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13 de fevereiro

mãe: um ser estressado

por luíza diener

quando eu era pequena, não entendia por que minha mãe era tão brava e estava sempre estressada ou chateada com alguma coisa.

aí era só conversar com outras amigas que elas logo falavam “sua mãe? imagina! sua mãe é ótima, super boazinha! precisa só ver a minha”. e eu ficava pensando “ahhh! como eu queria ser filha da mãe de fulana” ou “ah, duvido que na casa de beltrano as coisas sejam desse jeito”.

veja bem: minha mãe não era do tipo que proibia tudo. olhando hoje, acho que ela era maravilhosa. era criativa, inteligente, descolada. dava bastante liberdade pra fazermos as coisas, dentro dos limites da casa, já pré-estabelecidos.
mas, na época, a impressão que eu tinha era que ela vivia cansada e chateada. eu só olhava pra ela e pensava: “minha mãe é uma chata! não me deixa fazer nada! na casa das minhas amigas elas podem fazer várias coisas que na minha nem se sonha! mas ela vai ver só! quando eu tiver a minha casa e o os meus filhos, vai ser tudo diferente”!

tenho apenas uma coisa a dizer a respeito: ahahahahahahah!

é claro que eu to pagando a língua. o benjamin ainda não tem consciência de que eu sou uma chata, mas eu tenho. e como tenho!

começou na gravidez, com todos aqueles hormônios malucos, o cansaço que não passa nunca e coisa e tal.
quando ele nasceu, foi super difícil conciliar o pensamento materno-romântico com a realidade nua e crua das noites mal dormidas, as roupas sempre azedas de leite, me sentindo a eterna nega do subaco cabeludo.

na minha imaginação fértil, eu seria uma mãe diferente. nunca levantaria a voz para o meu filho, não surtaria nunca e seria sempre amável e carinhosa, como a insuperável mãe do caillou.
mas a vida real é bem diferente dos desenhos. beeeeeeeem.

em geral o benjamin dorme relativamente cedo e levanta num horário bom, mas às vezes ele pira e quer acordar no meio da noite pra brincar. aí é um sufoco.
eu acordo um bagaço, nervosa, irritada, gritando pras paredes, brigando com o marido, chutando o cachorro. ponho a culpa na diarista, que não lavou a louça direito, no vizinho, que ronca à noite inteira, toma banho às 6h30 da manhã com um sabonete muito fedido e fica assoando o nariz até expelir todo o pulmão (e acordar a casa toda).
aí passo o dia inteiro que nem um zumbi, me escorando pelos cantos, tirando uns cochilos esquisitos.

mas mesmo quando eu durmo bem, estou sempre tensa. um pouco menos, mas continuo.

eu sou muito cricri. uma legalista por natureza, presidente do crazy mamas country club.
não deixo meu filho assistir tv, não gosto que ele coma açúcar (só socialmente, e olhe lá), odeio aquelas musiquinhas infantis sintéticas e acredito que isso influencia a criança a ter um gosto musical limitado no futuro.
aliás, muitas coisas que eu estimulo ou veto aqui em casa são justamente pensando no futuro dele.

mas não quero sair convertendo ninguém a isso, pelo contrário.
se você não se importa, vá em frente.
eu é que não queria me importar tanto.

e como o benjamin é daqueles macacos meninos cheios de energia e curioso ao extremo, preciso estar sempre alerta.
ele está sempre ligado no que acontece ao seu redor. repete palavras e expressões que usamos (inclusive as ruins), observa nossos comportamentos, ações e reações. uma verdadeira esponjinha.

para a criança tudo é um aprendizado e, na minha opinião,  o melhor jeito dele acontecer é nas tarefas cotidianas: alguns biscoitos ensinam a contar, brinquedos coloridos ensinam as cores, as frutas ensinam as formas e por aí vai.
ensino o benjamin a comer, não a “papar”. a dormir, não a “mimir”. que “auau” é o barulho do cachorro, não o nome dele (e muito menos de outros bichos) e mais tantos outros exemplos que dariam um post à parte.

eu vesti o uniforme de professora 24h e não tiro nem pra tomar banho ou dormir.

