01 de setembro

calcanhar de aquiles

por luíza diener

Always Together

eu cresci achando que minha mãe era a melhor do mundo. não apenas quando eu era pequena mas, ainda hoje, quando penso nas minhas mais marcantes memórias de infância, minha mãe estava lá, me proporcionando momentos incríveis com sua criatividade e simplicidade. não canso de dizer que só sou a mãe que sou por causa dela. algumas coisas fluem com muita naturalidade porque isso ficou internalizado em mim.
daí nasceu a imagem da minha mãe como uma espécie de super heroína. porém, conforme eu cresci, também percebi que ela tinha defeitos, como qualquer pessoa normal. mas, ao invés de reconhecer a humanidade dela, comecei a achar que ela que tinha mudado.

até que virei mãe.

nunca me esquecerei quando, com poucos dias de nascido, resolvi dar o primeiro banho do benjamin sozinha. até então tinha sempre minha mãe ou marido por perto, mas naquele dia eu aproveitei que não havia mais ninguém comigo pra aprender a me virar. ele engoliu muita água da banheira, quase afogou de verdade e, por mais que por fora eu mostrasse calma e frieza nessa situação tensa, quando ele estava finalmente vestido, quentinho e aconchegado no meu colo, mamando, eu desabei. chorei, chorei, me senti frustrada, culpada, me senti incapaz. descobri que eu, que me considerava a mulher mais forte do planeta, acabara de encontrar meu calcanhar de aquiles: meu filho.
se até aquele momento eu me achava a mãe mais incrível do universo – a leoa empoderada que protege suas crias – esse pequeno deslize me ensinou uma preciosa lição: mães erram. e aquilo foi assustador para mim: como podem mães errar, se minha mãe era perfeita? se ela, que criou 3 meninas praticamente sozinha, parecia dar conta de tudo, como é que eu falhava a ponto de arriscar a vida do meu filho por um simples descuido (porque na época eu jurava que ele poderia ter morrido afogado)?

outras situações bem mais tensas já aconteceram nos meus últimos 4 anos como mãe, especialmente com o benjoca – que será sempre meu filho de primeira viagem – mas, por mais que errar ainda doa muito, minha forma de reagir a isso mudou. comecei a aceitar minha fragilidade e a entender que às vezes os filhos são muito mais fortes que nós. minha fraqueza também é minha razão para encontrar forças dia após dia, erro após erro, transformar frustração em motivação e não me deixar engolir pela culpa que tenta me atingir toda vez que eu descubro que não sou perfeita.

foi aí que eu consegui finalmente entender quando diziam que a gente aprende a valorizar mais a nossa mãe depois que nos tornamos uma. é justamente isso! as falhas e os erros que eu descobri nela conforme eu crescia não indicavam que ela estava falhando, pelo contrário: era ela mostrando que sempre foi humana e eu relutando em aceitar isso.
admitir minhas falhas e fraquezas foi e continua sendo fundamental na minha construção como mãe e, mais ainda, no reconhecimento de que a minha mãe  tem também suas imperfeições, mas continua sendo o maior exemplo de amor e cuidado que eu tenho.

* * *

esse post faz parte da ação #AmoComoVocêAma, um movimento de Comfort para mostrar que não importa as falhas e defeitos de nossas mães; a gente ama o jeito que elas nos amam.
também abraçam essa causa as mães Shirley (www.macetesdemae.com), Camila, Mariana e Patrícia (www.mundoovo.com.br). 

faça parte você também do nosso movimento e celebre o amor à sua mãe, que é perfeito mesmo com suas imperfeições. compartilhe uma história marcante usando #AmoComoVocêAma nas redes sociais, compartilhe esse texto ou homenageie sua mãe clicando aqui: www.amocomovoceama.com.br

 

Related Posts with Thumbnails

categorias: Tags:, , , , amor, erros comuns, para mães, psicologia autodidata introspectiva, publicidade

assine nosso feed ou receba por email


4 Comments »

  1. Ser mãe é tudo para nós mulheres. É de um amor incondicional.

    Comentário by ketina — setembro 3, 2014 @ 12:51 pm

  2. Querida filhota,
    Me deliciei lendo seu texto e constatando que glória são as heranças benditas que recebemos e vamos transmitindo.
    Fui mãe porque minha mãe me ensinou. Me dediquei porque recebi muito. Mas o melhor de tudo é não termos feito nada disso sozinhas, pois, tanto a querida Clô, como eu e você, Lulu, não estamos jogadas neste mundo apenas à mercê das nossas qualidades e defeitos, mas temos um Pai do Céu a quem frequentemente recorremos para agradecer por nossas vidas e pela dos nossos filhos, essa graça que gera Graça, e para pedirmos que os ilumine sempre e os atraia com as cordas do Amor Maior ! Amo você, querida. E obrigada por tão lindas e humanas palavras

    Comentário by Daisy — setembro 3, 2014 @ 2:46 pm

  3. MInha mãe também me afogou quando eu era bebê, mas tá tudo bem. Acho que não afoguei ninguém por dar banho no balde, ao invés da banheira. Mas eu amo taaaaanto ela. Que não é minha heroína, mas um exemplo sem concorrência.

    Comentário by Marta Pires — setembro 3, 2014 @ 10:38 pm

  4. fiquei sabendo dessa história algumas vezes. várias

    Comentário by luíza diener — setembro 3, 2014 @ 11:06 pm

RSS feed for comments on this post.
TrackBack URL

Leave a comment

*