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26 de setembro

fui ali cuidar de mim

por luíza diener

chuveiro

desde que me tornei mãe, a última das coisas com que me preocupo é comigo mesma. se eu pudesse listar minhas prioridades neste último ano, elas se resumiriam a:

  1.  cuidado - zelar pela educação e saúde dos meus filhos.
  2. provisão – cuidar para que não falte comida a eles, bem como roupas para vestir e amor no coração.
  3. trabalho – ou seja, o blog.

eu ter deixado de trabalhar de forma convencional não significa que eu tenha parado de trabalhar, pelo contrário.
porque tem aquele trabalho não remunerado, que é ser mãe, e tem o trabalho que traz comida pra casa, que é o blog. “só” esses trabalhos já têm sido suficientes pra me consumir dia e noite (literalmente) e eles englobam os três pontos das prioridades mencionadas acima.
do momento que eu acordo até a hora que meus filhos dormem, meu mundo gira, direta ou indiretamente, em torno deles. pensa que quando dormem isso acaba? aí chega a hora de cuidar do meu relacionamento com o marido: jantamos juntos, conversamos, assistimos alguma série.
mas ultimamente o trabalho tem sido tanto que nessa hora lá vou eu escrever coisa, responder coisa, resolver coisa. algumas vezes eu resolvo um ou outro afazer da casa também, porque senão acumula demais.
mas oba! final de semana tá chegando! muitas vezes conseguimos, sim, descansar no sábado, mas é raridade. geralmente é festinha de aniversário, evento ou atividades em família. uma vez por mês eu saco minha máquina de cortar cabelo e raspo aqui a lateral da cabeça. às vezes aproveito e corto o cabelo do benjoca e voilá! o ápice do cuidado com minha aparência!

toda vez que me sobra um tempo livre eu já penso no que posso fazer com ele (ao invés de aproveitá-lo). é sempre uma coisa pra resolver: da casa, da família, dos filhos, do blog.
durmo quase duas da manhã todos os dias porque fico tão eufórica que gasto meu tempo fazendo nada (olhando facebook, olhando coisas no aliexpress, jogando candy crush), só pra achar que tenho um tempinho pra mim. seis e meia da manhã já estou de pé.
e pra ser bastante sincera, isso tá acabando comigo.

essa semana me olhei no espelho assim que acordei (hábito que perdi há um bom tempo) e me deparei com uma caveira: as olheiras fundas, o rosto pálido e magro de quem não chegou a dormir quatro horas durante a noite (e ainda acordou pra amamentar). foi bem estranho.
mais tarde passei um corretivo e um blush, só pra me sentir melhor comigo mesma.

aí hoje de manhã sobrou um espacinho de tempo e hilan conseguiu ficar em casa. pensei em escrever um post (lá vai a workablogger de novo) mas não me ocorreu nada. então decidi tomar banho e lavar o cabelo.
to com tempo livre, né? então vou usar um shampoo anti resíduo, porque ele tá muito pesado. duas vezes, pra garantir. agora um condicionador bem hidratante e deixa agir, pra deixar a peruca macia. aí vi a gilette do marido novinha, acompanhada de um creme de barbear sensacional e cheiroso. olhei pra eles, olhei pra minha perna cabeludona e não tive dúvidas: espuma, lâmina, espuma, lâmina, espuma, lâmina… as duas pernas lisinhas!
enxaguei o cabelo, as pernas e a alma. saí do chuveiro refrescada e dois quilos mais leve. catei a maquininha de depilar pra arrematar a obra e aproveitei pra tirar a mata do sovaco e aparar a cabeleira lá embaixo.
a essa altura eu já estava me sentindo culpada e egoísta por ter deixado hilan com a sansa pra cuidar um pouco de mim. abro a porta do banheiro e me deparo com ele dormindo no sofá da sala, ela dormindo no quarto e tov dormindo na varanda.
então decido cortar as unhas. eu, que sempre o faço sentada no chão enquanto os meninos brincam e se digladiam, tive a dignidade de cortar as unhas no sofá e ainda lixá-las e usar um palito para limpar os cantinhos e empurrar as cutículas.
pra arrematar, limpei os ouvidos com cotonete. se eu te contar o que saiu de lá, você morre de nojo, então vou deixar sua imaginação trabalhar sozinha.

fiquei tão empolgada e inspirada por ter feito tudo isso por mim sendo que são coisas mais que triviais que faço pelos meus filhos diariamente (guardadas as devidas proporções e necessidades, porque eu não depilo criancinhas não, tá, gente?! ahahah) e eram cuidados tão banais pra mim antes de ser mãe.

é curioso isso de vida de mãe. eu não diria que é uma vida de privações, mas de constantes doações. quanto mais eu me vejo imersa nesse mundo, mais tenho certeza de que não vou – e nem quero – sair dele. quanto mais converso com pessoas que são solteiras ou não têm filhos, menos eu sinto que tenho algo do que me envergonhar (porque sim, eu já me peguei meio que com vergonha de contar minhas histórias de mãe aos amigos sem filhos e eles acharem minha vida monótona).
se antes eu achava lindo uma mulher toda bonita, produzida e bem sucedida, hoje acho lindo de encher os olhos uma mãe com olheiras, andando na rua segurando um filho no braço, outro no colo, cheia de bolsa, mochila ou seja lá o que for pendurado.
olho pra minha sala sempre cheia de livros infantis e brinquedos e penso “aqui tem vida!”. olhar pro banco de trás do carro e ver duas cadeirinhas, então, é algo que até hoje me emociona de verdade!

não que seja sempre fácil, não que eu sempre sorria quando escorrego num livro, piso numa peça de lego ou preciso interromper meu almoço inúmeras vezes até, por fim, engolir correndo qualquer coisa já gelada no prato porque tenho que trocar a fralda de uma ou limpar o bumbum de outro.
mas há, sim, muita beleza e poesia nessa vida maluca de ser mãe.

e há ainda mais prazer quando, no meio de tantas doações, eu consigo valorizar esses pequenos momentos em que paro e cuido um pouquinho de mim mesma, ainda que depois eu corra pra contar tudo pra vocês aqui no blog ; )

 

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22 de julho

o presente, a correnteza e meus 50 anos

por luíza diener

fotofoto

domingo fiquei sozinha em casa enquanto hilan ia com os dois à igreja. o objetivo não foi eu ter um tempo para mim, mas arrumar o apartamento que, pra variar, estava um caos completo.
temos contado com uma faxineira uma vez por semana e vou te contar: ajuda, mas não é suficiente. se a gente não se organiza diariamente e guarda tudo – especialmente os brinquedos – a bagunça acaba ganhando vida própria e engolindo a gente (que é o que acontece por aqui praticamente sempre).

acordei cedo, tomei café junto com todo mundo, ajudei a arrumar os meninos para sair e, enquanto isso, repetia mentalmente que assim que eles partissem eu iria trabalhar na casa. mesmo assim, quando eles puseram o pezinho pra fora, senti forças estranhas me convidarem para tarefas contrárias: o facebook me chamava, o candy crush me chamava, minha cama me chamava mas consegui resistir à tentação e rumei determinada à área de serviço.

enquanto eu estendia roupa limpa no varal e enchia a máquina com mais roupa suja, experimentei tantas sensações diferentes que acabaram por me inspirar este post. as roupas sujas em questão eram do benjamin. eu encontrava uma blusa encardida de terra e suspirava. revirava os bolsos das calças e casacos à procura de papéis, moedas e outras porcarias e sorria. ao desdobrar a barra de uma calça e encontrar um punhado de areia ali, sentia meu coração encher de alegria: “eu tenho um menino! meu bebê cresceu!”
quando foi que o tempo passou tão rápido e onde foi que eu estacionei pra de repente acordar e me deparar com esse pequeno rapazinho?

também olhava para cima e via as roupas já limpas da constança, misturando blusas, vestidos, casacos e bodies das mais diferentes cores e estampas. na cesta com roupas limpas, as roupas e camisas do hilan, outra com as minhas coisas: “quanta gente nessa casa!”

terminei na lavanderia, peguei uma caixa de papelão e fui à caça aos brinquedos e pertences infantis. eles estavam espalhados por toda a casa. nenhum cômodo escapou. ia catando, cantando, organizando tudo de forma reflexiva. em todo canto, um pedaço deles. em tudo deles, um pedaço meu.
fazia um bom tempo que eu não conseguia executar qualquer serviço doméstico sem aquela correria, um monte de gritos, eu o tempo inteiro parando alguma coisa para acudir um menino que machucou, a menina com sono querendo mamar ou apenas procurando colo, pedindo ajuda constante ao marido, brigando com o marido pra que ele fizesse a coisa sem que eu solicitasse, largando tudo pelas metades e não conseguindo fazer absolutamente nada direito.
percebi que meu dia a dia parece aquelas provas malucas do passa ou repassa, misturado com olimpíadas do faustão: tudo cronometrado, tudo uma correria, sempre aquela tensão pra conseguir dar conta de todas as coisas em um curto espaço de tempo.

senti um certo prazer naquele silêncio. um certo prazer, não. um enorme prazer.
eu amo meus filhos, meu marido, meu cachorro. mas também amo ficar sozinha. era daquelas que, ainda adolescente, se sentia feliz em ir ao cinema sem companhia, curtia almoçar na faculdade sem aquele monte de colega barulhento conversando sobre professor, trabalho, prova, fugia no horário de lanche do trabalho pra comer um sanduíche embaixo da árvore, acompanhada apenas do som dos passarinhos.
de repente, escutar somente o barulho da máquina de lavar – no lugar de choro e gritaria – e o cheiro do desinfetante – no lugar de cocô na fralda e no penico – fizeram as vezes desses meus momentos de solidão prazerosa.

