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08 de março

pra não esquecer nunca na vida – parte II

por luíza diener

mês passado escrevi aqui o tamanho do milagre que é gerar uma criança, contando minha própria história.

pois bem, minha mãe leu o texto semana passada e deixou um comentário tão lindo que eu decidi transformar em post.

fiquem agora com o relato da vovó:

“Oi minha flôr do amor, minha Luluzinha, minha filhotinha linda, minha caçula querida !

Só hoje vim aqui e vi o seu lindo texto. Essa emoção eu senti quando você me contou que estava grávida. Todas as lembranças do problema de saúde que você tinha, e não sabia, me vieram à mente.
Minha querida, não foram meses, foram por volta de uns 3 anos.

Preocupada que estava com o seu desenvolvimento, levei-a à ginecologista para que a examinasse. No exame clínico cogitou-se de útero infantil, o que veio a ser confirmado através da primeira ecografia. Meu coração se encheu de inquietação, pois desde sempre eu a ouvira sonhar com seus futuros filhotes. Que dor! O que eu tinha de melhor a fazer do que levá-la ao Trono do Nosso Poderoso Pai, ao Nosso Bondoso Deus? Eu que já orava por esta Lulu desde que ela estava na minha barriga, desde que soube que seria mãe pela terceira vez, desde antes de saber que ela era a linda lourinha que iria nascer meses depois?

Um ano mais tarde, nova consulta com a ginecologista, nova ecografia. Desta vez com um médico diferente e com um diagnóstico ainda mais triste. Agenesia uterina – ausência de útero, e a recomendação do radiologista: conciliar com a clínica. Voltamos na ginecologista com a ultrassonografia, mais uma consulta, e quase nada se apalpava. O que deveria ser seu útero parecia uma pequena massa.

Continuamos orando, eu, seu pai, suas irmãs, seus avós, tios, e os amigos “mais chegados que irmãos” – os amigos de oração. Como você bem disse, nem sabemos quais foram e por quanto tempo estiveram diante de Deus pedindo por você. Até eu pensei que, se ainda tivesse útero, também o poderia emprestar para gerar o seu bebê. Daí eu comecei a pedir a Deus que, caso não fosse da vontade dele lhe curar, que, pelo menos, desenvolvesse muito bem as suas características femininas.  Aguardávamos com paciência e orações.

Daí você, que se sentia tão menina entre suas irmãs e suas amigas mocinhas, me pediu para ir à endocrinologista que, dentre tantos outros exames, solicitou mais uma ultrassonografia, desta vez com um especialista em adolescência. Qual não foi a nossa alegria quando pudemos constatar que lá estava o seu útero, direitinho. Para mim significava muito mais que um útero. Significava o seu potencial em gerar uma vida, a concretização da esperança que depositamos nas mãos do Nosso Pai do Céu! Foi quando contei pra você tudo o que vinha acontecendo, e a importância daquele resultado. A emoção e gratidão que senti naquele dia foi enorme! Uma espécie de alegria profética, substanciada, agora, no nosso querido bebezinho que está morando na sua barriga, que logo estará entre nós, e que me transformará numa avó ainda mais feliz!

Minha querida, quando eu estava esperando sua mana Marta, uma amiga, bem mais velha, me disse uma coisa que eu nunca me esqueci. Que o nascimento do primeiro filho era a maior alegria que poderia acontecer na vida de um casal, depois do nosso encontro com Cristo. Quero deixar esse pensamento com você e com o meu querido genrinho Hilan, mas com uma ressalva. É realmente uma emoção muito grande, a de sermos mãe pela primeira vez (e pai, para os homens), porque nunca experimentamos tal emoção, mas ela se repete na mesma intensidade, cada vez que colocamos mais uma vida preciosa neste mundo de Deus. Chorei quando vi Martinha pela primeira vez, toda lambuzadinha. Chorei do mesmo jeitinho quando vi a Laurinha, e chorei quando conheci você, do mesmíssimo jeitinho.

Vamos “pirar”, todos juntos, quando a pessoinha linda que está em você vier pra gente! Vai ser muito bom.

Amo muito você minha Lulu querida, minha princesa, filhotis linda.

