23 de outubro

conversas de benjoca

por luíza diener

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há poucas semanas fiz um post falando sobre as conversas de constança e também dos papinhos que batíamos com benjamin quando era pequeno.

ela continua uma miúda, mas ele cresceu e agora, mais que nunca, tenho certeza de que ele entende muito do que falamos e está sempre antenado, com o radarzinho ligado para toda palavra que emitimos.

muitas vezes estamos conversando hilan e eu sobre assuntos cotidianos, mas que não necessariamente dizem respeito ao benjamin (por exemplo: você viu que estava super engarrafado naquele trecho na volta para casa?) e ele já vem todo interessado: “sobre o que vocês estão conversando?” , “eu não tô entendendo nada! o que é que você disse, mamãe?”

chegou naquela fase que a gente tem que super tomar cuidado com o que diz porque sabe que ele já percebe o que está acontecendo e pode repetir não apenas algumas palavras, mas uma conversa inteira, segundo sua própria interpretação.

uma coisa vantajosa do diálogo é que ele ajuda muito a amenizar alguns conflitos e birras que eventualmente ocorrem. lembro-me que entre os 12 e 18 meses ele começou a mostrar fortemente sua vontade própria e dava alguns chiliques que para a gente não faziam muito sentido. foi por volta de 1 ano e 7 meses que ele ampliou seu vocabulário, começou a criar pequenas frases e verbalizar o que queria ou sentia. notei uma considerável diminuição dos chiliques, porque ele conseguia dizer, por exemplo, que estava com sede, calor, ou que preferia comer o morango ao abacaxi.

desse momento em diante desenvolvemos uma relação ainda mais forte com o diálogo – que até então parecia soar mais com um monólogo – e ele virou nosso grande aliado na maior parte das coisas.

falar também ajuda a entendermos seus sentimentos. desde muito pequeno ele tenta distinguir alguns como tristeza, alegria, raiva.

há uns poucos meses eu estava na sala da minha casa conversando com minha irmã enquanto ele brincava sozinho no quarto. de repente ouvi alguma coisa caindo e ele começou a gritar. logo depois soltou bem alto um “tô fustado!”

fui lá ver e entendi sua frustração, pois tentava empilhar uns blocos que insistiam em cair. nomear aquele sentimento ajudou a acalmar seu coração.
outro dia começou a dizer que sentia vergonha, mas aplicava o sentimento em contextos sem pé nem cabeça. dizia que estava com vergonha de comer aquela comida. na verdade estava com fome, mas não queria largar a brincadeira para comer.

entender o que se passa no seu coraçãozinho – por mais que nem sempre ele consiga explicar com clareza o que acontece lá dentro – não apenas diminui conflitos e ansiedades, mas me ajuda a me aproximar ainda mais dele.
a conversa afina nossas vontades, nossos interesses. estreita nossas relações. ao minimizar situações tensas através do diálogo, conseguimos ter momentos mais gostosos juntos e me sinto ainda mais próxima dele (:

foto: Luciana Alvarez

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categorias: benjamin, publicidade

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5 Comments »

  1. muito verdade sobre nomear os sentimentos! facilita muito pra eles e pra nós, né?! Meu Benício, muitas vezes ao falar com estranhos tentava bater e era "mal educado" . O pai estava me contando sobre seu comportamento na frente dele, então ele se justificou "mas eu tava com vegooonha"! tem três anos e alguns meses! então o incentivei a me abraçar ou ao pai, quando tivesse com vergonha e agir educadamente, sem necessariamente apertar a mão ou aceitar carinho dos grandes! tem melhorado bastante!

    Comentário by Laís — outubro 23, 2013 @ 8:32 am

  2. Por aqui foi bem assim,o Lorenzo ficava super agressivo perto de pessoas que não eram do nosso convívio,brigamos muito com ele até entendermos que ele sentia vergonha,e foi só quando ele conseguiu verbalizar.Hoje em dia quando eu já sei que ele vai sentir vergonha,ofereço colo,e digo que não precisa dar beijo nem abraço,basta dar oi !Tem funcionado muito.

    Comentário by janaina — outubro 23, 2013 @ 9:21 am

  3. E é por meio desse diálogo sempre compartilhado, estimulado e exercitado que ele se tornará um adulto seguro, mais feliz e mais próximo dos pais. Lembro da minha mãe sempre dizer para falar o que sentia, não guardar nada.. Hoje posso perceber quão importante foi o nosso diálogo a vida inteira, me sinto completamente à vontade para falar com meus pais sobre tudo. VIva o diálogo. Por um mundo onde os pais conversem mais e escutem mais seus filhos. Benjoca é um comunicador nato, "fustado" é d+, gente! Que gracinha.

    Comentário by Renata Guimarães — outubro 23, 2013 @ 9:25 am

  4. eu valorizo muito o diálogo, o respeito a criança quanto ser pensante e parte integrante ativa da família!
    infelizmente nem todos os pais têm essa inteligência "léxica" que vocês têm, de contribuir com o diálogo…
    muitos pais não sabem dialogar, e ensinar algo que não se sabe é praticamente impossível 🙁

    o benjoca é uma cara muito massa, e eu quero fazer uma camisa verde escrito "VERDE COM VERDE DÁ VERDE"

    haoueaouehaouie <3 amo vocês demais!

    Comentário by Henrique Salomão — outubro 23, 2013 @ 1:54 pm

  5. que linda essa foto!
    e que amor!
    Otávio tb está se comunicando beeem melhor agora com seus DOISSSS anos e quase oito meses…. demorou mas agora vai!

    Comentário by mamãe do Otávio — outubro 23, 2013 @ 2:58 pm

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