
este ano tivemos nosso primeiro natal em mini família. por mini família, entendam a família primária: mãe, pai, filhos, cachorro.
desta vez cada um de nossos pais, irmãos, etc, tinha um compromisso num canto, então decidimos fazer nosso próprio natal.
confesso que fiquei triste porque eu adoro natais grandes com primos, tios, avós, filhos e netos. aquela barulheira, todo mundo comendo farofa e falando ao mesmo tempo. o natal da minha família é realmente muito alegre, festivo e farto (e graças a deus ninguém enche a cara e fica maluco).
mas por outro lado fiquei feliz porque sempre quis fazer um evento só nosso, mas sempre tínhamos outros compromissos familiares.
então tá bom. vou fazer a ceia toda sozinha. o que preparar que meu estômago enjoado de grávida aguente (cozinhar e digerir), o benjamin possa comer sem fazer mal e ao mesmo tempo agrade o paladar do marido?
optei, então, por um bacalhau. não é algo totalmente simples, mas também não é nada muito complexo (nunca havia feito um bacalhau, então foi um tiro no escuro). salada, arroz especial e, claro, frutas de natal!
planejar o cardápio do natal e pensar numa decoraçãozinha me deixou realmente animada.
com dias de antecedência lá estava eu no mercado comprando tudo. a grande frustração foi não ter encontrado mais nada de decoração natalina em mercado algum (e eu estava com preguiça de procurar em outro lugar), então a decoração resumiu-se a uma toalha de mesa de natal, uma plantinha – que eu também considero natalina – e duas velinhas.
visto que não fazia ideia de como preparar um bacalhau, corri à minha avó, de tradicionalíssima família portuguesa.
mentira. corri pro google e aprendi tudo que precisava: como tirar o sal, o melhor jeito de preparar. vi inúmeras receitas de bacalhau (nem sabia que existia tanta variedade. achei que era ou bacalhau no forno, ou bolinho de bacalhau), favoritei umas 6 e, a partir delas, criei a minha própria.
os preparativos para a ceia de natal resumiram-se a 3 dias de dessalgue de um bacalhau, um dia de antecedência para deixar arrumada a cozinha (que está sempre assim) e mais de 6 horas enfurnada dentro de uma cozinha até que tudo ficasse pronto. enquanto isso o marido arrumava o resto da casa, pra ficar no mínimo apresentável.
no final, o cardápio ficou:
- pra beliscar enquanto a comida não chega, nozes, damascos secos, cerejas e lichias (porque phyness é meu sobrenome);
- para beber, suco de uva branca porque, pelo visto, o vinho vai ter que esperar alguns natais;
- salada de folhas verdes, lentilha, pera e gorgonzola;
- arroz ao champanhe e amêndoas (mentira. eu usei espumante no lugar de champanhe);
- bacalhau ao forno aromatizado com alecrim e batatas ao vinho branco (que eu batizei de bacalhau viennoise, não me pergunte por que);
- rabanada com sorvete de creme e cookies (pro benjoca, maçã seca, cerejas e damascos).
(escrevendo assim, meu natal soa hiper chique! ui!)
mas os preparativos pro natal não se resumiram apenas à ceia. preparar o coração do benjoca foi muito mais gostoso e isso durou bem um mês. todos os dias nós líamos historinhas sobre o nascimento de jesus, cantávamos músicas, reencenávamos a história com os brinquedos dele.
não sou contra a figura do papai noel, mas não sou a favor de alimentar a fantasia da existência dele. por isso, ao invés de focar nele, dei foco pra o que, para nós, realmente importa: o verdadeiro significado do natal.
estivemos em família, celebramos a chegada do nosso salvador e nos alegramos muito com isso.
claro que nem tudo são flores. foi extremamente cansativo para mim preparar tudo isso e, na hora da ceia, eu surtei porque o marido não tinha colocado os guardanapos na mesa (ahahahha!).
mas no fim deu tudo certo. comemos até morrer (menos o benjoca que, apesar da empolgação para comer o bacalhau, ficou só no arroz, cereja, suco e damascos a noite inteira), fomos dormir e trocamos os presentes só no dia seguinte. e aí, no dia seguinte, foi a vez de encontrar a família maior, comer o que sobrou da ceia, cantar músicas e, aí sim, dar uma descansadinha.







muitas pessoas que acompanham o blog me perguntam: “luíza, como você consegue manter uma casa, um filho e um blog?”
já adianto-lhes a resposta: eu não consigo.
cresci em uma casa arrumada.
tudo estava sempre muito limpo. louça nunca parava suja na pia por mais de um dia.
cresci numa casa com empregada, mas minha mãe sempre insistia em falar que ela nos criou sozinha.
ouvia sempre minha mãe criticando a desordem e a sujeira, sempre acompanhado de um “que horror”.
cresci achando que casa feliz era casa limpinha e arrumada.
afinal, se às vezes ela chorava porque nosso quarto estava uma bagunça, então desordem deveria ser sinônimo de infelicidade.
casei. por 2 anos consegui manter viva a utopia da casa impecável.
todos os dias eu a limpava. limpava, não. faxinava de cima abaixo. tomei gosto pela coisa.
então virei dona de casa full time.
quando meu marido chegava do trabalho a sala exalava um agradável aroma floral e a cozinha cheirava a bolo ou pão assado recentemente.
as roupas sempre limpas e passadas. desde o pijama até as toalhas e roupas de cama.
eu me achava a dona de casa perfeita.
mas passou o gosto da novidade. eu quis voltar a trabalhar. e, quando voltei, senti saudades de ser dona de casa outra vez. mas não o fiz. continuei trabalhando e minha casa começou a virar um pequeno caos.
engravidei e ainda assim trabalhei até 2 dias antes do meu pequeno nascer.
e foi aí que decidi parar tudo para ficar com meu filho.
mal sabia eu que o pesadelo apenas iria começar.
não o de ser mãe, mas o de estar condenada a viver eternamente em meio à desordem.
sempre havia um motivo para eu não arrumar a casa: recém nascido que só mama e quer ficar no colo, menino que acorda o tempo inteiro, cansaço, falta de hábito com a nova rotina e por aí ia.
contratei uma faxineira semanal pra me ajudar.
