
é sair de fininho pra comer escondido do filho e ainda voltar de boca cheia tentando disfarçar
é não ter mais hora pra dormir nem pra acordar
é achar que toda vez que qualquer criança grita “mamãe” ela está falando com você
é encontrar massinha grudada no tapete
é comer comida fria e pelas metades
é sair sozinha e mesmo assim encontrar um buzz ou uma princesa dentro da sua bolsa
ou uma muda de roupa
um copinho com água
um biscoito quebrado
um caroço de feijão
é se emocionar ao ir num show de música infantil que seu filho adora – e você, pelo visto, ama mais ainda
é se debulhar em lágrimas ao ouvir seu pequeno dizer “te amo” pela primeira vez
é torcer com todas as forças pra que eles durmam logo e morrer de saudade, esperando que acordem
é terminar o dia exausta, prometendo que o próximo dia será diferente e mais organizado, mas amanhecer fazendo tudo outra vez
é lá no fundo pensar “bem feito” quando ele se ferra ao fazer uma coisa que você proibiu
e correr para consolá-lo logo depois de um pensamento tão maldoso
é engolir o palavrão pra não fazer feio perto da criança
e soltar ele na frente dela na hora que menos se espera
é desenvolver um beijo mágico, que cura as enfermidades do corpo e da alma
é pisar distraída num brinquedo jogado no meio da sala
é mandar todo mundo calar a boca quando, finalmente, o bebê dorme
é ter que fazer sexo de porta fechada, sem soltar um pio
é sempre estar com alguma coisa suja: cabelo engordurado, roupa suja de comida ou areia, encardidodebaixo da unha, dente com alface.
é sentir-se um adulto completo ao cinema sem as crianças
é comemorar quando arruma alguém pra ficar com as crias numa sexta à noite
e não desgrudar do celular um segundo na ausência deles
e voltar pra casa correndo e elas não darem a mínima pra você
é sentir o coração explodir de alegria quando eles dão uma gargalhada gostosa
e ficar com ele apertadinho quando ficam doentes
é banalizar completamente assuntos escatológicos envolvendo cocôs, xixis, vômitos e o apocalipse
é deixar o pedaço mais gostoso pro final e virem esses projetos de trombadinha pra comer ele em segundos, sem a menor cerimônia (ou ao menos um obrigado)
é sempre colocar as necessidades dos filhos na frente das suas
e burlar essa regra de vez em quandinho
é ficar surpresa como pode caber tanto amor dentro de uma pessoa só
para todas as mães que não são perfeitas. são somente mães.

era sexta à noite chuvosa. duas amigas adolescentes entediadas, enfurnadas dentro de casa.
uma delas sugere: “estou falando com um conhecido no msn. na verdade eu só o conheço de vista, da faculdade. ele sugeriu que fizéssemos alguma coisa agora à noite”.
a outra, já farta de segurar inúmeras velas pra amiga, dá de ombros e murmura qualquer coisa, sem dizer que sim ou que não.
“ele vai levar um amigo dele. disse que o amigo é fofo”.
(como assim, ele é fofo? )
“e qual seria o programa?”
“eles vão para um cais na beira do lago, jogar barquinhos de papel”.
isso sim é fofo. por que ela não disse antes?
a ideia do programa era diferente, o que a convenceu a sair de casa. mesmo assim, o ânimo não era dos maiores. por outro lado poderia ser pior, poderia ser aquela balada de sempre, com as mesmas pessoas de sempre, as mesmas músicas de sempre, o mesmo tédio de sempre.
“tá. vamos”.
sem saber que cara eles tinham, ela avista dois rapazes ao longe, acocorados na beira d’água.
com certeza eram eles.
ao se aproximarem, eles gentilmente vão falar com as duas garotas.
um mais extrovertido e tagarela, outro mais recatado. este segurava um papel contendo instruções passo a passo de como fazer uma dobradura de barco.
ela achou graça e ficou sem graça.
sem saber por que, seu estômago gelou e sentiu suas maçãs do rosto esquentarem a ponto de parecer que iam pegar fogo.
começou a chover e todos foram para um lugar coberto.
estava mais iluminado e ela percebeu: eles são lindos!
