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23 de abril

morar em casa

por luíza diener

casinha

“quero morar em uma casa com quintal e jardim.”
“ah, casa dá trabalho demais!”

essa é a resposta que costumo ouvir de 89,7%  das pessoas com quem compartilho esse sonho, segundo uma estatística que acabei de inventar.
sou brasiliense e, em brasília, morar em casa é um luxo para poucos. pelo menos aqui, no coração da cidade, onde tudo acontece. para que isso seja possível você precisa ter dinheiro, muito dinheiro. ou ser do tipo que dirige quilômetros e mais quilômetros diariamente (acompanhado de um trânsito nada legal) no percurso casa-trabalho, casa-supermercado, casa-escola, casa-civilização.

penso em morar em casa como um acréscimo à qualidade de vida mas, se for pra pagar o preço horas-dentro-dum-transporte, talvez o melhor seja mesmo morar em apartamento.
cresci com esse desejo intenso e constante de morar em uma casa.
pra não dizer que nunca fui tive tal privilégio, morei em uma casinha dos sonhos no alto dum morro em gramado/rio grande do sul quando tinha entre 2 e 4 anos. era dessas casas cercadas de mato (essa da foto acima), onde pra chegar no vizinho mais próximo você precisa andar um bocado. nosso vizinhos eram os pinheiros e as araucárias, que nos davam pinhões para assarmos na lareira, as lebres selvagens que moravam na “floresta”, sapos, lagartas, aranhas, vaga lumes, uma simpática vaquinha que nos visitava frequentemente e uma ou outra cobra ousada que já apareceu no nosso jardim.
de lá extraio excelentes memórias de infância e alimento essa vontade louca de largar todas as facilidades e comodidades de um apartamento seguro pra me aventurar em uma habitação cercada de natureza, nem que seja ela – a princípio – composta somente por grama esmeralda e plantas ornamentais.

jardim_gramado

toda vez que vou com os pequenos a alguma casa e posso desfrutar de alguns momentos por lá, com eles correndo soltos, sinto um aperto no coração por criá-los em um lugar tão espremido.
na nossa mais recente viagem à bahia eu pude desfrutar de sete dias não apenas de praia (meu maior sonho de todos), mas de um quintal só pra gente, além de ser uma casa num condomínio seguro. aqueles dias trouxeram não apenas liberdade e diversão pros pequenos, mas paz pro meu espírito. eu vivo numa paranoia meio exagerada. de, quando estou na rua, achar que a qualquer momento pode vir alguém e roubar meus filhos, que eles podem ir pra rua e serem atropelados. meio que eu não confio em ninguém que eu não conheça, sabe? tento relaxar, tento ficar longe das notícias bizarras, mas é cada história absurda que a gente ouve que é difícil não se contaminar com isso tudo.
enquanto isso, no condomínio baiano, lá estava constança se arrastando pelo chão da casa enquanto benjamin recolhia as folhas secas do quintal, juntava todas na lixeira, regava as plantas, fazia a coleta seletiva (meu deus, ele ama essa brincadeira, vai entender!), ia pro portão pra ver o lixeiro passar. e mais: abria o portão e ia lá fora atrás do lixeiro, enquanto eu continuava no quintal com sansa. se eu fiquei com medo dele ir pra rua? não, ele não atravessa se não der a mão pra um adulto. se achei que alguém poderia roubar ele? de maneira alguma. meu espírito relaxou e esse foi meu maior presente de férias. sem contar com o lance do barulho. morar em apartamento tem dessas. qualquer passinho, qualquer grito, qualquer corridinha dentro do apartamento reflete em barulho pro vizinho. e olha, eu tenho desses filhos que acordam 6h da manhã já botando pra quebrar. às vezes bem mais cedo que isso.

por ter morado confinada em apê 93% da minha vida (e essa é uma estatística real), já me acostumei com algumas regras básicas de convivência, como não ouvir música alta, não usar liquidificador, aspirador de pó e outros aparelhos barulhentos muito cedo ou muito tarde, não andar de salto alto dentro do apartamento e por aí vai. isso já está internalizado e não faço o menor esforço pra viver assim. só que, ao experimentar a vivência dentro (e especialmente fora) de uma casa, eu percebo o tanto que vivo amarrada e travada. metade das minhas brigas com o benjamin são “fala baixo” “não pula” “não corre”, tudo em função do ambiente em que vivemos. isso quando eu não tento botar a constança pra dormir sem sucesso, porque qualquer espirro que o irmão dá, acorda a menina.
sair pra ir ali no parquinho é uma saga: tem que esperar os dois acordarem da soneca, eles têm que ter comido ou preciso levar uma comida, água, colocar uma roupa, calçar um sapato. colocar constança no carrinho ou sling, levar uma mantinha caso esfrie e mais uma série de coisas. sair de casa sempre me toma tempo e, adivinhe, estressa.

mas se eu tivesse um jardim… ah, se eu tivesse um quintal!
eu diria: “vai brincar lá fora enquanto eu faço o almoço” e ele cataria pedras para fazer uma muralha, colheria flores para enfeitar a casa, subiria na árvore, cataria paus e jogaria eles longe. é muita energia contida nesse menino e eu acho ele muito pequeno pra viver estressado por falta de atividade. por mais que ele vá à escola, por mais que eu tente descer com ele todos os dias (o que nem sempre tem sido possível), é diferente e nós sabemos disso.
em poucos meses constança aprenderá a andar e aí ela também poderia se beneficiar disso tudo. chega de banhos de sol dentro de um carrinho. chega de passear com ela só porque ela ficou entediada de olhar pra todos os lados e ver chão, paredes e teto. a bichinha começa a ficar nervosa, gritar, mas é só pisar fora daqui que um sorriso enorme se abre e ela fica boazinha, boazinha.

isso sem falar em outra grande e gigantesca realização da vida: ter pomar e horta. esse seria um sonho a longo prazo, eu sei. mas como eu queria ter ali no quintal um pé de laranja lima (sim), de limão, tangerina, amora, pitanga, goiaba, acerola, mamão, manga. de repente até macieira, pereira, bananeira e outras eiras que surgissem.
uma hortinha simples com tomate, alface, rúcula, temperinhos diversos como manjericão, hortelã, alecrim. eles serviriam para temperar a comida, para afastar os insetos, para perfumar a casa. e, por falar em perfume, dama da noite e jasmin bem perto do portão, aquele portão baixinho que dá pra ver a rua.

querem ouvir mais dos meus sonhos? o balancinho. tipo aquele da foto ali em cima, onde eu balanço minha irmã. meu pai fez com um pedaço de madeira e corda, amarrou na árvore e pronto. a gente brincava muito lá. hoje em dia não consigo olhar pra essa foto e não pensar em benjoca sentado e sansa balançando (ou vice versa).
casa na árvore? é dream extreme. não conheço nenhuma criança ou adulto que nunca tenha sonhado com isso.
secar a roupa no sol, ao ar livre. ó que coisa linda!
e a cachorrada, né? queria um canil grande pro tov e outros amiguinhos. com certeza queria ter mais cachorros, muito mais. mais um buldogue francês, mas também cachorro grande. queria um dogo argentino, queria um monte de vira latas. queria crianças e cachorros correndo pra cá e pra lá o dia inteiro. toda vez que vou a uma casa com quintal fico pensando “queria que o tov estivesse aqui” e morro de dó dele. aliás, é dele que eu sinto mais dó, porque ele é o maior prisioneiro da casa, tadinho.

