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22 de julho

11 meses!

por hilan diener

o post mais gigante da catiguria.

eu sei que eu falo isso todo mês, mas este foi o mês mais incrível.
nossos queridos 10 meses deram o que falar, literalmente.

ele tá esperto e deixando aqueles trejeitos de bebê pequetico e começa a parecer uma pré criança.

conquistas dos 10 meses:

  • já tem 6 dentinhos: 4 em cima e 2 embaixo;
  • mede 71 cm e pesa 9,4 kg;
  • para em pé até cansar e sentar (só que ele cansa bem rápido);
  • atravessa a casa toda apoiado nos móveis. quando os móveis acabam, ele se apoia na parede. quando a parede acaba, ele arrisca ficar em pé e alcançar o próximo apoio distante. só ensaia. aí ele desce, engatinha até aonde quer e volta a ficar em pé;
  • criou uma adaptação de engatinhamento pra quando está com uma ou duas mãos ocupadas: ele fica meio sentado, rema com uma mão e fica com a outra levantada, carregando o objeto, tipo como quem leva uma tocha olímpica;
  • segura na nossa mão e anda curtas distâncias, todo tronchinho (minha aposta é que ele vai andar com 11 meses);
  • descobriu que brincar de cadê-achou é a melhor brincadeira do mundo. brinca com todo mundo nos horários e locais que achar que cabe a brincadeira;
  • toda vez que estou sentada com o notebook no colo ele fica em pé atrás dele e aparece devagarzinho. e aí começa a eterna brincadeira de esconde esconde;
  • anda tão empolgável que perde o controle, sai andando rapidão, perde o apoio e cai. morre de chorar e daqui a alguns segundos já recomeça a brincadeira;
  • aliás, ele confia mesmo nas pessoas. ele tem certeza absoluta que toda vez que ele se jogar (ou fugir) em direção a algo interessante, alguém sempre estará lá para ampará-lo;
  • nisso ele passou o mês colorindo a testa com diversos roxos. eles revezam entre si e já deve ter povoado cada centímetro quadrado desta testa nada pequena;
  • parou de estranhar pessoas desconhecidas ou de pouca convivência. se ele vai com a cara da pessoa ele já estica os bracinhos pedindo colo e faz aquela festa. pega no rosto, olho, boca, sem a menor cerimônia;
  • quando perguntamos ele sabe identificar: árvore, luz, gato, vaca, cachorro, dente (dele e dos outros), nariz, olhos, mamilo, mamãe, papai, tov, loló (a prima);
  • me concedeu a graça de dormir 8 horas seguidas, feito que eu não realizava há quase um ano. mas logo ficou gripado e voltou a acordar à noite;
  • viajou de avião pela primeira vez;
  • foi à praia pela primeira vez;
  • brincou na areia pela primeira vez;
  • comeu areia pela primeira vez;
  • presta atenção em TUDO que acontece. volta e meia eu vejo ele pescando nossas palavras e trazendo pro contexto dele.
    duas historinhas para ilustrar:
    1) estávamos no carro e ele mamando. a conversa no carro era sobre cachorro. nisso ele larga o peito e faz “ah-ah! hmm-hmm!” que significa, na língua dele, um latido;
    2) outra vez estávamos na rua e eu mencionei o bichinho pendurado na mochila. na mesma hora ele fez o que a gente chama de cara de bichinho e repetiu várias vezes;
  • por falar em cara de bichinho, ele usa essa cara pra tentar manipular a gente. se ele faz alguma coisa errada e a gente não tava percebendo e de repente vê, ele começa a fazer a tal carinha, como quem tenta disfarçar ou dar uma de fofinho para sair ileso;
  • toda vez que é contrariado ele rosna. você fala não pode e na mesma hora ele já solta um rrrm;
  • inclusive, se falamos um não no meio de uma conversa, é bem provável que ele comece a rosnar. uma pessoa mais desatenta não entenderia por quê;
  • já domina a arte do movimento de pinça. agora é um exímio catador de arroz, migalhas de pão e rejuntes do assoalho;
  • por falar em arroz, já descobrimos: eles são a salvação para o tédio do benjamin quando vamos a restaurantes. o entretenimento e a saciedade são garantidos. mamãe agradece;
  • teoricamente já come a comida da casa. comeria, se aqui em casa a gente fizesse comida. mas na casa dos outros ele já come arroz, feijão, carnes e vegetais. claro, nada que seja muito salgado. mamãe agradece parte II;
  • desatou na tagarelice desembestada. antes ele só mandava um mamamamã, um papapapapá e um tadam esporádico. mas aí soltou a língua de vez e eu vou ter que fazer que nem a paloma e inaugurar o dicionário benjaminês:

– acabou
– bola
cadê?
– chamando a gente pra brincar. geralmente o ê do cadê não sai e fica um d mudo no final.
tadam! –
achou (aquele que fala depois do cadê)
árrua –
água. às vezes ele acerta e chama de água mesmo, mas geralmente é ábua, ácua ou árrua, com um r super carregado arranhando a garganta e em voz baixa.
árrua, ábua ou água –
todos os outros líquidos, não necessariamente a água em si. pode ser água de beber, de torneira ou chuveiro, pode ser um espelho dágua, uma piscina ou um lago e pode ser também qualquer suco ou bebida em geral.
arr –
árvore, que ele também chama de ah.
carr –
carro. com o mesmo rrr carregado de árrua e arr. não, não to ensinando inglês pro meu filho, gente. é que ele engole as últimas letras das palavras mesmo.
marr –
mar. uma pena que ele aprendeu tão rápido a falar e agora vai demorar tanto é reencontrá-lo.
teta
– é a teta mesmo. aponta pro meu peito e fala direitinho, com todas as letras. chega a dar medo. ele fala toda vez depois de mamar – inclusive de madrugada – e às vezes interrompe a mamada pra falar teta, dar uma risada (ele e eu) e voltar ao mamaço básico.
ah-ah! hmm-hmm! –
cachorro. ou melhor, o latido do cachorro. essa semana ele falou au algum vezes, mas depois parou.
hmm-hmm! ah-ah! –
macaco. ou melhor, novamente, o barulho do macaco.
hmmmmmmmmm –
uma vaca mugindo, que ele fala meio arrastado.
hm –
número 1. ele fala bem curtinho, acompanhado do dedinho indicador em riste, em resposta à pergunta “quantos anos o benjamin vai fazer?”.
tête –
tov.

umas duas ou três vezes ele juntou as palavras, formando mini frases: “bô árrua” (acabou a água) e “dá teta” (auto explicativo né, gente? tem homem assim até hoje). nesta última eu disse que ele precisava ser mais educado e pedir qué teta, mas ele continou com seu dá teta, dá teta, engatinhando até chegar no seu objetivo e, finalmente, calar a boca.

bô!

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13 de julho

boladões no rio de janeiro

por luíza diener

os últimos dias foram de pura maravilhosidade carioca.

o rio de janeiro – como sempre – continua lindo, continua sendo, fevereiro, março e julho.

benjamin viajou pela primeira vez de avião, viu o mar pela primeira vez (só viu e molhou o pé, porque tava frio que só pra ele), foi ao casamento da prima, conheceu um amigo virtual, conheceu o alexandre frota e muito mais.

vem comigo?

preparando para entrar no avião pela primeira vez.


deixa que eu sei colocar o cinto sozinho, manhê!

benjoca ganhou presentinho pra distrair dentro do avião. mas a verdade é que tudo ali distraiu ele. que bom!

potinhos pra brincar na areia? valeu, papai! vou ficar folgadão aqui brincando no seu colinho, tá?

fazendo gracinha pra pessoa do banco de trás

eu sei que é sujo, mas isso aqui parecia ser tãããão gostoso! tinha até uma luzinha, vai!

o frio não nos impediu de irmos à praia pra beber uma aguinha de coco.

jantar com a família num lugar delicioso (foto by garçom trêmulo), jobi.


martin fofura, o bebê mais bem comportado da terra.

as irmãs e os priminhos (essa cabeça de veludo é o martin. juro)


- loló, vamos voltar pro hotel (aquele prediozinho ali atrás) porque tá muito vento.
- ah, então tira uma foto do meu bolo?
- tá.
- apontando pra ele, tá?

família ternura.

- nooooossa, mas você foi mãe bem novinha, né?
- é, com 10 anos de idade.

e tem diferença de roupa de dormir pra roupa de passear?


turista, eu? magina!

ele nunca tinha visto areia na vida. adivinha qual foi a primeira coisa que fez quando sentou na praia? isso mesmo! tascou um belo punhado dela na boca! e daí não parou mais.

o grande bebê anão, mais conhecido como meimetro.

oi, polvo lindo!


se tem mulher aí fazendo topless na praia na maior cara lavada, por que eu não posso dar meu mamazinho em paz?


primos reunited we stand :)

minha sereia favorita (não repara que a escultora aqui achou que tava fazendo uma sereia com elefantíase).

amora do meu coração S2

alexandre frota-morreu-de-sunga-branca-na-praia e seu filho enzo frotinha.
como foi isso?
primeiro eu encontro um serumano todo tatuado vestido numa blusa do framengo na calçada em frente ao hotel. penso que deve ser alguma subcelebridade, afinal, o rio de janeiro está cheio de famosinhos (ou nem tanto) em toda esquina que você vai.
quando ele vira de costas, tá escrito frota na parte de trás. ah, tá.
depois descubro que ele se hospedou no meu hotel. aí no dia seguinte passo o café da manhã inteiro com ele na mesa de trás falando “enzo, come isso”, “enzo, quer mais comida?” e por aí vai. aí encontro a figura posando de gatinho (idoso) na praia com o filho. nisso chega um conhecido dele e começa a fotografá-los. meu marido não aguentou e fez o mesmo.
aí, na volta a brasília, quem encontramos no aeroporto? ô, frota! para de me seguir, tá?
poxa, nem pra ser o rodrigo santoro!

enquanto o maridón toma um banho eu deixo o bebê dormindo e vou ali fora rapidinho. quando volto encontro essa figurinha dormindo assim. posso com isso?

encontro dos babies massa. o gui é fofo até dizer chega, dar duas voltas e não parar mais.

rebeca bricio e eu boladonas na pracinha.

quem viu o macaco lá atrás?

olha aí o projeto de benjoca!

- ô seu guilherme, me vê um cachorro quente geneal?!
- é pra já!

onde estiverem duas ou três reunidas para um mamico, ali estará o mamaço. e viva o jardim botânico!

olhaí a árvore do benjoca (sacanagem escreverem beijamim, mas beleza).

boladões na lagoa rodrigo de freitas. ô lugar lindo!

sabe quando você não quer voltar pra casa nunca? quer largar tudo e morar pra sempre por lá? pois é, eu sinto isso toda santa vez que vou ao rio. um dia, que tal.

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06 de julho

macaquinho da mamãe

por luíza diener

a nova aqui de casa é o nosso macaquinho imitador. tudo que a gente faz ele repete.

primeiro foi a repetição de algumas palavras. a gente fala árvore e ele diz “a” ou “av”. eu falo tadam e ele repete “tadam”. tov ele chama de “té”. teta ele chama de “teta” mesmo. e não pode ver que se abre de rir, aponta e chama pela teta (o problema é que ele anda fazendo isso no meio da noite e me dá crise de riso). ouve um cachorro latindo e fica “a-ah. a-ah”.

às vezes eu  escovo o dente com ele no colo. aí é só eu cuspir a água do bochecho que ele fica fazendo pfffff com a boca, tentando cuspir também.

a gente bate palma, ele repete.
damos tchau, ele repete.
fazemos cara de bichinho (essa da foto acima) e ele repete, morrendo de rir.

o hilan estala o dedo pra chamar o tov e lá está o benjamin tentando repetir o gesto (sem sucesso, claro).

se a gente dança, ele dança.
fazemos “não” com a cabeça e ele faz igual.

ontem foi engraçado. eu tava limpando a parte de fora da cômoda dele e ele queria por tudo pegar o pano da minha mão. eu peguei uma fraldinha dele (a primeira que alcancei) e dei na mão dele, meio que pra ele me deixar em paz.
na mesma hora ele ficou em pé de frente pra cômoda e imitou o movimento, como se estivesse limpando a cômoda também.
aí eu falo que ele é meu ajudante.

aliás, ajudante até demais.
começou com a mania de tirar a roupa de dentro da lavadora e agora não pode ver roupa nenhuma dentro que ele tira compulsivamente até esvaziar o que for (gavetas então… cruzes!).

nisso a gente descobre várias coisas nossas porque eles repetem nosso comportamento.

ele tá com uma mania de, quando alguma coisa é muito legal ou engraçada ele faz um barulho de quem está perdendo o fôlego.
aí o hilan falou “igualzinho você quando lembra/descobre/percebe/gosta de alguma coisa”.

e sei que é só o começo.

os filhos revelam muitas coisas ao nosso respeito.

e a gente, bobinha, que pensa que vai ensinar tudo aos nossos filhos, acaba mesmo é aprendendo um zilhão de coisas.

ps: daqui a pouco ele tá fazendo isso aqui

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22 de junho

10 meses!

por luíza diener

dez meses se passaram desde que o meu novo amor nasceu.

o último mês que foi o mais intenso de todos. o mais difícil, mas o mais cheio de conquistas também.
passei um mês inteiro cuidando de bebê doente, indo e voltando de médico, bebê oscilando de humor / temperamento / estado de saúde.
foi também o mês que mais cresci como mãe.

as novidades dos 9 meses não são poucas. recomendo que você vá à geladeira, pegue um suquinho, faça uma pipoquinha e senta, que lá vem história:

  • falou sua primeira palavra por repetição. não foi papai e nem mamãe. foi tadam. isso mesmo. eu estava brincando com ele, tirei um brinquedo do alto da minha cabeça e falei tadaaaam! na mesma hora ele repetiu tádã. fiz ele repetir várias vezes. a coisa mais fofa ever. depois de alguns dias ele atribuiu significado ao gesto e hoje, toda vez que falamos tadam ele coloca e tira alguma coisa de cima da cabeça. o tadam também virou nome da brincadeira “cadê-achou”. às vezes ele fala dádãm, tidã e outras variações;
  • é o rei da dancinha: dança sacudindo o corpo, balançando a cabeça pros lados (tipo fazendo “não”) ou os dois ao mesmo tempo. qualquer barulhinho ritmado, som ou musiquinha já é motivo pra dança do papagaio louco;
  • passou praticamente o mês inteiro sem ensaiar ficar em pé, como fazia no mês anterior. mas de repente, no domingo, ele ficou vááários segundos em pé sem apoio nenhum e, quando cansou, agachou sozinho e sentou-se, sem apoio e tem feito isso várias vezes ao dia desde então;
  • atravessa a sala inteira andando apoiado nos móveis;
  • tá numa fascinação incrível por árvores. aponta para todas que vê, aponta quando perguntamos “cadê a árvore?” e solta um aaaaa, às vezes um a-pfffff (cuspindo) e noutras, um av!
  • imita vários sons e gestos nossos. mas o preferido é imitar as expressões faciais. a gente faz cara de bichinho, ele imita. quando fazemos uma cara que ele não consegue, dá pra perceber o tanto que ele se esforça pra imitar;
  • tem uma cara de sem graça que é a coisa mais fofa, igualzinha à que a prima mais velha fazia e ainda faz. detalhe: eles moram em cidades diferentes e quase não convivem;
  • tá num love sem fim com o tov. eles aprenderam a interagir, gente! já era óbvio pra mim que seus brinquedos prediletos seriam os do tov. mas aí ele vai direto nos brinquedos do tov e olha pra mim. eu digo que não, que é do tov e mando ele dar pra ele. das duas uma: ou o tov vem e toma o brinquedo da mão do benjamin ou o benjamin dá pra ele. dá assim, né, ele oferece. uma ou outra vez ele jogou mesmo pro tov, mas foram poucas.
  • outra coisa que os dois fazem juntos é a brincadeira estapeia-mastiga. o benjamin estapeia o tov e ele retribui dando leves mastigadinhas nas pontas dos dedos do benjoca. acham que ele reclama? ele a-do-ra! se abre inteiro, dá gargalhas;
  • os dois já apanharam um do outro. primeiro foi o benji que, querendo pegar na orelha, apertou a parte carnuda de dentro do ouvido. o tov deu um latido/ganido tão alto que partiu meu coração. o benji só assustou, mas ficou tranquilo. no dia seguinte foi a vez do tov: ele veio correndo e não conseguiu frear ao chegar no benjamin e os dois deram um encontrão de frente. benjoca assustou, chorou, mas depois já tava feliz da vida;
  • aprendeu a reclamar e dar bronca. é igualzinho ao hitler do filme bastardos inglórios. em quem ele deu a primeira bronca? adivinha? ficou em pé, apoiado na cadeira, sacudiu uma das mãozinhas levantadas e soltou um dadadadada pro tov;
  • tá o rei da fralda de pano. já conseguimos mais de 36h seguidas usando ela. acabaram as fraldas descartáveis ontem e o novo objetivo é não precisar comprar um pacote novo tão cedo;
  • só quer saber de comer sozinho. na primeira metade da papinha ou fruta ele aceita bem. na segunda, tenta arrancar a colher da nossa mão, ou então a fruta inteira. quando é papinha, pega com a mão e fica amassando, passando no cabelo, na cara e leva a comida à boca. quando é fruta, dá umas roídas, tira uns pedaços grandes e às vezes engasga. mas tá valendo;
  • tá quase conseguindo fazer o tal do movimento de pinça. na verdade ele faz, mas não consegue segurar só com os dois dedos e passa o que for direto pra palma da mão;
  • testa todas as texturas. tudo que parece diferente ele passa a mão, futuca, poe na boca. no quarto dele, que é laminado, tem uma parte de carpete. quando descobriu, ficou fascinado. ainda volta lá de vez em quando pra futucar;
  • tá com 5 dentes, rumo ao 6º, numa babação infinita. já teve febre, diarreia, rejeitou comida e passa o tempo todo mastigando no lado esquerdo da boca. por favor, venha logo, sexto dente!
  • passou o mês mais insportavelmente chato. parece que a chatura é proporcional à idade e às conquistas e fofuras. mas no fim compensa. visto que ele está tão esperto, era de se esperar que ele também aprendesse a desenvolver comportamentos manipuladores;
  • regrediu no sono e acorda umas 3 a 4 vezes à noite, inconsolável. se o pai o pega, ele faz é chorar mais. se eu o pego, obrigatoriamente tenho que amamentar. parte da culpa é a ansiedade da separação, parte foi o fato de, nos últimos 31 dias, ele só ter dormido umas 5 noites sem estar entupido e parte é minha, que não nego peito a um bebê desolado;
  • comeu comida quente demais, chupou limão e framboesa. fez uma cara esquisita pros dois: olhos, nariz e boca contraídos com força, acompanhado de um tremelique no corpo inteiro. mesmo assim, insistiu na framboesa e eu tive que cortar seu barato por medo dele ter alergia;
  • por falar em alergia, além da cenoura e da beterraba, agora ele deu pra reagir ao tomate. eu mereço!
  • quando papai diz “eu vou te pegar”, ele corre ou esconde. quando mamãe diz a mesma coisa, ele se joga;
  • aprendeu a pular a cerca. calma, eu explico: tem uma gradezinha na porta do quarto dele (aquela que ele adora lamber) e, quando a porta está aberta, ele passa mesmo por cima;
  • aliás, ele tá alucinado nessa grade do quarto. passa pra dentro e pra fora, abre e fecha a portinhola infinitas vezes;
  • descobriu que bola rola. joga as bolas, sai engatinhando freneticamente atrás delas e se acaba de rir;
  • quando as coisas somem do seu campo visual ele procura em todo o canto. esconder alguma coisa atrás da gente ou embaixo da perna já não funciona mais. ele vai lá e tenta achar;
  • quando não quer alguma coisa, coloca as costas das mãos entre os olhos e a testa e joga a cabeça para trás. eu chamo esse movimento de oh, céus!
  • agora é a hora do bebê gênio: uma vez eu cantei um trecho de uma música de um cd que mora dentro do som. cantei sem pretensão alguma, enquanto ele resmungava e tentava escalar minha perna em busca de colo. na mesma hora ele reconheceu a música, foi engatinhando até o som, apertou o play e a música que eu cantei (a primeira faixa do cd) começou a tocar e ele, claro, a dançar. juro. depois eu filmei pra provar que não é primeiro de abril (agora falta passar pro pc). mas diz aí se não é pra matar qualquer mãe de orgulho?
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06 de junho

convulsões

por luíza diener

já faz duas semanas que aconteceu, mas eu lembro como se fosse agora.

ele estava com febre desde o dia anterior.
era segunda feira, e nos preparávamos para a consulta de rotina da pediatra, a consulta dos 9 meses.

passou a manhã inteira quentinho, dengoso, sem dar o menor papo pra comida e bola somente pra mim. mamava por 40 minutos, largava o peito por uns 20 e depois pedia pra mamar outra vez.

tomou um tylenol pela manhã pra abaixar a febre e, pouco antes de sairmos para a consulta, dei um banho nele pra abaixar a temperatura, que estava na casa dos 38,5º C.
não liguei para a pediatra porque a consulta seria em menos de uma hora.
no trocador ele deu uns dois espasmos parecendo aquele reflexo de moro que acontece em recém nascido. ele assustou-se, mas eu não.

combinei com o marido para almoçarmos juntos e depois irmos à consulta. mandei mensagem dizendo que atrasaria um pouco por conta do mamaço que tava rolando em casa.
mamou, dormiu e aproveitei pra deixá-lo no berço enquanto eu me arrumava. mal deu tempo de fazer isso e ele acordou chorando, pedindo colo. terminei de me arrumar com ele a tiracolo.
quando estava quase saindo de casa, ele teve mais um espasmo.
aí aconteceu.
e de alguma forma eu já sabia o que viria depois.

ele deu um grito alto e foi ficando vermelho, jogando o corpo para trás.
os olhinhos viraram e a língua mexia-se rapidamente na boca. o corpo tremia.
era convulsão.
como um flash, tudo o que eu sabia sobre convulsão passou na minha mente: 1ª coisa: ela não mata; 2ª: ela passa; 3ª: não segure a língua, 4º: proteja a cabeça, 5º: agora espera.
eu travei.
andava para um lado e para o outro na casa, sozinha, com ele no colo: “ai meu deus, ai meu deus”.
não consegui fazer nada, só orar. orei, orei, orei, pedi misericórida a Deus. “salva nosso filho, papai! em nome de Jesus!” e só.

em questão de um minuto ele foi acalmando e ficou pálido. a boca ficou roxa e a respiração bem escassa.
“meu filho vai morrer nos meus braços”.
mas logo voltou a respirar bem lentamente.
“vou ao hospital! ele pode ter outra convulsão”.
liguei para o marido e não conseguia falar nada, só hilan, hilan, hilan, hilan, em looping.
e consegui avisar “o benjamin teve convulsões. te ligo depois”.

tive que parar pra pensar em qual atitude tomar.
não tive coragem de pedir socorro no meu prédio.
pensei em ligar para uma ambulância, mas tive medo de demorar demais (se acontecesse outra vez, com certeza ligaria para a ambulância).
liguei para um táxi.
no caminho ele olhava distante, catatônico, sem responder quando o chamava.

no hospital encontrei o marido que já tinha deixado de sobreaviso a situação do filho.
chegamos e já entramos direto.
ele foi encaminhado para o banho morno. depois tentaram achar sua veia mas não conseguiram.
um, dois, três furos e eu estressei: “meu filho não é um boneco pra vocês brincarem de furá-lo. arrumem outro jeito de dar a medicação!”
foi na bunda.
nisso ele já estava bastante consciente e chorava, chorava, só não gritava porque não tinha tanta força.
a temperatura estava na casa dos 38º C.

ele ficou melhor, já estava observando as coisas, apontando para a luz.
vamos fazer o raio-x. nem chegamos a sair e ele deu outro espasmo: “ele vai convulsionar”, avisei.
na mesma hora começou tudo outra vez.
pedi pro marido não olhar (mas ele não me ouviu, claro. eu não ouviria).
a pediatra já chegou, deitou ele na cama e ele ficou ali, de ladinho, todo encolhidinho.
não quis ver seu rosto. deixei ele aos cuidados da médica e equipe.
oxigênio nele. desta vez demorou por volta de cinco minutos.
ela injetou um antiespasmódico e aos poucos ele foi cedendo.

ele chorava baixinho, como no dia do seu nascimento.
ele respirava com dificuldade.
meu coração ficou do tamanho de uma semente de uva.
por dentro eu estava desabando. por fora, tinha que permanecer forte.
“será que eu dou conta disso?”.
quando lembro de tudo, vejo que só Deus pra me dar força em uma hora dessas.

passamos a tarde toda, até o começo da noite no hospital.

raio-x, hemograma completo. tudo ok.

ele passou a tarde com compressas de álcool na testa e na barriga. ficou peladinho (e aquele ar condicionado gelado).

a pediatra explicou algumas coisas sobre as convulsões febris:

  • qualquer bebê ou criança de até 5 anos pode ter convulsões em caso de febre. o sistema neurológico deles ainda é imaturo, então essa é a forma de reagir do corpo;
  • a convulsão febril pode ocorrer ou em picos de febre ou em quedas bruscas de temperatura. no caso dele, as duas ocorreram depois do banho (e em uma delas ele até estava medicado);
  • ele não precisa tomar remédio controlado nem nada do tipo. apenas temos que ficar de olho toda vez que ele ameaçar ter outra febre;
  • agora, deu 37º C a 37,5ºC  a gente já tem que entrar com o antitérmico, visto que ele tem propensão a convulsionar. eu é que não vou arriscar chegar no 38.
  • um antitérmico sozinho não pode ser tomado antes de 4h desde a última ministração, mas eles podem ser utilizados alternados. quando ele estiver com febre, a temperatura deve ser medida constantemente e os antitérmicos pode ser usados alternados de 2h em 2h;
  • a ordem de uso dos remédios para controlar a febre foi: 1º a novalgina (dipirona), depois o alivium (ibuprofeno) e por último o tylenol (paracetamol). mas ele vomitou nas últimas vezes que tomou alivium e eu inverti a ordem com o tylenol. cada um desses pode ser dado alternado de 2h em 2h caso a febre persista;
  • banhos mornos quase frios e compressas com álcool na cabeça e barriga (axilas tb) são bem vindos e ajudam muito a baixar a febre mais branda (e a não subir a mais alta);
  • a convulsão não costuma durar mais de 10 ou 15 minutos. passado disso, corra pro hospital. na verdade, corra pro hospital de qualquer jeito;
  • durante a convulsão, não tente colocar a mão na boca da criança. deite-a, de preferência de lado (para não engasgar) e não tente imobilizá-la. apenas mantenha ela longe de coisas que possam machucá-la e proteja a cabeça com um travesseiro ou almofada;
  • é feio, mas tente observar tudo para depois narrar ao médico, especialmente a duração;
  • passada a convulsão, corra para o pronto socorro mais próximo (a pediatra disse que os hospitais públicos de brasília atendem emergência mais prontamente que os particulares);
  • ele não lembra-se do ocorrido. é como se a memória apagasse o feito (queria que acontecesse comigo também). em geral também não há sequelas;
  • ela disse que não é necessário ir a um neuropediatra, apenas se os pais desejarem como desencargo de consciência.

passados três dias (todos com febre controlada), apareceram vários pontinhos vermelhos por todo o corpo, semelhante a uma assadura. o diagnóstico: roséola.
uma virose chata, mas inofensiva (ofensiva foi a febre), que passou rapidinho.
mas nisso a imunidade dele deu uma abaixada e ele ficou gripado. também pudera: mudança de tempo e 6h seguidas no ar gelado do hospital. não poderia dar em outra.

ele ficou esgotado e traumatizado com todo o desgaste das convulsões os procedimentos hospitalares. passou dias molengo, só dormindo e mamando. parecia um recém nascido com tamanho de menino de 1 ano.
aos poucos conseguiu ficar mais tempo acordado, sentar-se, engatinhar e, ao fim da semana, ficar em pé.

hoje ele está ótimo. ótimo até demais. “fala”, grita, rosna, engatinha na velocidade da luz, escala todos os móveis, não me dá sossego um segundo sequer.
nisso ele está hiper grudento, só quer saber de colo o tempo todo. à noite acorda o tempo inteiro, vem pro meu colo e sossega. passamos uns dias de cama compartilhada mas eu que não dei conta.

dou graças a Deus por ele estar bem, mas tenho pedido ajuda pra que eu consiga lidar com a lembrança.
foi a experiência mais traumática de toda a minha vida.
foi a cena mais horrorosa de todos os tempos (nunca mais assisto o exorcista).
qualquer movimento brusco que ele faz, eu me assusto. qualquer gritinho que ele dá, meu coração acerela e quase sai pela boca.
estou tomando um floral de bach chamado rescue e orando sempre, porque só Deus pra me arrancar essa agonia.

sei que basta a cada dia o seu próprio mal.
os dias que se passaram nas duas últimas semanas foram me ajudando a me recuperar.

mas escrever esse post doeu. foi como jogar vinagre na ferida.
as memórias foram retomadas e passei um dia ansiosa.

eu não gosto de falar de doenças e coisas ruins no blog.
mas pensei em todos os pais que já passaram por isso (tenho descoberto que não são poucos) e vi que é um assunto velado.
é feio, mas não é um bicho de sete cabeças.
não deixou sequelas no meu bebê. apenas em mim e no meu marido.

de repente você já passou por isso. foi pensando exatamente em você que escrevi este post.

ATENÇÃO, PATRULHINHA BLOGUEIRA!
você, que se considera um médico vitual de plantão, que acha que entende mais de tudo do que todo mundo, que tem sempre uma crítica ridícula para fazer.
se você não tem nada para edificar, guarde seu comentário para si.
eu acabo de abrir meu coração e rasgar minha alma pra compartilhar o que passei na esperança de ajudar outras pessoas.
se você não tem um mínimo de bom senso, VAZA DAQUI.

grata!

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23 de maio

9 meses

por hilan diener

joquinha fez 9 meses ontem (ahahhaha! joquinha é muito ruim, né?).
é o bebê mais esperto que eu já pari (que venham mais).

e é o tal negócio dos 9 meses dentro da barriga e mais 9 meses fora e tal. não tem com não ser marcante, mas eu acho que o benjamin não nasceu de 9 meses, mas de 8. então tá.

conquistas dos 8 meses:

  • está com 4 dentes e o quinto já ensaia aparecer;
  • aprendeu que papapapapa é papai e chama mesmo por ele. o pior é que aconteceu muito semelhante à profecia de 1º de abril (aliás, várias coisas já se cumpriram. tá faltando ganhar 200 mil);
  • qualquer barulhinho na porta da sala ele vira e fica esperando, porque acha que é o pai que chegou. se não é, depois de um tempo ele desencana. mas se é, abre o maior sorriso, muitas vezes acompanhados de gritinhos. em algumas vezes ele engatinha em direção ao pai. em outras, ele se esconde;
  • aliás, quando a gente pergunta “cadê …(alguma coisa)?” ele identifica e aponta: a pinta, o tov, o papai, a mamãe e o benjamin;
  • anda cheio de vergonha. quando fazem uma coisa engraçada, ele ri e se esconde;
  • acha que já sabe andar, por isso, tudo ele quer fazer em pé:  brincar, bater palma e locomover-se. vai em direção às coisas apoiando-se e, se der pra arrastar junto, vai nessa. nisso ele ganhou uma caixa que serve de andador;
  • às vezes solta as duas mãos e fica sem apoio por alguns segundos. dá medo, porque parece um anão anãozinho;
  • até um dia desses, ficava em pé, mas não conseguia voltar ao chão. aí ficava gritando pra ver se alguém ajudava. mas neste último fim de semana aprendeu a fazê-lo beeeem devagarzinho. seus mini glúteos agradecem;
  • aprendeu a ligar a televisão e o som;
  • tudo que é bem pequenininho ele quer pegar. tenta fazer o tal movimento de pinça, mas ainda não consegue;
  • quando está comendo e pega a colher, tenta pegar a comida com a colher, mas só faz espalhar mais;
  • ficou gripadinho pela primeira vez;
  • aprendeu que portas abrem e fecham. aliás, adora fechar a porta do seu quarto e ver o que tem atrás. quando acha a dobradiça, enlouquece.
    outra porta que adora é a do armário dos sapatos, que eu tive que colocar uma trava, porque o armário fica no quarto dele (e ele tem livre acesso quase que em tempo integral);
  • é extremamente tagarela. fala acordado e dormindo. às vezes ele tira a chupeta pra “falar” e põe de volta na boca;
  • sua linguagem está cada vez mais elaborada e vez ou outra seu conversê até parece que faz sentido;
  • está fascinado pelas luzes. passa muito tempo olhando pra cima, vidrado. se apagamos, ele olha pra gente, como quem pergunta “o que aconteceu?”. quando acendemos, ele comemora com palmas;
  • rosna quando está bravo;
  • adora testar as texturas. quando mais variedade, melhor. pensam que pra isso ele tem brinquedinhos apropriados? ele testa na prática mesmo (todos morre de nojo);
  • desenvolveu o bruxismo voluntário: range os dentes com toda a força. faz um barulho super alto e eu MORRO (eu disse MOR-RO!) de gastura;
  • suas comidas sempre têm pedacinhos. o arroz já vai inteiro, algumas coisas eu amasso de leve no garfo e outras só são picadinhas na faca;
  • morde a orelha do pai toda vez que vai pra carcunda dele;
  • nem preciso dizer que ele e o pai andam best friends forever, né?

pra quem quiser ver mais fotos e vídeos do nosso pequeno, cliquem abaixo:

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