
{desabafo de uma mãe de primeira viagem (eu) sobre seu filho que demandava atenção plena e integral nos primeiros meses de vida}
até hoje sofro com minhas contradições maternais. ou melhor, com minhas contradições por ser maternal.
literaturas instruem e estragam.
será a ignorância uma benção ou uma maldição?
antes de engravidar eu lia muito sobre gravidez, bebês, criancas e idealizei muitas coisas maravilhosas: queria um parto natural, fraldas de pano, bebe no sling e cama compartilhada. queria toda essa maravilhosidade da maternidade natureba que lê-se por aí.
entao o bebê foi gerado, parido, nascido e agora deparo-me com contradições diárias. a chupeta contra a qual eu lutava entrou pra rotina e, falando nisso, a tal rotina veio não sei se pra me ajudar ou estragar tudo de vez. tentei voltar para a livre demanda mas fiquei com medo de “estragar” meu filho com tanto peito e colo.
sabe como eu queria mesmo criar o benjamin? grudado em mim o dia inteiro, ora no peito, ora no sling e na hora de dormir, juntinho comigo na cama (como fazemos em algumas manhãs).
lendo sobre cama compartilhada vi os benefícios que isso traz à auto-estima da criança, aos hormônios de ambos e à criação de laços afetivos, mas se ele dorme na nossa cama, quem não dorme somos nós.
li sobre as chupetas e que a quantidade de malefícios supera e muito os benefícios da mardita.
li sobre tudo de bom que é amamentar em livre demanda, mas eu sofro com ela porque não consigo mais nem almoçar em paz. ou melhor, não consigo mais almoçar nada.
aí me dizem o que eu mesma sempre disse: siga sua intuição.
pra falar a verdade eu sei BEM o que a minha intuição está me dizendo, mas eu tenho medo. medo de criar um filho totalmente dependente de mim, medo do que os outros vão dizer, medo de ter um filho mimado ou sei lá do que mais tenho medo.
mas no fundo no fundo, acho que é medo de me apaixonar mais ainda por esse pequeno bichinho de goiaba. de ficar totalmente entregue às suas vontades.
isso porque eu sempre quis ter o controle de tudo. e viver às custas dos filhos é perder totalmente o domínio da situação.
as pessoas são cheias de traumas e muitas vezes (quase sempre) te aconselham baseadas em suas próprias experiências de vida. não que elas queiram ver seu mal, ao contrário: muitas vezes querem evitar que você passe pelo mesmo sofrimento delas.
pessoas que passaram pelo divórcio geralmente te aconselharão a ter sua vida paralela, a não se doar por inteiro para, no caso de seu casamento não dar certo, você não ficar completamente desnorteado.
quem não conseguiu alcançar a tal carreira almejada por falta de instrução vai te aconselhar a estudar, fazer faculdade, especialização, concurso público e o escambau pra você nunca ficar sem emprego.
pais que sofreram por terem doado-se ao máximo por seus filhos sem nunca receberem o reconhecimento devido te ensinarão que os filhos um dia irão deixar seu ninho, os pais ficarão sozinhos e sua vida há de continuar.
e daí por diante.
de fato, todos os conselhos acima são super válidos e legítimos dentro da vivência e equilíbrio de cada um, mas não precisam necessariamente fazer parte da minha ou da sua vida.
afinal, cadum cadum, né?
mas por outro lado fico imaginando se eu conseguirei conciliar esta idealização com o o estilo real de vida que levo. sera possível?
* * *
hoje, 1 ano e 5 meses depois de ter escrito este post, voltei para reler este texto e tirá-lo do rascunho.
pra quem quer saber o final da novela, a cama compartilhada nunca deu certo aqui em casa, a rotina da encantadora de bebês foi exorcizada de nossas vidas com louvor, a chupeta continua até hoje, bem como a amamentação em livre demanda, que tornou-se o sucesso da casa, especialmente no primeiro ano de vida (aliás, estou digitando com uma mão só porque neste exato momento o pequeno está a mamar).

segui minha intuição com força e acredito que deu certo pra gente aqui em casa.
aos poucos eu pude voltar a almoçar (especialmente depois que ele começou a comer) e hoje já somos cheios de truques e malabarismos para conseguir fazer muitas coisas com ele por perto.
ao contrário do que pregam os militantes contra a livre demanda e o colo full time, ele não ficou mal acostumado.
claro que o benjoca é muito afeiçoado a mim e eu não vejo demérito nenhum nisso. pelo contrário.
mas ele é um menino muito alegre e independente e está cada vez mais difícil arrancar dele um abraço ou um beijo.
ou seja, eu aproveitei muuuuuito o tempo do grude grude, dei todo o colo, beijo e carinho que ele precisava.
mas agora ele já entrou na fase de querer descobrir o mundo com seus próprios olhos.
eu continuarei a persegui-lo para arrancar dele beijos e colos até o dia em que me der netos (aí eu corro atrás dos netos, deixo eles mal acostumados - e brigo com minha nora).
{dicas de etiqueta para pais}
depois do post nem filho, nem desfilhos, muitos comentários surgiram. de proposta de sociedade a participação nos royalties na comercialização de um folder – com as dicas de etiqueta para não pais – e até algumas pessoas raivosas sugerindo que os pais/mães também deveriam ter um post especialmente para eles. afinal a grande maioria tem falta de noção dificuldade de ouvir sugestões ou críticas.
sem mais delongas seguem abaixo algumas dicas para você ser um pai/mãe ainda mais bacana:
1) pare de falar do seu filho o tempo todo.
esse sou eu. tenho que admitir. eu falo do benjamin a toda hora: ele fez isso hoje, ele falou tal coisa, o coco dele tá meio verde, você precisa ver que coimarlinda. o benjamin, o benjamin, BLA, BLA, BLA, BLA! agora fico pensando que as pessoas que convivem um pouco comigo realmente devem estar de saco cheio ou achar que eu sou um pouco exagerado. na melhor das hipóteses devem de chamar de papai coruja dos infernos.
mas a coisa pode piorar e muito se você começar a comparar seu filho com o dos outros. por exemplo: meu filho com 5 meses já tava andando e falando. o seu ainda não?? como assim? meu bebê já participou de corrida de engatinhamento 100 metros rasos e ganhou!!! e ele tinha só 3 meses e o seu não? putes! aí você será realmente odiado.
2) evangelismo paterno/materno ou conversão a paternidade/maternidade
eu li em algum lugar falando que quando uma pessoa tem filho é semelhante a aquela primeira pessoa que pula na água fria da piscina. depois que ele pula e passa o congelamento inicial fica enchendo o saco da galera: a água tá ótima! pode vir galera, entra, entra! pode entrar! entra PELO AMOR DE DEUS! não quero ficar aqui sozinho! basicamente é assim que muitos pais e mães fazem com quem ainda não tem filhos. ficam tentando converter a pessoa para o lado paterno da força.
ok. admito: já fiz isso também. só porque você ama crianças e se empolgou com o lance todo de paternidade não quer dizer que todo mundo seja assim também.
sabia que existem pessoas que não querem nem pensar em ter filhos? é mais normal que tomar água.
outra modalidade versão avançada é ficar pressionando os que já são pais e terem mais filhos, por exemplo: mas vocês vão ter só um? filho único não é bom! tenha mais um ou dois! quem sabe rola um casalzinho? né? casalzinnnn é tão ounnnnn, fofo!
