27 de janeiro

depressão pós-parto do papai

por hilan diener

Pais de primeira viagem costumam ser mais vulneráveis à depressão pós-parto – sim, homens também são vítimas desse estado de melancolia. Veja por quê.

Um bebê proporciona uma completa felicidade ao casal. Mesmo sendo marinheiro de primeira viagem, a empolgação e a expectativa são enormes para ambos. Mas será que após o tranqüilo parto, tudo permanece assim?

Nem sempre, em alguns casos logo em seguida ou poucos meses depois a alegria some e chega o período tenebroso: a depressão pós-parto. E mais uma surpresa, não era a mãe com o sintoma e sim o marido, o pai. As características são semelhantes, ansiedade, tristeza, falta de convivência social.  Além de dificuldade para dormir e inaptidão.

Nos consultórios dos terapeutas é comum casos de mulheres que sentem uma pequena tristeza depois de dar à luz ao bebê, chegam a 80% e em torno 10% tem uma depressão pós-parto mais grave. No entanto, os homens também podem ter depressão pós-parto com efeitos perturbadores, porque atingem a nova família: pai, mãe e o recém-nascido. Segundo pesquisas, a depressão pós-parto pode prejudicar o desenvolvimento emocional e cognitivo dos bebês.

A tristeza paterna, que dá as caras logo depois que o bebê nasce, tem nome e sigla. Trata-se da depressão pós-parto, ou DPP, como preferem chamar os especialistas. Muita gente não sabe, mas essa vilã, que acomete 15 em cada 100 mulheres, também tira o sono dos homens. Pior: ela manda embora a disposição, o apetite, o prazer e a alegria de ser pai.

É claro que esse mal não aparece à toa. “Tudo começa depois do nascimento da criança, quando o casal está se adaptando a um novo ritmo de vida e enfrentando os desafios de ver a família crescer”, afirma João Bortoletti Filho, ginecologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de São Paulo. É essa a fase em que várias perguntas passam pela cabeça dos homens: será que vou ser um bom pai? Como educar meu filho? Será que ele vai gostar de mim? “Esse tipo de preocupação pode dar um empurrãozinho para o estresse e a ansiedade”, diz o médico. E estresse, ansiedade, inseguranças, medos… Quando tudo isso foge ao controle, a depressão pode entrar em cena.

A DPP é mais comum entre os pais de primeira viagem ou que não estavam preparados a chegada de um bebê. “As mudanças trazidas pela paternidade têm um impacto maior para esses homens”, observa Florence Kerr-Corrêia, professora de psiquiatria da Universidade Estadual Paulista, em Botucatu, no interior de São Paulo. Assim, os especialistas aconselham que os candidatos a papai acompanhem, ao lado da mulher, cada etapa da gravidez. “É na rotina de exames do pré-natal, nas conversas com médicos e outros pais que eles, sem perceber, vão se preparar para o que vem pela frente”, lembra.

Há ainda o caso de homens que sofrem do problema depois que as mulheres apresentam a depressão pós-parto. Mas, calma lá, não é a melancolia delas que contagia o companheiro. “Acontece que, de uma hora para outra, ele passa a ser cobrado ainda mais, porque precisa cuidar da mulher que passa por uma situação delicada. Sem contar o bebê, que passa a exigir atenção redobrada”, conta Marco Antônio Brasil, chefe do serviço de psicologia e psiquiatria do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, no Rio de Janeiro. Essa sobrecarga, segundo o especialista, leva a um efeito dominó pra lá de negativo, que pode culminar na depressão.

Para os homens com DPP, vale a mesma orientação dada às mulheres: conversar com um especialista ao perceber os sintomas. O tratamento depende do grau do problema e pode incluir ou não o uso de medicamentos. Nem sempre o diagnóstico, no entanto, será depressão. “Às vezes, pode ser uma tristeza passageira ou a sensação de que ele foi deixado de lado pela mulher, que é só cuidados com o recém-nascido”, diz Florence.

Nesse caso, o recomendado é abrir o jogo com a companheira e, depois, arregaçar as mangas – trocar fraldas, dar banho, brincar com o bebê. Em outras palavras, curtir, de coração aberto, a grande aventura de ser pai e dar um “xô!” na melancolia.