sei que às vezes eu deveria ceder um pouco. e eu cedo. mas na minha cabeça, sempre o faço contrariada, geralmente em prol do social, só para não arrumar encrenca ou para fugir de uma discussão desnecessária. mas lá dentro eu fico insatisfeita.
você até pode dizer “ah, luíza, mas é porque é primeiro filho. vai ver que no segundo você vai relaxar mais”. bem que eu quero, mas não conto com isso.

porque não é uma característica nova, que eu adquiri com a maternidade.
ela apenas foi potencializada pela enorme  peso da responsabilidade de criar um filho.

pelo menos enquanto ele é pequeno, não dá pra relaxar tanto. não dá pra mudar as regras do jogo o tempo todo só pra ficar confortável em um determinado momento e botar outras coisas a perder a longo prazo.

eu sei que logo o benjamin vai crescer e perceber o tanto que eu às vezes eu encrenco, brigo, boto limites em certas situações.
ele vai querer fazer coisas que vão além de meter o dedo na tomada ou tomar banho na vasilha de água do tov.
algumas regras serão mais flexíveis e outras mais rígidas, quando um simples não não for suficiente.

nesse momento, por mais que eu endureça sin perder la ternura, a megera vai se estabelecer, a mãe alheia sempre será mais verde, legal e divertida do que eu.
mas eu não me importo. prefiro ser vista como mãe chata (por cumprir meu papel de mãe) a ser amiguinha da garotada e não ter moral nenhuma na hora do vamos ver.

certa vez eu ouvi de uma psicóloga que o confronto faz parte da maternidade (e paternidade) e é extremamente necessário, porque às vezes seu filho vai mesmo pensar diferente de você e em alguns momentos a decisão dos pais vai ter que se impor sobre a dos filhos.

educar vai além de ser legal. claro que a amizade tem que existir também mas, como sempre disse minha véia, “eu sou sua mãe, não sua coleguinha!”

a gente gera, bota no mundo, cuida e ama dessa maneira e intensidade que eles só vão entender quando forem pais/mães.

e por enquanto vai queimando um pouco o filme com eles, que são os ossos do ofício.

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01 de fevereiro

tô voltando

por luíza diener

 (alô, senhora, este post pode estar sendo no gerúndio, senhora)

é, estou voltando das minhas férias imaginárias.
sim, imaginárias porque elas não tiverem lá muita cara de férias, exceto por uns dois dias que fomos à piscina ou por outros que fizemos alguns passeios.

mas mãe não descansa direito em férias, né? ainda mais quando é só ela que tira e ainda resolve, pra completar, dispensar a diarista de um dos dias da semana (e com uma máquina de lavar quebrada. tupi!).

mesmo assim estou voltando, não apenas das férias, mas voltando ao normal.

tenho conseguido, aos poucos, voltar a fazer comida e arrumar a casa.

mas o mais importante é que tenho voltado a ser uma pessoa normal (dentro do possível).
os hormônios estão se equilibrando e eu tenho parado de surtar gratuitamente.
e a minha libido – que sumiu desde que engravidei – resolveu começar a dar o ar da graça novamente. sabe aquela história de que grávida morre de tesão?
aqui em casa não funcionou assim. não mesmo. e piorou depois que o bebê nasceu.

é curioso ver como algumas coisas – que antes me incomodavam deveras – voltaram a ocorrer e agora eu até acho graça.

veja bem, logo que eu engravidei a barriga não aparecia, então só dava pra saber que eu seria mãe se eu contasse.
aí se algum cara dava em cima de mim ou mexia comigo na rua, eu achava uma tamanha falta de respeito visto que, além de casada, eu carregava um bebê dentro de mim.
é fato que, assim que eu aparentei a minha gravidez, o respeito estabeleceu-se e ninguém mais mexeu comigo.
o bebê nasceu e isso continuou.
aí o bebê cresceu, eu emagreci demais e isso continuou.

mas tenho notado (e aí essa é a parte que ou meu marido fica com raiva de mim ou ele ri da minha cara) que voltei a atrair alguns olhares.
e confesso que não tenho achado de todo ruim.

ontem eu saí na rua toda prosa, com bebê no carrinho e cabelos soltos ao vento. seria um dia comum, mas percebi um silêncio ao passar por dois rapazes que conversavam em frente a uma loja. espiei de rabo de olho e notei aquele olhar. eu sorri por dentro (e só por dentro, que fique claro).
é uma besteira, uma bobagenzinha, mas faz bem pro ego, especialmente quando é somente um olhar e não vem acompanhado de uma cantada de peão de obra.

e pra completar eu tenho lembrado nas últimas semanas de como era ser luíza, antes de ser mãe do benjamin.

longe de mim querer deixar de ser mãe – eu nasci pra isso – mas faz bem pra alma se enxergar como um indivíduo de vez em quando.