3) metralhadora de conselhos
uma dia desses eu tava notando: a luíza tem uma amiga no facebook que basta ela publicar qualquer coisa (comentário, post, foto, o que seja) que a mulé já vem com um comentário/conselho. não basta comentar, tem que mostrar o quanto ela é sabida na arte da maternidade. sério. a impressão que dá é que realmente eu NÃO SEI COMO MEU FILHO ESTÁ VIVO ATÉ HOJE SEM A AJUDA DESSA PESSOA. to quase pagando uma mensalidade escolar para ela, porque não tá fácil, gente.
pior é quando, num geral, a pessoa foi mãe trezentos anos atrás e está um pouco desmemoriada desatualizada de algumas coisas e quer de todo jeito te ajudar a cuidar melhor do seu filho. dia desses eu ouvi que leite moça é um bom substituto para leite materno. hahaha! cerveja também!
4) quem é mais zumbi?
a famosa competição pra saber quem está mais cansado (até aqui em casa rola isso às vezes).
eu sei que não é fácil cuidar de bebê, dá um trampo enorme, cansa e desgasta. principalmente para as mães que amamentam ou quando o bebê fica doente.
e acho normal comentar que está com sono ou cansado, mas quando vira uma ladainha sem fim, enche o saco de qualquer um, principalmente de quem não tem filhos.
sinceramente, vai adiantar alguma coisa você dizer que está cansado? acho que vai te cansar mais ainda.
5) fique em casa
há um tempo nosso filhote ficava doente quase todo final de semana. sempre que isso acontecia nós não saímos de casa ao encontro de outras crianças. mentira. mas evitamos o máximo que dava.
afinal, ninguém merece filho doente por causa de filho doente dos outros.
quando íamos encontrar com alguém com filhos, avisávamos que não dava pra ir porque a cria estava dodoi.
se o pai ou a mãe não se importassem, então levávamos a criança remelenta mesmo.
só pra ficar bem claro: se seu filho está doente e você for sair assim mesmo, avise antes ou adie o compromisso! não leve ele pra cima dos outros gratuitamente (a não ser que queira se vingar de alguém ou que estejam indo para um bazar de troca de germes novos e usados).
6) seja firme com sua criança e me inclua fora dessa
eu não sei vocês, mas já vi isso acontecer muito. comigo e com outras pessoas. tá lá a criatura malcriada tocando o terror por algum motivo X, no parquinho, na festa, no restaurante ou numa casinha de sapê e aí o paizinho ou a mãezinha, fala pro rebento rebelde:
- filho não faz assim! olha que a moça briga com você, ein?!
- filho que coisa feia, o tio não tá achando legal não… nunca mais ele vai querer que você venha aqui.
reconhecem? pois é. você é o progenitor dessa criança! não sou eu que não está achando legal, é você! seja firme com seu filho e repreenda ele por você mesmo. não use outra pessoa para justificar a falta de limite dele ou sua falta de autoridade.
bônus: me confundo um pouco quando os pais chamam o filho de “papai” ou “mamãe”. os filhos também devem se confundir um pouco também. já viram isso? o pai da criança falando com o filho:
- ô papai, cuidado! aí não, papai!
- ô mamãe, não faz isso. mamãe tá com sono né? tá enjoadinha.
anexo importante: objetos inanimados são inanimados por um motivo: eles não têm vida, são isentos de vontade própria e nem sabem elaborar planos maquiavélicos.
portanto, se seu filho meter a cabeça na quina de uma mesa, nada de dar um tapinha na mesa e falar “mesa feia! fez dodói no pedrinho!”
também não vale se sua menina cair de boca no chão e você disser: “chão bobo! quebrou o dentinho da audrey!”
nem tudo nessa vida é questão de culpa. a criança caiu porque tropeçou e pronto. ia fazer o quê? tirar o chão de lá? desse jeito você ensina a criança a sempre lançar a culpa de atos aleatórios (às vezes até propositais) em terceiros.
bela fuga, ein?
7) brinquedos e comidas são amigos
vai sair e ficar um bom tempo fora de casa? sabe que em algum momento seus pequenos podem cansar e começar um surto psicótico?
aí vão dois truques que costumam funcionar bem pra boa parte das crianças e bebês:
8 ) o mundo não vai acabar

dia após dia eu fico mais feliz e mais orgulhosa de poder ficar em casa com meu filho.
foi uma decisão nossa, planejada muito antes dele existir.
graças a deus tivemos (e ainda temos) condições de fazer isso, pois entendo que existem famílias em que isso não chega nem a ser uma opção.
mesmo assim nunca li muito sobre educar em casa.
a forma como cuido do pequeno é muito mais intuitiva e baseada no que minha mãe fazia comigo e com minhas irmãs.
lembro que ela – que ficou conosco até eu completar 7 anos – sempre tinha alguma coisa interessante pra apresentar pra gente: um piquenique na varanda em dias de calor, papéis gigantescos para desenharmos, poucos brinquedos comprados e muita coisa inventada.
tudo isso ficou encucado em mim.
uma ou outra coisa eu também vi na internet ou copiei de algum lugar que eu achei interessante.
então resolvi compartilhar com vocês algumas coisas que eu faço/não faço e o porque de cada coisa:
acessibilidade

o benjamin tem acesso a todos os cômodos da casa. uns ele pode acessar livremente e outros, acompanhado (banheiro e, especialmente, cozinha/área de serviço).
aqui a casa não é só do casal. é também dos filhos (futuros included). então fazemos assim: parte da estante na sala é dele, parte nossa. nas prateleiras inferiores a gente dispõe brinquedos e livrinhos dele. também deixamos um tapetinho no chão e ele sempre senta lá pra ler e brincar. mas claro que ele prefere mesmo é catar qualquer coisa e ir sentar-se conosco no sofá ou subir nas cadeiras de adulto.
o quarto é todo dele e para ele. tiramos o berço e deixamos o colchão no chão mesmo. assim, quando ele acorda, pode brincar um pouco antes de nos solicitar. e olha que isso funciona. ele já chegou a ficar quase uma hora brincando sozinho sem reclamar.
e tudo é acessível: os quadros e espelho são na altura dele, os livros e brinquedos ficam dispostos de forma que ele possa tirar e guardar quando quiser.
o que não queremos que ele pegue de jeito nenhum a gente tira da vista e do alcance.
claro que volta e meia têm coisas nossas espalhadas pela casa toda e ele quer mexer e brincar. mas aí ensinamos que existem coisas que são do coletivo e outras não, o que nos leva ao próximo tópico:
coletividade/individualidade
como falei acima, muitas coisas na casa são de livre acesso. são as coisas do coletivo.
as que oferecem verdadeiro risco, como produtos de limpeza, fogão, facas, etc, ficam fora da área de circulação.
as que não queremos que ele mexa, mas não podem sair de circulação (tv, tomadas, telefone, bla bla bla), a gente ensina a não mexer.
aliás, protetor de tomada é algo novo aqui em casa. só colocamos alguns lá no quarto dele – quando ele passou a dormir no chão – pois não o vigiamos 24h pra dizer “não pode” toda vez que ele resolver cutucar por lá. e também não quero arriscar, né?
no mais, a gente ensina que certas coisas não devem ser nem tocadas (a tomada) e outras podem com moderação (ligar o som ou brincar de falar ao telefone) .
aqui em casa eu também tento ao máximo coletivizar as coisas que posso: os pratos e talheres em geral são de todos. as coisas de comer exclusivas do benjamin são mais pra gente sair, por questão de praticidade.
geralmente a comida é feita pra todos sem leite e sem glúten de maneira que ele não fique passando vontade por causa das alergias.
por outro lado, se a gente quer tomar um refri ou comer alguma coisa que ele ainda não pode, ele entende que esse ou aquele é do papai e da mamãe e a gente arruma alguma água, suco ou biscoitinho pra ele matar a sede ou a fome.
ele tem uma brincadeira bem fofa que é tentar adivinhar quem tem o que ou o que é de quem.
