24 de novembro

o desmame da constança

por luíza diener

mamaço no espaço
(último clique de sansa mamando)

não existe uma criança igual à outra. cada família tem sua dinâmica, seus métodos e seu modo de encarar a vida.
isso é algo que eu tenho muito claro pra mim e sempre gosto de deixar bem claro também para as leitoras e leitores aqui do blog.
mas há que se levar vários fatores em consideração quando tomamos decisões mais definitivas como um desmame, um desfralde ou outras coisas que – se feitas de forma repentina, abrupta ou impensada – podem acabar como um tiro no pé e, no fim das contas, sendo muito mais trabalhosas do que era antes.
o bem estar da mãe é essencial, mas sempre precisamos analisar nossas motivações e repetir incessantemente as seguintes perguntas: “por que estou fazendo isso?”por quem estou fazendo isso?” e, o mais importante: “estou em paz com minhas escolhas?”. essas respostas, minha querida, nem eu, nem sua melhor amiga (experiente mãe de 5 filhos), nem a super autora daquele incrível best seller, nem a parentaiada toda pode responder por você. podem até te ajudar, te dar uma luz, apoio e suporte (ou não), mas é você que tem que aprender a lidar com suas escolhas.

tendo isso em mente, vamos lá!

constança desmamou em setembro, poucos dias antes de completar 2 anos e 3 meses e esse processo foi muito mais rápido do que eu imaginava.
aos 2 anos de idade ela ainda era do tipo que mamava o tempo inteiro: em casa, na rua, na igreja… se eu deixasse, mamava até no carro.
percebendo esse perfil dela, logo abaixei a expectativa de que ela desmamasse com idade próxima à do irmão, mas me enganei: por fim, coincidentemente, os dois desmamaram aos 2 anos e 3 meses.

(quem quiser ler o relato do desmame do benjamin, clique aqui)

não vou lembrar quanto tempo levou cada coisa, com tantos detalhes quanto o relato do benjamin. só me recordo que a ordem foi mais ou menos a seguinte:

nem sempre foi assim. sansa foi um bebê econômico nas mamadas: nas primeiras semanas de vida mamava apenas um peito entre 2 e 5 minutos e largava naturalmente, chegando a ficar 3 ou 4 horas sem pedir o peito de novo. como eu estava acostumada com o ogrinho insaciável benjoca, me preocupei com o ritmo dela e, no começo, a acordava pra mamar. depois vi que era bobagem, que aquele era o jeito dela e que ela ganhava peso e crescia super bem daquela maneira (mais de 1 kg por mês nos primeiros três meses).
só depois de alguns meses que pegou gosto pelo mamá. e eu confesso que forçava um pouco a barra, porque sempre achei muito mais cômodo botar o bebê pra dormir no peito (enquanto jogava candy crush) do que pensar em qualquer outro método para fazê-la dormir. além da praticidade de ter comidinha instantânea e quentinha em qualquer lugar que fossemos (e disso eu sentirei bastante falta).

o tempo passou e, como já disse, perto de 2 anos ela ainda mamava bastante e eu jamais pensei que esse processo seria tão rápido.
mamava quando acordava, às vezes no meio da manhã (quando entediada ou pra chamar minha atenção) e pra soneca da tarde. depois, só mamava no meio da tarde (pelos mesmos motivos de tédio ou falta de atenção anteriores) e, religiosamente à noite, pra dormir, somando 4 a 5 mamadas por dia.

em pouco menos de 1 mês isso mudou e percebi que ela só lembrava de mamar quando estávamos em casa. se estivéssemos na rua, por exemplo, o mamá só era solicitado quando ela estava entediada, amedrontada ou com muito sono (o que nunca adiantou, vamos combinar, e ela sempre continuava acordada).
e aí, do nada, ela decidiu que não queria mais dormir comigo à noite, e sim com o pai. a primeira vez foi quase um choque: ela e o irmão tomaram banho (esse rito da noite pertence a hilan), escovaram os dentes, leram historinhas com o pai, oramos todos juntos e beijinho, beijinho, boa noite, vai mamar com a mamãe.
ela já no meu colo, mamando, hilan apagou a luz. no que a porta fecha, ela larga o peito e começa a chorar: “papaaaiii! papaaaaiiii! quelo papai!!”. desceu da cama, foi no escuro em direção à porta e começou a bater, chamando pelo pai. quando ele perguntou o que estava acontecendo, expliquei: “ela quer que você ponha ela pra dormir”. e, irremediavelmente, ele foi lá e fez.
e isso se repetiu na noite seguinte.
e na próxima.
e na próxima depois daquela.
ela teve suas noites de recaídas e, nessas horas, eu dei mamá na maior boa vontade, justamente por perceber que provavelmente aqueles momentos estavam acabando. tirando isso, num geral, ela passou a dormir com hilan nos últimos 2 meses de amamentação.

