25 de janeiro

insanidade gravídica

por luíza diener

pink elephants on parade

na minha cabeça, burrice gravídica já era uma coisa óbvia, da qual eu sofri durante a gravidez do benjamin e se agravou nessa gestação.

mas quanto à insanidade gravídica, nunca tinha nem parado para perceber. até que vi recentemente um episódio de uma série de comédia que marido e eu assistimos chamado how i met your mother onde uma das personagens, a lily, está grávida e completamente passada. o marido acha esta que não é uma boa época para tomarem decisões, mas ela insiste que está ótima e, claro, acaba achando que certas ideias absurdas são absolutamente maravilhosas.
o episódio é engraçadinho, deu para dar umas boas risadas, mas achei meio exagerado.
até que, depois disso, comecei a fazer uma auto crítica introspectiva de mim mesma e percebi que a única coisa exagerada eram as minhas próprias ideias.

só fui me tocar disso recentemente, depois de andar meio obcecada por procurar potenciais nomes para meu bebê (de gênero desconhecido).
nessas horas eu morro de inveja desse povo que diz “ah, pra mim foi muito simples. sempre tive os nomes que queria em mente e, quando nasceram, foi só acertar com o marido e ponto final. não tive dúvidas”.
pois bem, quando adolescente eu jurava que já sabia o nome dos meus (tomás, martim e catarina). nomes esses que, apesar de continuar achando lindos, hoje em dia não fazem mesmo parte da minha lista.

já disse giuliana vaia em toda a sua sabedoria: “aconselho vocês, candidatas a grávidas, que escolham o nome do seu rebento ANTES de engravidarem, sabe. porque a enxurrada de hormônios gravídicos tornam você uma pessoa insegura, sensível, confusa, sem discernimento, sugestionável ao extremo e altamente impressionável onde cada dia você é uma e cada dia deseja uma coisa diferente…então repito, escolham o nome da cria ANTES de engravidarem, quando ainda estão lúcidas, e permaneçam com ele até o dia do registro”.
e ela foi muito bem reforçada por mari bz quando soltou a pérola “escolher um nome estando grávida é o equivalente maternal do casar bêbado em las vegas: na hora parece uma ótima idéia, mas todo mundo sabe que vai dar merda cedo ou tarde”.

e toda essa volta para relatar o ocorrido de outra semana, quando comecei a entrar em umas neuroses de que meu bebê deveria ter um nome super original, mas que fizesse algum sentido para os pais. li em um site que uma boa forma de buscar inspiração para nomes era inspirar-se em personagens de filmes, livros, séries ou até mesmo videogames dos quais os pais gostassem.

apesar de achar a sugestão quase cafona, fiquei com isso na cabeça.
já andei brincando no facebook que, se tivesse uma menina, homenagearia a pequena com o nome de uma ou duas personagens da minha série/livro favorito – game of thrones – e faria qualquer menção ou a arya stark ou a daenerys targaryen.
pensem bem comigo. ambos os nomes são estranhíssimos e o último é impronunciável para quem não vê a série (aportuguesando, seria algo semelhante a danéris targuérien).
pois bem, na saga, daenerys (também identificada no livro como dany) casa-se com um guerreiro que é khal de um povo (o khal é o líder do grupo, uma espécie de rei) e dany ganha o título de khaleessi (de pronúncia kalissi).
daenerys já estava fora de cogitação por motivos mais que óbvios, o que me deixou quase desolada.
aí pensei em dany. como não gosto de estrangeirismos em nomes, adaptei para dani. mas dani parace apelido e eu não gosto. e mais uma vez deixei essa maluquice de lado.

até que a brilhante ideia me ocorreu, enquanto passeava com o benjamin. pensei como alguns nomes de menina andam em voga como alice, clarice e… meu deus! como não me ocorreu antes? estava debaixo do meu nariz este tempo todo e eu não tinha me tocado! khaleessi! é título de princesa, mas uma princesa guerreira e forte como a daenerys.
mas, devido aos tais estrangeirismos, eu poderia chamar de calisse. olha só que gênia eu sou!
calisse! meio clarisse, meio alice!
gente, cadê os miolos dessa grávida? ficaram em casa enquanto ela passeava? e marido? essa mulher não tem marido não?