exemplo: papai tem pinto. benben tem. mamãe não tem. tov tem. boneca não tem e por aí vai.
ou: mamãe pode mexer no fogo. papai pode. benben não pode. tov não pode. vovó pode. etc.
outra coisa: o benben tem chupeta. papai não. amiguinha sim. mamãe não. tov não.
ele aprende com a própria curiosidade e depois fica repetindo pra gente, como quem está recapitulando.
e com isso ele percebe também que têm muitas coisas que ele pode fazer e a gente não (minha tentativa de mostrar como o mundo dele é muito mais interessante que o nosso).
tudo é um aprendizado
confesso que, se a mãe/pai tem disponibilidade e disposição pra fazer certas coisas com os filhos, algumas aulas passam a tornar-se dispensáveis.
um dia ouvi uma amiga dizer que existe uma aula de musicalização diferente que, ao invés de ensinar o som dos instrumentos, ensina o som das coisas: o carro faz brrruuuum (e aí as crianças ouvem o som do carro); a máquina de lavar faz tchuc tchuc tchuc (e todos escutam o som da máquina de lavar).
ah, eu sei fazer isso aqui também, até porque o que não falta é máquina de lavar funcionando, telefone e campainha tocando, carro passando e coisa e tal. o pequeno sabe diferenciar entre o som da moto, do carro ou do caminhão. do avião e do helicóptero. tudo por observação.
acredito que não existe melhor estímulo que o do dia a dia.
por aqui tudo é tudo. um pote de sorvete pode guardar sorvete, mas também pode guardar brinquedos, pode virar uma micro piscina, pode ser um tambor, um chapéu, uma forma de bolo de areia ou o que mais a imaginação permitir.

quando vamos ao parquinho eu deixo que ele explore tudo. tira o sapato, sente a textura da terra, da grama, da areia, da pedra. coloca um pouco na boca, percebe que o gosto é ruim. senta no brinquedo quente e vê que machuca. percebe que o escorregador está gelado, o balanço está molhado. sobe e desce pela escada. desce e sobe pelo escorregador. sobe, pendura e balança em tudo. e acha graça. se mete na brincadeira dos grandes. fica admirado com eles. e logo tenta imitar tudo.
às vezes saímos de casa sem rumo e eu aproveito pra contar-lhe sobre as coisas, desde as mais simples até as mais complexas: olha como o passarinho voa alto! escuta ele cantar. que bonito, né?! pega essa folha verde. ela é lisa? é macia? sente o toco áspero da árvore grande. começou a chover. tá sentindo o cheiro da terra molhada? tá sentindo a água cair na sua cabeça? abre a mão pra ver a gota que cai lá do céu. é a chuva. o céu tava azul e agora está cinza, cheio de nuvens.
aquele moço colocou o capacete e vai andar na moto. aquela moça carrega uma bolsa e vai embora. dá tchau pra ela.
vamos conversar com o porteiro? pergunta o nome dele…
em casa, nos dias de chuva ou em dias em que não dá pra sair, muitas coisas podem virar brinquedo: apoie o colchão no sofá e você tem um escorregador ou uma rampa. pode fazer corrida com obstáculos usando almofadas para pular e cadeiras para passar debaixo. com duas cadeiras e um lençol você tem uma cabaninha. o armário vira esconderijo. a cortina também.

e tantas milhares de coisas que eles podem aprender ao experimentar, observar,conversar.
aliás, o diálogo:
diálogo, conversas e um falatório sem fim
acredito que um ótimo jeito de ensinar as coisas a uma criança seja através do diálogo.
claro que tem essas outras experiências sensoriais mencionadas acima, mas acho extremamente importante conversar com os pequenos, desde que eles estão na barriga.
conversava muito com o benjamin desde o momento em que soube que ele estava lá, mesmo antes dele ter um nome ou um pênis. contava história, cantava música. obviamente isso continuou depois que ele nasceu.
quando ele nasceu eu me apresentei pra ele, apresentei o pai também.
quando chegamos em casa eu mostrei tudo pra ele. depois veio o tov e expliquei que aquele seria seu companheiro de aventuras pelos próximos anos ou décadas.
desde cedo leio livrinhos pra ele. antes o tempo de concentração era mínimo: no máximo 2 ou 3 minutinhos.
agora ele para mais um pouco pra ouvir (só um pouquinho a mais) e escolhe as historinhas que quer.
é muito fofo quando, do nada, ele me aparece com um livro e já chega sentando no nosso colo, falando qual história quer.
se vamos sair, sempre aviso aonde vamos.
nunca o pego de surpresa. conto que a gente vai visitar a vovó e para isso ele vai precisar colocar uma blusa, um short, dois sapatos.
quando o pai vai trabalhar eu mostro que primeiro o papai acorda, toma banho, se veste, come e da tchau pra gente. depois disso ele entra no ônibus e vai pro trabalho.
ao final do dia, o caminho reverso. contamos pro papai com quem estivemos, o que ele fez, se machucou, se brincou muito, se fez sol ou chuva.
quando ele fica chateado eu procuro sempre olhá-lo nos olhos e perguntar o que foi. tentar entender seus motivos e também explicar os meus.
na maioria das vezes eu explico por que é que ele não pode fazer tal e tal coisa e tudo isso costuma acalmá-lo.
a rotina funciona bem para os pequenos, mas quando eles crescem a gente pode acrescentar o diálogo a tudo. isso sim faz com que as coisas tornem-se previsíveis.
mas não apenas falar, acho importante que saibamos ouvir.
por enquanto eu não consigo entender nem metade das palavras que saem daquela pequenina boca, mas me esforço, tento entender os gestos, buscar com meus olhos o que ele está fitando. tentar traduzir aquele vocabulário maluco.
e a gente se impressiona ao perceber o tanto que eles já falam, mesmo que com palavras ininteligíveis.
televisão
ele não vê. não vou dizer que nunca viu, mas também não me valho desse recurso pra conseguir fazer outras coisas.
tenho vários argumentos para ele não assistir (o que rende um post à parte), mas o ponto central é: o tempo que seu filho passa em frente à tv é um tempo que ele perde de aprender, crescer e relacionar-se. isso pra mim já é suficiente.
o convívio com as outras crianças
já ouvi muito de pessoas diversas o levantamento da questão: mas e o convívio com as outras crianças?
ué. ele tem. como já disse, todos os dias nós vamos ao parquinho, por exemplo. lá ele convive não apenas com crianças da idade dele (como costuma ser nas escolinhas normais), mas com meninos e meninas mais novos e mais velhos.
ele até vê graça nos pequenos, mas sempre quer saber mais dos maiores. já sabe o nome de vários deles. tem até uma amiguinha – com 4 ou 5 anos a mais – que só de vê-la ele já sai correndo (às vezes para ela, às vezes dela, pra brincar de pega pega).
num dia ele é o bonequinho das meninas, que o carregam no colo pra cá e pra lá, colocam no balanço, no gira gira, ajudam a descer no escorregador.
no outro, é o macaquinho de circo dos meninos: fica fazendo palhaçada enquanto todos riem.
noutras vezes ele é o líder da turma do fundão. é só se juntar com os pequenos da idade dele que o terror instala-se e ele sempre arrasta os amiguinhos pro mau caminho dos sobes e desces infindáveis dos brinquedos mais perigosos, ou num rally no meio da terra vermelha, típica de brasília.
além do parquinho, tem os filhos de amigas, que sempre faço questão de encontrar.

