13 de outubro

carta aos meus filhos

por luíza diener

potencial texto6

para benjoca e sansa, meus grandes amores:

filhos, hoje escrevo essa carta a vocês primeiro para agradecer por simplesmente existirem na minha vida. a chegada de vocês mudou completamente quem eu sou, me trouxe mais amor, mais compaixão e uma vontade imensa de lutar por um mundo melhor.posso dizer que a maternidade define muito do que sou hoje e isso nunca vai mudar, mas queria contar a vocês um pouco mais sobre quem é a luíza, além da mamãe que vocês conhecem.

desde criança eu sabia o que queria ser quando crescesse: veterinária. eu gostava muito de bichos. muito mesmo! já levei vários bichos da rua pra casa e nunca entendia por que minha mãe não deixava eu ficar com nenhum deles.
cresci, virei adolescente e comecei a estudar para entrar na faculdade de veterinária. não consegui. tentei de novo, não consegui de novo. aí resolvi estudar árvores e entrei pro curso de engenharia florestal. era muito legal, mas não dei conta de terminar o curso, provavelmente porque não me imaginava fazendo aquilo. aí decidi que queria adestrar cachorros e ter um canil na minha casa. também não deu muito certo. tudo o que eu mais queria era ter muitos bichinhos perto de mim, mas acabou que os únicos bichinhos que eu tive assim, de montão, foram os de pelúcia.

hoje vocês olham pra mim e me veem com esse cabelão meio loiro, meio castanho, mas sabia que eu nem sempre fui assim? já tive cabelo vermelho e castanho escuro também. ah, e já tive cabelo bem curtinho, menor que o de vocês e até menor que o do papai.

antes de ter vocês, eu dizia que se eu tivesse um filho menino o nome dele seria vicente ou tomás e se tivesse uma menina, com toda certeza se chamaria catarina. mas quando vocês nasceram, achei que o nome não combinava com vocês e papai e eu acabamos mudando de opinião.

também desde muito pequena eu tinha um sonho de aprender francês. na verdade eu ainda tenho, mas não sei muita coisa além de bonjour, bon nuit e je t’aime. também comecei a estudar hebraico junto com o pai de vocês e, no primeiro apartamento que moramos, eu escrevi – com uma caneta de tinta especial – em todos os azulejos das paredes da cozinha palavras em hebraico com o significado escrito em português, pra eu não esquecer as coisas que aprendi.
tudo porque eu queria muito conhecer a frança e também israel. quem sabe um dia nós possamos ir todos juntos para lá!
já fui apaixonada por tartarugas e animais marinhos e até fiz curso de mergulho e fui beeeem fundo lá no mar, pra ver uma embarcação afundada, que acabou virando a casa de muitos peixes e outros bichos.
estudei música por muitos anos. vocês sabiam que eu aprendi a ler uma partitura antes mesmo de aprender a ler de verdade? e que aprendi a tocar flauta e piano, instrumento que até hoje tenho vontade de voltar a estudar?
também tinha um sonho de ser bailarina. a música e a dança são duas coisas que mexem muito comigo, me dão uma vontade de sair voando e me fazem acreditar que a vida é mais divertida e colorida com elas.

na minha cabeça eu tenho muitas vontades, muitos sonhos, muitas coisas que acho tão legais e gostaria de realizar todas elas, mas aprendi que nem sempre dá pra fazer tudo ao mesmo tempo e que a vida é muito comprida e, se tem algumas coisas que eu não posso viver agora, tudo bem. posso esperar para depois.

tudo isso é muito lindo e me traz muita, muita alegria, mas eu ainda não contei qual foi o maior de todos os meus sonhos: ter vocês. sempre, desde muito nova, quis ser mãe. só de lembrar de vocês meu coração sorri e eu até tenho vontade de chorar por causa do tamanho da gratidão que eu tenho a deus por ter vocês dois. vocês três, com o papai. vocês quatro, com o tov. vocês cinco ou seis, se o papai do céu quiser que eu tenha mais filhos.
vocês são o maior presente que eu poderia ter e eu não trocaria a nossa família por nada nesse mundo.