decidiram ir para outro lugar, que também não deu certo.
por fim pararam num boteco qualquer, porque ela queria comer churrasquinho e beber coca cola.
os assuntos eram os mais diversos, mas a empatia era unânime.
as horas não passaram, voaram.
trocaram telefones – sob a promessa de repetirem o evento em breve – e cada um foi pro seu canto.
na volta, as amigas conversavam empolgadas no carro.
mas ela tinha que ir pra casa, pois viajaria no dia seguinte para visitar os avós.
o sábado foi arrastado. ela passaria o dia a centenas de quilômetros da noite anterior.
voltou para casa no mesmo dia, mas já era muito tarde.
no domingo, encontraram-se os quatro novamente.
falavam sobre porcos, barcos de papel, golfinhos, japão.
está tarde. o estabelecimento vai fechar.
não tem problema, a gente vai pra outro lugar.
descobriram locais secretos que não fechavam nunca.
não importava mais a hora nem o trabalho no dia seguinte.
aqueles encontros mágicos eram à prova de tempo e por isso se repetiram dia após dia, independente do dia da semana.
no fundo ela sabia que aquele frio na barriga que sentiu lá no começo era um presságio.
em um desses encontros mágicos o garoto recatado, como quem não quer nada, sentiu-se cansado e pousou a cabeça nos joelhos dela. o frio virou gelo, as bochechas incendiaramm novamente. borboletas de todas as cores ganharam vida dentro de seu estômago.
nas horas em que não se encontravam pessoalmente, conversavam pela internet.
uma noite ela teve um sonho maluco, confuso, onde a única coisa que ficou clara foi que um era a metade do outro e, juntos, eles se completavam.
não contou pra ninguém. preferiu manter segredo, com medo de estar enganada.
o segredo durou menos de um dia.
na noite de quarta-feira resolveram ir ao cinema. o filme escolhido era bonito, poético, passava-se no japão.
ele pegou em sua mão.
ela achou aquilo normal.
apesar do sentimento que começava a surgir no seu coração, a razão fazia ela pensar diferente. aquilo era apenas uma demonstração de amizade. uma amizade muito bonita, daquelas que dão vontade de não perder nunca na vida.
o filme acabou.
o amigo mais extrovertido era também muito divertido e agitado. estava sempre fazendo uma piada, movimentando-se pra lá e pra cá.
então ela preferiu sentar-se em um banco, perto de uma carrocinha de churros.
o amigo mais quieto uniu-se a ela e os dois ficaram em um interminável bate papo.
por alguma razão até hoje ignorada, ele deitou-se em seu colo.
ela não achou nada estranho ou invasivo. era como se aquilo fosse daquele jeito desde sempre.
as mãos dela correndo por seus cabelos, ambos pensando no quanto aquilo era bom. tinha alguém falando, mas ela nem sequer percebeu.
até que ela olhou pelo reflexo e sua amiga beijava o rapaz saidinho.
ferrou.
ela engoliu seco, sentiu vergonha, teve um impulso de afastar-se.
teve medo de que aquele momento lindo fosse maculado pela atitude de sua amiga.
“agora ele vai pensar que, porque nossos amigos ficaram, nós temos que ficar também. agora ele vai se aproximar de mim para tirar vantagem deste momento. quero ir embora”.
“eles se beijaram” – ela disse.
“eu vi” – ele respondeu.
ela disfarçou, levantou e saiu de perto.
os quatro voltaram a conversar.
ela pediu para ir.
a amiga não queria.
ela inventou qualquer desculpa. era meio de semana. mas a gente está de férias. mas eles não. vamos logo! tá, deixa só eu me despedir.
enquanto o recém formado casal se despedia em meio a longos e intermináveis beijos e abraços, ela morria de frio no estacionamento.
ele a abraçou e assim eles ficaram.
conversavam abraçados um de frente para o outro, compartilhando o mesmo casaco.
ele era quase uma cabeça maior que ela, sendo assim, ela acomodou-se perfeitamente debaixo do seu queixo e ficou olhando longe enquanto conversavam um assunto qualquer, que ela nunca viria a recordar-se.