e além do parquinho e dazamiga, tem a igreja.
todo domingo nós vamos à igreja e lá tem programação especial para as crianças também. agora ele está indo numa salinha que é uma graça: primeiro tem musiquinha com crianças de diversas idades. depois ele vai pra turminha da idade dele (alguns mais velhos também) e lá tem hora da historinha, da atividade, da brincadeira. é a hora em que ele é o benjamin, sem a mamãe nem o papai. isso também é ótimo pra ele.
querem mais ou tá bom?
porque se sujar (e bagunçar, e comer o que não deve) faz bem
se eu quero que meu filho tenha suas próprias experiências, preciso permitir que certas coisas aconteçam: comer sozinho faz uma lambreca danada. deixar o filho beber num copo comum é correr o risco dele ficar com a blusa molhada. permitir o livre acesso aos brinquedos é ter a certeza de que sempre terá algum (ou vários) fora do lugar.
as roupas vão sujar (algumas vão manchar pra sempre), você corre o risco de ganhar um risco na parede da sua sala ou naquele sofá novinho, seu filho vai viver com algum roxo na testa, na perna, no braço e pode até ter uma eventual dor de barriga porque comeu areia ou lambeu a sola do sapato.
mas não é assim que se aprende? experimentando?
claro que não é pra criar os filhos descontrolados no meio da selva de pedra! mas também não dá pra metê-los numa redoma, arredondar o canto de tudo que é pontudo, eliminar 99,9% dos germes e bactérias e isolá-los do mundo.
muito menos querer que eles sejam mini adultos hiper comportados, que dormem super bem, nunca dão trabalho, não fazem birra, não têm catarro, não se sujam e nunca quebraram nada na vida. daqueles que têm um quarto-berçário hiper bem decorado, mas não podem mexer em nada. e a sala é dos adultos e nem pensar em tocar o terror por lá.
ser mãe e pai é meter a mão no cocô na massa e deixar que eles metam a mão também (não no cocô, mas na massa, na massinha).
lembre-se: você também já foi criança

é um belo de um clichê. mas fazer o que se é a mais pura verdade?
me entristeço quando vejo alguns pais repressores que estão sempre dando bronca nos filhos e tolindo eles a cada segundo: “não mexa aí!”, “não faça isso!”, “fala baixo!”, “não corre!”, “não pula!”, “não mexe!”, “não respira!”.
que às vezes não deixam que eles façam algumas coisas porque vai sujar, porque vai cair, porque vai sair correndo e alguém vai ter que ir buscar, porque porque porque.
enfim, porque vai dar trabalho para eles, os pais.
lembra de quando você era criança e tudo era tão mais simples e divertido?
as coisas eram tão mais fáceis do que hoje, não é mesmo?
então por que não deixar que seja assim para seus filhos também, ao invés de enchê-los de preocupações e regras bobas?
eles terão a vida inteira para serem adultos, mas pouquíssimo tempo para curtir essa infância que a cada dia termina mais cedo.
concluindo
se você aparecer na minha casa de surpresa num dia qualquer, tenho certeza quase que absoluta de que ela não vai estar muito arrumada. com certeza terá louça suja na pia, alguma roupa jogada no chão do banheiro e muitos brinquedos espalhados casa afora. eu não estarei toda linda e deslumbrante e meu filho com certeza estará sujo de alguma maneira: um pouquinho de comida na bochecha ou na orelha, o pé encardido e a blusa manchada.
ele vai te olhar sério e mudo por um bom tempo até que pegue alguma intimidade com você.
mas se isso acontecer, é bem provável de ele começar a tagarelar que nem um doido, trazer brinquedos pra que você conheça, subir no sofá pra ficar ao seu lado. quando você for embora ele pode voltar a ficar sério, mas com certeza, depois que você sair, ele vai dizer “tau” e acenar para a porta. e é até capaz dele se entristecer com a sua partida e chorar.
mas não dá pra prever, porque ele é uma criança. como todas as outras.
não é bicho do mato, não morde (geralmente) e não é melhor nem pior que nenhuma criança por ficar em casa com a mãe. é apenas agnaldo timóteo benjamin.
quem lê o blog sabe que sou meio neurótico com quedas e machucados do pequeno e me vi sendo um pai helicópero por muitas e muitas vezes.
mas não sou um caso perdido, tanto que recentemente descobri e gostei muito da proposta de um cara chamado gever tulley, cientista da computação e fundador de uma colônia de férias nos EUA chamada tinkering school.
lá as crianças aprendem a brincar com “coisas de verdade”: recebem ferramentas, materiais e orientação para adquirirem confiança e lidar com soluções criativas para problemas reais como, por exemplo, construir seu próprio barco ou ponte.
gever critica o excesso de regras de segurança que existem para evitar que as crianças se metam em situações de risco e se machuquem.
“quando arredondamos todas as quinas e eliminamos todos os objetos afiados, ou cada pontinha do mundo, na primeira vez em que as crianças entrarem em contato com algo pontudo, elas vão se machucar.”
abaixo seguem algumas sugestões que ele dá para criar filhos mais indepentendes, seguros e conhecedores do ambiente em que vivem. vale lembrar que são válidas para crianças a partir de 8 anos:
1) brincar com fogo
a intenção não é incendiar a casa dos pais, mas perceber que o fogo é uma força da natureza sobre a qual pode-se ter algum controle. a proposta é cercar com pedras uma área que entrará em combustão, para que não aja risco do fogo se alastrar. e, antes de tudo, é bom ensinar a brincar com a mangueira, apagando “fogo imaginário”.
2) ter um canivete
canivetes estão desaparecendo da nossa cultura, o que é um coisa terrível. é um ferramenta poderosa e empoderante, onde a criança pode desenvolver habilidades motoras senso de praticidade e lógica. basta explicar a ela algumas regras: sempre cortar no sentido contrário ao do corpo e não forçar a lâmina, por exemplo. “eles vão se cortar, mas são jovens e cicatrizam rápido” – tulley argumenta.
3) arremessar uma lança
nossos cérebros são programados para arremessar coisas e, assim como músculos, se você não usa partes do seu cérebro, eles tendem a atrofiar com o tempo. ficou demonstrado que a prática do arremesso de objetos estimula os lóbulos frontal e parietal do cérebro relacionadas com a acuidade visual e percepção tridimensional. sendo assim, o arremesso é uma combinação de habilidades analíticas e físicas, ajudando as crianças a desenvolverem habilidades de atenção e concentração.
4) desmontar aparelhos
da próxima vez que tiver que se livrar de um aparelho, não jogue fora. desmonte com seu filho. é uma experiência muito valiosa para a criança tentar entender como se movem as engrenagens que fazem as máquinas que nos cercam.
5) dirigir um carro
dirigir um carro é um ato de empoderamento de uma jovem criança, e isso é o máximo!
calma, não é para deixar ela sentar só no banco, acelerar, passar marcha, fazer controle de embreagem tudo ao mesmo tempo!
ache um terreno grande e vazio, certifique-se que seja uma propriedade privada ou sem nada que possa destruir, sente-a no seu colo e deixe que ela pilote o volante.
isto é um grande passo para a criança. dá um certo controle para elas de um jeito que talvez nunca teriam e que frequentemente não têm a chance de ter.
dia desses eu e luiza vímos o filme “conta comigo“ da foto acima, lembram?
e percebemos que o mundo era bem diferente.
não que era melhor, mas era bem menos chato, principalmente para as crianças.
não estou sendo saudosita – gosto muito da modernidade – mas não tem como negar que em poucos anos os pediatras, psicólogos e pedagogos parecem ter acumulado mais e mais conselhos, além das proibições e medidas de segurança para a criança.
não que isso seja de todo ruim, mas que existe um excesso ,existe. um mundo onde em cada plástico ou embalagem há um aviso de perigo ou cuidado. chegamos ao cúmulo de nos copos de café estar escrito: “CUIDADO! PODE ESTAR QUENTE”.