Eu também dedico este texto e o bebê de vocês ao Nosso Pai.

Beijinhos da Mamy Daisy”

com uma mãe dessa, quem precisa de mais na vida?

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03 de março

nunca te vi, sempre te amei

por luíza diener

ai, neném!
é emoção demais pra uma mãe só.
só te vi virtualmente duas vezes em uma telinha, por um tempo tão curtinho..
você não lê meu blog, nunca falamos ao telefone nem trocamos cartas ou mensagens no celular mas meu amor por você já é tão grande… tenho certeza que você é (um dos) o amor da minha vida desde sempre. não preciso de mais provas.

hoje eu te vi pela segunda vez. e como você cresceu! com 12 semanas (ou serão 13?) medindo quase 7cm e aquele coração tumtumtumtumtum parecendo um cavalo a galopar.

você mexia tanto que quase tirou o médico do sério  (e olha que ele era bem paciente!) .  uma agitação sem fim! foi a coisa mais linda ver você quase que batendo palminhas (de mão fechada, pq é judeu) e aquelas pernoquinhas pra um lado e para o outro.
não consigo explicar.

o exame que você fez foi a famosa translucência nucal e já deu pra ver que tá tudo certinho com você. nenhuma síndrome, órgãos funcionando perfeitamente, os dois hemisférios do cérebro ali, certinhos, coluna vertebral fechadinha e tudo em perfeita ordem.

VOCÊ É PERFEITO(A)!!!

isso me emocionou demais! papai do céu já tinha me dado você como presente, independente de como você venha a ser, mas agora eu vejo que estar tudo assim, tão certinho com você, é um presente inimaginável!

só tenho a agradecer, cada dia mais e mais.

e o amor continua a crescer

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13 de fevereiro

10 semanas – bem vindo ao período fetal

por luíza diener

parabéns, filhote de azeitona! agora você já passou da fase embrionária e foi promovido a feto!

você abandonou aquele formato smurf/galinha/lagartixa e tá começando a tomar forma de gente. e a maioria de seus órgãos vitais está funcionando: rins, fígado, pulmões, intestino e cérebro estão ativos, embora continuem em pleno desenvolvimento.

em um mês você praticamente quadruplicou de tamanho. cabeçudinho, esse coco deve corresponder a metade do tamanho inteiro do corpo. haja inteligência!

a essa altura do campeonato suas orelhas já aparecem como pequenas fendas e os lábios começam a tomar forma. se puxar a mamãe aqui, vai precisar de bastante energia pra isso! os olhinhos – que antes ficavam de lado – agora estão na frente da cabeça e começam a se pigmentar. tomara que puxe os do papai, que são lindos!

já têm uns dedinhos se definindo por aí e os braços e pernas estão se alongando.

você deve estar com 4cm ou quase 5cm e o peso, por volta de 4g. ainda parece tão pouquinho, mas pode deixar que eu vou comer direitinho pra vc não passar fome, tá?

mas provavelmente você sabe disso tudo, neném. eu é que tenho que ficar me informando, só pra saber o que tá acontecendo aí dentro.

tô morrendo de saudade de você, como se a gente conhecesse a vida inteira.
mas ó, cresce sem pressa, concentra sua energia em ficar lindo, forte e saudável que no tempo certo a gente vai se encontrar pra passarmos muuuuuuuito tempo juntos!

eu já te amo, tiquinho de gente!

[fontes: bebe.com.br e crescer]

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10 de fevereiro

pra não esquecer nunca na vida

por luíza diener

o relato de um milagre, ou favor imerecido.


na verdade tudo começou há mais de 10 anos. talvez tenha sido em 97, se não me engano.
preocupada por todas as meninas da minha idade apresentarem sinais de puberdade e pela maioria já ter menstruado e eu, nada, parecendo uma criancinha, manifestei à minha mãe o desejo de procurar um médico e ver se eu tinha algum problema.
na época eu deveria ter 12 ou 13 anos mas tinha corpo de 8.

no começo minha mãe achou graça daquilo e falou que era normal, que ela mesmo só tinha virado “mocinha” com mais 14 anos. mas então porque não era assim com minhas amigas? com minhas irmãs?