mas claro que nem tudo são sonhos. eu teria muito trabalho pra cuidar do jardim, pra manter a grama aparada e verde, pra cuidar da horta e do pomar, especialmente porque quero eles sem agrotóxicos. limpar casa dá mil vezes mais trabalho que apertamento, uma casa requer uma manutenção muito mais absurda e por aí vai. mas gente, tudo na vida dá trabalho. quer trabalho maior que ter filhos? é o trabalho mais difícil do mundo, mas é diferente quando a gente faz com prazer e alegria. é recompensador.
eu cheguei num momento meio claustrofóbico da minha vida. eu adoro a vida urbana, sonho em viver de forma cosmopolita também, mas essa minha fase tá clamando por um jardim, um quintal e muito mato.

não, eu não dependo de nada disso pra ser feliz. estou muito feliz assim, desse jeitinho. mas cara, sonhar faz um bem enorme pro coração. eu escrevo essas palavras com o coração a mil e às vezes os olhos enchem de lágrimas só de pensar na possibilidade de realizar esse sonho. sonho esse que eu torço sempre pra que um dia se torne realidade, assim como muitos outros que compartilhei aqui antes de ter filhos e quatro, cinco anos depois estou aqui, vivendo eles e muito grata por tudo.

e se você sonha comigo e quer pirar o cabeção também, visite esse blog que eu descobri recentemente. um dia vocês vão me ver em situação semelhante. anotem!
um dia, gente, um dia.

ps: se você mora numa cidadela simpática com um custo de vida baixo, onde há muitas casas com jardim (alguma disponível para forasteiros) ou conhece alguém em situação semelhante, me mande um email no potencialgestante@gmail.com. beijinho.

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17 de janeiro

10 dicas para organizar um chá de bebê

por luíza diener

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quem nunca foi a um chá de bebê? ou, antes mesmo de engravidar, sonhou com o dia em que faria o chá do seu próprio bebezinho?
eu sim. muito. várias vezes.
não acho que o chá seja algo totalmente imprescindível, mas acredito que seja um momento muito importante e gostoso que passamos com as pessoas que querem bem a nós e ao nosso bebê.

muitas mães ficam ansiosas com este evento, especialmente quando ele é deixado para cima da hora, em uma fase da gestação onde já se está um pouco cansada, devido ao peso da barriga.
por isso, o melhor é planejar-se com antecedência. considero ideal começar a pensar na festa ainda no segundo trimestre, que é quando a gente ainda tem disposição e curte fazer essas coisas.
para isso, é bom ter em mente alguns pontos:

1) defina os convidados
quantos serão? quem serão os convidados?
todo bom evento começa com uma lista de convidados. por isso, o importante é ter em mente quem chamar e quantas pessoas chamar.
há quem chame somente mulheres para o evento. há quem prefira chamar todo mundo.
hoje em dia as duas opções são bastante comuns.
fale com o pai da criança, pergunte se ele pretende estar presente. há homens que odeiam esse tipo de evento. outros, querem fazer parte de tudo. o ideal é conversar e entrar em um acordo.

2) defina a data e horário
quando fazer o chá fica muito a critério da gestante, mas a família e amigos próximos acabam influenciando também.
há grávidas que fazem bem no finalzinho mesmo, lá pra umas 35 semanas.
eu recomendaria entre 30 e 34 semanas, porque a gente já está bem grávida, mas ainda tem alguma energia e disposição para fazer as coisas.
não sei vocês, mas o finzinho da gestação suga todas as minhas energias, por isso acho bem bom fazer perto da 30ª semana.
definido o melhor dia (não se apegue a ele totalmente), converse com os parentes próximos, amigos e pessoas que você deseja que estejam presentes. de repente algum deles estará ausente da cidade ou tem algum evento difícil de desmarcar. por ser uma data especial, é bom que todos possam comparecer.

e a que horas fazer?
chá da tarde? café da manhã? brunch? almoço? ou um evento à noite?
qual é o momento do dia em que você, grávida, se sente melhor? como imagina o seu chá de bebê? num dia radiante? numa noite aconchegante?
e o que é mais prático?
geralmente um sábado ou domingo à tarde costumam ser bem acessíveis para a maioria dos convidados, mas nada impede que você faça durante a semana. à noite, por exemplo. mas lembre-se que muitos trabalham o dia inteiro – você, provavelmente – e eventos à noite costumam ser mais cansativos, além de ser mais difícil de organizá-los na correria da semana.

3) defina o local
tendo dia, hora e quantidade de convidados em mente, fica muito mais fácil definir onde fazer.
lugares fechados são mais fáceis de organizar, por não ter que se preocupar com chuva, frio, iluminação, etc.
mas nada te impede de fazer em um local ao ar livre, que sempre fica bonito e agradável.
em épocas menos chuvosas, por exemplo, dá pra arriscar a sorte.
e onde fazer? na casa da mamãe, no salão de festas do prédio, na churrasqueira do clube, numa área aberta de um parque ou o que mais a sua imaginação permitir.
às vezes há convidados/amigos que costumam oferecer suas casas para eventos assim. se tiver intimidade com uma delas e achar a ideia boa, não tenha vergonha de aceitar.
mas se preferir (e o orçamento permitir), você pode alugar um salão de eventos.
muitos prédios residenciais oferecem locais bons e bem estruturados por um precinho camarada.

4) chá de bebê ou chá de fraldas? é deselegante pedir presentes?
o que é melhor? um chá só de fraldas? ou posso pedir outras coisas para o enxoval do bebê?
devo colocar um papelzinho no convite especificando o que desejo ganhar? não é feio pedir presente em chá?
essa é uma questão delicada e que varia muito de pessoa para pessoa.
vai depender de quem são seus convidados e de como você se sente em relação a eles.
uma coisa é você chamar uma colega do trabalho do marido com quem quase não fala e colocar uma notinha “trazer 1 pacote de fralda xxx hipercara tamanho jumbo, 1 prato de salgado e 1 refri” e outra é quando a avó, por exemplo, faz questão de presentear o netinho/netinha que está para chegar e ajudar a organizar o evento.
presente nunca deve ser uma obrigação.
por outro lado, é cada vez mais comum pedir presentes em qualquer tipo de chá (de bebê, de panela, de lingerie, etc).
eu, pessoalmente, não vejo problema ne-nhum e não me sinto de maneira alguma ofendida por receber um convite em que o presente está especificado. na verdade, acho até melhor, porque – pra mim – o melhor presente que alguém pode dar é o que a pessoa quer/precisa ganhar.

se optar por ser apenas chá de fraldas e for colocar no convite o que quer que cada convidado leve, ok. sempre é bom ter um pouco de fralda RN, mas não extrapole. é melhor pedir algumas fraldas P, mais fraldas M e G e, talvez, GG. benjamin, por exemplo, desfraldou ainda usando fraldas G.
se quiser fazer um chá de bebê com produtos gerais para o enxoval, dê uma olhada em tudo que você já tem, para não ganhar repetido e ofereça sempre a opção de presentes baratinhos e fáceis de achar.
há também lojas especializadas em produtos para bebê que possuem uma infinidade de coisas, desde cotonetes, tesourinha de unha, passando por banheirinhas com suporte até berços completos.
em algumas dessas lojas você faz uma lista com os produtos que gostaria de ganhar e o convidado opta por qual presente levar.
você pode colocar o nome da loja no convite ou pode nem falar nada. aí, se alguém te perguntar se há alguma lista de presentes para o bebê, você indica a loja. assim ninguém sente-se obrigado a comprar em um lugar específico.
o bom da lista em loja é que facilita pra quem não sabe o que comprar (e onde comprar) e, se você ganhar algo repetido, pode trocar. isso é uma mão na roda para a gestante.

outra questão que às vezes surge é: devo pedir que tragam a comida?
novamente, isso vai depender dos seus convidados e da sua situação de vida.
há quem ache um absurdo ter que levar presente + comida para o chá.
mais uma vez, acho que isso varia de acordo com a relação gestante-convidados.
a depender da sua situação financeira, uma boa sugestão é você oferecer os doces e os convidados levarem os salgados, bebidas, etc.

pra mim é sempre uma honra poder ajudar e presentear os outros. mas, claro, se eu não tiver condições de comprar alguma coisa, também não vou deixar de comparecer ao evento por conta disso.

o importante é celebrar junto esse momento tão especial, que é a expectativa da chegada do bebê.
por isso, converse com alguém que você tenha um pouco mais de intimidade e peça ajuda nessa questão.