então ela virou para cima. ele correspondeu. foi quando a luz dos olhos meus e a luz dos olhos seus resolveram se encontrar.
ninguém conseguiria cronometrar quanto tempo aquilo tudo durou. minutos, segundos, horas entre um abraço, um olhar e um longo beijo.
na volta para casa, as amigas permaneceram mudas.
ligaram uma música – a mesma dos últimos cinco dias.
ela sentiu vontade de encolher-se no banco do passageiro e assim o fez.
sentiu vontade se chorar encolhida e assim o fez.
e voltou para casa feliz, pois sabia que finalmente havia encontrado o amor da sua vida.
agradecimentos especiais:
o vídeo foi a primeira sessão. o resultado final você pode conferir no nosso pinterest:
Source: potencialgestante.com.br via potencial on Pinterest
eis a posição da sociedade brasileira de pediatria sobre o assunto:
“não conhecemos atualmente nenhum trabalho publicado em revistas científicas respeitadas demonstrando a tinta da tatuagem chegando ao leite materno e trazendo algum prejuízo ao bebê. o leite materno tem inúmeros benefícios e até que se prove o contrário o melhor seria continuar amamentando. entretanto sabemos dos riscos de infecções e de possibilidades de agulhas contaminadas durante a realização de uma tatugem. desta forma é recomendável que uma mãe tatuada certifique-se por sorologias de que não foi contaminada por doenças transmissíveis ao seu bebê. além disso, fizemos uma consulta a um médico dermatologista de nossa confiança que confirmou não haver risco de absorção cutânea da tinta habitualmente utilizada nas tatuagens a ponto de termos que contra-indicar a amamentação. porém, o mesmo alertou-nos que a tinta “henna” usada em tatuagens não permanentes são as que dão mais reação cutânea , como dermatite de contato, desaconselhando desta forma uma tatuagem em região de mamas.” (daqui)
conclusão: meu filho ainda mamava (continua mamando) quando eu tatuei.
fazer ou não tatuagem durante o período de amamentação vai da escolha de cada mãe, visto que não há risco de que a pele absorva a tinta da tatuagem.
agora, cabe à pessoa escolher um local de confiança, higiênico, esterilizado, com cadastro e licença na vigilância sanitária e certificar-se de que o tatuador use máscara, luvas, agulhas descartáveis e siga todo o procedimento obrigatório estabelecido pela anvisa.
mas isso qualquer pessoa em são juízo deve fazer, independente de amamentar ou não.
se preferir, converse com um médico, seu obstetra, dermatologista, homeopata, pediatra, farmacêutico, tarólogo, pastor, psicólogo, manicure ou quem puder acalmar esta dúvida do coração.
e se mesmo assim continuar com uma pulga atrás da orelha, aguente a ansiedade e espere a criança desmamar.
beygos!

depois de mais de 6 (ou 15) meses de grude eterno com a mamãe, finalmente aconteceu: benjamin só quer saber do pai.
antes eu não podia sair de perto que era um mãmã? mamã? constante, acompanhado sempre de choro, até que eu retornasse.
pode até ser fofinho, mas quem passa por isso o dia inteiro sabe o tanto que chega uma hora que – desculpe – enche o saco.
mas de uns dias pra cá ele chama o papá pra tudo.
chega tá engraçado, porque agora ele tem rejeitado o meu colo pra ficar com o pai.
outro dia eu estava com o benjota no shopping e o hilan foi me encontrar pra almoçar. quando viu o pai, pulou no seu colo e deu um abraço pra não largar mais. juro, ele deve ter ficado assim, agarrado ao seu pescoço, uns 10 minutos. tentei tirar foto do celular, mas a bateria estava fraca. uma dessas cenas pra ficar só na nossa memória.
ontem mesmo o hilan deu banho nele e eu fui buscar o pequeno no chuveiro pro pai terminar seu banho. quem disse que ele queria vir comigo? se jogava pra trás e dizia não.
aliás, ontem foi o dia. estávamos benjamin e eu brincando, enquanto o hilan trabalhava. aí resolvi, no meio da brincadeira, cantar uma versão adaptada de nana neném: “mamãe tá aqui e o papai foi trabalhar”. pra quê… quando ele ouviu a palavra “papai” fez o maior bico, começou a chorar e falar papá? papá? e ficou tão, mas tão desconsolado que só melhorou mamando e dormindo em seguida.