então, o mamá religioso passou a ser o da manhã. ela, já sem mamar durante a noite, às vezes ainda acordava quando estava escuro e quem ia (ainda vai) acudi-la era o pai. então, perto de umas 6h30 da manhã, ela acordava chamando mamãe e eu ficava com ela no peito por um tempinho. às vezes uma meia horinha; às vezes uma horinha e meia (vou sentir muita falta dessa uma horinha e meia a mais de sono).
mas aconteceu que, nas últimas semanas de amamentação, passamos os dias praticamente fora de casa, quase sempre aproveitando a ida “à cidade” pra resolver mil pendências. nessas horas, com tanta coisa diferente e fora da rotina acontecendo, a gente nem se dá conta e muito menos se lembra de parar pra amamentar (nem ela se lembrava de pedir). na hora de voltar pra casa, já tarde, todo mundo exausto, virou rotina ela dormir no carro.

foi aí que eu percebi que nessas últimas semanas que nos restaram, ela nem estava mais mamando todos os dias. 

eu já sabia que estava grávida e, por saber que o bebê estava bem e fora de qualquer risco, não vi nisso motivo algum pra parar de amamentar. pelo contrário, gravidez não indica necessidade de interromper a amamentação, se estiver tudo bem com a mãe e com o bebê. então, essa não foi a motivação do desmame.
o que aconteceu foi que, depois de todo esse processo de diminuição da frequência das mamadas (e talvez por causa dos hormônios da gravidez), meu leite também diminuiu, sem que eu percebesse.

foi então que, num dia durante o banho, resolvi ver como andava a produção de leite. apertei o seio direito e saiu um leite mais amarelado, semelhante a um colostro, porém mais leitoso. e no esquerdo, uma espécie de massinha esbranquiçada. gente, parecia um creme de leite ou qualquer coisa parecida. saiu apenas um pouquinho e mais nada: nem num peito nem no outro. e pude constatar que meu leite havia secado.
bem que me recordei que, algumas vezes, ela mamava e dizia “acabou”. mas eu achava que era porque ela já tinha mamado tudo, ou estava satisfeita.
no dia seguinte, deixei ela mamar pela manhã e assim prosseguiu sem que ela pedisse mais. à noite, dormiu no colo do pai e acho que demorou mais um ou dois dias para que eu fosse conversar com ela. não lembro mais as palavras exatas, mas foi algo do tipo “filha, você percebeu que acabou o leite do mamá da mamãe? pois é. agora você não precisa mais do peito, porque o leitinho acabou, tá bom?”.
nem quero entrar aqui em definições de precisar, porque sei que amamentação não é somente o alimento, mas o afeto. mas percebi que tudo estava num caminho muito natural pra eu insistir em uma mamada apenas pelo corpo, sem o leitinho. conheço quem já o  tenha feito e – pra mim – isso é tranquilo, desde que esteja ok para a mãe e para a criança também.

só que eu percebi que também precisava daquele desmame. os últimos meses estavam bastante cansativos: tanto pela gravidez – que me consome bastante – quanto pela demanda física e emocional que aquele momento estava me exigindo eu não dava mais conta de suprir como gostaria. no fim, encontrei em todo esse movimento natural (que culminou no secamento do leite) a hora perfeita para o desfecho desses 2 anos e 3 meses de trocas, entrega, doação e muito amor.

pra completar, me joguei de vez no leite de vaca e seus derivados, depois de 2 anos e 3 meses também de dieta por conta da aplv (alergia à proteína do leite da vaca) da sansa. eu vinha fazendo essa dieta havia bem uns 4 anos, com uma folga de 6 meses entre o desmame do joca e o nascimento da sansa (me joguei de cabeça nas porcarias naquele intervalo).
nunca vi na aplv deles um motivo para desmamar. pelo contrário, uma razão para persistir na amamentação por saber que o leite materno é muito rico e completo para meus pequenos – que sempre tiveram uma alimentação bem restrita.

tudo isso me motivou a dar continuidade a esse movimento que já vinha acontecendo naturalmente. sem forçar a barra, mas sem olhar para trás tentada a regredir mediante o que já havíamos conquistado juntas.