pior: eu continuei achando essa ideia brilhante por algumas horas até cair em mim. escrevendo fica ainda mais horrível, porque na minha mente a minha calisse teria cabelos loiros prateados quase brancos, olhos lilases e sonhadores, seria resgatadora de um povo, guerreira destemida, mãe de dragões, a não-queimada.
não consegui pensar em melhor expressão para adequar-se a esta minha constrangedora situação insano-materna que a demodê aham, cláudia! senta lá.
porque né?, só sentando mesmo.

com isso, o segundo episódio – este menos constrangedor – ficou mais fácil de ser lembrado.
já vem acontecendo há mais tempo e, apesar de ter plena consciência de que é absurdo, é mais forte do que eu e não passa.
ando com a brilhante ideia de arrumar um filhote!
não um filho humano (este já está garantido). um animal mesmo.
culpa dos meus vizinhos, que tem dois cães que há pouco tiveram filhotes.
a bichinha prenhou um pouco antes de mim e no fim do ano passado os filhotinhos nasceram.
primeiro rola uma empatia esquisita: como está a mamãe? já está dando leite? os filhotes estão mamando direitinho? ela está se recuperando bem? (a pobrezinha teve que fazer uma cesárea de emergência na saída do terceiro filhote, que era cabeçudo demais e ficou entalado. acabou não aguentando, o pobrezinho)
e aí, sempre que posso, dou uma passadinha pra ver esses pequenos crescendo, abrindo os olhinhos, dando os primeiros passos e latidas, abanando a cauda. a crise maior foi quando (também na semana da calisse), fomos ver os filhotes e eles ficaram seguindo o benjamin.
oooouuuunnnnnn!!! ataque de fofura eterna master blaster thunder power plus ao cubo!
os filhotes dos vizinhos são só um agravante, mas na verdade já pensei em adotar filhotes de gato, cachorro, passarinho. meu instinto maternal está afloradíssimo.

terceiro episódio foi menos grave e mais alucinógeno.
veja bem, qual é uma das primeiras coisas que as gestantes fazem quando descobrem a gravidez?
de todas as que eu conheço que antes bebiam, estas logo pensam que devem parar de beber a-go-ra. e ainda se pegam fazendo cálculos malucos pra ver se chegaram a beber quando desconheciam a gravidez. muitas acabam até entrando em paranoias desnecessárias.
maspoxavida! vou ter que ficar 9 meses sem beber? nove não, amiga. muito mais! esqueceu do tempo de amamentação? rá!
drogas, então, eu não preciso nem falar, né? dorgas, tô fora!
e aí o que resta para nós, gestantes? curtir uma lombra com os dons que a gravidez nos dá.
já falei do meu superolfato antes. mas se outrora ele era meu arquiinimigo que me provocava enjoos e indisposições terríveis, agora ele me leva a viagens fantásticas do tipo willy wonka dos anos 70 ou walrus.
foi no meio de um banho que eu resolvi cheirar um shampoo que o benjamin ganhou da minha mãe.
estava à toa no banho, vi que o frasco tava aberto e, antes de fechar, por puro costume eu cheirei antes.
pra que.. de repente aquele era o melhor cheiro do mundo! um cheiro meio de amora, meio de uva. um cheirinho que me remetia à infância, onde eu tive uns shampoos com aromas tão artificiais que faziam a vida até parecer mais bonita.
cheirei, cheirei e, quando o cheiro não era mais suficiente, decidi que a melhor coisa que eu poderia fazer naquele momento mágico era me banhar naquele líquido maravilhoso. despejei na mão, observei sua cor roxa, passei nos braços, no corpo, no rosto. passei embaixo do nariz e fiquei inspirando profundamente. pensei algumas vezes em beber só um pouquinho pra provar, mas logo recobrei o juízo. e depois me perdi em meus devaneios banhísticos, observando o líquido dentro do recipiente indo para cá e para lá, fazendo bolinhas e.. olha! as bolhas estão voando! eu sou o dumbo! não, o dumbo é o shampoo! gente, que coisa mais fantástica! como pode caber tanta diversão em um frasco de shampoo?
não sei quanto tempo eu perdi nos devaneios de um shampoo roxo, mas quando o banho acabou, o espelho estava totalmente embaçado e as paredes, escorrendo gotas de água, sugerindo que muitos minutos já haviam se passado.
ok, continuo achando o cheiro delicioso e me lamentando por não poder beber o shampoo apenas pelo fato de saber que me decepcionaria com o sabor (já bebi muito shampoo na minha longa infância).

e cada dia eu me convenço mais: quem precisa de drogas quando se tem filhos?

