26 de dezembro

em busca do vínculo perdido

por luíza diener

eco

no post da semana anterior eu abri o jogo sobre a dificuldade que tenho encontrado em estabelecer um vínculo na segunda gravidez. vínculo esse que foi quase automático na primeira gestação.

mas desde o momento em que percebi que isso não estava acontecendo de maneira espontânea, resolvi me centrar um pouco mais na minha gravidez e tentar reproduzir coisas que foram essenciais para o fortalecimento do meu vínculo com meu primeiro bebê.

primeiro eu tentei essas coisas triviais que todas as grávidas gostam de fazer: olhar roupinhas, planejar o quartinho, etc.
desenterrei umas roupinhas antigas do joca. fiquei surpresa ao constatar como ele cabia em certas peças e algumas, que hoje eu considero minúsculas, ficavam gigantes no meu pequeno recém nascido. fiquei muito mais nostálgica que desejosa de outro bebê.
então fui a algumas lojas infantis, mas não conseguia me apegar a nada, especialmente porque as roupas são muito ou menino ou menina. e mesmo assim não deu certo. com minha chatice de gravidez, eu tenho achado tudo feio e cansativo.
pra ser bem sincera, se eu pouco ligava para isso na gestação do benjamin agora, então, nem se fala.

então resolvi me imaginar barriguda novamente. é bonito ser grávida. acho maravilhoso sair toda exuberante mostrando a barriga pra cá e pra lá. sentir-me especial por ser buchuda e utilizar filas e assentos preferenciais sem precisar provar nada pra ninguém, simplesmente porque todos sabem.
herdei muita roupa de grávida da minha irmã, que acabou de ter um bebê, e já ganhei algumas outras. realmente, ao experimentá-las dá vontade de ter algo maior para preencher aquelas calças ou vestir uma blusa escrita “i love my baby” e ela realmente fazer sentido.
fiquei imaginando qual tamanho minha barriga terá em momentos marcantes até o nascimento do bebê, como no natal e ano novo (bem, agora já sei), no casamento da minha irmã (que será no fim do mês que vem), no meu aniversário (fim de março), no dia das mães ou no aniversário do hilan, que será no mesmo mês que o bebê nascerá. a essa altura eu estarei com a cara toda inchada e quase explodindo. pensando bem, melhor parar no dia das mães mesmo.
o bom de já ter sido grávida é que eu posso comparar com minhas fotos da gestação anterior. mas eu fazia isso também com o benjamin e aí eu precisava me comparar com outras grávidas mais adiantadas que eu.
ser grávida é lindo. bem que esse é um bom jeito de me apegar pelo menos a essa gravidez.

apegar-se à barriga já é algo, mas apegar-se ao bebê é melhor ainda. por isso o melhor a fazer nesse momento é focar-se no que é realmente importante, muito mais que roupas ou barriga: o conteúdo.
e percebi que preciso de um momento só meu e dele.
na gravidez do benjamin isso acontecia frequentemente. eu trabalhava meio período e nas horas vagas eu descansava, pensava no bebê, tomava longos banhos, fazia ioga para gestantes – que era um momento completamente nosso.
como agora é tudo corrido e o tempo que me sobra sem o benjamin vai todo pro marido, pro blog e pra casa, decidi que, se desejo uma hora minha com meu bebê, ela não vai cair de paraquedas: eu preciso construir esse tempo.
esse não precisa ser um momento específico para fazer a mesma coisa sempre. mas é um tempo que deve ser dedicado para direcionar meu pensamento para o bebê. seja para conversar com ele, ouvir uma música, fazer uma massagem na barriga ou mesmo coisas mais práticas, como ler sobre o desenvolvimento semanal do feto ou pensar no nome do bebê.
aliás, pensar no bebê pode ser uma atividade interessante, porque o foco vai realmente para ele. te faz imaginar se é menina ou menino, pensar no significado de cada nome, imaginar qual carinha um bebê com aquele nome pode ter.
são coisas aparentemente simples, mas uma noite, marido e filho tinham ido dormir cedo e eu passei boas horas pesquisando nomes, o que me fez pensar muito nessa criaturinha que aqui se desenvolve a todo vapor.

claro que depois que a barriga ficar visível para todos e eu começar a sentir o bebê mexer, o processo fica ainda mais fácil. os outros já te enxergam como grávida e você também. até mesmo o peso da barriga te faz, de uma forma estranha, se sentir mais mãe.
e mesmo assim eu tenho convicção de que, ainda que esse vínculo demore mais para ser estabelecido, quando este neném nascer, o amor que sentirei por ele será tão grande quanto o que tenho pelo benjamin.
afinal, coração de mãe é enorme e sempre, sempre, sempre cabe mais um.