pensam que eu estou achando ruim? com ciúmes?
longe de mim!
to achando a coisa marmaravilosa do mundo!
finalmente um sossego pros meus braços e costas cansados.
já posso até fazer cocô em paz (quer dizer, às vezes).
o bom disso tudo é que muitas coisas no cuidado do pequeno passam a ser tarefa quase obrigatória do pai, porque o benjamin não quer mais que eu faça, como comer ou tomar banho, que ele só aceita se o hilan fizer.
claro que ainda têm umas coisas (além do peito) que só a mãe resolve, mas estou muito aliviada e contente por finalmente esse momento ter chegado, porque agora eu tenho mais um tempinho pra mim.

há cinco anos eu:
“aonde fores, irei, onde ficares ficarei! o teu povo será o meu povo e o teu Deus será o meu Deus.”
te amo hoje e sempre!
hoje faço cinco anos de casado com a luíza, a mulher da minha vida e mãe dos meus filhos. cinco anos parece pouco, mas já temos uma pequena história.

já perceberam como a cada dia que passa as pessoas estão mais individualistas?
sempre olhando seu próprio bem estar, preocupadas em sempre ter e viver o melhor, mesmo que isso custe a felicidade ou liberdade do outro.
prova disso são as filas, estacionamentos, assentos preferenciais.
elas não precisariam existir se pensássemos um pouco mais nos outros.
não deveria ser lei você ceder seu lugar a um senhor idoso ou a uma gestante. é meio lógico que os cadeirantes mereçam vagas especiais, devido ao deslocamento e às rampas de acesso. uma mulher com um bebê de colo – que não tem a mesma noção de tempo que a gente e, por isso, perde a paciência mais rapidamente – ou alguém com qualquer tipo de necessidade especial deveriam ter livre acesso às filas por razões óbvias.
mas como isso está muito longe de acontecer, criaram uma lei para fingir que temos bons modos. e mesmo essa lei existindo ainda tem gente que faz vista grossa pra não ver a senhorinha e perder seu lugar privilegiado pra ela, aquela idosa.
muitos outros exemplos podem ser citados, como o estresse e a falta de cordialidade no trânsito, gente que trata mal (ou simplesmente ignora, como se não existissem) funcionários que de alguma forma servem aos outros, como garçons, copeiras, faxineiras, garis e (esse eu já me peguei fazendo demais) uma intolerância absurda para com os outros que de alguma forma invadem o nosso espaço: “se conselho fosse bom não se dava, vendia”.
em momentos como esse eu fico extremamente chateada, quase a ponto de perder a esperança na humanidade e até na minha própria pessoa (exagero é meu sobrenome, tá?).
mas aí eu levanto as mãos pro céu e agradeço pelas pessoas que existem na minha vida. começa, claro, pela minha família – que me suporta nos momentos que nem eu me aguento – e se estende às pessoas do meu convívio mais próximo, como por exemplo as pessoas da minha igreja.
igreja, ah, a igreja!
uma palavra que gera calafrios em muitos, a começar por mim (agora melhorou um pouco). tive uma fase que só de ouvir falar já me arrepiava a espinha até o último fio de cabelo.
mas hoje eu vejo com outros olhos, fora do olhar da revolta e da rebeldia.
eu vejo com os olhos do amor.
é lá que eu tenho a oportunidade de conviver com gente dos mais variados gostos, estilos, idades.
o benjamin mesmo tem vários vovôs, vovós, titios, amigos, irmãos.
foi nesse mesmo ambiente que eu cresci e aprendi a compartilhar meu espaço, minha casa, meus medos e alegrias.
um lugar onde você pode alimentar-se da sabedoria dos mais velhos e aprender com a humildade dos pequenos.
um espaço pra confiar seu filho a outras pessoas e saber que ele está em boas mãos, de gente que cuida porque ama, não porque tem medo de ser demitido ou está pensando em dele tirar o sustento pra pagar as contas do fim do mês.
