{dicas de etiqueta para pais}
depois do post nem filho, nem desfilhos, muitos comentários surgiram. de proposta de sociedade a participação nos royalties na comercialização de um folder – com as dicas de etiqueta para não pais – e até algumas pessoas raivosas sugerindo que os pais/mães também deveriam ter um post especialmente para eles. afinal a grande maioria tem falta de noção dificuldade de ouvir sugestões ou críticas.
sem mais delongas seguem abaixo algumas dicas para você ser um pai/mãe ainda mais bacana:
1) pare de falar do seu filho o tempo todo.
esse sou eu. tenho que admitir. eu falo do benjamin a toda hora: ele fez isso hoje, ele falou tal coisa, o coco dele tá meio verde, você precisa ver que coimarlinda. o benjamin, o benjamin, BLA, BLA, BLA, BLA! agora fico pensando que as pessoas que convivem um pouco comigo realmente devem estar de saco cheio ou achar que eu sou um pouco exagerado. na melhor das hipóteses devem de chamar de papai coruja dos infernos.
mas a coisa pode piorar e muito se você começar a comparar seu filho com o dos outros. por exemplo: meu filho com 5 meses já tava andando e falando. o seu ainda não?? como assim? meu bebê já participou de corrida de engatinhamento 100 metros rasos e ganhou!!! e ele tinha só 3 meses e o seu não? putes! aí você será realmente odiado.
2) evangelismo paterno/materno ou conversão a paternidade/maternidade
eu li em algum lugar falando que quando uma pessoa tem filho é semelhante a aquela primeira pessoa que pula na água fria da piscina. depois que ele pula e passa o congelamento inicial fica enchendo o saco da galera: a água tá ótima! pode vir galera, entra, entra! pode entrar! entra PELO AMOR DE DEUS! não quero ficar aqui sozinho! basicamente é assim que muitos pais e mães fazem com quem ainda não tem filhos. ficam tentando converter a pessoa para o lado paterno da força.
ok. admito: já fiz isso também. só porque você ama crianças e se empolgou com o lance todo de paternidade não quer dizer que todo mundo seja assim também.
sabia que existem pessoas que não querem nem pensar em ter filhos? é mais normal que tomar água.
outra modalidade versão avançada é ficar pressionando os que já são pais e terem mais filhos, por exemplo: mas vocês vão ter só um? filho único não é bom! tenha mais um ou dois! quem sabe rola um casalzinho? né? casalzinnnn é tão ounnnnn, fofo!
3) metralhadora de conselhos
uma dia desses eu tava notando: a luíza tem uma amiga no facebook que basta ela publicar qualquer coisa (comentário, post, foto, o que seja) que a mulé já vem com um comentário/conselho. não basta comentar, tem que mostrar o quanto ela é sabida na arte da maternidade. sério. a impressão que dá é que realmente eu NÃO SEI COMO MEU FILHO ESTÁ VIVO ATÉ HOJE SEM A AJUDA DESSA PESSOA. to quase pagando uma mensalidade escolar para ela, porque não tá fácil, gente.
pior é quando, num geral, a pessoa foi mãe trezentos anos atrás e está um pouco desmemoriada desatualizada de algumas coisas e quer de todo jeito te ajudar a cuidar melhor do seu filho. dia desses eu ouvi que leite moça é um bom substituto para leite materno. hahaha! cerveja também!
4) quem é mais zumbi?
a famosa competição pra saber quem está mais cansado (até aqui em casa rola isso às vezes).
eu sei que não é fácil cuidar de bebê, dá um trampo enorme, cansa e desgasta. principalmente para as mães que amamentam ou quando o bebê fica doente.
e acho normal comentar que está com sono ou cansado, mas quando vira uma ladainha sem fim, enche o saco de qualquer um, principalmente de quem não tem filhos.
sinceramente, vai adiantar alguma coisa você dizer que está cansado? acho que vai te cansar mais ainda.
5) fique em casa
há um tempo nosso filhote ficava doente quase todo final de semana. sempre que isso acontecia nós não saímos de casa ao encontro de outras crianças. mentira. mas evitamos o máximo que dava.
afinal, ninguém merece filho doente por causa de filho doente dos outros.
quando íamos encontrar com alguém com filhos, avisávamos que não dava pra ir porque a cria estava dodoi.
se o pai ou a mãe não se importassem, então levávamos a criança remelenta mesmo.
só pra ficar bem claro: se seu filho está doente e você for sair assim mesmo, avise antes ou adie o compromisso! não leve ele pra cima dos outros gratuitamente (a não ser que queira se vingar de alguém ou que estejam indo para um bazar de troca de germes novos e usados).
6) seja firme com sua criança e me inclua fora dessa
eu não sei vocês, mas já vi isso acontecer muito. comigo e com outras pessoas. tá lá a criatura malcriada tocando o terror por algum motivo X, no parquinho, na festa, no restaurante ou numa casinha de sapê e aí o paizinho ou a mãezinha, fala pro rebento rebelde:
- filho não faz assim! olha que a moça briga com você, ein?!
- filho que coisa feia, o tio não tá achando legal não… nunca mais ele vai querer que você venha aqui.
reconhecem? pois é. você é o progenitor dessa criança! não sou eu que não está achando legal, é você! seja firme com seu filho e repreenda ele por você mesmo. não use outra pessoa para justificar a falta de limite dele ou sua falta de autoridade.
bônus: me confundo um pouco quando os pais chamam o filho de “papai” ou “mamãe”. os filhos também devem se confundir um pouco também. já viram isso? o pai da criança falando com o filho:
- ô papai, cuidado! aí não, papai!