mas todo dia, antes dela chegar em casa, eu arrumava tudo, lavava a louça, a roupa, deixava tudo já no esquema só pra ela finalizar o serviço. “é pra não sobrecarregá-la. senão ela nunca mais volta aqui em casa”, dizia eu.
mas me acostumei à nova rotina com bebê. ele cresceu um pouco, parou de me solicitar tanto, passou a dormir por mais tempo, começou a me permitir fazer pequenas tarefas. mas eu sempre deixava elas para depois. “agora é hora de um pouquinho de lazer”.
e a casa foi ficando cada vez mais desordenada.
comecei a me sentir péssima. “a casa é a dramatização da minha vida. se minha casa está arrumada, é porque minha vida está boa. se minha casa está bagunçada, é porque minha vida está um completo caos”.
não faço ideia de onde eu tirei isso, mas era um pensamento que pululava na minha mente dia e noite.
não procurei ajuda profissional, mas creio que comecei a entrar em um processo de depressão por causa disso.
então resolvi ceder e arrumei uma diarista que vinha 3 vezes por semana e me ajudava com tudo na casa, inclusive com o filho.
surtei. era como se aquele fosse o meu atestado de incompetência.
ela permaneceu nesse esquema comigo por alguns meses e depois voltou a trabalhar apenas 1 vez por semana.
fiquei muuito mais aliviada (e meu bolso também, porque foi um sacrifício no meu orçamento mantê-la conosco).
pensam que passei a me organizar melhor?
não. aprendi a conviver com algumas coisas.
claro que tento manter a ordem e a higiene dentro de condições aceitáveis, mas aprendi a deixar os pratos sujos na pia, alguns brinquedos espalhados pela casa ao longo do dia e talvez recolhê-los apenas quando o pequeno já está a dormir.
já invejei algumas mães que trabalham.
já me invejei no passado.
já tentei criar não uma, mas várias rotinas diferentes para conseguir conciliar tudo.
mas é uma questão de lógica, física e um pouco de matemática.
há muito mais fatores bagunçadeiros para tirar a ordem da casa que apenas essa uma pessoa para reordenar todo o resto.
empregada é algo fora de cogitação. e agora falo em termos financeiros mesmo.
e minha mente parece que funciona de um jeito estranho. os pensamentos nunca são alinhados. parece uma enorme teia de aranha, onde uma coisa puxa a outra e daqui a pouco eu já estou completamente emaranhada nas minhas próprias ideias, o que não me permite parar por muito tempo e me concentrar em uma única tarefa.
se cresci ouvindo e achando que o único e melhor jeito de se viver era numa casa perfeitamente limpa e arrumada, hoje aprendi a encontrar paz – e até uma certa beleza – no meio do caos.
mas confesso que, no fundo, no fundo, eu ainda me sinto um tanto incomodada.

{texto que escrevi originalmente para o blog confessionário, do bebe.com.br}
- perdão, padre, eu pequei. faz um tempo que eu não me confesso.
- diga, minha filha.
- confesso que sempre que vejo outras mães, elas parecem tão perfeitas… acho que eu tenho algum problema.
- prossiga.
- elas são super mulheres: trabalham, cuidam dos filhos, do marido, da casa. por um lado eu as invejo. eu não dou conta nem da metade.
- inveja é um dos pecados capitais, minha filha. 7 pai nossos e 7 ave marias.
- mas, padre, eu sou relaxada com os afazeres domésticos. minha casa mesmo vive de pernas para o ar. às vezes eu levo uma semana para limpá-la, isso quando eu não deixo tudo acumular para o dia em que a faxineira vai. também relaxei da aparência. ai, padre, se o senhor visse como anda minha depilação.. a perna tá cabeluda, o sovaco tá cabeludo, até a minha xox..
- entendo! isso é preguiça, minha jovem. vou aumentar sua penitência para 15 pai noss..
- e o marido! como eu brigo com ele! todo dia é uma discussão besta: “você não lavou a louça” “esqueceu de passar o fio dental no filho” “roubou meu lençol durante a noite” “deixou a garrafa de água vazia dentro da geladeira!”. pareço um poço sem fundo de tantas reclamações! mas veja bem, que sentido faz uma garrafa dágua sem água na geladeira? pra que eu gostaria de beber ar gelado ein, seu padre? e de que adianta escovar o dente do filho se vai continuar cheio de comida? aí depois o menino fica morrendo de dor e quem tem que levar ele pro dentista enquanto o marido trabalha? eu! quem vai ter que lavar a louça suja acumulada há dias? eu! tudo eu!
- aquietai-vos. irai-vos, mas não pequeis. pela ira que tem tomado conta do seu coração, aumentarei sua penitência para trint…
- e às vezes eu negligencio a saúde do meu filho. assim, não sei se negligenciar seria a palavra, mas já deixei de levá-lo à consulta mensal do pediatra porque não queria gastar muito dinheiro naquele mês. e, vai, ô negocinho caro isso de pediatra! eu não fiz plano de saúde também porque não queria ter mais uma despesa médica. mas todo mundo me diz: já pensou se ele precisa de internação ou algo mais sério? mas eu não quero nem pensar nisso! e não quero mais gastar tanto dinheiro. não sei quem foi que disse que nos primeiros anos filho gasta pouco. onde? só se for no meio do mato, pra viver de caça, pesca e agricultura de subsistência, né?
- avareza.
- relaxa, que eu pequei, padre, mas não precisa esperar por todos os sete pecados não, tá?
- ufa!
- porque tem um deles que eu nem sei em qual categoria se encaixaria.
- ai, minha nossa senhora! o que é agora?
- às vezes eu acho que posso adestrar meu filho. assim, no bom sentido. mas às vezes, quando ele fica bonzinho eu dou um biscoitinho e faço um afago. funciona tão bem! na rua ele se comporta que é uma beleza! fica horas sentado no cadeirão do restaurante ou no carrinho de bebê. mas se acaba a comida, vira um monstrinho. isso é pecado, papito?
- depende, ele já sabe latir?
- não muito. ele só late pro nosso cachorro. mas tem outra coisa: eu tenho um grande vício.
- vício?
- sim, em jogos.
- jogos de azar não agradam a deus, minha moça.