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18 de janeiro

meu primeiro ano – pôster presente

por luíza diener

lembra daqueles livrinhos em que sua mãe/avó registrava os primeiros feitos das crias? primeira palavrinha? o primeiro banho? era muito legal, né? mas acabava socado e esquecido em algum armário empoeirado. pelo menos o meu foi assim (diz minha mãe que fez um meu, mas eu nunca vi).

que tal eternizar isso com um lindo poster do relatório anual do seu filho/filha?
uma peça de design única e exclusiva que vai ficar linda no quartinho deles como decoração.
você pode escolher entre três opções de cores:

1) fundo branco

2) fundo rosa

3) fundo azul

 

DETALHES

impressão em papel fotográfico mate paper.

dimensões: 42,0 X 59,4 cm (formato A2).

tempo de produção – 15 dias a contar a partir da confirmação dos dados fornecidos e aprovação de pagamento (adiantado).

prazo de envio dos correios: aproximadamente 8 dias úteis, a depender da localidade.

* atenção: a moldura não é fornecida, a fim de viabilizar o envio!

 

PREÇO

R$: 250,00 o poster impresso + embalagem (tubo postal).

impressão adicional – R$ 70,00 por poster extra.

 

FORMAS DE PAGAMENTO (via pagseguro)

  • cartão de crédito em até 18x (a depender da bandeira) com juros.
    bandeiras aceitas: visa, master card, american express, diner, aura, hipercard e mais.
  • débito online/TEF.
    bancos aceitos: banco do brasil, bradesco, itaú, hsbc e banrisul.
  • boleto bancário.

 

COMO COMPRAR

  1. efetue o pagamento via pagseguro;
  2. preencha o formulário abaixo com os dados da criança (você precisará dos dados do pagseguro para finalizar o formulário);
  3. envie um email para postermeuprimeiroano@gmail.com contendo:
    - duas fotos em boa resolução para impressão: uma ao nascer e outra com idade próxima a 1 ano;
    - seu nome e email conforme preenchidos no formulário, para confirmação de dados.

para efetuar o pagamento, clique abaixo:

pôster meu primeiro ano – R$ 250,00

 

impressão extra* – R$ 70,00

caso tenha interesse em mais de uma cópia, adicione ao carrinho o poster de valor cheio (R$ 250,00) e, em seguida, solicite a impressão extra* (botão abaixo).

note que a quantidade de cópias pode ser alterada.

* válido somente para cópia.
** os dados não poderão ser alterados em caso de impressão extra.

 

ENVIE SEUS DADOS

através do formulário abaixo.
preencha com as informações de seu(sua) pequeno(a):

dúvidas ou problemas, entrar em contato através do email postermeuprimeiroano@gmail.com

muchas gracias ; )

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03 de janeiro

sala branca + crianças + adesivos = arte

por hilan diener

a a artista japonesa Yayoi Kusama -  Galeria de Arte Moderna – de Queensland  construiu uma sala de estar enorme , toda pintada de branco. durante duas semanas, crianças visitavam o museu e foram convidadas para colaborar na transformação do espaço.

chamada de “The Obliteration Room”, a instalação faz parte de uma série da artista chamada “Look Now, See Forever”, que fica em exibição até o dia 12 de março na Austrália. A pergunta que não quer calar é: e se a moda pega?! tem que explicar direitinho isso aê, alô criançada! pregar adesivo só vale na casa da japa! aqui na minha tv de plasma nem pensar! HAHAhahAHA

via: Colossal

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10 de dezembro

dicas de presentes para papais e mamães

por luíza diener

sua amiga está grávida e você não sabe com o que presenteá-la?
vai visitar um recém nascido e não tem ideia do que levar para os pais?
chá de bebê, amigo oculto da firma (e você tirou uma gestante que nunca falou direito), natal em família?

seus pobrema se acabaram-se!

chegaram os novos, os revolucionários, incríveis e cheirosos produtos potencial gestante!

todos feitos pelo meu lindíssimo (e esperto. rá!) marido!

pega uma carona nessa cauda de cometa e vem comigo conhecer as novidades!