- ô mamãe, não faz isso. mamãe tá com sono né? tá enjoadinha.
anexo importante: objetos inanimados são inanimados por um motivo: eles não têm vida, são isentos de vontade própria e nem sabem elaborar planos maquiavélicos.
portanto, se seu filho meter a cabeça na quina de uma mesa, nada de dar um tapinha na mesa e falar “mesa feia! fez dodói no pedrinho!”
também não vale se sua menina cair de boca no chão e você disser: “chão bobo! quebrou o dentinho da audrey!”
nem tudo nessa vida é questão de culpa. a criança caiu porque tropeçou e pronto. ia fazer o quê? tirar o chão de lá? desse jeito você ensina a criança a sempre lançar a culpa de atos aleatórios (às vezes até propositais) em terceiros.
bela fuga, ein?
7) brinquedos e comidas são amigos
vai sair e ficar um bom tempo fora de casa? sabe que em algum momento seus pequenos podem cansar e começar um surto psicótico?
aí vão dois truques que costumam funcionar bem pra boa parte das crianças e bebês:
8 ) o mundo não vai acabar

{sobre uma mãe revoltada com a pediatra}
há meses benjamin não ficava doente.
há meses ele não tinha febre.
há meses eu não precisava me preocupar com a tal convulsão.
porque toda vez que ele tem febre eu já penso no pior, que graças a deus nunca mais aconteceu.
mas a tensão permanece.
1h da madrugada de 28 de março, meu aniversário.
o menino acorda quente: 38,3º C.
não acredito. vai começar de novo.
passamos a noite em alerta, com o bichinho dormindo na nossa cama.
bebê febrento de presente pra mamãe.
na hora do almoço eu noto nele certa dificuldade para engolir alguns alimentos.
vou ver a garganta e lá estão vários pontinhos vermelhos. será amigdalite?
ligo pro celular da pediatra e cai direto na caixa.
ligo no consultório e nada.
nada de secretária eletrônica.
não é a primeira vez que acontece.
nas vezes em que ele ficou doentão, sempre tive que me virar por conta própria. ela só aparecia depois, quando eu já tinha tomado algumas decisões que não davam para esperar.
quando ele teve convulsão foi a vez que ela demorou menos pra me retornar: trinta minutos (ele já tinha convulsionado, já tinha passado e naquele momento eu estava dentro do táxi a caminho do hospital, com o neném desacordado em meus braços).
certa vez ela errou o medicamento e prescreveu pela segunda vez o antibiótico que ele tinha acabado de terminar. se eu tivesse seguido sua recomendação à risca, ele ficaria 30 dias seguidos no mesmo antibiótico.
pode isso, arnaldo?
me revoltei, conversamos, nos entendemos.
ela é um amor de pessoa e isso sempre me fez querer continuar com ela.
mas estou cansada porque, apesar de ser bom ter uma relação amistosa com o médico, eu não preciso só de uma amiga, preciso de alguém profissional para cuidar do meu filho.
amigas eu já tenho e não preciso pagar por isso.
até completar1 ano, benjamin passou três meses nesse vaivém. nesse tempo deve ter visitado mais o consultório da doutora do que a casa da avó.
tomou três antibióticos em menos de 2 meses.
uma doença que ia e vinha cada vez de um jeito, com alguns sintomas recorrentes e outros novos.
mas não melhorava.
foi aí que eu comecei a desconfiar de alergia.
por conta própria – mais uma vez – eu cortei o leite da minha alimentação (a dele ainda não tinha).
quem leu o post da alergia sabe como melhorou.
quando apresentei meu diagnóstico materno à medica, ela não discordou e mandou continuar com a dieta restritiva.
e encaminhou pra uma nutricionista que, obviamente, eu não fui.
toda vez que a coisa apertava, ela me encaminhava pra um especialista.
só fui uma vez, gastei uma fortuna a decidi ficar com meus conhecimentos médicos intuitivos e googlelísticos.
ela já sabia que ele tinha outras alergias. por que não desconfiar do leite?
ela alegou alergia respiratória, mas não pensou no leite de vaca por quê?
e por que eu, que não sou médica e não tenho experiência nenhuma no assunto, consegui chegar a uma solução para o problema?
será que eu tenho poderes paranormais que excedem a medicina?
não.
aí aconteceu o episódio da plaquinha.
como disse no início, o benjamin adoeceu esta semana.
depois de mais de 24h tentando encontrar a drª doutora sem sucesso, meu marido decidiu ir até o consultório.
deparou-se com uma porta fechada e um papel impresso no computador grudado nela contendo mais ou menos o seguinte texto:
“INFORMAMOS QUE ESTAMOS DE FÉRIAS / REFORMA DO CONSULTÓRIO.
QUALQUER EMERGÊNCIA, ENTRAR EM CONTATO COM DRª FULANA OU DR CICRANO, TELEFONES xxxx-xxxx”
e o mistério estava resolvido.
a doutora resolveu reformar o consultório e aproveitou pra viajar.
mais tarde me informei com uma amiga (cuja filha também é paciente), que a doutora está na europa.
veja bem, acho que todo mundo pode – e deve – tirar férias.
pediatras especialmente, porque deve ser uma profissão bastante intensa e desgastante.
mas custa ser profissional e avisar os pacientes de outra forma senão através de uma PLAQUINHA DE PAPEL??
há um mês eu fui lá e ela não avisou nada.
reforma e viagem para europa não são duas coisas que se decidem de um dia pro outro.
com certeza ela já havia planejado esses dois eventos e não nos informou na última consulta.
além do mais, eles têm todos os telefones e emails dos pais dos pacientes.
era só mandar um email coletivo para os todos e avisar.
estamos em plena era da tecnologia.
ok que ela não é lá muito fã da coisa. minha mãe também não é.
mas a secretária dela é e poderia ter feito isso por ela.
será que ninguém pensou nisso?
será que não conseguiram elaborar nada melhor que uma plaquinha na porta?
também vou começar a usar esse método incrível!
quando estiver indisposta, coloco uma plaquinha na porta: hoje não tem sexo.
quando estiver cansada demais para amamentar, coloco uma plaquinha na porta: tetas closed.
quando não tiver dinheiro pra cobrir no negativo do banco, coloco uma plaquinha: saldo insuficiente. volte outro dia.
quando não quiser ir trabalhar, coloco uma plaquinha na mesa do chefe: hoje eu não venho trabalhar. me ligue no celular.
