19 de dezembro

cadê o vínculo, gente?

por luíza diener

copinho

a gravidez do benjamin foi algo tão mágico e espontâneo…
passei a vida inteira sonhando em ser mãe, engravidar, ter um milhão de filhos. um ano antes de começarem as tentativas de engravidar eu já estava com mil planos e não via a hora de chegar logo a hora.
no momento em que o beta hcg se confirmou positivo foi só um pulo pra tornar concreto o sonho de uma vida inteira.
eu acordava e dormia pensando nesse bebê, imaginava seu rosto, nariz, cabelo, cor da pele. idealizava sua personalidade e ficava extremamente ansiosa tentando adivinhar se eu esperava por um menino ou menina. qual será o nome dele? quando a barriga vai aparecer? quando vai começar a mexer? tudo era novo, tudo era expectativa. foi uma experiência maravilhosa ser gestante de primeira viagem.

aí esperamos, esperamos e finalmente chegou o momento de planejar a segunda gravidez. aconteceu super rápido, ficamos muito felizes.
mas… alguma coisa está diferente.
cadê aquela conexão instantânea? aquele “te amo desde o momento em que te descobri”, aquele desespero para as coisas acontecerem num piscar de olhos e eu já ter esse bebê em meus braços?

eu sei que ainda é muito cedo pra que algumas coisas aconteçam, afinal são apenas 3 meses de gestação. mas mesmo assim, fico sentindo como se tivesse alguma coisa errada comigo.
já me senti mal por isso, já fiquei com medo de estar preterindo este bebê na barriga ou qualquer coisa do tipo.

mas sei que não.
é fato que esta gestação está sendo completamente diferente da outra em incontáveis aspectos. uns não têm uma explicação lógica de ser, mas outros existem por motivos totalmente plausíveis. um deles chama-se maturidade. outro, paciência. e também há a experiência.
na primeira gravidez e primeiro filho, tudo é novidade, o que traz um glamour único consigo, mas também é sobrecarregada de expectativas e inseguranças. e, claro, na segunda (terceira, quarta) gravidez, as mamães contam com um inimigo que não tinham antes: o cansaço. não o físico, mas também o mental, o que te faz curtir a gravidez como um tempo pra descansar pro próximo, não pra ficar enlouquecendo pra que o neném chegue logo.

pra completar, existe também o choque da fantasia com a realidade. a minha gravidez e maternidade foram idealizadas por mais de 20 anos. eu brincava de boneca, tinha minhas filhinhas, sonhava com minha casinha e meu marido. colocava almofada/bola/balão debaixo da blusa e fingia estar grávida.
e não precisa voltar tanto tempo assim. se eu retroceder pouco mais de 3 anos, me verei criando um blog de nome potencial gestante, feito para expressar todo meu desejo e anseio de ser mãe.
acho tudo isso maravilhoso, válido e necessário. é importante a mãe sonhar e desejar seu bebê e sua gravidez. imaginar como ele vai ser, quais serão seus gostos e preferências.

mas o benjamin traz consigo uma carga muito pesada que o próximo bebê não precisará levar. afinal, o benjoca existe na minha mente há muito mais de 20 anos e este novo bebê, há apenas 3 meses.
e nada mais justo que deixar que ele se desenvolva no seu ritmo, dando-me também o tempo necessário para crescer com ele e me redescobrir como mãe. agora de dois, não apenas de um. e tenho certeza de que esta será uma experiência ainda mais incrível.

mas pra não parecer que a coisa termina aqui, semana que vem eu posto um texto falando sobre minhas tentativas de criar um vínculo  maior com esse próximo baby que vem por aí.

confira também os outros blogs patrocinados pela natura mamãe e bebêcoisa de mãeit mãemãe de gurimamatracamamíferas,mundo ovo e vida de gestante.

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categorias: constança, publicidade

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20 Comments »

  1. Fantástico texto, Luisa, de uma honestidade sem tamanho. Aposto que muitas mães de segunda viagem passam por isso, mas, como vc disse, sentem -se mal consigo mesmas por achar que estão preterindo o segundo filho em nome do primeiro.
    Eu não tenho o segundo (ainda), porém, tenho medo disso, ao mesmo tempo que acho natural que aconteça. É mais ou menos assim, sei que é estranho, mas é natural. É estranho não sonhar e desejar tanto, não criar aquele vínculo de amor eterno ao bhcg que veio no primeiro exame, essas coisas todas…. mas é tão natural, como vc disse, é a maturidade, a experiência, o cansaço. Normal.