 

confira também os outros blogs patrocinados pela natura mamãe e bebêcoisa de mãeit mãemãe de gurimamatracamamíferas,mundo ovo e vida de gestante.

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categorias: constança, erros comuns, estou grávida, eu gestante, publicidade

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11 Comments »

  1. Oi, Luíza!! Sabe, fiquei tocada com seu post anterior, sobre vínculo. Achei tão sincero e tão bem relatado por você, que consegui compreender perfeitamente, mesmo sem ter passado por isso (ainda). Eu tenho um filho de um ano, que se chama Lucas, e penso em ter o segundo também. Às vezes fico pensando, com um pouco de medo, será que eu vou conseguir amar tanto de novo?! E aí penso no amor que minha mãe tem por mim (que sou a segunda), no que minha sogra tem pelo meu marido (que é o segundo) e relaxo… 😉 As coisas acontecem tão naturalmente, que nem deve dar para explicar.

    Até mesmo quando o Luquinha nasceu, eu não me apeguei de cara. É lógico, o amava desde que estava dentro da barriga e sabia deste amor porque se fosse preciso dar minha vida por ele eu daria desde aquele momento!!! Mas o vínculo mesmo foi criado no dia a dia!!

    Um beijo para vcs QUATRO! 🙂
    http://www.lulueeu.blogspot.com

    Comentário by Julia Costa — dezembro 26, 2012 @ 2:53 pm

  2. Sabe, Lu, me identifiquei totalmente com este post. Na minha segunda gravidez passei pelas mesmas coisas e tive os mesmos sentimentos que vc. E acho que você tem toda a razão em tentar buscar um tempo pra curtir essa barriguinha. Yoga, drenagem, uma caminhada olhando o horizonte. Qualquer coisa serve, desde que seja pra vcs dois.
    Quando venci essa fase e me encontrei como mãe do segundo filho, elegi meu momento com a Sofia e ele acontecia no meu banho. Sentava no chão e enquanto a água caía, ficava conversando com ela. E só. Não deu tempo pra muito mais.
    Na primeira gravidez, parece que o mundo para porque a gente está grávida e tudo gira em torno desse acontecimento. Na segunda, já temos um "alguém" reinando que toma quase todo nosso tempo. E esse "alguém" parece que possui tentáculos e na ponta de cada um, mais uma atividade, mais uma obrigação. Fora o casamento, a casa, o trabalho… é, a vida era sim mais calma.
    Mas, fique tranquila que logo isso passa. Até hoje tenho a sensação de não ter curtido tanto a segunda gravidez como curti a primeira. Tudo passa muito rápido. E quando o bebê nasce, as coisas correm mais ainda. A Sofia já fez seis meses e foi num piscar de olhos.
    Um beijinho pra vcs e se acalme: "Construa e ele virá".
    Giovana Reobol – blog: Nascendo uma Mãe

    Comentário by Giovana Reobol — dezembro 26, 2012 @ 3:08 pm

  3. por experiencia digo que a gente tem um monte de medos e dificuldade mesmo de estabelecer vinculo de uma pra outra. Quando fiquei gravida da Clara, demorei muito a me apegar a gravidez. MUITO mesmo. Lá pelas 36 semanas é que eu conseguia conversar com ela de fato. Achava que não conseguiria ama-la como amava Elisa. Depois com a Olivia foi a mesma coisa. Nessa última acho q foi mais "rapido" pq alem de descobrir tarde eu fiquei sabendo no mesmo dia q era um menino… meu tao sonhado menino…

    Comentário by Juliana Matos Melo — dezembro 26, 2012 @ 3:26 pm

  4. tb to nessa d nao sentir o vinculo entre eu e o segundo bebe. to gravida de seis semanas e sei q eh pouco ainda pra ja me preocupar, mas eh tao estranho, nao me sinto gravida. na primeira gravidez era demais, eu curti cada segundo, mas nessa ta sendo diferente..