quando meu filho ameaçar ficar doente, coloco uma plaquinha nele: saímos de férias. tente outra criança.
não é a primeira nem a segunda vez que esse tipo de descaso acontece e tenho certeza de que não será a última.
e essas coisas cansam, né?
por isso, quando a pediatra voltar de férias, coloco uma plaquinha: tarde demais. mudamos de médico.
quem lê o blog sabe que sou meio neurótico com quedas e machucados do pequeno e me vi sendo um pai helicópero por muitas e muitas vezes.
mas não sou um caso perdido, tanto que recentemente descobri e gostei muito da proposta de um cara chamado gever tulley, cientista da computação e fundador de uma colônia de férias nos EUA chamada tinkering school.
lá as crianças aprendem a brincar com “coisas de verdade”: recebem ferramentas, materiais e orientação para adquirirem confiança e lidar com soluções criativas para problemas reais como, por exemplo, construir seu próprio barco ou ponte.
gever critica o excesso de regras de segurança que existem para evitar que as crianças se metam em situações de risco e se machuquem.
“quando arredondamos todas as quinas e eliminamos todos os objetos afiados, ou cada pontinha do mundo, na primeira vez em que as crianças entrarem em contato com algo pontudo, elas vão se machucar.”
abaixo seguem algumas sugestões que ele dá para criar filhos mais indepentendes, seguros e conhecedores do ambiente em que vivem. vale lembrar que são válidas para crianças a partir de 8 anos:
1) brincar com fogo
a intenção não é incendiar a casa dos pais, mas perceber que o fogo é uma força da natureza sobre a qual pode-se ter algum controle. a proposta é cercar com pedras uma área que entrará em combustão, para que não aja risco do fogo se alastrar. e, antes de tudo, é bom ensinar a brincar com a mangueira, apagando “fogo imaginário”.
2) ter um canivete
canivetes estão desaparecendo da nossa cultura, o que é um coisa terrível. é um ferramenta poderosa e empoderante, onde a criança pode desenvolver habilidades motoras senso de praticidade e lógica. basta explicar a ela algumas regras: sempre cortar no sentido contrário ao do corpo e não forçar a lâmina, por exemplo. “eles vão se cortar, mas são jovens e cicatrizam rápido” – tulley argumenta.
3) arremessar uma lança
nossos cérebros são programados para arremessar coisas e, assim como músculos, se você não usa partes do seu cérebro, eles tendem a atrofiar com o tempo. ficou demonstrado que a prática do arremesso de objetos estimula os lóbulos frontal e parietal do cérebro relacionadas com a acuidade visual e percepção tridimensional. sendo assim, o arremesso é uma combinação de habilidades analíticas e físicas, ajudando as crianças a desenvolverem habilidades de atenção e concentração.
4) desmontar aparelhos
da próxima vez que tiver que se livrar de um aparelho, não jogue fora. desmonte com seu filho. é uma experiência muito valiosa para a criança tentar entender como se movem as engrenagens que fazem as máquinas que nos cercam.
5) dirigir um carro
dirigir um carro é um ato de empoderamento de uma jovem criança, e isso é o máximo!
calma, não é para deixar ela sentar só no banco, acelerar, passar marcha, fazer controle de embreagem tudo ao mesmo tempo!
ache um terreno grande e vazio, certifique-se que seja uma propriedade privada ou sem nada que possa destruir, sente-a no seu colo e deixe que ela pilote o volante.
isto é um grande passo para a criança. dá um certo controle para elas de um jeito que talvez nunca teriam e que frequentemente não têm a chance de ter.
dia desses eu e luiza vímos o filme “conta comigo“ da foto acima, lembram?
e percebemos que o mundo era bem diferente.
não que era melhor, mas era bem menos chato, principalmente para as crianças.
não estou sendo saudosita – gosto muito da modernidade – mas não tem como negar que em poucos anos os pediatras, psicólogos e pedagogos parecem ter acumulado mais e mais conselhos, além das proibições e medidas de segurança para a criança.
não que isso seja de todo ruim, mas que existe um excesso ,existe. um mundo onde em cada plástico ou embalagem há um aviso de perigo ou cuidado. chegamos ao cúmulo de nos copos de café estar escrito: “CUIDADO! PODE ESTAR QUENTE”.
é muita privação de experiencia e um pouco de frescura pro meu gosto. eu duvido muito se um filme como conta comigo seria produzido nos dias de hoje. nele, as crianças infringem todo tipo de lei, cospem, falam palavrões, lidam com armas, pulam em um lago cheio de sanguesugas e, pasmem, até fumam!
conheça um pouco mais sobre a proposta da tinkering school no vídeo abaixo:

quando eu era pequena, não entendia por que minha mãe era tão brava e estava sempre estressada ou chateada com alguma coisa.
aí era só conversar com outras amigas que elas logo falavam “sua mãe? imagina! sua mãe é ótima, super boazinha! precisa só ver a minha”. e eu ficava pensando “ahhh! como eu queria ser filha da mãe de fulana” ou “ah, duvido que na casa de beltrano as coisas sejam desse jeito”.
veja bem: minha mãe não era do tipo que proibia tudo. olhando hoje, acho que ela era maravilhosa. era criativa, inteligente, descolada. dava bastante liberdade pra fazermos as coisas, dentro dos limites da casa, já pré-estabelecidos.
mas, na época, a impressão que eu tinha era que ela vivia cansada e chateada. eu só olhava pra ela e pensava: “minha mãe é uma chata! não me deixa fazer nada! na casa das minhas amigas elas podem fazer várias coisas que na minha nem se sonha! mas ela vai ver só! quando eu tiver a minha casa e o os meus filhos, vai ser tudo diferente”!
tenho apenas uma coisa a dizer a respeito: ahahahahahahah!
