06 de fevereiro

espantando os monstros da gravidez

por luíza diener

wild things

essa história de gravidez é uma coisa que mexe muito comigo.

antes mesmo de ser gestante, sempre admirei a força que há em uma grávida. inclusive postei sobre essa força estranha quando estava esperando o benjamin.
e foi na gravidez dele que eu tomei consciência do que é viver realmente uma gravidez com todos os seus ônus e bônus. me senti linda, me senti forte, me senti poderosa.

esta segunda gestação, por outro lado, começou um pouquinho diferente. demorei a me sentir grávida, a perceber o tamanho do amor e da vida que está sendo gerada aqui dentro. só agora, na metade exata da gravidez, no auge das minhas 20 semanas, é que sinto-me mais gestante do que nunca.
confesso: eu tava achando um saco estar grávida. em todos os aspectos. me sentindo feia, cansada, indisposta. claro que os hormônios colaboram. claro que o fator segundo filho colabora. mas agora vejo o tanto que tenho perdido desta gestação olhando sob esta ótica pessimista.
cada fase é uma fase. fato. primeiro trimestre não é fácil pra maioria de nós, eu sei. inocentemente fiquei esperando as mudanças acontecerem desde a 13ª semana e nada (como se fosse rolar mesmo um passe de mágica… aham!)

mas agora eu estou de volta.
voltei a curtir a gravidez, voltei a achar lindo sonhar com o bebê. agora eu sinto ele mexer, sei que ele está maior a cada dia.
tenho feito planos para o quarto, para o parto, para organizar nossa nova vida a quatro.

e aí começou anteontem, quando tomei coragem de postar o texto que escrevi sobre o sexo do bebê.
falando isso agora, até parece besteira, eu sei, ficar com medo de postar algo assim. mas é que eu sinto que, de uma forma geral, cada vez mais a gravidez e a maternidade como deveriam ser estão se perdendo neste mundo atual.

o fato é que, pra mim, maternidade é algo que não se ensina nos livros. é algo que se aprende vivendo.
não é algo que se delega, mas que deve ser vivido de forma visceral.

já começa na gravidez. não é “parabéns, futura mamãe”. você JÁ é mãe. você JÁ é responsável por essa vida que se forma dentro de si. muito do que você faz ou deixa de fazer agora pode influenciar a vida do seu filho ou filha pelo resto dos dias dele.
é desde a gravidez que você passa a se preocupar com o que come ou deixa de comer, se deve ou não fazer certos procedimentos, se isso pode ou não passar para o feto.
essa preocupação é mais que normal. ela é instintiva.
na gravidez ficamos assim, intuitivas, quase sensitivas. mas muitas vezes, por conta da correria da vida, das imposições sociais ou seja lá quais forem as razões, muitas mulheres acabam por perder essa conexão.

eu vejo na gravidez uma ótima oportunidade de ser reconectar. de aprender a ouvir nosso próprio corpo, a saber parar quando precisa e agir quando necessário. mas nem sempre essa voz é ouvida, mesmo sabendo que lá no fundo aquilo era o certo a ser feito.
muitos monstros foram criados ao redor da gestação: o monstro das necessidades desnecessárias, o monstro do medo, do você não vai dar conta, o monstro que faz a medicina sobrepor-se àquilo que sempre foi instintivo e tantos outros monstros que nos amedrontam em uma fase da vida que era pra ser muito mais natural.
tais monstros às vezes me remetem à infância quando, ainda tão inocentes e frágeis, as crianças acreditam em tudo o que lhes é dito. pais, cuidadores e até alguns, ditos educadores, valem-se de recursos fantasiosos para conseguir convencer as crianças mais facilmente: “não vai aí que tem um lobo”, “dorme logo senão o monstro que tá debaixo da cama te pega”, “cuidado com o homem do saco” e por aí vai.
assustar é uma maneira covarde de fazer com que, a curto prazo, a criança tenha um comportamento desejável mas, conforme crescemos, deixamos a razão sobrepor-se ao medo quando percebemos que monstros não passam de histórias inventadas.