    Comentário by Kellinha Poli — dezembro 26, 2012 @ 4:33 pm

  5. Olá, conheci seu blog hoje e me identifiquei, também estou grávida da segunda gestação (28 semanas) e te digo, cada pequeno passo faz o vínculo se tornar mais forte e seguro. É difícil comparar uma gravidez com outra, assim como tudo na vida, mas quando o cheirinho de bebê começa a tomar conta do ar, não tem como evitar. Principalmente quando o bebê é desejado!

    Comentário by Diana Demarchi — dezembro 26, 2012 @ 7:42 pm

  6. Dê tempo ao tempo…
    Não se imagine barrigudinha ou coisa assim.
    Se visitar lojas de Bbs num deu certo, não o faça, enquanto não tiver vontade…
    Faça td q puder, junto com Ben, q ainda não entendeu direito. Se puder, leve-o pra ver a próxima ultrassonografia, pq verá q o Bb se mexe e está lá mesmo, ou leve um dvd pra gravar.
    Espere cair a ficha, não só a sua, mas a do Benjamim, assim vcs 3 terão ânimo e curtirão juntos, mais cedo do q vc espera.
    "Tudo vem a seu tempo".
    Bjim

    Comentário by tia — dezembro 26, 2012 @ 10:36 pm

  7. Lu, me senti demais assim na gestação do Vítor e por isso que estou super planejando o próximo, porque não quero ter dúvidas sobre ele e quero curtir como vc curtiu a gravidez do Benjoca. Não etsou dizendo que vc está com dúvidas, mas sim que eu tinha dúvidas e por isso não conseguia estabelecer o vínculo!
    Você foi muito sincera e acho isso lindo demais!
    Beijos em vocês três. Ah e pro Hilan tmb.. 🙂
    MaH

    Comentário by Vida de Gestante — dezembro 28, 2012 @ 2:53 pm

  8. Acho que assim que você souber o sexo do bebê você vai ficar maluquinha de novo! Poque você vai ter um "norte", um "o que esperar". Na primeira gravidez você tinha muita coisa pra ver e conhecer, como você bem disse. Agora, você já sabe mais ou menos o que esperar. Acho que o problema pode não ser falta de vínculo, mas sim falta de novidade!

    Comentário by Moema — dezembro 31, 2012 @ 1:45 am

  9. Me emocionei ao ler isso tudo, porque estou passando pela mesma situaçao estou gravida do segundo filho, ja tenho um menino de 2 anos, ainda é o meu bebe, e nao consigo sentir nenhuma felicidade nem apego a essa gravidez, estou completando 10 semanas de gestaçao e nao me sinto feliz, ta muito dificil isso me deprime, nao deixo nem o meu marido tocar na minha barriga, isso me deprime demais. e nao sei oque fazer.

    Comentário by katia — janeiro 17, 2013 @ 11:07 am

  10. Lu! Acabei cainda aqui direcionada por outro site (olha eu na labuta de novo, pesquisando sobre gestação, hehe) e me deparei com esse lindo post… exatamente oque ando sentindo. Mesmo este bebê sendo extremamente desejado, a sensação é diferente de quando descobri a gravidez do Davi. E isso dá um certo mal estar na gente… saber que não sou só eu que passo por isso me confortou muito!
    Vamos ver se eu volto pra minha vida de blogueira agora! Hehehe!
    Bjão, e ótima gestação pra gente! <3

    Comentário by Roberta — janeiro 18, 2013 @ 3:46 pm

  11. ai, menina, jura? que coisa boa ter notícias suas e saber que vc está grávida de novo!
    PARABÉNNNSSSS!!!

    e veja se volta de verdade, ein?
    beijão!

    Comentário by luíza diener — janeiro 18, 2013 @ 9:30 pm

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