é claro que eu to pagando a língua. o benjamin ainda não tem consciência de que eu sou uma chata, mas eu tenho. e como tenho!
começou na gravidez, com todos aqueles hormônios malucos, o cansaço que não passa nunca e coisa e tal.
quando ele nasceu, foi super difícil conciliar o pensamento materno-romântico com a realidade nua e crua das noites mal dormidas, as roupas sempre azedas de leite, me sentindo a eterna nega do subaco cabeludo.
na minha imaginação fértil, eu seria uma mãe diferente. nunca levantaria a voz para o meu filho, não surtaria nunca e seria sempre amável e carinhosa, como a insuperável mãe do caillou.
mas a vida real é bem diferente dos desenhos. beeeeeeeem.
em geral o benjamin dorme relativamente cedo e levanta num horário bom, mas às vezes ele pira e quer acordar no meio da noite pra brincar. aí é um sufoco.
eu acordo um bagaço, nervosa, irritada, gritando pras paredes, brigando com o marido, chutando o cachorro. ponho a culpa na diarista, que não lavou a louça direito, no vizinho, que ronca à noite inteira, toma banho às 6h30 da manhã com um sabonete muito fedido e fica assoando o nariz até expelir todo o pulmão (e acordar a casa toda).
aí passo o dia inteiro que nem um zumbi, me escorando pelos cantos, tirando uns cochilos esquisitos.
mas mesmo quando eu durmo bem, estou sempre tensa. um pouco menos, mas continuo.
eu sou muito cricri. uma legalista por natureza, presidente do crazy mamas country club.
não deixo meu filho assistir tv, não gosto que ele coma açúcar (só socialmente, e olhe lá), odeio aquelas musiquinhas infantis sintéticas e acredito que isso influencia a criança a ter um gosto musical limitado no futuro.
aliás, muitas coisas que eu estimulo ou veto aqui em casa são justamente pensando no futuro dele.
mas não quero sair convertendo ninguém a isso, pelo contrário.
se você não se importa, vá em frente.
eu é que não queria me importar tanto.
e como o benjamin é daqueles macacos meninos cheios de energia e curioso ao extremo, preciso estar sempre alerta.
ele está sempre ligado no que acontece ao seu redor. repete palavras e expressões que usamos (inclusive as ruins), observa nossos comportamentos, ações e reações. uma verdadeira esponjinha.
para a criança tudo é um aprendizado e, na minha opinião, o melhor jeito dele acontecer é nas tarefas cotidianas: alguns biscoitos ensinam a contar, brinquedos coloridos ensinam as cores, as frutas ensinam as formas e por aí vai.
ensino o benjamin a comer, não a “papar”. a dormir, não a “mimir”. que “auau” é o barulho do cachorro, não o nome dele (e muito menos de outros bichos) e mais tantos outros exemplos que dariam um post à parte.
eu vesti o uniforme de professora 24h e não tiro nem pra tomar banho ou dormir.
sei que às vezes eu deveria ceder um pouco. e eu cedo. mas na minha cabeça, sempre o faço contrariada, geralmente em prol do social, só para não arrumar encrenca ou para fugir de uma discussão desnecessária. mas lá dentro eu fico insatisfeita.
você até pode dizer “ah, luíza, mas é porque é primeiro filho. vai ver que no segundo você vai relaxar mais”. bem que eu quero, mas não conto com isso.
porque não é uma característica nova, que eu adquiri com a maternidade.
ela apenas foi potencializada pela enorme peso da responsabilidade de criar um filho.
pelo menos enquanto ele é pequeno, não dá pra relaxar tanto. não dá pra mudar as regras do jogo o tempo todo só pra ficar confortável em um determinado momento e botar outras coisas a perder a longo prazo.
eu sei que logo o benjamin vai crescer e perceber o tanto que eu às vezes eu encrenco, brigo, boto limites em certas situações.
ele vai querer fazer coisas que vão além de meter o dedo na tomada ou tomar banho na vasilha de água do tov.
algumas regras serão mais flexíveis e outras mais rígidas, quando um simples não não for suficiente.
nesse momento, por mais que eu endureça sin perder la ternura, a megera vai se estabelecer, a mãe alheia sempre será mais verde, legal e divertida do que eu.
mas eu não me importo. prefiro ser vista como mãe chata (por cumprir meu papel de mãe) a ser amiguinha da garotada e não ter moral nenhuma na hora do vamos ver.
certa vez eu ouvi de uma psicóloga que o confronto faz parte da maternidade (e paternidade) e é extremamente necessário, porque às vezes seu filho vai mesmo pensar diferente de você e em alguns momentos a decisão dos pais vai ter que se impor sobre a dos filhos.
educar vai além de ser legal. claro que a amizade tem que existir também mas, como sempre disse minha véia, “eu sou sua mãe, não sua coleguinha!”
a gente gera, bota no mundo, cuida e ama dessa maneira e intensidade que eles só vão entender quando forem pais/mães.
e por enquanto vai queimando um pouco o filme com eles, que são os ossos do ofício.

estou de mal do mercado que fica aqui perto de casa.
pra quem não sabe, eu não tenho carro, o que me obriga a fazer as compras emergenciais lá mesmo.
originalmente, seria um mercado de boa qualidade não vou falar que é o pão de açúcar, tá?
mas toda vez que eu deixo pra ir lá em cima da hora é sempre a mesma desgraça: todas as frutas estão verdes, com exceção da maçã, da melância e do melãocio (que são pesados demais pra carregar por dois quarteirões) e, às vezes, da uva.
o resto está sempre – SEMPRE – verde.
eu compro mesmo assim e deixo pra amadurecer em casa
isso me deixa pau da vida. especialmente porque têm semanas (seguidas) em que eu não me planejo e aí já viu: uma dúzia de maçãs semi-maduras feitas de diversas maneiras: crua, picada, raspada, cozida, amassada, assada, com ou sem casca. aí não tem cristo que não enjoe, né?
e não dá pra deixar o pequeno sem frutas também.
pra completar, quando o resto amadurece forçadamente (às vezes embrulhado num jornal ou guardado no escurinho do forno desligado), sempre fica esquisito.
a banana do nada fica com umas partes pretas. a pera fica mezzo podre, mezzo verde.
