
[clique aqui para ler a parte I e a parte II]
os dias seguintes à festinha foram nublados e chuvosos. brasília enfrentou mais de 100 dias sem chuva. eu tive mais de 100 dias ensolarados e brilhantes para conhecer A mãe, mas ela foi aparecer justo quando a cidade resolveu chorar tudo aquilo que segurou nos últimos meses.
olhava de longe e via aquele parquinho vazio e ensopado. ninguém se arriscava a sair com os pequenos.
o céu constantemente cinza expressava o que eu sentia por dentro. domingo, segunda, terça feira. nada.
no fim do dia de quarta o tempo firmou um cadim e lá fomos nós, quase seis da tarde, sozinhos.
aproveitamos todos os brinquedos e ele – finalmente – pode usar o disputadíssimo balanço por quanto tempo quisesse.
mas nenhuma outra alma viva se arriscou a aparecer.
a não ser, é claro, um casal de adolescentes que ficava se agarrando embaixo do bloco e quando percebiam que o benjamin estava olhando, eles paravam.
a vontade foi de dizer “olha, filho, é o casalzinho. daqui a pouco eles aparecem com um bebezinho igual a você, pra brincarem aqui no parquinho “, mas me contive.
já estava escuro e voltei pra casa.
quinta, mais um dia chuvoso. à tarde fomos à livraria de um shopping acompanhados de paloma e clarice. finalmente um bebê pra ele agarrrar, morder, aprontar junto brincar e uma mãe pra tagarelar, reclamar de pediatra e outros assuntos correlatos.
na sexta já havia combinado com outra amiga, a fabi, e suas duas lindas filhotas, de irmos ao parquinho aqui da quadra.
o dia amanheceu lindo, sem nuvens e com um céu azulão.
era a sorte mudando.
quando chegamos ao parquinho, as babás quase tiveram um treco. não conseguiam parar de olhar. em um determinado momento até as crianças pararam tudo que faziam pra olhar as filhas da fabi e o benjamin.
seria uma invasão alienígena?
acho que sim, porque logo chegou outra mãe com um bebê de 9 meses e aí o parquinho foi dominado de vez.
em questão de minutos todas elas sumiram sem deixar rastro e até agora eu não entendi por quê.
puxamos papo, fomos para debaixo do bloco por causa do sol quente (aqui em brasília tem essa coisa maravilhosa chamada pilotis, que nos permite ficar embaixo do bloco, dando origem a essa expressão super usada na cidade e que não faz tanto sentido em outros lugares). ficamos mais um bom tempo por lá e a outra mãe foi embora.
mas ela ainda não era A mãe. era só mais Uma mãe.
fabi foi embora, eu subi, botei o benjoca pra dormir e fui pro computador.
e adivinhem? entrei no facebook e vi que a lidia, mãe da tetê (a aniversariante, lembram?), me marcou em uma publicação no mural de quem, minha gente? isso mesmo, dA mãe. e adivinhem mais o quê? ela colocou o link do post prA mãe ler.
e agora? eu fico feliz ou cavo um buraco bem fundo pra me esconder?
porque a história era tão linda sem que a mãe tivesse nome, rosto ou perfil no facebook.
mas de repente lá estávamos nós, frente a frente virtualmente, com um link que me dedura, me desmascara e me faz parecer uma louca completa.
bom, já que a lidia me desmascarou, o jeito era me jogar.
adicionei ela no facebook e deixei logo uma mensagem “oi! é a luíza, da sua quadra, amiga da lidia, tudo bem? te add, tá? bjs”
tá. e se ela não souber quem é? tipo, a lidia tem um milhão de amigos e eu nem falei que era a mãe do benjamin, ou que estávamos na festinha da tetê. e pra completar, na minha foto do perfil estava ninguém mais ninguém menos que ariel, a pequena sereia.
aí não dá, né, gente?
depois disso, devo ter atualizado minha página no facebook um milhão de vezes. quando chegava mensagem nova eu sentia borboletas no estômago e ia timidamente olhar e não era nada demais. nunca era Ela.