- mas não é de azar. é de sorte, muita sorte. eu adoro jogar esses joguinhos de simulação online. a gente pode ser quem quiser. ter casa na praia, no campo, apartamento, jacuzzi, iate, loft. dá pra ser prefeito de uma grande cidade ou mesmo um pequeno fazendeiro. já fui mafiosa, assassina em série, padeira, namorada de mim mesma. até pinguim eu já fui. e é tão legal..
- cuidado, minha filha, você está entrando em caminhos muito obscuros. além do vício, esses jogos são uma fuga da realidade. sem falar nas horas gastas na frente do computador.
- só computador, não. dá pra jogar no celular também.
- hmmm…
- e aí, padre? fala alguma coisa! qual será a minha penitência? existe perdão para os meus pecados?
- é difícil dizer minha filha. acho que lugar para você só no inferno das mães.
- e como é isso??
- pense em um fraldário.
- e isso é ruim?
- um fraldário apertado, cheio de mães querendo trocar seus filhos enfezados, mas com apenas um trocador disponível. você tenta amamentá-lo para que acalme mas não consegue, porque seu peito está empedrado e seu bico rachado. todos os bebês choram ao mesmo tempo. e o ar condicionado quebrou. nesse calor lindo que tem feito ultimamente. o último lencinho umedecido acabou e a torneira do fraldário está quebrada. pra completar, seu bebê regurgita pra todo lado e você não levou muda de roupa pra ele.nem pra você. as mães não param de dar palpite e fazer comparações: “seu filho está com refluxo! precisa dar remédio e comprar uma mamadeira especial” “não, você precisa fazer uma shantala e abraçá-lo com força. ele só precisa do apego materno” “tsc, tsc! mães de primeira viagem” “ô, mãezinha, vem aqui! você foi mãe tão novinha que não sabe o que fazer” “ih! no meu tempo não tinha nada disso e as crianças nunca morreram. amarra ele assim com esse pedaço de juta e folha de bananeira, coloca uma linha na testa e sopra no pé dele ao mesmo tempo enquanto bate palminha com as costas da mão” “buáaa buáaaa buáaaaaa mãmãmãmã unhéeeee unhéééééé´unhéééééééééé´!!”
- amor? amor?
- padre?
- que padre? sou eu, amor, seu marido, oi!
- ué! eu sou a mulher do padre?
- acorda, amor, acho que você teve um pesadelo.
- então foi só um sonho? cadê o nosso filho? já trocou a fralda dele?
- não, meu amor, tá no meio da noite. ele tá dormindo limpinho no quartinho dele.
- vou lá ver.
e nesse momento eu entro no quarto e encontro a criatura mais dócil e feliz do mundo, dormindo em um sono profundo. me debruço sobre a sua cama para dar-lhe um beijinho.
ele abre os olhos, sorri, passa a mão no meu rosto e volta a dormir.
- filho, me perdoa. a mamãe é cheia de erros e está muito longe de ser perfeita. mas você pode ter certeza que eu te amo muito, muito, muito e sempre vou me esforçar para ser uma mãe melhor.

sempre quando via cenas de piquenique nos filmes ou nos desenhos animados, além da comida e da locação campestre, lá estava ela, sempre presente: a toalha xadrez.
por muito tempo participei de piqueniques que eu não os considerava como tais só por que não havia a bendita toalha. ahh… e também aquela cestinha de vime. na minha cabeça, se não tem essas duas coisas, não passa de um lanchinho ao ar livre. acho que eu vi muito desenho do zé cólmeia, sei lá.
até o dia em que conheci a luíza. e descobri alguém que leva as regras do piquenique ao extremo. sim, ela tem uma tolha xadrez e sim, ela tem a cestinha de vime idêntica à dos desenhos! lembro, na primeira vez que fizemos um piquenique, o tanto que fiquei feliz quando vi aquela cestinha. parecia mesmo que a qualquer momento uma dupla de ursos falantes viria roubar nossa comida.
então já viu, né? quando o desafio royal dessa semana nos prôs fazer um piquenique, já sabíamos o que fazer.
visto que o aniversário do benjoca estava próximo, resolvemos unir o útil ao agradável e transformar isso numa micro-festinha para dez pessoas – crionças incluídas.
fomos ao mercado e nos abastecemos com o necessário.
na hora de preparar as coisas, contamos com a ajuda dos próprios convidados.

espetinho de frutas, sanduichinhos doces e salgados, sucos naturais e um bolinho esperto sem glúten e sem lactose para, na hora do parabéns, nosso quase-aniversariante poder deliciar-se com todo mundo.
para o local, escolhemos o parque da cidade, um local super tradicional de brasília.
um lugar com mesas e churasqueiras, bastante amplo, com muito verde e tranquilo à beça para curtir com a família.
vamos comer!

*este texto faz parte do desafio “100 Coisas para fazer com seus filhos antes que eles cresçam”, proposto pela Royal, do qual eu estou participando às sextas-feiras ao longo de 20 semanas. Também estão participando os blogs @avidaquer @blogcoisademae @dica_de_mae @rolippi e @cozinhapequena e a fanpage da Gelatina Royal que nos convidou para brincar!
“olá, luíza. quinta feira acontecerá um evento exclusivo para blogueiras e fazemos questão de sua presença. você teria disponibilidade de vir para são paulo na data do evento?”
li o email e achei graça. afinal, direto me chamam pra eventos em são paulo, mas esquecem (ou nem se dão ao trabalho de saber) que eu moro em brasília.
até brinquei: “já que sou tão indispensável teria como vocês custearem minha ida?”
no que ela responde: “a ideia é essa mesmo”.
eu só respondi “legal”, mas por dentro era assim que eu estava me sentindo:

perguntei se eu precisava levar o benjamin e ela disse: “ele será muito bem vindo”.
você não está entendendo. eu quero saber se eu preciso mesmo levá-lo, no que ela diz que tudo bem.
posso ir sem ele.
comecei a sonhar, mirabolar, pensar em todas as possibilidades.
sozinha. sem filho. sem marido. viajando por causa do meu trabalho.
todas as despesas pagas.
ok que não é nenhuma ida a nova iorque, mas eu não precisei pedir o voto de ninguém.
estou simplesmente indo. coisa linda.
