17 de novembro

cadeirante

por luíza diener

pois é. que depois que você vira fiel depositário de um bebê sua vida muda pra caramba, é algo totalmente sabido. a partir daí, você começa a notar certos detalhes que poderiam passar desapercebidos a sua vida inteira.
um deles é como alguns lugares são totalmente inacessíveis àqueles que dependem de rodas para locomover-se.

comecei a perceber isso quando um dia resolvi ir a um banco pertinho aqui de casa.
benjamin mal tinha um mês e eu precisava tirar dinheiro para pagar a faxineira. pensei logicamente: vou ali rapidinho, tiro o dinheiro e volto. como ainda não manjava nada de sling (continuo péssima, mas me arrisco mais), decidi que seria melhor ir de carrinho. a pior das ideias.

da minha casa ao banco é necessário apenas atravessar uma pequena avenida (w3 norte, para os íntimos). fácil, afinal tem dois semáforos ali pra facilitar a vida. ou nem tanto.
o erro começou antes mesmo de aproximar-me da tal pista. só pra sair do estacionamento do meu prédio, já precisei fazer um contorno gigante, caso não quisesse descer por um mini barranco de terra. no desvio me deparei com um estacionamento de brita, com uma calçada esburacada, com uma parte sem calçada e, por último, com uma calçada truculenta.

na pista, um novo obstáculo: faltava rampa e o meio fio tinha bem mais de um palmo de altura. tive que subir e descer o carrinho no braço. no canteiro entre uma pista e outra, um chão meio que de paralelepípedo (quadrado?).

chegando ao banco, a ironia: ele era totalmente acessível para cadeirantes. rampas, caixas eletrônicos especiais e tudo o mais. ok, mas como, deusdocéu, pode alguém com dificuldades de locomoção alcançar tal paraíso? mistério.

na volta, quase derrubei o carrinho ao tentar atravessar a pista correndo, isso porque o sinal não ficava fechado o tempo suficiente pra descer e subir o carrinho no braço. abriu o sinal e o troço empacou sei lá em que, quase tombando meu bebê no asfalto. coração quase saindo pela boca, visto que o motorista do ônibus não se compadeceu nem um pouco e começou a acelerar. a sorte foi que um transeunte ao meu lado acabou por me ajudar.

em casa eu fiquei atônita. preferi nem pensar o que poderia ter acontecido ao benjamin se o carrinho virasse (quem deixou ele virar? foi por causa da luíza, que não soube guiar).

mas desde então fico perplexa ao notar como certos lugares são simplesmente inatingíveis.
o que era simples tornou-se uma saga.

e aí, por vários outros motivos, certos lugares (onde colo ou sling não bastam) simplesmente foram cortados da minha lista de frequência.
enquanto isso, outros viraram meus favoritos, especialmente mercados (afinal, se dá pra empurrar um carrinho de compras, dá pra empurrar um de bebê) e shoppings, que também contam com o fator fraldário. mas note que o mercado, diferente do shopping, não é acessível para as pessoas, mas para seus carrinhos.

outra coisa que pesa dentro do cadeirismo baby é o fator estacionamento. não dá pra estacionar em qualquer buraco, senão não sai nem o bebê conforto pela porta, nem o carrinho pelo porta malas. e nem sempre dá pra passar entre um carro e outro e sair costurando. é necessário dar uma volta gigante e agora eu estou falando como uma mamãe moderna que  muitas vezes sai só com o filhote e não conta com o luxo de outra pessoa pra te deixar e te pegar na boca dos lugares.

mesmo assim, as pessoas que fazem parte do seguimento dos empurradores de bebês têm esse papel como provisório.
o que mais me indigna mesmo é pensar nos cadeirantes que vivem permanentemente nessa condição.
trágico.

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categorias: Tags: bebelândia ou não, erros comuns

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13 Comments »

  1. Pois é Luiza, é indecente mesmo. e acho que é um mal coletivo, aqui em SP as condições também são péssimas.
    Eu vivo me aventurando pela rua com Joaquim no carrinho, sempre com muita dificuldade. Na maioria das vezes andando pela rua mesmo, pois as calçadas são intransitáveis.
    Realmente os cadeirantes (principalmente) e demais portadores de rodinhas para locomoção, estão muito mal atendidos no nosso país! E engraçado como a maternidade nos faz enxergar isso com mais clareza e compaixão e ter vontade de engajar uma mudança, né? Bjos

    Comentário by Anne — novembro 17, 2010 @ 8:49 am

  2. Pros cadeirantes é ainda pior. A gente consegue levar na mão um carrinho com um bebê dentro escada acima. E um adulto numa cadeira de rodas, comofas? E olha que Brasília ainda é bem mais acessível que outras cidades desse Brasil, como BH. O negócio é aprender a usar o sling e abusar dele, facilita muito.