 

bottons mamãe de primeira viagem

apenas R$ 15,90 o pacote com 4 bottons!

bottons papai de primeira viagem

apenas R$ 15,90 o pacote com 4 bottons!

a roleta da obrigação

bebê chorando no meio da noite? hora do banho? hora da papinha? trocar a fralda? chega de empurra-empurra! deixe a roleta decidir por vocês.

um ótimo presente pra quem quer dar aquela indireta pro maridón.

apenas R$ 9,90 a unidade!

é só comprar via pagseguro. é rápido, prático e – claro – seguro.
se não receber seus produtos, seu dinheiro é devolvido.

clique no botão comprar localizado abaixo do produto desejado. ao ser direcionado para a página de compra, você pode alterar as quantidades e comprar mais um presentinho pra sua prima, sobrinha, vizinhamiga.

 

para ver seu carrinho finalizar sua compra é só clicar abaixo:


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*produtos sujeitos a variação de cor e padrão de embalagem.

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30 de novembro

o que fazer enquanto seu filho dorme

por luíza diener

o bebê dormiu. e agora?
um universo paralelo cheio de possibilidades se abre e a vontade que dá é de abraçar o mundo e fazer tudo ao mesmo tempo (num tempo que parece não dar pra nada). só que eles sempre acordam antes disso.

o jeito é se planejar e ter em mente algumas coisas para se fazer e não ficar perdida no tempo-espaço.

de acordo com as atividades descritas você pode traçar seu próprio perfil. isso varia de acordo com suas habilidades, experiências, nível de perfeccionismo e com o tempo  de duração da soneca dos pequenos.

modo fácil

  • ver tv;
  • ler uma revista ou livro (um capítulo);
  • tomar café da manhã rápido (do tipo granola);
  • responder um, apenas um email;
  • ligar pro marido;
  • acrescente o seu: _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ .

modo médio

  • acessar o facebook;
  • lavar o cabelo;
  • lavar a louça;
  • escrever um post simples;
  • fazer uma papinha;
  • tirar uma soneca;
  • ligar pra uma amiga (do tipo econômica nas palavras);
  • acrescente o seu: _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ .

modo difícil

  • colocar os e-mails em dia;
  • fazer o almoço;
  • lavar e escovar o cabelo;
  • fazer as unhas (e esperar secar);
  • sexo com direito a preliminares e um grande desfecho (sem pausa para intromissões e pensamentos como “será que ele acordou?”);
  • ligar pra irmã;
  • acrescente o seu: _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ .

modo expert  (ou joselito)

  • fazer depilação completa em casa (incluindo contorno, retorno e entorno);
  • deixar a criança dormindo enquanto vai ao mercado com o cachorro, voltar, fazer o almoço (da casa e do bebê) e ainda tentar fazer um segundo filho (sem achar que o primeiro morreu);
  • ligar pra mãe que mora em outra cidade;
  • acrescente o seu: _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ .

modo ninja

  • fazer as atividades acima com o filho acordado;
  • acrescente o seu: _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ .

modo ninja megas thunder blaster chuck norris advanced josi and jones

  • fazer tudo isso tendo mais de um filho (acordado ou não). e sem chorar no fim do dia;
  • acrescente o seu: _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ .

 

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24 de novembro

quantas coisas um bebê de um ano possui?

por hilan diener

um dia o marido virou pra mim e disse “vamos contar quantas coisas o benjamin tem?”.
e eu, que não gosto nem um pouco de contar, fazer gráficos e planilhas, topei na hora.
o resultado vocês veem abaixo:

quem quiser acessar o inventário completo é só clicar aqui.

a conclusão disso tudo é que neste natal muitas crianças crianças vão se beneficiar dos ex-brinquedos de ben-jota.

e você? quer brincar de contabilizar as coisas do seu filho?

um dia eu me arrisco e faço com as minhas coisas. ai, se eu te pego!