claro! também, depois desse texto maluco quase lésbico, quem não se assustaria?
a menina só meu viu duas vezes na vida, a gente nunca nem chegou a conversar e de repente um post desses falando esse tanto de coisa. credo em cruz!
só uma semana depois ela viu o comentário da lidia no fb, comentou e disse que sentiu-se lisonjeada.
ela disse que tinha voltado de viagem e combinou de combinarmos (?) uma ida ao parquinho.
mais uns 3 dias depois nos falamos mais uma ou outra vez e ficou por isso mesmo.
acho que a grande graça foi ser um amor não correspondido e todos esses encontros e desencontros que tivemos.
mas foi só eu receber a segunda mensagem dela que o fogo da paixão cessou.
acho até que depois disso peguei o telefone dela com a lidia, mas nunca telefonei.
e ficou por isso mesmo.
* * *
6 meses se passaram e eu nunca mais a vi ou tive notícias.
talvez ela tenha se mudado. talvez não.
mas o fato é que eu descobri que não existe A mãe. existem amigas e amigas. pessoas que vêm e vão em nossas vidas. algumas ficam para sempre.
lembra que eu mencionei uma outra mãe ali em cima, que também mora na mesma quadra que eu? falei que era uma mãe qualquer, mas não A mãe.
pode até ser, mas é a mãe que eu mais encontro no parquinho, que temos tantas coisas em comum e outras nem tanto.
a primeira impressão que eu tive dela era de uma pessoa enjoada, que não curte o filho, que tá ali só porque não tem outra opção.
mas depois vi que ela é bem diferente do que eu imaginava, que ela é a mãe mais sossegada que eu já conheci, sem essas frescuras e medo do filho se sujar, de colocar as coisas na boca e coisa e tal. uma pessoa que só de eu ver lá longe passeando com o filho (ou com os cachorros), eu faço questão de mudar minha rota pra encontrá-la, nem que seja pra trocar meia dúzia de palavras.
fui à casa dela apenas uma vez e nunca tive coragem de chamá-la pra minha (que é uma verdadeira e eterna bagunça).
talvez ela nem saiba meu nome, mas o do meu filho ela lembra de cor.
mas de alguma forma a considero minha amiga.
a fabi, também mencionada, passou a fazer parte do meu convívio depois do primeiro post sobre o parquinho. nisso resolvemos nos encontrar e colocar a meninada pra brincar.
resumindo: hoje ela é muito mais do que A mãe. ela é A amiga, parceira dos programas mais absurdos aos mais triviais. com ou sem filhos a tiracolo, sempre arrumamos um motivo pra nos encontrarmos. ela é o meu toddynho, companheira de aventuras.
toda vez que o benjamin a vê, reconhece e corre já de bracinhos abertos para ela. o mesmo para suas duas filhotas (já contei um pouco aqui).
ele as chama pelo nome e lembra-se de orar por elas todas as noites.
tenho por elas um sentimento como se fizessem parte da minha família. vejo que o mesmo acontece com o benjamin.
e ela estava ali, bem debaixo do meu nariz.
she’s a keeper.
they are.


quando eu era pequena, não entendia por que minha mãe era tão brava e estava sempre estressada ou chateada com alguma coisa.
aí era só conversar com outras amigas que elas logo falavam “sua mãe? imagina! sua mãe é ótima, super boazinha! precisa só ver a minha”. e eu ficava pensando “ahhh! como eu queria ser filha da mãe de fulana” ou “ah, duvido que na casa de beltrano as coisas sejam desse jeito”.
veja bem: minha mãe não era do tipo que proibia tudo. olhando hoje, acho que ela era maravilhosa. era criativa, inteligente, descolada. dava bastante liberdade pra fazermos as coisas, dentro dos limites da casa, já pré-estabelecidos.
mas, na época, a impressão que eu tinha era que ela vivia cansada e chateada. eu só olhava pra ela e pensava: “minha mãe é uma chata! não me deixa fazer nada! na casa das minhas amigas elas podem fazer várias coisas que na minha nem se sonha! mas ela vai ver só! quando eu tiver a minha casa e o os meus filhos, vai ser tudo diferente”!
tenho apenas uma coisa a dizer a respeito: ahahahahahahah!