5) hora da decoração!
depois de tantos detalhes para definir, é hora da parte mais gostosa: deixar a festa linda, com a cara de vocês!
muitas vezes é difícil ter uma ideia de tema. alguns inspiram-se no quartinho que já está sendo montado (ou pronto) para o bebê. outros, na cor predominante do enxoval. há quem recorra a figuras ou personagens que remetam ao bebê ou mesmo à infância do pais.
não importa a fonte de inspiração, bem como não faz diferença se você tem um orçamento pequeno para criar a festa. o legal é fazer isso com carinho.
a internet está cheia de ótimas ideias para que você mesma possa criar a festinha de forma criativa e com baixo custo. nessas horas, juntar amigas, irmãs e pessoas que você gosta de estar perto – com alguma habilidade manual, de preferência – vira um momento muito gostoso de encontro e compartilhamento.
uma das coisas que mais gosto de preparar festinhas que costumo chamar de “colaborativas” é isso: vira quase uma terapia (:

6) convites
tendo definidos dia, hora, local, tipo de festa, se vai ou não haver lista de presentes e qual cara a festinha vai ter, é hora de convidar as pessoas!
se os convidados forem mais antenados virtualmente, você pode enviar o convite a eles por email, criar um evento no facebook, um grupo no what’s app ou algo do tipo.
mas como sempre tem aqueles que não acessam a internet com tanta frequência ou que usam celular só pra fazer e receber ligações (alô alô, maridão!) dá para fazer os clássicos convites de papel.
não precisa se preocupar em pagar por alguém que o faça – a não ser que você realmente queira – ou mandar imprimir em um local especializado. se forem poucos convites, você pode fazê-los à mão. ou criar algo simples no computador e imprimir em casa mesmo. na internet mesmo você encontra diversos modelos de convite.

8) lembrancinhas
como o próprio nome já diz, é para ser apenas uma lembrança. para que, mesmo após o evento, quem esteve presente possa recordar-se desse dia.
no chá do benjamin nós fizemos – literalmente – um chá de bebê. foi ideia minha e do marido. ele fez a arte, nós montamos o convitinho e isso divertiu os convidados também.

uma sugestão em conta são ímãs para geladeira, saquinhos com docinhos, etc.
você pode até brincar de polaroid: tirar fotos com quem lá estiver e imprimir na hora, para que eles levem para casa.
mais uma vez, pai google e redes sociais (pinterest anda super em alta) estão aí para te dar muita inspiração.

9) registre o momento
depois de tantos preparativos, deixe que eles permaneçam na memória.
por isso não deixe de fotografar o evento. peça a uma amiga cuidadosa, um irmão antenado. se conhecer algum fotógrafo bacana, também vale.
o importante é que o momento não passe em branco, até porque na correria do evento a gente perde muita coisa.
para os mais conectados, dá pra criar um álbum no facebook compartilhado com os convidados e ir subindo e marcando as fotos em tempo real.
ou mesmo colocar as fotos no instagram e usar uma hashtag especial para o evento.
não esqueça de tirar muitas fotos do barrigão e com aqueles que você ama. de preferência, faça um álbum impresso depois, porque, às vezes, arquivos digitais acabam se perdendo.
vai ser ótimo poder rever tudo isso depois e, futuramente, mostrar pra seu filho ou filha essa festança toda e o quanto ele era querido bem antes de nascer.
além do mais, as fotos do chá podem servir de inspiração para futuras mamães e até mesmo se você planeja ter outros filhos, caso deseje fazer outro chá lá pra frente.

10) prepare com carinho, mas cuidado para não extrapolar!
faça somente aquilo que estiver ao seu alcance.
muitas grávidas ficam muito sensíveis durante a gravidez e algumas até precisam entrar em repouso durante a reta final.por isso, não cobre-se mais que o necessário!
aprenda também a aceitar a ajuda de outras pessoas, mesmo que elas não façam exatamente como você gostaria.
o importante é que esse momento seja vivido com muita alegria!

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26 de julho

num mundo de delicadezas

por luíza diener

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já devo ter mencionado anteriormente, mas passei as últimas três semanas da gestação de repouso.
ou pelo menos tentando repousar (quando se tem criança em casa, quem dá conta?).

por ser realmente mais complicado fazê-lo com um filho pequeno a tiracolo, havia dias que eu sentia vontade de sumir. entrar num mundo só meu, onde não existisse louça para lavar, casa para limpar, cachorro pra passear, filho pra cuidar. foi difícil, porque eu sentia-me extremamente cansada, mas a vida não parou pra me ver descansar. então só me restava chorar, chorar, até acalmar a alma.

mais difícil que isso foi ter que aprender a pedir ajuda. o medo de ouvir não era grande. o medo de incomodar alguém, ainda maior. mas, se não falasse, como iriam adivinhar que eu estava precisando?

e, claro, para a minha surpresa, eu estava enganada. algumas pessoas extremamente queridas dispuseram-se a me ajudar. vizinhos, amigos, parentes. por orgulho besta (e às vezes preguiça), não aceitei toda ajuda oferecida, mas fiquei muito grata àqueles que o fizeram de coração.

tudo o que fizeram por nós, por menor que tenha parecido, foi enorme para mim.

uma amiga fofa demais revelou-se amigona do peito quando abriu a casa para, semanalmente, irmos benjoca e eu passar o dia com ela e as filhas. o benjamin brincava com as meninas pela manhã, almoçávamos todos juntos, eles tomavam banho (juntos também. uma graça) e dormiam. e aí sobrava tempo pras duas comadres tagarelarem por uma horinha ou duas e ainda comerem um docinho. foi uma delícia e espero que, quando chegar a vez dela, eu possa retribuir tudo e mais pouco.

outra amiga volta e meia dava um pulo aqui em casa depois do trabalho. o mais lindo era ver que ela não vinha só para me encontrar. era pra ver eu E o benjoca. se ela passasse numa hora que ele estivesse dormindo, depois cobrava o abraço de urso apertado que somente joca sabe dar.

até minha irmã e mãe, que estão sempre ocupadas com seus respectivos trabalhos, nas últimas semanas caçaram tempo em suas

agendas e vieram ou nos visitar ou levar o benjamin para passear com elas e dar um tempinho para hilan e eu descansarmos (até ensaiamos ir ao cinema, mesmo que o programa tenha furado por falta de planejamento prévio).

lembro-me de um dia em particular em que minha mãe não foi trabalhar de manhã para poder acompanhar-me numa consulta médica e na ecografia. foi uma manhã extremamente desgastante. tudo parecia dar errado. até machucar o meu pé eu consegui (uma ferida que demorou semanas para cicatrizar). à tarde eu estava com minhas forças completamente exauridas, mas não conseguia parar de agradecer à minha mãe por ter me acompanhado naquela manhã difícil, mas necessária.

para balancear o dia, meu padrasto – esposo de mamãe – inventou um programa para fazer com o benjoca: passear de metrô. foram andando até a estação de metrô, de lá foram para o shopping, deram uma voltinha e retornaram à casa. durou a tarde inteira. enquanto isso eu fiquei de pernas pro ar na casa deles. nem lembro o que eu fiz – provavelmente dormi – mas sei que foi ótimo e tudo que deu errado naquela manhã, deu certo naquela tarde. graças a eles.