domingo para mim é um oásis no meio de uma semana agitada.
um momento de reflexão, onde eu repenso minhas atitudes e tento consertar meus erros, não apenas por causa da palavra de um pregador (que, diga-se de passagem, nem sempre dá pra ouvir do começo ao fim, por causa do pequeno), mas por enxergar o amor na prática ao conviver com quem passa por lá.
algumas vezes – quando as agendas permitem – rola um encontrinho ou outro durante a semana também.
tenho amigas hoje que passamos anos só nos falando superficialmente, mas foi só nascerem os filhos que isso nos aproximou. e a partir daí eu aprendi muito sobre ser mãe.
outros amigos são apenas casados e com eles aprendi a ser esposa.
pessoas mais velhas, com filhos criados e até com netos e com eles eu aprendi a ser filha (e alguns eu realmente adotei como pai e mãe).
crianças de diferentes idades, com as quais tantas vezes já treinei ser mamãe, que me ajudam a compreender melhor meu filho.
vida comunitária não é perfeita e lamento dizer nunca vai ser.
porque conviver constantemente com pessoas diferentes implica em ideias diferentes e, acima de tudo, cheias de defeitos, como eu também sou.
e isso é o bacana da história, porque ferro com ferro se afia.
quantas vezes já me peguei indignada com a atitude de alguém e, quando fui ver, era um comportamento igualzinho ao meu? que, aliás, convenhamos: as pessoas que mais costumam nos irritar são aquelas que têm alguma semelhança com nossos podres mais podrinhos.
a diferença é que se fosse em uma escola, faculdade, ambiente de trabalho, você saberia que mais cedo ou mais tarde este ser sumiria de sua vida. mas dependendo da igreja, você pode passar o resto de sua vida ali (tipo família). e aí, ao inves de fugir do problema, o jeito é resolver a questão.
tipo irmão, sabe? que um dia você odeia, briga, se desentende, mas sabe que ama.
isso não quer dizer que eu seja amiga de todo mundo, pera lá que eu também não quero ser hipócrita.
mas amar vai muito além de trocar confidências ou fazer tricô juntinho, cheio de frufrus, abraços e beijinhos (e carinhos sem ter fim). é tolerar e ter paciência.
a ideia central é como se todos fossem um só corpo. um é a mão, outro a perna e por aí vai. um complementa o outro e depende do outro. se alguém sai, faz falta.
e o que faz com que todos permaneçam juntos?
o amor.
o amor de deus por nós, que transborda e nos faz amar ao próximo. que transborda tanto que nos deu seu filho jesus, que dá vida ao corpo e o faz mover, viver, pensar. ele é a cabeça do corpo (porque sem cabeça nem zumbi vive).
não digo que é fácil, não se engane.
mas quando você conhece, sente e vive o amor de deus, a impressão que dá é que você trocou de televisão.
antes tinha uma de tubo de imagem e de repente está com uma de alta definição. a programação pode até ser a mesma, mas as cores ficam mais vibrantes, o som é mais nítido e tudo parece que é mais bonito.
e aí fica muito mais fácil de amar os outros.
é um amor que não se explica, que nem amor de mãe, sabe?
mas maior ainda.
aquele amor imenso que parece que não cabe dentro da gente.
mas é diferente porque às vezes o amor de mãe nos torna muito protecionistas. defendemos nossos pequenos com unhas e dentes, se for preciso.
o amor de deus não exclui, mas inclui. te dá vontade de sair abraçando todo mundo, de chorar e rir ao mesmo tempo, de gritar aos quatro cantos do mundo que você está apaixonada.