pra falar a verdade, essa conversa do desmame continua acontecendo. dois meses se passaram e até hoje – agora com 2 anos e 5 meses – não tem um dia que ela não se aproxime do meu peito e diga “acabou o mamá do peito?”, acompanhado de um carinho. às vezes ela pede pra eu levantar a blusa. tem vezes que eu deixo, tem outras que não.
e se tem uma coisa que eu percebi após o desmame foi que ela ficou ainda mais carinhosa. de abraçar, beijar, pedir um chameguinho. isso me deixa tranquila, porque sei que ela deu um jeito de não se sentir desamparada. ela também passou a ficar mais carinhosa com o pai, o irmão, os parentes mais próximos.

sansa ainda diz que “o mamá vai voltar depois que o bebê sair” e eu sempre confirmo que sim. que agora a gente tá guardando o peitinho pro bebê, porque ele não vai poder beber água, comer bolo ou tomar açaí enquanto ela, que já é grande, pode.
conto nos dedos da mão direita quantas vezes ela quis efetivamente mamar depois da nossa primeira conversa, mas a que partiu meu coração aconteceu recentemente. ela se machucou, veio pro meu colo, colocou o rosto no meu peito e pediu mamá como se fosse uma coisa que ela fez 5 minutos atrás. relembrei-a que não tinha mais e dei outro jeito de distraí-la. me apertou lá no fundinho do coração ela ter ficado ruinzinha e eu não ter mais aquele jeito tão doce e tenro de consolá-la.

com certeza vai deixar muita saudade tanto nela quanto em mim. é um daqueles momentos que a gente vê nossos filhos crescendo, engole o choro e aceita que – cedo ou tarde – essa hora chega. ou mesmo deixa escorrer aquela lagriminha, porque ninguém é de ferro, né não?

em menos de quatro meses começa tudo de novo, pela terceira vez. num novo capítulo, numa nova história. aguardemos <3 .

(foto tirada na estação de metrô de brasília para o movimento mamaço no espaço, por irmina walczak, da panoptes fotografia)

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categorias: Tags:, , 2 anos, amamentação, constança, marcos importantes, toddler

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17 Comments »

  1. Quando dei por mim q meu leite tinha diminuído muito de volume comecei a ler sobre desmame e chorei horrores pois fui ler logo uma história "triste" mas para minha sorte comigo e minha pequena foi rápido e indolor , e só me restou a saudade boa de dar a vida em cada mamada para minha filha . Falo pra quem quiser ou não ouvir , amamentar é tudo d bom . Hoje brinco com ela chamo pra mamar e mostro o peito e ela diz Ecaaa .

    Comentário by Tayene — novembro 24, 2015 @ 6:11 pm

  2. O desmame da minha filha, foi de forma natural e partiu dela! Depois que parou de mamar nunca mais pediu peito. O dificil foi o meu "desmame"! Fiquei depre por uma semana, triste mesmo por nao ter mais aquele momento meu e dela! Mas é o ciclo da vida! Ja estava gravida e depois de 7 meses, comecei novamente! A amamentacao com certeza é a minha parte preferida da maternidade!!

    Comentário by Fernanda Pavani — novembro 24, 2015 @ 6:12 pm

  3. Lindo…emocionada aqui!!!!! Meu baby tem 1 ano e 8 meses e já estou pensando no desmame, quero que seja natural, como o seu. Felicidades na gestação e para seus filhos

    Comentário by Cassia Carolina — novembro 24, 2015 @ 6:47 pm

  4. Nossa, não tem como não sentir um aperto no peito só de ler esse post e pensar que esse dia vai chegar aqui também :'(
    Mesmo que seja tão natural assim como foi o da Sansa….
    Será que ela vai querer mamar depois que o bebê minion nascer?
    Beijos 😉

    Comentário by Bruna — novembro 24, 2015 @ 9:14 pm

  5. Aqui em casa foi super tranquilo tb. Meu filho mamou até 2 anos e meio e hj, um ano depois fica vendo seu irmão mamar, mas fala em alto e bom som que nunca mamou no peito so na mamadeira hahahaha. Acho que ele ve na tv ou outros bebes com mamadeira e acha que com ele foi assim, vai saber. Ele não lembra de ter mamdo tanto tempo. Mas no fim, é um grande defensor da amamentação. Quando alguem quer dar comida pro irmão que está com 6 meses já fala: a comida do meu irmão é o peito da minha mãe.

    Comentário by Mariana — novembro 24, 2015 @ 10:52 pm

  6. Aqui tbm foi natural, mas muuuito mais cedo. 9 meses de idade e eu já vi que ela tava mamando uma vez por dia, meu leite foi secando e, de um dia pro outro, não quis mais. Não pediu e não aceitava quando eu oferecia.
    Também notei que aqui ela ficou bem mais carinhosa… Agora está com 1 ano e 1 mês e ainda faz carinho na tetê hahahaha
    Bjs carinhosos em vocês 5!