sei que, atendendo ao meu pedido ela me levou tanto a uma ginecologista, quanto a um endocrinologista. pelo visto, no endócrino foi tudo ok, visto que não lembro de ter voltado lá muitas vezes.
já no ginecologista eu voltei. e fiz um tanto de ecografias que eu não entendia pra que aquilo tudo. menina estudiosa que era, lembrei das aulas de ciências do colégio e aproveitava pra acompanhar tudo durante o exame: esse é o ovário esquerdo, ovário direito, as trompas… tudo legal! parecia uma aula prática onde a cobaia era eu mesma!

mas não sabia que, por detrás da aparência serena da minha mãe havia um clima muito mais tenso que eu poderia imaginar.
só vim a descobrir quando, alguns meses depois, fiz mais uma ecografia e o médico fez questão de mostrar tudo outra vez, dando atenção ao útero: está tudo bem com o útero, olha aqui!
útero, legal!

foi no caminho de volta para casa (o exame era em uma clínica no lago sul e eu lembro exatamente do trajeto de volta para casa) que minha mãe irrompeu em lágrimas, misturado com um suspiro de alívio e começou a me explicar:

“da primeira vez que você fez o exame, o médico te diagnosticou com útero infantil. era essa a explicação que ele tinha para a sua ausência de menstruação. o útero estava ali, presente, mas nunca iria se desenvolver. por saber do seu desejo de ter filhos quando crescer (eu sempre me considerei uma potencial gestante) suas irmãs até se ofereceram para –  quando você viesse a se casar e manifestar o desejo de ter filhos – funcionarem como barriga de aluguel. mas por você mesma, nunca seria capaz de ter um filho dentro de você.  passamos esses meses muito preocupadas”.

claro que as palavras não foram bem essas, mas é o resumo do que eu absorvi.
minha mãe, que é uma mulher de muita fé e muito temente a Deus, disse que passou esses meses todos orando e pedindo misericórdia a Deus, para que ele pudesse me conceder esse milagre. ela não fez nenhuma promessa, nenhum trato com deus ou santo algum. apenas pediu para que esse favor fosse concedido a mim, que de nada sabia, nem nunca fiz nada que merecesse tal milagre. juntamente com ela, outros parentes e pessoas queridas; muitas que talvez eu nunca nem tenha conhecido, mas que se importaram com isso assim, de graça, sem querer nada em troca.
e então aconteceu: depois de ter consultado com médicos diferentes e feito tantos exames, lá estava o diagnóstico: o útero estava normal!

alguns podem chamar de erro médico, displicência, sorte ou o que for.
eu gosto de dar a isso o nome de milagre, ou favor imerecido.

e, como se fosse a coisa mais natural do mundo, engravidar assim tão rápido, quase que por acidente, lá estava eu dia desses dando a notícia pra um e pra outro como se fosse tudo fruto da minha boa sorte ou do meu potencial de gestante, até que minha tia me liga lá do rio de janeiro e me lembra: não esquece do tamanho desse milagre. você sabe do que eu estou falando né?
na hora eu me toquei. ela não precisou dizer mais nada.

independente de fé ou crença, tenho percebido – após tantos relatos mães que batalharam para engravidar ou até mesmo daquelas que tiveram uma gravidez em um momento não tão propício – que gerar uma vida é SEMPRE um milagre.

a vida é algo que foge do nosso controle; tanto criá-la quando impedir que ela deixe de existir.

se você é pai ou mãe, se você está esperando por um filhote, se está ainda está tentando conceber ou mesmo que você nunca queira ter filhos (ou tenha tido algum por acaso), nunca despreze a grandiosidade que é poder gerar uma vida! ela é o bem mais valioso que alguém pode ter.

hoje eu me sinto infinitamente privilegiada de poder carregar um serzinho dentro de mim! especialmente por saber que isso não foi mero fruto do meu esforço mas, sempre e sempre, um eterno milagre!

dedico este post ao meu Pai

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09 de fevereiro

Haja coração!