me senti adulta. me senti reconhecida.
mas ainda faltava uma semana.
nesse meio tempo ela me manda um email confirmando passagem de ida e volta + reserva do hotel.
agora é pra valer.
chega o dia. no lugar de uma mala gigantesca, uma singela mochila.
a mesma que frequentemente eu carrego lotada de fraldas, roupas, comidas e coisas pro pequeno passar apenas uma tarde fora de casa, desta vez com duas blusas, uma necessárie (ou duas) e coisas básicas como carteira, óculos e aparelhos eletrônicos.
deixo pra avisar pra ele que vou viajar apenas quando se aproximar a hora de ir embora.
tudo no esquema. ele vai ficar em casa. meio período com o avô e o resto com o pai.
aí eu explico: filho, hoje quem vai trabalhar é a mamãe. eu vou viajar.
engasgo e sinto um nó na garganta. minha voz trava. dá vontade de chorar.
prossigo: vou entrar num avião e vuuuuuuushhh! voar pra são paulo.
olhos cheios dágua. para!
eu estou indo rumo à minha liberdade de um dia só. não era pra me sentir assim.
mas né? como evitar?
então eu recupero o fôlego, firmo a voz e concluo: a mamãe vai viajar hoje. você vai dormir com o papai. mas amanhã eu volto.
não!
ok. ele fala não pra tudo.
mas vamos que vamos.
ele encrenca um pouco na hora de ir embora, mas nada demais.
tchau, meu amor! tchau, prinz.
entro no táxi e começa aquela sensação que eu sempre tive quando viajo sozinha: o mundo é meu e ninguém pode me parar.
“pro aeroporto”.
quando chegamos eu dou o dinheiro e digo o que sempre quis falar:
“fique com o troco” (de 1 real).
faço check in eletrônico. nada fila preferencial ou tralhas mil para despachar e medo de estar no limite do peso da bagagem.
sem carrinho pra empurrar nem filho pra emburrar.
as seis últimas vezes que eu viajei de avião foram eu sozinha com o benjoca e, apesar de natural, foi apavorante.
naturalmente apavorante, como costuma ser sempre que estou com ele em situações diferentes das cotidianas.
a primeira coisa que eu faço: compro um chocolate ao leite e um alfajor. mas também comprei um sem lactose pra quando eu voltar à dieta (a saber, no dia seguinte).
o chocolate não foi tão delicioso quanto eu imaginei.
talvez eu não tenha dado sorte. ou talvez eu tenha perdido o gosto pela coisa. vai saber.
mas mesmo assim tive alegrias múltiplas ao comer o alfajor dentro do avião que atrasou uma hora em terra.
por conta do atraso do voo, cheguei quase na hora do evento.
no desembarque tinha um chofer (acho chique) segurando uma placa com meu nome.
fiquei procurando minha limusine, mas não achei. mas era um baita dum carro. e eu fiquei me achando.
a agência que me trouxe para o evento pagaria inclusive minhas despesas alimentares, mas eu só tive tempo de passar no drive-thru do mc donald’s, o que pra mim já estava ótimo.
afinal eu matei minha vontade suprema de comer nuggets e casquinha de baunilha. essa sim, deliciosa:

cheguei um pouco atrasada para o evento e fiquei surpresa ao ouvir de uma das organizadoras que eles me esperariam para começar de qualquer maneira, caso tivesse me atrasado ainda mais.
havia mais ou menos quinze blogueiras. o espaço era muito legal e tinha até um lugar especial para as crianças brincarem, com monitores tomando conta.
uma mesa cheia de comidinhas – como todo bom evento – mas dessa vez não dei bola nem morri por não poder comer boa parte das coisas.

era um evento para promover uma nova fralda da pampers.
encontrei duas meninas do mamatraca que estavam lá e já havia conhecido na última viagem a são paulo: a ro lippi (nossa também co-worker na ação da royal) e a pri perlatti e também socializei com algumas outras.
mas gente, eu fico muito tímida nessas situações.
não sei o que fazer, onde colocar a mão. se fico no meu canto e passo por antissocial ou se forço amizade e deixo as pessoas com cara de “quem é essa guria?”.
tanto que acabei optando pela segunda alternativa cara de pau e não deu muito efeito. mas depois veio uma delas falar comigo pelo facebook (acho) e falou: ah! agora eu te reconheci! valeu.
toda aquela reclamação e antipatia que eu tenho pela maioria das agências que vêm pedir divulgação gratuita caiu por terra com o pessoal da pampers.
fui tratada a pão de ló, água, refrigerante, sorvete, avião e hotel.
a organização do evento foi impecável.
saí de lá com uma bolsa bacana abarrotada de fraldas (tipo aqueles kits que eles dão em programa de auditório e, quando pequenas, a gente sempre sonha em ganhar).
e o melhor é que a fralda em questão já foi testada pelo benjoca e é realmente muito boa. renderá um post à parte no facebook.
na volta o chofer (vou continuar chamando assim, com finesse) perguntou se eu queria que ele me levasse a algum outro lugar antes de ir para o hotel. minha cabeça fervilhou de oportunidades. pensei em museu, cinema, balada, até barzinho passou pela minha cabeça.
mas eu queria mesmo era ir pro meu quarto. sozinha. com frigobar, ar condicionado e um chuveiro só pra mim.
sem pelos de cachorro, sem brinquedos traiçoeiros no chão, sem precisar me preocupar com organização, horário, rotina e ficar ansiosa por ganhar o mundo quando finalmente o pequeno (e o grande) dorme.