ok que eu sou muito atrasada (pra não dizer retardada) pra atentar pro tempo de maturação das frutas. mas posso botar a culpa toda no pão de açúcar? diz que eu posso…
aí hoje eu vi de longe uma manga cair de madura de uma árvore. logo pensei “vou pegar essa manga pro benjoca comer”, mas uma senhora foi mais rápida que eu.
nesse meio tempo eu divaguei a respeito das frutas amadurecidas no pé.
desejei por um momento ter um pomar próprio e só comer das frutas que amadurecessem e caíssem naturalmente.
imaginei qual seria o gosto de uma maçã madura de verdade, visto que nunca comi uma direto do pomar.
e que bom seria se fosse sempre assim, né?
mas não dá. nem sempre é possível transportar uma banana madurinha que vai viajar quilômetros de distância, chegar ao mercado e ainda ficar dias armazenada lá por dias. apodreceria antes mesmo de acabar.
e continuei o pensamento estendendo a outras situações.
muitas coisas precisam ser adaptadas ao ritmo da vida moderna.
algumas funcionam bem. outras são uma grande forçação de barra.
que bom seria se todos os bebês (os saudáveis e fora de risco de morte) tivessem ao menos a chance de entrarem em trabalho de parto antes de nascer! mas não é todo médico que espera e não é toda a família que está disposta.
(e, claro, antes um bebê nascer imaturo a não nascer, né?)
seria maravilhoso se os recém nascidos fossem respeitados por todos (não alguns) profissionais da saúde não só durante o nascimento, mas no tempo que se segue depois deste grande trauma que é chegar neste mundão de deus.
que as crianças de hoje pudessem crescer no tempo natural delas, sem algumas forçadas de barra que as fazem crescer antes da hora.
que a adolescência fosse uma transição saudável da infância para a vida adulta, sem esses exageros de que aquele é o momento único e oportuno para decidir sua vida profissional. meu deus! e quem é que tem cabeça pra fazer uma escolha tão definitiva em um momento tão turbulento?
e quando finalmente chega a vida adulta, aquele feto que foi forçado a virar bebê, aquele bebê que foi obrigado a ser criança, a criança que foi adolescente tão cedo e o adolescente que recebeu a maturidade embrulhada em jornal de cursos pré vestibulares, muitas vezes acaba por apodrecer por fora e continuar verde por dentro.
alguns continuam a tentar crescer mais e mais e até conseguem lidar com a situação (mesmo que muitas vezes isso fique atravessado na garganta por anos).
mas cansei de ver gente que não soube e continua sem saber como lidar com isso.
que quando, finalmente, chegaria o momento certo de cair naturalmente do pé como um fruto doce, maduro, prontinho para ser bem aproveitado, já está todo estragado.
e eu me pergunto: vale mesmo à pena?
pra que forçar tantas coisas que viriam de um jeito ou de outro, só que no momento próprio delas?
não seria melhor, como diz o poeta, deixar acontecer naturalmente?
qual preço nossos filhos pagarão por conta de ansiedades bobas de nós, mães e pais?
bem que seria bom comer somente fruta madura direto do pomar.
seria maravilhoso poder criar nossos filhos num mundo perfeito, longe de tantas coisas desnecessárias.
só que a gente sabe que na prática não é assim que funciona.
mas não custa tentar fazer nossa parte, né?
boa semana a todos!
há um tempo eu escrevi o post quando você crescer falando de todas as minhas aventuras pseudo profissionais nas quais já me meti. e também falei de como a maioria delas não funcionou como eu imaginava.
pois bem, minha última tramoia foi diferente. aconteceu por acaso. do tipo foi indo e acabou fondo e quando vi, já estava metida no negócio.
aquele sonho besta que mãe tem de trabalhar em casa e não precisar deixar os filhos sob supervisão de terceiros, sabe?
eu sei.
engraçado que o blog começou muito pequeno (como deve ser, afinal). a primeira agência que entrou em contato comigo – há pouco mais de 2 anos – foi uma piada. eles disseram que o blog tinha um perfil legal e tal e queriam saber a quantidade de acessos diários.
eu enchi a boca pra dizer que nos dias de pico eu tinha 30 acessos diários (mas não contei que no fim de semana variava entre 1 e 4 visitantes). claro que ele desconversou e a coisa ficou por isso mesmo.
apenas dois anos mais tarde fechamos algumas campanhas.
aliás, de uns tempos pra cá as agências têm mesmo me procurado e isso faz um bem danado muito mais pro ego que pro bolso.
quem costuma acompanhar o blog já viu que volta e meia aparecem uns posts publieditoriais. eles são meu trabalho, o ganha pão das quiança. ou pelo menos seria, né? sabe por quê?
volta e meia eu recebo emails de amigos e até mesmo desconhecidos perguntando como fazer pra trabalhar com isso.
primeiro, gente, deixa eu te contar uma coisa: você pode até se esforçar, mas se você cria um blog com a intenção de ganhar dinheiro, pode até ser que dê sorte (e eu torço por você), mas eu acho forçar a barra demais!
e outra:
eu não vou começar a citar nomes porque acho que ainda tá muito cedo pra isso (mas enrolem mais um pouco que eu coloco a boca no trombone), mas eu já cansei de fazer coisas pra ganhar uma merreca e ver agência enrolar 3, 4, 5 meses pra pagar.
achei que era só comigo e comecei a conversar com outros blogueiros e blogueiras e vi que acontece com todo mundo.
um amigo demorou quase um ano pra receber por um post publieditorial que ele fez.
quando querem que você faça um post hoje pra ser aprovado e ir ao ar no mesmo dia todo mundo é lindo e maravilhoso. mas me pergunta se alguém paga adiantado? jamé!
e pior: agora tão numas de pegar seu endereço pra te mandar brindezinhos. ok. quem não gosta de ganhar presentes?
mas é só você acusar o recebimento que começa uma de “ah, já que você gostou, divulga lá no seu blog”.
oi? quanto custou isso pra você? cinco, dez reais? isso mal paga meu almoço!
e quando o tal brinde é feio, ruim ou qualquer coisa de mal gosto?
e eu ainda fico me sentindo em dívida com eles, tolinha. golpe de marketing violento do cão.
uma agência uma vez teve a cara de pau de dizer que não pagaria pra eu divulgar a marca porque trabalha com “mídia espontânea”. vem cá, o que há de espontâneo nisso mesmo?
ah, parei com isso!
também têm os sorteios que às vezes acham que tanto a blogueira quanto as leitoras são um bando de otárias. tem loja que tem a cara de pau de querer sortear vale compras de R$ 50,00 no blog. aí a mãe que ganha vai lá toda feliz e a peça mais barata que tem no site é oitenta barão. e ainda tem que pagar o frete. quem é que saiu ganhando no final?