é claro que eu to pagando a língua. o benjamin ainda não tem consciência de que eu sou uma chata, mas eu tenho. e como tenho!
começou na gravidez, com todos aqueles hormônios malucos, o cansaço que não passa nunca e coisa e tal.
quando ele nasceu, foi super difícil conciliar o pensamento materno-romântico com a realidade nua e crua das noites mal dormidas, as roupas sempre azedas de leite, me sentindo a eterna nega do subaco cabeludo.
na minha imaginação fértil, eu seria uma mãe diferente. nunca levantaria a voz para o meu filho, não surtaria nunca e seria sempre amável e carinhosa, como a insuperável mãe do caillou.
mas a vida real é bem diferente dos desenhos. beeeeeeeem.
em geral o benjamin dorme relativamente cedo e levanta num horário bom, mas às vezes ele pira e quer acordar no meio da noite pra brincar. aí é um sufoco.
eu acordo um bagaço, nervosa, irritada, gritando pras paredes, brigando com o marido, chutando o cachorro. ponho a culpa na diarista, que não lavou a louça direito, no vizinho, que ronca à noite inteira, toma banho às 6h30 da manhã com um sabonete muito fedido e fica assoando o nariz até expelir todo o pulmão (e acordar a casa toda).
aí passo o dia inteiro que nem um zumbi, me escorando pelos cantos, tirando uns cochilos esquisitos.
mas mesmo quando eu durmo bem, estou sempre tensa. um pouco menos, mas continuo.
eu sou muito cricri. uma legalista por natureza, presidente do crazy mamas country club.
não deixo meu filho assistir tv, não gosto que ele coma açúcar (só socialmente, e olhe lá), odeio aquelas musiquinhas infantis sintéticas e acredito que isso influencia a criança a ter um gosto musical limitado no futuro.
aliás, muitas coisas que eu estimulo ou veto aqui em casa são justamente pensando no futuro dele.
mas não quero sair convertendo ninguém a isso, pelo contrário.
se você não se importa, vá em frente.
eu é que não queria me importar tanto.
e como o benjamin é daqueles macacos meninos cheios de energia e curioso ao extremo, preciso estar sempre alerta.
ele está sempre ligado no que acontece ao seu redor. repete palavras e expressões que usamos (inclusive as ruins), observa nossos comportamentos, ações e reações. uma verdadeira esponjinha.
para a criança tudo é um aprendizado e, na minha opinião, o melhor jeito dele acontecer é nas tarefas cotidianas: alguns biscoitos ensinam a contar, brinquedos coloridos ensinam as cores, as frutas ensinam as formas e por aí vai.
ensino o benjamin a comer, não a “papar”. a dormir, não a “mimir”. que “auau” é o barulho do cachorro, não o nome dele (e muito menos de outros bichos) e mais tantos outros exemplos que dariam um post à parte.
eu vesti o uniforme de professora 24h e não tiro nem pra tomar banho ou dormir.
sei que às vezes eu deveria ceder um pouco. e eu cedo. mas na minha cabeça, sempre o faço contrariada, geralmente em prol do social, só para não arrumar encrenca ou para fugir de uma discussão desnecessária. mas lá dentro eu fico insatisfeita.
você até pode dizer “ah, luíza, mas é porque é primeiro filho. vai ver que no segundo você vai relaxar mais”. bem que eu quero, mas não conto com isso.
porque não é uma característica nova, que eu adquiri com a maternidade.
ela apenas foi potencializada pela enorme peso da responsabilidade de criar um filho.
pelo menos enquanto ele é pequeno, não dá pra relaxar tanto. não dá pra mudar as regras do jogo o tempo todo só pra ficar confortável em um determinado momento e botar outras coisas a perder a longo prazo.
eu sei que logo o benjamin vai crescer e perceber o tanto que eu às vezes eu encrenco, brigo, boto limites em certas situações.
ele vai querer fazer coisas que vão além de meter o dedo na tomada ou tomar banho na vasilha de água do tov.
