existe sexo depois do parto?

Este post é candidato ao concurso “O melhor post do mundo da Limetree” 

quando me chamaram pra escrever um post para o MMqD me disseram que o tema era livre.
eu sofro demais com tema livre. dá um branco na minha cabeça e não consigo seguir adiante.

então, em tom de chacota, disse que iria escrever sobre “como enfrentar o deserto sexual da mulher gestante e pós parida”.
a pessoa do outro lado (não posso dizer o nome) riu e disse que o marido dela iria ler com muito interesse. ou seja, não estou sozinho nessa.

e disse mais: que isso não era novidade pra ninguém. que têm muitas mães e pais que nem sabem mais o que é sexo direito.
concluindo: se existe sexo depois do parto ninguém sabe, porque nunca ninguém voltou pra contar. ou seja, exageros à parte, este é um assunto muito complicado e delicado.

mandei novamente uma mensagem declinando o convite, me arrependi e voltei atrás com medo das represálias que iria sofrer, principalmente da minha esposa. imagina a cena:

“oi querida, vou expor a nossa não-vida sexual internet a fora?” beleza?

mandei uma mensagem para MMqD dizendo que iria mudar o tema do post e que eu iria falar sobre o bisfenol nas mamadeiras das quiança, afinal bisfenol é muito do mal, etc… quem disse que toparam? o MMqD não me deixou em paz. ficava me cobrando o tal post o tempo todo. e aí? cade? vai rolar? e assim ficamos. o mmqd me cobrava eu eu dava qualquer resposta vaga (qualquer semelhança com a vida sexual de alguém é mera coincidência).

homens sendo homens e mulheres sendo mulheres desde o começo.

como já estava ficando com vergonha das minha desculpas esfarrapadas e esquivas furtivas (sempre quis escrever isso).

tomei coragem e resolvi começar a escrever.

afinal, por que depois que viramos pais e mães a nossa vida sexual muda tanto? onde é mesmo que aperta aquele botão que ligava tudo? deixava todo mundo loco de desejo e afoito por sexo? sumiu? por que era tão mais fácil e frequente e agora não mais?

tenho uma porca hipótese sobre isso. dia desses li um pedaço do livro “o banquete de platão” e fiquei impressionado ao notar como uma simples história pode conter verdades tão pontuais. no livro, vários filósofos tentam explicar o que é o amor. aristófanes, um dos convidados, conta que no começo de tudo o homem e a mulher eram um único ser. com duas cabeças, quatro braços, quatro pernas e tudo mais que tinham direito.

além disso, essa criatura primordial era redonda e podia sair por aí rolando (hahah, vai vendo). como esse ser era muito auto-suficiente, confiante e rechonchudo decidiu desafiar os deuses e sofreu a terrível punição de ser cortado ao meio deixando as suas partes incompletas, tristes, fracas e vulneráveis, recebendo a punição de serem dependentes uma da outra para sempre. quando as metades se encontravam sentiam as mais extraordinárias sensações: intimidade e amor – a ponto de não quererem mais se separar – e sentiam vontade de se “fundirem” novamente num só.

tá certo que isso explica muito coisa no quesito amor romântico e tal, mas ao invés de concluir que somos seres perdidos por aí, tentando encontrar a outra metade de laranja, a verdade é que pra mim esse ser COMPLETO e redondo com duas cabeças, quatro pés e quatro mãos era a perfeita ilustração da minha mulher redondamente grávida! aqui não rolou aquela história de desejo sexual de grávida não. bem que eu fiquei na expectativa, mas não. nadinha.

e depois que eles foram separados (parto) ela ficou fraquinha e o bebê ultra dependente. resultado: ficaram ainda mais grudados um no outro e não queriam mais se separar.

e onde eu ficava na história? de coadjuvante. amava muito tudo que estava acontecendo. mas não é fácil perder a sua mulher e ganhar a mãe dos seus filhos. e também de office boy – pega alí pra mim uma fralda, traz o lenço umedecido, joga a fralda no lixo pra mim, traz o travesseiro, etc, etc e etc…

claro que não me arrependi de ter meu filho. chorava de emoção e alegria agradecendo a Deus pela vida do benjamin, mas sofri um pouco sim. fiquei chateado algumas vezes e bastante estressado.
depois de 40 dias do resguardo (dela) e não sei mais quantos trocentos dias de total falta de sexo, não tem ser-humanohomem que não fique estressado, não é mesmo?

briga por beijos – um luta que começa desde cedo. 

ao atravessar esse deserto eu tirei duas lições:

1) em algumas situações a melhor coisa a fazer é não fazer nada.
não perturbe sua esposa, não fuja de casa e nem arrume uma amante. não faça nada disso!