    Não se sinta mal por isso, não, viu? Estamos todas juntas e em algum momento todas passa(re)mos por isso.

    Forte abraço!

    Comentário by Daniela — dezembro 19, 2012 @ 9:27 am

  2. Senti tudo isso no meu primeiro filho, me achava estranha por isso, mas só consegui criar um vínculo lindo mesmo quando ele nasceu, pois até então não conseguia imagina-lo em meus braços, nao parecia uma coisa muito real pra mim… meio que a ficha nao tinha caido até ouvir o primeiro chorinho =)
    Acredito ser normal.
    Bjss

    Comentário by Kethlin Romanoski — dezembro 19, 2012 @ 9:33 am

  3. Oi! Sou mãe de 2! Um faz 2 anos em janeiro e o outro está com 8 meses! Além de tudo que vc descreveu no seu texto, tem a questão da novidade. Pois o primeiro sempre será novidade..com o segundo não acontece isso, mas p/ compensar, viramos uma mãe muito mais tranquila para o segundo. A diferença entre os meus meninos é de 1 ano e 3 meses. Enquanto acompanhava na internet oq estava acontecendo no meu ventre, lia com muito mais curiosidade quais eram as próximas etapas do primeiro: falar, desfralde..isso tb me fez sentir-me mal no inicio, mas agora aprendi a lidar com esses sentimentos, claro que com algumas recaidas.

    Comentário by Simone — dezembro 19, 2012 @ 10:15 am

  4. Muito obrigada pela tua sinceridade e por partilhar isso conosco!! Me indentifiquei muito na parte que vc diz “q o primeiro é sonhado a 20 anos e o segundo a 3 meses”… É uma nova etapa, sendo vicenciada com mais maturidade e uma bagagem de experiências..

    Acredito que o vínculo vai ser construído a partir da próxima eco, onde o bebê já vai ter forma de humano, quando vc sentir ele mexer… Pq se tornará mais real!!

    Abraços

    Comentário by Vívian — dezembro 19, 2012 @ 2:16 pm

  5. É normal na primeira td nos fazia chorar de emoçao,td era novo…maravilhoso(na primeira gravidezeu estava solteira,oeu terminei com meu namorado enfim nao deu certo,mas eu queria tanto mas tanto…q mesmo assim fui muito feli na minha gravidez ,apesar dos muitos percalços envolvidos numa produçao independente,JA na segunda foi um mix de "eu ja sabia q isso ia acomtecer" e tambem muitas e muitas emoçoes e dificuldades ,por ja ter uma bebezona de 3 anos super ciumenta, a falta de tempo ,mas aí com o apoio de um marido carinhoso ,deu td certo,foram situaçoes super diferentes mas ambas muito especiais…ser mae de 2 tem seus defeitos ,mas tambem sua qualidades,hum exemplo na segunda gravidez sabemos organizar melhor o cha de fraldas….entre outras,ou seja sua experiencia vai t ajudar muito e o vinculo ele virá nao se preocupe ,nem se culpe….ta td normal com vc…e curta sua gravidez pois quando passar vc vai sentir falta de td ,como eu,,,,,bjs

    Comentário by Sueli Nascimento — dezembro 19, 2012 @ 2:18 pm

  6. Luiza,
    é meio assim mesmo como você descreveu, a gente fica mesmo se sentindo mal, não dando a mesma atenção pro segundo quanto o primeiro, mas como disse o comentário acima, o bom é que a gente é uma mãe muito menos neurótica, muito mais tranquila, muito mais paciente… E pode se preparar, porque a culpa depois muda de lado e a gente começa a achar que dá muito mais atenção ao segundinho que ao primeirinho…. hehehehehe