confesso que nos últimos meses tenho me questionado onde estarei em 10 anos. continuarei eu a ser dona de casa e blogueira ou estarei dentro de um escritório, trabalhando e delegando os cuidados domésticos a outra pessoa enquanto meus filhos revezam entre escola e atividades extra-curriculares? sinceramente, essa última opção estava me atraindo cada vez mais. pensei em voltar para a faculdade, pensei em fazer um curso à distância, pensei nas inúmeras possibilidades de carreira e no tanto que já estou velha pra começar de novo. pensei, pensei, pensei e não consegui pensar em mais nada.
experimentar esse momento de sossego durante a manhã, essa paz e plenitude, essa solitude, me transpuseram pra daqui a 10 anos: eles indo pra escola pela manhã, eu tomando café tranquilamente, lendo um capítulo de um livro e iniciando minhas tarefas domésticas. o almoço pronto, a volta da escola, eles independentes o suficiente para tomarem banho sozinhos, escovarem os dentes e a caçula (ou um caçula terceirinho) ir para a soneca enquanto os mais velhos fazem a tarefa. depois eles podem ir para a natação, aula de música ou – quem sabe – brincar no quintal da nossa casa enquanto eu, que já terminei de arrumar a cozinha, guardo as roupas limpas e vou trabalhar no meu home office. no fim da tarde um lanche, uma sopa ou algo rápido. marido me ajuda a encerrar o dia, certificar-se que eles arrumaram as mochilas para amanhã, tocar a boiada pro banho e depois aproveitaremos nosso tempo a sós.

pensando assim, já avancei mais 10 anos (20 a partir de hoje): meninos na faculdade, marido e eu viajando. quando não, eu posso cuidar da horta e do pomar, fazer meu crochê enquanto hilan pinta quadros ou mesmo dorme três longas horas após o almoço. aposentadoria planejada antes dos 50, por que não?

acho que já decidi mesmo o rumo que quero tomar e é muito engraçado eu amar esses planos porque tenho um pezinho no feminismo e na fogueira dos sutiãs, mas não aquela coisa desenfreada de querer ser igual ao homem, mas de aproveitar a minha liberdade como mulher para fazer minhas escolhas sem me pautar no que a sociedade impõe pra mim. tenho certeza de que seria feliz também se seguisse a minha carreira e admiro demais quem faz essa escolha mas, se antes via meu cargo de dona de casa com algo temporário, cada dia que passa eu me delicio mais fazendo isso.

essas projeções do futuro não são apenas sonhos que me isolam do presente, mas me servem como motivação de saber que esse comecinho de vida de mãe é muito, muito intenso e desafiador, mas com o tempo a gente pega o jeito, se acostuma e deixa aquilo nos envolver. a gente para de nadar contra a correnteza e aprende a usá-la ao nosso favor.

falta bem menos de 1 ano para completar 30 e confesso que estou contando os dias pra entrar nessa idade com completude. quero crescer, amadurecer, envelhecer com dignidade ao lado do meu marido, consciente de que fiz as escolhas corretas para nós e feliz com isso.
seja o que deus quiser.

 

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14 de maio

sozinha com 2

por luíza diener

 

200191194-001

algumas pessoas me perguntam como eu executo certas tarefas sozinha com dois filhos pequenos: uma bebê de quase 1 ano e um menino de 3 anos.
bem, primeiro queria dizer que já foi bem mais difícil: o marido passava o dia inteiro trabalhando e chegava em casa só depois das 19h30, hora que sansa já está mais que passada de validade de tanto cansaço e benjamin também já está pipocando pelos cantos depois de passar o dia inteiro em casa.
graças a deus agora hilan está com horários mais flexíveis no trabalho. apesar de quase sempre chegar por volta das 19h30, por várias vezes ele fica aqui em casa de manhã, o que me ajuda demais.
além do mais, benjamin está na escola desde fevereiro, o que também tem sido ótimo pra todo mundo.

mesmo assim sobra muita coisa pra mim, então resolvi contar aqui como são essas pequenas sagas do dia a dia:

supermercado

quando sansa era micro bebê (até uns 6 meses)colocava ela num sling, benjamin no carrinho de compras com cadeirinha e vamos lá.
às vezes ela resmungava, começava a sentir calor, mas em geral dormia ou ficava tranquila vendo o movimento.
todo mundo me olhava com cara de louca e já cheguei algumas vezes a ouvir “nossa, no mercado com dois bebês!” e minha única resposta: “é o jeito, né?”
na hora de passar no caixa, benjamin permanecia no carrinho (eu dava pra ele mexer qualquer coisa que fica naquelas gôndolas da fila) e ia passando tudo com ela pendurada em mim. geralmente essa é a hora do caos, mas volta e meia aparece um empacotador pra ajudar.
na hora de botar as compras no carro colocava os dois nas cadeirinhas, fechava a porta e voava pra tacar tudo no porta malas.

como é hoje em dia (6 meses a 1 ano): sansa na cadeirinha do carrinho do mercado, benjamin sentado lá dentro e aí só sobra espaço pra pouca coisa. faço dele meu ajudante, dou qualquer coisa pra ela segurar e vou revezando, porque ela cansa rápido. só deixo benjamin descer do carrinho em último caso. não gosto de deixar criança solta no supermercado.
na hora de passar no caixa, benjamin desce do carrinho e fica mexendo na corrente que impede as pessoas de passarem naquele caixa. sempre. faz amizade com um ou outro transeunte enquanto sansa distribui sorrisos.
na hora de botar as compras no carro, deixo benjoca solto lá dentro brincando de dirigir (a chave fica comigo) e sansa fica no carrinho olhando eu guardar as compras.

*dica de ouro: procure no supermercado caixas de papelão para ajudar a organizar as compras. eu costumo pegar caixas retangulares de tamanho médio-pequeno e guardo cada tipo de coisa numa caixa diferente. exemplo: uma caixa para coisas geladas e congeladas, uma para frutas e verduras, outra para coisas de banheiro ou produtos de limpeza e por aí vai. mais fácil de guardar no carrinho, no porta malas e de subir com as compras, além de ajudar demais na hora de guardar nos armários/geladeira.
como eu chego em casa sozinha com os dois, subo só com o que precisa ser guardado imediatamente (faço uma caixa específica só pra isso) e deixo pro marido pegar o resto no carro quando ele chega.

ônibus

você vai precisar de: um sling.
não sou daquelas que acha que você precisa urgentemente comprar qualquer coisa pra conseguir realizar as tarefas ou cuidar do seu bebê. mas tem certos itens que ajudam muito no dia a dia e um deles com certeza é o sling, especialmente quando você vai andar com mais de uma criança pequena no ônibus.
então eu faço assim: coloco sansa no sling e fico de mãozinha dada com o benjamin. não solto por nada no mundo. na hora de entrar no ônibus, pego ele de lado no colo ou, se estiver pouco movimentado (nem sempre os motoristas respeitam), boto ele pra subir na minha frente e vou atrás dele. procuro o assento preferencial e se tiver algum mané sentado nele eu trato de arrancá-lo de lá porque se falta educação na pessoa eu é que não vou ficar com vergonha. mas em geral as pessoas (exceto o motorista) são gentis. se o ônibus não estiver lotado, sento benjamin ao meu lado e fico com a mão na frente dele, em caso de freadas bruscas (sim, eu tenho muitos problemas com motoristas de ônibus). se estiver lotado, sento ele na ponta dos joelhos ou mesmo no chão e seja o que deus quiser.
apesar de amar o sling de amarrar (wrap) quando os bebês são pequeninos, sempre dou preferência a um sling de um ombro só na hora de andar de ônibus, como o de argola ou o de bolso (pouch). esse último é bom porque é uma peça pronta e não fica aquele tanto de pano sobrando, apesar de não ter um ajuste tão bom quanto o wrap ou o de argola.

carro

depois das duas sagas aí de cima, andar de carro é moleza, certo? nem sempre. então vamos lá:

como é hoje em dia: vou com a pequena no colo e dou a mão para o benjamin só nas horas de atravessar a rua (ele é bem obediente, então num geral dá pra confiar). chegamos no carro, peço pra ele entrar e ir subindo na sua cadeirinha enquanto coloco sansa na dela. antes disso jogo minhas coisas no banco da frente e aí chega sua vez. começa uma gritaria porque ela o-dei-a o bebê conforto, que já tá pequeno e é quente pra caramba. também desconfio que ela não gosta de ir de costas, mas muito em breve esse problema acabará (graças ao bondoso deus!). volto para colocar o cinto no joca, mas confesso que muitas vezes esqueço e quando sento no meu banco ele me lembra: “mamãe, você esqueceu de colocar meu cin-tô!”
ao chegarmos, tiro o cinto dele, peço pra ele descer e ir para a calçada. tiro sansa do desconforto, pego ela no colo, pego nossas tralhas, fecho todas as portas, vou pra calçada, dou a mão pro benjamin e lá vamos nós.

quando sansa era mini bebê (três ou quatro primeiros meses): na hora de arrumar os três para sair, começava por ela e já colocava ela no bebê conforto. claro que nem sempre ela curtia, mas era ou deixar ela incomodada em cima da cama, correndo o risco de cair (ou de ser atacada pelo irmão mais velho) ou no bebê conforto – que de confortável não tem nada – com segurança. me arrumava, arrumava benjamin por último e íamos para o carro. a ordem dos fatores é mais ou menos a mesma desde sempre: joca senta primeiro, taco as coisas no banco, sansa depois, volto pra botar o cinto no joca.
na volta, tirar ou não ela do bebê conforto sempre dependeu dela estar ou não dormindo. se estava acordada, sempre voltava no colo mesmo.
quando ela era muito bebê, benjamin ainda era meio bebezão também (tinha 2 anos e 9 meses quando ela nasceu), então muitas vezes ou eu botava ela no carrinho (o bebê conforto acopla no carrinho) ou no sling pra dar conta dos dois, especialmente na volta para casa.