2) é uma fase que passa. seja forte.
só não posso te dizer quanto tempo isso vai durar. por que cada caso é um caso. temos altos e baixos como qualquer outro casal, mas pelos menos temos os altos.
que pra quem não tinha nem baixo, já tá lindo.

o mais doido disso tudo é quando tudo está normalizando, dá vontade de bagunçar tudo de novo e ter outro filho. paciência né?

obs: este post não tem a pretensão de tirar o homem de seu deserto e nem dar um receita de como enfrentá-lo. na verdade é um relato para que você não se sinta sozinho. tamo junto. bro.

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20 comments

  1. Ahahahahahaah
    Sobre o final do texto, é isso mesmo que acontece. Li num livro, que a vida sexual doa casal volta ao normal após dois anos do nascimento do filho, quaaaaaaando então tudo fica tão intenso como antes que chega o outro bb….
    Adorei o post!

  2. Adorei a sinceridade.
    Mandando já o link pro meu marido. Aq em casa temos 1 de 2 anos e uma nenê de 6 meses..
    Imagina só o stress do coitado.
    Não é fácil..

  3. Gostei muito do desabafo.Mas na cabeça da mulher isso tb é um problema.Pq tem que amamentar,é a própria lanchonete do filho(como dizia meu sogro,na época).estar atenta aos cuidados dos pequenos que correm riscos de adoecer por qualquer coisinha ( e se nascem com alguma enfermidade,pior ainda ),cuidar de si mesma,da casa,da empregada,as visitas dos amigos,da família.E se esforçar sobremaneira para em meio a todo cansaço físico e mental,para encontrar o tal desejo sexual.Com peito minando,um barrigão horrível ,um corpo exdruxulo.Se colocarmos na balança,para quem é mais difícil?Depois de dois filhos,27 anos de casados,eu tenho certeza que meu marido sempre me amou,pq mesmo guando eu me sentia horrível,ele demonstrava atração por mim.e isso me incentivava e eu esquecia o cansaço.Ele fez vasequitomia depois do nosso segundo filho,e aí a festa foi melhor ainda,sem medo de engravidar,sem sintomas de anticoncepcionais.Nos curtimos muito até hoje.Em casa,nas praias desertas da Bahia.Foram muitos os problemas,nessa trajetória.Mas hoje, rimos muito juntos e também temos muita coisa pra recordar.
    Jesus abençoe vcs e suas famílias!

  4. pois bem estamos com um bb de 3 meses e meu marido ficou com muito medo de chrgar ate mim depois do parto ele disse que preferia sair com outra do q ter qualquer relaçao comigo quand eu estava de 36 dias…. mas agora taa começand voltar ao normal quand o bb nao chora bem na hora h…. rsrsrsr mas é assim tudo e uma nova eperiencia bjonhosssss

  5. Pow, é muito bom saber q não estou sozinho. Minha mulher tá grávida do nosso 2º bebê. O que mais me aflige é pensar neste deserto. Na gravidez de nossa filha, ficamos 4 meses sem nada, parecia até o sertão nordestino em tempo de seca. Agora nesta gravidez, já se passaram 2 meses e nada. Tô com muito medo de passar neste deserto novamente, dá um estresse fora de série. Vlw pelo post

  6. Minha vida sexual não mudou nada depois do nascimento do meu bebê, hoje ele tem 3 meses. Namoramos até o último dia, e depois que o bebê nasceu, mesmo tomando o anticoncepcional que o médico jurou que acabaria com a minha libido (a vontade pra mim não diminuiu, só fiquei um pouco mais seca, mas nada que um bom lubrificante não resolva), continuei(amos) com o nosso ritmo. Durante o resguardo foram só carícias e beijinhos, quando estava com 30 dias pós parto (o meu foi normal e com episio) acabou rolando, foi diferente, mas mto, mto, mto bom! Depois completamos os 40 dias só nas carícias mesmo, pq ouvi tanto sobre o "quebrar a dieta" que mesmo já tendo quebrado achei que ainda pudesse acontecer alguma coisa… Agora aproveitamos cada segundo disponível para namorar, como nosso filho dorme a noite toda desde os 2 meses, fica mais fácil ainda! bjos adorei o blog

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