algumas regras serão mais flexíveis e outras mais rígidas, quando um simples não não for suficiente.
nesse momento, por mais que eu endureça sin perder la ternura, a megera vai se estabelecer, a mãe alheia sempre será mais verde, legal e divertida do que eu.
mas eu não me importo. prefiro ser vista como mãe chata (por cumprir meu papel de mãe) a ser amiguinha da garotada e não ter moral nenhuma na hora do vamos ver.
certa vez eu ouvi de uma psicóloga que o confronto faz parte da maternidade (e paternidade) e é extremamente necessário, porque às vezes seu filho vai mesmo pensar diferente de você e em alguns momentos a decisão dos pais vai ter que se impor sobre a dos filhos.
educar vai além de ser legal. claro que a amizade tem que existir também mas, como sempre disse minha véia, “eu sou sua mãe, não sua coleguinha!”
a gente gera, bota no mundo, cuida e ama dessa maneira e intensidade que eles só vão entender quando forem pais/mães.
e por enquanto vai queimando um pouco o filme com eles, que são os ossos do ofício.
ficou faltando alguma coisa? comente!
ps: texto escrito a quatro mãos

[clique aqui para ler a primeira parte]
dois dias se passaram e chegou sábado. dia do aniversário da tetê, amiguinha do benjoca.
estamos no carro a caminho da festinha e eu comento com o marido da minha paixão não correspondida.
digo que penso em fazer um post no blog: “procura-se”.
e lá estamos na festinha. amigos de longa data, tanto adultos quanto bebês. benjamin vai no colo de um e de outro e eu já estou com a cabeça em outro lugar.
mas aí eis que avisto de longe: um pai, um filho e ela, A mãe.
não pode ser, não é possível.
sinto o coração palpitar, a barriga gelar, os joelhos tremerem.
não consigo conter o sorriso e lá de longe já aceno para eles.
sinto que meu rosto está vermelho, as bochechas e orelhas quentes:
- oi! – ela diz
- oi, você conhece a mãe da tetê? – eu digo, e me atrapalho, e me confundo. anta. e se ela não conhecer, só conhecer o pai?
- pois é.
- oi, rafael, tudo bem? olha, benjamin, o rafael! – e me sinto uma completa idiota – ah, esse é o hilan, meu marido.
- amor, eles moram lá na quadra – ela diz. ai ela se lembra de mim! ela também achou legal a gente morar na mesma quadra!
- puxa, que coincidência nos encontrarmos aqui! – eu fico naquela de que toda coisa que eu falo é bobagem.
trocamos mais uma meia dúzia de palavras e eu arrumo qualquer motivo pra sair dali.
assim que viramos as costas eu falo bem baixo pro marido:
- é ela!
- é ela?
- é ela!
- nossa, você veio falando dela no carro.
- pois é, não é o máximo?
e ficam os dois super empolgados. best friends forever.
penso em todas as infinitas possibilidades de ter um casal de amigos com um filho poucos meses mais velho que o nosso, morando a poucos metros de nós.
penso na companhia diária nos parquinhos.
nos nossos filhos compartilhando brinquedo, suor e babas.
continuamos a curtir a festinha e me esqueço deles. mas é só esbarrar com eles que o rubor volta.
puxo papo com o marido dela: “pois é, né, que legal! qual o nome dela é jxoeiuroi, né? e o seu? ah, legal! vocês moram naquele bloco? ah, a gente mora nesse outro. puxa, que coincidência mesmo”.
hora do parabéns. lá estão eles. eu só olho de longe, dou um sorrisinho amarelo e volto o foco pra aniversariante.
nem lembro se nos demos tchau ou não. continuei a festa com outros amigos, muita coisa legal acontecendo, a emoção de comemorar o primeiro aniversário da amiguinha tetê, que nasceu prematura e hoje é uma menina linda, saudável e super esperta.
mas é só entrar no carro que o assunto volta:
- puxa, mas que coincidência boa.
- e você veio falando deles no carro.
- tá vendo?