três horas de pernas pro ar. um pouco de internet, um pouco de tv, uma andada pelos arredores do hotel, um banho demorado e não consegui fazer nada direito.
fui visitar uma antiga amiga que morava ali perto. foi bem bacana. soou natural, como se eu sempre estivesse por ali.
aliás, é esse o sentimento que eu tenho em são paulo. de pertencimento.
como se fosse parte da minha vida de alguma forma. talvez na infância (que não foi lá), talvez num futuro desconhecido.
na manhã seguinte, café da manhã do hotel. a-mo. mais iguarias contendo leite de vaca e eu nem precisei me importar.
meus peitos estavam enormes.
sim, a amamentação. preciso falar dela.
antes de sair de brasília eu amamentei bastante, esvaziei os dois seios.
quando cheguei no fim do dia no hotel elas -minhas tetas – estavam ok (o benjamin costuma mamar de manhã, à tarde e à noite. então eu pulei apenas uma mamada). mesmo assim dei uma ordenhada antes de sair.
e pela primeira vez eu consegui fazer isso direito.
descobri que ordenhar (adoro essa palavra e como ela me faz me sentir uma eterna vaca leiteira) com o peito vazio é infinitas vezes mais fácil que com ele empedrado, mesmo com todas as técnicas de massagens e bla bla blas.
mas no dia seguinte eles estavam turbinados e siliconados. ligeiramente assimétricos, como um verdadeiro par de tetas deve ser.
(e foi nessa viagem que eu descobri que minha mama esquerda está quase seca há muito tempo, mas eu não percebia).
e como ficou a amamentação dele lá?
não ficou. eu não deixei leite meu pra ele.
ele se alimenta bem, mesmo que de uma forma bastante seletiva.
comprei leite de arroz e deixei pra ele beber na noite de quinta e na manhã de sexta. à noite, morninho, depois da janta.
de manhã, batido com frutas.
mas o marido não encontrou o leite debaixo do nariz dele dentro da geladeira e ficou por isso mesmo.
um dia apenas. ele não morreu de inanição. afinal, tem quase 2 anos.
mas se ele tivesse uns 6 ou 10 meses (ou um pouco mais, ou muito menos), eu não teria viajado sem meu pequeno. jamé.
só me permiti fazer isso porque a viagem era curta, porque ele já está grandinho e entende boa parte das coisas que a gente fala pra ele e porque eu estava num estado de estresse tão grande que vi nessa viagem a oportunidade ideal pra tirar uma micro férias do papel de mãe, esposa e dona de casa.
não deu pra descansar, não deu pra fazer nenhum programaço e – confesso – não deu pra sentir saudades monstras.
como disse, fiquei com o coração partido na hora de despedir. mas depois que o fiz, beijinho beijinho e tchau tchau.
dormi como uma pedra, feliz da vida. viajei tranquila, comprei um livro.
gente, comprei um livro!
claro que não li ele todo, visto que a espertinha aqui só achou o livro que queria – as crônicas de gelo e fogo – na viagem de volta.
estava tão eufórica para lê-lo e ao mesmo tempo tão dda feelings que não consegui ler mais de 33 páginas. e o livro tem um pouquinho menos de 600. só.
mas um dia eu termino.
só que quando eu voltei, ganhei uma nova versão do filho. uma mistura de carrapato com pitbull. um híbrido de panda com leão.
um bezerro onça.
ele ficou grudento, mamento, choroso, raivoso, engraçado, fofo. tudo junto.
vibrou com a minha volta. dançou, riu, brincou, se alegrou. pediu pra mamar, passou a tarde bonzinho que só.
mas à noite acordou choroso, chamando pela mamãe. e desde então grudou em mim. voltou a acordar à noite – pelo menos duas vezes – e está dando vários chiliques.
claro que juntam outros fatores como as birras que ele já estava dando, a falta da chupeta e a presença dos primos na cidade que deixa ele muito feliz, mas demasiado eufórico e enlouquecido.
e só hoje estamos começando a voltar à rotina habitual, na esperança de restabelecer o equilíbrio da casa.
enfim, foi uma viagem ao mesmo tempo mágica e libertadora, mas por outro lado meio vaga.
talvez se eu tivesse passado uma semana completamente sozinha a coisa teria sido diferente.
talvez eu teria me sentido sozinha, me revirasse na cama à noite à procura do pé quentinho do marido ou acordando com barulhos imaginários de bebês chorando. talvez tivesse passado mal com tanto leite de vaca ou cairia em desespero após 1oo horas de solidão.
ou talvez eu tivesse terminado de ler meu livro do george martin e comprado o segundo (ou terceiroquartoquinto) volume da série, conhecido alguns spas da cidade, visitado os museus que eu nunca mais consegui ir depois do nascimento do benjoca, visto todos os filmes em cartaz no cinema, reencontrado mais amigos, engordado uns 5 quilos, ficado por dentro de toda a programação da tv por assinatura do hotel, encontrado um emprego pro marido e apartamento pra alugar e ligaria pra ele pedindo pra vir com o joca pra cidade de uma vez por todas.
talvez.
mas foi ótimo como foi. e necessário.
tipo um home alone 2.
só que num hotel.
só que em são paulo.
longe do natal.
e sem o macaulay culkin.

{desabafo de uma mãe de primeira viagem (eu) sobre seu filho que demandava atenção plena e integral nos primeiros meses de vida}
até hoje sofro com minhas contradições maternais. ou melhor, com minhas contradições por ser maternal.
literaturas instruem e estragam.
será a ignorância uma benção ou uma maldição?
antes de engravidar eu lia muito sobre gravidez, bebês, criancas e idealizei muitas coisas maravilhosas: queria um parto natural, fraldas de pano, bebe no sling e cama compartilhada. queria toda essa maravilhosidade da maternidade natureba que lê-se por aí.
entao o bebê foi gerado, parido, nascido e agora deparo-me com contradições diárias. a chupeta contra a qual eu lutava entrou pra rotina e, falando nisso, a tal rotina veio não sei se pra me ajudar ou estragar tudo de vez. tentei voltar para a livre demanda mas fiquei com medo de “estragar” meu filho com tanto peito e colo.
sabe como eu queria mesmo criar o benjamin? grudado em mim o dia inteiro, ora no peito, ora no sling e na hora de dormir, juntinho comigo na cama (como fazemos em algumas manhãs).
lendo sobre cama compartilhada vi os benefícios que isso traz à auto-estima da criança, aos hormônios de ambos e à criação de laços afetivos, mas se ele dorme na nossa cama, quem não dorme somos nós.
li sobre as chupetas e que a quantidade de malefícios supera e muito os benefícios da mardita.
li sobre tudo de bom que é amamentar em livre demanda, mas eu sofro com ela porque não consigo mais nem almoçar em paz. ou melhor, não consigo mais almoçar nada.
aí me dizem o que eu mesma sempre disse: siga sua intuição.