é cada sorteiozinho mequetrefe que me aparece que resolvi boicotar tanto os blogs que fazem quanto os clientes que oferecem (porque também já cansei de ganhar sorteio que nunca me entregou o prêmio). agora só quero prêmio de gente rhyka!
isso sem falar nas propostas de parceria. uns sites mambembes com um pouco mais de acesso que eu tinha quando me iludi com a agência citada lá em cima vêm com aquela de mostra a sua que eu mostro a minha. eles querem colocar banner de graça no meu blog e, em troca, olha que maravilha: eles divulgam meu blog! viva! era tudo que eu precisava!
mas pra mim pior que isso – porque as agências atrasam, mas uma hora ou outra acabam pagando, nos sorteios você não tem nada a perder e nas propostas de parceria eu ainda dou umas boas risadas – é a tal da
uma ou duas vezes a gente ainda perdoa, releva e segue adiante.
e te manda aquela p@#$% de email com um release tão completo que agência nenhuma nunca me entregou. eles explicam tudo tim tim por tim tim, mandam fotos em alta qualidade e sempre trocam seu nome e/ou o nome do seu blog. uma beleza. aí minha pergunta com isso é o que que eu ganho com isso mesmo?
e dar a bunda de graça, quem quer?
vá se lascar.
portanto, meus caros amigos, não se iludam, porque vida de blogueiro não é um mar de rosas.
a gente faz porque gosta e se surgir uma oportunidade interessante, abraça, mas sem se endividar nem fazer planinhos com a grana, ok?
* post publideseditorial em homenagem às minhas queridas agências de publicidade que estão me devendo o mundo. amo todas vocês.
** blogueiras revoltadas, uni-vos!
quem, quando pequeno, nunca ouviu a famosa pergunta “o que você quer ser quando crescer”?
eu já tinha a resposta na ponta da língua.
pra mim sempre foi uma resposta muito óbvia que me acompanhou por anos, até chegar a época do vestibular.
na hora de selecionar a opção de curso eu marquei sem pensar duas vezes: veterinária.
bicho sempre foi minha praia. sempre amei, adorei, venerei.
sonhava em ter cachorro, mas meus pais conseguiram me driblar com peixes, hamsters, coelho, periquitos, chinchila, pintinhos de feira. peguei cachorros e gatos na rua inúmeras vezes, mas eles nunca ficaram.
por volta dos oito anos ganhei uma poodle que não durou nem dez meses.
aos quinze finalmente tive um cachorro que foi meu caso sério de amor. ficou comigo até meus vinte e quatro anos, quando ele nos deixou, literalmente.
mas voltando à veterinária, sempre tive plena e absoluta convicção da minha escolha.
tentei o vestibular uma, duas vezes. não passei.
escolhi um curso mais fácil de passar: engenharia florestal.
ok, combinava comigo, visto que envolvia prantas, minha opção secundária por ordem de gostância.
não deu certo.
pensei em fazer biologia, zoologia, biologia marinha.
não?
então vamos pensar nas ciências humanas e afins.
que tal comunicação social? posso ir pra área da publicidade, ou até mesmo jornalismo.
por que não pedagogia? eu podia vira tia daquelas quiança remelenta tudo.
ah, posso fazer administração e abrir uma empresa.
se bem que eu gosto da área de exatas. acho que vou voltar pra engenharia.
esquece faculdade. vou tentar os caminhos alternativos.
virei adestradora. treinei cachorros de todos os tipos, temperamentos e tamanhos.
pastor alemão, mastim napolitano, labrador, golden, dálmata, dobermann, pit bull, stafordshire, weimaraner, rotweiller, buldogue, yorkshire.
praticamente uma cesar millan fêmea brasileira.
tomei a minha primeira mordida. de quem? do york, claro.
e eu adorava, pirava, chegava em casa exausta e feliz. dormia e acordava pensando em cachorro.
ok, vou montar minha própria empresa de adestramento. não deu certo.
mas vou me embrenhar pro mundo dos negócios.
que tal confeccionar roupinhas pra cachorro?
não durou nem dois meses.
e um esquema de distribuição de frutas, legumes e verduras em domicílio?
nem seis meses.
ah, então eu vou virar barista. adoro fazer café, tenho um olfato apuradíssimo e habilidade com a coisa. mas eu não gosto de café.
nem um ano.
então vou voltar pra engenharia florestal!
“olha, você pode voltar, mas só se não trancar mais nenhum semestre e se suas notas forem ótimas” – disse o coordenador de curso.
“combinado”
no dia seguinte me descobri grávida.
pois é, grávida. daquelas com concentração zero. imagina eu. não conseguia nem decorar um número de telefone. fazia uma coisa de manhã e à tarde já tinha esquecido.
cheguei ao ponto de começar a almoçar, me perdi no labirinto dos pensamentos poluídos por excesso de amor, e esqueci que estava comendo, esqueci que estava no restaurante e de repente me perguntei: por que e o que é que eu estou mastigando?
agora magina eu, a grávida louca, fazendo cinco a seis matérias por dia, numa faculdade que costumava me ocupar o dia inteiro, tendo que tirar notas ótimas sem poder repetir uma matéria sequer e não poder trancar o semestre. se eu não conseguia isso antes de engravidar, té parece que ia dar conta grávida.
vou não, posso não, quero não, meu bebê não deixa não.
então tá decidido. esquece faculdade de novo.
vou ser mãe em tempo integral. vou ser mulher, mãe, dona de casa e esposa feliz.
aham tá bom, cráudia. senta bem ali.
e eu sentei no trono da gonorância jurando que ia dar conta.
no quinto mês de gravidez a louca pediu demissão.