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14 de novembro

como reconhecer que uma pessoa tem filhos

por hilan diener

  • você liga para ela no final de semana, mas não consegue ouvi-la porque ela está numa festa infantil super barulhenta.
  • você conhece primeiro a bunda ao invés do rosto. e não é porque ela é gostosa, mas porque está sempre agachada atrás de uma criança;
  • de repente ela tem uma bolsa gigante, estampada e descombinada do resto (do mundo) da roupa. e parece que o melhor lugar em que a bolsa pode estar é esbarrando em alguma coisa;
  • 22h é muito, muito tarde pra estar na rua;
  • não importa a temática central da conversa. em algum momento – sempre – o assunto “cocô” há de surgir. e talvez não mudar mais;
  • ela não tem aquele encanto por crianças que alguém sem filho (e que sonha em tê-los) possui;
  • chama a marca chicco de “quico”;
  • ela sabe o que significa BPA FREE;
  • ela nunca está completamente limpa. pode procurar bem que com certeza você vai achar uma golfada na blusa, uma mijada na calça ou um pedaço de comida no cabelo;
  • por mais pontual que seja (ou tente ser), ela nunca chega na hora nos compromissos;
  • a foto do perfil no facebook nunca tem somente ela. sempre haverá uma criança/bebê em algum canto (ou na foto inteira);
  • em algum momento você a verá bocejar;
  • restaurantes com trocador, cadeirão, giz de cera e afins costumam ser topo de lista na hora de sair;
  • sua casa ou carro sempre terá um brinquedo pra denunciar que uma criança passa sempre por ali;
  • objetos de decoração finos, caros, quebráveis? o que é isso?
  • do nada você a pega cantarolando uma música infantil;
  • ela canta “parabéns a você” sem ser aniversário de ninguém.

ficou faltando alguma coisa? comente! 

ps: texto escrito a quatro mãos 

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07 de novembro

fruta verde

por luíza diener

estou de mal do mercado que fica aqui perto de casa.
pra quem não sabe, eu não tenho carro, o que me obriga a fazer as compras emergenciais lá mesmo.

originalmente, seria um mercado de boa qualidade não vou falar que é o pão de açúcar, tá?
mas toda vez que eu deixo pra ir lá em cima da hora é sempre a mesma desgraça: todas as frutas estão verdes, com exceção da maçã, da melância e do melãocio (que são pesados demais pra carregar por dois quarteirões) e, às vezes, da uva.
o resto está sempre – SEMPRE – verde.
eu compro mesmo assim e deixo pra amadurecer em casa

isso me deixa pau da vida. especialmente porque têm semanas (seguidas) em que eu não me planejo e aí já viu: uma dúzia de maçãs semi-maduras feitas de diversas maneiras: crua, picada, raspada, cozida, amassada, assada, com ou sem casca. aí não tem cristo que não enjoe, né?
e não dá pra deixar o pequeno sem frutas também.

pra completar, quando o resto amadurece forçadamente (às vezes embrulhado num jornal ou guardado no escurinho do forno desligado), sempre fica esquisito.
a banana do nada fica com umas partes pretas. a pera fica mezzo podre, mezzo verde.
ok que eu sou muito atrasada (pra não dizer retardada) pra atentar pro tempo de maturação das frutas. mas posso botar a culpa toda no pão de açúcar? diz que eu posso…

aí hoje eu vi de longe uma manga cair de madura de uma árvore. logo pensei “vou pegar essa manga pro benjoca comer”, mas uma senhora foi mais rápida que eu.

nesse meio tempo eu divaguei a respeito das frutas amadurecidas no pé.
desejei por um momento ter um pomar próprio e só comer das frutas que amadurecessem e caíssem naturalmente.
imaginei qual seria o gosto de uma maçã madura de verdade, visto que nunca comi uma direto do pomar.
e que bom seria se fosse sempre assim, né?