    Comentário by Flavia Marins — dezembro 19, 2012 @ 2:34 pm

  7. Além de ser normal, posso te afirmar que vai um pouquinho mais além do parto. Tenho um filho de 5 anos e meio e uma bebê que está completando hoje 3 meses. Quando a segunda nasceu, no auge das dores da cesárea e das noites não dormidas pensei "será que vou conseguir amá-la como amo meu primeiro"? Foi só as coisas se acalmarem um pouco, bastou o esboço de um sorriso e pronto: completamente apaixonada por ela !!! Eu tenho certeza que amor de filho e como qualquer outro no sentido que só cresce a cada dia, com a convivência, dia-a-dia. Não imagino mais minha vida sem minha bonequinha, assim como também continuo amando loucamente meu primogênito. Pode estar certa que a seu tempo tudo será só amor.

    Comentário by Aline — dezembro 19, 2012 @ 4:00 pm

  8. Oi Luiza,
    me identifiquei com o seu post na hora. Tenho um filhote de 1 ano e meio e outro de 5 meses na barriga. Fico dividida e querendo curtir os dois com a mesma intensidade, mas cada um é um e eu já não sou mais a mesma. Aprendi muito durante a gravidez do primeiro e agora estou mais calma, mais prática e um pouco (muito) mais cansada… Não tenho muito tempo para ficar paradinha curtindo os movimentos do baby ainda na barriga, mas sempre tento… Minha grande questão será como cuidar dos dois….

    Comentário by Dulce — dezembro 19, 2012 @ 9:56 pm

  9. assinei os feeds do seu blog recentemente.
    estou grávida do meu segundo filho, depois de 10 anos da minha primeira gestação.
    mas uma coisa é certa: existe mesmo esse pânico pela sensação da falta de vínculo. eu não me sinto GRÁVIDA como me sentia o tempo todo, na primeira vez. não estou tão ansiosa pelo nascimento, pelos preparativos e tudo mais.
    acho que o que você disse ta certo, é a maturidade.

    depois de um tempo, eu me lembrei que na minha segunda gravidez, eu iria querer uma coisa que não tive na primeira: antes, eu tinha 18 anos, era uma criança. ainda estava na escola, tinha um pouco de vergonha (nunca entrei em fila pra atendimento prioritário, mesmo com 9 meses, acredita?), ainda fazia coisas que adolescentes fazem. não tinha aquela coisa de CURTIR o barrigão sabe? na segunda gravidez, eu queria ter paz, me assumir gravida do inicio ao fim. e olha eu aqui, não fazendo nada disso hahah

    Comentário by amandovski — dezembro 20, 2012 @ 12:14 am

  10. Tive minha bebéia há 2 meses, num intervalo de tempo pequeno entre os babies, como você está fazendo. Meu primeiro irá completar 3 anos no fim do mês, então já viu… A gestação da segunda foi marcada pelas estripulias do primeiro. Tinha dias (semanas!) que eu nem lembrava que estava grávida por pura falta de tempo. E o tempo que eu tinha disponível, meu corpo me pedia para dormir. E eu obedecia. Durante os nove meses eu também pensava que estava preterindo meu bb, mas conforme ele foi crescendo e se mexendo, a sensação diminuiu. Mesmo porque a cada chute, a lembrança da gravidez vinha à tona. Cada chute era compartilhado com o primeiro filho e ele adorava e vibrava ao sentir a irmã. Cada ultrassom era festejado pelo primogênito ao ver a irmã na tv… é difícil, mas passa. Quando nascer, o amor explode e a gente percebe que sim, sempre tivemos o vínculo… Aí, a culpa em deixar nosso primogênito de lado em prol do recém-nascido vem à tona… e nova culpa se evoca… que também passa… vai por mim…

    Adoro seu blog, leio a cada post novo.
    beijo.
    Bianca.

    Comentário by Bianca Marquezi — dezembro 20, 2012 @ 7:59 am

  11. Se por um lado não curtimos a gravidez "minuto-a-minuto", o segundinho ganha uma mamãe mais tranquila. A ansiedade diminui muito e fica mais fácil, mesmo com menos tempo disponível, curtir o bebê.