é muita privação de experiencia e um pouco de frescura pro meu gosto. eu duvido muito se um filme como conta comigo seria produzido nos dias de hoje. nele, as crianças infringem todo tipo de lei, cospem, falam palavrões, lidam com armas, pulam em um lago cheio de sanguesugas e, pasmem, até fumam!
conheça um pouco mais sobre a proposta da tinkering school no vídeo abaixo:

quando eu era pequena, não entendia por que minha mãe era tão brava e estava sempre estressada ou chateada com alguma coisa.
aí era só conversar com outras amigas que elas logo falavam “sua mãe? imagina! sua mãe é ótima, super boazinha! precisa só ver a minha”. e eu ficava pensando “ahhh! como eu queria ser filha da mãe de fulana” ou “ah, duvido que na casa de beltrano as coisas sejam desse jeito”.
veja bem: minha mãe não era do tipo que proibia tudo. olhando hoje, acho que ela era maravilhosa. era criativa, inteligente, descolada. dava bastante liberdade pra fazermos as coisas, dentro dos limites da casa, já pré-estabelecidos.
mas, na época, a impressão que eu tinha era que ela vivia cansada e chateada. eu só olhava pra ela e pensava: “minha mãe é uma chata! não me deixa fazer nada! na casa das minhas amigas elas podem fazer várias coisas que na minha nem se sonha! mas ela vai ver só! quando eu tiver a minha casa e o os meus filhos, vai ser tudo diferente”!
tenho apenas uma coisa a dizer a respeito: ahahahahahahah!
é claro que eu to pagando a língua. o benjamin ainda não tem consciência de que eu sou uma chata, mas eu tenho. e como tenho!
começou na gravidez, com todos aqueles hormônios malucos, o cansaço que não passa nunca e coisa e tal.
quando ele nasceu, foi super difícil conciliar o pensamento materno-romântico com a realidade nua e crua das noites mal dormidas, as roupas sempre azedas de leite, me sentindo a eterna nega do subaco cabeludo.
na minha imaginação fértil, eu seria uma mãe diferente. nunca levantaria a voz para o meu filho, não surtaria nunca e seria sempre amável e carinhosa, como a insuperável mãe do caillou.
mas a vida real é bem diferente dos desenhos. beeeeeeeem.
em geral o benjamin dorme relativamente cedo e levanta num horário bom, mas às vezes ele pira e quer acordar no meio da noite pra brincar. aí é um sufoco.
eu acordo um bagaço, nervosa, irritada, gritando pras paredes, brigando com o marido, chutando o cachorro. ponho a culpa na diarista, que não lavou a louça direito, no vizinho, que ronca à noite inteira, toma banho às 6h30 da manhã com um sabonete muito fedido e fica assoando o nariz até expelir todo o pulmão (e acordar a casa toda).
aí passo o dia inteiro que nem um zumbi, me escorando pelos cantos, tirando uns cochilos esquisitos.
mas mesmo quando eu durmo bem, estou sempre tensa. um pouco menos, mas continuo.
eu sou muito cricri. uma legalista por natureza, presidente do crazy mamas country club.
não deixo meu filho assistir tv, não gosto que ele coma açúcar (só socialmente, e olhe lá), odeio aquelas musiquinhas infantis sintéticas e acredito que isso influencia a criança a ter um gosto musical limitado no futuro.
aliás, muitas coisas que eu estimulo ou veto aqui em casa são justamente pensando no futuro dele.
mas não quero sair convertendo ninguém a isso, pelo contrário.
se você não se importa, vá em frente.
eu é que não queria me importar tanto.
e como o benjamin é daqueles macacos meninos cheios de energia e curioso ao extremo, preciso estar sempre alerta.
ele está sempre ligado no que acontece ao seu redor. repete palavras e expressões que usamos (inclusive as ruins), observa nossos comportamentos, ações e reações. uma verdadeira esponjinha.
para a criança tudo é um aprendizado e, na minha opinião, o melhor jeito dele acontecer é nas tarefas cotidianas: alguns biscoitos ensinam a contar, brinquedos coloridos ensinam as cores, as frutas ensinam as formas e por aí vai.
ensino o benjamin a comer, não a “papar”. a dormir, não a “mimir”. que “auau” é o barulho do cachorro, não o nome dele (e muito menos de outros bichos) e mais tantos outros exemplos que dariam um post à parte.
eu vesti o uniforme de professora 24h e não tiro nem pra tomar banho ou dormir.
sei que às vezes eu deveria ceder um pouco. e eu cedo. mas na minha cabeça, sempre o faço contrariada, geralmente em prol do social, só para não arrumar encrenca ou para fugir de uma discussão desnecessária. mas lá dentro eu fico insatisfeita.
você até pode dizer “ah, luíza, mas é porque é primeiro filho. vai ver que no segundo você vai relaxar mais”. bem que eu quero, mas não conto com isso.
porque não é uma característica nova, que eu adquiri com a maternidade.
ela apenas foi potencializada pela enorme peso da responsabilidade de criar um filho.
pelo menos enquanto ele é pequeno, não dá pra relaxar tanto. não dá pra mudar as regras do jogo o tempo todo só pra ficar confortável em um determinado momento e botar outras coisas a perder a longo prazo.
eu sei que logo o benjamin vai crescer e perceber o tanto que eu às vezes eu encrenco, brigo, boto limites em certas situações.
ele vai querer fazer coisas que vão além de meter o dedo na tomada ou tomar banho na vasilha de água do tov.
algumas regras serão mais flexíveis e outras mais rígidas, quando um simples não não for suficiente.
nesse momento, por mais que eu endureça sin perder la ternura, a megera vai se estabelecer, a mãe alheia sempre será mais verde, legal e divertida do que eu.
mas eu não me importo. prefiro ser vista como mãe chata (por cumprir meu papel de mãe) a ser amiguinha da garotada e não ter moral nenhuma na hora do vamos ver.
certa vez eu ouvi de uma psicóloga que o confronto faz parte da maternidade (e paternidade) e é extremamente necessário, porque às vezes seu filho vai mesmo pensar diferente de você e em alguns momentos a decisão dos pais vai ter que se impor sobre a dos filhos.
educar vai além de ser legal. claro que a amizade tem que existir também mas, como sempre disse minha véia, “eu sou sua mãe, não sua coleguinha!”
a gente gera, bota no mundo, cuida e ama dessa maneira e intensidade que eles só vão entender quando forem pais/mães.
e por enquanto vai queimando um pouco o filme com eles, que são os ossos do ofício.
ontem me perguntaram como fica a rotina de amamentação do benjamin agora, que já tem mais de 1 ano.
a minha resposta foi que não fica.
assim, fica e não fica.
desde o meu desentendimento com a encantadora de bebês, quando o benjamin tinha por volta de 2 meses de idade, eu peguei birra de rotina.
não sou contra quem faz, mas sou contra horários inflexíveis.
acho importante as coisas terem uma sequência certa para acontecer e uns horários básicos para certas coisas, como comer e dormir.
mas outras (e até mesmo as principais) são alteradas de acordo com uma série de fatores.
por exemplo, se hoje chove, não tem parquinho.
se saímos, é capaz dele pular uma soneca.
se um dente nasce ele pode perder a fome.
e por aí vai.
antes dele completar seu primeiro ano, achava a rotina ainda mais difícil de ser seguida, especialmente porque é nessa época que eles crescem mais, passam por mudanças muito diversas, o sistema imunológico ainda é sensível e muita coisa no corpo deles é muito imatura.
a rotina serve pra auxiliar, não para escravizar.
o problema é que você dá de cara com o livro da tracy hogg que diz que a encantadora de bebês resolve todos os seus problemas.
então é isso? tudo que eu preciso está neste livro, sem falhas? se eu seguir à risca tudo vai dar certo, né? afinal são robôs pré programados que têm um manual que você compra nas livrarias por apenas R$ 49,90!
claro que não! quem ama a encantadora vai dizer que ela ensina a respeitar o bebê.
