
tudo começou com apenas 6 meses.
eu ofereci cenoura ao benjamin logo nas primeiras papinhas e observei. 2 dias depois ele apareceu cheio de pontinhos vermelhos ao redor do pescoço e na área genital. suspendi por uns dias. voltei a oferecer e as bolinhas apareceram outra vez.
depois foi a vez da beterraba. a mesma coisa, um pouquinho mais forte.
com 8 meses eu dei os dois novamente. meu erro foi dar um seguido do outro, com diferença de apenas 1 dia. mas não percebi e não observei.
poucos dias depois ele apareceu com os tais pontinhos na virilha. pensei que estivesse assado ou com alergia à fralda, mas percebi que ele não estava com as bolinhas só no bumbum, mas também na cintura. depois acabou irradiando por todo o tronco, barriga, pescoço, nas costas inteiras. até o sinalzinho da vacina, no braço, ficou bem vermelho, cheio de bolinhas e
inchado. embaixo da boca também ficou vermelho e áspero. no dia seguinte a alergia subiu pelas bochechas e dentro das orelhas e, por fim, atingiu as coxas e a sola dos pés.
suspeitaram de roséola, mas ele não teve febre (e veio a ter roséola de fato 1 mês depois). realmente, era bem parecido.
observei outros fatores e concluí que somente a beterraba poderia ter causado tamanho estrago.
suspendi ela de vez.
conversei com a pediatra dele, que me apoiou.
perto de completar 1 ano foi a vez do glúten.
eu já havia dado pão francês para ele, mas era sempre pouco, menos da metade. eu notava umas poucas bolinhas ao redor do pescoço, mas pareciam inofensivas, por isso continuei.
aí fomos a um chá de bebê. ele já havia comido meio pão pela parte da manhã.
o chá de bebê foi à noite. ele foi de colo em colo e, como ainda tinha uma alimentação restrita, liberei que dessem torradinhas a ele. acontece que toda hora que eu o via, estava com uma torrada na mão e a boca cheia. perdemos as contas de quanto ele comeu.
a reação foi rápida: no dia seguinte ele estava com um colar de alergia. totalmente vermelho e pipocado ao redor de todo o pescoço. subiu um pouco para o rosto e dentro das orelhas.
no bumbum, assou e pipocou exatamente onde ficava o cocô e embaixo do saco. passou quase uma semana assim.
conversei com a pediatra na consulta seguinte e ela disse que poderia ser glúten. até então eu achava que era somente a farinha de trigo, mas aconteceu dele comer outros alimentos com glúten e sem trigo e a reação foi semelhante, mas menos intensa (devido à quantidade).
e lá se foi um item importante na alimentação do pequeno.
nesse meio do caminho ele também reagiu ao tomate e à berinjela. a berinjela foi bem pior, mas os dois atacaram tanto quanto (ou até mais que) a cenoura.
e finalmente foi a vez do leite de vaca.
ah, e esse é o mais chato, com certeza.
era uma coisa que eu já desconfiava há tempos. mas como ele nunca tomou leite diretamente (apenas através do leite materno), eu teria que cortar somente da minha dieta. e tudo que fosse derivado lácteo. e como isso sempre foi muito difícil pra mim (viciada assumida), nunca consegui completamente.
a pediatra não tinha liberado o leite de vaca na alimentação dele justamente por já ter manifestado outras alergias.
até que um dia, por algum motivo que eu não me lembro, resolvi tomar coragem e fazer isso pelo meu filho. ele estava com 1 ano e 1 mês.
eis minha retrospectiva:
os primeiros 3 meses de vida do benjamin foram de cólicas intensas. tentei tirar leites e derivados pra ver se alterava alguma coisa, mas as cólicas continuaram. nisso a pediatra descartou intolerância à lactose (que é diferente de alergia à proteína do leite da vaca) e liberou o leite gradualmente (só depois eu percebi que cortei apenas os leites e derivados e não observei o rótulo de nada).
com 4 meses ele teve uma assadura felomelal, que durou quase 1 mês. eu tentei pomadas diferentes e só a bepantol deu jeito. mas era só ficar sem pomada que voltava. depois de um tempo nem a bepantol resolvia mais.
por sorte ele passou a usar fraldas de pano e as assaduras melhoraram bastante, até sarar.
volta e meia ele tinha recaídas e eu precisava voltar pra bepantol.
ele também sempre regurgitava/golfava bastante, mas foi diagnosticado refluxo fisiológico. nada para se preocupar, visto que aquilo não parecia doer e ele continuava a ganhar peso e desenvolver-se normalmente.
todo mudo dizia que quando ele começasse a comer melhoraria. é fato que deu uma diminuída, mas as golfadas continuaram.
na consulta de 1 ano eu perguntei à médica se era normal ele golfar até essa idade e ela disse que não tinha problema.
mas aquilo começou a me incomodar, até mesmo a me irritar (toda vez que mamava, ele golfava. e ficava tudo sujo e com um fedorzão azedo).
além do cocô sempre mole. raras foram as vezes que ele fez um cocozinho normal, daqueles soltinhos na fralda. era aquela coisa pastosa, fedorenta, que sempre grudava tanto na fralda quanto no bumbum dele.
ele passou três meses com uma alergia respiratória sem fim: nariz escorrendo, tosse, pulmão com catarro. na verdade, era catarro pra todo lado. parecia mesmo uma bronquite alérgica. ele passou a tomar remédios pra alergia e até uma bombinha pra asma.
aí resolvi testar sozinha. suspendi todo e qualquer leite e derivados. qualquer coisa que pudesse ter não somente traços de lactose, mas também de proteína do leite da vaca (essa tabela me ajudou um bocado).
e ele melhorou. gradualmente parou de golfar, o cocô ficou mais firme (e até em bolinhas, gente!) e a pele voltou ao normal.
catarro? que catarro? remédio pra asma? guardei aonde?
o problema é que volta e meia eu como alguma coisa que contém qualquer porcaria com a proteína do leite sem me tocar e só vou perceber dois dias depois, que é quando ele costuma reagir. a primeira coisa que eu percebo é uma mudança na consistência do cocô. em seguida ele assa justamente onde o cocô encosta. depois ele passa a regurgitar, geralmente após as mamadas.
na última consulta à pediatra contei todo o caso e ficou bastante claro que o que ele tem é alergia à proteína do leite da vaca (APLV), que é diferente de intolerância à lactose.
nisso, muita coisa mudou na minha alimentação desde que foi constatada a tal alergia (conversamos com a pediatra e ela instruiu pra que eu continuasse a minha dieta restritiva):
e aí você pode perguntar: “luíza, não é mais fácil você suspender a amamentação dele?” não!
quer dizer, pode ser bem mais fácil pra mim, mas pra ele é muito pior, visto que ele tem todas essas outras restrições alimentares e que muitas coisas que eu uso pra complementar minha alimentação não poderiam ser incluídas na dele, como amendoim, castanha, aveia, soja e outros alimentos com forte potencial alergênico.
ele precisaria entrar com algum leite especial caríssimo pra suprir a falta de leite e mais outros complementos alimentares e vitamínicos, visto que nem só de gordura e cálcio é feito um leite materno.
ou seja, eu faço o esforço por ele.
na verdade, falar sobre alergias é sempre um assunto bastante extenso e eu diria até polêmico.
por exemplo, quando eu falo da aplv, muita gente ouve só o “leite de vaca” e imediatamente confunde com intolerância à lactose. mas são duas coisas distintas e eu faço questão de ressaltar.
(quem quiser mais informações é só clicar aqui)
isso porque já vieram me dizer “ah, meu filho também tem isso! pode dar iogurte pra ele” ou “ah, becel não tem lactose! pode comer tranquila”. se eu não tivesse me informado antes, teria dado o iogurte pro benjamin e lascar-se-ia tudo.
e como de qualquer maneira eu não daria creme vegetal ao meu filho, ele não comeu a tal becel. mas eu comi de olhos fechados e ele passou uma semana inteira golfando, com diarreia, com feridas na pele e eu que nem uma boba sem nem imaginar o porquê. só depois que me toquei a causa: continha aroma de manteiga. apesar de ser aroma artificial, tenho certeza que alguma coisa ocasionou. suspendi e melhorou.
também já me perguntaram se eu fiz algum teste pra diagnosticar a aplv.
sim. fiz o teste de desencadeamento, que consiste na observação da reação do paciente à retirada do leite de vaca e derivados com posterior reintrodução desses alimentos.
e só.
fez exame de sangue? não. fez algum teste na pele? também não.
na idade do benjamin – com 1 ano e 3 meses – e com o tipo de alergia que ele tem, esses testes não são tão precisos. eles podem dar um falso negativo. além disso, são todos muito estressantes pro bichinho, que já é traumatizado com agulhas e coisas do gênero.
e se desse negativo, iria mudar o fato de que a ingestão de leite faz mal pra ele? não.
então continuaremos assim.
a minha esperança é que melhore com o tempo. li que em 90% dos casos, a aplv – bem como outras alergias alimentares – some antes que a criança complete 3 anos.
e enquanto isso nos viramos como podemos.
para maiores informações, não deixe de ler:
quem já sabe que estamos na semana mundial da amamentação – smam – põe o dedo aqui _o/ (pra quem não sabe, clique aqui pra entender um pouco).
por conta disso, não se fala sobre outra coisa na blogosfera. também pudera, amamentar é o melhor presente que você pode dar pro seus filhos não apenas nos 6 primeiros meses de vida, mas pelo menos nos 2 primeiros anos (não sou eu que estou falando, tá? mas eu endosso o coro).
eu sinto todo o orgulho do mundo de ter amamentado meu pequeno exclusivamente nos primeiros seis meses e muito em breve completaremos um ano de amamentação em livre demanda. e que venha o próximo ano!
e daí que o tema desta semana na fan page da johnson’s baby para recém nascidos não poderia ser diferente. e eu amo, amo amo! não me canso do assunto.
por exemplo, hoje eu li lá sobre encontrar uma boa posição na hora de amamentar, a importância do colostro para o bebê, a importância da amamentação exclusiva até os 6 meses e muito mais.
só sei que juntou a smam ao fato do meu pequeno estar tão perto de completar um ano que deu vontade de rever umas fotos antigas e encontrei essas duas de quando o benjoca era um recém nascidinho:


tive dificuldades no começo, mas insisti e deu tudo certíssimo!
e você? qual foi o momento mais marcante pra você e seu bebê durante a amamentação?
não deixe de conferir (e curtir) a página da johnson’s baby no facebook!
[post publieditorial]

tá rolando o maior burburinho por conta do mamaço que aconteceu mês passado em são paulo, no itaú cultural.
e aí que a mulherada empolgou (empolgamos) e resolveu mostrar que amamentar é pra quem tem peito e temos o direito (no meu caso, além de direito também considero um dever) de dar as peita pros pequenos (médios e grandes) quando, como e onde houver necessidade.
pensando nisso, organizaram o mamaço nacional.
em várias cidades brasileiras acontecerá, simultaneamente, o ato de amamentar em público, em forma de protesto.
será neste próximo domingo, dia 05 de junho de 2011.
e brasília, que conta com uma quantidade razoável de mães peitudas amamententas, não poderia ficar de fora dessa. confira:
em brasília:
local: parque Olhos D’Água
hora: às 15:30h
o que vai acontecer: um babynique tipo esse. os adultos comendo lanchinhos saudáveis e as crianças, leitinho.
se você tiver facebook, não deixe de confirmar presença na nossa página.
em outras cidades
rio de janeiro
local: parque lage
hora: a partir das 10h
o que vai acontecer: um piquenique no parque, onde cada um traga um lanche ou uma fruta para uma celebração coletiva. além da roda de amamentação, teremos a participação de mães artistas apresentando seus trabalhos. já temos confirmada a apresentação de um recital de kantele, um instrumento finlandês, com marília felicíssimo, teatro de mesa para as crianças pequenas com ana luiza e miza, contação de histórias para os maiores com maribel barreto. estamos sugerindo também, que as mães tragam fotos pessoais amamentando seus filhos, para fazermos um varal de exposição dessas fotos.
são paulo
local: marquise do parque do ibirapuera
hora: às 14h30
florianópolis
local: trapiche da beira-mar norte
hora: às 15h
recife
local: livraria cultura – bairro do recife
hora: das 12h as 15h
o que vai acontecer: além da roda de amamentação coletiva, teremos um grupo de discussão sobre os mitos relacionados a amamentacao, alem de compartilharmos experiencias e dificuldades individuais. temos confirmada uma oficina de shantala e baby yoga com heliane garcia e sorteios de brindes doados por empresas que apoiam o evento. tambem vamos sugerir um varal de fotos relacionadas a amamentacao para expor.
para mais informações, consulte o blog oficial do grande mamaço nacional e o post no blog mamíferas.
* * *
gentein, minha prima-xará luiza está com um blog novo – o d’liquidificador - suuuuper fofo sobre esmaltes, maquiagens, dicas de modas e outras coisas lindas.
aí tá rolando um sorteio de dois produtos da tupperware (que ela revende).
se você é dessas que participa de todos os sorteios e nunca ganha nenhum (como eu sempre fui), eu te dou a dica da ex-perdedora: participe da maior quantidade de sorteios possíveis. um dia você ganha. ahahahha!
aproveita que o blog é novo, então suas chances de ganhar são maiores.
pra participar é só clicar aqui ou aqui:
http://dliquidificador.blogspot.com/2011/05/sorteio-e-mousse-de-maracuja.htm
e seguir as instruções do blog.
CORRÃO!
depois dos mamilos polêmicos, resolvi republicar um texto que a lia postou no blog dela semana passada.
se, assim como eu, você também assina embaixo, não deixe de fazer barulho por isso!
Manifesto pelo direito das mães de não serem separadas de seus filhos logo após o seu nascimento e de permanecerem com eles o tempo todo pelo menos durante a primeira hora após o parto. Um recém-nascido não deve ser afastado de sua mãe, a não ser em períodos muito breves, em caso de extrema necessidade, e não deve ser deixado em berçários.
Manifesto pelo repúdio à alimentação artificial em maternidades, sem indicação clínica, quando a criança está apta a mamar e a mãe, disponível para amamentar. Água glicosada ou qualquer outro recurso que prejudique o reflexo de sucção do bebê são inaceitáveis.
Manifesto pelo direito das mães com dificuldades para amamentar de receberem apoio e orientação adequados por parte dos profissionais de saúde e da família. Mães com dificuldades de amamentação precisam de encorajamento e solidariedade.
Manifesto pelo direito das mães de amamentarem em livre demanda, sem serem desencorajadas por profissionais de saúde ou parentes sob o argumento de que os bebês têm de ter hora para mamar. Os bebês têm direito ao seio sempre que necessitarem, de dia ou de noite.
Manifesto pelo direito das lactantes de não serem pressionadas por parentes, profissionais de saúde, amigos ou conhecidos a oferecerem mamadeiras e chupetas. As mães são as principais responsáveis pelos cuidados com os seus filhos e devem ter o direito de alimentá-los de forma natural e instintiva.
Manifesto pela urgência de os pediatras serem profissionais e éticos ao interpretarem as curvas de crescimento, sem indicar alimentação complementar precoce a um bebê saudável simplesmente porque ele não se encaixa no padrão médio. Cabe aos médicos avaliarem se alterações nos padrões de engorda ou de crescimento são patológicos ou fisiológicos.
Manifesto pelo direito de uma mãe de manter o aleitamento exclusivo durante os seis primeiros meses de vida de seu bebê, sem ser assediada por parentes, profissionais de saúde, amigos ou conhecidos para que ofereça outros alimentos sem necessidade.
Manifesto pelo direito das mães que trabalham fora de casa de terem em seu ambiente de trabalho um local adequado, com higiene e condições de armazenamento do leite, para fazer a ordenha, seja para alívio das mamas, para a estocagem de leite a ser oferecido a seu filho na sua ausência ou para doação aos bancos de leite. As empresas devem oferecer condições para que suas funcionárias mantenham o aleitamento após seu retorno ao trabalho, seja flexibilizando seus horários, mantendo creches em seus recintos, instalando salas de ordenha ou permitindo que a criança seja trazida à mãe para receber o seio.
Manifesto pelo direito de toda mulher que trabalha fora de casa a gozar de uma licença maternidade de seis meses. Seu retorno ao trabalho também deveria ser facilitado, com possibilidade de redução de jornada com o recebimento proporcional do pagamento ou flexibilização de horários.
Manifesto pelo direito dos bebês de serem amamentados enquanto necessitarem, mesmo que esse tempo supere o período considerado aceitável pela nossa sociedade.
Manifesto pelo direito de as mães amamentarem seus filhos em público, quando necessário, sem serem condenadas por pudores hipócritas.
Manifesto pelo direito de as mães amamentarem durante a gestação, ou amamentarem mais de uma criança simultaneamente, sem serem ameaçadas com dados inverídicos acerca de efeitos nocivos para a criança que mama ou para o feto.
Manifesto pelo direito de as mães amamentarem livremente, e de os bebês mamarem livremente, sem serem alvo de preconceito ou ignorância.
Lia Miranda.
sacodefarinha.blogspot.com
em tempo, povo de são paulo, HOJE, 12 de maio haverá uma manifestação, o MAMAÇO COLETIVO. vai ser às 14h30 no Itaú Cultural, na av. Paulista 149 (descer na estação brigadeiro do metrô). vão por mim, porque eu tava morrendo de vontade de estar lá.
e já que eu não vou, mudarei as fotos dos meus perfis para uma amamentando.
para saber mais sobre a polêmica história da mulher que foi barrada por tentar amamentar durante uma exposição (e que causou este burburinho todo), clique aqui.
ps: roubei a foto (com a devida autorização, claro) da rebeca bricio, do blog mulher que pariu. o gui, filhote dela é um mamaceiro de primeira e não consegui pensar em ninguém melhor pra ilustrar o post

estou aqui hoje para falar sobre um assunto muito polêmico: MAMILOS!
mamilos são muito polêmicos!
por que, eu confesso que não sei direito.
(confesso que às vezes eu queria ser índia. mas só às vezes, mesmo).
não sei qual é o grande problema e por que tanta gente sente-se tão incomodada em ver uma mulher amamentando em público.
eu não sou lá muito antenada em blogagem coletiva, mas ontem li o tal post da mulher que desce o pau em mães, filhos e mamilos.
não vou colocar o link aqui, 1º porque eu não lembro onde li e 2º porque eu não quero dar audiência pra essa vaca pessoa amargurada.
alguém pelo amor de deus me fala qual é o grande problema em amamentar em público?
uma vez eu li que aproximadamente 12 mil mulheres são presas anualmente nos estados unidos por amamentar em público (googla que você acha).
comoassim??
era pra ser uma coisa natural, e não esse escarcéu todo.
não estou falando em virar adepta do nudismo ou topless. tô falando de, em questão de segundos, botar a peita pra fora e deixar o bebê (ou criança) mamar. ué, nada mais natural!
e ainda tem quem venha dizer “bebê tudo bem, mas criança pera lá”. pera lá por quê? porque você acha esquisito? acha feio?
esquisito é ficar regulando peito pra recém nascido. esquisito é decidir pelo bebê que horas ele vai ou não mamar. é falar “pronto, você já tem x meses. a partir de hoje você não precisa mais mamar à noite”.
oi? por que mesmo, ein?
voltando aos mamilos, tudo começou na primeira ou segunda semana de vida do benjamin.
eu estava na casa do meu avô e sempre tinha gente por lá, além das eventuais visitas.
na hora que ele pedia pra mamar eu largava quem estivesse por perto, ia pra um quarto todo escondidinho, fechava a porta e amamentava.
só dava de mamar na frente da minha mãe, irmãs e marido.
até que várias coisas colaboraram pra eu perder a tal timidez mamária.
começou quando um amigo foi visitar-nos e eu saí pra dar de mamar. quando voltei, ele comentou com o meu marido “a luíza é toda timidinha. sai escondido pra amamentar”. aí eu comecei a perceber que não era assim tão caótico.
depois minha mãe me deu o tratamento de choque. sempre que eu ia dar de mamar, ela chamava alguém pra ver. até meu avô e meu tio ela convidou pra assistirem o tal evento. ok, foi constrangedor.
só sei que, aos poucos, eu fui desencanando, até porque nem sempre tem como prever que horas um bebê pequeno vai decidir mamar.
já amamentei no meio de cinema, restaurante, livraria, táxi, sala de espera, igreja, casamento, no mato e uma pá de lugares que perdi a conta.
às vezes eu cubro com uma fraldinha não por timidez, mas pra preservar as pessoas que se incomodam. a não ser, claro, que a pessoa esteja no meu território.
mas o mais engraçado aconteceu há umas duas semanas, quando eu estava do lado de fora de um estabelecimento com mais uma pá de gente com senha na mão esperando para entrar.
aí veio um menino de uns 5 anos e começou a puxar o maior papo. falamos sobre aranhas, homem aranha, ben 10 e essas coisas.
nisso o benjamin estava hiper irritado e começou a enlouquecer querendo mamar.
discretamente eu abri a camisa e dei o peito.
aí o guri chegou bem perto e ficou olhando por cima do meu peito. ele não se aguentou e falou bem alto, quase gritando: “seu peito tá vermelho! ele mordeu seu peito!”. eu falei que ele não mordia meu peito (na ocasião ele nunca tinha mordido) e que era assim mesmo.
“mas tá rosa! tá machucado” e eu tive que explicar pra ele (e, consequentemente, pra quem mais quisesse ouvir) que aquela era a cor do meu peito mesmo.
aí ele falou que lembrava de quando ele mamava, que ele gostava muito e tal. eu fiz aquela cara de “aham, cláudia, senta lá” e a mãe completou dizendo que não tinha um mês que ele tinha parado de mamar.
desde então eu venho pensando que tudo isso deveria ser tratado com a mesma naturalidade daquele menino e não como se fosse quase um tabu.
gente, é amamentação, não é séquisso selvagem, não!
tô até vendo. daqui a pouco vão começar a prender mulheres aqui no brasil também por amamentar em público.
vai ser proibido amamentar na frente de outras pessoas que não médicos ou o marido.
você vai ter que fazer que nem eu fazia: trancar-se num quartinho escondido pra que ninguém mais seja obrigado a ver seus mamilos polêmicos (e suas tetas de vaca leiteira).
o assunto vai ser tão, mas tão polêmico, que vão começar a inventar lendas de como os bebês se alimentam: “é assim, filho. tem uma plantinha que dá uma fruta que tem um liquído que a mamãe vai lá e dá pro bebê tomar” ou “ah, foi a vaquinha que trouxe pro neném”.
vai virar algo tão velado que vão querer tirar os humanos da classe dos mamíferos para enquadrá-los em uma classe à parte.
aí o menino vai pra escola, descobre que o leite sai do peito da mãe, fica espantado com isso tudo e os pais vão ficar envergonhados por seu filho finalmente saber a verdade.
ok, exagerei.
mas sério. pra mim gente, que acha amamentar em público esse absurdo todo com certeza tem algum problema sexual. #prontofalei
[imagem da campanha contra o cancer de mama do breast cancer foundation. ver mais aqui]
os vídeos foram gravados entre o sexto e oitavo mês de vida do benjoca.

e você, que é mulher, mãe empenhada, emprenhada, empedrada, empoderada, você que sonhou com o dia em que seu filhote começaria a comer papinha salgada.
você foi à feira de produtos orgânicos, inseriu um alimento novo por mês, esperando passar alguns dias e observando.
deu arroz integral, deixou a lentilha de molho por hoooooras.
amassou tudo no garfo, não bateu nada no liquidificador e nem passou na peneira. deixou uns pedacinhos pra estimular a mastigação.
não botou nem uma poeirinha de sal e sempre finalizou os pratos com azeite de oliva extra virgem da melhor qualidade.
na hora de esquentar a papinha, nada de microondas. era banho maria.
você teve paciência e começou com algumas poucas colheradas e muito escândalo.
devagarzinho o seu bebê foi aceitando mais e mais a cada dia. sim! de repente ele já comia duas colheres de sopa de comidinha por refeição! um grande avanço!
chegou um domingo maravilhoso que você passou o dia inteiro fora de casa, atrasou todos os horários quase inexistentes das refeições, fez seu filho almoçar leite materno e comer frutas o dia inteiro.
mas na hora do jantar – ainda fora de casa – resolveu que ele precisava comer, mesmo que você não tivesse preparado nada.
vai até o mercado mais próximo decidida a comprar uma papinha industrializada.
tem de frango? tem só uma! ho, de hortaliças e peito de frango, diz a embalagem. frango, batata, cebola, couve, espinafre e, claro, sal!
ele nunca comeu essas hortaliças, muito menos sal. mas no desespero, vai essa mesmo.
mais tarde você abre o pote e cheira aquela papa verde: o mesmo cheiro das de frango, de carne, de feijão, de tudo! todas as salgadas tem o mesmo cheiro e gosto, é isso?
[pausa: confesso que adoro essas porcarias. já provei de praticamente todos os sabores salgados. as doces são eca. antes eu achava sem sal. mas depois que comecei a fazer papinha em casa, achei praticamente uma sopa de mar morto. fim]
sei lá, não arrisca: coloca só uma colher de sopa no pires. se ele gostar, você dá mais. se ele gostar médio, mas só quiser a metade, você guarda pra depois. se ele não gostar mesmo, você come o resto.
e lá vai aquela coisa totalmente verde, pastosa quase líquida, uniforme e padronizada do pote pro pires, do pires pra colher, da colher pra boca e o bebê mal engole e já abre aquela boca de passarinho faminto, obra de deus mesmo, pedindo mais. e mais. e mais. e mais. você demora um pouco a dar mais (só o tempo da colher voltar ao pote) e ele já começa a fazer escândalo. nisso vai o potinho inteiro e ele pede mais ainda.
como você, mãe dedicada, sente-se após essa saga?:
a. aliviada. nunca mais eu vou precisar cozinhar outra vez.
b. traída. como é que ele faz isso comigo, enquanto que e gasto quase metade do meu dia empenhando-me em fazer uma comida que preste?
eu senti uma mistura de b com a. ba, de banana!
primeiro, fiquei indignada. depois, aliviada. nunca mais vou passar perrengue nos fins de semana! até que a tal papinha industrializada não é tão má assim.
no meio da semana eu resolvi simular uma comida parecida com a do fim de semana anterior.
empolgada, introduzi a couve no ao cardápio dele. fiquei com medo, mas ele aceitou bem.
era a hora de tentar uma papinha batida, pra dar aquela variada liberada pela pediatra.
tinha frango e hortaliças, como aquela. bati tudo no mixer pra ficar um treco mais homogêneo. tinha até cenoura, que ele curte bastante. só nao tinha sal.
na primeira colherada, um careta bem horrorosa.
na segunda, botou tudo pra fora.
na terceira, fez cara de vômito.
na quarta, começou a se contrair, parecia que ia ter uma convulsão por indigestão.
na quinta, ele chorou.
na sexta, não teve sexta. eu parei na quinta.
frustrada, né?
passou uma semana da papinha ho, de hortaliça e mais uma vez passei o domingo fora de casa.
não preparei papinha orgânicaintegralcompedacinhoseazeite. preparei a papinha vouaomercadoescolhopagoetápronta. desta vez escolhi a ga, de galinha com legumes e macarrão. tinha cheiro e gosto de quê? da mesma, sabor ho.
tudo bem, se ele gostou da de ho, vai gostar da de ga, com certeza.
desta vez a avó que deu e mais uma vez ele comeu um potinho inteiro na hora do almoço.
aí aconteceu. ao voltarmos à casa, chegamos e arrumamos algumas coisas, pois nosso lar estava caótico. o bebê continuou no carrinho.
de repente, começou a reclamar. normal. deu uns gritinhos. normal, deve estar cansado daquele bebê desconforto. peraí que eu já te tiro!
daqui a pouco eu olho de canto de olho e vi ele vomitar. mas não foi um vomitinho qualquer. foi um no estilo aretuza de ser.
antes eu brincava de dizer que ele vomitava. na verdade eu sabia que ele estava era golfando. mas como há pessoas que dizem golfar, outras gorfar e outras ainda dizem gofar, eu sempre dizia que ele vomitava, pra ficar mais fácil.
cruzes. aquilo sim foi um vômito.
adivinha do que aquilo tinha cheiro? tinha cor de quê?
isso mesmo, de ga, de galinha, legumes e macarrão.
era como se ele tivesse acabado de abrir o pote e jogado a papinha sobre si. e depois tacado um pouquinho de vinagre, porque o cheiro já estava azedo.
sério, já tinha pelo menos umas duas horas que ele tinha comido aquele treco e a coisa ainda tava lá, praticamente intacta.
corri com ele para o banheiro. tinha vômito até na cabeça.
fomos pra debaixo do chuveiro, ele e eu.
no banho ele simplesmente apagou no meu colo (coisa que ele NUNCA faz). deu umas belas cochiladas no meu colo. saiu do banho extremamente mole e sonolento. nem fez aquela algazarra de me enlouquecer no trocador.
ficou hiper dengoso e eu não sabia se curtia aquilo ou se ficava preocupada, afinal ele nunca foi assim, nem quando recém nascido.
vesti a roupinha, sentei ele na minha cama-trocador e ele começou a ameaçar vomitar. foi só o tempo de pegar a fraldinha e ele vomitou mais ga. desta vez com cheiro de vômito mesmo.
limpei ele e a boca fedida. tentei dar água, mas não aceitou.
encostei ele no meu peito e ele chapou. simples assim.
depois de uns dez minutos ele acordou, pediu pra mamar, mamou uns 5 minutos e rejeitou o peito. pediu de novo. rejeitou. concluí que ele estava sentindo-se enjoado. dei a chupeta e ele dormiu de vez.
depois disso eu não sabia dizer qual foi a causa real daquilo tudo.
se foi o fato dele passar o dia sendo cuidado por outras pessoas e me vendo somente à distância (mas a hipótese não pareceu tão coerente assim), se foi a mudança de ambiente (mas ele só foi a ambientes conhecidos), se foi a mania de botar tudo na boca e nisso ele pegou algo que o fez mal ou se foi mesmo a tal papinha industrializada.
claro que decidi botar a culpa na papinha. mais especificamente no sal. aquela porcaria tinha 71 mg de sódio!
mas se tem uma coisa que eu aprendi com o michael foi: don’t blame it on sunshine, don’t blame it on moonlight, don’t blame it on good times, blame it on the boogie.
mesmo assim, minha conclusão nisso tudo foi: continua com a sua papinha fresca (em todos os sentidos) e deixa essas industrializadas pra lá.
papinha nestlé, nunca mais (prontofalei)!

parabéns a mim mesma! consegui completar seis meses de amamentação exclusiva todo dia, toda hora, em todo lugar, direto da fonte (vulgo livre demanda). também consegui virar um bicho do mato cabeludo com um filhotinho pendurado a tiracolo sem tempo pra fazer mais nada. ok.
desde o dia em que benjamin completou seis meses, eu comecei a introdução aos alimentos sólidos. um pouco antes disso, comecei a copiar o modelo da paloma, de dar frutas da estação pra ele lamber e provar.
mentira.
eu fiz isso só com maçã, uma ou duas vezes apenas.
por conta disso, decidi que o primeiro alimento seria a maçã, já que ele já havia provado da fruta (ahahahahah). ele a-do-rou.
aliás, aceita bem todas as frutas (pro mamão ele torce o nariz um pouco, mas depois aceita), mas sempre encrenca com a papinha salgada.
mas prometo que irei fazer um post dedicado exclusivamente a como introduzir alimentos sólidos em seu a seu bebê.
antes eu achava que morreria de ciúmes de dar outros alimentos que não o leite materno ao filhote. afinal, nem água ele bebia.
mas os dias que antecederam os tais seis meses foram carregados de expectativa e até um pouco de ansiedade pra vê-lo descobrir um novo mundo da degustação.
o mundo não mudou apenas pra ele, como pra mim também.
começa que agora seu cocô tá bem mais firme. ok que infinitas vezes mais fedido, mas eu adorei essa coisa de cocônsistente. antes ele sempre mandava um barro mole que vazava pra todos os lados. não tinha uma vez que eu fosse lavar suas roupinhas que não tivesse que separar aquelas cagadonas pra deixar de molho, tirar mancha e coisa e tal (baixou o espírito da rebeca aqui).
e agora, com o coconsistente, fica uma gosminha concentrada no meio da fralda, que eu consigo limpar com apenas uma bolotinha de algodão, ou metade de um lenço umedecido. lindura.
por outro lado, nesse começo de papinha, preciso ter cuidado redobrado com a lavagem das roupinhas.
como ele ainda não sabe engolir direito e também quer pegar a comida a todo custo, no fim da papinha tem comida pra todo lado. comida no ouvido, orelha, pé, barriga, olho. os babadores estão sempre sujos (vão uns 3 por dia), além das roupinhas e fraldinhas de boca. o trabalho que eu deixei de ter com o cocô-bomba eu passei a ter em dobro com os restos de comidinha.
o banho no meio do dia não é mais opcional.
antes eu só dava banho na metade do dia quando estava muito quente, o benjamin estava muito agitado pra tirar a soneca da tarde ou eventualmente ele se cagava até a nuca. mas agora ele faz questão de tomar um banho de papinha toda vez. o pior é o mamão. mamão é uma fruta do inferno que saiu diretamente do ânus de satanás. não há outra explicação para tamanho fedor. aí o jeito é enfiá-lo embaixo da pia, do chuveiro ou na banheira mesmo.
ele tá mamando menos, mas não muito menos.
geralmente, a depender da papinha, ele pede pra mamar depois. mas em outras vezes ele não pede. e aí que eu me senti a própria recém parida, com o peito empedrando e vazando mais que tudo na vida. com a mudança de apartamento, ainda não consegui achar o objeto, a concha salvadora dos peitos, amém. falhei, bilú.
e o tanto que ele não mama de dia, ele já vinha compensando à noite (agora só piorou). então meio que deu na mesma.
é mais difícil sair de casa para passeios mais longos. aqueles com mais de três horas de duração.
isso porque agora eu tenho que calcular a que horas que ele terá que papar e levar frutinhas e potinhos separados com as comidas pra cada momento. sem falar na água (que ele não gosta muito), na água de coco (que ele curte) e no suquinho de laranja lima (que ele ama).
se ele tiver que comer nesse meio tempo, já tenho que ter roupas, babadores e lencinhos extras pra limpar a bagunça que ele faz.
é mais fácil sair de casa para passeios mais curtos. aqueles que só duram entre uma papa e outra.
se antes ele sentia fome no meio do nada, eu tinha que dar o peito na frente da galera. agora eu tenho os liquidinhos maravilhosos que quebram um galhão.
quem amamenta em livre demanda sabe que o peito não serve só pra suprir a fome, mas também a sede (e o amor, o carinho, o afeto, blablablalblakjsdlfkajsçlkr). então, se o problema for sede, está resolvido. se for uma fominha daquelas que dão pra esperar um pouco e daqui a pouco você vai pra casa, a água ou a água de coco ajudam a contornar a situação até alimentá-lo de fato (por enquanto, suquinho só o de laranja lima, depois do almoço).
o papai também pode alimentá-lo. ou pelo menos tentar.
até que o hilan já deu umas comidinhas pra ele, mas da primeira vez, o benjamin estranhou um pouco, cuspiu metade e ficou me olhando de longe. depois foi só alegria.
eu fico mais tranquila de deixá-lo com outra pessoa.
ok que isso ainda não aconteceu, mas quando for acontecer, eu sei que de fome ele não morre. agora posso ir a um cinema que não seja o tal cinematerna (que é ótimo, mas a gente não tem muita opção de escolha né?) e fazer outras coisitchas más.
ele está bem mais curioso com tudo que a gente come ou não.
está sempre atento a tudo que a gente leva à boca e, quando se interessa, abre um bocão como quem diz “me dá que eu quero provar”.
o mais engraçado é quando é pra ele comer e é novo. ele faz uma careta, estranha, mas logo diz hm! hm! de boca aberta pedindo mais. parece um filhote de passarinho.
alimentá-lo tornou-se uma saga sem fim.
antes era infinitas vezes mais fácil: sentiu fome, peito, mamou, fim.
agora tem essa coisa de regular o horário, amassar frutinha, cozinhar legume, botar azeite, etc, etc.
sem contar quando o benjamin não gosta do que come e a gente tem que insistir infinitas vezes. além de eu nunca saber se ele está satisfeito ou não, se já comeu o suficiente ou está fazendo manha.
haja paciência!
*atenção o ministério da saúde, a organização mundial da saúde e eu recomendamos o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade.
este post não tem nenhuma intenção de estimular a alimentação precoce nem nada do tipo.
seja paciente e saiba que existe tempo para todas as coisas neste mundão lindo de deus.

se você é pai, mãe ou costuma frequentar rodas sociais dos mesmos, já deve ter notado que essa pergunta está na top five das questões bebezais.
realmente é uma vitória quando o bebê dorme uma noite completa, mas acredito que existam mais bebês que acordem no meio dela que aqueles que a passem completamente envoltos pelos braços de morfeu.
então, por que a pergunta? talvez porque os pais e mães sintam-se tão orgulhosos por seus filhos terem conseguido, que queiram compartilhar a novidade. ou talvez pra tentar descobrir se é somente o filho deles que ainda, no auge de seus 4 meses de idade, sente fome no meio da noite.
certa vez, numa roda de mães, enquanto o tema brotava e pululava, uma das mães me saiu com essa: perguntei ao médico a partir de qual idade o bebê não precisaria mais mamar a noite inteira e ele me respondeu: “a partir do dia em que nasce”. eu, que geralmente fico calada para evitar discussões polêmicas e conflitantes, não me contive e na mesma hora larguei um “que absurdo! baseado em quê??”. afinal, se o bebê até o momento de nascer recebia alimento 24h ao dia em um ambiente totalmente escuro sem horários nem rotinas, como ele saberia a hora de mamar – ou não – assim, logo de cara?
a partir daí me inteirei – ainda na tal roda – de técnicas de adestramento para o bebê dormir a noite inteira: “dá de mamar lá pras 23h30. pega ele dormindo mesmo e dá de mamar pra ele ficar de barriguinha cheia”. até aí tudo bem, mas tinha mais: “se ele acordar com fome, dá a chupeta e vê se ele volta a dormir”. e pra piorar a situação: “se ele reclamar, deixa chorar. lá pela quinta noite ele aprende e pára”.
(se você aderiu a essas técnicas, aconselho que pare de ler por aqui, caso não deseje me odiar para sempre. não diga que não avisei)
me desculpem, mas acho uma puta falta de sacanagem, pra não dizer falta de coração, fazer isso com a criança. e olha que eu não estou discutindo aqui o tema “deixa chorar” – que também acho bastante polêmico. afinal, uma coisa é deixar chorar porque está fazendo birra (como saber?). mas chorar de fome é uma história completamente diferente!
antes de chutar o pau da barraca, vou pedir pra você colocar-se um pouco no lugar do bebê:
em uma bela segunda feira você acorda, toma café correndo e vai trabalhar. passa a manhã inteira ralando feito um condenado. dá 11h50 e seu estômago já está roncando. pra completar, você recebe um email com a propaganda de um restaurante, repleto de fotos de comidas e descrições maravilhosas dos pratos, como “picanha maturada e grelhada ao ponto, servida de arroz, farofa e batata sauté”. você pensa “mais alguns minutos e eu saio daqui”. como se não bastasse, sua chefe maravilhosa entra radiante no escritório informando: “reunião daqui a 5 minutos na minha sala!”. ela passa uns 15 minutos falando, falando, falando e parece que aquilo tudo não tem mais fim. seu estômago ronca e de repente entra o estagiário porta adentro com uma sacola do mc donald’s. sem cerimônia, sua chefe revela aos poucos o conteúdo do pacote: refrigerante, batata frita, nuggets, sanduíche! e ainda se desculpa por comer na frente de vocês, mas a reunião não pode parar. pra disfarçar a fome, você mastiga um chiclete, chupa uma bala, mas parece que isso só piora a situação. 13h e você quer esganar a velha. a essa altura parece que o sua barriga ganhou vida própria. você perde o controle, levanta-se, bate com força na mesa e grita “pra mim chega!”. chuta a cadeira longe e ainda bate a porta ao retirar-se da sala.
não, você nunca faria isso. mas dá vontade né?
pois é, mas o bebê não tem esse tipo de freio e muito menos de diplomacia. ele sente fome e resmunga. se não consegue o que quer, pode chorar e até berrar. afinal, ele é um bebê. se acabou de nascer, então, o choro é sua única ferramenta de defesa. tem certeza que você quer deixar chorar? vai dar uma chupeta no lugar do peito, como se fosse uma bala ou chiclete para tapeá-lo?
você tem pena do menininho negro raquítico da campanha contra a fome na áfrica, mas acha que se seu bebê chora no meio da noite é claro que não está com fome, está apenas fazendo manha.
com um mês de idade, a pediatra sugeriu que eu inserisse uma rotina para o benjamin com horários para mamar. segui à risca e vi meu filhote berrar de fome sempre uma hora antes do estabelecido pela rotina (e sim, dei chupeta pro neném não chorar).
dois meses de idade e a pediatra me congratulou, dizendo que agora era a hora de fazê-lo dormir a noite toda. ensinou-me algumas das tais técnicas fantásticas, que me entraram por um ouvido e saíram pelo outro.
na consulta dos três meses eu já avisei: “voltei a amamentar em livre demanda. ele pede e eu já ponho as tetas de fora”. resultado: engordou quase 1,5 kg e cresceu mais 5 cm desde a última visita.
agora, com pouco mais de três meses e meio, benjamin não dorme a noite toda. mas já dá seus ensaios: nos últimos 15 dias dormiu 4 noites inteiras (por volta de 8 a 10h de sono). acorda pontualmente às 6h para mamar e volta a dormir, às vezes me chamando às 8h ou até mesmo às 9h da manhã.
mas mesmo que ele nunca o tivesse feito, eu te pergunto: o que é mais importante, você recuperar rapidamente seu precioso sono de uma noite inteira ou seu bebê – a coisa mais importante da sua vida – ter um desenvolvimento saudável e natural, no ritmo dele, cercado de carinho e segurança?
não pensem que com isso sou a favor de uma criança crescer ao deus dará, sem regras nem limites. ao contrário. sou a favor da ordem e da rotina, mas da rotina flexível e humana, respeitando o tempo e o limite delas. afinal somos indivíduos (individuais, oi?) e cadum cadum, né?
afinal qual é o pai que o filho pedindo pão, lhe dará pedra?