*faixa bônus – quando os dois dormem no carro. nessas horas a ordem se inverte. eu abro o carrinho que está no porta malas, encaixo o bebê conforto da sansa e coloco ela lá. só depois tiro o benjamin e então empurro o carrinho com um braço e carrego ele no outro. ele pesa apenas 15 kg, mas parece que o peso triplica quando está dormindo. é cansativo levar os dois do estacionamento até o elevador (mas graças a deus que temos elevador!) e colocar os dois no quarto. mas quando acontece dos dois permanecerem dormindo, é a glória de deus na terra!

aeroporto
algumas companhias aéreas oferecem carrinho de bebê na hora do check-in. algumas não. de todas as cias que eu viajei só a tam oferece esse serviço (não sei como é no exterior). então suponhamos que você foi agraciada, vai de tam e a tam te fornece o carrinho (porque nem sempre eles têm). beleza.
mas se não, leve um carrinho de bebê. pode ser daqueles guarda chuva simples, mas vai te ajudar muuuito.
então tá. lá vou eu viajar com os dois. o carrinho fica comigo até a hora de entrar no avião, mas antes disso temos.. tcham tcham tcham tchaaammmm… aquela coisa maravilhosa de fazer raio-x das bagagens e o detector de metais. nessa hora você tem que tirar o bebê do carrinho, pegar ele no colo, desmontar o carrinho pra passar no raio-x, passar no detector de metais com o bebê na frente (segurando assim, mas não tão empolgada), em seguida você passa e ah! sem esquecer do filho mais velho. então tem que passar o menino primeiro porque eu sou paranoica com aeroporto e não perdê-lo de vista nunquinha. como tem aquelas marcas no chão, elas são minhas salvadoras: “filho, fica em cima dessa linha amarela/esse quadrado no chão e não sai daí”. aí monta carrinho primeiro, coloca o bebê, deixa o mais velho em cima da linha/quadrado no chão, pega o resto das tranqueiras, pendura tudo de qualquer jeito no carrinho, dá a mão pro mais velho e torce pra não perder o voo. ah, se estiver de sling tem que tirar o bebê do sling também, ok?
chega no avião, tem que desmontar o carrinho de novo antes de entrar. às vezes tem alma caridosa pra ajudar, às vezes não. se você é do tipo que não aceita ajuda perceba que em todas as situações ajudas e boas vontades são bem vindas sim.
quando o avião aterrissa, não tem carrinho te esperando na porta do avião não. então nessas horas chamo quem? sim, meu maravilhoso amigo, o sling! bebê no sling, fica aí filho na poltrona até a hora de descer do avião e bora pegar as bagagens! ame o carrinho de bagagens nessa hora. o mais velho fica brincando no carrinho enquanto você tenta pegar as malas que fogem na esteira e as pessoas se acotovelam pra catar suas bagagens também. boa vontade alheia? aceito, mas nem sempre conto com ela, então coloco mala, coloco carrinho, sento o mais velho em cima da mala e ufa! chegamos!

pediatra

se você tiver um pediatra legal como a dos meus filhos pode ser que ela tenha uma sala de espera com brinquedos e alguém vá lá te chamar quando for a hora de ser atendido. isso é o paraíso na terra. quer mais? na sala da pediatra também tem brinquedos mas… acha que benjamin fica de boa lá brincando? não. ele o-dei-a que eu converse com outras pessoas e tenta por tudo interromper minha conversa, fica falando falando, perguntando mil coisas e não brinca com nada. enquanto isso constança fica lá, amarradona se divertindo.
mas se, assim como eu, você também vai com seu filho no posto de saúde/hospital público, leve de casa coisas diversas na sua mochila mágica. aqui o que sempre funciona é comida, mas também pode ser um livrinho ou revistinha. pra sansa o que rola mesmo é óculos escuro, cartão de crédito, celular. e o benjoca. a vantagem de ter dois é que eles brincam entre si.

cinema

só fui uma vez sozinha com os dois. aliás, benjoca foi pouquíssimo ao cinema, mas baseada nessa experiência e em todas as coisas que faço só com eles, é mais ou menos assim: escolho um horário em que os dois estejam descansados. melhor ainda se benjamin estiver descansado e sansa só um pouquinho com sono. nada de carrinhos. só vai te atrapalhar porque se não for uma sessão especial para mães (tipo cinematerna), você não terá onde deixar o carrinho (pode até deixar lá na frente, perto da tela, mas eu não conseguiria ver o filme sossegada). para a bebê é melhor levar coisas de comer que não façam muita lambreca, como frutas secas ou um biscoitinho. para o benjamin e eu, pipoca, claro. se bem que do jeito que sansa está, é capaz de meter a mão no saco de pipoca, mas eu ainda não dei pra ela, então a pipoca teria que ficar no colo dele. e a água também fica lá do lado dele, senão ela mete a mão também. minha grande aliada pra acalmar a pequena é o peito. escurinho do cinema e peito pedem uma soneca. pelo menos foi assim quando fomos da última vez, mas é capaz de só porque eu to falando isso na próxima vez ela ficar totalmente desperta. por outro lado, ela também já está mais atenta, então pode ser que curta o filme também.

parquinho

sempre dou preferência a parquinhos que tenham balanço para bebês, desses que o bebê fica bem amparado. aí fico com ela no balanço enquanto benjamin brinca. às vezes – sempre – ele quer ir no balanço de bebê também, então prefiro os parquinhos que tenham não um, mas dois balanços (sou sortuda por ter um desses aqui perto). também gosto dos parquinhos de areia, porque dá pra todo mundo brincar junto. esses são sucesso garantido. também garanto meu lencinho umedecido na bolsa e uma garrafinha com água pra limpar as mãos das crionça.

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*dica de ouro para quando se sai sozinha com os filhos: tenha uma mochila. aquelas bolsas enormes de carregar coisa de bebê só são lindas nas lojas, quando você está grávida e inebriada com essa história de montar enxoval, conhecer a carinha do bebê, o cheirinho dele e blá blá blá. tudo parece lindo porque você está pensando no bebê. na prática é a mochila que te salva porque você vai precisar abaixar e levantar, vai precisar de mobilidade e vai precisar de pelo menos dois braços. se conseguir comprar mais um par de braços, melhor ainda.

banho

sansa no colo, benjamin no chão. dou banho nela e deixo ele brincando com alguns brinquedinhos. às vezes agacho com ela porque ela a-ma quando toma banho com ele, então eles conversam um pouco, brincam um pouco e essa é a única hora que ela não se importa de ter água caindo na sua cabeça e em seus olhos. se tá tudo tranquilo, aproveito para lavá-lo também. deixo benjamin no chuveiro, corro pra vesti-la (e me vestir) e volto com ela no colo. agora ele já está começando a tomar banho sozinho, então eu só preciso passar uma revisão, mas até um dia desses eu tinha que ficar do lado de fora do chuveiro com ela pra terminar o banho dele. aí enrolo ele na toalha e vou tocando que nem gado até o quarto. tudo mais tranquilo, hora de vesti-lo enquanto ela brinca na cama com a gente. ou chora.

amamentação

quando sansa era mini bebê: era caos e desespero, porque ela sentia a necessidade de tirar várias sonecas por dia e era na hora de mamar que ela dormia. então me sobrava basicamente duas opções: amamentar ela na sala, brincando, conversando com o benjamin e torcendo pra que ela dormisse no meio daquilo tudo (o que raramente acontecia) ou ir com ela pro quarto e deixar benjoca lá fora ao deus dará. nossa, como foi difícil essa fase! quanto mais eu amamentava ela, mais ele tentava chamar minha atenção.
o que volta e meia me salvava eram as novidades: um brinquedo guardado há muito tempo, algum presente que ele ganhava de alguém, uma cestinha que eu deixava pronta pra ele se entreter (e que ele só deu bola nas primeiras vezes). mas como nem sempre foi assim, muitas vezes eu fui dar mamá pra sansa com benjamin debaixo de ameaça: “eu vou tentar colocar sua irmã pra dormir agora e você vai fazer silêncio. se você desobedecer e ficar gritando, quando eu sair vou guardar um brinquedo seu e você não vai mais brincar com ele hoje, entendeu?”. não me orgulho nada disso. mas eu ficava meio desesperada, me sentindo sem opção. ajudou muito depois que ele entrou para a escola e foi aí que comecei a ter longos momentos de amamentação ininterruptos.
mas se o mamar não envolvia soneca, eu amamentava de qualquer jeito, em qualquer cômodo da casa, de preferência perto do joca mesmo e ponto final.

como é hoje em dia: ela mama menos, muito menos. aliás, tem mamado basicamente para saciar fome e sede e nem sempre dorme quando mama durante o dia, mesmo quando benjamin está na escola. então tá sussa.

hora de dormir – os dois ao mesmo tempo

quando sansa era mini bebê: nos primeiros meses que sucederam o nascimento de constança, benjamin ainda dependia da gente ficar no quarto com ele até adormecer. por isso eu dava uma segurada na soneca da sansa pra calhar com a soneca dele tanto por ser mais fácil colocar os dois pra dormir ao mesmo tempo quanto por ser um céu na terra quando os dois apagam simultaneamente. então eu escovava os dentes dele, às vezes dava um banho pra acalmar, deixava ele todo limpinho e fofo na cama, sentava na poltrona de amamentação ao lado da cama, pedia pra ele fazer silêncio (às vezes sob ameaça, infelizmente, mas nem sempre) e cantava várias músicas pra ele dormir enquanto amamentava constança.

como é hoje em dia: ah, o tempo! a cura para todos os males! hoje em dia o mais cansativo de botar os dois para dormir ao mesmo tempo não é botar os dois para dormir ao mesmo tempo, mas sim todo o ritual de sono envolvido, especialmente se isso for à noite. se na hora soneca da tarde eu estiver muito cansada ou atarefada, dá pra pular banho caso eles não estejam catinguentos, dá pra pular fio dental e outras coisas, dependendo do meu nível de preguiça.
na hora de dormir pra valer, à noite, preciso dar janta para os dois, dar banho nos dois, escovar os dentes dos dois, eventualmente dar algum remédio/homeopatia a eles e, finalmente, colocá-los para dormir. entro com o benjamin no quarto, acalmo seu coração enquanto ele deita, converso, aliso seu cabelo (enquanto sansa ou tenta fazer uma bagunça com o cabelo dele ou fica esfregando o olho de sono e enfia a cara entre os meus peitos à procura de leite, chorando), peço gentilmente que ele feche os olhos, acalme o coração, deite braços e pernas e não fique sacolejando. como muitas vezes ele reclama que o barulho da sansa atrapalha ele de dormir, eu me valho disso para pedir que ele fique quietinho enquanto eu vou com ela lá pro meu quarto pra que ela durma também, o que na maioria das vezes funciona.