as poucas semanas finais da gravidez pareceram arrastar-se, mas logo nossa pequena constança chegou, trazendo muito mais amor e alegria para o nosso lar. e desordem. não, não foi ela que trouxe a desordem, mas o foco mudou completamente e deixamos de priorizar algumas coisas dentro de casa.

desta vez foi surpreendente o tanto de ajuda que começou a surgir sem nem ao menos pensarmos nela. minha mãe tirou uma semana de férias e encheu minha casa de provisões: sopas, comidas, saladas (as saladas não paravam de chegar). vinha aqui em casa, dava atenção pro joca, fazia festa com o tov, trocava fralda suja da sansa. lavou uma louça quilométrica que estava acumulada, mas também mandou uma faxineira aqui pra casa uma vez por semana, por três semanas consecutivas. quer mãezona melhor?

aliás, nós e a louça. a louça e nós. motivo de tantas brigas matrimoniais, alívio constante quando ela é pouca ou nenhuma dentro da pia.

eu só fiquei sabendo dias ou semanas depois, mas a enfermeira que acompanhou meu parto lavou um pouco da minha louça no dia da chegada da pequena. se eu soubesse disso, teria dado-lhe aquele abraço de urso do benjoca.

não só nela, mas em todas as pessoas amadas que estiveram comigo naquele dia. parecia que eu estava imersa numa atmosfera constante de amor.

uma amiga – a mesma que abriu a casa semanalmente para nós – passou na portaria do meu prédio e deixou um escondidinho de frango feito por ela mesma (sem glúten e sem leite, pra agradar a família toda), um pacote de biscoito especial pro benjoca e o melhor bolo de cenoura com chocolate que já comi na vida.

outra, quando veio conhecer a pequena, trouxe presente para todos (eu disse to-dos) da casa: roupinha pra sansa, um kit todo especial pro joca, uns agradinhos pra mamãe aqui… até no hilan ela pensou. e nem o tov ficou de fora nessa história.

uma terceira ofereceu-nos um jantar especial na nossa casa: ela e o marido se auto-encarregaram de trazer toda a comida, servir, lavar a louça e deixar nossa casa impecável ao saírem.

presentinhos que chegam a torto e a direito não apenas pra pequena, mas pro grandalhão também. emails carinhosos, lindas palavras no facebook. telefonemas carregados de emoção.

cada um encontrou seu modo de viver conosco essa alegria de trazer mais uma pessoinha a este mundo.

a pequena constança nasceu justamente num tempo em que o nosso país encontra-se inconformado e revoltoso. em uma época em que o amor do mundo parece ter se esfriado, cada um fechado em sua própria redoma de egoísmo e hedonismo. mas esses pequenos grandes gestos estão aí para provar o contrário: ela já chegou cercada de delicadezas e pessoas que só desejam o seu bem.

esses são apenas alguns exemplos de coisas que fizeram e tem feito por nós. elas enchem-me de gratidão dia após dia e completam minha felicidade. fazem com que eu sinta que nossa família é extremamente amada – às vezes por pessoas que mal conhecemos.

sinto todo esse amor chegar e tento transmiti-lo de volta a todo instante, mesmo que eu tenha uma certa dificuldade em fazê-lo.

resta valer-me das palavras – que com elas eu consigo me expressar melhor – para agradecer de coração a todos nos tem enviado carinho, cada um à sua maneira.

obrigada!

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27 de dezembro

natalzinho em família

por luíza diener

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este ano tivemos nosso primeiro natal em mini família. por mini família, entendam a família primária: mãe, pai, filhos, cachorro.

desta vez cada um de nossos pais, irmãos, etc, tinha um compromisso num canto, então decidimos fazer nosso próprio natal.

confesso que fiquei triste porque eu adoro natais grandes com primos, tios, avós, filhos e netos. aquela barulheira, todo mundo comendo farofa e falando ao mesmo tempo. o natal da minha família é realmente muito alegre, festivo e farto (e graças a deus ninguém enche a cara e fica maluco).
mas por outro lado fiquei feliz porque sempre quis fazer um evento só nosso, mas sempre tínhamos outros compromissos familiares.

então tá bom. vou fazer a ceia toda sozinha. o que preparar que meu estômago enjoado de grávida aguente (cozinhar e digerir), o benjamin possa comer sem fazer mal e ao mesmo tempo agrade o paladar do marido?
optei, então, por um bacalhau. não é algo totalmente simples, mas também não é nada muito complexo (nunca havia feito um bacalhau, então foi um tiro no escuro). salada, arroz especial e, claro, frutas de natal!

planejar o cardápio do natal e pensar numa decoraçãozinha me deixou realmente animada.
com dias de antecedência lá estava eu no mercado comprando tudo. a grande frustração foi não ter encontrado mais nada de decoração natalina em mercado algum (e eu estava com preguiça de procurar em outro lugar), então a decoração resumiu-se a uma toalha de mesa de natal, uma plantinha – que eu também considero natalina – e duas velinhas.

visto que não fazia ideia de como preparar um bacalhau, corri à minha avó, de tradicionalíssima família portuguesa.
mentira. corri pro google e aprendi tudo que precisava: como tirar o sal, o melhor jeito de preparar. vi inúmeras receitas de bacalhau (nem sabia que existia tanta variedade. achei que era ou bacalhau no forno, ou bolinho de bacalhau), favoritei umas 6 e, a partir delas, criei a minha própria.

os preparativos para a ceia de natal resumiram-se a 3 dias de dessalgue de um bacalhau, um dia de antecedência para deixar arrumada a cozinha (que está sempre assim) e mais de 6 horas enfurnada dentro de uma cozinha até que tudo ficasse pronto. enquanto isso o marido arrumava o resto da casa, pra ficar no mínimo apresentável.

no final, o cardápio ficou:
- pra beliscar enquanto a comida não chega, nozes, damascos secos, cerejas e lichias (porque phyness é meu sobrenome);
- para beber, suco de uva branca porque, pelo visto, o vinho vai ter que esperar alguns natais;
- salada de folhas verdes, lentilha, pera e gorgonzola;
- arroz ao champanhe e amêndoas (mentira. eu usei espumante no lugar de champanhe);
- bacalhau ao forno aromatizado com alecrim e batatas ao vinho branco (que eu batizei de bacalhau viennoise, não me pergunte por que);
- rabanada com sorvete de creme e cookies (pro benjoca, maçã seca, cerejas e damascos).
(escrevendo assim, meu natal soa hiper chique! ui!)

mas os preparativos pro natal não se resumiram apenas à ceia. preparar o coração do benjoca foi muito mais gostoso e isso durou bem um mês. todos os dias nós líamos historinhas sobre o nascimento de jesus, cantávamos músicas, reencenávamos a história com os brinquedos dele.
não sou contra a figura do papai noel, mas não sou a favor de alimentar a fantasia da existência dele. por isso, ao invés de focar nele, dei foco pra o que, para nós, realmente importa: o verdadeiro significado do natal.
estivemos em família, celebramos a chegada do nosso salvador e nos alegramos muito com isso.

claro que nem tudo são flores. foi extremamente cansativo para mim preparar tudo isso e, na hora da ceia, eu surtei porque o marido não tinha colocado os guardanapos na mesa (ahahahha!).
mas no fim deu tudo certo. comemos até morrer (menos o benjoca que, apesar da empolgação para comer o bacalhau, ficou só no arroz, cereja, suco e damascos a noite inteira), fomos dormir e trocamos os presentes só no dia seguinte. e aí, no dia seguinte, foi a vez de encontrar a família maior, comer o que sobrou da ceia, cantar músicas e, aí sim, dar uma descansadinha.
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25 de setembro

minha casa é uma bagunça. e eu não ligo mais (tanto) pra isso.