“agora vou cuidar da minha casa! em uma semana ela vai estar tinindo”.
passou um, dois meses, doze, quinze meses e hoje a casa está o caos completo.
agora to aqui, pedindo arrego, procurando uma empregada e preparando o tema pra parte 2 do post, que com certeza levará outro título.
(se isso fosse uma redação de vestibular eu negativaria a nota, com certeza)
mas já adianto que, se te consola, tô bem feliz.
besas

quando eu tinha nove anos aprendi na escola sobre os sistemas reprodutores masculino e feminino.
fiquei fascinada por finalmente saber a verdade sobre de onde vêm e por onde saem os bebês.
na época eu tinha um amigo, o dudu, que era o meu melhor amigo. acontece que eu estava uma série adiante dele. ou seja, ele não sabia necas (literalmente) sobre o assunto.
eu chegava empolgada da escola e perguntava: “dudu, você tem ovários?”.
ele me olhava com aquela cara de desconfiado e desentendido, como quem esperava uma dica minha para saber o que responder.
eu, gaiata, completava: “eu não sei você, mas eu tenho ovários”.
ele caía no meu truque e prontamente respondia: “tenho, claro que tenho”.
e eu morria de rir.
depois de outra aula de ciências eu abordava meu amigo-vítima outra vez: “dudu, você tem próstata? eu não tenho”.
e ele: “não, não tenho não” e eu ganhava o dia sacaneando meu amiguinho.
nisso eu, no auge dos meus nove anos, jurava que sabia tudo sobre sexo e reprodução.
até o dia em que eu caí na besteira resolvi conversar sobre o assunto com minha mãe.
conta ela que eu rodeei, rodeei, até que ela disse:
- você quer saber se eu e seu pai transamos? – palavras dela, tá? porque eu acho transar uma palavra horrível.
e eu, me achando:
- ah, sim, eu sei que vocês tiveram que transar pra gente (eu e minhas irmãs) nascer, mas vocês não fazem mais isso… né?? (tenso)
e minha mãe, a sinceridade em pessoa:
- olha, filha, a gente não fez sexo só pra ter filho (distorci o diálogo porque transar é cafona). a gente continua fazendo sexo.
juro. naquele momento meu mundo desabou. meus pais não podiam fazer sexo. fiquei indignada:
- não! vocês não podem! promete pra mim que vocês nunca mais vão fazer sexo?
- não, filha, eu não posso prometer isso a você. mas posso prometer que hoje nós não vamos fazer.
o sangue ferveu:
- então eu vou costurar o seu pijama pro papai não conseguir fazer sexo com você! eu vou lá na cozinha, pegar uma faca, cortar o pinto do meu pai e vocês nunca mais vão fazer isso!
conta a minha mãe que na hora ela precisou se controlar pra não rir e tentar entender o meu lado.
agora imagine você: uma criança, um cotoco desses, chegar cheia de questões e, por fim, ameaças. se o benjamin me saísse com uma dessas eu não sei se me aguentaria.
pra minha mãe a história terminou por aí.
pra mim, era só o começo da maluquice.
desde então – até os meus pais se separarem, seis anos depois – eu nunca mais dormi direito.
pra mim eu precisava ser a primeira a dormir e acordar somente no dia seguinte.
meu maior medo era meus pais acharem que eu estava dormindo e decidirem fazer sexo ali, debaixo do mesmo teto que eu, no quarto logo ao lado.
mas a verdade é que eu realmente não conseguia dormir até ter absoluta certeza de que os dois estavam dormindo. vestidos.
por várias vezes, ao perceber que eles iam para o quarto, eu ia na ponta do pé e encostava o ouvido na porta, a fim de me assegurar de que eu poderia dormir tranquila.
graças a deus eu nunca ouvi nada.
e mais graças ainda por não ter arrancado o dito cujo na faca. do contrário, não existiriam mais essas duas belezinhas:


a maternidade é linda, maravilhosa, tchurururu e eu ainda planejo ter mais dois filhos.
mas estaria mentindo se não assumisse que sinto falta:
beijo nas linda
ps: não to conseguindo passar as fotos novas pro pc. então fiquem com esse gif velho:

já faz duas semanas que aconteceu, mas eu lembro como se fosse agora.
ele estava com febre desde o dia anterior.
era segunda feira, e nos preparávamos para a consulta de rotina da pediatra, a consulta dos 9 meses.
passou a manhã inteira quentinho, dengoso, sem dar o menor papo pra comida e bola somente pra mim. mamava por 40 minutos, largava o peito por uns 20 e depois pedia pra mamar outra vez.
tomou um tylenol pela manhã pra abaixar a febre e, pouco antes de sairmos para a consulta, dei um banho nele pra abaixar a temperatura, que estava na casa dos 38,5º C.
não liguei para a pediatra porque a consulta seria em menos de uma hora.
no trocador ele deu uns dois espasmos parecendo aquele reflexo de moro que acontece em recém nascido. ele assustou-se, mas eu não.
combinei com o marido para almoçarmos juntos e depois irmos à consulta. mandei mensagem dizendo que atrasaria um pouco por conta do mamaço que tava rolando em casa.
mamou, dormiu e aproveitei pra deixá-lo no berço enquanto eu me arrumava. mal deu tempo de fazer isso e ele acordou chorando, pedindo colo. terminei de me arrumar com ele a tiracolo.
quando estava quase saindo de casa, ele teve mais um espasmo.
aí aconteceu.
e de alguma forma eu já sabia o que viria depois.
ele deu um grito alto e foi ficando vermelho, jogando o corpo para trás.
os olhinhos viraram e a língua mexia-se rapidamente na boca. o corpo tremia.
era convulsão.
como um flash, tudo o que eu sabia sobre convulsão passou na minha mente: 1ª coisa: ela não mata; 2ª: ela passa; 3ª: não segure a língua, 4º: proteja a cabeça, 5º: agora espera.
eu travei.
andava para um lado e para o outro na casa, sozinha, com ele no colo: “ai meu deus, ai meu deus”.
não consegui fazer nada, só orar. orei, orei, orei, pedi misericórida a Deus. “salva nosso filho, papai! em nome de Jesus!” e só.
em questão de um minuto ele foi acalmando e ficou pálido. a boca ficou roxa e a respiração bem escassa.