é verdade, eu li uns trechos (e tentei botar em prática, lembra?) e até achei uma ou outra coisa legal.
mas o problema é que o livro te dá a falsa ilusão de que é só seguir as instruções à risca que tudo irá bem.
eu já ouvi e li inúmeras mães desesperadas porque tentaram de tudo e o bebê simplesmente não segue nenhum padrão: “ele dormia a noite inteira, mas agora deu pra acordar várias vezes à noite” ou “ele até comia bem, mas de repente só quer saber de mamar” ou então “essa menina passa o dia pendurada no peito. socorro!”
a impressão que fica é que se seu filho não se comportar de acordo com a lógica de causa-efeito de todos esses encantadores de bebê, quem está errado é você ou o bebê, não o autor do livro (que nunca te viu na vida e não faz a menor ideia de quem são seus filhos).
amiga, essas coisas vão acontecer mesmo.
não quer dizer que porque o bebê dormia a noite inteira com 4 meses de idade que vá repetir o padrão de sono aos 8 meses, por exemplo.
vale se aprofundar até um pouco mais na leitura (boa) e perceber que os bebês passam por fases variadas. vale a pena conhecê-las para ver que isso que tá acontecendo com seu bebê já aconteceu com vários outros da mesma idade.
recomendo fortemente o dr. carlos gonzáles, em especial seu livro bésame mucho.
é verdade o que dizem que muitas coisas melhoram depois que eles completam 1 ano. é quase uma mágica, assim como aconteceu quando ele fez 3, 6 e 9 meses.
de repente o benjamin aumentou o tempo da soneca e deu pra dormir 2 horas de manhã e mais 1 ou 2 horas à tarde (e quando era menor ele só dormia meia hora e olhe lá).
ele também passou a beber muito mais água (que antes odiava) e a comer mais que o dobro (quase o triplo) se comparado a quando tinha 10 ou 11 meses.
isso sem contar com a esperteza e a fofura, que estão no seu auge.
mas e o peito?
bem, há muitas mães que decidem desmamar seus filhos ao completarem 1 ano.
desde quando o bebê nasce, a questão da amamentação varia muito de acordo com as condições de saúde e emocionais da mãe.
depende do tanto que ela se sente à vontade para fazê-lo seja em casa ou em outro ambiente.
depende se ela pretende voltar a trabalhar ou não, do tempo da licença maternidade e se o trabalho permite que ela pare de trabalhar para amamentar em algum momento (o que é lei, mas nem todo mundo cumpre, né?).
às vezes depende do pediatra que o bebê frequenta e até mesmo da família e amizades dos pais – especialmente das mães – que muitas vezes têm influência muito grande.
eu só tenho a agradecer por estar inserida em um contexto muito favorável para que eu possa amamentar até que ele tenha pelo menos 2 anos (a não ser que ele decida largar antes por conta própria).
por isso continuamos em livre demanda, que significa dar o peito conforme ele solicitar.
hoje em dia é bem mais fácil, visto que ele já come super bem e bebe água razoavelmente.
no fim, as mamadas já não servem mais para matar a fome. pro benjamin elas não interferem no seu apetite. se ele estiver com fome e mamar, continuará a pedir por comida do mesmo jeito.
hoje o mamá serve pra matar a sede, pra matar a saudade, pra acalmar depois daquele tombo, pra pegar no sono. serve de remédio curativo e preventivo. de acalento nos dias de enfermidade. tem sido, mais que nunca, um momento mamãe e filhinho, completamente nosso.
às vezes ele passa o dia distraído na companhia de outros adultos e crianças e nem lembra de mamar. mas é só chegar em casa que ele gruda de volta.
à noite é que a história ainda continua.
quem põe pra dormir é o pai, lá pras 20h, mas depois de umas duas horas ele acorda pra mamar.
aí varia.
há vezes em que ele volta a acordar meia noite e depois às 6h.
em outras ele acorda nesse meio tempo, lá pra umas 2h.
eu parei de ver horários mas sim, meu filho tem mais de 1 ano e ainda acorda pra mamar.
confesso que já acostumei e não tenho planos de tirar a mamada noturna ainda.
eu nem detalhei os outros horários, como de comidas e brincadeiras, porque não quero estabelecer aqui um padrão pra que outras pessoas sigam.
acho muito mais válido e importante observar o ritmo da criança que, como já disse, pode variar de um momento para o outro.
a hora de comer do benjamin é a hora em que ele sente fome e me pede (antes de aprender a pedir eu já sabia, porque o humor dele muda consideravelmente). o mesmo serve para as sonecas.
ele acaba repetindo isso dia após dia, quase sempre no mesmo horário, que foi ele quem estabeleceu.
o resto é hora de brincar. às vezes ele vai querer fazer isso sozinho. em outras só serve se eu estiver ali, do ladinho dele.
por enquanto eu posso dar-me ao luxo de viver assim.
tento manter em mente o meu objetivo inicial ao largar o emprego: criar meus filhos.
então se, de repente, eu estou atolada de coisas e isso está me roubando a hora de ficar com o benjamin, se vejo que estou criando substitutos pro meu filho em momentos que minha presença seria imprescindível, eu dou uma parada, analiso e vejo o que é real prioridade e o que dá pra esperar.
posso dizer que isso tem feito um bem muito grande tanto ao meu filho quanto a mim.
tenho aprendido a respeitar a individualidade de cada um, inclusive a minha.
a desacelerar deste mundo louco cheio de compromissos. a ouvir meu corpo.
a escutar meu filho além das palavras, que ele mal sabe pronunciar.
eu me esqueci do relógio.

sabe quando você sai na rua e só se depara com gente mal educada? o sangue chega a ferver e a vontade é de mandar a pessoa pra todos aqueles lugares possíveis e imaginários, mas você simplesmente respira fundo e deixa passar batido?
nessas horas a vontade que dá é de reeducar o mundo.
mas, como isso não é possível, eu penso que coloquei um homem neste planeta e posso ensiná-lo a ter a educação que muitos não têm.
por isso, benjamin, quero que você aprenda essas lições básicas:
espere as pessoas saírem para você entrar
serve para elevadores, ônibus, ruas estreitas e tantas outras coisas.
dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. por isso, ele precisa ser esvaziado primeiro pra depois ser preenchido. não adianta você tentar entrar num elevador cheio de gente tentando sair. NÃO FAZ SENTIDO!
não faça xixi no meio da rua
se as mulheres (que são mijonas por natureza) sabem segurar até encontrar um banheiro, por que os homens não sabem? porque não foram educados para tal.
portanto, meu filho, aprenda não apenas isso, como a ter autocontrole.
e de quebra, limpe o xixi que respinga no vaso e abaixe a tampa. SEMPRE (só não ensino a fazer xixi sentado porque o marido não deixa).
quando chegar de carro a algum lugar, não buzine
especialmente se for em área residencial. o celular foi inventado bem antes de você nascer.
aliás, deixe a buzina pra situações de perigo. e mesmo assim, nada de pesar a mão nela como se não houvesse amanhã.
ouça música em volume moderado
mesmo que você se considere alguém de bom gosto (todo mundo se considera), ninguém é obrigado a ouvir suas músicas. se quiser escutar alguma coisa em uma altura de doer os órgãos, compre um fone de ouvido (serve pra tv também, tá?).
recolha seu lixo
não trata-se apenas daquele papelzinho que você joga no chão ao invés de jogar na lixeira. recolha a comida que você leva ao cinema e a sua bandeja na praça de alimentação. mesmo que tenha funcionários pagos para fazer o serviço, quem fez a bagunça foi você. a obrigação de recolher é sua.