hora de dormir – quando sansa vai primeiro

pra mim o grande problema é botar sansa pra dormir com ele acordado, porque ela distrai mesmo. já falei ali em cima sobre as ameaças das quais não me orgulho nem um pouco e sobre a dificuldade de colocá-la pra dormir quando ele está acordado.
mais uma vez, novidades são sempre bem vindas. claro que eu não compro brinquedos novos pra ele (não tenho nem ideia da última vez que comprei algum brinquedo pra ele, sinceramente), mas o sucesso de tudo isso geralmente depende de como passamos a tarde juntos. se brincamos, nos divertimos e ele se sente saciado de atenção, tudo fica mais fácil. como faço revezamento dos brinquedos dele, tenho caixas diferentes lá no alto do armário que ajudam demais nessas horas. pergunto: “joca, quer brincar de engenheiro?” e, se ele se anima, vem a condição: “então você vai brincar bem bonzinho com os bloquinhos lá no seu quarto. eu vou fechar a porta do seu quarto e a do meu quarto também e vou colocar sua irmã pra dormir. se ela dormir rápido eu venho correndo pra brincar com você”. é sucesso em quase 90% das vezes. nas outras acontecem coisas do tipo “toc toc toc! mãe! fiz cocô! vem limpar meu bumbum?”.
e sim, eu já me vali de vídeos também e posso dizer que eu já quase beijei a tela do pc por ter me salvado em momentos como esse. obrigada, bob construtor! mas, como disse que gosto de fazer revezamento, os desenhos também entram nesse rodízio. o bob, o lego, os bloquinhos de engenheiro me salvam porque são novidade. e assim vamos nos virando.

quando dois acordam à noite ao mesmo tempo

essas situações, graças a deus, acontecem raramente, mas essa raridade já aconteceu várias vezes, ou quando viajo sozinha com os dois ou quando hilan tá tão capotado que nem saca o que tá acontecendo (gente, o que acontece com esses homens e seus sonos pesados? alguém explica, por favor?).
vou me ater à situação o-pai-não-está-presente-nem-em-espírito-nem-em-corpo, ok? nessas horas eu vou primeiro no benjamin (porque a constança começa só com um resmungo, enquanto que benjoca já começa no grito) e peço pra que ele se acalme e espere. geralmente é sede ou xixi. se for sede, digo que vou acalmar a irmã dele e depois levo água pra ele. se for xixi ou coloco um penico no quarto ou libero o caminho para que ele vá ao banheiro. amamento sansa (que é pra isso que ela acorda à noite mesmo) e poucos minutos depois já estou liberada pra cuidar dele. mas tenho que pedir por tudo que é mais sagrado pra ele falar muito baixo pra mó di não acordar a irmãzinha.

cozinhar

quando sansa era mini bebê: quem diz que recém nascido dá trabalho é porque ainda não viu os filhos crescerem. era a coisa mais linda do mundo cozinhar com os dois quando sansa era bebê! ou eu esperava ela dormir e ia preparar a comida ou colocava ela no sling e fazia metade das coisas com ela amarrada a mim. enquanto isso benjoca me ajudava na cozinha lavando louça, lavando as verduras, mexendo em tudo. se era uma coisa mais rápida, tipo um bolo, ele me ajudava do começo ao fim. e confesso que quando sansa era bebezica, bolo era praticamente a única coisa que eu fazia na cozinha.

como é hoje em dia: eu sem-pre prefiro fazer comida quando sansa está dormindo, mas agora eu não posso mais me dar ao luxo de passar uma hora tentando fazê-la dormir porque essa uma hora é justamente o tempo que eu precisaria pra cozinhar. como agora benjoca vai pra escola, isso me libera de algumas coisas mas me compromete ainda mais em outras como, por exemplo, ter hora pra terminar de cozinhar e sair correndo pra pegar o mininu.
benjamin cresceu e amadureceu muito nos últimos meses, o que significa que eu não preciso mais fazer aquele malabarismo todo na hora de cozinhar com os dois. ele fica um pouco na cozinha, logo perde o interesse e vai brincar pela casa. volta o tempo inteiro pra falar alguma coisa comigo, é fato, mas tá muito, muuuito mais tranquilo! por outro lado, constança tá a todo o vapor então a hora de cozinhar envolve várias etapas. se eu puder deixar tudo arrumado de véspera, melhor ainda: as verduras já lavadas, a carne já descongelada/temperada, o feijão já de molho. lindo na teoria, mas isso nunca acontece aqui na prática. é sempre tudo atropelado e em cima da hora.
cozinhar especialmente com constança tem vários momentos: o momento soneca (que é no comecinho), quando eu aproveito que ela dormiu e casco pra cozinha (mas alegria de pobre dura pouco e quase sempre ela acorda), o momento brincando com o irmão na sala, que sempre é interrompido por um “benjamin, devolve o brinquedo da sua irmã”, o momento sentada bonitinha no cadeirão brincando com talheres, potes plásticos, tampas de panela, seguido de palitinhos de cenoura, brócolis cozido, nacos de carne assada. nesse momento-cadeirão, vale tudo que estiver ao alcance das mãos (dela e minha) desde que não seja perigoso.
alguma hora ela vai cansar e aí temos duas alternativas: abro a porta do armário de panelas e deixo ela mexer em tudo, mesmo que implique em ver o chão da minha mini cozinha cheio de tampas, panelas e potes espalhados, tendo que desviar a todo instante para não pisar neles (nem nela) ou a segunda alternativa que é terminar de cozinhar com ela no colo (às vezes pendurada no peito), virando menina prum lado e mexendo na panela quente do outro, às vezes desviando daquela gota de óleo assassina que respingou enquanto eu refogava a cebola. mas como geralmente eu só preciso pegar ela quando a comida tá do meio pro fim do preparo, eu só preciso dar uma mexidinha na verdura que tá refogando ou checar se a carne terminou de assar no forno, o que não é nada lá tão sério.
sim, as duas alternativas são arriscadas, mas são necessárias. e quem nunca passou por isso?

tarefas domésticas

dá vontade de rir só de ver o título desse tópico: tarefas domésticahahahahahahahas! o que são tarefas domésticas, minha gente? só rindo mesmo!
mas tá, pra não dizerem que eu sou uma imunda e que vassoura só entra nessa casa se for pra acompanhar a expressão doida varrida, às vezes rola sim de fazer alguma coisa com eles. passo um aspirador com sansa no colo, peço pro benjamin me ajudar a passar pano no chão da cozinha ou dou um paninho pra cada um enquanto limpo os móveis. posso colocar umas roupas para lavar ou tirar elas já limpas da máquina com a ajuda da pequena, que tira e põe, tira e põe, tira e finalmente joga no chão. também rola de tentar dobrar as roupas pra guardar no armário (passar roupa? o que é isso) e costumo fazer isso em cima da cama deles, mas tem que ser rápido, senão daqui a pouco todas as roupas estão desdobradas e jogadas no chão.

escrever post

escrever com os dois acordados é muito mais um sonho que uma realidade. eu vomito as ideias enquanto eles parecem brincar lindamente no chão da sala. aí benjamin começa a me perguntar um monte de coisas sem parar, constança fica tentando subir no sofá, escalar na minha perna, reclamar. eu respondo ele, sento ela ao meu lado, ela mete a mão no computador e esse post sairia mais ou menos assim se ela estivesse comigo agora: fkdkjfj fdodo ekwoqof ldkfjgfoofgof meeqqq\\\\\\zxxcvbb.
ou seja, eu anoto alguma ideia que estiver fervilhando na cabeça naquele momento e termino quando os dois dormem (sabe que horas são agora? 3 da manhã).

* * *

às vezes fazer uma única tarefa dessas isoladamente é tranquilo. o problema é quando tem que ser tudo ao mesmo tempo: preciso ir de carro ao mercado, pra fazer um almoço e depois dar banho neles pra colocá-los para dormir. quando acordam, vão ao parquinho, comem, uma quer dormir e outro não mas ela precisa tomar banho de novo porque tá suja do parquinho e ele não quer e ahhhh! caos! graças a deus isso não acontece com tanta frequência e posso dizer que o que mais me salvou foi o fato de benjamin estar na escola. apesar de constança me demandar mais que benjamin, um a mais ou um a menos nesse processo faz diferença sim. muita. e pensar que eu achava complicado quando tinha só ele… por outro lado, um faz companhia ao outro em vários momentos e sei que a tendência é que, daqui pra frente, as coisas fiquem mais tranquilas conforme eles cresçam.
percebi o tanto que benjamin cresceu e tá muito mais fácil fazer as coisas com ele ao redor, especialmente as tarefas domésticas.
tudo tá ficando mais fácil.. até que eu resolva ter um terceiro. aí lascou-se tudo!

 

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23 de abril

morar em casa

por luíza diener

casinha

“quero morar em uma casa com quintal e jardim.”
“ah, casa dá trabalho demais!”

essa é a resposta que costumo ouvir de 89,7%  das pessoas com quem compartilho esse sonho, segundo uma estatística que acabei de inventar.
sou brasiliense e, em brasília, morar em casa é um luxo para poucos. pelo menos aqui, no coração da cidade, onde tudo acontece. para que isso seja possível você precisa ter dinheiro, muito dinheiro. ou ser do tipo que dirige quilômetros e mais quilômetros diariamente (acompanhado de um trânsito nada legal) no percurso casa-trabalho, casa-supermercado, casa-escola, casa-civilização.

penso em morar em casa como um acréscimo à qualidade de vida mas, se for pra pagar o preço horas-dentro-dum-transporte, talvez o melhor seja mesmo morar em apartamento.
cresci com esse desejo intenso e constante de morar em uma casa.
pra não dizer que nunca fui tive tal privilégio, morei em uma casinha dos sonhos no alto dum morro em gramado/rio grande do sul quando tinha entre 2 e 4 anos. era dessas casas cercadas de mato (essa da foto acima), onde pra chegar no vizinho mais próximo você precisa andar um bocado. nosso vizinhos eram os pinheiros e as araucárias, que nos davam pinhões para assarmos na lareira, as lebres selvagens que moravam na “floresta”, sapos, lagartas, aranhas, vaga lumes, uma simpática vaquinha que nos visitava frequentemente e uma ou outra cobra ousada que já apareceu no nosso jardim.
de lá extraio excelentes memórias de infância e alimento essa vontade louca de largar todas as facilidades e comodidades de um apartamento seguro pra me aventurar em uma habitação cercada de natureza, nem que seja ela – a princípio – composta somente por grama esmeralda e plantas ornamentais.