“meu filho vai morrer nos meus braços”.
mas logo voltou a respirar bem lentamente.
“vou ao hospital! ele pode ter outra convulsão”.
liguei para o marido e não conseguia falar nada, só hilan, hilan, hilan, hilan, em looping.
e consegui avisar “o benjamin teve convulsões. te ligo depois”.
tive que parar pra pensar em qual atitude tomar.
não tive coragem de pedir socorro no meu prédio.
pensei em ligar para uma ambulância, mas tive medo de demorar demais (se acontecesse outra vez, com certeza ligaria para a ambulância).
liguei para um táxi.
no caminho ele olhava distante, catatônico, sem responder quando o chamava.
no hospital encontrei o marido que já tinha deixado de sobreaviso a situação do filho.
chegamos e já entramos direto.
ele foi encaminhado para o banho morno. depois tentaram achar sua veia mas não conseguiram.
um, dois, três furos e eu estressei: “meu filho não é um boneco pra vocês brincarem de furá-lo. arrumem outro jeito de dar a medicação!”
foi na bunda.
nisso ele já estava bastante consciente e chorava, chorava, só não gritava porque não tinha tanta força.
a temperatura estava na casa dos 38º C.
ele ficou melhor, já estava observando as coisas, apontando para a luz.
vamos fazer o raio-x. nem chegamos a sair e ele deu outro espasmo: “ele vai convulsionar”, avisei.
na mesma hora começou tudo outra vez.
pedi pro marido não olhar (mas ele não me ouviu, claro. eu não ouviria).
a pediatra já chegou, deitou ele na cama e ele ficou ali, de ladinho, todo encolhidinho.
não quis ver seu rosto. deixei ele aos cuidados da médica e equipe.
oxigênio nele. desta vez demorou por volta de cinco minutos.
ela injetou um antiespasmódico e aos poucos ele foi cedendo.
ele chorava baixinho, como no dia do seu nascimento.
ele respirava com dificuldade.
meu coração ficou do tamanho de uma semente de uva.
por dentro eu estava desabando. por fora, tinha que permanecer forte.
“será que eu dou conta disso?”.
quando lembro de tudo, vejo que só Deus pra me dar força em uma hora dessas.
passamos a tarde toda, até o começo da noite no hospital.
raio-x, hemograma completo. tudo ok.
ele passou a tarde com compressas de álcool na testa e na barriga. ficou peladinho (e aquele ar condicionado gelado).
a pediatra explicou algumas coisas sobre as convulsões febris:
passados três dias (todos com febre controlada), apareceram vários pontinhos vermelhos por todo o corpo, semelhante a uma assadura. o diagnóstico: roséola.
uma virose chata, mas inofensiva (ofensiva foi a febre), que passou rapidinho.
mas nisso a imunidade dele deu uma abaixada e ele ficou gripado. também pudera: mudança de tempo e 6h seguidas no ar gelado do hospital. não poderia dar em outra.
ele ficou esgotado e traumatizado com todo o desgaste das convulsões os procedimentos hospitalares. passou dias molengo, só dormindo e mamando. parecia um recém nascido com tamanho de menino de 1 ano.
aos poucos conseguiu ficar mais tempo acordado, sentar-se, engatinhar e, ao fim da semana, ficar em pé.
hoje ele está ótimo. ótimo até demais. “fala”, grita, rosna, engatinha na velocidade da luz, escala todos os móveis, não me dá sossego um segundo sequer.
nisso ele está hiper grudento, só quer saber de colo o tempo todo. à noite acorda o tempo inteiro, vem pro meu colo e sossega. passamos uns dias de cama compartilhada mas eu que não dei conta.
dou graças a Deus por ele estar bem, mas tenho pedido ajuda pra que eu consiga lidar com a lembrança.
foi a experiência mais traumática de toda a minha vida.
foi a cena mais horrorosa de todos os tempos (nunca mais assisto o exorcista).
qualquer movimento brusco que ele faz, eu me assusto. qualquer gritinho que ele dá, meu coração acerela e quase sai pela boca.
estou tomando um floral de bach chamado rescue e orando sempre, porque só Deus pra me arrancar essa agonia.
sei que basta a cada dia o seu próprio mal.
os dias que se passaram nas duas últimas semanas foram me ajudando a me recuperar.
mas escrever esse post doeu. foi como jogar vinagre na ferida.
as memórias foram retomadas e passei um dia ansiosa.
eu não gosto de falar de doenças e coisas ruins no blog.
mas pensei em todos os pais que já passaram por isso (tenho descoberto que não são poucos) e vi que é um assunto velado.
é feio, mas não é um bicho de sete cabeças.
não deixou sequelas no meu bebê. apenas em mim e no meu marido.
de repente você já passou por isso. foi pensando exatamente em você que escrevi este post.
ATENÇÃO, PATRULHINHA BLOGUEIRA!
você, que se considera um médico vitual de plantão, que acha que entende mais de tudo do que todo mundo, que tem sempre uma crítica ridícula para fazer.
se você não tem nada para edificar, guarde seu comentário para si.
eu acabo de abrir meu coração e rasgar minha alma pra compartilhar o que passei na esperança de ajudar outras pessoas.
se você não tem um mínimo de bom senso, VAZA DAQUI.
grata!