por luíza diener

muitas pessoas que acompanham o blog me perguntam: “luíza, como você consegue manter uma casa, um filho e um blog?”
já adianto-lhes a resposta: eu não consigo.

cresci em uma casa arrumada.
tudo estava sempre muito limpo. louça nunca parava suja na pia por mais de um dia.
cresci numa casa com empregada, mas minha mãe sempre insistia em falar que ela nos criou sozinha.
ouvia sempre minha mãe criticando a desordem e a sujeira, sempre acompanhado de um “que horror”.
cresci achando que casa feliz era casa limpinha e arrumada.
afinal, se às vezes ela chorava porque nosso quarto estava uma bagunça, então desordem deveria ser sinônimo de infelicidade.

casei. por 2 anos consegui manter viva a utopia da casa impecável.
todos os dias eu a limpava. limpava, não. faxinava de cima abaixo. tomei gosto pela coisa.
então virei dona de casa full time.
quando meu marido chegava do trabalho a sala exalava um agradável aroma floral e a cozinha cheirava a bolo ou pão assado recentemente.
as roupas sempre limpas e passadas. desde o pijama até as toalhas e roupas de cama.
eu me achava a dona de casa perfeita.

mas passou o gosto da novidade. eu quis voltar a trabalhar. e, quando voltei, senti saudades de ser dona de casa outra vez. mas não o fiz. continuei trabalhando e minha casa começou a virar um pequeno caos.
engravidei e ainda assim trabalhei até 2 dias antes do meu pequeno nascer.
e foi aí que decidi parar tudo para ficar com meu filho.

mal sabia eu que o pesadelo apenas iria começar.
não o de ser mãe, mas o de estar condenada a viver eternamente em meio à desordem.
sempre havia um motivo para eu não arrumar a casa: recém nascido que só mama e quer ficar no colo, menino que acorda o tempo inteiro, cansaço, falta de hábito com a nova rotina e por aí ia.
contratei uma faxineira semanal pra me ajudar.
mas todo dia, antes dela chegar em casa, eu arrumava tudo, lavava a louça, a roupa, deixava tudo já no esquema só pra ela finalizar o serviço. “é pra não sobrecarregá-la. senão ela nunca mais volta aqui em casa”, dizia eu.

mas me acostumei à nova rotina com bebê. ele cresceu um pouco, parou de me solicitar tanto, passou a dormir por mais tempo, começou a me permitir fazer pequenas tarefas. mas eu sempre deixava elas para depois. “agora é hora de um pouquinho de lazer”.

e a casa foi ficando cada vez mais desordenada.
comecei a me sentir péssima. “a casa é a dramatização da minha vida. se minha casa está arrumada, é porque minha vida está boa. se minha casa está bagunçada, é porque minha vida está um completo caos”.
não faço ideia de onde eu tirei isso, mas era um pensamento que pululava na minha mente dia e noite.
não procurei ajuda profissional, mas creio que comecei a entrar em um processo de depressão por causa disso.

então resolvi ceder e arrumei uma diarista que vinha 3 vezes por semana e me ajudava com tudo na casa, inclusive com o filho.
surtei. era como se aquele fosse o meu atestado de incompetência.
ela permaneceu nesse esquema comigo por alguns meses e depois voltou a trabalhar apenas 1 vez por semana.
fiquei muuito mais aliviada (e meu bolso também, porque foi um sacrifício no meu orçamento mantê-la conosco).

pensam que passei a me organizar melhor?
não. aprendi a conviver com algumas coisas.
claro que tento manter a ordem e a higiene dentro de condições aceitáveis, mas aprendi a deixar os pratos sujos na pia, alguns brinquedos espalhados pela casa ao longo do dia e talvez recolhê-los apenas quando o pequeno já está a dormir.

já invejei algumas mães que trabalham.
já me invejei no passado.
já tentei criar não uma, mas várias rotinas diferentes para conseguir conciliar tudo.
mas é uma questão de lógica, física e um pouco de matemática.
há muito mais fatores bagunçadeiros para tirar a ordem da casa que apenas essa uma pessoa para reordenar todo o resto.
empregada é algo fora de cogitação. e agora falo em termos financeiros mesmo.

e minha mente parece que funciona de um jeito estranho. os pensamentos nunca são alinhados. parece uma enorme teia de aranha, onde uma coisa puxa a outra e daqui a pouco eu já estou completamente emaranhada nas minhas próprias ideias, o que não me permite parar por muito tempo e me concentrar em uma única tarefa.

se cresci ouvindo e achando que o único e melhor jeito de se viver era numa casa perfeitamente limpa e arrumada, hoje aprendi a encontrar paz – e até uma certa beleza – no meio do caos.

mas confesso que, no fundo, no fundo, eu ainda me sinto um tanto incomodada.

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17 de setembro

perdão, padre, eu pequei

por luíza diener

{texto que escrevi originalmente para o blog confessionáriodo bebe.com.br}

 