- ela falou que o rafael é da mesma escolinha que a tetê.
- é, faz sentido, a escolinha é la perto de casa.
até que eu me toco:
- poxa, eu tive a chance e nem perguntei mais nada pra eles. devia ter pegado o telefone.
- tudo bem, agora a gente já tem amigos em comum. qualquer coisa você pergunta pra nossa amiga.
eu me conformo e continuo com a esperança de um dia nos encontramos novamente.
[continua?]

há pouco mais de um mês o benjamin entrou de vez para o mundo dos parquinhos.
como já disse anteriormente, opção é o que não falta aqui perto de casa.
mas vários foram os fatores que me fizeram adiar esse momento:
1) não queria levá-lo na areia por xyz motivos.
mas pra isso existem os parquinhos de grama e de cimento.
2) eu não queria ir sozinha.
não por pensarem “ah, coitada, tá sozinha com o filho”, mas porque eu sou muito tímida quando chego em um lugar que não conheço ninguém. sério. dá um frio na barriga desses de primeiro dia de aula em escola nova, sabe?
3) o parquinho é das babás.
aqui em brasília – mais especificamente no plano pilouco - é difícil encontrar mães que acompanham os filhos no parquinho durante a semana. geralmente eles vão com as babás. e aí, minha filha, quando chegam no parquinho você e o filho, sem nenhuma babazinha pra te acompanhar, te olham com aquela cara de “sua louca extraterrestre! o que você está fazendo sozinha com seu filho no parquinho? gaaahahhhh!”. e somando o frio na barriga à cara de mãe extraterrestre, quem se atreve a ir?
4) (e mais óbvio) ele não via graça no parquinho.
quando ele era mais novo, eu não via mesmo sentido em levá-lo. na época, os parquinhos sem areia e com brinquedos apropriados para os micro bebês eram longe de casa (agora tem um aqui ao lado) e mesmo assim, pra ele balançar ou não, escorregar ou não, era tanto faz como tanto fez.
quando ele começou a engatinhar freneticamente eu passei a ir esporadicamente a um parquinho aqui perto do meu prédio pra ver se ele gastava energia, mas era só chegar que ele ficava lá, sentadão, boquiaberto e babando, só vendo a banda passar.
mas depois que completou um ano (mais precisamente depois da festinha), ele começou a andar de fato e eu passei a levá-lo com frequência.
e a mãe louca aqui não conseguia simplesmente pegar o guri e ir ao parquinho. era necessário uma preparação: um casaquinho (vai que esfria?); um copinho com água (vai que ele tem sede?); uma frutinha (vai que ele tem fome?); uma fraldinha de boca (vai que ele golfa?); uma muda de roupa (vai que ele golfa tanto que se suja todo?); uma fralda e lencinhos (vai que ele se caga?); um brinquedo (vai que ele fica entediado lá?); um sapato (vai que ele quer andar em um lugar que machuca o pé?); um carrinho (vai que eu me canso de carregá-lo no colo?) e mais um bando de tralhas.
aí já viu, né? pelo menos meia hora de preparação só pra ir ali e passar meia horinha que seja.
menino amarrado no carrinho, uma bolsa a tiracolo, uma bando de cacarecos pendurados no carrinho, um frio na barriga e lá vamos nós. opa! esqueci alguma coisa! volta pra casa, arruma uma desculpa pra enrolar mais um pouquinho e lá vamos nós.
chega de autossabotagem que agora é sério. e lá vamos nós.
chegam no parquinho et e rodolfo. as babás sentadas num canto e eu no outro. elas continuam conversando como se eu não existisse. aí chega uma menininha (benditas crianças) poucos meses mais velhas e quer brincar com o benjamin. tenta pegar ele pela mão e arrastá-lo pelo parquinho: “isabela, assim vai machucar o neném” – grita a babá lá de longe, sentada no banco. mas a isabela insiste em levar o pequeno para dar um tour. eu tento ajudá-los, a isabela chora e vem a babá: “cuidado, ele é neném. pergunta o nome dele”. ”manãstiminimi, neném?” – ela pergunta. eu respondo por ele: “o nome dele é benjamin”. e ela fica muda.