lembre-se que toda vez que você deixa de fazer algo, sempre vai sobrar pra outra pessoa.
aja no mundo virtual como você agiria no mundo real
serve tanto para o que é bom quanto para o que é ruim. aprenda a encarar as coisas de frente e não se esconda atrás de uma tela quando a coisa apertar. gosta de uma menina? olhe no fundo dos seus olhos e fale.
quer terminar um namoro? nunca (eu disse NUNCA) faça isso por telefone, email ou sms.
eu não passei um bebê de mais de 3,6 kg pela minha vagina sem anestesia nenhuma pra ele crescer e virar um covarde.
não fume
nunca nem ponha um cigarro na boca. mas se isso vier a acontecer, lembre-se que essa é uma opção individual, não coletiva. se você quer fazer mal a alguém, faça somente a você mesmo.
não fume perto de outras pessoas.
mesmo que você more sozinho, não fume dentro do seu apartamento, a não ser que seja o último andar do prédio.
não fume no banheiro e muito menos na varanda. de um jeito ou de outro a fumaça vai chegar ao seu vizinho e empestear o lar dele.
por isso, meu filho, mais fácil é nem fumar.
todos são iguais
independente do cargo que a pessoa ocupa, de sua aparência, posição social, religião ou gosto. afinal, todo mundo é igual quando tudo termina com terra por cima e na horizontal .
até o tolo se passa por sábio se ficar calado
não finja que sabe alguma coisa que você desconhece. pior é sair falando pelos cotovelos e só dar mancada.
faça aos outros aquilo que gostaria que fizessem a você
minha mãe sempre me falou isso. acho que resume bem todo o resto.
leia sobre jesus
foi o cara mais fantástico que já pisou nesta terra.
você não é o único ser vivente do planeta
seis bilhões de pessoas já estavam aqui antes de você nascer. aprenda a respeitar o próximo, mesmo que você não goste dele.
você vai se desapontar
mesmo seguindo estes conselhos, você sempre vai se deparar sempre com pessoas que não pensam e muito menos se comportam desta maneira. você vai se estressar e se irritar com elas, mas depois passa. não desista!
estes com certeza não são os únicos conselhos que você irá receber, mas já dão pra começar, né?
post feito a quatro mãos.

se você é pai, mãe ou costuma frequentar rodas sociais dos mesmos, já deve ter notado que essa pergunta está na top five das questões bebezais.
realmente é uma vitória quando o bebê dorme uma noite completa, mas acredito que existam mais bebês que acordem no meio dela que aqueles que a passem completamente envoltos pelos braços de morfeu.
então, por que a pergunta? talvez porque os pais e mães sintam-se tão orgulhosos por seus filhos terem conseguido, que queiram compartilhar a novidade. ou talvez pra tentar descobrir se é somente o filho deles que ainda, no auge de seus 4 meses de idade, sente fome no meio da noite.
certa vez, numa roda de mães, enquanto o tema brotava e pululava, uma das mães me saiu com essa: perguntei ao médico a partir de qual idade o bebê não precisaria mais mamar a noite inteira e ele me respondeu: “a partir do dia em que nasce”. eu, que geralmente fico calada para evitar discussões polêmicas e conflitantes, não me contive e na mesma hora larguei um “que absurdo! baseado em quê??”. afinal, se o bebê até o momento de nascer recebia alimento 24h ao dia em um ambiente totalmente escuro sem horários nem rotinas, como ele saberia a hora de mamar – ou não – assim, logo de cara?
a partir daí me inteirei – ainda na tal roda – de técnicas de adestramento para o bebê dormir a noite inteira: “dá de mamar lá pras 23h30. pega ele dormindo mesmo e dá de mamar pra ele ficar de barriguinha cheia”. até aí tudo bem, mas tinha mais: “se ele acordar com fome, dá a chupeta e vê se ele volta a dormir”. e pra piorar a situação: “se ele reclamar, deixa chorar. lá pela quinta noite ele aprende e pára”.
(se você aderiu a essas técnicas, aconselho que pare de ler por aqui, caso não deseje me odiar para sempre. não diga que não avisei)
me desculpem, mas acho uma puta falta de sacanagem, pra não dizer falta de coração, fazer isso com a criança. e olha que eu não estou discutindo aqui o tema “deixa chorar” – que também acho bastante polêmico. afinal, uma coisa é deixar chorar porque está fazendo birra (como saber?). mas chorar de fome é uma história completamente diferente!
antes de chutar o pau da barraca, vou pedir pra você colocar-se um pouco no lugar do bebê:
em uma bela segunda feira você acorda, toma café correndo e vai trabalhar. passa a manhã inteira ralando feito um condenado. dá 11h50 e seu estômago já está roncando. pra completar, você recebe um email com a propaganda de um restaurante, repleto de fotos de comidas e descrições maravilhosas dos pratos, como “picanha maturada e grelhada ao ponto, servida de arroz, farofa e batata sauté”. você pensa “mais alguns minutos e eu saio daqui”. como se não bastasse, sua chefe maravilhosa entra radiante no escritório informando: “reunião daqui a 5 minutos na minha sala!”. ela passa uns 15 minutos falando, falando, falando e parece que aquilo tudo não tem mais fim. seu estômago ronca e de repente entra o estagiário porta adentro com uma sacola do mc donald’s. sem cerimônia, sua chefe revela aos poucos o conteúdo do pacote: refrigerante, batata frita, nuggets, sanduíche! e ainda se desculpa por comer na frente de vocês, mas a reunião não pode parar. pra disfarçar a fome, você mastiga um chiclete, chupa uma bala, mas parece que isso só piora a situação. 13h e você quer esganar a velha. a essa altura parece que o sua barriga ganhou vida própria. você perde o controle, levanta-se, bate com força na mesa e grita “pra mim chega!”. chuta a cadeira longe e ainda bate a porta ao retirar-se da sala.
não, você nunca faria isso. mas dá vontade né?
pois é, mas o bebê não tem esse tipo de freio e muito menos de diplomacia. ele sente fome e resmunga. se não consegue o que quer, pode chorar e até berrar. afinal, ele é um bebê. se acabou de nascer, então, o choro é sua única ferramenta de defesa. tem certeza que você quer deixar chorar? vai dar uma chupeta no lugar do peito, como se fosse uma bala ou chiclete para tapeá-lo?
você tem pena do menininho negro raquítico da campanha contra a fome na áfrica, mas acha que se seu bebê chora no meio da noite é claro que não está com fome, está apenas fazendo manha.
com um mês de idade, a pediatra sugeriu que eu inserisse uma rotina para o benjamin com horários para mamar. segui à risca e vi meu filhote berrar de fome sempre uma hora antes do estabelecido pela rotina (e sim, dei chupeta pro neném não chorar).
dois meses de idade e a pediatra me congratulou, dizendo que agora era a hora de fazê-lo dormir a noite toda. ensinou-me algumas das tais técnicas fantásticas, que me entraram por um ouvido e saíram pelo outro.
na consulta dos três meses eu já avisei: “voltei a amamentar em livre demanda. ele pede e eu já ponho as tetas de fora”. resultado: engordou quase 1,5 kg e cresceu mais 5 cm desde a última visita.
agora, com pouco mais de três meses e meio, benjamin não dorme a noite toda. mas já dá seus ensaios: nos últimos 15 dias dormiu 4 noites inteiras (por volta de 8 a 10h de sono). acorda pontualmente às 6h para mamar e volta a dormir, às vezes me chamando às 8h ou até mesmo às 9h da manhã.