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categorias: constança, erros comuns, eu gestante

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22 Comments »

  1. nossa que maluquice!
    viajar nas bolhas do xampu roxo foi demais! kkkk

    Comentário by Juliana — janeiro 25, 2013 @ 1:10 pm

  2. Senhor, ainda sou só uma potencial gestante e já piro. Será que vou endoidar igual à Luiza quando emplacar o filhote? Socorro.

    Comentário by Natalia Publio — janeiro 25, 2013 @ 1:23 pm

  3. ameiiiiiiii!
    hahahahahaha…

    Comentário by Nanny — janeiro 25, 2013 @ 1:25 pm

  4. Huahuahuahuahuahua Louca antes, mais louca depois, louca pra sempre! Fiquei louca quando estava grávida, continuo louca. Parece que estou me vendo nesse texto! Quando as meninas nasceram me deu uma vontade absurda de ter um cachorro e aí quando o caos foi "diminuíndo" a vontade aumentou. Só não peguei mesmo porque o Marco é alérgico, mas vira e mexe a gente pensa no assunto. E essa coisa dos nomes é muito certa mesma, deveríamos escolher antes, mas mesmo que você escolha ainda vai passar por todo esse processo, faz parte e aí está umas das aventuras de grávidas mais non-sense ever!

    Beijos pra vocês!

    Comentário by Tati — janeiro 25, 2013 @ 1:28 pm

  5. Hahahahahaha to mto da historia do shampoo e dos nomes cabulosos! Quandary a Calisse, ja consegui imaginary ela soften do bullying an escola com as outras criança a cantankerous pra ela aquela musica do Chico : "afasta de mim esse calice! Afasta de mim esse calice.." Hahahahahahhahahahaha

    Comentário by Laura — janeiro 25, 2013 @ 2:14 pm

  6. C-H-O-R-E-I de rir!!!!!!!!!!!!

    Comentário by eliara rosario — janeiro 25, 2013 @ 2:26 pm

  7. hahahahahah…essa do shampoo já aconteceu comigo, mas não na mesma intensidade!! Sou maluca por esses produtos infantis. Vontade de comer é pouco! hahah…Descobri ontem que meu bebê é meninA e meu filho escolheu Luiza. Nem demos opções de escolha pra ele, eu ia colocar Melina, mas quando eu ganhei um presente ele disse do nada "é da Luiza", como gostamos do nome resolvemos deixar, até pra dizer mais tarde pra irmazinha que quem escolheu onome foi o irmão. Quem sabe o Benjamin não te ajuda? Mais uma coisa em comum, tá vendo hahahah…pode perguntar o que quiser sobre Montessori, muitas coisas ajudam muito no dia a dia da vida como mães e não só na sala de aula. Beijão!!

    Comentário by Roberta — janeiro 25, 2013 @ 2:52 pm

  8. hahahaha fiquei rindo sozinha aqui no meu quarto! Vc é ótima pra escrever!!
    Sobre escolher o nome é mto verdade sobre escolher antes da gravidez, quando casei eu e meu marido falamos no nome do nosso filho e quando eu engravidei decidi que nao queria aquele, mas no fim foi o que escolhemos quando casamos. E não me arrependo, nenhum pouquinho!!
    E falando em series vcs ja assistiram Modern Family? É ótimo!!!
    Meu marido tbm gosta mto desse serie que vc citou!!
    Essa do shampoo foi massa, o cheirinho de infancia é verdade!! Eu tbm sinto saudades da minha infancia quando sinto cheiro deles, mas nao sinto essa vontade louca de ficar cheirando e quase comer hahahah, talvez pq nao estou gravida!! kkk Mas o que me preocupou agora foi que comentei com o meu marido de comprarmos um filhotinho… rsrsrsrsrs
    Adorei seu post!!!Beijos

    Comentário by Patricia — janeiro 25, 2013 @ 6:36 pm

  9. tom de confissão em reunião de grupo de apoio*

    boa noite, meu nome é Ana Luz, estou grávida de 28 semanas e já passei pelos três episódios de alucinação acima descritos.

    o do nome, meu namorado, sábio e paciente, concordou logo com a primeira sugestão, antes que o surto de invenção pudesse piorar.
    meu olfato já me fez passar um dia inteiro sentindo TODOS os tipos POSSIVEIS de cheiros de VOMITO existentes. o dia seguinte a esse foram cheiros de COCO. é sério.
    e, por fim, eu ainda estou passando pelo surto de adotar um filhote. alguém me segura.

    bom saber que não sou a única alucinando.