pra falar a verdade eu sei BEM o que a minha intuição está me dizendo, mas eu tenho medo. medo de criar um filho totalmente dependente de mim, medo do que os outros vão dizer, medo de ter um filho mimado ou sei lá do que mais tenho medo.
mas no fundo no fundo, acho que é medo de me apaixonar mais ainda por esse pequeno bichinho de goiaba. de ficar totalmente entregue às suas vontades.
isso porque eu sempre quis ter o controle de tudo. e viver às custas dos filhos é perder totalmente o domínio da situação.
as pessoas são cheias de traumas e muitas vezes (quase sempre) te aconselham baseadas em suas próprias experiências de vida. não que elas queiram ver seu mal, ao contrário: muitas vezes querem evitar que você passe pelo mesmo sofrimento delas.
pessoas que passaram pelo divórcio geralmente te aconselharão a ter sua vida paralela, a não se doar por inteiro para, no caso de seu casamento não dar certo, você não ficar completamente desnorteado.
quem não conseguiu alcançar a tal carreira almejada por falta de instrução vai te aconselhar a estudar, fazer faculdade, especialização, concurso público e o escambau pra você nunca ficar sem emprego.
pais que sofreram por terem doado-se ao máximo por seus filhos sem nunca receberem o reconhecimento devido te ensinarão que os filhos um dia irão deixar seu ninho, os pais ficarão sozinhos e sua vida há de continuar.
e daí por diante.
de fato, todos os conselhos acima são super válidos e legítimos dentro da vivência e equilíbrio de cada um, mas não precisam necessariamente fazer parte da minha ou da sua vida.
afinal, cadum cadum, né?
mas por outro lado fico imaginando se eu conseguirei conciliar esta idealização com o o estilo real de vida que levo. sera possível?
* * *
hoje, 1 ano e 5 meses depois de ter escrito este post, voltei para reler este texto e tirá-lo do rascunho.
pra quem quer saber o final da novela, a cama compartilhada nunca deu certo aqui em casa, a rotina da encantadora de bebês foi exorcizada de nossas vidas com louvor, a chupeta continua até hoje, bem como a amamentação em livre demanda, que tornou-se o sucesso da casa, especialmente no primeiro ano de vida (aliás, estou digitando com uma mão só porque neste exato momento o pequeno está a mamar).

segui minha intuição com força e acredito que deu certo pra gente aqui em casa.
aos poucos eu pude voltar a almoçar (especialmente depois que ele começou a comer) e hoje já somos cheios de truques e malabarismos para conseguir fazer muitas coisas com ele por perto.
ao contrário do que pregam os militantes contra a livre demanda e o colo full time, ele não ficou mal acostumado.
claro que o benjoca é muito afeiçoado a mim e eu não vejo demérito nenhum nisso. pelo contrário.
mas ele é um menino muito alegre e independente e está cada vez mais difícil arrancar dele um abraço ou um beijo.
ou seja, eu aproveitei muuuuuito o tempo do grude grude, dei todo o colo, beijo e carinho que ele precisava.
mas agora ele já entrou na fase de querer descobrir o mundo com seus próprios olhos.
eu continuarei a persegui-lo para arrancar dele beijos e colos até o dia em que me der netos (aí eu corro atrás dos netos, deixo eles mal acostumados - e brigo com minha nora).

depois de 4 meses sem minha máquina de lavar, eu tomei coragem de gastar meu precioso dinheirinho e mandei consertá-la.
me custou uma bela fortuna, mas minhas costas, dedos, joelhos e calcanhares não aguentavam mais passar tanto tempo em pé na beira dum tanque lavando uma vida de roupas.
e ela voltou linda, loira e brilhante, como nova. melhor que nova.
e lá fui eu lavar aquele mundo de roupa atrasada.
ponto 1:
nisso eu percebi o tanto que as roupas do benjamin estavam manchadas. deixei um monte de escanteio entulhada na roupa suja e adotei umas 5 camisetas, 2 shorts e 2 calças pra ele usar sempre (e eu só me dava ao trabalho de lavar aquele tico de coisa). o que fazer com tanta mancha? encontrei a solução. hesitei. pensei de novo. tá bom. vanish nelas!
deixei um monte de roupa de molho no vanish. aumentei a quantidade de sabão, botei as roupas coloridas pra lavar em água semi-morna.
fiquei com medo dele ter alergia.
entendam, desde antes dele nascer (quando ele tinha só umas 33 semanas de vida gestacional) eu sempre lavei suas roupinhas com uma pequena quantidade de sabão de coco em pó. 1/4 do recomendado pelo fabricante.
eu tinha várias outras técnicas pra tirar as manchas e elas funcionavam super bem, mas davam um belo dum trabalho.
omo passava longe. amaciante nem pensar. vanish ou outros tira manchas, então, eram o terror.
benjamin tinha alergia só ao amaciante, imagine ao resto.
mas a coisa estava feia. tomei coragem. enxaguei 3 vezes. funcionou. claro que não funciona tão bem quanto na propaganda. claro que não tira aquela mancha velha da blusa da mamãe. mas com certeza dá bem menos trabalho.
ainda estou me sentindo culpada porque fico imaginando o tanto que esse negocinho deve ser do mal. química pura (como tudo na vida, ok), mas sem nada natural. tudo forçado a barra.
ele teve alergia? até agora não.
aí na segunda maquinada eu já fui sem medo. me deu menos trabalho. todos comemora.
ponto 2 (da semi-libertação multifocal em minha vida):
consiste na forma em que eu estendo a roupa no varal.