a gravidez até pode nos deixar sensibilizadas ou suscetíveis, mas ela traz consigo uma força muito grande. ela é para todas as grávidas, não apenas para aquelas que têm uma condição ideal de saúde, que estão dentro do peso ou fazem algum tipo de exercício físico. ela é para mulheres casadas ou solteiras, novas ou velhas, quer a gravidez tenha sido planejada ou não. essa força independe de poder aquisitivo, classe social ou nível de informação.
ela nos move a fazer o que é certo, a buscar o melhor para o bebê e para essa gestação.
pode parecer uma voz muito baixa, mas ela grita com força dentro da gente.
para ouvi-la é necessário silenciar os outros sons que muitas vezes nos deixam surdos. é preciso afugentar os medos, acender a luz e enxergar que tudo aquilo era muito menor que parecia quando estava escuro.

relendo o post que escrevi enquanto gestava o benjamin, pude notar uma gritante diferença daquela gravidez pra esta: eu não tenho mais medo!
não tenho mais medo do parto, não tenho mais medo de não dar conta. não tenho medo do dinheiro não ser suficiente nem de amar mais um filho que a outro.
e o mais incrível nisso tudo foi que quem me ensinou a não ter medo foi meu próprio filho.
foi ele que, sem saber, me ensinou a força tamanha que é gerar, parir, amamentar, cuidar, educar, crescer. foi ele quem me ajudou a acender a luz.
a força sempre esteve comigo, mas eu precisei descobrir isso. precisei enfrentar meus medos, lutar contra meus monstros.
essa é a parte mais difícil, eu sei, mas os medos são como sombras. até um rato pode lançar uma sombra assustadoramente grande, mas ele continua sendo apenas um pequeno rato, que tem muito mais medo de nós que nós dele.

“no amor não há medo; pelo contrário o perfeito amor expulsa o med0” – 1 joão 4:18

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categorias: amor, constança, estou grávida, eu gestante, parto, questões

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11 Comments »

  1. Que lindo….

    Nossa, adorei…. lindíssimo o texto!!!

    Comentário by Dani Rabelo — fevereiro 6, 2013 @ 10:17 am

  2. Lindo! Sem palavras…

    Parabéns pelo texto!

    Comentário by Loroca Gergelim — fevereiro 6, 2013 @ 10:43 am

  3. Que lindo!Amei o texto.Deve ser bem assim mesmo, estou ansiosa pela experiência.^^

    Comentário by Julia Gomes — fevereiro 6, 2013 @ 10:59 am

  4. Luíza, é mais ou menos assim também que me sinto. Estou com 16 semanas do baby#2. Na época do Gabe lembro da emoção da primeira ultrassom, dos cuidados com andar de salto, pegar em peso, zelo extremo com alimentação. Não que não me importe com certas coisas hoje em dia, mas é muito mais light, não é aquele temor de antes. É super gostoso ouvir o coraçãozinho, mas não dá aquele nó na garganta. Tava até comentando com o Marido que nessa época já tinha foto da barriga o suficiente pra fazer um book (de nada, pq a barriga só apareceu com 5 meses, mas tinha as fotos!), esse, tadinho, não tem um registro ainda! Fico com um peso na consciência pensando q já tô negligenciando o segundinho, mas acho que é isso que você já falou da experiência que já temos, não dá medo, não dá ansiedade, e apesar da gestação estar diferente da primeira, a pessoa já sabe o que lhe espera. De Gabriel eu tinha vontade de ficar grávida forever pra não perder aquela sensação deliciosa, neste desejo muito mais aquele chorinho e aquele cheirinho de recém-nascido…

    E o Gabe e o Benjamin têm apenas duas semanas de diferença. E nossos babies # 2 também não vão ficar tão distantes =)
    Coisas de quem segue o blog alheio e se sente a amiga, mesmo sem a outra saber =D