por hilan diener

Então foi assim. Eu estava no banheiro tomando banho e pensando: “ia ser ótimo e assustador se a Luíza estivesse grávida”. Deixei o pensamento fugir por um instante, como se ele não fosse tão importante. Quando de repente ela entra chorando e tremendo dentro do box do banheiro e me abraça. Achei que ela tinha recebido uma noticia horrível, mas não era um choro de pavor e sim de alegria: “Estou grávida!” Como é? Como é? Sim estou grávida! Veio no meu coração um vazio como se estivesse ele fosse oco. Depois veio o racional dizendo “Grave bem este momento” porque você vai lembrar dele pelo resto da vida. Depois um frio na barriga. Esse filho é meu!? É uma coisa tão boa, tão grandiosa que a primeira coisa que passa na sua cabeça é que você não teve nada haver com aquilo. Um milagre dos grandes.

Transvaginal

Mas só o exame de sangue não bastava. Dias depois, lembro nem conseguir dormir direito, porque oito e meia da manhã seguinte teríamos uma consulta na clínica para ver se realmente tinha um bebê dentro da Luíza. Chegamos lá, esperamos.  Até que foi rápido, num clique a Luíza já estava deitada naquela sala à meia luz e com o médico dando seqüência no procedimento. Fiquei sentado numa cadeirinha ao lado. Com o coração igual de final de copa do mundo.

A primeira vez que te vi

Dentro de uma tela de computador você estava preto e branco. Parecia um bonequinho de massinha feito por criança. O médico nem precisou me explicar, eu vi você lá! Dentro do útero da sua mãe! Seu coraçãozinho batia tão rápido. Eu até ouvi seu coração, mas o melhor mesmo foi ver aquele pontinho cinza pulsando. Não agüentei, tentei segurar o choro. Mas a emoção era tão grande que não resisti. Sua mãe te elogiou chamando você de lindo. Eu fiquei quieto pensando que se houvesse uma competição de batimentos cardíacos de embriões você iria ganhar! Me deu um orgulho danado de você com aquele tamanhozinho de feijão ter tanta força assim! Seus dedinhos nem estavam formados, mas eu já conseguia ver um esboço das suas mãos e pés. Isso aconteceu já tem uns dias. Mal me aguento de saudade! Quero muito ver você de novo e ver o quanto você cresceu pra morrer de orgulho.

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04 de fevereiro

gravidíssima!

por luíza diener

era essa a notícia que eu mais esperava dar!
fui promovida de potencial para gestante!

o neném já está com 8 semanas e 5 dias, segundo o ultrassom.

é no mínimo irônico que eu não saiba a data da minha última menstruação para poder calcular a data do parto, visto que passei o último ano inteiro anotando cada dia que eu menstruava, quanto durava, quais eram os sintomas pré menstruais ou qualquer coisa diferente. anotava a temperatura basal todo dia, antes de me levantar ou sequer respirar fundo e sabia exatamente o dia em que estava ovulando.

tentamos em outubro e novembro e decidimos não tentar em dezembro, dadas as festividades. aí passado dezembro decidimos não tentar mais por agora. deixar pra depois, curtir um pouco, viajar. essas coisas que todo mundo aconselha, sabe? aí aconteceu.

pelo visto foi mesmo dezembro.

semana passada fui ao homeopata/acupunturista e relatei que estava me sentindo extremamente nervosa, agressiva e depressiva. oscilando muito de humor e que as espinhas voltaram (do tempo do ovário policístico). aí ele perguntou:  você está grávida? e eu: sei lá. e então ele resolveu me passar um exame beta hcg só pra tirar a teima.
fiz à tarde e à noite, enquanto o marido tomava banho, resolvi ver o resultado na internet, escondida. jurava que ia dar negativo.

aí, qual a minha surpresa, eu vi um 81682.0 mUI/Ml que, segundo o exame, indicava pelo menos 5 semanas de gestação.
não acreditei, tremi e fui lá, de roupa e tudo, interromper o marido no banho. entrei correndo no box e, chorando, abracei ele – que não entendeu nada e pensou que eu tinha me machucado ou coisa parecida.
então eu dei a notícia: acho que você vai ser pai!
ficaram os dois meio atônitos e perplexos, sem saber direito qual era o peso daquela notícia.

