11 de junho

existe sexo depois do parto?

por hilan diener

Este post é candidato ao concurso “O melhor post do mundo da Limetree” 

quando me chamaram pra escrever um post para o MMqD me disseram que o tema era livre.
eu sofro demais com tema livre. dá um branco na minha cabeça e não consigo seguir adiante.

então, em tom de chacota, disse que iria escrever sobre “como enfrentar o deserto sexual da mulher gestante e pós parida”.
a pessoa do outro lado (não posso dizer o nome) riu e disse que o marido dela iria ler com muito interesse. ou seja, não estou sozinho nessa.

e disse mais: que isso não era novidade pra ninguém. que têm muitas mães e pais que nem sabem mais o que é sexo direito.
concluindo: se existe sexo depois do parto ninguém sabe, porque nunca ninguém voltou pra contar. ou seja, exageros à parte, este é um assunto muito complicado e delicado.

mandei novamente uma mensagem declinando o convite, me arrependi e voltei atrás com medo das represálias que iria sofrer, principalmente da minha esposa. imagina a cena:

“oi querida, vou expor a nossa não-vida sexual internet a fora?” beleza?

mandei uma mensagem para MMqD dizendo que iria mudar o tema do post e que eu iria falar sobre o bisfenol nas mamadeiras das quiança, afinal bisfenol é muito do mal, etc… quem disse que toparam? o MMqD não me deixou em paz. ficava me cobrando o tal post o tempo todo. e aí? cade? vai rolar? e assim ficamos. o mmqd me cobrava eu eu dava qualquer resposta vaga (qualquer semelhança com a vida sexual de alguém é mera coincidência).

homens sendo homens e mulheres sendo mulheres desde o começo.

como já estava ficando com vergonha das minha desculpas esfarrapadas e esquivas furtivas (sempre quis escrever isso).

tomei coragem e resolvi começar a escrever.

afinal, por que depois que viramos pais e mães a nossa vida sexual muda tanto? onde é mesmo que aperta aquele botão que ligava tudo? deixava todo mundo loco de desejo e afoito por sexo? sumiu? por que era tão mais fácil e frequente e agora não mais?

tenho uma porca hipótese sobre isso. dia desses li um pedaço do livro “o banquete de platão” e fiquei impressionado ao notar como uma simples história pode conter verdades tão pontuais. no livro, vários filósofos tentam explicar o que é o amor. aristófanes, um dos convidados, conta que no começo de tudo o homem e a mulher eram um único ser. com duas cabeças, quatro braços, quatro pernas e tudo mais que tinham direito.

além disso, essa criatura primordial era redonda e podia sair por aí rolando (hahah, vai vendo). como esse ser era muito auto-suficiente, confiante e rechonchudo decidiu desafiar os deuses e sofreu a terrível punição de ser cortado ao meio deixando as suas partes incompletas, tristes, fracas e vulneráveis, recebendo a punição de serem dependentes uma da outra para sempre. quando as metades se encontravam sentiam as mais extraordinárias sensações: intimidade e amor – a ponto de não quererem mais se separar – e sentiam vontade de se “fundirem” novamente num só.

tá certo que isso explica muito coisa no quesito amor romântico e tal, mas ao invés de concluir que somos seres perdidos por aí, tentando encontrar a outra metade de laranja, a verdade é que pra mim esse ser COMPLETO e redondo com duas cabeças, quatro pés e quatro mãos era a perfeita ilustração da minha mulher redondamente grávida! aqui não rolou aquela história de desejo sexual de grávida não. bem que eu fiquei na expectativa, mas não. nadinha.

e depois que eles foram separados (parto) ela ficou fraquinha e o bebê ultra dependente. resultado: ficaram ainda mais grudados um no outro e não queriam mais se separar.