é assim: a máquina terminou seu serviço. a roupa ficou pronta, limpa, centrifugadinha.
hora de pendurar para secar.
o começo do meu tormento.
existe um método pra fazer a coisa toda. lavar a roupa é um ritual.
desde o início – onde você verifica os bolsos pra ver se não tem nenhum papel, dinheiro, botão, clipe, dvd, psp, tamagochi – até averiguar roupa por roupa afim de encontrar manchas e tratá-las do modo apropriado.
depois você coloca as mais pesadas no fundo: calça jeans, jaquetas, casacos. as médias no meio: camisas (devidamente abotoadas), camisetas, shorts (também abotoados e do avesso, assim como as calças jeans). por último as peças íntimas e meias. se der para colocar as peças íntimas num saquinho de lavagem, melhor.
os produtos para lavagem são sempre medidos. sempre a mesma quantidade de sabão. sempre a medida certa de amaciante. nada de despejar no olhão.
tem que ler o manual da sua máquina e o rótulo de todos os produtos para usar a quantidade certa indicada pelo fabricante. se você usar sabão ou amaciante em excesso, pode manchar sua roupa, estragar a máquina de lavar (e mesmo fazendo tudo certinho, a minha pifou).
ciclo programado para o tipo apropriado de roupa. pelo menos dois enxágues: um pra tirar o sabão e outro pra acrescentar o amaciante (quando é roupa de adulto). tudo certo. daqui a uma hora e vinte minutos eu volto.
acabou.
vamos estender.
e agora começa a briga.
tem que primeiro classificar o tipo de roupa: camiseta é pendurada junto com camiseta; meia junto com meia, short junto com short e por aí vai. todas viradas para o mesmo lado.
enquanto isso eu sacudo peça por peça e estico bem a roupa, pra facilitar na hora de passar (ou pra nem precisar passá-las no fim das contas). as camisetas tortas eu alinho pelo ombro. as que ainda dão pra salvar, pela costura lateral.
as camisas e vestidos são esticadinhos – desde a gola até os punhos – e pendurados em cabides. sempre. sem exceção.
se eu lavei roupa minha junto com a do hilan (o que acontece quase sempre) elas são penduradas separadamente no varal, para facilitar na hora de guardar.
primeiro as minhas (que são menores) e depois as do hilan. também disponho as roupas de forma alternada, deixando espaços entre uma peça e outra, para criar canais de ventilação. tudo para que elas sequem rapidamente e de maneira uniforme.
na hora de guardar eu já dobro de um jeito que a roupa permaneça sem amassar. mesmo que eu vá passá-las posteriormente (coisa que eu assumidamente odeio fazer), tem que estar certinho.
mas essa semana eu chutei o balde. tirei as roupas de qualquer jeito do varal, embolei e joguei em cima da cama. já tem uns 4 dias e elas estão lá, esquecidas em cima do criado mudo (sofro só de olhar praquela pilha).
hoje eu fiz algo inédito: ao pendurar as roupas do benjamin, misturei camiseta com calça e short.
tremi da sola dos pés até o último fio de cabelo. mas fiz.
e fiz rápido.
senti um alívio por ter conseguido concluir essa tarefa em tempo recorde.
mas até agora to pensando em ir lá e mudar a disposição das peças.
me interna.

pois é, companheiros, minha jornada de busca pelo apartamento perfeito chegou ao fim.
depois de exaustivas semanas indo sozinha a imobiliárias bizarras, comprando classificados nos fins de semana, visitando os apartamentos mais esquisitos, batendo perna por conta própria atrás de imóveis e de começar a acreditar que iríamos ser despejados sem ter pra onde ir, ele surgiu no lugar mais óbvio.
e finalmente achamos um novo apê. longe de ser perfeito, obviamente, pois isso só vai acontecer quando tivermos um salário perfeito. mas bem próximo da nossa realidade de vida.
claro que antes disso pensamos em morar em curitiba, são paulo, canadá, israel, em gramado, acampados num gramado, de favor, num escritório abandonado, num acampamento de sem terra, numa tribo indígena, numa ecovila ou em comunidades ribeirinhas.
mas como nenhum desses planos deu certo, achei que seria mais tangível continuar dentro da realidade de sempre.
o lado ruim é que eu não consegui me mudar pra um lugar maior, como era meu plano. até cheguei a ver lugares maiores e dentro do preço que estabelecemos, mas eram muito longe do trabalho do hilan, o que resultaria em menos tempo em família.
muito menos consegui apartamento naquele lugar maravilhoso que eu tinha mencionado antes. não foi por falta de olhar, mas é que todos os bons apartamentos eram alugados num piscar de olhos.
o lado bom é que os planos do filho andando de bicicleta embaixo do bloco, de ir a pé pra futura escola, de passear com o futuro irmão/irmã, de chegar em casa fantasiado de herói e de comemorar a festinha de 2 anos com os amiguinhos da quadra, continuam de pé.
não, nosso seu barriga não desistiu. ele vai mesmo pegar o ap pra demolir reformar.
a nossa nova moradia estava o tempo todo ali, debaixo de nossos narizes. ou melhor, um pouco acima.
encontramos um apartamento pra alugar aqui, no mesmo prédio que o nosso, alguns andares acima.
mais bem conservado e com uma vista bem melhor.
pensei que não conseguiríamos alugar pois, durante a vistoria do apartamento, o benjamin ficava mexendo em tudo, chegou a derrubar uma prateleira, mexia em todas as persianas e se escondia o tempo todo atrás da cortina da sala, puxando-a freneticamente. achei que ele ia quebrar alguma coisa e duvido que o nosso futuro seu barriga não tenha imaginado o mesmo.
mas correu tudo bem. apesar disso, ele estava a simpatia em pessoa e foi muito carismático com nosso senhorio.
olhando da varanda lá de cima, nossos vizinhos maravilhosos parecem pessoas normais como você e eu.
claro que vou continuar sofrendo com as babás esquisitas daqui, mas os parquinhos também continuam os mesmos.
aliás, pensamos muito nisso, no fato de que a adaptação do benjamin vai ser muito pequena.
a planta é idêntica à daqui, com a mesma posição.
mas decidimos trocar de quartos. ou seja, o quarto que era do benjoca passará a ser o nosso e vice versa.
talvez ele também saia do berço e vá para o chão, mas ainda preciso pensar (rápido) nisso.
a mudança vai ser mais barata, mas um pouco trabalhosa. nossas mudanças anteriores foram sempre empacotadas por terceiros.
desta vez teremos que botar a mão na massa pra valer.
muita tranqueira vai subir e descer dentro de carrinhos de compras e malas. só não sei ainda como fazer com os móveis e grandes eletrodomésticos.
o jeito é fazer a mudança gradualmente e torcer pra dar tudo certo.
mas mesmo assim estou contente, sentindo que tirei dois elefantes das minhas costas.
só sei que meu coração está muito gradicido, tanto a deus, por ter me ajudado, dado paciência e força, quanto a cada um de vocês que comentou, mandou palavras e pensamentos de apoio.
foi tudo muito válido e recebido com muito carinho!
ainda não sei quando será a mudança, mas devo dar mais uma sumida quando for transferir a linha telefôncia (quem acompanhou a saga da gvt no ano passado sabe do que eu estou falando). queira deus que não demore muito.
mais uma vez obrigada pelo suporte, minhas linda!
aguardem mais novidades!
e ela se chama mudança.
