23 de junho

entre a beleza e o medo

por luíza diener

estar grávida é uma coisa linda. é aquela conexão sua com o bebê e quando ele começa a mexer (passada a estranheza do primeiro momento) é um momento único. você se sente totalmente ligado àquela vidinha que se forma dentro de você. é um sentimento de plenitude, de realização, de força. ah, essa força! parece que você ganhou um sexto sentido que te move a tomar as atitudes acertadas ou necessárias para cada situação. claro que tudo depende se você dá ouvidos a ela ou não.
por mais que tente escrever, a sensação continua parecendo inexplicável.

por outro lado, de repente bate aquele medo: e se eu não der conta? se não der conta de acordar, de amamentar, de ser paciente, de tomar as decisões acertadas, de educar do jeito certo, de sustentar e todas aquelas dúvidas que passam na cabeça da mãe (e do pai).

falta tão pouco tempo – menos de 3 meses – e tudo passa tão rápido.
estou pouco me lixando pra enxoval e quartinho do bebê. eu quero é ter uma estrutura emocional no mínimo estável pra poder passar a segurança e dar o exemplo que meu filho precisa. ele vai aprender com minhas atitudes, não apenas com as minhas palavras.

apesar de todas essas questões que vão e vêm, a tal força me faz ter certeza de que eu sou capaz. de que meu filho está sendo feito sob medida pra família que ele já tem. que vamos sim dar conta de cuidar, sustentar e principalmente amar. porque se tem uma coisa da qual eu nunca duvido é do tamanho desse amor gigantesco que cresce a cada dia  junto com ele.

e só pra me sentir um pouco brega, deixo a música força estranha (que apesar de sempre rir ao lembrar do caetano caindo, mas achei oportuna):

eu vi um menino correndo
eu vi o tempo brincando ao redor
do caminho daquele menino,
eu pus os meus pés no riacho.
e acho que nunca os tirei.
o sol ainda brilha na estrada que eu nunca passei.
eu vi a mulher preparando outra pessoa
o tempo parou pra eu olhar para aquela barriga.
a vida é amiga da arte
é a parte que o sol me ensinou.
o sol que atravessa essa estrada que nunca passou.

por isso uma força me leva a cantar,
por isso essa força estranha no ar.
por isso é que eu canto, não posso parar.
por isso essa voz tamanha.

eu vi muitos cabelos brancos na fonte do artista
o tempo não pára no entanto ele nunca envelhece.
aquele que conhece o jogo, o jogo das coisas que são.
é o sol, é o tempo, é a estrada, é o pé e é o chão.
eu vi muitos homens brigando. ouvi seus gritos
estive no fundo de cada vontade encoberta,
e a coisa mais certa de todas as coisas.
não vale um caminho sob o sol.
e o sol sobre a estrada, é o sol sobre a estrada, é o sol.

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categorias: amor, eu gestante, questões

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14 Comments »

  1. seja bem vinda!
    besos

    Comentário by mama buena onda — 23 de junho de 2010 @ 5:47 pm

  2. ai que lindo, putz.
    cantei e chorei com você.
    😉

    (óbvio que vai dar tudo certo, tenho certeza)

    Comentário by Carol — 23 de junho de 2010 @ 5:52 pm

  3. Não tenha dúvida querida que seu bebê foi sim planejado por Deus para esta família, e com certeza será muito amado, muito querido e você será uma suuper mãe.

    Beijo Grande

    Comentário by Edivania — 23 de junho de 2010 @ 5:57 pm

  4. Ai que delícia! Você descrevendo e eu fiquei imaginando quando meu mirtilinho começar a mexer!
    Não se preocupe, o instinto maternal vai te fazer levantar para amamentar, etc.
    Mas acho que esse medo é comum assim quando o parto vai chegando!
    bjos

    Comentário by Maya — 23 de junho de 2010 @ 7:23 pm

  5. Ser mãe, virar mãe, faz a gente se dar conta do congestionamento de emoções que vivenciamos, e que só aumenta depois de termos o pequeno do lado de cá…
    Uma vida em nossas mãos, filhos da imperfeição, que responsabilidade. Mas como Deus sabe das coisas, não comete erros …rs
    Daqui a 3 meses vamos ler histórias de superação, amor e doação…
    Boa quarta!