    Comentário by Reinações de Gabezinho — fevereiro 6, 2013 @ 3:43 pm

  5. nossa, como eu entendo o que voce está dizendo! acho que é mais porque rola uma vontade de aproveitar o tempo que ainda temos como mães de filhos únicos. depois disso, só em momentos especiais.
    hoje estava brincando com o benjamin e pensando nisso tudo. deu vontade da gravidez passar beeemmm devagarzinho, pra eu poder aproveitar meus momentos a sós com o benjamin. por outro lado, ainda hoje, peguei uma roupinha de recém nascido que minha irmã me deu eu quase chorei ao imaginar meu novo bebezinho dentro dela. vai entender..
    (e quando li as palavras chorinho e cheirinho de recém nascido, quase chorei de novo. hauahauhau)

    pois é, fiquei super feliz com a notícia da sua gravidez! mais uma vez nossos filhotes estarão com idades bem próximas!

    bjs

    Comentário by luíza diener — fevereiro 6, 2013 @ 11:04 pm

  6. Ha! Ainda não tinha notado o link do lado "disfarça pai"! A-DO-REI!!!

    Comentário by Reinações de Gabezinho — fevereiro 6, 2013 @ 3:45 pm

  7. emocionante seu texto, muito profundo…..copiei o link do seu blog e mandei para meu namorado! ele tem muito medo da minha gravidez, esse texto dá uma esclarecida sobre esses medos e o melhor, por quem já passou por isso…se puder, pede para seu marido comentar um pouco sobre a versão dele, sobre medos e superações (eu não sei e ele já escreveu algo do tipo, se sim, mes desculpe!)

    Beijos

    Comentário by Alessandra — fevereiro 6, 2013 @ 6:36 pm

  8. Lindo texto! Ainda não sou mãe, pretendo ser… mas não é essa questão que me atrai no seu blog, e sim a maneira que você demonstra ver a vida. Nadando contra a maré.
    Lendo as coisas que você escreve, a maneira como você vive… tudo isso me ajudou a tomar um decisão muito importante na vida. Largar a cidade grande pra viver no interior. Talvez para alguém isso não seja uma questão, mas pra mim foi por muito tempo. Namorei a distância durante 7 anos e finalmente resolvi, de forma madura, a me mudar para a cidade do meu namorado. Hoje estamos noivos, vamos nos casar e estamos iniciando a obra da nossa casinha, que já chamo de "lar, doce lar". Estou muito feliz e exorcizei todos os medos e preconceitos de ter uma vida mais simples, mas verdadeira! Já imagino meus filhos brincando com as galinhas no quintal dos avós paternos, brincando na rua sem correr risco e aproveitando os finais de semana na fazenda…
    Sei que isso não tem a ver com o seu texto, mas apenas queria te dizer como as coisas que escreve pode encorajar muita gente a ter uma vida melhor.
    Beijinhos!

    Comentário by Louise — fevereiro 6, 2013 @ 6:56 pm

  9. Adorei o texto, e estou gravida de 12 semanas do meu primeiro filho! Vc tem toda razao quando diz que a vida de hoje tem muito modismo e frescuras que nao levam a nada e nao se fala das sensaçoes e da intuiçao. Antes de engravidar eu planejei muito após 5 meses engravidei. Li vários blogs e visualizei de uma forma bem diferente, cheia de cor de rosa e azul e mil frescuras, alem de planejar ler mil livros e fazer cursos de novos pais. Nada a ver, a gravidez é um momento de recolhimento, de revelaçoes mesmo. Eu acredito muito nesse amadurecimento intimo e da força plena da intuiçao. Bjos

    Comentário by Flávia — fevereiro 6, 2013 @ 9:15 pm

  10. Muito legal o texto, me lembrei de uma brincadeira que faço com a minha mãe de como foi que eu consegui nascer e crescer saudável, pois a 35 anos atrás não havia metade das frescuras de hoje. Não me preparei para a gravidez, então só comecei a ler e receber informações quando me descobri grávida. E são tantos não podes que as vezes fico zonza. As vezes fico bem preocupada, quando me estresso ou me mexo além da conta, ou como aquela taça de sorvete. Mas como vc disse, dai não se aproveita o momento, que é a coisa mais importante.
    Bjos

    Comentário by Andrea — fevereiro 7, 2013 @ 11:52 am

  11. Adoro seus posts!
    Parabéns por ter adquirido essa força, essa coragem… e por estar curtindo mais a sua gestação.
    Bjos

    Comentário by Cintya Danker — fevereiro 7, 2013 @ 1:20 pm

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