brincar de roda salvou minha rotina

eu sentei na frente no computador, abrir o wordpress do blog e escrevi. parece que têm anos que eu não faço isso. escuto as cigarras cantando lá fora e um ventilador suave refrescando esta tarde quente. nenhuma criança brigando. nenhum filho chamando MAMÃÃÃE! nenhum lanche pra preparar, bunda alheia pra limpar ou pepino urgente pra resolver.

benjamin está na escola, como o habitual, e as meninas (essa que é a novidade), estão num lugar super bacana, se divertindo e sendo cuidadas. é que desde o começo de outubro elas estão frequentando um lugar chamado brincar de roda, uma casa de brincadeiras que valoriza o brincar livre: sem agenda rígida, sem o uso de eletrônicos e com muita criatividade.

foram sete anos me dedicando integralmente às crianças, num malabarismo louco enquanto eu tentava equilibrar afazeres domésticos, atenção de qualidade aos filhos, trabalho (quem inventou home office não era mãe nem pai, certeza!) e ainda dedicar um tempo para mim e pro meu relacionamento com hilan. se eu consegui? óbvio que não!

é engraçado como a privação faz a gente valorizar umas coisas que antes eram consideradas triviais. só quem acorda toda noite pra acudir mininu sabe o valor que têm algumas horinhas de sono sem interrupções. só quem vive com um mini serumaninho colado em você o dia inteiro vai entender o que é se deliciar com uma ida sozinha ao banheiro, um longo banho sem ouvir vozes no meio dele, ouvir música no fone de ouvido, fechar os olhos por alguns segundos e saber que o mundo não desmoronou nesse meio tempo.

a primeira vez que consegui deixar as meninas sozinhas no brincar de roda, eu decidi sair pra lanchar na padaria do lado. pra comer, eu pedi um enroladinho de salsicha e, pra beber, uma C.O.C.A.C.O.L.A! gelada, sem precisar negar pra ninguém, sem precisar alertar sobre os perigos dessas tranqueiras ou ressaltar os benefícios de uma alimentação saudável. eu só comi. e olhei pro celular. joguei candy crush. olhei pra longe. OLHEI PRA LONGE, GENTE! antes de voltar, comprei um bolo de chocolate e escondi no carro, pra comer à noite (sou dessas que, sempre que tá longe dos filhos, come muito). passei numa loja de roupas íntimas e vagueei sem precisar procurar ninguém entre as araras, sem tirar sutiã da cabeça de ninguém, sem mandar ninguém parar de arrancar as etiquetas ou brigar com a irmã/irmão. me dei ao luxo de ver algo pra mim, dizer “só estou dando uma olhadinha” e sair (porque não estava disposta/nem podia pagar 40 golpes numa calcinha, por favor, obrigada). e voltei pra ver se estava tudo bem, claro, porque dona guadalupe ainda estava se adaptando.

conforme o tempo foi passando, hilan e eu fomos ficando experts: fiz uma compra de supermercado monstruosa, pra durar tipo uns 3 meses, fui à acupuntura, hilan iniciou um tratamento dentário (!!!), consegui sair sozinha com benjoca (tadinho, nunca sobra tempo pra ele), hilan e eu tomamos um café com bolo despretensioso, no meio da tarde de um dia de semana qualquer. fomos à T.E.R.A.P.I.A.D.E.C.A.S.A.L! tudo isso em apenas um mês (juro, demoraríamos de 6 meses a 1 ano pra conseguir fazer todas essas coisas. ou pior, talvez nunca faríamos)!

aí você diz “credo, luíza, você tava infeliz com seus filhos? porque parece que você tava numa cadeia! se isso era importante pra você, por que não botou as meninas em uma escolinha?”

então, vamos por partes:

  1. a brincar de roda tem sido muuuito boa pra nós, adultos, mas especialmente pras meninas. a ideia original era levá-las só umas 2 ou 3 vezes por semana, pra resolvermos pendências que ficam difíceis de fazer com elas junto. mas elas amam! especialmente sansa, que sente muita falta de crianças da idade dela. e daí que sansa pede pra ir todo santo dia, incluindo finais de semana (claro que isso não acontece. hahaha)
  2. eu amos meus filhos! com toda a essência do meu sersó que, se eu não cuidar de mim, não sobra eu pra eles. então agora tem sobrado uma luíza um pouquinho mais sã no fim do dia, menos esgotada e um pouco mais disposta pra enfrentar as noites insones com lupita (assunto que, prometo, tratarei mais pra frente).
  3. eu não quero colocá-las em uma escola ainda. motivos:
    • nunca tive a intenção de colocar meus filhos numa escola antes de começar a idade escolar obrigatória (4 anos completos até 31 de março daquele ano letivo). prefiro que eles aprendam naturalmente no dia a dia, pra adquirir maturidade pra lidarem com a vida fora da bolha quando chegar a hora de ir pra escola (tenho consciência do tamanho do privilégio que eles e eu temos por poder viver isso!).
    • chegada a idade escolar, irão para a escola pública (benjoca está desde pequeno e ano que vem é a vez da sansa). não tenho condições financeiras pra pagar uma escola particular que tem uma pedagogia incrível, mas que custa um rim e um fígado por mês. simplesmente não tenho.
    • na brincar de roda elas têm liberdade e flexibilidade para irem quando dá, não irem quando não dá e nem querem, não existe nenhuma cobrança ou intenção delas aprenderem a ler, escrever, cantar o alfabeto de trás pra frente em português, inglês, esperanto, mandarim e russo. elas vão sim.ples.men.te.pra.brin.car.

OK. ENTENDI! MAS O QUE É A BRINCAR DE RODA?

primeiro, vou te dizer o que não é: não é uma brinquedoteca. não é uma escola. não é um reforço escolar.

agora te digo que o que é: um lugar de brincar livremente, onde as crianças podem desfrutar da presença umas das outras, socializando de maneira natural. lá elas contam com monitoras doces, carinhosas, gentis (a maioria é mãe e, inclusive, traz seus filhos pra ficarem aqui enquanto trabalham, o que faz toda a diferença <3). um lugar que parece a casa da gente.

todo dia tem uma programação leve, que inclui brincadeiras livres, parquinho, hora do lanche, brincadeiras direcionadas e oficinas que variam de acordo com o dia. este mês mesmo rolou musicalização, brincadeiras sensoriais, contação de histórias, massinha, confecção de brinquedos de sucata, brincadeiras tradicionais, oficina de horta,  colagem, desenho, arte com tinta (confira a programação completa aqui).

frequência com que se leva a criança também é livre. dá pra pagar um período avulso (manhã toda ou tarde toda) ou mesmo hora avulsa. você pode levar só uma vez por semana, ou duas, ou até mesmo todos os cinco dias úteis. dá pra levar de manhã ou à tarde. sua escolha. liberdade para todos.

optamos por levar as meninas com uma certa regularidade (nos mesmos dias e horários) pra facilitar a rotina delas e a nossa. e tem dado certo demais! nos dias que elas vão, nós resolvemos nossas coisas. nos dias que elas ficam conosco, aproveitamos mais nosso tempo junto. e tem sido maravilhoso ver o crescimento e desenvolvimento delas! sansa está muito mais sociável e segura. lupe está super desenvolvida, tagarela, sabida que só. até o relacionamento de benjoca com as irmãs está melhor porque, antes, ele ficava enciumado de só ele ir à escola e as meninas ficarem conosco em casa. ao mesmo tempo, sansa se enciumava porque o irmão tinha amigos na escola e brincava todos os dias com outras crianças e ela, não. agora ela tem amigos. isso pra ela é um avanço enorme!

se você se interessou pela brincar de roda, pode conhecer mais aqui:

site: brincarderoda.com.br

facebook: facebook.com/brincarderoda

instagram: instagram.com/brincarderoda

 

 

selo matrioska 

 

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4 comments

    1. Existem várias casas assim em Sampa. Que lembro de cabeça…. Mamusca, Casa de Brincar (ambasna zona oeste) , O Quintal (zona leste pertinho da Mooca) , o Quintal da Vovó ( na Vl. Mariana, zona sul).

    2. Essas casas funcionam como contra turno escolar , tb., qdo. os pais não tem outra opção. No meu caso, uso bastante em julho. Elas salvam as minhas tardes no escritório, alguns dias da semana, qdo. os meus entram em férias em julho e eu não.

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