jardim_gramado

toda vez que vou com os pequenos a alguma casa e posso desfrutar de alguns momentos por lá, com eles correndo soltos, sinto um aperto no coração por criá-los em um lugar tão espremido.
na nossa mais recente viagem à bahia eu pude desfrutar de sete dias não apenas de praia (meu maior sonho de todos), mas de um quintal só pra gente, além de ser uma casa num condomínio seguro. aqueles dias trouxeram não apenas liberdade e diversão pros pequenos, mas paz pro meu espírito. eu vivo numa paranoia meio exagerada. de, quando estou na rua, achar que a qualquer momento pode vir alguém e roubar meus filhos, que eles podem ir pra rua e serem atropelados. meio que eu não confio em ninguém que eu não conheça, sabe? tento relaxar, tento ficar longe das notícias bizarras, mas é cada história absurda que a gente ouve que é difícil não se contaminar com isso tudo.
enquanto isso, no condomínio baiano, lá estava constança se arrastando pelo chão da casa enquanto benjamin recolhia as folhas secas do quintal, juntava todas na lixeira, regava as plantas, fazia a coleta seletiva (meu deus, ele ama essa brincadeira, vai entender!), ia pro portão pra ver o lixeiro passar. e mais: abria o portão e ia lá fora atrás do lixeiro, enquanto eu continuava no quintal com sansa. se eu fiquei com medo dele ir pra rua? não, ele não atravessa se não der a mão pra um adulto. se achei que alguém poderia roubar ele? de maneira alguma. meu espírito relaxou e esse foi meu maior presente de férias. sem contar com o lance do barulho. morar em apartamento tem dessas. qualquer passinho, qualquer grito, qualquer corridinha dentro do apartamento reflete em barulho pro vizinho. e olha, eu tenho desses filhos que acordam 6h da manhã já botando pra quebrar. às vezes bem mais cedo que isso.

por ter morado confinada em apê 93% da minha vida (e essa é uma estatística real), já me acostumei com algumas regras básicas de convivência, como não ouvir música alta, não usar liquidificador, aspirador de pó e outros aparelhos barulhentos muito cedo ou muito tarde, não andar de salto alto dentro do apartamento e por aí vai. isso já está internalizado e não faço o menor esforço pra viver assim. só que, ao experimentar a vivência dentro (e especialmente fora) de uma casa, eu percebo o tanto que vivo amarrada e travada. metade das minhas brigas com o benjamin são “fala baixo” “não pula” “não corre”, tudo em função do ambiente em que vivemos. isso quando eu não tento botar a constança pra dormir sem sucesso, porque qualquer espirro que o irmão dá, acorda a menina.
sair pra ir ali no parquinho é uma saga: tem que esperar os dois acordarem da soneca, eles têm que ter comido ou preciso levar uma comida, água, colocar uma roupa, calçar um sapato. colocar constança no carrinho ou sling, levar uma mantinha caso esfrie e mais uma série de coisas. sair de casa sempre me toma tempo e, adivinhe, estressa.

mas se eu tivesse um jardim… ah, se eu tivesse um quintal!
eu diria: “vai brincar lá fora enquanto eu faço o almoço” e ele cataria pedras para fazer uma muralha, colheria flores para enfeitar a casa, subiria na árvore, cataria paus e jogaria eles longe. é muita energia contida nesse menino e eu acho ele muito pequeno pra viver estressado por falta de atividade. por mais que ele vá à escola, por mais que eu tente descer com ele todos os dias (o que nem sempre tem sido possível), é diferente e nós sabemos disso.
em poucos meses constança aprenderá a andar e aí ela também poderia se beneficiar disso tudo. chega de banhos de sol dentro de um carrinho. chega de passear com ela só porque ela ficou entediada de olhar pra todos os lados e ver chão, paredes e teto. a bichinha começa a ficar nervosa, gritar, mas é só pisar fora daqui que um sorriso enorme se abre e ela fica boazinha, boazinha.

isso sem falar em outra grande e gigantesca realização da vida: ter pomar e horta. esse seria um sonho a longo prazo, eu sei. mas como eu queria ter ali no quintal um pé de laranja lima (sim), de limão, tangerina, amora, pitanga, goiaba, acerola, mamão, manga. de repente até macieira, pereira, bananeira e outras eiras que surgissem.
uma hortinha simples com tomate, alface, rúcula, temperinhos diversos como manjericão, hortelã, alecrim. eles serviriam para temperar a comida, para afastar os insetos, para perfumar a casa. e, por falar em perfume, dama da noite e jasmin bem perto do portão, aquele portão baixinho que dá pra ver a rua.

querem ouvir mais dos meus sonhos? o balancinho. tipo aquele da foto ali em cima, onde eu balanço minha irmã. meu pai fez com um pedaço de madeira e corda, amarrou na árvore e pronto. a gente brincava muito lá. hoje em dia não consigo olhar pra essa foto e não pensar em benjoca sentado e sansa balançando (ou vice versa).
casa na árvore? é dream extreme. não conheço nenhuma criança ou adulto que nunca tenha sonhado com isso.
secar a roupa no sol, ao ar livre. ó que coisa linda!
e a cachorrada, né? queria um canil grande pro tov e outros amiguinhos. com certeza queria ter mais cachorros, muito mais. mais um buldogue francês, mas também cachorro grande. queria um dogo argentino, queria um monte de vira latas. queria crianças e cachorros correndo pra cá e pra lá o dia inteiro. toda vez que vou a uma casa com quintal fico pensando “queria que o tov estivesse aqui” e morro de dó dele. aliás, é dele que eu sinto mais dó, porque ele é o maior prisioneiro da casa, tadinho.

mas claro que nem tudo são sonhos. eu teria muito trabalho pra cuidar do jardim, pra manter a grama aparada e verde, pra cuidar da horta e do pomar, especialmente porque quero eles sem agrotóxicos. limpar casa dá mil vezes mais trabalho que apertamento, uma casa requer uma manutenção muito mais absurda e por aí vai. mas gente, tudo na vida dá trabalho. quer trabalho maior que ter filhos? é o trabalho mais difícil do mundo, mas é diferente quando a gente faz com prazer e alegria. é recompensador.
eu cheguei num momento meio claustrofóbico da minha vida. eu adoro a vida urbana, sonho em viver de forma cosmopolita também, mas essa minha fase tá clamando por um jardim, um quintal e muito mato.

não, eu não dependo de nada disso pra ser feliz. estou muito feliz assim, desse jeitinho. mas cara, sonhar faz um bem enorme pro coração. eu escrevo essas palavras com o coração a mil e às vezes os olhos enchem de lágrimas só de pensar na possibilidade de realizar esse sonho. sonho esse que eu torço sempre pra que um dia se torne realidade, assim como muitos outros que compartilhei aqui antes de ter filhos e quatro, cinco anos depois estou aqui, vivendo eles e muito grata por tudo.

e se você sonha comigo e quer pirar o cabeção também, visite esse blog que eu descobri recentemente. um dia vocês vão me ver em situação semelhante. anotem!
um dia, gente, um dia.

ps: se você mora numa cidadela simpática com um custo de vida baixo, onde há muitas casas com jardim (alguma disponível para forasteiros) ou conhece alguém em situação semelhante, me mande um email no potencialgestante@gmail.com. beijinho.

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17 de janeiro

10 dicas para organizar um chá de bebê

por luíza diener

chadebebe10

quem nunca foi a um chá de bebê? ou, antes mesmo de engravidar, sonhou com o dia em que faria o chá do seu próprio bebezinho?
eu sim. muito. várias vezes.
não acho que o chá seja algo totalmente imprescindível, mas acredito que seja um momento muito importante e gostoso que passamos com as pessoas que querem bem a nós e ao nosso bebê.

muitas mães ficam ansiosas com este evento, especialmente quando ele é deixado para cima da hora, em uma fase da gestação onde já se está um pouco cansada, devido ao peso da barriga.
por isso, o melhor é planejar-se com antecedência. considero ideal começar a pensar na festa ainda no segundo trimestre, que é quando a gente ainda tem disposição e curte fazer essas coisas.
para isso, é bom ter em mente alguns pontos:

1) defina os convidados
quantos serão? quem serão os convidados?
todo bom evento começa com uma lista de convidados. por isso, o importante é ter em mente quem chamar e quantas pessoas chamar.
há quem chame somente mulheres para o evento. há quem prefira chamar todo mundo.
hoje em dia as duas opções são bastante comuns.
fale com o pai da criança, pergunte se ele pretende estar presente. há homens que odeiam esse tipo de evento. outros, querem fazer parte de tudo. o ideal é conversar e entrar em um acordo.

2) defina a data e horário
quando fazer o chá fica muito a critério da gestante, mas a família e amigos próximos acabam influenciando também.
há grávidas que fazem bem no finalzinho mesmo, lá pra umas 35 semanas.
eu recomendaria entre 30 e 34 semanas, porque a gente já está bem grávida, mas ainda tem alguma energia e disposição para fazer as coisas.
não sei vocês, mas o finzinho da gestação suga todas as minhas energias, por isso acho bem bom fazer perto da 30ª semana.
definido o melhor dia (não se apegue a ele totalmente), converse com os parentes próximos, amigos e pessoas que você deseja que estejam presentes. de repente algum deles estará ausente da cidade ou tem algum evento difícil de desmarcar. por ser uma data especial, é bom que todos possam comparecer.

e a que horas fazer?
chá da tarde? café da manhã? brunch? almoço? ou um evento à noite?
qual é o momento do dia em que você, grávida, se sente melhor? como imagina o seu chá de bebê? num dia radiante? numa noite aconchegante?
e o que é mais prático?
geralmente um sábado ou domingo à tarde costumam ser bem acessíveis para a maioria dos convidados, mas nada impede que você faça durante a semana. à noite, por exemplo. mas lembre-se que muitos trabalham o dia inteiro – você, provavelmente – e eventos à noite costumam ser mais cansativos, além de ser mais difícil de organizá-los na correria da semana.

3) defina o local
tendo dia, hora e quantidade de convidados em mente, fica muito mais fácil definir onde fazer.
lugares fechados são mais fáceis de organizar, por não ter que se preocupar com chuva, frio, iluminação, etc.
mas nada te impede de fazer em um local ao ar livre, que sempre fica bonito e agradável.
em épocas menos chuvosas, por exemplo, dá pra arriscar a sorte.
e onde fazer? na casa da mamãe, no salão de festas do prédio, na churrasqueira do clube, numa área aberta de um parque ou o que mais a sua imaginação permitir.
às vezes há convidados/amigos que costumam oferecer suas casas para eventos assim. se tiver intimidade com uma delas e achar a ideia boa, não tenha vergonha de aceitar.
mas se preferir (e o orçamento permitir), você pode alugar um salão de eventos.
muitos prédios residenciais oferecem locais bons e bem estruturados por um precinho camarada.