    Comentário by Ioly donado verdades — 23 de junho de 2010 @ 7:24 pm

  6. Querida, é claro que vc vai dar conta, é claro que vcs vão dar conta.
    Maternidade é algo que a gente só aciona na hora que nasce o baby, mas o botãozinho já vem de fábrica, cada uma de um jeito, mas já vem de fábrica e não sei porque, mas acho que vc vai ser uma suuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuper idishe mama! rs
    bjs

    Comentário by fernanda — 23 de junho de 2010 @ 10:54 pm

  7. Ei Luíza!
    Tenho certeza que vc vai dar conta de tudo, vc já está se saindo muito bem!!
    Já deixei minha colaboração no mico da semana, viu!!
    Beijos

    Comentário by Mercia Correa — 24 de junho de 2010 @ 12:32 pm

  8. Oi, sempre passo por aqui e quase nunca comento, mas o post de hoje é justamente os mesmos medos que eu tenho em relação a minha filha que está vindo por aqui tb, mas como todas ai disseram, é claro que daremos conta … ahh e vc me lembrar do tombo do Caetano tirou todo a minha concentração …kkkk…

    Bjão

    Comentário by sue ellen — 24 de junho de 2010 @ 2:40 pm

  9. O sentimento é EXATAMENTE esse mesmo!
    Engraçado, eu tava conversando com o futuro pediatra de Gabriel essa semana e ele dizendo pra sempre confiar na minha intuição! Que o pai vai errar algumas vezes, ele, pediatra, tb pode errar, mas a mãe nunca erra – basta ela não se deixar inflluenciar pela opinião de todo mundo que adora se meter! =D
    Confesso que isso me deu uma sensaçãozinha de segurança, me sentindo meio pré-programada pra ser mãe, assim como o Gabe vai nascer pré-programado pra chorar, pra comer… Espero que seja assim mesmo hehe

    Comentário by Paulinha — 24 de junho de 2010 @ 3:49 pm

  10. Oi Luiza, fique tranquila! Todos esses medos fazem parte da quantidade de sentimentos estranhos e, às vezes ambíguos, de toda grávida. Muito disso é causado pela revolução hormonal e constante pela qual a gente passa nesse período. Tudo vai dar certo! O engraçado é que, depois do parto, a gente é tomada por um sentimento de poder tão grande, que, às vezes, até deixamos o pai de escanteio!

    Comentário by Alessandra Faria — 25 de junho de 2010 @ 7:32 pm

  11. PARA TODAS:

    ah, gente! agradeço muito cada comentário, cada coisa compartilhada aqui.
    mais uma vez eu recebi alívio através de vocês!

    obrigada!
    :)***

    Comentário by luíza diener — 25 de junho de 2010 @ 10:48 pm

  12. Luiza, sou o invasor do clube da Luluzinha. Mas tudo bem, porque sou apenas um pai babão que adora esse blog. Aproveito para agradecer o post. Traduziu muito do que penso. Ufah, fico mais tranquilo em saber que não sou o único cheio de questões a respeito do filho, no meu caso, o pequeno Cauê, que deve chegar no começo de novembro. Parabéns pelo Blog e apareça quando quiser.

    Beijo no coração da família.

    Comentário by pinguinhodegente — 30 de junho de 2010 @ 11:00 am

  13. Along with everything which appears to be building within this specific subject matter, a significant percentage of perspectives are generally very stimulating. Even so, I appologize, because I can not give credence to your entire idea, all be it exciting none the less. It seems to everyone that your opinions are generally not completely validated and in simple fact you are generally yourself not even entirely convinced of the point. In any case I did take pleasure in reading through it.

    Comentário by Marcelene Weng — 23 de setembro de 2011 @ 4:29 pm

  14. […] de ser gestante, sempre admirei a força que há em uma grávida. inclusive postei sobre essa força estranha quando estava esperando o benjamin. e foi na gravidez dele que eu tomei consciência do que é […]

    Pingback by potencial gestante – espantando os monstros da gravidez — 6 de fevereiro de 2013 @ 8:59 am

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