguindo ligar os pontos. Entre em contato comigo pois talvez possa ajudar em sua evolução.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *