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13 de fevereiro

mãe: um ser estressado

por luíza diener

quando eu era pequena, não entendia por que minha mãe era tão brava e estava sempre estressada ou chateada com alguma coisa.

aí era só conversar com outras amigas que elas logo falavam “sua mãe? imagina! sua mãe é ótima, super boazinha! precisa só ver a minha”. e eu ficava pensando “ahhh! como eu queria ser filha da mãe de fulana” ou “ah, duvido que na casa de beltrano as coisas sejam desse jeito”.

veja bem: minha mãe não era do tipo que proibia tudo. olhando hoje, acho que ela era maravilhosa. era criativa, inteligente, descolada. dava bastante liberdade pra fazermos as coisas, dentro dos limites da casa, já pré-estabelecidos.
mas, na época, a impressão que eu tinha era que ela vivia cansada e chateada. eu só olhava pra ela e pensava: “minha mãe é uma chata! não me deixa fazer nada! na casa das minhas amigas elas podem fazer várias coisas que na minha nem se sonha! mas ela vai ver só! quando eu tiver a minha casa e o os meus filhos, vai ser tudo diferente”!

tenho apenas uma coisa a dizer a respeito: ahahahahahahah!

é claro que eu to pagando a língua. o benjamin ainda não tem consciência de que eu sou uma chata, mas eu tenho. e como tenho!

começou na gravidez, com todos aqueles hormônios malucos, o cansaço que não passa nunca e coisa e tal.
quando ele nasceu, foi super difícil conciliar o pensamento materno-romântico com a realidade nua e crua das noites mal dormidas, as roupas sempre azedas de leite, me sentindo a eterna nega do subaco cabeludo.

na minha imaginação fértil, eu seria uma mãe diferente. nunca levantaria a voz para o meu filho, não surtaria nunca e seria sempre amável e carinhosa, como a insuperável mãe do caillou.
mas a vida real é bem diferente dos desenhos. beeeeeeeem.

em geral o benjamin dorme relativamente cedo e levanta num horário bom, mas às vezes ele pira e quer acordar no meio da noite pra brincar. aí é um sufoco.
eu acordo um bagaço, nervosa, irritada, gritando pras paredes, brigando com o marido, chutando o cachorro. ponho a culpa na diarista, que não lavou a louça direito, no vizinho, que ronca à noite inteira, toma banho às 6h30 da manhã com um sabonete muito fedido e fica assoando o nariz até expelir todo o pulmão (e acordar a casa toda).
aí passo o dia inteiro que nem um zumbi, me escorando pelos cantos, tirando uns cochilos esquisitos.

mas mesmo quando eu durmo bem, estou sempre tensa. um pouco menos, mas continuo.

eu sou muito cricri. uma legalista por natureza, presidente do crazy mamas country club.
não deixo meu filho assistir tv, não gosto que ele coma açúcar (só socialmente, e olhe lá), odeio aquelas musiquinhas infantis sintéticas e acredito que isso influencia a criança a ter um gosto musical limitado no futuro.
aliás, muitas coisas que eu estimulo ou veto aqui em casa são justamente pensando no futuro dele.

mas não quero sair convertendo ninguém a isso, pelo contrário.
se você não se importa, vá em frente.
eu é que não queria me importar tanto.

e como o benjamin é daqueles macacos meninos cheios de energia e curioso ao extremo, preciso estar sempre alerta.
ele está sempre ligado no que acontece ao seu redor. repete palavras e expressões que usamos (inclusive as ruins), observa nossos comportamentos, ações e reações. uma verdadeira esponjinha.

para a criança tudo é um aprendizado e, na minha opinião,  o melhor jeito dele acontecer é nas tarefas cotidianas: alguns biscoitos ensinam a contar, brinquedos coloridos ensinam as cores, as frutas ensinam as formas e por aí vai.
ensino o benjamin a comer, não a “papar”. a dormir, não a “mimir”. que “auau” é o barulho do cachorro, não o nome dele (e muito menos de outros bichos) e mais tantos outros exemplos que dariam um post à parte.

eu vesti o uniforme de professora 24h e não tiro nem pra tomar banho ou dormir.

sei que às vezes eu deveria ceder um pouco. e eu cedo. mas na minha cabeça, sempre o faço contrariada, geralmente em prol do social, só para não arrumar encrenca ou para fugir de uma discussão desnecessária. mas lá dentro eu fico insatisfeita.
você até pode dizer “ah, luíza, mas é porque é primeiro filho. vai ver que no segundo você vai relaxar mais”. bem que eu quero, mas não conto com isso.

porque não é uma característica nova, que eu adquiri com a maternidade.
ela apenas foi potencializada pela enorme  peso da responsabilidade de criar um filho.

pelo menos enquanto ele é pequeno, não dá pra relaxar tanto. não dá pra mudar as regras do jogo o tempo todo só pra ficar confortável em um determinado momento e botar outras coisas a perder a longo prazo.

eu sei que logo o benjamin vai crescer e perceber o tanto que eu às vezes eu encrenco, brigo, boto limites em certas situações.
ele vai querer fazer coisas que vão além de meter o dedo na tomada ou tomar banho na vasilha de água do tov.
algumas regras serão mais flexíveis e outras mais rígidas, quando um simples não não for suficiente.

nesse momento, por mais que eu endureça sin perder la ternura, a megera vai se estabelecer, a mãe alheia sempre será mais verde, legal e divertida do que eu.
mas eu não me importo. prefiro ser vista como mãe chata (por cumprir meu papel de mãe) a ser amiguinha da garotada e não ter moral nenhuma na hora do vamos ver.

certa vez eu ouvi de uma psicóloga que o confronto faz parte da maternidade (e paternidade) e é extremamente necessário, porque às vezes seu filho vai mesmo pensar diferente de você e em alguns momentos a decisão dos pais vai ter que se impor sobre a dos filhos.

educar vai além de ser legal. claro que a amizade tem que existir também mas, como sempre disse minha véia, “eu sou sua mãe, não sua coleguinha!”

a gente gera, bota no mundo, cuida e ama dessa maneira e intensidade que eles só vão entender quando forem pais/mães.

e por enquanto vai queimando um pouco o filme com eles, que são os ossos do ofício.

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25 de outubro

desrotina do bebê de 1 ano

por luíza diener

ontem me perguntaram como fica a rotina de amamentação do benjamin agora, que já tem mais de 1 ano.

a minha resposta foi que não fica.
assim, fica e não fica.

desde o meu desentendimento com a encantadora de bebês, quando o benjamin tinha por volta de 2 meses de idade, eu peguei birra de rotina.
não sou contra quem faz, mas sou contra horários inflexíveis.
acho importante as coisas terem uma sequência certa para acontecer e uns horários básicos para certas coisas, como comer e dormir.

mas outras (e até mesmo as principais) são alteradas de acordo com uma série de fatores.
por exemplo, se hoje chove, não tem parquinho.
se saímos, é capaz dele pular uma soneca.
se um dente nasce ele pode perder a fome.
e por aí vai.

antes dele completar seu primeiro ano, achava a rotina ainda mais difícil de ser seguida, especialmente porque é nessa época que eles crescem mais, passam por mudanças muito diversas, o sistema imunológico ainda é sensível e muita coisa no corpo deles é muito imatura.

a rotina serve pra auxiliar, não para escravizar.

o problema é que você dá de cara com o livro da tracy hogg que diz que a encantadora de bebês resolve todos os seus problemas.
então é isso? tudo que eu preciso está neste livro, sem falhas? se eu seguir à risca tudo vai dar certo, né? afinal são robôs pré programados que têm um manual que você compra nas livrarias por apenas R$ 49,90!

claro que não! quem ama a encantadora vai dizer que ela ensina a respeitar o bebê.
é verdade, eu li uns trechos  (e tentei botar em prática, lembra?) e até achei uma ou outra coisa legal.
mas o problema é que o livro te dá a falsa ilusão de que é só seguir as instruções à risca que tudo irá bem.
eu já ouvi e li inúmeras mães desesperadas porque tentaram de tudo e o bebê simplesmente não segue nenhum padrão: “ele dormia a noite inteira, mas agora deu pra acordar várias vezes à noite” ou “ele até comia bem, mas de repente só quer saber de mamar” ou então “essa menina passa o dia pendurada no peito. socorro!”
a impressão que fica é que se seu filho não se comportar de acordo com a lógica de causa-efeito de todos esses encantadores de bebê, quem está errado é você ou o bebê, não o autor do livro (que nunca te viu na vida e não faz a menor ideia de quem são seus filhos).

amiga, essas coisas vão acontecer mesmo.
não quer dizer que porque o bebê dormia a noite inteira com 4 meses de idade que vá repetir o padrão de sono aos 8 meses, por exemplo.
vale se aprofundar até um pouco mais na leitura (boa) e perceber que os bebês passam por fases variadas. vale a pena conhecê-las para ver que isso que tá acontecendo com seu bebê já aconteceu com vários outros da mesma idade.
recomendo fortemente o dr. carlos gonzáles, em especial seu livro bésame mucho.

 

e como fica depois de 1 ano?

é verdade o que dizem que muitas coisas melhoram depois que eles completam 1 ano. é quase uma mágica, assim como aconteceu quando ele fez 3, 6 e 9 meses.

de repente o benjamin aumentou o tempo da soneca e deu pra dormir 2 horas de manhã e mais 1 ou 2 horas à tarde (e quando era menor ele só dormia meia hora e olhe lá).

ele também passou a beber muito mais água (que antes odiava) e a comer mais que o dobro (quase o triplo) se comparado a quando tinha 10 ou 11 meses.

isso sem contar com a esperteza e a fofura, que estão no seu auge.

mas e o peito?

bem, há muitas mães que decidem desmamar seus filhos ao completarem 1 ano.
desde quando o bebê nasce, a questão da amamentação varia muito de acordo com as condições de saúde e emocionais da mãe.
depende do tanto que ela se sente à vontade para fazê-lo seja em casa ou em outro ambiente.
depende se ela pretende voltar a trabalhar ou não, do tempo da licença maternidade e se o trabalho permite que ela pare de trabalhar para amamentar em algum momento (o que é lei, mas nem todo mundo cumpre, né?).
às vezes depende do pediatra que o bebê frequenta e até mesmo da família e amizades dos pais – especialmente das mães – que muitas vezes têm influência muito grande.

eu só tenho a agradecer por estar inserida em um contexto muito favorável para que eu possa amamentar até que ele tenha pelo menos 2 anos (a não ser que ele decida largar antes por conta própria).

por isso continuamos em livre demanda, que significa dar o peito conforme ele solicitar.
hoje em dia é bem mais fácil, visto que ele já come super bem e bebe água razoavelmente.

no fim, as mamadas já não servem mais para matar a fome. pro benjamin elas não interferem no seu apetite. se ele estiver com fome e mamar, continuará a pedir por comida do mesmo jeito.

hoje o mamá serve pra matar a sede, pra matar a saudade, pra acalmar depois daquele tombo, pra pegar no sono. serve de remédio curativo e preventivo. de acalento nos dias de enfermidade. tem sido, mais que nunca, um momento mamãe e filhinho, completamente nosso.

às vezes ele passa o dia distraído na companhia de outros adultos e crianças e nem lembra de mamar. mas é só chegar em casa que ele gruda de volta.

à noite é que a história ainda continua.
quem põe pra dormir é o pai, lá pras 20h, mas depois de umas duas horas ele acorda pra mamar.
aí varia.
há vezes em que ele volta a acordar meia noite e depois às 6h.
em outras ele acorda nesse meio tempo, lá pra umas 2h.
eu parei de ver horários mas sim, meu filho tem mais de 1 ano e ainda acorda pra mamar.
confesso que já acostumei e não tenho planos de tirar a mamada noturna ainda.

eu nem detalhei os outros horários, como de comidas e  brincadeiras, porque não quero estabelecer aqui um padrão pra que outras pessoas sigam.
acho muito mais válido e importante observar o ritmo da criança que, como já disse, pode variar de um momento para o outro.

a hora de comer do benjamin é a hora em que ele sente fome e me pede (antes de aprender a pedir eu já sabia, porque o humor dele muda consideravelmente). o mesmo serve para as sonecas.
ele acaba repetindo isso dia após dia, quase sempre no mesmo horário, que foi ele quem estabeleceu.
o resto é hora de brincar. às vezes ele vai querer fazer isso sozinho. em outras só serve se eu estiver ali, do ladinho dele.

por enquanto eu posso dar-me ao luxo de viver assim.
tento manter em mente o meu objetivo inicial ao largar o emprego: criar meus filhos.
então se, de repente, eu estou atolada de coisas e isso está me roubando a hora de ficar com o benjamin, se vejo que estou criando substitutos pro meu filho em momentos que minha presença seria imprescindível, eu dou uma parada, analiso e vejo o que é real prioridade e o que dá pra esperar.

posso dizer que isso tem feito um bem muito grande tanto ao meu filho quanto a mim.
tenho aprendido a respeitar a individualidade de cada um, inclusive a minha.
a desacelerar deste mundo louco cheio de compromissos. a ouvir meu corpo.
a escutar meu filho além das palavras, que ele mal sabe pronunciar.

eu me esqueci do relógio.

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01 de julho

coisas que quero ensinar ao meu filho

por luíza diener

sabe quando você sai na rua e só se depara com gente mal educada? o sangue chega a ferver e a vontade é de mandar a pessoa pra todos aqueles lugares possíveis e imaginários, mas você simplesmente respira fundo e deixa passar batido?

nessas horas a vontade que dá é de reeducar o mundo.
mas, como isso não é possível, eu penso que coloquei um homem neste planeta e posso ensiná-lo a ter a educação que muitos não têm.

por isso, benjamin, quero que você aprenda essas lições básicas:

espere as pessoas saírem para você entrar

serve para elevadores, ônibus, ruas estreitas e tantas outras coisas.
dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. por isso, ele precisa ser esvaziado primeiro pra depois ser preenchido. não adianta você tentar entrar num elevador cheio de gente tentando sair. NÃO FAZ SENTIDO!

não faça xixi no meio da rua

se as mulheres (que são mijonas por natureza) sabem segurar até encontrar um banheiro, por que os homens não sabem? porque não foram educados para tal.
portanto, meu filho, aprenda não apenas isso, como a ter autocontrole.
e de quebra, limpe o xixi que respinga no vaso e abaixe a tampa. SEMPRE (só não ensino a fazer xixi sentado porque o marido não deixa).

quando chegar de carro a algum lugar, não buzine

especialmente se for em área residencial. o celular foi inventado bem antes de você nascer.
aliás, deixe a buzina pra situações de perigo. e mesmo assim, nada de pesar a mão nela como se não houvesse amanhã.

ouça música em volume moderado

mesmo que você se considere alguém de bom gosto (todo mundo se considera), ninguém é obrigado a ouvir suas músicas. se quiser escutar alguma coisa em uma altura de doer os órgãos, compre um fone de ouvido (serve pra tv também, tá?).

recolha seu lixo

não trata-se apenas daquele papelzinho que você joga no chão ao invés de jogar na lixeira. recolha a comida que você leva ao cinema e a sua bandeja na praça de alimentação. mesmo que tenha funcionários pagos para fazer o serviço, quem fez a bagunça foi você. a obrigação de recolher é sua.
lembre-se que toda vez que você deixa de fazer algo, sempre vai sobrar pra outra pessoa.

aja no mundo virtual como você agiria no mundo real

serve tanto para o que é bom quanto para o que é ruim. aprenda a encarar as coisas de frente e não se esconda atrás de uma tela quando a coisa apertar. gosta de uma menina? olhe no fundo dos seus olhos e fale.
quer terminar um namoro? nunca (eu disse NUNCA) faça isso por telefone, email ou sms.
eu não passei um bebê de mais de 3,6 kg pela minha vagina sem anestesia nenhuma pra ele crescer e virar um covarde.

não fume

nunca nem ponha um cigarro na boca. mas se isso vier a acontecer, lembre-se que essa é uma opção individual, não coletiva. se você quer fazer mal a alguém, faça somente a você mesmo.
não fume perto de outras pessoas.
mesmo que você more sozinho, não fume dentro do seu apartamento, a não ser que seja o último andar do prédio.
não fume no banheiro e muito menos na varanda. de um jeito ou de outro a fumaça vai chegar ao seu vizinho e empestear o lar dele.
por isso, meu filho, mais fácil é nem fumar.

todos são iguais

independente do cargo que a pessoa ocupa, de sua aparência, posição social, religião ou gosto. afinal, todo mundo é igual quando tudo termina com terra por cima e na horizontal .

até o tolo se passa por sábio se ficar calado

não finja que sabe alguma coisa que você desconhece. pior é sair falando pelos cotovelos e só dar mancada.

faça aos outros aquilo que gostaria que fizessem a você

minha mãe sempre me falou isso. acho que resume bem todo o resto.

leia sobre jesus

foi o cara mais fantástico que já pisou nesta terra.

você não é o único ser vivente do planeta

seis bilhões de pessoas já estavam aqui antes de você nascer. aprenda a respeitar o próximo, mesmo que você não goste dele.

você vai se desapontar

mesmo seguindo estes conselhos, você sempre vai se deparar sempre com pessoas que não pensam e muito menos se comportam desta maneira. você vai se estressar e se irritar com elas, mas depois passa. não desista!

estes com certeza não são os únicos conselhos que você irá receber, mas já dão pra começar, né?

post feito a quatro mãos.

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10 de dezembro

dorme a noite inteira?

por luíza diener

se você é pai, mãe ou costuma frequentar rodas sociais dos mesmos, já deve ter notado que essa pergunta está na top five das questões bebezais.

realmente é uma vitória quando o bebê dorme uma noite completa, mas acredito que existam mais bebês que acordem no meio dela que aqueles que a passem completamente envoltos pelos braços de morfeu.

então, por que a pergunta? talvez porque os pais e mães sintam-se tão orgulhosos por seus filhos terem conseguido, que queiram compartilhar a novidade. ou talvez pra tentar descobrir se é somente o filho deles que ainda, no auge de seus 4 meses de idade, sente fome no meio da noite.

certa vez, numa roda de mães, enquanto o tema brotava e pululava, uma das mães me saiu com essa: perguntei ao médico a partir de qual idade o bebê não precisaria mais mamar a noite inteira e ele me respondeu: “a partir do dia em que nasce”.  eu, que geralmente fico calada para evitar discussões polêmicas e conflitantes, não me contive e na mesma hora larguei um “que absurdo! baseado em quê??”. afinal, se o bebê até o momento de nascer recebia alimento 24h ao dia em um ambiente totalmente escuro sem horários nem rotinas, como ele saberia a hora de mamar – ou não – assim, logo de cara?

a partir daí me inteirei – ainda na tal roda – de técnicas de adestramento para o bebê dormir a noite inteira: “dá de mamar lá pras 23h30. pega ele dormindo mesmo e dá de mamar pra ele ficar de barriguinha cheia”. até aí tudo bem, mas tinha mais: “se ele acordar com fome, dá a chupeta e vê se ele volta a dormir”. e pra piorar a situação: “se ele reclamar, deixa chorar. lá pela quinta noite ele aprende e pára”.

(se você aderiu a essas técnicas, aconselho que pare de ler por aqui, caso não deseje me odiar para sempre. não diga que não avisei)

me desculpem, mas acho uma puta falta de sacanagem, pra não dizer falta de coração, fazer isso com a criança. e olha que eu não estou discutindo aqui o tema “deixa chorar” – que também acho bastante polêmico. afinal, uma coisa é deixar chorar porque está fazendo birra (como saber?). mas chorar de fome é uma história completamente diferente!

antes de chutar o pau da barraca, vou pedir pra você colocar-se um pouco no lugar do bebê:

em uma bela segunda feira você acorda, toma café correndo e vai trabalhar.  passa a manhã inteira ralando feito um condenado. dá 11h50 e seu estômago já está roncando. pra completar, você recebe um email com a propaganda de um restaurante, repleto de fotos de comidas e descrições maravilhosas dos pratos, como “picanha maturada e grelhada ao ponto, servida de arroz, farofa e batata sauté”. você pensa “mais alguns minutos e eu saio daqui”. como se não bastasse, sua chefe maravilhosa entra radiante no escritório informando: “reunião daqui a 5 minutos na minha sala!”. ela passa uns 15 minutos falando, falando, falando e parece que aquilo tudo não tem mais fim. seu estômago ronca e de repente entra o estagiário porta adentro com uma sacola do mc donald’s. sem cerimônia, sua chefe revela aos poucos o conteúdo do pacote: refrigerante, batata frita, nuggets, sanduíche! e ainda se desculpa por comer na frente de vocês, mas a reunião não pode parar. pra disfarçar a fome, você mastiga um chiclete, chupa uma bala, mas parece que isso só piora a situação. 13h e você quer esganar a velha. a essa altura parece que o sua barriga ganhou vida própria. você perde o controle, levanta-se, bate com força na mesa e grita “pra mim chega!”. chuta a cadeira longe e ainda bate a porta ao retirar-se da sala.

não, você nunca faria isso. mas dá vontade né?
pois é, mas o bebê não tem esse tipo de freio e muito menos de diplomacia. ele sente fome e resmunga. se não consegue o que quer, pode chorar e até berrar. afinal, ele é um bebê. se acabou de nascer, então, o choro é sua única ferramenta de defesa. tem certeza que você quer deixar chorar? vai dar uma chupeta no lugar do peito, como se fosse uma bala ou chiclete para tapeá-lo?

você tem pena do menininho negro raquítico da campanha contra a fome na áfrica, mas acha que se seu bebê chora no meio da noite é claro que não está com fome, está apenas fazendo manha.

com um mês de idade, a pediatra sugeriu que eu inserisse uma rotina para o benjamin com horários para mamar. segui à risca e vi meu filhote berrar de fome sempre uma hora antes do estabelecido pela rotina (e sim, dei chupeta pro neném não chorar).

dois meses de idade e a pediatra me congratulou, dizendo que agora era a hora de fazê-lo dormir a noite toda. ensinou-me algumas das tais técnicas fantásticas, que me entraram por um ouvido e saíram pelo outro.

na consulta dos três meses eu já avisei: “voltei a amamentar em livre demanda. ele pede e eu já ponho as tetas de fora”. resultado: engordou quase 1,5 kg e cresceu mais 5 cm desde a última visita.

agora, com pouco mais de três meses e meio, benjamin não dorme a noite toda. mas já dá seus ensaios: nos últimos 15 dias dormiu 4 noites inteiras (por volta de 8 a 10h de sono). acorda pontualmente às 6h para mamar e volta a dormir, às vezes me chamando às 8h ou até mesmo às 9h da manhã.

mas mesmo que ele nunca o tivesse feito, eu te pergunto: o que é mais importante, você recuperar rapidamente seu precioso sono de uma noite inteira ou seu bebê – a coisa mais importante da sua vida – ter um desenvolvimento saudável e natural, no ritmo dele, cercado de carinho e segurança?

não pensem que com isso sou a favor de uma criança crescer ao deus dará, sem regras nem limites. ao contrário. sou a favor da ordem e da rotina, mas da rotina flexível e humana, respeitando o tempo e o limite delas. afinal somos indivíduos (individuais, oi?) e cadum cadum, né?

afinal qual é o pai que o filho pedindo pão, lhe dará pedra?

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20 de outubro

chupeta: pagando a língua

por luíza diener

se tinham duas coisas que eu sempre disse que meu filho não usaria seriam chupeta e mamadeira. achava totalmente dispensáveis.
sei lá, às vezes eu tenho uma veia meio natureba-exagerada que grita em mim.
até que vem a realidade e faz um monte de pré-conceitos e paradigmas tombarem.

quantos de vocês já acharam certas coisas lindas e maravilhosas até descobrirem na prática que aquilo era um trambolho quase que inútil? que nem bichinho de pelúcia: é lindo até você ganhar um gigante que ocupa sua cama inteira e logo fica velho, empoeirado e você não vê a hora de livrar-se dele e dar praquela sua sobrinha remelenta. ou espremedor elétrico de suco de laranja, que só é legal se você tem alguém pra lavá-lo depois.

também tem o contrário: lavar roupa é mais prático na máquina que à mão, email chega mais rápido que carta e a probabilidade de você encontrar uma pessoa no celular é muito maior que no telefone fixo.

com isso não to querendo dizer que chupeta é o último avanço tecnológico e que não usá-la seja um trambolho, mas quero ilustrar que às vezes idealizamos certas coisas que não são exatamente como imaginávamos.

certos bebês não precisam de chupeta. para outros, ela pode ser um auxílio.
não é à toa que em inglês ela chama-se pacifier, porque realmente traz uma paz pra geral.

e foi ao perceber que em certas situações o benjamin só acalmava com sua própria mão (que ele já achou) ou com o tal dedinho, que decidimos tentar a chupeta ocasionalmente.
até porque é mais fácil tirar a chupeta que arrancar fora o dedo do filho.

compramos, então, um bico e o alívio tem sido tão grande que eu pensei “porque não arrumei um treco desses antes?”. pra minha sorte ele não pede o bico o tempo inteiro. ele é uma ferramenta e não um acessório indispensável.
quando ele quer mamar muito tempo antes do horário e começa a chorar, chupeta.
quando as cólicas estão muito fortes e ele só quer peito, chupeta.
quando dormir vira uma saga e nada mais acalma a fera, chupeta.
isso se ele aceitar.
nunca socamos o bico na boca dele. eu o passo ao redor dos lábios e o deixo procurar. se ele procura, é sinal de que quer. aí eu tento colocar na boca. se ele começa a sugar eu seguro um pouquinho, sem apertar (porque primeiro ele suga como quem vai mamar e a chupeta acaba pulando) e quando vejo que ele pegou, solto.
às vezes ele chupa só pra acalmar e depois cospe. em outras, ele fica com ela até dormir.
quando eu vejo que dormiu de fato, tiro ela da boca, porque senão ele acorda chorando quando o bico cai. tirando antes disso e ficando por perto pra supervisionar o sono fica bem mais tranquilo.

a chupeta tem sido fator indispensável na independência da livre demanda totally full e na implementação da rotina.

e antes que perguntem, a resposta é não. a chupeta não mudou a pega do benjamin durante a mamada e não alterou a mamada pro mal. pelo contrário: ele tem usado menos o peito como consolo pra tudo e agora tem mamado por muito mais tempo.

confesso que fiquei com vergonha de tocar no assunto e demorei umas três semanas pra revelar este segredo assim, em público. até parece que quem chupa chupeta escondido sou eu.
mas agora falo mesmo. é um acessório que descobrimos juntos e que pretendo tirar tão logo as temíveis cólicas acabem.

porque eu acho que – depois do amor – a matéria prima que compõe uma mãe é a contradição.
e fim.

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13 de outubro

competição velada

por luíza diener

não está escrito nos manuais para mamães, nunca vi médicos falando sobre isso e ninguém nunca menciona isso abertamente. mas o fato é que quando você vira mãe, entra pra uma das maiores competições da história.

claro que tem aquele papo de que você é um campeão porque o seu espermatozóide foi o vencedor dentre milhões e blá blá blá, mas eu to falando é daquela disputa acirrada que só quem entra (ou pretende entrar) pra maternidade sabe.

começa na gravidez: “você levou quanto tempo pra engravidar? ah, eu engravidei na primeira tentativa!” ou “você engordou 12kg? pois eu engordei só 5kg e ainda fiquei mais magra, logo na primeira semana após o parto”. aí o bebê nasce: “3,215kg e 47 cm? o meu nasceu com 4,5kg e 53cm!”. bom pra você que conseguiu se arregaçar tanto. parabéns.

e não apenas as disputas numéricas de tempos, pesos e tamanhos, mas também de quem sabe cuidar melhor: “meu filho nunca chorou de fome assim. mas também, eu sempre dei o peito na hora que ele pedia”, “o seu reclama pra trocar fralda? pois o meu adora! chega dá gargalhadas!”.
e também o bebê do vizinho quer sempre ser mais verde que o nosso: “cólicas? meu filho nunca teve. um anjinho!” “o meu sempre dormiu super bem. com menos de um mês já dormia 8 horas seguidas durante a noite. eu nunca soube o que é passar a noite em claro”.

quando a coisa começa a ficar feia, sobra até pro marido: “nunca precisei botar pra arrotar. meu marido sempre faz isso pra mim!” e “banho? que isso! meu marido sempre faz ques-tão de dar. enquanto isso eu tiro um tempo só meu pra ler um livro ou simplesmente relaxar”.

mas o que mais me incomoda mesmo é que eu sei que sou mãe de primeira viagem e sei que ainda tenho muito o que aprender, principalmente com os mais experientes. mas o fato é que tem sempre uma parente, vizinha, faxineira, porteira, amiga da amiga da amiga pra te ensinar a cuidar.
de todos, o que me irrita de fato é: “seu filho tá chorando”. JURA??? eu não tinha ouvido! achei que fosse seu celular tocando! afinal bebê nunca chora por manha, porque quer mamar outra vez, porque tá com sono, porque quer colo. os bebês só choram quando já tentaram se virar sozinhos no máximo e deixam pra chamar a mãe só quando é necessário, pra não incomodar.

e eu tentando colocar meu filho na rotina (de um jeito bem mais flexível, mas tentando), às vezes tenho que deixar o menino chorar um pouquinho mesmo. não é crueldade nem nada, mas qual bebê acha mais confortável o berço ao colo da mãe? ou acha legal ter que esperar mais um pouquinho pra mamar sendo que só tem meia hora que ele se alimentou?
ok. talvez você não concorde com isso, mas tenho certeza que se você é mãe ou pai e decide cuidar seu filho de uma maneira x não vai querer que venha qualquer um querendo te ensinar o jeito y de educá-lo. estou certa?
até porque isso mexe com o ego da gente.

talvez você seja bem resolvido(a) ao ponto de achar lindo ter que ouvir todo santo dia um pitaco ou comparação de terceiros e ainda aceitar tudo com alegria. mas confesso: sou orgulhosa, tenho meu ego quase intocável e por isso não gosto de palpites abestados e muito menos de disputinhas descabidas.

se você é meu amigo ou amiga, sei que quando disser alguma coisa vai dizer de coração, ou assim espero. e eu aqui do meu ladinho também tenho que fazer a maior força pra não entrar nesse jogo bobo.
porque mãe é mãe e sempre vai achar seu filho a coisa mais linda e perfeita do universo.