depois eu o levei para ver o exame no computador e tentar enteder aquilo direito pra mim, que já estava embaçando a vista e tremendo que nem uma vara verde.
decidimos não nos empolgar muito até a ecografia. enfiei na cabeça: só acredito quando ver e ouvir o coração bater.

no dia seguinte, fui a uma ginecologista/obstetra que eu nunca tinha visto (já que a minha está de férias) e eu apresentei o beta, já impresso, a ela: acho que estou grávida. vê aí. e ela, lendo o exame: você tem dúvida? GRAVIDÍSSIMA!
ela me passou o pedido do ultrassom mas falou para eu só fazer a partir de terça ou quarta porque, se estivesse de 5 semanas ainda não daria para ouvir o coração bater.

fui para o trabalho desnorteada e, toda vez que ficava sozinha, aquela palavra ecoava: GRAVIDÍSSIMA e me dava vontade de chorar.
passei o dia ouvindo a música da yael naim, chamada new soul e morrendo de chorar. sempre disse q cantaria essa música pelo meu filho(a).

pois terça agora fiz a bendita ecografia e, quando vi aquele coraçãozinho pulsando nem consegui chorar. fiquei meio paralisada e meu olho encheu de lágrimas. só consegui soltar um que lindo! e fim.

e agora a ficha ainda tá caindo.
não sinto enjôos, mas sinto tonturas.
sinto muito sono e agora tenho que comer e dormir de verdade.
oscilações de humor e desejos comilões.
de resto, tudo igual. eu nunca desconfiaria que estava grávida. acharia que era só uma tpm que não passava (porque até aí, já atrasei 4 meses e não era nada).

mas, gente, ainda não caiu minha ficha:

EU ESTOU GRÁVIDAAA!

grávida de hilan diener!

o bebê deve nascer a partir do finzinho de agosto até setembro, segundo meus cálculos.

feliz :D

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09 de dezembro

Post surpresa – Hoje é o nosso aniversário de casamento!

por hilan diener

Obrigado Luíza, por todas as temporadas que passamos juntos! Você é pra vida toda.

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dezembro

mais um ano de casamento

por luíza diener

niver 3 anos

o amor é lindo quando começa. aquela sangria desatada, loucuras de amor o tempo todo, sexo no carro no banheiro na rua na faculdade na escada no elevador anytime anywhere right now promessas, encantos, renúncias e tudo mais. é uma fase ótima e espontânea. mas nada paga o amadurecimento, a calmaria, a paciência, o perdão, a segurança.
quanto mais olho ao redor, mais vejo que não existe homem no mundo como você. pode parecer clichê, daqueles bem grandes, mas quando se encontra um homem assim, tem que pegar e não largar mais mas você também foi bem esperto, pq eu valho ouro. ahahahhaha!.

não poderia escolher melhor pai para os meus filhos. claro que você é lindo, alto, forte, talentoso, inteligente e tudo mais. a genética favorece. mas também já te vejo como um pai amoroso e dedicado, assim como você o é como marido. você dá seu sangue nisso e eu te dou outras coisas a mais.

o dia do nosso casamento foi lindo e a gente celebra. mas sou muito mais tudo isso que vivemos a partir dali. vale muito mais ser acordada pelos seus beijinhos fofos e sentir que sou uma diva matinal. chegar esgotada do trabalho e encontrar seu abraço só pra derreter ali por uns minutinhos, cuidar de você quando fica doente mesmo que te chame de chato eu adoro, sumirmos dentro e casa no fim de semana enquanto só chove lá fora, assistir um milhão de seriados e todo dia procurar se tem mais para baixar, comprar balinhas nas americanas, comprar pão, peito de peru e queijo no mercado, passear com o ringo, brigar pra ver quem vai usar o computador primeiro, dividir este blog com você e tantas outras coisas que fazem parte do nosso dia a dia e que completam nossa felicidade.

os filhos virão e nossa vida irá mudar mais uma vez. já tive medo disso antes, mas sei que vai ser apenas a família crescendo e mal posso esperar para deixar o silêncio e a arrumação, ter uma casa barulhenta e cheia de brinquedos espalhados pelo chão e valorizar cada minuto a sós com você.

não são carreira, dinheiro ou trabalho que completam nossa vida.
de que me valeria isso tudo se eu não tivesse você?

