brinquedo, suor e baba

[clique aqui para ler a primeira parte]

dois dias se passaram e chegou sábado. dia do aniversário da tetê, amiguinha do benjoca.
estamos no carro a caminho da festinha e eu comento com o marido da minha paixão não correspondida.
digo que penso em fazer um post no blog: “procura-se”.
e lá estamos na festinha. amigos de longa data, tanto adultos quanto bebês. benjamin vai no colo de um e de outro e eu já estou com a cabeça em outro lugar.

mas aí eis que avisto de longe: um pai, um filho e ela, A mãe.
não pode ser, não é possível.
sinto o coração palpitar, a barriga gelar, os joelhos tremerem.
não consigo conter o sorriso e lá de longe já aceno para eles.
sinto que meu rosto está vermelho, as bochechas e orelhas quentes:
– oi! – ela diz
– oi, você conhece a mãe da tetê? – eu digo, e me atrapalho, e me confundo. anta. e se ela não conhecer, só conhecer o pai?
– pois é.
– oi, rafael, tudo bem? olha, benjamin, o rafael! – e me sinto uma completa idiota – ah, esse é o hilan, meu marido.
– amor, eles moram lá na quadra – ela diz. ai ela se lembra de mim! ela também achou legal a gente morar na mesma quadra!
– puxa, que coincidência nos encontrarmos aqui! – eu fico naquela de que toda coisa que eu falo é bobagem.

trocamos mais uma meia dúzia de palavras e eu arrumo qualquer motivo pra sair dali.
assim que viramos as costas eu falo bem baixo pro marido:
– é ela!
– é ela?
– é ela!
– nossa, você veio falando dela no carro.
– pois é, não é o máximo?

e ficam os dois super empolgados. best friends forever.
penso em todas as infinitas possibilidades de ter um casal de amigos com um filho poucos meses mais velho que o nosso, morando a poucos metros de nós.
penso na companhia diária nos parquinhos.
nos nossos filhos compartilhando brinquedo, suor e babas.

continuamos a curtir a festinha e me esqueço deles. mas é só esbarrar com eles que o rubor volta.
puxo papo com o marido dela: “pois é, né, que legal! qual o nome dela é jxoeiuroi, né? e o seu? ah, legal! vocês moram naquele bloco? ah, a gente mora nesse outro. puxa, que coincidência mesmo”.

hora do parabéns. lá estão eles. eu só olho de longe, dou um sorrisinho amarelo e volto o foco pra aniversariante.

nem lembro se nos demos tchau ou não. continuei a festa com outros amigos, muita coisa legal acontecendo, a emoção de comemorar o primeiro aniversário da amiguinha tetê, que nasceu prematura e hoje é uma menina linda, saudável e super esperta.

mas é só entrar no carro que o assunto volta:
– puxa, mas que coincidência boa.
– e você veio falando deles no carro.
– tá vendo?
– ela falou que o rafael é da mesma escolinha que a tetê.
– é, faz sentido, a escolinha é la perto de casa.

até que eu me toco:
– poxa, eu tive a chance e nem perguntei mais nada pra eles. devia ter pegado o telefone.
– tudo bem, agora a gente já tem amigos em comum. qualquer coisa você pergunta pra nossa amiga.

eu me conformo e continuo com a esperança de um dia nos encontramos novamente.

[continua?]

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16 comments

  1. Oohhnnn!

    Luiza!

    Não sei se dou risada ou se ofereço um lencinho!

    Super me identifico, cara, dá até um negócio.

    Fiz uma amiga perto de casa com um bebê alguns meses mais velho quando o meu filho tinha 2 meses.
    João está com 1 ano e 8 meses e eu mantenho a amizade…

    Mas eu sou menos tímida do que vc, então, dá-lhe cara de pau: peço telefone, assim, de cara!
    Rs.

    Claro que acham que eu sou louca, mas, sabe, a gente PRECISA de amigas pra compartilhar, né?

    Eu acredito nessa "rede de apoio dazamiga".

    Boa sorte com sua nova paixão.
    E volta pra contar pra gente se tiveram mais algum encontro.
    Risos

  2. Parece que ela ta lendo e ai ser ela quem vai pedir teu telefone na próxima vez… Hehehe
    Eu tenho várias "amigas" mães que fiz na pracinha. Primeiro começamos trocando SMS, e-mails, receitas… Agora já rola até telefonemas e fomos no aniversário de um amiguinho das crianças juntas!
    É super legal mesmo poder trocar experiências com outras mães. Mas as crianças não brincam juntas.. Acho impressionante o jeito que esses pequenos brincam: cada um com seu brinquedo, um pra cada lado…
    Mas, agora que eles não ficam mais no colo, é super difícil bater papo, já que cada uma tem que correr pra um lado atrás deles..
    E bem como tu relataste ontem, dá pra ver direitinho quem é mãe, babá e avó na pracinha…

  3. Luíza,
    Seus dois últimos post me fizeram sentir uma terráquea novamente, pois sempre que vou a parquinhos me sinto uma ET. Aliás, meu marido e eu nos sentimos ets, porque sempre vamos juntos aos parquinhos e brincamos na gangorra, no balanço, no gira-gira e na areia com nosso bebê de quase 1 ano. Todo mundo fica olhando admirado como se acabássemos de descer de uma espaçonave. É babá para todo o lado e eu me sinto muito acuada. Eu ainda não tive a sorte de encontrar outra mãe com o seu filho (sem a companhia da babá), os parquinhos que frequentamos mais parecem uma convenção de babás, he, he. Quem sabe a gente ainda não se esbarra em algum parquinho, né? bjinhos

  4. Ahaha, sei como é. Tive ótimas amigas de trocar celular na pracinha que frequentava em SP desde que a Ciça tinha 2 meses. E de começarmos a frequentar as casas uma das outras e, qundo vi, os meninos já maiores (2 anos), já estávamos marcando bebedeiras e shows internacionais, ahahaha! Aqui nunca ocorreu nada nem perto disso, pena…
    Beijos

  5. Nossa que coisa hein! que coincidencia!!! Espero que voces se encontrem mais vezes! é otemo ter alguem para partilhar esses momentos, rs! Agora nunca imaginei você timida (ainda mais depois dos videos do seu chá virtual, kkkkk) eu já sou super cara de pau, se vejo alguma mãe, já começo a puxar papo, pego telefone, email, facebook, rs

  6. Ah isso já aconteceu comigo, aqui mesmo aonde moro, mas depois fiquei amiga das mães e só depois de 1 ano me dei conta de que elas são diferentes demais de mim, em todos os aspéctos. E me desencantei geral!!! Acontece né? As vezes eu aturo malas por falta de companhia. Vamos marcar um piquenique? Bjs

  7. Adorei!!! eu me senti mais ET q vc, pq no parquinho onde levo meu filho não tem babás, todas mães, as vezes rola uma avó ou uma tia, mas a grande maioria mães. E nem tem como não socializar, um já pega a pazinha do outro e as mães já começam o assunto, pelo "desculpa meu filho" e assim vai.
    Confesso q adoro essa vida de parquinho e as várias "amigas" sem nome q encontro por lá. É q a gente só pergunta o nome do filho né? nunca o da mãe!!
    Adoro seu blog, acompanho através de uma amiga, nunca tinha entrado aqui de verdade pra comentar…

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