    Tem um lado bom em viver uma gravidez mais relaxada. Tenho a teoria de que deve ser até melhor pro bebê. Lembro de um post da Lia falando sobre como deve ser bom para o segundo ser gestado sob as descargas de endorfina que o primogênito proporciona a mãe. Eu pensava muito nisso e deixava a culpa de lado pra curtir a minha menina que tinha um pouco mais de um ano. Afinal, seriam nossos últimos meses a sós!

    Lembro também de um post da Anne falando sobre o amor que temos pelo primeiro filho ser diferente do amor que sentimos pelo segundo (sem quantificar, claro), e tem aquele da Mari falando da paixão que dá lugar ao amor…tudo isso faz parte da alegria de aumentar a família!

    Parabéns!

    Comentário by Fernanda — dezembro 20, 2012 @ 9:38 am

  12. O bebê que vc sonhou quando brincava de boneca é este também, Luíza! Quando ele for mais palpável, vc verá que enquanto a bom de brincar de dar mamá para um, é uma delícia pentear o cabelo do outro… 😉
    Bj grande!

    Comentário by gabisallit — dezembro 20, 2012 @ 10:12 am

  13. Ah, passa lá no blog depois, para ver a festa de um ano do João!! http://dadadablogdotcom.wordpress.com/2012/12/19/

    Comentário by gabisallit — dezembro 20, 2012 @ 10:14 am

  14. Estou grávida de 3 meses do segundo filho, o primeiro tem 2 anos e 11 meses. Planejei os dois bebes, e sinto isso tambem me sinto culpada de ainda nao conseguir esse vinculo de passar a mão na barriga o tempo todo, de ainda nao conversar, passar um tempo olhando aquele ovinho doida pra ve-lo mexer… como fiz do primeiro, mas é bom saber que não estou sozinha… Parabéns Luiza, sou de pertinho de Brasilia. bjo

    Comentário by Thais Michelle — dezembro 20, 2012 @ 10:14 am

  15. Tenho um bebê de 1 ano e 5 meses, e estou grávida de 7 semanas do segundo. Estou passando exatamente pelo mesmo momento que vc. Acompanho as postagens do blog e as vezes me pego dando risada, pois vejo que acontece igual com todo mundo….

    Comentário by luana — dezembro 20, 2012 @ 11:30 pm

  16. Luísa, também passei por isso na segunda gravidez e no fim acabei achando uma resposta mais direta: aliado ao fato de nada mais ser novidade, temos o tempo beeeem mais escasso.

    Acho que é por isso que não dedicamos tanto tempo a alisar barriga, horas/dias pesquisando o carrinho ideal.

    Por outro lado, eu consegui me dedicar bem mais a leituras sobre o parto, me preparar pra ele e elaborar isso na minha cabeça. Foi muito bom também.

    beijos

    Comentário by Anna Paula — dezembro 21, 2012 @ 9:02 am

  17. Vou dar um pitaco diferente. Eu tenho 3 filhos. Passei pela re-gravidez duas vezes. O que acontece é que, na primeira gravidez, vc tem todo o tempo do mundo pra pensar nesse filho. Gravida do segundo, vc so pensa no segundo filho quando o primeiro dá uma tregua (= dorme). olha o que aconteceu com o meu terceiro filho ontem: sentado no carrinho no meio da passagem que da acesso a escada interna da casa: as pessoas passavam por ele e ninguem nem olhava pra ele. Ate que algume disse "fosse primeiro filho nao tava sozinho do lado da escada". é isso: vc nao tem tempo de ter um primeiro filho de novo, e nunca terá!

    Comentário by mari mari — dezembro 22, 2012 @ 10:27 am

  18. […] post da semana anterior eu abri o jogo sobre a dificuldade que tenho encontrado em estabelecer um vínculo na segunda […]

    Pingback by potencial gestante – em busca do vínculo perdido — dezembro 26, 2012 @ 9:00 am

  19. Linkei seu post no blog http://www.soumaeeagora.com/gravidez/5-semanas-tu
    Beijoss

    Comentário by Bárbara — janeiro 14, 2013 @ 11:10 am

  20. […] passado eu falei aqui sobre a dificuldade que eu estava tendo em criar um vínculo com o bebê dentro da minha […]

    Pingback by potencial gestante – amor entre irmãos — janeiro 16, 2013 @ 9:02 am

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