    Comentário by lia — novembro 17, 2010 @ 8:50 am

  3. Pois é, tive a mesma impressão quando comecei a me aventurar fora de casa com o carrinho. Quando o Arthur era pequeno, ele ficava no canguru (nunca me adaptei ao sling), então era fácil, ia ao mercado, farmácia, dava uma voltinha dentro da universidade aqui perto de casa (que é um lugar muito bonito para passear ao ar livre, além de seguro), estava tudo bem até que o Arthur começou a ganhar peso, e ficar mais e mais pesado. Consegui aguentar até ele chegar aos 10kg, assim eu só conseguia ir ao mercado rapidinho, e quando chegava em casa, estava com uma dor horrível nas costas. Então tive que começar a usar o carrinho de vez. Tem dois mini mercados aqui perto de casa, e só consigo entrar em "meio", por que nesse eu só consigo entrar até o balcão do caixa, por que os corredores são muito estreitos. E o outro tem 4 degraus muito altos, e os corredores são mais estreitos ainda. No primeiro mercado eu conto com a eventual ajuda dos funcionários que, como eu disse, é muito eventual. Sem contar que o trajeto até esses dois locais é cheio de calçadas mau feitas e rampas piores ainda. Eu comentei exatamente isso com o meu marido: "a nossa situação é temporária, daqui a pouco o Arthur cresce e não vai mais precisar do carrinho. Mas os cadeirantes, "comofas"?

    Comentário by @bach_tremere — novembro 17, 2010 @ 8:57 am

  4. Eu SEMPRE penso nisso!! É impossível ir até o comércio com o carrinho, na padaria tem escada para chegar até o local do pão, na farmácia o carrinho não cabe no corredor!! Imagina os cadeirantes!!! Ah, ontem eu não fui porque aquela chuva me deu uma preguiça e eu tinha tanta coisa para resolver, hehehe. Mas na próxima vou com certeza!

    Comentário by Lorenna — novembro 17, 2010 @ 9:04 am

  5. É Luiza, eu tbm penso muito nisso!
    Eu tbm cortei lugares que são simplesmente impossíveis de ir com a bebê, inclusive restaurantes.
    Hoje vou preparar um post com algumas dicas do uso do sling! Depois passa lá! 😉

    beijos

    isis e Amelie

    Comentário by Isis — novembro 17, 2010 @ 9:39 am

  6. Ah sabe não precisa ir mt longe..Sabe esses carrinhos de fazer compras?
    Eu tenho um mesmo morando 2 quarteirões do supermercado MAS eu cansei de ficar carrengo altas sacolas e mutilando meu braço ou então tendo que fazer 2 viagens.
    Pois bem….até para salvar suas compras dos passeios e ruas malucas eu tenho que fazer A MANOBRA!
    Você só se dá conta mesmo de como as ruas são um "lixo" qdo vc precisa guiar um carrinho de bebê, de compras, e etcs……

    Comentário by Luana — novembro 17, 2010 @ 10:19 am

  7. em porto alegre essa questao está bem avançada, o centro principalmente tem bastante acesso BUT claro ainda há dificuldades 1000. meu esposo é DF e qdo se formou em direito fez o trabalho de conclusao dele sobre o direito de acessibilidade, tiro 9,7 (por errinhos de gramatica nao tirou 10) a banca se rasgou no trabalho dele, foi lindo de ver confesso 🙂

    Comentário by tchella — novembro 17, 2010 @ 10:52 am

  8. Compartilho da sua revolta com a falta de acessibilidade de Brasília (e o pior é que talvez ela esteja entre as mais acessíveis do Brasil!) desde que a Emília nasceu.

    Comentário by Rafael Gazzola — novembro 17, 2010 @ 11:18 am

  9. Aqui perto de casa não é muito diferente, apesar de aqui em São Paulo muitas ruas já serem bem adaptadas, a prefeitura até tem contruído rampas nas esquinas em várias partes da cidade, mas muitos proprietários não cuidam das suas calçadas, então fica impossível sair a pé!
    Eu não consigo chegar nem na esquina, meu vizinho tem uma árvore que ocupa a calçada inteira, além de que a cidade é cheia de subidas e descidas e as pessoas constroem degraus pela calçada.
    Ok, ok, acho que os governos ainda tem muito o que fazer nesse assunto, mas por aqui consigo ver as coisas evoluindo!
    Beijinhos

    Comentário by Izabel — novembro 17, 2010 @ 4:47 pm

  10. Moro em Uberlândia e aqui a acessibilidade é muito boa. Eu sinto a diferença sempre que viajo (na cidade onde eu nasci os canteiros centrais devem ter uns 25 cm de altura!), e olha que não tenho nenhuma dificuldade de locomoção – nem mesmo um bb ainda ahahahaha.
    É um trabalho demorado, mas cabe verdadeiramente aos governantes iniciarem e "pegar no pé" pra coisa acontecer.
    Bjos!

    Comentário by Dani — novembro 18, 2010 @ 7:15 am

  11. Ai, nem me fale. As cidades brasileiras não estão nada preparadas para cadeiras e carrinhos. Mas Brasília consegue ser pior. Uma cidade que não é feita para pedestre não é nem de longe propícia para o uso de carrinhos. A não ser para andar em voltas, dentro das próprias quadras, sem "ousar" atravessar uma rua.
    Beijos

    Comentário by Paloma — novembro 18, 2010 @ 9:10 am

  12. Engraçado né, como a gente começa a pensar nisso quando tem filho, né! Eu penso a mesma coisa, fico indignada com a inacessibilidade de Brasília para os cadeirantes. Um horror!!!
    Outro dia eu fui numa mostra de Arquitetura (Morar mais por menos) com o Gui no carrinho, simplesmente foi impossível entrar (o chão era de brita) e fiquei sem olhar metade dos ambientes porque eram no segundo andar, com escadas!!!

    Comentário by Avassaladora — novembro 19, 2010 @ 9:32 am

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