é, queridos. e eu pensei que iria descansar em janeiro.
é fato que deu pra dar uma relaxada da agitação da internet (que me deixa extremamente ansiosa, com o coração disparado), mas arrumei uma nova ansiedade.
preciso me mudar até o começo de março. recebi a notícia há quase um mês e, desde então, qualquer tempinho vago que eu tenho é pra procurar um lugar novo pra morar.
nos fins de semana compramos jornal. durante a semana procuramos pela internet. antes eu queria somente direto com o proprietário. agora o que vier tá valendo.
nem desligo mais o computador. é só abrir o notebook que você vai encontrar pelo menos duas páginas abertas – em navegadores diferentes – com abas e mais abas de apartamentos para alugar.
e está tudo tão caro e tão absurdo!
há menos de 1 ano os imóveis já eram caros, mas nada que se compare a agora. vi uns apartamentos idênticos ao meu, neste mesmo prédio, com preços de 30 a 60% mais caros do que o que eu pago atualmente.
apartamentos no valor do nosso, só espeluca.
sério. fomos visitar um, num terceiro andar, sem elevador. chegamos ofegantes, mas esperançosos.
foi abrir a porta e veio aquele cheiro mezzo mofo, mezzo barata. a cozinha era pequena e não tinha janela. mas tinha, do nada, um tanque e um mini espaço ao lado, que eu supus ser pra uma máquina de lavar. e como era daquelas cozinhas americanas, já viu né?
ou você come um arroz com gosto de sabão em pó, ou veste uma camiseta acebolada.
os quartos eram minúsculos. um – sem exagero – devia ter o tamanho de um colchão de casal. o outro era um pouco maior: um colchão de casal king size, no máximo.
baratas gigantescas mortas (pelo menos) pela casa.
o banheiro era uma piada: se não tivesse o blindex, dava pra fácil fácil pra tomar banho sentado na privada, de tão encavaladas que eram as coisas.
“o ponto alto é a varanda” – me disse o proprietário por telefone. deve ser mesmo. você sobe lá e depois se atira, torcendo pra ter que ficar pelo menos uma semana internado no hospital, a fim de esquecer o muquifo em que você mora.
saí de lá com vontade de chorar.
pensava que, quando fosse mudar, seria pra um lugar maior, com um quarto extra pra transformar em escritório, ou pra acolher novos filhos.
imaginava o benjamin crescendo aqui, convidando os amiguinhos da quadra pra sua festinha de 2 anos.
andando de bicicleta embaixo do bloco, brincando de pega pega, de carrinho.
chegando todo dia com uma fantasia diferente de algum super herói (como o vizinho fofo do andar de baixo, 2 anos mais velho que meu pirralhinho).
nós 2 indo a pé pra ex futura escola dele, a uns 500 metros daqui.
passeando com o futuro novo irmão ou irmã (eu até já planejava como apertar um segundo filho neste apê de 2 quartos).
e ainda tem a mudança em si.
planejávamos mudar daqui em, sei lá, dois anos. pelo menos.
como isso aconteceu bem antes, não temos nem condições de pagar uma mudança decente. aí você economiza na mudança e acaba perdendo algum móvel ou eletrodoméstico de conserto super caro.
e olha que eu sempre adorei mudar.
na verdade, estou completamente viciada em procurar imóveis.
mas isso me deixa tão pilhada que eu durmo, sonho e acordo pensando em apartamento.
nem consigo mais cuidar direto do que eu ainda estou morando. penso: “ah, eu devo mudar daqui a um mês. pra que eu vou arrumar isso? deixa pra depois”. e as coisas vão acumulando.
só sei até cheguei a cogitar a possibilidade de mudar de cidade.
sei lá, ir pra são paulo, curitiba, gramado, canadá (sério).
mas essa ideia é atualmente muito absurda pra minha vidinha pacata.
aí eu descobri por aqui um lugar lindo e cismei que quero morar lá. é arborizado, é pacífico, as pessoas usam a rua (coisa rara aqui em brasília). é perto das coisas, perto do trabalho do hilan, perto de parque, de alguma futura escola pro benjoca, do supermercado e da padaria que tem pães e bolos sem lactose. e o preço nem é tão absurdo.
aí que eu pirei mesmo: dá vontade de ir de prédio em prédio perguntando se tem algum apê pra alugar.
até que eu já consegui ver um.
quartos grandes, sala grande. me fez esquecer que a cozinha era uma bosta e o banheiro igualmente horrível (e pequeno).
será que fiquei cega?
estou procurando por uma faísca de esperança pra me dar forças e continuar fazendo o que devo fazer? afinal, se eu sentar e ficar quieta, o prazo vai chegar do mesmo jeito. e aí?
estou cansada de procurar e procurar dia após dia.
de ter que visitar imobiliária sozinha, levando a tiracolo um bebê-criança elétrico que não para quieto.
pra piorar (mais um pouquinho), as imobiliárias costumam ser sempre em lugares dificílimos de estacionar. aí larga o carro num lugar longe e no sol, tira criança da cadeirinha, pega no colo, carrega peso, chega no lugar, fica uma vida esperando enquanto seu filho destrói tudo, pega a chave e sai correndo pra não estourar o prazo de ver o imóvel.
pra otimizar o tempo, passe em várias imobiliárias, pra matar vários coelhos numa visita só.
peça ajuda à fada do tempo (e das vagas. e da paciência) que tudo vai dar certo.
e eu, que pensei que durante as minhas pseudo-férias iria dormir às 22h todos os dias, estou aqui, às 2h30 da manhã ligadona a pleno vapor.
sei lá, pode soar um tanto quanto dramático, exagerado ou qualquer coisa do tipo.
mas é que eu precisava botar pra fora.
umbjo