4) chá de bebê ou chá de fraldas? é deselegante pedir presentes?
o que é melhor? um chá só de fraldas? ou posso pedir outras coisas para o enxoval do bebê?
devo colocar um papelzinho no convite especificando o que desejo ganhar? não é feio pedir presente em chá?
essa é uma questão delicada e que varia muito de pessoa para pessoa.
vai depender de quem são seus convidados e de como você se sente em relação a eles.
uma coisa é você chamar uma colega do trabalho do marido com quem quase não fala e colocar uma notinha “trazer 1 pacote de fralda xxx hipercara tamanho jumbo, 1 prato de salgado e 1 refri” e outra é quando a avó, por exemplo, faz questão de presentear o netinho/netinha que está para chegar e ajudar a organizar o evento.
presente nunca deve ser uma obrigação.
por outro lado, é cada vez mais comum pedir presentes em qualquer tipo de chá (de bebê, de panela, de lingerie, etc).
eu, pessoalmente, não vejo problema ne-nhum e não me sinto de maneira alguma ofendida por receber um convite em que o presente está especificado. na verdade, acho até melhor, porque – pra mim – o melhor presente que alguém pode dar é o que a pessoa quer/precisa ganhar.

se optar por ser apenas chá de fraldas e for colocar no convite o que quer que cada convidado leve, ok. sempre é bom ter um pouco de fralda RN, mas não extrapole. é melhor pedir algumas fraldas P, mais fraldas M e G e, talvez, GG. benjamin, por exemplo, desfraldou ainda usando fraldas G.
se quiser fazer um chá de bebê com produtos gerais para o enxoval, dê uma olhada em tudo que você já tem, para não ganhar repetido e ofereça sempre a opção de presentes baratinhos e fáceis de achar.
há também lojas especializadas em produtos para bebê que possuem uma infinidade de coisas, desde cotonetes, tesourinha de unha, passando por banheirinhas com suporte até berços completos.
em algumas dessas lojas você faz uma lista com os produtos que gostaria de ganhar e o convidado opta por qual presente levar.
você pode colocar o nome da loja no convite ou pode nem falar nada. aí, se alguém te perguntar se há alguma lista de presentes para o bebê, você indica a loja. assim ninguém sente-se obrigado a comprar em um lugar específico.
o bom da lista em loja é que facilita pra quem não sabe o que comprar (e onde comprar) e, se você ganhar algo repetido, pode trocar. isso é uma mão na roda para a gestante.

outra questão que às vezes surge é: devo pedir que tragam a comida?
novamente, isso vai depender dos seus convidados e da sua situação de vida.
há quem ache um absurdo ter que levar presente + comida para o chá.
mais uma vez, acho que isso varia de acordo com a relação gestante-convidados.
a depender da sua situação financeira, uma boa sugestão é você oferecer os doces e os convidados levarem os salgados, bebidas, etc.

pra mim é sempre uma honra poder ajudar e presentear os outros. mas, claro, se eu não tiver condições de comprar alguma coisa, também não vou deixar de comparecer ao evento por conta disso.

o importante é celebrar junto esse momento tão especial, que é a expectativa da chegada do bebê.
por isso, converse com alguém que você tenha um pouco mais de intimidade e peça ajuda nessa questão.

5) hora da decoração!
depois de tantos detalhes para definir, é hora da parte mais gostosa: deixar a festa linda, com a cara de vocês!
muitas vezes é difícil ter uma ideia de tema. alguns inspiram-se no quartinho que já está sendo montado (ou pronto) para o bebê. outros, na cor predominante do enxoval. há quem recorra a figuras ou personagens que remetam ao bebê ou mesmo à infância do pais.
não importa a fonte de inspiração, bem como não faz diferença se você tem um orçamento pequeno para criar a festa. o legal é fazer isso com carinho.
a internet está cheia de ótimas ideias para que você mesma possa criar a festinha de forma criativa e com baixo custo. nessas horas, juntar amigas, irmãs e pessoas que você gosta de estar perto – com alguma habilidade manual, de preferência – vira um momento muito gostoso de encontro e compartilhamento.
uma das coisas que mais gosto de preparar festinhas que costumo chamar de “colaborativas” é isso: vira quase uma terapia (:

6) convites
tendo definidos dia, hora, local, tipo de festa, se vai ou não haver lista de presentes e qual cara a festinha vai ter, é hora de convidar as pessoas!
se os convidados forem mais antenados virtualmente, você pode enviar o convite a eles por email, criar um evento no facebook, um grupo no what’s app ou algo do tipo.
mas como sempre tem aqueles que não acessam a internet com tanta frequência ou que usam celular só pra fazer e receber ligações (alô alô, maridão!) dá para fazer os clássicos convites de papel.
não precisa se preocupar em pagar por alguém que o faça – a não ser que você realmente queira – ou mandar imprimir em um local especializado. se forem poucos convites, você pode fazê-los à mão. ou criar algo simples no computador e imprimir em casa mesmo. na internet mesmo você encontra diversos modelos de convite.

8) lembrancinhas
como o próprio nome já diz, é para ser apenas uma lembrança. para que, mesmo após o evento, quem esteve presente possa recordar-se desse dia.
no chá do benjamin nós fizemos – literalmente – um chá de bebê. foi ideia minha e do marido. ele fez a arte, nós montamos o convitinho e isso divertiu os convidados também.

uma sugestão em conta são ímãs para geladeira, saquinhos com docinhos, etc.
você pode até brincar de polaroid: tirar fotos com quem lá estiver e imprimir na hora, para que eles levem para casa.
mais uma vez, pai google e redes sociais (pinterest anda super em alta) estão aí para te dar muita inspiração.

9) registre o momento
depois de tantos preparativos, deixe que eles permaneçam na memória.
por isso não deixe de fotografar o evento. peça a uma amiga cuidadosa, um irmão antenado. se conhecer algum fotógrafo bacana, também vale.
o importante é que o momento não passe em branco, até porque na correria do evento a gente perde muita coisa.
para os mais conectados, dá pra criar um álbum no facebook compartilhado com os convidados e ir subindo e marcando as fotos em tempo real.
ou mesmo colocar as fotos no instagram e usar uma hashtag especial para o evento.
não esqueça de tirar muitas fotos do barrigão e com aqueles que você ama. de preferência, faça um álbum impresso depois, porque, às vezes, arquivos digitais acabam se perdendo.
vai ser ótimo poder rever tudo isso depois e, futuramente, mostrar pra seu filho ou filha essa festança toda e o quanto ele era querido bem antes de nascer.
além do mais, as fotos do chá podem servir de inspiração para futuras mamães e até mesmo se você planeja ter outros filhos, caso deseje fazer outro chá lá pra frente.

10) prepare com carinho, mas cuidado para não extrapolar!
faça somente aquilo que estiver ao seu alcance.
muitas grávidas ficam muito sensíveis durante a gravidez e algumas até precisam entrar em repouso durante a reta final.por isso, não cobre-se mais que o necessário!
aprenda também a aceitar a ajuda de outras pessoas, mesmo que elas não façam exatamente como você gostaria.
o importante é que esse momento seja vivido com muita alegria!

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26 de julho

num mundo de delicadezas

por luíza diener

message

já devo ter mencionado anteriormente, mas passei as últimas três semanas da gestação de repouso.
ou pelo menos tentando repousar (quando se tem criança em casa, quem dá conta?).

por ser realmente mais complicado fazê-lo com um filho pequeno a tiracolo, havia dias que eu sentia vontade de sumir. entrar num mundo só meu, onde não existisse louça para lavar, casa para limpar, cachorro pra passear, filho pra cuidar. foi difícil, porque eu sentia-me extremamente cansada, mas a vida não parou pra me ver descansar. então só me restava chorar, chorar, até acalmar a alma.

mais difícil que isso foi ter que aprender a pedir ajuda. o medo de ouvir não era grande. o medo de incomodar alguém, ainda maior. mas, se não falasse, como iriam adivinhar que eu estava precisando?

e, claro, para a minha surpresa, eu estava enganada. algumas pessoas extremamente queridas dispuseram-se a me ajudar. vizinhos, amigos, parentes. por orgulho besta (e às vezes preguiça), não aceitei toda ajuda oferecida, mas fiquei muito grata àqueles que o fizeram de coração.

tudo o que fizeram por nós, por menor que tenha parecido, foi enorme para mim.

uma amiga fofa demais revelou-se amigona do peito quando abriu a casa para, semanalmente, irmos benjoca e eu passar o dia com ela e as filhas. o benjamin brincava com as meninas pela manhã, almoçávamos todos juntos, eles tomavam banho (juntos também. uma graça) e dormiam. e aí sobrava tempo pras duas comadres tagarelarem por uma horinha ou duas e ainda comerem um docinho. foi uma delícia e espero que, quando chegar a vez dela, eu possa retribuir tudo e mais pouco.

outra amiga volta e meia dava um pulo aqui em casa depois do trabalho. o mais lindo era ver que ela não vinha só para me encontrar. era pra ver eu E o benjoca. se ela passasse numa hora que ele estivesse dormindo, depois cobrava o abraço de urso apertado que somente joca sabe dar.

até minha irmã e mãe, que estão sempre ocupadas com seus respectivos trabalhos, nas últimas semanas caçaram tempo em suas

agendas e vieram ou nos visitar ou levar o benjamin para passear com elas e dar um tempinho para hilan e eu descansarmos (até ensaiamos ir ao cinema, mesmo que o programa tenha furado por falta de planejamento prévio).

lembro-me de um dia em particular em que minha mãe não foi trabalhar de manhã para poder acompanhar-me numa consulta médica e na ecografia. foi uma manhã extremamente desgastante. tudo parecia dar errado. até machucar o meu pé eu consegui (uma ferida que demorou semanas para cicatrizar). à tarde eu estava com minhas forças completamente exauridas, mas não conseguia parar de agradecer à minha mãe por ter me acompanhado naquela manhã difícil, mas necessária.

para balancear o dia, meu padrasto – esposo de mamãe – inventou um programa para fazer com o benjoca: passear de metrô. foram andando até a estação de metrô, de lá foram para o shopping, deram uma voltinha e retornaram à casa. durou a tarde inteira. enquanto isso eu fiquei de pernas pro ar na casa deles. nem lembro o que eu fiz – provavelmente dormi – mas sei que foi ótimo e tudo que deu errado naquela manhã, deu certo naquela tarde. graças a eles.

as poucas semanas finais da gravidez pareceram arrastar-se, mas logo nossa pequena constança chegou, trazendo muito mais amor e alegria para o nosso lar. e desordem. não, não foi ela que trouxe a desordem, mas o foco mudou completamente e deixamos de priorizar algumas coisas dentro de casa.