- perdão, padre, eu pequei. faz um tempo que eu não me confesso.
- diga, minha filha.
- confesso que sempre que vejo outras mães, elas parecem tão perfeitas… acho que eu tenho algum problema.
- prossiga.
- elas são super mulheres: trabalham, cuidam dos filhos, do marido, da casa. por um lado eu as invejo. eu não dou conta nem da metade.
- inveja é um dos pecados capitais, minha filha. 7 pai nossos e 7 ave marias.
- mas, padre, eu sou relaxada com os afazeres domésticos. minha casa mesmo vive de pernas para o ar. às vezes eu levo uma semana para limpá-la, isso quando eu não deixo tudo acumular para o dia em que a faxineira vai. também relaxei da aparência. ai, padre, se o senhor visse como anda minha depilação.. a perna tá cabeluda, o sovaco tá cabeludo, até a minha xox..
- entendo! isso é preguiça, minha jovem. vou aumentar sua penitência para 15 pai noss..
- e o marido! como eu brigo com ele! todo dia é uma discussão besta: “você não lavou a louça” “esqueceu de passar o fio dental no filho” “roubou meu lençol durante a noite” “deixou a garrafa de água vazia dentro da geladeira!”. pareço um poço sem fundo de tantas reclamações! mas veja bem, que sentido faz uma garrafa dágua sem água na geladeira? pra que eu gostaria de beber ar gelado ein, seu padre? e de que adianta escovar o dente do filho se vai continuar cheio de comida? aí depois o menino fica morrendo de dor e quem tem que levar ele pro dentista enquanto o marido trabalha? eu! quem vai ter que lavar a louça suja acumulada há dias? eu! tudo eu!
- aquietai-vos. irai-vos, mas não pequeis. pela ira que tem tomado conta do seu coração, aumentarei sua penitência para trint…
- e às vezes eu negligencio a saúde do meu filho. assim, não sei se negligenciar seria a palavra, mas já deixei de levá-lo à consulta mensal do pediatra porque não queria gastar muito dinheiro naquele mês. e, vai, ô negocinho caro isso de pediatra! eu não fiz plano de saúde também porque não queria ter mais uma despesa médica. mas todo mundo me diz: já pensou se ele precisa de internação ou algo mais sério? mas eu não quero nem pensar nisso! e não quero mais gastar tanto dinheiro. não sei quem foi que disse que nos primeiros anos filho gasta pouco. onde? só se for no meio do mato, pra viver de caça, pesca e agricultura de subsistência, né?
- avareza.
- relaxa, que eu pequei, padre, mas não precisa esperar por todos os sete pecados não, tá?
- ufa!
- porque tem um deles que eu nem sei em qual categoria se encaixaria.
- ai, minha nossa senhora! o que é agora?
- às vezes eu acho que posso adestrar meu filho. assim, no bom sentido. mas às vezes, quando ele fica bonzinho eu dou um biscoitinho e faço um afago. funciona tão bem! na rua ele se comporta que é uma beleza! fica horas sentado no cadeirão do restaurante ou no carrinho de bebê. mas se acaba a comida, vira um monstrinho. isso é pecado, papito?
- depende, ele já sabe latir?
- não muito. ele só late pro nosso cachorro. mas tem outra coisa: eu tenho um grande vício.
- vício?
- sim, em jogos.
- jogos de azar não agradam a deus, minha moça.
- mas não é de azar. é de sorte, muita sorte. eu adoro jogar esses joguinhos de simulação online. a gente pode ser quem quiser. ter casa na praia, no campo, apartamento, jacuzzi, iate, loft. dá pra ser prefeito de uma grande cidade ou mesmo um pequeno fazendeiro. já fui mafiosa, assassina em série, padeira, namorada de mim mesma. até pinguim eu já fui. e é tão legal..
- cuidado, minha filha, você está entrando em caminhos muito obscuros. além do vício, esses jogos são uma fuga da realidade. sem falar nas horas gastas na frente do computador.
- só computador, não. dá pra jogar no celular também.
- hmmm…
- e aí, padre? fala alguma coisa! qual será a minha penitência? existe perdão para os meus pecados?
- é difícil dizer minha filha. acho que lugar para você só no inferno das mães.
- e como é isso??
- pense em um fraldário.
- e isso é ruim?
- um fraldário apertado, cheio de mães querendo trocar seus filhos enfezados, mas com apenas um trocador disponível. você tenta amamentá-lo para que acalme mas não consegue, porque seu peito está empedrado e seu bico rachado. todos os bebês choram ao mesmo tempo. e o ar condicionado quebrou. nesse calor lindo que tem feito ultimamente. o último lencinho umedecido acabou e a torneira do fraldário está quebrada. pra completar, seu bebê regurgita pra todo lado e você não levou muda de roupa pra ele.nem pra você. as mães não param de dar palpite e fazer comparações: “seu filho está com refluxo! precisa dar remédio e comprar uma mamadeira especial” “não, você precisa fazer uma shantala e abraçá-lo com força. ele só precisa do apego materno” “tsc, tsc! mães de primeira viagem” “ô, mãezinha, vem aqui! você foi mãe tão novinha que não sabe o que fazer” “ih! no meu tempo não tinha nada disso e as crianças nunca morreram. amarra ele assim com esse pedaço de juta e folha de bananeira, coloca uma linha na testa e sopra no pé dele ao mesmo tempo enquanto bate palminha com as costas da mão” “buáaa buáaaa buáaaaaa mãmãmãmã unhéeeee unhéééééé´unhéééééééééé´!!”

- amor? amor?
- padre?
- que padre? sou eu, amor, seu marido, oi!
- ué! eu sou a mulher do padre?
- acorda, amor, acho que você teve um pesadelo.
- então foi só um sonho? cadê o nosso filho? já trocou a fralda dele?
- não, meu amor, tá no meio da noite. ele tá dormindo limpinho no quartinho dele.
- vou lá ver.

e nesse momento eu entro no quarto e encontro a criatura mais dócil e feliz do mundo, dormindo em um sono profundo. me debruço sobre a sua cama para dar-lhe um beijinho.
ele abre os olhos, sorri, passa a mão no meu rosto e volta a dormir.

- filho, me perdoa. a mamãe é cheia de erros e está muito longe de ser perfeita. mas você pode ter certeza que eu te amo muito, muito, muito e sempre vou me esforçar para ser uma mãe melhor.

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24 de agosto

toalha xadrez = piquenique

por hilan diener

sempre quando via cenas de piquenique nos filmes ou nos desenhos animados, além da comida e da locação campestre, lá estava ela, sempre presente: a toalha xadrez.

por muito tempo participei de piqueniques que eu não os considerava como tais só por que não havia a bendita toalha. ahh… e também aquela cestinha de vime. na minha cabeça, se não tem essas duas coisas, não passa de um lanchinho ao ar livre. acho que eu vi muito desenho do zé cólmeia, sei lá.

até o dia em que conheci a luíza. e descobri alguém que leva as regras do piquenique ao extremo. sim, ela tem uma tolha xadrez e sim, ela tem a cestinha de vime idêntica à dos desenhos! lembro, na primeira vez que fizemos um piquenique, o tanto que fiquei feliz quando vi aquela cestinha. parecia mesmo que a qualquer momento uma dupla de ursos falantes viria roubar nossa comida.

então já viu, né? quando o desafio royal dessa semana nos prôs fazer um piquenique, já sabíamos o que fazer.
visto que o aniversário do benjoca estava próximo, resolvemos unir o útil ao agradável e transformar isso numa micro-festinha para dez pessoas – crionças incluídas.

fomos ao mercado e nos abastecemos com o necessário.
na hora de preparar as coisas, contamos com a ajuda dos próprios convidados.

espetinho de frutas, sanduichinhos doces e salgados, sucos naturais e um bolinho esperto sem glúten e sem lactose para, na hora do parabéns, nosso quase-aniversariante poder deliciar-se com todo mundo.

para o local, escolhemos o parque da cidade, um local super tradicional de brasília.
um lugar com mesas e churasqueiras, bastante amplo, com muito verde e tranquilo à beça para curtir com a família.
vamos comer!

*este texto faz parte do desafio “100 Coisas para fazer com seus filhos antes que eles cresçam”, proposto pela Royal, do qual eu estou participando às sextas-feiras ao longo de 20 semanas. Também estão participando os blogs @avidaquer @blogcoisademae  @dica_de_mae @rolippi e @cozinhapequena e a fanpage da Gelatina Royal que nos convidou para brincar!


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31 de julho

viajei sem meu filho. rá.

por luíza diener

“olá, luíza. quinta feira acontecerá um evento exclusivo para blogueiras e fazemos questão de sua presença. você teria disponibilidade de vir para são paulo na data do evento?”

li o email e achei graça. afinal, direto me chamam pra eventos em são paulo, mas esquecem (ou nem se dão ao trabalho de saber) que eu moro em brasília.
até brinquei: “já que sou tão indispensável teria como vocês custearem minha ida?”
no que ela responde: “a ideia é essa mesmo”.
eu só respondi “legal”, mas por dentro era assim que eu estava me sentindo:

perguntei se eu precisava levar o benjamin e ela disse: “ele será muito bem vindo”.
você não está entendendo. eu quero saber se eu preciso mesmo levá-lo, no que ela diz que tudo bem.
posso ir sem ele.

comecei a sonhar, mirabolar, pensar em todas as possibilidades.
sozinha. sem filho. sem marido. viajando por causa do meu trabalho.
todas as despesas pagas.
ok que não é nenhuma ida a nova iorque, mas eu não precisei pedir o voto de ninguém.
estou simplesmente indo. coisa linda.
me senti adulta. me senti reconhecida.

mas ainda faltava uma semana.

nesse meio tempo ela me manda um email confirmando passagem de ida e volta + reserva do hotel.
agora é pra valer.

chega o dia. no lugar de uma mala gigantesca, uma singela mochila.
a mesma que frequentemente eu carrego lotada de fraldas, roupas, comidas e coisas pro pequeno passar apenas uma tarde fora de casa, desta vez com duas blusas, uma necessárie (ou duas) e coisas básicas como carteira, óculos e aparelhos eletrônicos.

