23 de janeiro

deixe o bebê ser bebê

por luíza diener

bebe escada

desde a gravidez do benjamin, notei que há uma cobrança muito grande em cima dos bebês, inclusive daqueles que nem nasceram.
é um tal de colocar pra ouvir música ainda na barriga, estimular nascidos há pouco a ficar de bruços, fazer exercício para rolar na intenção de preparar para engatinhar e andar.

benjamin, como boa parte dos bebês que conheço, andou por volta de 1 ano. para ser mais específica, com 1 ano e 1 dia.
pois eu, que tenho mania de fugir da regra desde quando nasci, andei com 1 ano e 7 meses, pasmem. até minha mãe, que já era macaca velha nessa história (eu era a caçula de três meninas) ficou preocupada e me levava ao pediatra mês após mês para que ele me examinasse e, no fim, constatasse o que para ele era óbvio: “está tudo bem com a luíza, dona daisy, esse é o ritmo dela. fique tranquila” – dizia o doutor.

entendo a preocupação dela. acho que toda mãe já se pegou perguntando “será que meu filho/filha é normal?” ao perceber que todos os bebês da sua idade já conquistaram determinada façanha e o seu não.
uma coisa é desenvolver-se naturalmente, mas percebo que existe um certo exagero quase querendo que os bebês cumpram uma “grade curricular” do desenvolvimento, como se necessariamente ao completar um ano os pequenos já devessem ter dentes, cabelo, andar, falar pelo menos 15 palavras, contar até 10, reconhecer todas as formas e cores, dar cambalhotas, recitar shakespeare de cor e salteado, de trás para frente e em inglês arcaico, claro.

recentemente li uma entrevista com o pedagogo e educador paulo fochi que dizia que “estimular bebês é um equívoco”. na entrevista ele conta que os pais vêm estimulando os filhos cada vez mais cedo mas, uma vez que já aprenderam a andar, querem colocá-los sentados em cadeirões ou, quando começam a falar demais, desejam que os filhos fiquem calados.

sim, acredito que exista uma certa pressa para que eles cresçam logo.
enquanto está grávida, a mãe não vê a hora do bebê nascer. quando nasce, quer que cresça, comece a sorrir. quando começa a sorrir, quer que sente, lhe nasçam os dentes, comece a comer. quando isso acontece, há a expectativa para que engatinhe, fale mamãe, comece a andar. quando começam a andar, querem que cresça mais um pouco e desfralde.
vivemos sempre à espera da próxima fase do bebê, ao invés de aproveitarmos aquela que ele alcançou e agora desfruta. e aí, quando crescem, morremos de saudades do tempo em que eram tão pequeninos e dependentes. vai entender.

deve-se respeitar o tempo de cada um.
claro, se sua intuição de mãe está com uma luzinha acesa e apontando que há algo de errado, vale a pena procurar um especialista para que dê uma olhada.
porém, no mais, deixe o bebê ser bebê, aproveite cada etapa que – sim! – passa mais rápido que imaginamos.

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categorias: desenvolvimento do bb, para bebês

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6 Comments »

  1. Boto fé.

    Comentário by Simone — janeiro 23, 2014 @ 11:22 am

  2. Adorei, Lu, deixemos os bebês serem bebês!! Lembro que mostrei um vídeo do Mateus pegando uma coisa voluntariamente pela primeira vez pra uma prima e ela ficou com uma cara de “e daí?!?” E eu toda feliz “viu?!? Ele pegou!!!!!” Curtir cada um desses detalhes faz a vida mais gostosa.

    E nessa foto deliciosa é a Sansa?

    Comentário by Aline Tamiozo — janeiro 23, 2014 @ 12:01 pm

  3. Sabe Luíza que para mim foi difícil no começo, queria que meu filho evoluísse rápido, fosse o melhor, o mais bonito, só que uma displasia no quadril me fez colocar o pé no freio e aprender a curtir cada momento. Hoje ele está 100%, acredito que engatinhou na fase "certa", aprendeu a andar no tempo considerado normal (1a2m). E hoje me sinto muito mais tranmquila e feliz em poder curtir cada momento com mais intensividade e não quero mais que ele seja o melhor em tudo, pois acredito que essa é uma cobrança muito grande e uma responsorialidade que eu não quero que ele carregue, hoje só desejo que ele seja feliz e tenha muita saúde!

    Comentário by Nenê Crescendo — janeiro 23, 2014 @ 2:13 pm

  4. Sinto mais que há uma ansiedade e expectativa por parte dos pais : "Ai, nossa filha ainda não fala, e a Fulaninha, um ano mais nova já fala tudo!" . Querem muito ver os filhos atingindo as etapas no tempo "certo", mas fazem muito pouco para dar oportunidades. E dar oportunidade, na maioria das vezes, não significa fazer exercícios premeditados, mas deixar a criança no solo, num tatame e interagir com ela. Importante por o bebê novinho no chão, sim. Não por pressa, mas para que possa se mover. De barriga para cima, o bebê mais parece uma tartaruguinha com o casco virado para baixo : mexe pernas e braços, mas sem mobilidade. Já de bruços, aqueles movimentos de perninhas e bracinhos o impulsionam para frente e para trás. Liberdade aos bebês, isso sim, é deixá-los serem bebês. Vou curtir cada fase, mas o bebê também tem de curtir.

    Acho que esses estímulos e brincadeiras não precisam ser associados a pressão e cobranças. Na verdade eles são importantíssimos. Permitir que a criança fique de bruços, por exemplo, ajuda a fortalecer o tronco – algo importantíssimo não apenas para o engatinhar, mas até mesmo para a prevenção de dores e problemas de coluna na vida adulta (LIDDLE, 2007). Tudo bem, expulsemos as neuras, mas sem abrir mão dos estímulos e oportunidades, por mais atraente que possa nos parecer a ideia de apenas curtir e deixar por conta da vida, do acaso. Mas acredito que não foi isso que você quis dizer, não. Acho que o seu texto é um alerta contra neuras e aflições desnecessárias e não contra os estímulos vitais, como ficar no chão. Entendi bem?

    Comentário by Ana Vilhena — janeiro 23, 2014 @ 7:14 pm

  5. Discordo quanto a não estimulação precoce de bebês. Acredito que o potencial humano deva ser sempre desenvolvido no âmbito físico, mental e emocional. Tenho dois filhos e desde cedo os estimulo… hoje com 7 e 8 anos são crianças normais como as outras, mas com o diferencial escolar que sempre os deixa com a auto estima elevadíssima. Os pais que não estimulam e não demandam dos filhos passam a eles a idéia de que não são capazes e suficientes para ultrapassar limites. Esta é minha opinião.

    Comentário by Kate — janeiro 24, 2014 @ 10:50 am

  6. Amei o post, estou na primeira fase, anciosa para que nasça logo rsrs, acho que deve se estimular sim, mas tudo dentro do limite, conheço crianças que são tão estimuladas que perderam a a naturalidade normal da infância, só sinto muito por elas, quero que os meus filhos sejam criança o tempo que for preciso.

    Comentário by Daiana Vieira — abril 10, 2015 @ 9:14 pm

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