    Comentário by Natália — novembro 25, 2015 @ 10:12 am

  7. Nossa Luiza deve ser dificil mesmo tomar essa decisão, pq amamentar como vc disse não é só alimentar, é um momento muito especial de mãe e filho. A Sansa é tão forte, mocinha linda e com certteza fez toda a diferença vc amamentar até agora.

    Um grande abraço. E o baby como está?

    Comentário by Mayra Muhieddine — novembro 25, 2015 @ 10:23 am

  8. O desmame da minha segunda filha (porque o primeiro não quis mais o peito aos 5 meses) aconteceu aos 2 anos e 4 meses e embora me deixasse com saudades dos nossos momentos, foi em parte um alívio pois eu estava no começo da gravidez do terceiro filho e meus seios doíam muito ao amamentar estando grávida. Hoje, o terceirinho tem 1 ano e 11 meses e não dá nem sinais de que vai largar. Acho bom!

    Comentário by Élen Rafael — novembro 25, 2015 @ 12:16 pm

  9. Lindo Luíza, lindo texto linda forma de expressar todo esse processo que viveu e está vivendo… sabe colocar cada palavrinha no seu devido lugar fazendo com que nós leitoras consiga sentir toda emoção do momento.
    Que Deus abençoe sempre vocês.

    Comentário by Sabrina — novembro 25, 2015 @ 2:32 pm

  10. Aqui o desmame partiu da pitoca. E foi precoce. Com 8 meses. Ela não quis mais, simplesmente. Quem sofreu fui eu. Pois eu queria más era o ritmo dela.
    Enfim, foi uma etapa curta mas maravilhosa que foi só nossa! 🙂

    Comentário by Bibi Werner — novembro 27, 2015 @ 12:52 pm

  11. Luíza,
    adoro ver sempre os teus posts tão sinceros e abertos sobre temas que pouca gente fala! que bom ter um espaço assim na internet!
    Há duas semanas minha filha desmamou com aspectos parecidos, mas com o meu incentivo. Demorou, mas percebi que não estava dando certo pra mim e que estava cansada. É difícil admitir coisas assim e encontrar com quem falar! Como tu escreveu, é uma decisão nossa, única e pessoal que ninguém pode ajudar! Obrigada por compartilhar!
    Adoro teu blog!
    Desejo um resto de gravidez ótimo pra vocês e muita saúde e amor pra tua família!
    Bjs da Croácia,
    Marília

    Comentário by Marília — novembro 29, 2015 @ 8:34 am

  12. Aqui a amamentação é mais dificil pro papai do que pra nós duas! Mas to percebendo que tá rolando uma "despedida" do " mamá"! Ela mama e mama e mama muito por qualquer motivo! Mas vamos aguardar… tão bom ter lido sobre o desmame da Sansa! Me deixou mais tranquila…

    Comentário by Maura — dezembro 1, 2015 @ 9:08 am

  13. Oie! Como ela é mais difícil pro papai? Fiquei curiosa.
    Beijos

    Comentário by luíza diener — dezembro 4, 2015 @ 8:07 am

  14. Me emocionei!

    Comentário by Erica — dezembro 10, 2015 @ 11:37 am

  15. Olá tenho um menino de 2 anos e 9 meses que estou tentando desmamar meu problema é a noite e de madrugada !!!!Minha filha Izadora hje com 7 anos desmanou naturalmente não precisei fazer nada mas meu casula esta dificil !! Adorei seu post !!

    Comentário by Sheyla M. Bueno — dezembro 14, 2015 @ 3:38 pm

  16. Chorei…

    Comentário by Claudia — dezembro 15, 2015 @ 12:03 am

  17. Olá, Luiza! Muito lindo seu relato. Também acho que cada criança é única e a relação mãe e bebê é algo muito único mesmo.
    Tenho uma filha de 11 meses e acho que ela vai demorar um pouquinho para desmamar, ainda é muito apegada (e eu também). O que me incomoda um pouco é a pressão que as pessoas fazem por um desmame abrupto e logo no primeiro ano da criança. É muito triste ver as pessoas valorizando coisas erradas e abrindo mãos das essenciais, mas cada um sabe de si.
    Obrigada por compartilhar sua história conosco. Sua família é muito linda.

    Comentário by Cíntia Ferreira — dezembro 17, 2015 @ 12:06 pm

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