desta vez foi surpreendente o tanto de ajuda que começou a surgir sem nem ao menos pensarmos nela. minha mãe tirou uma semana de férias e encheu minha casa de provisões: sopas, comidas, saladas (as saladas não paravam de chegar). vinha aqui em casa, dava atenção pro joca, fazia festa com o tov, trocava fralda suja da sansa. lavou uma louça quilométrica que estava acumulada, mas também mandou uma faxineira aqui pra casa uma vez por semana, por três semanas consecutivas. quer mãezona melhor?

aliás, nós e a louça. a louça e nós. motivo de tantas brigas matrimoniais, alívio constante quando ela é pouca ou nenhuma dentro da pia.

eu só fiquei sabendo dias ou semanas depois, mas a enfermeira que acompanhou meu parto lavou um pouco da minha louça no dia da chegada da pequena. se eu soubesse disso, teria dado-lhe aquele abraço de urso do benjoca.

não só nela, mas em todas as pessoas amadas que estiveram comigo naquele dia. parecia que eu estava imersa numa atmosfera constante de amor.

uma amiga – a mesma que abriu a casa semanalmente para nós – passou na portaria do meu prédio e deixou um escondidinho de frango feito por ela mesma (sem glúten e sem leite, pra agradar a família toda), um pacote de biscoito especial pro benjoca e o melhor bolo de cenoura com chocolate que já comi na vida.

outra, quando veio conhecer a pequena, trouxe presente para todos (eu disse to-dos) da casa: roupinha pra sansa, um kit todo especial pro joca, uns agradinhos pra mamãe aqui… até no hilan ela pensou. e nem o tov ficou de fora nessa história.

uma terceira ofereceu-nos um jantar especial na nossa casa: ela e o marido se auto-encarregaram de trazer toda a comida, servir, lavar a louça e deixar nossa casa impecável ao saírem.

presentinhos que chegam a torto e a direito não apenas pra pequena, mas pro grandalhão também. emails carinhosos, lindas palavras no facebook. telefonemas carregados de emoção.

cada um encontrou seu modo de viver conosco essa alegria de trazer mais uma pessoinha a este mundo.

a pequena constança nasceu justamente num tempo em que o nosso país encontra-se inconformado e revoltoso. em uma época em que o amor do mundo parece ter se esfriado, cada um fechado em sua própria redoma de egoísmo e hedonismo. mas esses pequenos grandes gestos estão aí para provar o contrário: ela já chegou cercada de delicadezas e pessoas que só desejam o seu bem.

esses são apenas alguns exemplos de coisas que fizeram e tem feito por nós. elas enchem-me de gratidão dia após dia e completam minha felicidade. fazem com que eu sinta que nossa família é extremamente amada – às vezes por pessoas que mal conhecemos.

sinto todo esse amor chegar e tento transmiti-lo de volta a todo instante, mesmo que eu tenha uma certa dificuldade em fazê-lo.

resta valer-me das palavras – que com elas eu consigo me expressar melhor – para agradecer de coração a todos nos tem enviado carinho, cada um à sua maneira.

obrigada!

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27 de dezembro

natalzinho em família

por luíza diener

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este ano tivemos nosso primeiro natal em mini família. por mini família, entendam a família primária: mãe, pai, filhos, cachorro.

desta vez cada um de nossos pais, irmãos, etc, tinha um compromisso num canto, então decidimos fazer nosso próprio natal.

confesso que fiquei triste porque eu adoro natais grandes com primos, tios, avós, filhos e netos. aquela barulheira, todo mundo comendo farofa e falando ao mesmo tempo. o natal da minha família é realmente muito alegre, festivo e farto (e graças a deus ninguém enche a cara e fica maluco).
mas por outro lado fiquei feliz porque sempre quis fazer um evento só nosso, mas sempre tínhamos outros compromissos familiares.

então tá bom. vou fazer a ceia toda sozinha. o que preparar que meu estômago enjoado de grávida aguente (cozinhar e digerir), o benjamin possa comer sem fazer mal e ao mesmo tempo agrade o paladar do marido?
optei, então, por um bacalhau. não é algo totalmente simples, mas também não é nada muito complexo (nunca havia feito um bacalhau, então foi um tiro no escuro). salada, arroz especial e, claro, frutas de natal!

planejar o cardápio do natal e pensar numa decoraçãozinha me deixou realmente animada.
com dias de antecedência lá estava eu no mercado comprando tudo. a grande frustração foi não ter encontrado mais nada de decoração natalina em mercado algum (e eu estava com preguiça de procurar em outro lugar), então a decoração resumiu-se a uma toalha de mesa de natal, uma plantinha – que eu também considero natalina – e duas velinhas.

visto que não fazia ideia de como preparar um bacalhau, corri à minha avó, de tradicionalíssima família portuguesa.
mentira. corri pro google e aprendi tudo que precisava: como tirar o sal, o melhor jeito de preparar. vi inúmeras receitas de bacalhau (nem sabia que existia tanta variedade. achei que era ou bacalhau no forno, ou bolinho de bacalhau), favoritei umas 6 e, a partir delas, criei a minha própria.

os preparativos para a ceia de natal resumiram-se a 3 dias de dessalgue de um bacalhau, um dia de antecedência para deixar arrumada a cozinha (que está sempre assim) e mais de 6 horas enfurnada dentro de uma cozinha até que tudo ficasse pronto. enquanto isso o marido arrumava o resto da casa, pra ficar no mínimo apresentável.

no final, o cardápio ficou:
– pra beliscar enquanto a comida não chega, nozes, damascos secos, cerejas e lichias (porque phyness é meu sobrenome);
– para beber, suco de uva branca porque, pelo visto, o vinho vai ter que esperar alguns natais;
– salada de folhas verdes, lentilha, pera e gorgonzola;
– arroz ao champanhe e amêndoas (mentira. eu usei espumante no lugar de champanhe);
– bacalhau ao forno aromatizado com alecrim e batatas ao vinho branco (que eu batizei de bacalhau viennoise, não me pergunte por que);
– rabanada com sorvete de creme e cookies (pro benjoca, maçã seca, cerejas e damascos).
(escrevendo assim, meu natal soa hiper chique! ui!)

mas os preparativos pro natal não se resumiram apenas à ceia. preparar o coração do benjoca foi muito mais gostoso e isso durou bem um mês. todos os dias nós líamos historinhas sobre o nascimento de jesus, cantávamos músicas, reencenávamos a história com os brinquedos dele.
não sou contra a figura do papai noel, mas não sou a favor de alimentar a fantasia da existência dele. por isso, ao invés de focar nele, dei foco pra o que, para nós, realmente importa: o verdadeiro significado do natal.
estivemos em família, celebramos a chegada do nosso salvador e nos alegramos muito com isso.

claro que nem tudo são flores. foi extremamente cansativo para mim preparar tudo isso e, na hora da ceia, eu surtei porque o marido não tinha colocado os guardanapos na mesa (ahahahha!).
mas no fim deu tudo certo. comemos até morrer (menos o benjoca que, apesar da empolgação para comer o bacalhau, ficou só no arroz, cereja, suco e damascos a noite inteira), fomos dormir e trocamos os presentes só no dia seguinte. e aí, no dia seguinte, foi a vez de encontrar a família maior, comer o que sobrou da ceia, cantar músicas e, aí sim, dar uma descansadinha.
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25 de setembro

minha casa é uma bagunça. e eu não ligo mais (tanto) pra isso.

por luíza diener

muitas pessoas que acompanham o blog me perguntam: “luíza, como você consegue manter uma casa, um filho e um blog?”
já adianto-lhes a resposta: eu não consigo.

cresci em uma casa arrumada.
tudo estava sempre muito limpo. louça nunca parava suja na pia por mais de um dia.
cresci numa casa com empregada, mas minha mãe sempre insistia em falar que ela nos criou sozinha.
ouvia sempre minha mãe criticando a desordem e a sujeira, sempre acompanhado de um “que horror”.
cresci achando que casa feliz era casa limpinha e arrumada.
afinal, se às vezes ela chorava porque nosso quarto estava uma bagunça, então desordem deveria ser sinônimo de infelicidade.

casei. por 2 anos consegui manter viva a utopia da casa impecável.
todos os dias eu a limpava. limpava, não. faxinava de cima abaixo. tomei gosto pela coisa.
então virei dona de casa full time.
quando meu marido chegava do trabalho a sala exalava um agradável aroma floral e a cozinha cheirava a bolo ou pão assado recentemente.
as roupas sempre limpas e passadas. desde o pijama até as toalhas e roupas de cama.
eu me achava a dona de casa perfeita.

mas passou o gosto da novidade. eu quis voltar a trabalhar. e, quando voltei, senti saudades de ser dona de casa outra vez. mas não o fiz. continuei trabalhando e minha casa começou a virar um pequeno caos.
engravidei e ainda assim trabalhei até 2 dias antes do meu pequeno nascer.
e foi aí que decidi parar tudo para ficar com meu filho.

mal sabia eu que o pesadelo apenas iria começar.
não o de ser mãe, mas o de estar condenada a viver eternamente em meio à desordem.
sempre havia um motivo para eu não arrumar a casa: recém nascido que só mama e quer ficar no colo, menino que acorda o tempo inteiro, cansaço, falta de hábito com a nova rotina e por aí ia.
contratei uma faxineira semanal pra me ajudar.
mas todo dia, antes dela chegar em casa, eu arrumava tudo, lavava a louça, a roupa, deixava tudo já no esquema só pra ela finalizar o serviço. “é pra não sobrecarregá-la. senão ela nunca mais volta aqui em casa”, dizia eu.

mas me acostumei à nova rotina com bebê. ele cresceu um pouco, parou de me solicitar tanto, passou a dormir por mais tempo, começou a me permitir fazer pequenas tarefas. mas eu sempre deixava elas para depois. “agora é hora de um pouquinho de lazer”.

e a casa foi ficando cada vez mais desordenada.
comecei a me sentir péssima. “a casa é a dramatização da minha vida. se minha casa está arrumada, é porque minha vida está boa. se minha casa está bagunçada, é porque minha vida está um completo caos”.
não faço ideia de onde eu tirei isso, mas era um pensamento que pululava na minha mente dia e noite.
não procurei ajuda profissional, mas creio que comecei a entrar em um processo de depressão por causa disso.