[pausa. existem várias coisas que te ajudam a distinguir as babás das mães em um parquinho:
a primeira é a linguagem corporal. como eu já disse, a maioria delas (não todas) fica sentada num canto com as outras babás dando ordem aos patrõezinhos: "artur, escorrega", "luísa, vem beber água", "miguel, não puxa o cabelo da amiguinha", "balança, eduarda, balança", "miguel, já falei que aí não pode", "valentina, sobe a escada", "miguel, desce daí agora, senão a gente vai embora!", "audrey, limpa esse nariz", "miguel, já falei que não pode comer grama" e continuam lá sentadas, como se a bunda delas estivesse colada no banco.
a segunda são as roupas. algumas usam roupa toda branca (o que eu acho meio absurdo pra cuidar de menino grande, mas isso é coisa de patroa), outras somente camiseta. mas todas usam calça de lycra com camiseta e chinelo.
a terceira é o celular. se elas estão sozinhas (entenda por sozinha ela + patrãozinho), na certa ficará pendurada no celular enquanto grita com o menino de longe. mas é só chegar outra babá que elas passam a conversar entre si, sempre com o celular na mão, claro.
a quarta é a esquizofrenia. se a patroa chega no fim do dia e vai ver o filho no parquinho (algumas ainda fazem isso), num salto ela muda de comportamento, a bunda se desprega, ela esquece o celular e vai atrás do menino aonde ele for. segura no balanço e empurra. ajuda a subir e descer as escadas, dá a mão na hora de escorregar e limpa o ranho que mais cedo escorreu do nariz e grudou no dente. uma beleza. a aí a mãe fica lá sentada, ligando de seu ipad, pedindo pro marido trazer alguma coisa da rua e gritando de longe "miguel, aí não! poxa, maria, olha ele direito". despausa]
os pequenos chegam e saem. benjoca fica só no seu canto, olhando.
dias se passam e assim ficam mãe e filho observando o movimento, tentando socializar.
um dia o benjamin chega e uma menina grita “olha, vovó, o benjamin”. sinal de que ele já está mais assíduo no local. “vai lá, filho, brinca com a laís”. enquanto eu converso com a avó.
de avós eu entendo, afinal minha mãe é uma daquelas beeeem corujas, beeeem babonas, que fica somente esperando alguém perguntar qualquer coisinha sobre os netos pra disparar a falar “ele é tão inteligente, ele já sabe o nome de várias coisas, ele tira meleca sozinho, ele faz isso, isso e aquilo outro. olha como meu neto é esperto”. e convenhamos, uma avó que se dispõe a ir ao parquinho não pode ser diferente.
logo ela começa a falar uma e outra coisa sobre a neta e lá vai assunto pra mais de dia.
mas avó é avó, não é mãe. avó esqueceu que seus filhos davam aquele trabalho todo e brincam com os netos até cansarem (deles). depois é só entregar pra mãe, voltar pra casa e dormir a noite inteira.
com o tempo eu começo a ganhar espaço e as babás começam a perguntar dele, sobre a sua idade, se ele é meu sobrinho, irmão ou filho. “nossa, mas você é tão novinha” e a minha resposta padrão “é, eu bem que engano”. mais uns dias e elas se atrevem a perguntar “mas quantos anos você tem?” e logo eu descubro que estou entre as mais velhas do lugar.
aos poucos ele se solta, brinca com os outros, empresta os brinquedos e pega emprestado. é só alguém chegar perto do portão que ele já acena com a mão e diz au (tchau, em benjaminês).
ele pede bá, bá para ir ao balanço. como é grande demais pra ele, senta no meu colo e ficamos lá até minha bunda doer.
ri quando escorrega sozinho de costas no escorregador de plástico, sempre me dá choque.
mas um belo dia, eis que ela chega toda linda e glamurosa: cabelo desgrenhado, short e olheiras fundas. ela está de mãos dadas com aquele pequenino ser trôpego que anda de um lado para o outro sem rumo definido. ele quer subir no balanço, ela coloca e o segura. ele quer o brinquedo do coleguinha e ela intermedia. ele chora e ela pega no colo. ora chama ele de meu amor, ora de rafael.