mas mesmo que ele nunca o tivesse feito, eu te pergunto: o que é mais importante, você recuperar rapidamente seu precioso sono de uma noite inteira ou seu bebê – a coisa mais importante da sua vida – ter um desenvolvimento saudável e natural, no ritmo dele, cercado de carinho e segurança?
não pensem que com isso sou a favor de uma criança crescer ao deus dará, sem regras nem limites. ao contrário. sou a favor da ordem e da rotina, mas da rotina flexível e humana, respeitando o tempo e o limite delas. afinal somos indivíduos (individuais, oi?) e cadum cadum, né?
afinal qual é o pai que o filho pedindo pão, lhe dará pedra?
se tinham duas coisas que eu sempre disse que meu filho não usaria seriam chupeta e mamadeira. achava totalmente dispensáveis.
sei lá, às vezes eu tenho uma veia meio natureba-exagerada que grita em mim.
até que vem a realidade e faz um monte de pré-conceitos e paradigmas tombarem.
quantos de vocês já acharam certas coisas lindas e maravilhosas até descobrirem na prática que aquilo era um trambolho quase que inútil? que nem bichinho de pelúcia: é lindo até você ganhar um gigante que ocupa sua cama inteira e logo fica velho, empoeirado e você não vê a hora de livrar-se dele e dar praquela sua sobrinha remelenta. ou espremedor elétrico de suco de laranja, que só é legal se você tem alguém pra lavá-lo depois.
também tem o contrário: lavar roupa é mais prático na máquina que à mão, email chega mais rápido que carta e a probabilidade de você encontrar uma pessoa no celular é muito maior que no telefone fixo.
com isso não to querendo dizer que chupeta é o último avanço tecnológico e que não usá-la seja um trambolho, mas quero ilustrar que às vezes idealizamos certas coisas que não são exatamente como imaginávamos.
certos bebês não precisam de chupeta. para outros, ela pode ser um auxílio.
não é à toa que em inglês ela chama-se pacifier, porque realmente traz uma paz pra geral.
e foi ao perceber que em certas situações o benjamin só acalmava com sua própria mão (que ele já achou) ou com o tal dedinho, que decidimos tentar a chupeta ocasionalmente.
até porque é mais fácil tirar a chupeta que arrancar fora o dedo do filho.
compramos, então, um bico e o alívio tem sido tão grande que eu pensei “porque não arrumei um treco desses antes?”. pra minha sorte ele não pede o bico o tempo inteiro. ele é uma ferramenta e não um acessório indispensável.
quando ele quer mamar muito tempo antes do horário e começa a chorar, chupeta.
quando as cólicas estão muito fortes e ele só quer peito, chupeta.
quando dormir vira uma saga e nada mais acalma a fera, chupeta.
isso se ele aceitar.
nunca socamos o bico na boca dele. eu o passo ao redor dos lábios e o deixo procurar. se ele procura, é sinal de que quer. aí eu tento colocar na boca. se ele começa a sugar eu seguro um pouquinho, sem apertar (porque primeiro ele suga como quem vai mamar e a chupeta acaba pulando) e quando vejo que ele pegou, solto.
às vezes ele chupa só pra acalmar e depois cospe. em outras, ele fica com ela até dormir.
quando eu vejo que dormiu de fato, tiro ela da boca, porque senão ele acorda chorando quando o bico cai. tirando antes disso e ficando por perto pra supervisionar o sono fica bem mais tranquilo.
a chupeta tem sido fator indispensável na independência da livre demanda totally full e na implementação da rotina.
e antes que perguntem, a resposta é não. a chupeta não mudou a pega do benjamin durante a mamada e não alterou a mamada pro mal. pelo contrário: ele tem usado menos o peito como consolo pra tudo e agora tem mamado por muito mais tempo.
confesso que fiquei com vergonha de tocar no assunto e demorei umas três semanas pra revelar este segredo assim, em público. até parece que quem chupa chupeta escondido sou eu.
mas agora falo mesmo. é um acessório que descobrimos juntos e que pretendo tirar tão logo as temíveis cólicas acabem.
porque eu acho que – depois do amor – a matéria prima que compõe uma mãe é a contradição.
e fim.

não está escrito nos manuais para mamães, nunca vi médicos falando sobre isso e ninguém nunca menciona isso abertamente. mas o fato é que quando você vira mãe, entra pra uma das maiores competições da história.
claro que tem aquele papo de que você é um campeão porque o seu espermatozóide foi o vencedor dentre milhões e blá blá blá, mas eu to falando é daquela disputa acirrada que só quem entra (ou pretende entrar) pra maternidade sabe.
começa na gravidez: “você levou quanto tempo pra engravidar? ah, eu engravidei na primeira tentativa!” ou “você engordou 12kg? pois eu engordei só 5kg e ainda fiquei mais magra, logo na primeira semana após o parto”. aí o bebê nasce: “3,215kg e 47 cm? o meu nasceu com 4,5kg e 53cm!”. bom pra você que conseguiu se arregaçar tanto. parabéns.
e não apenas as disputas numéricas de tempos, pesos e tamanhos, mas também de quem sabe cuidar melhor: “meu filho nunca chorou de fome assim. mas também, eu sempre dei o peito na hora que ele pedia”, “o seu reclama pra trocar fralda? pois o meu adora! chega dá gargalhadas!”.
e também o bebê do vizinho quer sempre ser mais verde que o nosso: “cólicas? meu filho nunca teve. um anjinho!” “o meu sempre dormiu super bem. com menos de um mês já dormia 8 horas seguidas durante a noite. eu nunca soube o que é passar a noite em claro”.
quando a coisa começa a ficar feia, sobra até pro marido: “nunca precisei botar pra arrotar. meu marido sempre faz isso pra mim!” e “banho? que isso! meu marido sempre faz ques-tão de dar. enquanto isso eu tiro um tempo só meu pra ler um livro ou simplesmente relaxar”.
mas o que mais me incomoda mesmo é que eu sei que sou mãe de primeira viagem e sei que ainda tenho muito o que aprender, principalmente com os mais experientes. mas o fato é que tem sempre uma parente, vizinha, faxineira, porteira, amiga da amiga da amiga pra te ensinar a cuidar.
de todos, o que me irrita de fato é: “seu filho tá chorando”. JURA??? eu não tinha ouvido! achei que fosse seu celular tocando! afinal bebê nunca chora por manha, porque quer mamar outra vez, porque tá com sono, porque quer colo. os bebês só choram quando já tentaram se virar sozinhos no máximo e deixam pra chamar a mãe só quando é necessário, pra não incomodar.
e eu tentando colocar meu filho na rotina (de um jeito bem mais flexível, mas tentando), às vezes tenho que deixar o menino chorar um pouquinho mesmo. não é crueldade nem nada, mas qual bebê acha mais confortável o berço ao colo da mãe? ou acha legal ter que esperar mais um pouquinho pra mamar sendo que só tem meia hora que ele se alimentou?
ok. talvez você não concorde com isso, mas tenho certeza que se você é mãe ou pai e decide cuidar seu filho de uma maneira x não vai querer que venha qualquer um querendo te ensinar o jeito y de educá-lo. estou certa?
até porque isso mexe com o ego da gente.
talvez você seja bem resolvido(a) ao ponto de achar lindo ter que ouvir todo santo dia um pitaco ou comparação de terceiros e ainda aceitar tudo com alegria. mas confesso: sou orgulhosa, tenho meu ego quase intocável e por isso não gosto de palpites abestados e muito menos de disputinhas descabidas.
se você é meu amigo ou amiga, sei que quando disser alguma coisa vai dizer de coração, ou assim espero. e eu aqui do meu ladinho também tenho que fazer a maior força pra não entrar nesse jogo bobo.
porque mãe é mãe e sempre vai achar seu filho a coisa mais linda e perfeita do universo.