e onde eu ficava na história? de coadjuvante. amava muito tudo que estava acontecendo. mas não é fácil perder a sua mulher e ganhar a mãe dos seus filhos. e também de office boy – pega alí pra mim uma fralda, traz o lenço umedecido, joga a fralda no lixo pra mim, traz o travesseiro, etc, etc e etc…

claro que não me arrependi de ter meu filho. chorava de emoção e alegria agradecendo a Deus pela vida do benjamin, mas sofri um pouco sim. fiquei chateado algumas vezes e bastante estressado.
depois de 40 dias do resguardo (dela) e não sei mais quantos trocentos dias de total falta de sexo, não tem ser-humanohomem que não fique estressado, não é mesmo?

briga por beijos – um luta que começa desde cedo. 

ao atravessar esse deserto eu tirei duas lições:

1) em algumas situações a melhor coisa a fazer é não fazer nada.
não perturbe sua esposa, não fuja de casa e nem arrume uma amante. não faça nada disso!

2) é uma fase que passa. seja forte.
só não posso te dizer quanto tempo isso vai durar. por que cada caso é um caso. temos altos e baixos como qualquer outro casal, mas pelos menos temos os altos.
que pra quem não tinha nem baixo, já tá lindo.

o mais doido disso tudo é quando tudo está normalizando, dá vontade de bagunçar tudo de novo e ter outro filho. paciência né?

obs: este post não tem a pretensão de tirar o homem de seu deserto e nem dar um receita de como enfrentá-lo. na verdade é um relato para que você não se sinta sozinho. tamo junto. bro.

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categorias: erros comuns, pai feito, pai grávido, para papais, parto

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20 Comments »

  1. Muito bom! Estamos a 15 dias do parto da nossa segunda filha e já imaginando esses tão difíceis dias que virão!!

    Comentário by Kyu Matos — 11 de junho de 2012 @ 1:37 pm

  2. Então, né? Pois é… rsrs

    Comentário by Fabiana Alvim — 11 de junho de 2012 @ 10:29 pm

  3. fabi esse comentário quer dizer o que exatamente? hahahaha

    Comentário by HilanDiener — 12 de junho de 2012 @ 9:20 am

  4. Vamos jogar baralho?

    Comentário by Tathy — 12 de junho de 2012 @ 9:18 am

  5. muito engraçadinha. né?

    Comentário by HilanDiener — 12 de junho de 2012 @ 9:20 am

  6. Ahahahahahaah
    Sobre o final do texto, é isso mesmo que acontece. Li num livro, que a vida sexual doa casal volta ao normal após dois anos do nascimento do filho, quaaaaaaando então tudo fica tão intenso como antes que chega o outro bb….
    Adorei o post!

    Comentário by Gabis Miranda — 12 de junho de 2012 @ 5:44 pm

  7. Adorei a sinceridade.
    Mandando já o link pro meu marido. Aq em casa temos 1 de 2 anos e uma nenê de 6 meses..
    Imagina só o stress do coitado.
    Não é fácil..

    Comentário by Daniela — 13 de junho de 2012 @ 10:32 am

  8. Adorei o post!

    Este vídeo, com a música "Quando as crianças saírem de férias", também se encaixaria muito bem ao seu post: http://youtu.be/keioadqS-J0. 😉

    Comentário by Mônica — 13 de junho de 2012 @ 12:33 pm

  9. é para ler o post ouvindo essa musica né? HAHAHA

    Comentário by HilanDiener — 14 de junho de 2012 @ 5:23 pm

  10. Hahahah! Exatamente!

    Comentário by Mônica — 14 de junho de 2012 @ 7:13 pm

  11. Adorei o post!

    Este vídeo, com a música "Quando as crianças saírem de férias", também se encaixaria muito bem ao seu post: http://t.co/2wafteCw

    Comentário by Mônica — 13 de junho de 2012 @ 3:26 pm

  12. Hilan, parabéns, adorei o fato do post não tentar explicar nem solucionar. Apenas desabafar.

    Dias melhores virão 🙂

    beijos na familia

    Comentário by patipapp — 13 de junho de 2012 @ 5:01 pm

  13. valeu pati! abs

    Comentário by HilanDiener — 14 de junho de 2012 @ 5:23 pm

  14. É isso aí…adoro o jeito como vcs escrevem. Parece que lêem os nossos pensamentos…Bjos aos três!