deixo pra avisar pra ele que vou viajar apenas quando se aproximar a hora de ir embora.
tudo no esquema. ele vai ficar em casa. meio período com o avô e o resto com o pai.
aí eu explico: filho, hoje quem vai trabalhar é a mamãe. eu vou viajar.
engasgo e sinto um nó na garganta. minha voz trava. dá vontade de chorar.
prossigo: vou entrar num avião e vuuuuuuushhh! voar pra são paulo.
olhos cheios dágua. para!

eu estou indo rumo à minha liberdade de um dia só. não era pra me sentir assim.
mas né? como evitar?
então eu recupero o fôlego, firmo a voz e concluo: a mamãe vai viajar hoje. você vai dormir com o papai. mas amanhã eu volto.
não!
ok. ele fala não pra tudo.
mas vamos que vamos.
ele encrenca um pouco na hora de ir embora, mas nada demais.
tchau, meu amor! tchau, prinz.

entro no táxi e começa aquela sensação que eu sempre tive quando viajo sozinha: o mundo é meu e ninguém pode me parar.
“pro aeroporto”.
quando chegamos eu dou o dinheiro e digo o que sempre quis falar:
“fique com o troco” (de 1 real).
faço check in eletrônico. nada fila preferencial ou tralhas mil para despachar e medo de estar no limite do peso da bagagem.
sem carrinho pra empurrar nem filho pra emburrar.
as seis últimas vezes que eu viajei de avião foram eu sozinha com o benjoca e, apesar de natural, foi apavorante.
naturalmente apavorante, como costuma ser sempre que estou com ele em situações diferentes das cotidianas.

a primeira coisa que eu faço: compro um chocolate ao leite e um alfajor. mas também comprei um sem lactose pra quando eu voltar à dieta (a saber, no dia seguinte).
o chocolate não foi tão delicioso quanto eu imaginei.
talvez eu não tenha dado sorte. ou talvez eu tenha perdido o gosto pela coisa. vai saber.
mas mesmo assim tive alegrias múltiplas ao comer o alfajor dentro do avião que atrasou uma hora em terra.

por conta do atraso do voo, cheguei quase na hora do evento.
no desembarque tinha um chofer (acho chique) segurando uma placa com meu nome.
fiquei procurando minha limusine, mas não achei. mas era um baita dum carro. e eu fiquei me achando.
a agência que me trouxe para o evento pagaria inclusive minhas despesas alimentares, mas eu só tive tempo de passar no drive-thru do mc donald’s, o que pra mim já estava ótimo.
afinal eu matei minha vontade suprema de comer nuggets e casquinha de baunilha. essa sim, deliciosa:

cheguei um pouco atrasada para o evento e fiquei surpresa ao ouvir de uma das organizadoras que eles me esperariam para começar de qualquer maneira, caso tivesse me atrasado ainda mais.

havia mais ou menos quinze blogueiras. o espaço era muito legal e tinha até um lugar especial para as crianças brincarem, com monitores tomando conta.
uma mesa cheia de comidinhas – como todo bom evento – mas dessa vez não dei bola nem morri por não poder comer boa parte das coisas.

era um evento para promover uma nova fralda da pampers.
encontrei duas meninas do mamatraca que estavam lá e já havia conhecido na última viagem a são paulo: a ro lippi (nossa também co-worker na ação da royal) e a pri perlatti e também socializei com algumas outras.
mas gente, eu fico muito tímida nessas situações.
não sei o que fazer, onde colocar a mão. se fico no meu canto e passo por antissocial ou se forço amizade e deixo as pessoas com cara de “quem é essa guria?”.
tanto que acabei optando pela segunda alternativa cara de pau e não deu muito efeito. mas depois veio uma delas falar comigo pelo facebook (acho) e falou: ah! agora eu te reconheci! valeu.
toda aquela reclamação e antipatia que eu tenho pela maioria das agências que vêm pedir divulgação gratuita caiu por terra com o pessoal da pampers.
fui tratada a pão de ló, água, refrigerante, sorvete, avião e hotel.
a organização do evento foi impecável.
saí de lá com uma bolsa bacana abarrotada de fraldas (tipo aqueles kits que eles dão em programa de auditório e, quando pequenas, a gente sempre sonha em ganhar).
e o melhor é que a fralda em questão já foi testada pelo benjoca e é realmente muito boa. renderá um post à parte no facebook.

na volta o chofer (vou continuar chamando assim, com finesse) perguntou se eu queria que ele me levasse a algum outro lugar antes de ir para o hotel. minha cabeça fervilhou de oportunidades. pensei em museu, cinema, balada, até barzinho passou pela minha cabeça.
mas eu queria mesmo era ir pro meu quarto. sozinha. com frigobar, ar condicionado e um chuveiro só pra mim.
sem pelos de cachorro, sem brinquedos traiçoeiros no chão, sem precisar me preocupar com organização, horário, rotina e ficar ansiosa por ganhar o mundo quando finalmente o pequeno (e o grande) dorme.

três horas de pernas pro ar. um pouco de internet, um pouco de tv, uma andada pelos arredores do hotel, um banho demorado e não consegui fazer nada direito.
fui visitar uma antiga amiga que morava ali perto. foi bem bacana. soou natural, como se eu sempre estivesse por ali.

aliás, é esse o sentimento que eu tenho em são paulo. de pertencimento.
como se fosse parte da minha vida de alguma forma. talvez na infância (que não foi lá), talvez num futuro desconhecido.

na manhã seguinte, café da manhã do hotel. a-mo. mais iguarias contendo leite de vaca e eu nem precisei me importar.
meus peitos estavam enormes.

sim, a amamentação. preciso falar dela.
antes de sair de brasília eu amamentei bastante, esvaziei os dois seios.
quando cheguei no fim do dia no hotel elas -minhas tetas – estavam ok (o benjamin costuma mamar de manhã, à tarde e à noite. então eu pulei apenas uma mamada). mesmo assim dei uma ordenhada antes de sair.
e pela primeira vez eu consegui fazer isso direito.
descobri que ordenhar (adoro essa palavra e como ela me faz me sentir uma eterna vaca leiteira) com o peito vazio é infinitas vezes mais fácil que com ele empedrado, mesmo com todas as técnicas de massagens e bla bla blas.
mas no dia seguinte eles estavam turbinados e siliconados. ligeiramente assimétricos, como um verdadeiro par de tetas deve ser.
(e foi nessa viagem que eu descobri que minha mama esquerda está quase seca há muito tempo, mas eu não percebia).

e como ficou a amamentação dele lá?
não ficou. eu não deixei leite meu pra ele.
ele se alimenta bem, mesmo que de uma forma bastante seletiva.
comprei leite de arroz e deixei pra ele beber na noite de quinta e na manhã de sexta. à noite, morninho, depois da janta.
de manhã, batido com frutas.
mas o marido não encontrou o leite debaixo do nariz dele dentro da geladeira e ficou por isso mesmo.
um dia apenas. ele não morreu de inanição. afinal, tem quase 2 anos.
mas se ele tivesse uns 6 ou 10 meses (ou um pouco mais, ou muito menos), eu não teria viajado sem meu pequeno. jamé.

só me permiti fazer isso porque a viagem era curta, porque ele já está grandinho e entende boa parte das coisas que a gente fala pra ele e porque eu estava num estado de estresse tão grande que vi nessa viagem a oportunidade ideal pra tirar uma micro férias do papel de mãe, esposa e dona de casa.

não deu pra descansar, não deu pra fazer nenhum programaço e – confesso – não deu pra sentir saudades monstras.
como disse, fiquei com o coração partido na hora de despedir. mas depois que o fiz, beijinho beijinho e tchau tchau.