então resolvi ceder e arrumei uma diarista que vinha 3 vezes por semana e me ajudava com tudo na casa, inclusive com o filho.
surtei. era como se aquele fosse o meu atestado de incompetência.
ela permaneceu nesse esquema comigo por alguns meses e depois voltou a trabalhar apenas 1 vez por semana.
fiquei muuito mais aliviada (e meu bolso também, porque foi um sacrifício no meu orçamento mantê-la conosco).

pensam que passei a me organizar melhor?
não. aprendi a conviver com algumas coisas.
claro que tento manter a ordem e a higiene dentro de condições aceitáveis, mas aprendi a deixar os pratos sujos na pia, alguns brinquedos espalhados pela casa ao longo do dia e talvez recolhê-los apenas quando o pequeno já está a dormir.

já invejei algumas mães que trabalham.
já me invejei no passado.
já tentei criar não uma, mas várias rotinas diferentes para conseguir conciliar tudo.
mas é uma questão de lógica, física e um pouco de matemática.
há muito mais fatores bagunçadeiros para tirar a ordem da casa que apenas essa uma pessoa para reordenar todo o resto.
empregada é algo fora de cogitação. e agora falo em termos financeiros mesmo.

e minha mente parece que funciona de um jeito estranho. os pensamentos nunca são alinhados. parece uma enorme teia de aranha, onde uma coisa puxa a outra e daqui a pouco eu já estou completamente emaranhada nas minhas próprias ideias, o que não me permite parar por muito tempo e me concentrar em uma única tarefa.

se cresci ouvindo e achando que o único e melhor jeito de se viver era numa casa perfeitamente limpa e arrumada, hoje aprendi a encontrar paz – e até uma certa beleza – no meio do caos.

mas confesso que, no fundo, no fundo, eu ainda me sinto um tanto incomodada.

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17 de setembro

perdão, padre, eu pequei

por luíza diener

{texto que escrevi originalmente para o blog confessionáriodo bebe.com.br}

 

– perdão, padre, eu pequei. faz um tempo que eu não me confesso.
– diga, minha filha.
– confesso que sempre que vejo outras mães, elas parecem tão perfeitas… acho que eu tenho algum problema.
– prossiga.
– elas são super mulheres: trabalham, cuidam dos filhos, do marido, da casa. por um lado eu as invejo. eu não dou conta nem da metade.
– inveja é um dos pecados capitais, minha filha. 7 pai nossos e 7 ave marias.
– mas, padre, eu sou relaxada com os afazeres domésticos. minha casa mesmo vive de pernas para o ar. às vezes eu levo uma semana para limpá-la, isso quando eu não deixo tudo acumular para o dia em que a faxineira vai. também relaxei da aparência. ai, padre, se o senhor visse como anda minha depilação.. a perna tá cabeluda, o sovaco tá cabeludo, até a minha xox..
– entendo! isso é preguiça, minha jovem. vou aumentar sua penitência para 15 pai noss..
– e o marido! como eu brigo com ele! todo dia é uma discussão besta: “você não lavou a louça” “esqueceu de passar o fio dental no filho” “roubou meu lençol durante a noite” “deixou a garrafa de água vazia dentro da geladeira!”. pareço um poço sem fundo de tantas reclamações! mas veja bem, que sentido faz uma garrafa dágua sem água na geladeira? pra que eu gostaria de beber ar gelado ein, seu padre? e de que adianta escovar o dente do filho se vai continuar cheio de comida? aí depois o menino fica morrendo de dor e quem tem que levar ele pro dentista enquanto o marido trabalha? eu! quem vai ter que lavar a louça suja acumulada há dias? eu! tudo eu!
– aquietai-vos. irai-vos, mas não pequeis. pela ira que tem tomado conta do seu coração, aumentarei sua penitência para trint…
– e às vezes eu negligencio a saúde do meu filho. assim, não sei se negligenciar seria a palavra, mas já deixei de levá-lo à consulta mensal do pediatra porque não queria gastar muito dinheiro naquele mês. e, vai, ô negocinho caro isso de pediatra! eu não fiz plano de saúde também porque não queria ter mais uma despesa médica. mas todo mundo me diz: já pensou se ele precisa de internação ou algo mais sério? mas eu não quero nem pensar nisso! e não quero mais gastar tanto dinheiro. não sei quem foi que disse que nos primeiros anos filho gasta pouco. onde? só se for no meio do mato, pra viver de caça, pesca e agricultura de subsistência, né?
– avareza.
– relaxa, que eu pequei, padre, mas não precisa esperar por todos os sete pecados não, tá?
– ufa!
– porque tem um deles que eu nem sei em qual categoria se encaixaria.
– ai, minha nossa senhora! o que é agora?
– às vezes eu acho que posso adestrar meu filho. assim, no bom sentido. mas às vezes, quando ele fica bonzinho eu dou um biscoitinho e faço um afago. funciona tão bem! na rua ele se comporta que é uma beleza! fica horas sentado no cadeirão do restaurante ou no carrinho de bebê. mas se acaba a comida, vira um monstrinho. isso é pecado, papito?
– depende, ele já sabe latir?
– não muito. ele só late pro nosso cachorro. mas tem outra coisa: eu tenho um grande vício.
– vício?
– sim, em jogos.
– jogos de azar não agradam a deus, minha moça.
– mas não é de azar. é de sorte, muita sorte. eu adoro jogar esses joguinhos de simulação online. a gente pode ser quem quiser. ter casa na praia, no campo, apartamento, jacuzzi, iate, loft. dá pra ser prefeito de uma grande cidade ou mesmo um pequeno fazendeiro. já fui mafiosa, assassina em série, padeira, namorada de mim mesma. até pinguim eu já fui. e é tão legal..
– cuidado, minha filha, você está entrando em caminhos muito obscuros. além do vício, esses jogos são uma fuga da realidade. sem falar nas horas gastas na frente do computador.
– só computador, não. dá pra jogar no celular também.
– hmmm…
– e aí, padre? fala alguma coisa! qual será a minha penitência? existe perdão para os meus pecados?
– é difícil dizer minha filha. acho que lugar para você só no inferno das mães.
– e como é isso??
– pense em um fraldário.
– e isso é ruim?
– um fraldário apertado, cheio de mães querendo trocar seus filhos enfezados, mas com apenas um trocador disponível. você tenta amamentá-lo para que acalme mas não consegue, porque seu peito está empedrado e seu bico rachado. todos os bebês choram ao mesmo tempo. e o ar condicionado quebrou. nesse calor lindo que tem feito ultimamente. o último lencinho umedecido acabou e a torneira do fraldário está quebrada. pra completar, seu bebê regurgita pra todo lado e você não levou muda de roupa pra ele.nem pra você. as mães não param de dar palpite e fazer comparações: “seu filho está com refluxo! precisa dar remédio e comprar uma mamadeira especial” “não, você precisa fazer uma shantala e abraçá-lo com força. ele só precisa do apego materno” “tsc, tsc! mães de primeira viagem” “ô, mãezinha, vem aqui! você foi mãe tão novinha que não sabe o que fazer” “ih! no meu tempo não tinha nada disso e as crianças nunca morreram. amarra ele assim com esse pedaço de juta e folha de bananeira, coloca uma linha na testa e sopra no pé dele ao mesmo tempo enquanto bate palminha com as costas da mão” “buáaa buáaaa buáaaaaa mãmãmãmã unhéeeee unhéééééé´unhéééééééééé´!!”

– amor? amor?
– padre?
– que padre? sou eu, amor, seu marido, oi!
– ué! eu sou a mulher do padre?
– acorda, amor, acho que você teve um pesadelo.
– então foi só um sonho? cadê o nosso filho? já trocou a fralda dele?
– não, meu amor, tá no meio da noite. ele tá dormindo limpinho no quartinho dele.
– vou lá ver.

e nesse momento eu entro no quarto e encontro a criatura mais dócil e feliz do mundo, dormindo em um sono profundo. me debruço sobre a sua cama para dar-lhe um beijinho.
ele abre os olhos, sorri, passa a mão no meu rosto e volta a dormir.

– filho, me perdoa. a mamãe é cheia de erros e está muito longe de ser perfeita. mas você pode ter certeza que eu te amo muito, muito, muito e sempre vou me esforçar para ser uma mãe melhor.

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24 de agosto

toalha xadrez = piquenique

por hilan diener

sempre quando via cenas de piquenique nos filmes ou nos desenhos animados, além da comida e da locação campestre, lá estava ela, sempre presente: a toalha xadrez.

por muito tempo participei de piqueniques que eu não os considerava como tais só por que não havia a bendita toalha. ahh… e também aquela cestinha de vime. na minha cabeça, se não tem essas duas coisas, não passa de um lanchinho ao ar livre. acho que eu vi muito desenho do zé cólmeia, sei lá.

até o dia em que conheci a luíza. e descobri alguém que leva as regras do piquenique ao extremo. sim, ela tem uma tolha xadrez e sim, ela tem a cestinha de vime idêntica à dos desenhos! lembro, na primeira vez que fizemos um piquenique, o tanto que fiquei feliz quando vi aquela cestinha. parecia mesmo que a qualquer momento uma dupla de ursos falantes viria roubar nossa comida.

então já viu, né? quando o desafio royal dessa semana nos prôs fazer um piquenique, já sabíamos o que fazer.
visto que o aniversário do benjoca estava próximo, resolvemos unir o útil ao agradável e transformar isso numa micro-festinha para dez pessoas – crionças incluídas.

fomos ao mercado e nos abastecemos com o necessário.
na hora de preparar as coisas, contamos com a ajuda dos próprios convidados.

espetinho de frutas, sanduichinhos doces e salgados, sucos naturais e um bolinho esperto sem glúten e sem lactose para, na hora do parabéns, nosso quase-aniversariante poder deliciar-se com todo mundo.

para o local, escolhemos o parque da cidade, um local super tradicional de brasília.
um lugar com mesas e churasqueiras, bastante amplo, com muito verde e tranquilo à beça para curtir com a família.
vamos comer!

*este texto faz parte do desafio “100 Coisas para fazer com seus filhos antes que eles cresçam”, proposto pela Royal, do qual eu estou participando às sextas-feiras ao longo de 20 semanas. Também estão participando os blogs @avidaquer @blogcoisademae  @dica_de_mae @rolippi e @cozinhapequena e a fanpage da Gelatina Royal que nos convidou para brincar!


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