    Comentário by Fernanda — 15 de junho de 2012 @ 3:46 pm

  15. Gostei muito do desabafo.Mas na cabeça da mulher isso tb é um problema.Pq tem que amamentar,é a própria lanchonete do filho(como dizia meu sogro,na época).estar atenta aos cuidados dos pequenos que correm riscos de adoecer por qualquer coisinha ( e se nascem com alguma enfermidade,pior ainda ),cuidar de si mesma,da casa,da empregada,as visitas dos amigos,da família.E se esforçar sobremaneira para em meio a todo cansaço físico e mental,para encontrar o tal desejo sexual.Com peito minando,um barrigão horrível ,um corpo exdruxulo.Se colocarmos na balança,para quem é mais difícil?Depois de dois filhos,27 anos de casados,eu tenho certeza que meu marido sempre me amou,pq mesmo guando eu me sentia horrível,ele demonstrava atração por mim.e isso me incentivava e eu esquecia o cansaço.Ele fez vasequitomia depois do nosso segundo filho,e aí a festa foi melhor ainda,sem medo de engravidar,sem sintomas de anticoncepcionais.Nos curtimos muito até hoje.Em casa,nas praias desertas da Bahia.Foram muitos os problemas,nessa trajetória.Mas hoje, rimos muito juntos e também temos muita coisa pra recordar.
    Jesus abençoe vcs e suas famílias!

    Comentário by Angela — 16 de junho de 2012 @ 3:04 pm

  16. pois bem estamos com um bb de 3 meses e meu marido ficou com muito medo de chrgar ate mim depois do parto ele disse que preferia sair com outra do q ter qualquer relaçao comigo quand eu estava de 36 dias…. mas agora taa começand voltar ao normal quand o bb nao chora bem na hora h…. rsrsrsr mas é assim tudo e uma nova eperiencia bjonhosssss

    Comentário by kkk.meris — 17 de julho de 2012 @ 5:07 pm

  17. Pow, é muito bom saber q não estou sozinho. Minha mulher tá grávida do nosso 2º bebê. O que mais me aflige é pensar neste deserto. Na gravidez de nossa filha, ficamos 4 meses sem nada, parecia até o sertão nordestino em tempo de seca. Agora nesta gravidez, já se passaram 2 meses e nada. Tô com muito medo de passar neste deserto novamente, dá um estresse fora de série. Vlw pelo post

    Comentário by Edinardo — 18 de maio de 2013 @ 12:35 am

  18. A história do amor como foi contada no livro “o banquete de platão”: http://www.youtube.com/watch?v=YRMZ7MU4ERs
    Muuuuito bom!

    Comentário by Rodrigo Sucre Babaloo — 13 de junho de 2013 @ 9:21 am

  19. Minha vida sexual não mudou nada depois do nascimento do meu bebê, hoje ele tem 3 meses. Namoramos até o último dia, e depois que o bebê nasceu, mesmo tomando o anticoncepcional que o médico jurou que acabaria com a minha libido (a vontade pra mim não diminuiu, só fiquei um pouco mais seca, mas nada que um bom lubrificante não resolva), continuei(amos) com o nosso ritmo. Durante o resguardo foram só carícias e beijinhos, quando estava com 30 dias pós parto (o meu foi normal e com episio) acabou rolando, foi diferente, mas mto, mto, mto bom! Depois completamos os 40 dias só nas carícias mesmo, pq ouvi tanto sobre o "quebrar a dieta" que mesmo já tendo quebrado achei que ainda pudesse acontecer alguma coisa… Agora aproveitamos cada segundo disponível para namorar, como nosso filho dorme a noite toda desde os 2 meses, fica mais fácil ainda! bjos adorei o blog

    Comentário by Deh — 13 de fevereiro de 2014 @ 4:46 pm

  20. Muito bom! Adorei a sinceridade, como sempre!
    Bj,
    Marília

    Comentário by Marília — 3 de junho de 2014 @ 4:00 pm

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