Via: http://www.corposaun.com e bebe.com.br
Dr. Flávio Cardoso-Brasilia  e Michelle Veronese

Pais de primeira viagem costumam ser mais vulneráveis à depressão pós-parto – sim, homens também são vítimas desse estado de melancolia. Veja por quê.

Um bebê proporciona uma completa felicidade ao casal. Mesmo sendo marinheiro de primeira viagem, a empolgação e a expectativa são enormes para ambos. Mas será que após o tranqüilo parto, tudo permanece assim?

Nem sempre, em alguns casos logo em seguida ou poucos meses depois a alegria some e chega o período tenebroso: a depressão pós-parto. E mais uma surpresa, não era a mãe com o sintoma e sim o marido, o pai. As características são semelhantes, ansiedade, tristeza, falta de convivência social.  Além de dificuldade para dormir e inaptidão.

Nos consultórios dos terapeutas é comum casos de mulheres que sentem uma pequena tristeza depois de dar à luz ao bebê, chegam a 80% e em torno 10% tem uma depressão pós-parto mais grave. No entanto, os homens também podem ter depressão pós-parto com efeitos perturbadores, porque atingem a nova família: pai, mãe e o recém-nascido. Segundo pesquisas, a depressão pós-parto pode prejudicar o desenvolvimento emocional e cognitivo dos bebês.

A tristeza paterna, que dá as caras logo depois que o bebê nasce, tem nome e sigla. Trata-se da depressão pós-parto, ou DPP, como preferem chamar os especialistas. Muita gente não sabe, mas essa vilã, que acomete 15 em cada 100 mulheres, também tira o sono dos homens. Pior: ela manda embora a disposição, o apetite, o prazer e a alegria de ser pai.

É claro que esse mal não aparece à toa. “Tudo começa depois do nascimento da criança, quando o casal está se adaptando a um novo ritmo de vida e enfrentando os desafios de ver a família crescer”, afirma João Bortoletti Filho, ginecologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de São Paulo. É essa a fase em que várias perguntas passam pela cabeça dos homens: será que vou ser um bom pai? Como educar meu filho? Será que ele vai gostar de mim? “Esse tipo de preocupação pode dar um empurrãozinho para o estresse e a ansiedade”, diz o médico. E estresse, ansiedade, inseguranças, medos… Quando tudo isso foge ao controle, a depressão pode entrar em cena.

A DPP é mais comum entre os pais de primeira viagem ou que não estavam preparados a chegada de um bebê. “As mudanças trazidas pela paternidade têm um impacto maior para esses homens”, observa Florence Kerr-Corrêia, professora de psiquiatria da Universidade Estadual Paulista, em Botucatu, no interior de São Paulo. Assim, os especialistas aconselham que os candidatos a papai acompanhem, ao lado da mulher, cada etapa da gravidez. “É na rotina de exames do pré-natal, nas conversas com médicos e outros pais que eles, sem perceber, vão se preparar para o que vem pela frente”, lembra.

Há ainda o caso de homens que sofrem do problema depois que as mulheres apresentam a depressão pós-parto. Mas, calma lá, não é a melancolia delas que contagia o companheiro. “Acontece que, de uma hora para outra, ele passa a ser cobrado ainda mais, porque precisa cuidar da mulher que passa por uma situação delicada. Sem contar o bebê, que passa a exigir atenção redobrada”, conta Marco Antônio Brasil, chefe do serviço de psicologia e psiquiatria do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, no Rio de Janeiro. Essa sobrecarga, segundo o especialista, leva a um efeito dominó pra lá de negativo, que pode culminar na depressão.

Para os homens com DPP, vale a mesma orientação dada às mulheres: conversar com um especialista ao perceber os sintomas. O tratamento depende do grau do problema e pode incluir ou não o uso de medicamentos. Nem sempre o diagnóstico, no entanto, será depressão. “Às vezes, pode ser uma tristeza passageira ou a sensação de que ele foi deixado de lado pela mulher, que é só cuidados com o recém-nascido”, diz Florence. Nesse caso, o recomendado é abrir o jogo com a companheira e, depois, arregaçar as mangas – trocar fraldas, dar banho, brincar com o bebê. Em outras palavras, curtir, de coração aberto, a grande aventura de ser pai e dar um “xô!” na melancolia.