* * *

fazer essa carta aos meus filhos foi um exercício interessante e ao mesmo tempo desafiador, pois ser mãe atualmente é o que mais me define como pessoa acima de qualquer outra coisa, mas não anula a luíza que eu sou.
enquanto escrevia essa carta, não pude deixar de pensar na minha mãe e nas escolhas que ela fez pelo nosso bem. pra mim ela sempre foi apenas mãe e eu não a enxergava de outra forma. mas quando passei a olhar bem, pude ver como ela é uma mulher incrível em tantas outras áreas: uma profissional competente, uma ótima filha, uma mulher extremamente inteligente e criativa, mas que em muitos momentos abriu mão de tantas coisas por priorizar as necessidades de suas filhas. aí minha gratidão também se volta a ela, que me ensinou e continua ensinando a ser uma pessoa muito, muito melhor.

que tal tentar pensar também na sua mãe como alguém além desse papel materno?aproveite esse momento para compreender algumas de suas posturas e atitudes e reconhecer que muitas vezes as mães abrem mão de qualquer coisa por seus filhos, por mais que demoremos a perceber isso.
escreva nas redes sociais usando #AmoComoVocêAma, compartilhe esse texto ou homenageie sua mãe clicando aqui: www.amocomovoceama.com.br

{esse post faz parte da ação #AmoComoVocêAma, um movimento de Comfort para mostrar que não importa as falhas e defeitos de nossas mães; a gente ama o jeito que elas nos amam. também apoiam essa causa as mães Shirley (www.macetesdemae.com), Camila, Mariana e Patrícia (www.mundoovo.com.br)}

selo matrioska

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categorias: amor, publicidade

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5 Comments »

  1. Que lindo.!

    Comentário by fabrinadutra — outubro 13, 2014 @ 2:13 pm

  2. É emocionante tudo o que escreveu! É como um filme passando em alta velocidade.

    Só complementando: você adorava coisas minúsculas como o desenho de um formigueiro que fez com uma riqueza de detalhes incrível para a sua idade (antes de saber escrever), tendo desenhado pixel a pixel em um computador pré-histórico (uma CPU Intel 8086 – só existente em museus).

    Também fez um avião em papel picado a mão, com os bancos e os passageiros. Acabou ganhando um kit de estiletes (super afiados) para continuar seus recortes.

    Existem muitos outros talentos guardados (alguns que ninguém conhece), que um dia virão à tona. Nunca é tarde para começar a fazer algo novo.

    Um grande beijo com saudade de todos.

    Comentário by Aristeu — outubro 13, 2014 @ 4:23 pm

  3. Ah, Daddy! Obrigada por ainda me trazer à memória mais coisas.
    Eu não sabia que o desenho do formigueiro havia sido feito antes de eu aprender a escrever. Tem certeza? Pra mim parecia que eu era bem mais velha.
    Lembro sim de fazer coisas muito pequenas com recortes de papel. Tanto que você me deu um kit de X-Acto que foi super ultra legal! (Acho que depois de adulta nunca te agradeci por ter confiado que eu não usaria aquilo como uma arma branca. ehehehehhehe!) Mas não lembro especificamente do avião não.
    Se tem uma coisa que eu aprendi com você foi justamente isso: Nunca é tarde demais pra começar nada! Muito obrigada por ser esse paizão tão criativo e que sempre nos estimulou a dar asas à imaginação!
    Te amo
    :*

    Comentário by luíza diener — outubro 13, 2014 @ 9:06 pm

  4. Eu tenho plena certeza de que um dia os talentos que Deus te deu de presente, serão ativados em uma atividade que você irá curtir e, de sobra, se sustentar a partir dela. Como sempre ensinei a vocês: se o trabalho for um prazer é tudo de bom – receber, em vez de pagar, para se divertir.

    Seu tempo ainda não chegou pois, como sua mãe disse muito bem, esse papel que você está desempenhando na vida das crianças (que é o mais nobre e importante de todos), te trará muita alegria e satisfação.

    Beijos

    Comentário by Aristeu — outubro 17, 2014 @ 5:49 pm

  5. Minha querida filhota,
    Preciso dizer o quanto me emociono com os seus escritos tão viscerais? Porque você não escreve só com as lembranças da mente, mas, principalmente, com as do coração, que são atemporais.
    Amo você, meu amor, e nunca me arrependi de ter parado tanta coisa para priorizar vocês três (as heranças mais maravilhosas que ganhei em minha vida. Você mesmo tem assistido como elas têm retornado em minha vida de forma tão rica e abundante. Tudo fruto da graça imerecida que o nosso Deus derrama sobre nós todos os dias. Acontecimentos e coisas que não têm preço.
    Beijinhos mis

    Comentário by Daisy — outubro 15, 2014 @ 9:58 am

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