é ela, só pode ser. por favor, meu deus, me diga que é.
de repente tudo se move em câmera lenta.
ela participa, cuida e ajuda. ela para pra dar água e comida, mas se ele não quer, ela continua a brincar. ela agacha, gente, agacha!
ela fica num canto e só fala com os outros bebês. como acontecia comigo, ela também se sente acuada e deslocada.
eles têm os mesmos olhos.
até que eu a escuto dizer: “filho”.
meu coração dispara, bate a mil por hora: ela é A mãe!
eu preciso me aproximar logo. não posso perder essa oportunidade tão única:
- olha, filho, o neném! – eu digo
- neném! – ele responde
- é, o nome dele é rafael. – eu continuo
- olha, rafael, o neném – a mãe diz
- neném! – rafael responde
e eu fico lá, besta de ter encontrado a mãe.
aí começa o velho papo: “quantos anos ele tem?”, “nossa, como ele é esperto, como é grande, como anda rápido” e essa história toda.
conversamos rapidamente sobre o parquinho, que é de grama, que é de prárdigo, que dá choque, que não descasca, que não esquenta, que não dá tanta alergia e nem suja tanto a roupa.
- você mora nesse prédio?
- não, e você?
- também não.
- você mora em qual? – eu arrisco
- naquele.
- ah, eu moro naquele outro.
logo ela diz que precisa ir, chama o rafael, eu pergunto o nome dela e ela se vai (mas já?) e que volta outro dia.
e eu canto mentalmente, junto com jane e herondy “não se váaaaaa. não me abandone por favor, pois sem você vou ficar loucaaaaa”.
o lindo por do sol perde a graça e ganha um tom acinzentado. o tempo fecha e parece que vai chover.
não vejo mais sentido em permanecer ali.
disfarço, pego as coisas do benjamin e digo um tchau ligeiro.
no dia seguinte resolvo ir um pouco mais cedo, caso ela tenha mudado de horário.
logo as crianças e as babás chegam. a laís quer brincar com o benjamin. uma fofa. mas nada dA mãe.
o benjamin se solta, arrisca-se a andar sem mim e a comer pedrinhas de terra à distância. tenta beber a água dos outros coleguinhas, brinca com brinquedos alheios.
mas nada dela.
um a um eles vão embora, incluindo o sol. e nada dela.
ela não vem.
[continua...]
saiu onti o vídel, gentch!
nossas amigas celebrities rô, mari e carol + yo.
se você ainda não conhece o minha mãe que disse está perdendo tempo!
corre lá pra conhecer não somente o blog, mas também as outras seções: minha mãe conhece a sua, mmqd recomenda, mães com zanguenozóio e mães compram e vendem.
e ó, tá confirmado: agora a tv mmqd vai ser duas vezes ao mês (rala, robert)!
e juro q não to pedindo elogio, mas quanto mais eu me vejo em vídeos, menos eu me gosto.
mas tá. aí vai pq o povo cobra (ps: tira as quiança da sala, porque o fim do vídeo é só sobre genitálias):
e se conseguir, bom fim de semana!
o post de hoje está no blog manual da família moderna.
eu dei entrevista pra tati, que está grávida de quase 11 semanas e acaba de descobrir que vai ser mãe de xêmelossss!!
aproveitem pra conhecer o blog dela, que é lindo.
besos
de repente, não mais que de repente, o benjamin passou por um salto mágico de desenvolvimento que não poderia passar desapercebido.
confira:
primeiro de abril! te peguei!
absolutamente nada do que foi escrito acima é verdade. ahahahha!
uma nova moda vem tomando conta das mulheres grávidas: tirar fotos nuas. sim, do jeito que vieram ao mundo, mas nada de amadorismo. as fotos são tiradas em estúdios profissionais e com tudo que tem direito. com ou sem marido. a pergunta que não quer calar é: vc teria coragem?
falando nisso: grávidas e gostosas
fotos de: Nigel-Barke