é o amor que eu desejo a todos vocês que hoje me lêem.
um beijo
[este post foi pago pelo sangue de jesus por você e por mim]

nas últimas semanas eu andei relendo alguns posts (a fim de organizar a barrinha aí em cima com as categorias dos posts. quem viu?) e percebi muita coisas que aconteceram e tantas outras que mudaram em mim e em minha vida.
lembrei da empolgação de ser uma potencial gestante: sonhar com a gravidez, com a carinha do bebê, planejar quartinho, roupas, acessórios e afins.
somou-se a isso o post de sexta da carol e lembrei de minhas baby bobeiras.
sempre que podia, ia com minha irmã mais velha a alguns brechós de brasília para comprar coisas para minha sobrinha. lá eu não cansava de olhar tranqueirinhas para meu potencial filho (ou filha), que não passava de um plano distante da minha cabeça.
um dia aconteceu de, em um desses passeios, eu encontrar um pijama, pelo qual eu me encantei de imediato.
ele era verde, com uns desenhos pequeninos de árvores, porcos espinhos, cogumelos e uns anõezinhos. falando assim parece feio, mas não é. na verdade é o pijama mais simpático que já vi até hoje.
era um pijama neutro, não apenas pela cor, como por toda a sua temática. se fosse pra menino, não ficaria afeminado, se fosse para menina, também não seria bruto.
e era lindo. eu já podia imaginar meu bebê ali dentro.
pra completar eu tinha dinheiro na carteira (logo eu, que só vivo lisa).
perguntei à minha irmã se era loucura da minha parte comprar uma roupa de bebê, sendo que nem eu sabia quando ia tentar engravidar.
ponderamos juntas que eu não costumava gastar por impulso, que o pijama era de ótima qualidade, estava novo, estava barato e que a chance de eu encontrar ele novamente era mínima.
comprei.
saí de lá tão feliz, como se tivesse recebido a notícia de que estava realmente grávida.
e era como eu me sentia, como se parte de mim tivesse tornado-se mais mãe naquele momento.
a primeira roupa do meu primeiro bebê. foi como se de repente aquele sonho começasse a ganhar forma. forma de pijama verde.
o tempo passou e eu engravidei.
passaram-se umas 30 semanas, eu comecei a lavar o enxoval.
lá estava ele. o tamanho: 12 a 18 meses.
perto das outras roupas ele era gigante.
puxa, meu bebê (agora já com sexo masculino e nome de benjamin) vai demorar muuuuito a caber nele!
aí percebi que a sola tinha anti-derrapante.
comecei a imaginar meu bebê já andando dentro daquele pijama.
fim de dia, ele andando pela casa, aquela iluminação artificial indicando que já era noite.
a gente conversaria com ele e explicaria que ele já tinha jantado, já tinha tomado banho e aquela era a hora de dormir.
o tempo passou voando.
sábado aconteceu. não foi a estreia, mas o pensamento me ocorreu anteontem.
eu terminava de enxugar meu pequeno e vesti seu pijama verde. lembrei de toda a narração acima.
o marido saiu do banho, viu o benjamin e comentou: olha só. parece que foi ontem que você comprou essa roupinha.
e foi.
hoje ele está aqui.
o sonho foi realizado.
meus olhos se enchem de água e o coração de um misto de alegria, satisfação e gratidão.

não sei se já escrevi sobre isso antes, ou se foi apenas um post imaginário que nunca foi ao ar, mas ultimamente tenho vivido um momento de extremo apego ao filhote.
seja da parte do benjamin para comigo ou vice versa, o fato é que estamos cada vez mais grudadinhos.
e não sei por que cargas dágua isso gera um incômodo inexplicável em muitas pessoas ao redor.
foi por volta dos 8 pros 9 meses que ele começou com essa história de chorar quando eu saio e chorar quando eu volto. é a tal da ansiedade de separação. e daí que ele nunca melhorou disso.
claro que hoje em dia ele fica bem mais tranquilo na minha ausência e até mesmo na minha presença, mas no colo de outras pessoas.
também desenvolvi uma ferramenta mágica pra momentos em que bate aquele desespero depois dele ser passado de colo em colo e só querer saber de mim: dona teta. funciona que é uma beleza e permite que ele volte à sua atividade normal.
mas voltando ao apego, cada dia mais temos nos curtido de um tanto que eu nem imaginava que seria tão rápido. achei que só quando ele tivesse lá pelos seus 2 anos, com um vocabulário mais avançado e correndo para todos os lados.
mas não. há momentos em que um olha pro outro e já dá risada. em que ele começa a resmungar e eu sei que não é pura manha.
mãe que é mãe sabe quando é sono, fome, cansaço ou só enjoo mesmo.