mas não dá. nem sempre é possível transportar uma banana madurinha que vai viajar quilômetros de distância, chegar ao mercado e ainda ficar dias armazenada lá por dias. apodreceria antes mesmo de acabar.

e continuei o pensamento estendendo a outras situações.
muitas coisas precisam ser adaptadas ao ritmo da vida moderna.
algumas funcionam bem. outras são uma grande forçação de barra.

que bom seria se todos os bebês (os saudáveis e fora de risco de morte) tivessem ao menos a chance de entrarem em trabalho de parto antes de nascer! mas não é todo médico que espera e não é toda a família que está disposta.
(e, claro, antes um bebê nascer imaturo a não nascer, né?)

seria maravilhoso se os recém nascidos fossem respeitados por todos (não alguns) profissionais da saúde não só durante o nascimento, mas no tempo que se segue depois deste grande trauma que é chegar neste mundão de deus.

que as crianças de hoje pudessem crescer no tempo natural delas, sem algumas forçadas de barra que as fazem crescer antes da hora.

que a adolescência fosse uma transição saudável da infância para a vida adulta, sem esses exageros de que aquele é o momento único e oportuno para decidir sua vida profissional. meu deus! e quem é que tem cabeça pra fazer uma escolha tão definitiva em um momento tão turbulento?

e quando finalmente chega a vida adulta, aquele feto que foi forçado a virar bebê, aquele bebê que foi obrigado a ser criança, a criança que foi adolescente tão cedo e o adolescente que recebeu a maturidade embrulhada em jornal de cursos pré vestibulares, muitas vezes acaba por apodrecer por fora e continuar verde por dentro.

alguns continuam a tentar crescer mais e mais e até conseguem lidar com a situação (mesmo que muitas vezes isso fique atravessado na garganta por anos).

mas cansei de ver gente que não soube e continua sem saber como lidar com isso.
que quando, finalmente, chegaria o momento certo de cair naturalmente do pé como um fruto doce, maduro, prontinho para ser bem aproveitado, já está todo estragado.

e eu me pergunto: vale mesmo à pena?
pra que forçar tantas coisas que viriam de um jeito ou de outro, só que no momento próprio delas?
não seria melhor, como diz o poeta, deixar acontecer naturalmente?

qual preço nossos filhos pagarão por conta de ansiedades bobas de nós, mães e pais?

bem que seria bom comer somente fruta madura direto do pomar.
seria maravilhoso poder criar nossos filhos num mundo perfeito, longe de tantas coisas desnecessárias.
só que a gente sabe que na prática não é assim que funciona.

mas não custa tentar fazer nossa parte, né?

boa semana a todos!

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13 de outubro

ganhar $$ com blog? existe isso?

por luíza diener

há um tempo eu escrevi o post quando você crescer falando de todas as minhas aventuras pseudo profissionais nas quais já me meti. e também falei de como a maioria delas não funcionou como eu imaginava.

pois bem, minha última tramoia foi diferente. aconteceu por acaso. do tipo foi indo e acabou fondo e quando vi, já estava metida no negócio.

pois é, menina, resolvi ser blogueira.

aquele sonho besta que mãe tem de trabalhar em casa e não precisar deixar os filhos sob supervisão de terceiros, sabe?
eu sei.

engraçado que o blog começou muito pequeno (como deve ser, afinal). a primeira agência que entrou em contato comigo – há pouco mais de 2 anos – foi uma piada. eles disseram que o blog tinha um perfil legal e tal e queriam saber a quantidade de acessos diários.
eu enchi a boca pra dizer que nos dias de pico eu tinha 30 acessos diários (mas não contei que no fim de semana variava entre 1 e 4 visitantes). claro que ele desconversou e a coisa ficou por isso mesmo.
apenas dois anos mais tarde fechamos algumas campanhas.

aliás, de uns tempos pra cá as agências têm mesmo me procurado e isso faz um bem danado muito mais pro ego que  pro bolso.
quem costuma acompanhar o blog já viu que volta e meia aparecem uns posts publieditoriais. eles são meu trabalho, o ganha pão das quiança. ou pelo menos seria, né? sabe por quê?

