23 de julho

gestar um irmão mais velho

por luíza diener

Magneto Elenco - Luíza Diener - Book Gestante - 43

benjamin sempre fez parte da dinâmica e até das pequenas decisões da casa.
quando eu queria engravidar, orei junto com o ele pedindo ao papai do céu que nos desse um bebezinho.
quando descobri a gravidez, ele foi o segundo a saber – depois do pai. dessa vez oramos e agradecemos por esse pequeno milagre dentro de mim.

como disse no post de ontem, ele foi incluído em todo o pré natal ao participar de consultas, ecografias e exames.

tudo porque fiz questão que ele entendesse que esse bebê não é meu ou do papai. ele é nosso bebê. é um membro da família que deve ser acolhido e cuidado por todos, respeitando a capacidade e os limites de cada um.

a decisão já estava tomada: teremos o bebê em casa e um dos motivos cruciais para esta decisão foi justamente a inclusão do irmão mais velho em tudo.

mas pera aí!? será que não pode ser complicada a presença de outra criança durante o parto? será que ele não vai achar ruim, sentir ciúmes, medo, ficar apreensivo por ver a mamãe “sofrendo”?

tudo isso também precisou ser pensado e repensado ao optarmos pelo parto domiciliar.

se o outro motivo que me levou a optar por trazer a constança ao mundo no aconchego do lar foi justamente a questão do respeito à gestante, ao bebê e até ao pai e acompanhantes, nada mais justo que respeitar também o irmão mais velho.

o fato de tudo ter acontecido no nosso espaço me deu a liberdade de ir aonde queria, ter meu bebê no lugar que achasse mais confortável e conveniente.

assim também meu filho poderia optar por acompanhar a mãe em algumas situações ou então rejeitar tudo aquilo.

conversei com minha irmã, que ficou responsável pelo joca, para que proporcionasse essa liberdade a ele: se sentisse sono, poderia dormir. se quisesse ver a mamãe (e a mamãe estivesse ok com isso), poderia ver, sem constrangimentos. mas se tudo aquilo fosse incômodo para ele, ela poderia descer e levá-lo a um parquinho ou para um passeio maior, caso fosse necessário.

levando em consideração que benjoca não está muito acostumado a ver adultos chorarem ou sentirem dor e também sabendo que ele não fazia ideia do que era um parto de verdade, comecei a dar umas aulinhas de ciências e reprodução para ele.

não precisamos contar como os bebês são gerados porque ele não demonstrou interesse, mas precisei mostrar por onde saem os bebês: comecei com vídeos de parto de animais: gata, cadela, vaca, égua, girafa, todas elas dando a luz. mostrava por onde saíam, mostrava como saíam. conversava sobre o saco aminiótico, a placenta, o sangue.

nas consultas com a parteira havia uma boneca com direito a útero de crochê, saco aminiótico de tecido, cordão umbilical e até placenta. ela e nós sempre mostrávamos a boneca e conversávamos sobre cada parte.

foi muito bacana e sensível da parte da parteira sempre escutá-lo com toda a paciência, mesmo quando ele não falava coisa com coisa. tudo isso ajudou ele a criar um vínculo com aquele momento futuro, que logo viria a acontecer.

depois fui para alguns vídeos de parto mais tranquilos, sem muito escândalo, para que ele visse como as mulheres trazem seus bebês ao mundo. dava pause, mostrava o bebê saindo. contava como costumava acontecer, mas às vezes contava das exceções à regra. vai que eu era uma delas…

sempre que me lembrava de algo novo, puxava o assunto: filho, você sabia que no parto tem sangue? você sabia que as mulheres sentem dor e podem até fazer uns barulhos altos pra ajudar o bebê a vir logo? sabia que o neném nasce pelado e só depois que ele veste uma roupinha? mas sabia que eles não nascem limpinhos? às vezes podem estar sujos de vérnix e sangue, mas isso não significa que eles tenham se machucado, tá?

contei diferentes histórias de parto e, 9 dias antes da chegada da irmãzinha, tivemos o privilégio de acompanhar o trabalho de parto de uma vizinha, amiga nossa. ele pode ver ela sentindo dor, às vezes deitada na cama, às vezes andando pela casa.

aproveitei para instrui-lo que ele deveria falar baixinho e respeitar quando estivesse doendo. ele respeitou e, pelo visto, aprendeu direitinho. tanto que a última coisa que ele fez no dia P (dia do meu parto. eheheh) foi me atrapalhar.

para finalizar, chegou o momento de ver o vídeo em que ele nascia. hilan gravou, no nascimento do benjamin, um vídeo de menos de 1 minuto, apenas com o expulsivo.

o vídeo é meio assustador, porque eu grito muito, muito alto. por isso assistimos no mute e eu só aumentei o volume quando acabava a gritaria. ele não curtiu muito da primeira vez que viu, desconversou e pediu pra assistir outra coisa.