às vezes, quando ele está a brincar, eu me esparramo no chão e chamo: “deita aqui com a mamãe” e ele vem rapidão e encosta a cabecinha nimim. e eu me derreto inteira.
aí já ouvi coisas do tipo “claro que ele é grudado assim, ele passa o dia inteiro com você”.
queria o quê? eu parei de trabalhar pra cuidar do meu filho e era pra ele passar o dia inteiro aonde? numa creche? com a babá? na casa da avó?
nada contra quem faz isso, pelo contrário!
mas parece que há um grande problema do filho passar o dia inteiro com a mãe, né?
alguém me explica o mal nisso?
também já ouvi “mas é porque ele ainda mama, aí fica muito dependente de você”.
hello-ou! meu menino tem 1 ano de idade. é mais que óbvio que ele ainda mama.
tem um tal de ministério da saúde e uma coisa chama oms que recomendam a amamentação prolongada até, no mímimo, 2 anos de idade.
eu só queria saber qual é o grande absurdo de uma mãe ter um filho – que ainda é bebê (porque é, né?) – apegado a ela. aliás, qual é o problema de um filho de qualquer idade ser apegado à mãe?
falam como se eu tivesse um filho de 30 anos que ainda liga pra mim pra perguntar qual roupa usar para ir trabalhar ou pra me consultar qual é o melhor lugar para sair pra almoçar.
é claro que o bebê que passa quase 24h ligado à sua mãe vai ter mais dificuldades de afastar-se dela. lógica pura.
e eu devo fazer o quê? arrumar um milhão de atividades longe dele só pra ele amadurecer (oi?) e eu mostrar pra todo mundo como meu pequeno é grande, forte e cheio de autonomia?
desmamá-lo pra ele deixar de depender de mim pra passar a depender – literalmente – de uma vaca?
acho que a cultura de hoje vive na base do medo.
medo de apegar-se demais e depois sofrer o abandono.
ninguém nunca morreu por excesso de amor, especialmente de amor genuíno e incondicional.
quando chegar o tempo certo ele vai ter suas atividades extras longe de mim e eu dele.
quando ele achar que é o momento (ou enjoar da minha teta), ele vai desmamar.
mas tudo isso vai acontecer de forma natural e agradável para ambos.
eu não vou pegar um bando de literatura e palpites vagos só pra nos encaixar no padrão dessa cultura maluca que cria uma geração de robozinhos que busca o amor nas coisas mais vagas e vazias.
viva o amor visceral!
*sei que essa foto não tem muito a ver com o contexto, mas é que essa cara fofa dele me mata!

desde a semana passada eu comecei a fazer a retrospectiva mental deste último ano que passou.
na última quinta feira comemoramos o aniversário da minha irmã e tudo que eu conseguia me lembrar é que, um ano antes, ao celebrar o aniversário dela, comecei a sentir uma dor que depois vim a saber que eram contrações.
ontem, domingo, fizeram 52 semanas – ou 364 dias – que tudo aconteceu e mais uma vez passei o dia a lembrar: por volta de 15h a médica fez o toque e eu estava com 2 a 3 cm de dilatação; por volta das 20h as contrações estavam cada vez mais doloridas e próximas; por volta das 21h eu decidi ir ao hospital; lá pelas 21h40 fui atendida pelo ginecologista de plantão que mediu de 8 a 9 cm de dilatação.
às 22h42 ele nascia.
ou seja, de certa forma eu já celebrei o nascimento do benjamin, que sempre será lembrado ano após ano (como minha mãe faz com a gente e eu achava tão brega), sempre aos domingos.
mas hoje é o dia oficial. é a data em que todos comemora, especialmente eu.
os primeiros meses foram de pura alegria. no nono mês eu tomei o maior susto da minha vida e os meses que se seguiram foram um pouco tensos. até eu descobrir que a motivo pelo qual meu pequeno estava sempre doente tratava-se somente de uma alergia (às vezes é bom dar nome aos bois), meu coração sossegou de vez.
mas confesso que cheguei a passar noite em claro sem parar de orar e pensando se meu filho chegaria a completar um ano de vida.