Via: http://www.corposaun.com e bebe.com.br

Dr. Flávio Cardoso-Brasilia e Michelle Veronese

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7 Comments »

  1. Nossa, nunca havia ouvido falar.
    Mas acredito mesmo que possa ocorrer sim, principalmente em pais mais participativos, creio eu…
    Interessante.
    BJos

    Comentário by Naiara — janeiro 27, 2011 @ 9:44 am

  2. ótimo post, super esclarecedor para os papais que passam por aqui e tmb para as esposas que percebem comportamentos estranhos dos seus companheiros e muitas vezes não conseguem identificar o que é. Aqui em casa, percebi quando Alice nasceu e agora com o Rafael que meu marido ficou super estressado, principalmente durante o primeiro mês do bb. Ele se sentia pressionado a dar conta de tudo (trabalho/contas/casa/filhos/esposa), mesmo sem eu o pressionar. É uma pressão interna, e com o tempo fomos conversando e as coisas voltando ao seu devido lugar. Não chegou a ser uma depressão pós parto, mas uma confusão de papéis. A dificuldade ocorre quando o marido realmente necessita de ajuda e por "n" motivos não procuram ajuda adequada. Homem dificilmente vai ao médico/psicólogo.

    Bjsss.

    Comentário by Tathy — janeiro 27, 2011 @ 11:10 am

  3. Muito interessante! Aqui em casa eu senti de leve uma mudança no meu marido assim que soubemos da gravidez. A pressão interna pra eles é grande. Eles sentem que terão que dar conta de tudo, inclusive das contas em si. Acredito que todas devermos prestar muita atenção ao nosso amor em todos os momentos e ainda mais nesse. Aqui estabelecemos um comportamento assim: um cuidado do outro e não essa 'coisa' dele ter que cuidar de mim e de todas as minhas necessidades por EU estar grávida e pronto. Quando ele está nervoso, eu o acalmo, e vice-versa. Companheirismo sempre, né? Ainda veremos como será após o nascimento do pequeno… Mas estarei sempre de braços abertos para ele e ele para mim e nós para o rebentinho. Assim que deve ser. Parabens pela postagem! Demais! Alias, mandei o texto pro marido (com o link)… 🙂

    Comentário by Renata — janeiro 27, 2011 @ 1:20 pm

  4. Esse mundo moderno tende a dar nomes em todos os problemas que surgem na sociedade! A questão é que não percebem que a vida é "dura" e que é necessário enfrentar as dificuldades. Certo rabino judeu falou sabiamente que a depressão é um problema mal resolvido. Quanto mais foge do proplema maior ele fica… ter filhos exige uma tarefa ardua isso todos sabem… A questão é que querem dar nome a todos os tipos de problemas que existem desde que mundo é mundo! Vamos enfrentar a vida!!! Problemas teremos sempre enquanto formos vivos o que importa é o que faremos perante ele!

    Comentário by Gisele — janeiro 27, 2011 @ 1:40 pm

  5. Parabéns Hilan pela iniciativa de colocar este assunto em pauta! Super interessante! Abçs

    Comentário by Carolina Pombo — janeiro 27, 2011 @ 2:01 pm

  6. Não acho tão difícil imaginar isso, tendo em vista que o pobre pai vira um mero figurante da família depois que o filho nasce.

    Comentário by Lola — janeiro 27, 2011 @ 4:36 pm

  7. Sabe que um amigo teve depressão pós-parto seríssima. A mulher ainda estava no hospital, se não me engano, e o cara simplesmente sumiu. Pegou o carro e saiu dirigindo sem rumo pela estrada. Foi localizado somente no dia seguinte, por amigos, por meio de GPS. Ele morava em Campinas e foi encontrado em Curitiba.
    Achou que não daria conta de tanta responsabilidade.

    Comentário by Roberta — janeiro 27, 2011 @ 6:01 pm

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