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26 de abril

Dicas de como gastar menos com os filhos

por hilan diener

Quando a esposa de um amigo meu anunciou que estava grávida a primeira coisa que veio na cabeça dele foi a sua conta ficando no vermelho.  Totalmente normal. Dinheiro é uma das maiores preocupações dos pais e como a maioria das pessoas que conheço não são milionárias aí vão dicas para gastar menos com os filhos:

Jamais apresentem as gulodices do mundo a seus filhos.

Chegará o momento certo de eles mesmos descobrirem e pedirem essas coisas a vocês. É com muita tristeza que vejo pais levarem bebês de colo a lanchonetes, oferecendo-lhes refrigerantes e batatinhas. É só para provar, não é mesmo? Sim, mas essas “provadinhas” despertam o paladar para alimentos e hábitos reconhecidamente pouco saudáveis e, ainda por cima, muito caros. Deixem que seus filhos desenvolvam o próprio desejo por alguma coisa. Será muito mais gratificante presenteá-los com uma visita a um lugar que estiverem loucos para conhecer do que despejar sobre eles novidades inúteis em uma idade em que não fazem escolhas baseadas em marcas e etiquetas.

Estabeleçam regras de consumo de produtos caros ou pouco saudáveis.

Comentei recentemente com amigos que, quando eu era criança, tomávamos refrigerante apenas aos domingos, na casa de meu avô. 0 mais impressionante: duas garrafas de um litro eram suficientes para a família toda! Incentivar as crianças a consumirem doces, guloseimas e alimentos inadequados sem nenhuma regra é estimular um consumismo doentio e desnecessário, fruto do comodismo dos pais.

Estabeleçam regras de compras para as crianças.

É impressionante a frequência da presença de crianças mimadas em lojas e supermercados. Usando uma expressão do doutor Içami Tiba, são verdadeiros tiranos do consumo, criando “saias justas” para os pais e forçando-os a levar para casa o que querem. Certas regras devem ser estabelecidas desde cedo. As compras não servem para trazer presentes para casa. Presentes são ganhos em datas festivas; é importante que a criança tenha noção disso, pois aprenderá a fazer escolhas criteriosas dos presentes que deseja e a valorizá-los muito mais. Se for preciso negociar, que seja um sorvete, e não um brinquedo.

Não abusem das novidades tecnológicas.

Dar presentes caros quando a criança não os espera terá como único efeito o estímulo da vontade de receber presentes mais caros ainda na próxima oportunidade. Para uma criança de 3 anos, ganhar um carrinho com controle remoto pode ser tão bom quanto ganhar uma bola ou um skate. Não é nenhum pecado dar ao filho um carrinho de plástico comprado na feira se esse é o presente que o faz feliz.

Supermercado não é lugar de criança.

A não ser, é claro, que elas mostrem saber comportarse em um lugar de tantas tentações. A técnica de fazer compra com lista vai por água abaixo quando temos uma criança ao nosso lado que parte nosso coração com aquela expressão de “quero tanto”. As embalagens são feitas para criar esse efeito, isso é normal. Convencer uma criança do que cabe e do que não cabe no orçamento é difícil, portanto será melhor deixá-la com alguém.

Retirado do livro “Casais inteligentes Enriquecem Juntos” Clique no link para baixar o PDF

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09 de março

Documentário: Criança a Alma do Negócio

por hilan diener

Por que seu filho sempre pede um brinquedo novo? Por que sua filha quer mais uma boneca se ela já tem uma caixa cheia de bonecas? Por que seu filho acha que precisa de mais um tênis? Por que você comprou a maquiagem para sua filha se ela só tem cinco anos? Por que seu filho sofre tanto se ele não tem o último modelo de um celular? Por que você não consegue dizer não? Ele pede, você compra e mesmo assim.  Seu filho sempre quer mais. De onde vem este desejo constante de consumo?

“Criança a Alma do Negócio” é um documentário que reflete sobre estas questões e mostra como no Brasil a criança se tornou a alma do negócio para a publicidade.

A indústria descobriu que é mais fácil convencer uma criança do que um adulto, então, as crianças são bombardeadas por propagandas que estimulam o consumo e que falam diretamente com elas. O resultado disso é devastador: crianças que, aos cinco anos, já vão à escola totalmente maquiadas e deixaram de brincar de correr por causa de seus saltos altos; que sabem as marcas de todos os celulares mas não sabem o que é uma minhoca; que reconhecem as marcas de todos os salgadinhos mas não sabem os nomes de frutas e legumes. Num jogo desigual e desumano, os anunciantes ficam com o lucro enquanto as crianças arcam com o prejuízo de sua infância encurtada. Contundente, ousado e real, este documentário escancara a perplexidade deste cenário, convidando você a refletir sobre seu papel dentro dele e sobre o futuro da infância.

Para os que já são papais: É esse exagero todo mesmo como mostra os videos? Conte sua experiência nos comentários!