exagero? talvez. mas só quem tem filho doente sabe o quanto nosso coração fica apertado, saindo goela afora, e tudo que a gente quer é sofrer no lugar deles pra que eles fiquem bem.
por isso hoje é dia de comemorar mais que nunca!
afinal, é hoje que nosso benjoca completa seu primeiro ano de vida!!
a alegria toma conta, a felicidade é completa e, confesso, chega estou sem palavras.
outros posts virão ao longo da semana, cada um com sua peculiaridade.
mas hoje eu quero falar do benjamin, para o benjamin:
meu filho,
antes mesmo de engravidar, eu tinha a nítida impressão de que já te conhecia. você era o bebê que eu criei no meu imaginário de potencial mamãe.
aí eu engravidei e de uma coisa eu tinha certeza: você era um menino.
mas na minha cabeça você era o vicente. e o vicente tinha uma personalidade muito diferente do benjamin.
o tempo passou, seu nome mudou e a imagem que eu tinha a seu respeito também.
até que você nasceu e era um bebê muito bonzinho que só queria saber de mamar e dormir. mas os dias seguiram e você não queria dormir encostado no nosso ombro, constantemente chorava de dor e até teve uma época em que meu colo só servia pra você chorar ainda mais. era no colo do papai, da mamãe, da vizinha ou de qualquer outro que você acalmava.
concluí precipitadamente que você era um rapaz determinado, exigente e de personalidade muito forte.
você cresceu mais um pouco e começou a descobrir o mundo.
aprendeu a sentar, a engatinhar e levar tudo à boca. todo mundo dizia que é nesse momento que os bebês passam a só querer saber de ficar no chão e pulam do colo de seus pais.
mas foi nessa época que você de fato começou a apegar-se a nós, a engatinhar em nossa direção e estender os bracinhos, a deitar no nosso ombro até pegar no sono.
você descobriu que muitas vezes o riso é uma arma mais eficaz que o choro e começou a chamar nossa atenção com gracinhas que sempre desarmaram até os mais durões.
uns meses a mais e você percebeu que dá pra testar as coisas não apenas pela boca, mas com as mãos, os olhos, ouvidos e, claro, pela fala. aprendeu que existem várias formas de se expressar e que comunicar-se com os outros é uma verdadeira delícia. com os gestos você indicava o que queria.
mas também havia meios ainda mais eficientes que apontar. você podia chegar até as coisas próximas que o interessavam e foi aí que aprendeu a apoiar-se nos móveis e caminhar segurando neles. descobriu como descer e subir dos lugares mais baixos e a nomear (ao seu modo) aqueles que você não alcançava.
mesmo sem andar completamente sozinho, aprendeu a confiar que nossas mãos podem te sustentar e impedir de cair. isso te deu segurança para, nos últimos dias, ensaiar seus primeiros passos a curtas distâncias, sem a ajuda de ninguém.
é, meu bebê, você está crescendo.
alguns diriam que este é o primeiro passo para a independência e que, daqui para a frente, nos distanciaremos cada dia mais, até que você vire pássaro e queira voar.
preciso discordar. eu, como sua mãe, tenho a obrigação de guiá-lo em seus primeiros passos e permanecer ao seu lado quando você cair, oferecendo meu colo para te confortar. mas a alegria de te ver crescer, adquirir segurança e até uma certa maturidade infantil, me faz ter a certeza de que estamos indo pelo caminho certo.
hoje te vejo com olhos completamente diferentes.
não te acho volutarioso ou nervoso. ao contrário, você é um bebê extremamente doce, carinhoso e obediente.
percebi que, de uns tempos para cá, quando nos olhamos pinta aquela cumplicidade e que, mesmo que seu vocabulário ainda seja praticamente monossilábico, suas palavras são bastante compreensíveis para o espectador mais atento.
um ano atrás eu não sabia praticamente nada sobre você.
hoje é como se nos conhecessemos desde sempre.
ser sua mãe tem sido a coisa mais gostosa dessa vida.
e eu só tenho a agradecer por este ano maravilhoso que você nos proporcionou.
comemorar um aniversário nunca fez tanto sentido quanto hoje.
este é apenas o primeiro. que venham tantos outros de perder a conta!
te amo tanto que nem caibo mais em mim!
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