é raro eu ver a cor do dinheiro!

na hora de pedir pra fazer o trabalho, as agências querem pra ontem. mas, na hora de pagar, eles demoram meeeeses e ficam sempre desconversando quando eu cobro!

volta e meia eu recebo emails de amigos e até mesmo desconhecidos perguntando como fazer pra trabalhar com isso.
primeiro, gente, deixa eu te contar uma coisa: você pode até se esforçar, mas se você cria um blog com a intenção de ganhar dinheiro, pode até ser que dê sorte (e eu torço por você), mas eu acho forçar a barra demais!
e outra:

prepare-se para trabalhar de graça!

eu não vou começar a citar nomes porque acho que ainda tá muito cedo pra isso (mas enrolem mais um pouco que eu coloco a boca no trombone), mas eu já cansei de fazer coisas pra ganhar uma merreca e ver agência enrolar 3, 4, 5 meses pra pagar.
achei que era só comigo e comecei a conversar com outros blogueiros e blogueiras e vi que acontece com todo mundo.
um amigo demorou quase um ano pra receber por um post publieditorial que ele fez.
quando querem que você faça um post hoje pra ser aprovado e ir ao ar no mesmo dia todo mundo é lindo e maravilhoso. mas me pergunta se alguém paga adiantado? jamé!

e pior: agora tão numas de pegar seu endereço pra te mandar brindezinhos. ok. quem não gosta de ganhar presentes?
mas é só você acusar o recebimento que começa uma de “ah, já que você gostou, divulga lá no seu blog”.
oi? quanto custou isso pra você? cinco, dez reais? isso mal paga meu almoço!
e quando o tal brinde é feio, ruim ou qualquer coisa de mal gosto?
e eu ainda fico me sentindo em dívida com eles, tolinha. golpe de marketing violento do cão.
uma agência uma vez teve a cara de pau de dizer que não pagaria pra eu divulgar a marca porque trabalha com “mídia espontânea”. vem cá, o que há de espontâneo nisso mesmo?
ah, parei com isso!

também têm os sorteios que às vezes acham que tanto a blogueira quanto as leitoras são um bando de otárias. tem loja que tem a cara de pau de querer sortear vale compras de R$ 50,00 no blog. aí a mãe que ganha vai lá toda feliz e a peça mais barata que tem no site é oitenta barão. e ainda tem que pagar o frete. quem é que saiu ganhando no final?
é cada sorteiozinho mequetrefe que me aparece que resolvi boicotar tanto os blogs que fazem quanto os clientes que oferecem (porque também já cansei de ganhar sorteio que nunca me entregou o prêmio). agora só quero prêmio de gente rhyka!

isso sem falar nas propostas de parceria. uns sites mambembes com um pouco mais de acesso que eu tinha quando me iludi com a agência citada lá em cima vêm com aquela de mostra a sua que eu mostro a minha. eles querem colocar banner de graça no meu blog e, em troca, olha que maravilha: eles divulgam meu blog! viva! era tudo que eu precisava!

mas pra mim pior que isso – porque as agências atrasam, mas uma hora ou outra acabam pagando, nos sorteios você não tem nada a perder e nas propostas de parceria eu ainda dou umas boas risadas – é a tal da

sugestão de pauta.

só de ler essas três palavrinhas dá vontade de soltar pelo menos três palavrões. ou melhor, dá vontade de proferir umas palavras tão absurdas que ainda nem foram inventadas!

uma ou duas vezes a gente ainda perdoa, releva e segue adiante.

mas tem nego que é muito cara de pau

e te manda aquela p@#$% de email com um release tão completo que agência nenhuma nunca me entregou. eles explicam tudo tim tim por tim tim, mandam fotos em alta qualidade e sempre trocam seu nome e/ou o nome do seu blog. uma beleza. aí minha pergunta com isso é o que que eu ganho com isso mesmo?
e dar a bunda de graça, quem quer?
vá se lascar.

portanto, meus caros amigos, não se iludam, porque vida de blogueiro não é um mar de rosas.
a gente faz porque gosta e se surgir uma oportunidade interessante, abraça, mas sem se endividar nem fazer planinhos com a grana, ok?

* post publideseditorial em homenagem às minhas queridas agências de publicidade que estão me devendo o mundo. amo todas vocês.

** blogueiras revoltadas, uni-vos!

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