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04 de março

Chega de empurra-empurra

por luíza diener

quer dar um presente para toda a família e ainda dar uma indireta pro maridão? dá uma olhada no brinquedinho que estamos lançando em primeira mão aqui no potencial gestante.

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sabe quando você passou aquela gravidez difícil que nunca te deixava dormir fosse por insônia, porque você levantava de hora em hora pra ir ao banheiro ou porque não encontrava posição alguma que te deixasse confortável com aquela pança?
aí você pensou: pronto! o neném já nasceu e eu vou ter um minutinho de sossego pra dormir um pouquinho mais!
ledo engano… aí é que tudo começou efetivamente.
além de ter carregado o neném por 9 meses ainda tem que lidar com aquelas mamadas de 3h em 3h, sem contar com as trocas de fralda, cólicas, choros inexplicáveis e mais tudo aquilo que não te dá sossego um minuto.
você está há um tempão se dedicando exclusivamente à criança.
o pai chega em casa e só quer a parte boa: colinho, banhozinho, caretinha, bilu bilu, cadê o nenê? achoou! e você ainda está procurando ainda foi parar aquela sua paciência que parece que se escondeu pra sempre.
se você reclama que ele não ajuda, vêm alguns argumentos como “eu botei pra arrotar na noite passada”, “eu troquei aquela fralda cheia de cocô um dia desses” ou “eu trabalhei o dia inteiro pra sustentar vocês e você só ficou em casa” ou.. ok! vamos parar por aqui que acho que já deu pra entender.
foi pensando em essas e outras (futuras) situações que o potencial gestante decidiu lançar com exclusividade a roleta da obrigação!
seja para dar uma bela indireta ou para transformar isso em uma regra da casa mesmo (cuidado com a roleta viciada!), a obrigação pode se tornar (quase) uma diversão.
claro que às vezes você pode ter uma família perfeita, um marido perfeito que te ajuda como ninguém e vai muito além do seu esforço e tudo corre muito bem na sua casa. você nunca vai precisar dessa roleta, é claro! esse tipo de situação só acontece na casa dos outros.
e, por isso, pode ser um ótimo presente pra chá de bebê dos outros, visita à familia de recém nascidos dos outros, dia dos pais/mães de outros, praquela outra amiga que descobriu a gravidez há pouco e por aí vai… pra você não, né? você não precisa, claro! ahahahhahaha!

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16 de novembro

O google é o meu verdadeiro pai.

por hilan diener

googlesabemais copy

Nasci em 1981 e não sei você, mas a impressão que eu tenho é que quem nasceu nessa época com certeza, direta ou indiretamente, foi atingido pelo famigerado boom dos divórcios.

Hoje com meus 28 anos vejo o estrago que isso causou em mim e na minha geração. Como diria sabiamente Tyler Durden do filme Clube da Luta[bb]: “Somos uma geração criada por mulheres, será que precisamos realmente de outra em nossas vidas?”.  Pode parecer machista esta frase, mas em parte ela é a mais pura verdade. Eu e muitos dos homens que lêem este post neste momento fomos criados pelo que chamo da tríade do homem moderno: mãe, avó e tia.

Não me entenda mal, não é que eu desmereça a criação das minhas queridas mãe/avó/tias,  admiro a dedicação e a coragem de topar o desafio de criar uma criança sem um pai, porém sei que elas e eu (principalmente) sofremos a ausência de uma figura masculina. Então tive que me virar e minhas mãe/avó/tias também. Lembro-me que fui aprender a andar de bicicleta com dez anos! Meu primo me colocava sentado no banco da minha monark e me empurrava ladeira abaixo. Logo em seguida a cena patética de um rapagão se estatelando no asfalto. Depois de muito treino e tombos consegui.

Você só percebe que tem algo errado com você quando você se compara com os outros.

Lembro que tinha amigos que sabiam andar de bicicleta desde os quatro anos de idade! Qual foi o seu segredo: Meu pai me ensinou!  Ah sim, claro! Onde eu arrumo um pai a esta hora da pós modernidade?

As feministas podem falar o que quiserem, mas é o homem que dirige para o hospital quando a mulher entra em trabalho de parto.

Imaginem vocês: eu com vinte tantos anos de idade e nem sequer sabia qual era a diferença entre o acelerador e o freio de um automóvel. Sofrível. O meu maior medo de não saber dirigir era não poder levar a Luíza para hospital quando ela entrasse em trabalho de parto (sim, eu sofria por antecipação). Aprendi a dirigir com a minha namorada, hoje minha esposa Luíza, não esquecendo também das quinze aulas do curso de direção.

A minha geração não quer repetir os mesmos erros dos nossos pais, mas cometer erros novos.

Diferente de mim, o meu filho não vai precisar entrar no google[bb] para aprender a ser um bom pai e nem um bom marido. Meu filho vai saber andar de bicicleta e dirigir. Meu filho vai andar de cabeça erguida e pé ancorado no chão. Meu filho vai saber que quando o medo vier, o pai dele – que é o homem mais forte do mundo – vai estar ali para ajudá-lo. Prometo estar do seu lado.

Bônus:

Para não dizer que não falei das flores – Entra aqui

Para os homens: Compartilhe sua infância, você foi criado pela tríade? Por favor comente! :)

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