mas, mais tarde, me pediu para ver novamente.

ao longo de todos esses meses em que gestei a pequena, também tive o privilégio de engravidar de um filho mais velho e deixar que esse tempo o amadurecesse.

graças a deus, no dia da chegada da constança ele reagiu com muita naturalidade. não se assustou, não teve medo. em momento algum chorou ou demonstrou qualquer sentimento negativo.

todos que estavam presentes no dia do parto também já tinham criado um vínculo para lá de especial com ele. ou seja, pra ele aquele foi um dia de festa, com várias pessoas queridas ao redor, várias comidas especiais para se comer, piscina na varanda e tudo mais.

houve um único momento em que ele pediu pra sair, que foi quando as contrações começaram a doer pra valer. eu estava na sala e ele pediu para ir pro quarto dele com a tia. ficou pouco tempo por lá e depois já foi para o meu quarto, assistir finalmente a chegada da irmãzinha.

nessa hora ele viu tudo mesmo, com vista privilegiada do camarote vip.

sem cegonhas, sem repolhos ou qualquer outro animal/planta concebendo, gerando e trazendo bebês ao mundo.

simples como deve ser.

 

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categorias: amor, benjamin, constança, para mães, parto

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10 Comments »

  1. Adorei! As crianças merecem saber a verdade, de uma forma que possam compreender. Tenho certeza que essa experiência fará dele um adulto mais sensível no que diz respeito a gestação, parto e nascimento 🙂

    Comentário by Elisa Manfrin — julho 23, 2013 @ 11:46 am

  2. Luiza, essa noite sonhei que estava grávida em trabalho de parto em casa depois que li o seu post. Acordei lembrando do que você escreveu. rs

    A segunda gestação deve ser trabalho em dobro, como você disse, nasceu também um irmão mais velho. Com certeza o Benjoca vai ser um irmão mais velho muito mais preparado.

    Comentário by Amanda — julho 23, 2013 @ 11:59 am

  3. Sensacional viu!
    Não consigo vir aqui e comentar de forma diferente….. foi uma das coisas que mais me impressionou no relato da bebéia….. ver a cara dele de…."parto e tão comum quando ver papai escovando o dente"….. Tenho certeza que ele será um adulto muito centrado!
    Beijos!

    Comentário by Vân — julho 23, 2013 @ 1:16 pm

  4. Luíza! Estou adorando os seus posts sobre o parto!
    Amei como você conseguiu fazer o Benjamin participar de tudo, além de ter me dado idéias para se um dia passasse pela mesma coisa com o meu Lorenzo.
    Lindos!

    Beijo

    Comentário by Marina — julho 23, 2013 @ 2:29 pm

  5. Que genial Luíza! Parabéns pela sabedoria que tivestes ao mostrar pro Benjoca algo tão natural. Imagina como será quando essas crianças forem adultas. Isso sim é mudar o mundo! Beijos

    Comentário by marina — julho 23, 2013 @ 3:53 pm

  6. Estou planejando engravidar novamente ano que vem e com a mesma ideia de PD e presença do meu filho!
    Nem passou pela minha cabeça prepará-lo dessa forma que vc fez com o Benjoca.
    Com certeza vou preparar o Miguel pra chegada do futuro irmão assim também: com simplicidade e clareza.
    Adorei.

    Beijos.

    Comentário by Brenda — julho 24, 2013 @ 3:42 am

  7. Que maravilha 🙂 — o direito à verdade para as crianças!

    Comentário by anameliacoelho — julho 24, 2013 @ 9:45 am

  8. Luiza Parabéns!!!!
    Além de lindo o post, a sinceridade e o amor que você incluiu o Joca (posso chamá-lo assim? rss) na chegada de sua irmãzinha é muito lindo e inspirador, acho que os contos de cegonha e afins não fazem bem para as crianças, elas devem ser preservadas de coisas ruins, mas esses momentos mágicos são essenciais para a formação do vínculo afetivo. E além de tudo ele será sempre orgulhoso de poder dizer que fez parte de toda a existência de sua irmã.
    Beijos

    Comentário by Érica — julho 24, 2013 @ 1:54 pm

  9. Luíza, esse post e o "o caminho para um parto domiciliar" foram incríveis! Dá vontade de anotar tudo pra servir de referência quando eu tiver os meus (se Deus quiser! =). Obrigada, mais uma vez, por dividir. Lindo o respeito que vocês tiveram pelo Benjoca ao incluí-lo em tudo. Tô encantada com você! <3

    Comentário by Mariana — julho 24, 2013 @ 4:29 pm

  10. Lindíssimo seu post!
    Parabéns pelo blog!
    Bjos

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    Comentário by nathalia — julho 26, 2013 @ 10:36 am

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