3 anos são só o começo de uma vida inteira pela frente.

amo.

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01 de dezembro

como se perdesse um filho

por luíza diener

ringo e eu, 2007

quando o inevitável acontece mais cedo do que a gente espera é como se tirassem o nosso chão. porque a gente sabe que mais dia, menos dia ele chega. só não espera que seja hoje. é sempre amanhã. e aí fica a esperança de que haja uma procrastinação da parte do destino, mas ele é sempre obstinado e pontual. quando mete na cabeça que chegou a hora vai lá e pronto.

dessa vez chegou a vez do meu ringo. eu sempre imaginei que um dia entraria em casa e ele estaria na caminha dele, todo durinho e gelado (afinal, com 15 anos, né?). eu procuraria um taxidermista e ele seria empalhado ficando, assim, imortalizado na história da família e até se tornaria o ícone pop da casa (esquisitices à parte).

mas antes de chegar ao fim, me deixa contar como aconteceu. decidi levá-lo de viagem comigo e com o marido. sempre sonhei em fazer isso, só que nunca tive a oportunidade certa.
aí ele veio conosco a cavalcante – go (um lugar lindíssimo, sobre o qual falarei em outra oportunidade) e tão logo chegamos, o ringo já pirou, correu para todos os lados e até entrou no rio sem medo, apesar de ter ficado apreensivo na hora de sair. enquanto fazíamos a trilha ele ia solto, volta e meia se perdia no caminho e eu tinha que encontrá-lo. mas não queria privá-lo de talvez sua única oportunidade de liberdade assim.

curtimos bastante o dia, ele ficou solto na pousada sem problemas. explorava tudo o que via pela frente, mas sempre voltava pra ficar pertinho de mim. fui tomar banho e deixei o marido de olho. quando estava quase saindo, recebo a notícia: o ringo sumiu!
até aí, normal. ele fez isso antes, certo? quem dera.
procuramos loucamente por toda a parte, refizemos as trilhas, olhamos no rio, na fazenda ao lado (por conhecer sua loucura por caçar galinhas) e nada. apesar de quase surdo, gritamos por ele e o procuramos por dois dias.

ah! quantos donos eu chamei de irresponsáveis por perderem seus cachorrinhos e agora cá estou eu, pagando a língua com força!

o tempo há de passar e a dúvida vai sempre permanecer.
alguns podem acreditar que ele se perdeu na floresta, voltou às suas origens e virou um legítimo cão selvagem, que caça sua própria comida e nunca deixa que outro animal lhe roube a presa.
outros dirão que ele foi encontrado na beira da estrada por um fazendeiro tão velho quanto ele. este o alimentou, cuidou e hoje o trata como rei, cheio de regalias e dormindo sempre na cama do velhinho.
mas eu prefiro acreditar que, enquanto desbravava a mata, reconheceu de longe o som do rio e correu em direção a ele como se não lhe apresentasse mal algum. não tendo quem o salvasse da forte correnteza, resolveu improvisar: substituiu alguns pêlos por escamas, deixou a cauda crescer para ajudar no nado, desenvolveu membranas entre as patas e hoje vive ora na terra, ora na água. parte cão, parte peixe, parte anfíbio.

é realmente óbvio que esta seja a história mais coerente de todas e eu posso provar: toda vez que vou para o mato e fico perto de algum rio, ouço nitidamente seu latido agudo juntamente com o coaxar dos sapos-cachorro.

para ringo, o meu beatle favorito.

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29 de outubro

mais um em potencial

por luíza diener

Daughter (6-7) and father hugging, girl looking at camera, outdoors

me atualizando no facebook, deparo-me com a seguinte frase, escrita pelo meu marido:
aprendi que não é tão difícil fazer um bebe parar de chorar! Tô me acostumando…

no que uma amiga pergunta: vc é papai?

e ele responde: pai em potencial.

nem precisa dizer que eu amei

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