dormi como uma pedra, feliz da vida. viajei tranquila, comprei um livro.
gente, comprei um livro!
claro que não li ele todo, visto que a espertinha aqui só achou o livro que queria – as crônicas de gelo e fogo – na viagem de volta.
estava tão eufórica para lê-lo e ao mesmo tempo tão dda feelings que não consegui ler mais de 33 páginas. e o livro tem um pouquinho menos de 600. só.
mas um dia eu termino.

só que quando eu voltei, ganhei uma nova versão do filho. uma mistura de carrapato com pitbull. um híbrido de panda com leão.
um bezerro onça.
ele ficou grudento, mamento, choroso, raivoso, engraçado, fofo. tudo junto.

vibrou com a minha volta. dançou, riu, brincou, se alegrou. pediu pra mamar, passou a tarde bonzinho que só.
mas à noite acordou choroso, chamando pela mamãe. e desde então grudou em mim. voltou a acordar à noite – pelo menos duas vezes – e está dando vários chiliques.
claro que juntam outros fatores como as birras que ele já estava dando, a falta da chupeta e a presença dos primos na cidade que deixa ele muito feliz, mas demasiado eufórico e enlouquecido.
e só hoje estamos começando a voltar à rotina habitual, na esperança de restabelecer o equilíbrio da casa.

enfim, foi uma viagem ao mesmo tempo mágica e libertadora, mas por outro lado meio vaga.

talvez se eu tivesse passado uma semana completamente sozinha a coisa teria sido diferente.

talvez eu teria me sentido sozinha, me revirasse na cama à noite à procura do pé quentinho do marido ou acordando com barulhos imaginários de bebês chorando. talvez tivesse passado mal com tanto leite de vaca ou cairia em desespero após 1oo horas de solidão.

ou talvez eu tivesse terminado de ler meu livro do george martin e comprado o segundo (ou terceiroquartoquinto) volume da série, conhecido alguns spas da cidade, visitado os museus que eu nunca mais consegui ir depois do nascimento do benjoca, visto todos os filmes em cartaz no cinema, reencontrado mais amigos, engordado uns 5 quilos, ficado por dentro de toda a programação da tv por assinatura do hotel, encontrado um emprego pro marido e apartamento pra alugar e ligaria pra ele pedindo pra vir com o joca pra cidade de uma vez por todas.

talvez.

mas foi ótimo como foi. e necessário.

tipo um home alone 2.
só que num hotel.
só que em são paulo.
longe do natal.
e sem o macaulay culkin.

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26 de julho

ajudando a mamãe

por luíza diener

benjoca é um ajudador nas tarefas domésticas. um fofo.

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04 de maio

sobre o medo da entrega total

por luíza diener

{desabafo de uma mãe de primeira viagem (eu) sobre seu filho que demandava atenção plena e integral nos primeiros meses de vida}

até hoje sofro com minhas contradições maternais. ou melhor, com minhas contradições por ser maternal.

literaturas instruem e estragam.
será a ignorância uma benção ou uma maldição?

antes de engravidar eu lia muito sobre gravidez, bebês, criancas e idealizei muitas coisas maravilhosas: queria um parto natural, fraldas de pano, bebe no sling e cama compartilhada. queria toda essa maravilhosidade da maternidade natureba que lê-se por aí.

entao o bebê foi gerado, parido, nascido e agora deparo-me com contradições diárias. a chupeta contra a qual eu lutava entrou pra rotina e, falando nisso, a tal rotina veio não sei se pra me ajudar ou estragar tudo de vez. tentei voltar para a livre demanda mas fiquei com medo de “estragar” meu filho com tanto peito e colo.

sabe como eu queria mesmo criar o benjamin? grudado em mim o dia inteiro, ora no peito, ora no sling e na hora de dormir, juntinho comigo na cama (como fazemos em algumas manhãs).
lendo sobre cama compartilhada vi os benefícios que isso traz à auto-estima da criança, aos hormônios de ambos e à criação de laços afetivos, mas se ele dorme na nossa cama, quem não dorme somos nós.
li sobre as chupetas e que a quantidade de malefícios supera e muito os benefícios da mardita.
li sobre tudo de bom que é amamentar em livre demanda, mas eu sofro com ela porque não consigo mais nem almoçar em paz. ou melhor, não consigo mais almoçar nada.

aí me dizem o que eu mesma sempre disse: siga sua intuição.
pra falar a verdade eu sei BEM o que a minha intuição está me dizendo, mas eu tenho medo. medo de criar um filho totalmente dependente de mim, medo do que os outros vão dizer, medo de ter um filho mimado ou sei lá do que mais tenho medo.

mas no fundo no fundo, acho que é medo de me apaixonar mais ainda por esse pequeno bichinho de goiaba. de ficar totalmente entregue às suas vontades.
isso porque eu sempre quis ter o controle de tudo. e viver às custas dos filhos é perder totalmente o domínio da situação.

as pessoas são cheias de traumas e muitas vezes (quase sempre) te aconselham baseadas em suas próprias experiências de vida. não que elas queiram ver seu mal, ao contrário: muitas vezes querem evitar que você passe pelo mesmo sofrimento delas.

pessoas que passaram pelo divórcio geralmente te aconselharão a ter sua vida paralela, a não se doar por inteiro para, no caso de seu casamento não dar certo, você não ficar completamente desnorteado.
quem não conseguiu alcançar a tal carreira almejada por falta de instrução vai te aconselhar a estudar, fazer faculdade, especialização, concurso público e o escambau pra você nunca ficar sem emprego.
pais que sofreram por terem doado-se ao máximo por seus filhos sem nunca receberem o reconhecimento devido te ensinarão que os filhos um dia irão deixar seu ninho, os pais ficarão sozinhos e sua vida há de continuar.
e daí por diante.

de fato, todos os conselhos acima são super válidos e legítimos dentro da vivência e equilíbrio de cada um, mas não precisam necessariamente fazer parte da minha ou da sua vida.
afinal, cadum cadum, né?

mas por outro lado fico imaginando se eu conseguirei conciliar esta idealização com o o estilo real de vida que levo. sera possível?

* * *

hoje, 1 ano e 5 meses depois de ter escrito este post, voltei para reler este texto e tirá-lo do rascunho.

pra quem quer saber o final da novela, a cama compartilhada nunca deu certo aqui em casa, a rotina da encantadora de bebês foi exorcizada de nossas vidas com louvor, a chupeta continua até hoje, bem como a amamentação em livre demanda, que tornou-se o sucesso da casa, especialmente no primeiro ano de vida (aliás, estou digitando com uma mão só porque neste exato momento o pequeno está a mamar).

segui minha intuição com força e acredito que deu certo pra gente aqui em casa.

aos poucos eu pude voltar a almoçar (especialmente depois que ele começou a comer) e hoje já somos cheios de truques e malabarismos para conseguir fazer muitas coisas com ele por perto.

ao contrário do que pregam os militantes contra a livre demanda e o colo full time, ele não ficou mal acostumado.
claro que o benjoca é muito afeiçoado a mim e eu não vejo demérito nenhum nisso. pelo contrário.

mas ele é um menino muito alegre e independente e está cada vez mais difícil arrancar dele um abraço ou um beijo.
ou seja, eu aproveitei muuuuuito o tempo do grude grude, dei todo o colo, beijo e carinho que ele precisava.
mas agora ele já entrou na fase de querer descobrir o mundo com seus próprios olhos.

eu continuarei a persegui-lo para arrancar dele beijos e colos até o dia em que me der netos (aí eu corro atrás dos netos, deixo eles mal acostumados - e brigo com minha nora).

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