    Comentário by Ana Luz — janeiro 25, 2013 @ 6:47 pm

  10. Ri litros!!
    Gente, agora fiquei com medo de mim… pq já tenho crises de maluquices agora, imagina… coitado do marido!

    Comentário by Crys — janeiro 25, 2013 @ 8:32 pm

  11. Ha! A-DO-REI!

    Quem dera eu pudesse ter tanta alegria assim com um vidro de shampoo! Talvez quando eu estiver grávida as coisas tenham este toque mágico, quem sabe? Rs!

    Comentário by Loroca Gergelim — janeiro 27, 2013 @ 10:53 pm

  12. vai que, né?

    Comentário by luíza diener — janeiro 29, 2013 @ 7:31 pm

  13. Vou ter que confessar… quanto ao banho…eu usava aquelas esponjas, da cor verde agua sabe? E sabonete liquido, LUX… pois bem, amava o cheiro…delirava com aquele cheio…e qd colocava na esponja e fazia aquela espuma…eu salivava… aí minh Amiga, eu PROVEI! Sim, mordi aquela esponja cheia de espuma…e que delicia! Era maravilhoso! kkkkkk maluquice? Não, isso é estar grávida e ter desejos malucos hahaha era mt engraçado, mas tomava conta do meu ser hahahah

    Comentário by Juliana — janeiro 29, 2013 @ 10:34 am

  14. ufa! não sou a única maluca aqui! ahahhahha

    Comentário by luíza diener — janeiro 29, 2013 @ 7:31 pm

  15. Nossa… como eu fiquei burra!!!! rsrs
    Eu tinha esperança de voltar ao normal depois da gravidez, mas parece que já era o tempo em que era considerada super esperta e inteligente né? rsrs

    Comentário by Layane — janeiro 30, 2013 @ 10:29 am

  16. Me diverti muito com as histórias, eu estou com 25 semanas, estou bem lerda, chorona e sonolenta, mas de resto até estou mais calma, sem ter feito nenhuma maluquice. Nós escolhemos o nome quando soubemos da gravidez, fizemos uma pesquina na internet, fiquei imaginando o que iria gerar apelidos estranhos ou bullying e fizemos uma pré-seleção até decidir os nomes finais. Quando descobrimos o sexo, já sabiamos que iria se chamar Alice.

    Comentário by Andrea — janeiro 31, 2013 @ 11:47 am

  17. KKKKKKKK Potencial gestante é diversão garantida ! ! ! !
    "oooouuuunnnnnn!!! ataque de fofura eterna master blaster thunder power plus ao cubo!" + a viajada do shampoo roxo KKKKKK
    Lu, você não existe.
    Obrigada pela massagem das risadas.
    Amo vc.
    Mamy

    Comentário by Daisy — fevereiro 4, 2013 @ 4:41 pm

  18. Tb sou fã de Game of Thrones…. Quem nunca quis uma khaleesi? Mas sua filha jamais te perdoaria. Meu marido acha o nome que escolhi cafonérrimo e com certeza foge dos seus padrões, mas escolhi Sophia Emanuella. Nem contei pra tds o segundo nome, só os mais chegados sabem 😉

    Mas tem muita Sophia e ela pode ser apenas Emanuella se quiser, ou simplesmente Manu!

    Adorei seus textos!!!

    Comentário by Ana Carolina Silva De Oliveira de Carvalho — outubro 24, 2013 @ 6:51 am

  19. o Nome da minha pequena é Pétala Margarida e por incrível que possa parecer, sempre quis assim kkk

    Comentário by Ingrid — maio 6, 2014 @ 1:37 pm

  20. cara, arrasou no post! ri litros…. kkkkkk

    Comentário by Jenifer Muller — maio 7, 2014 @ 4:29 pm

  21. Acabou ficando em

    Game of thrones mesmo ne? “Sansa”

    Comentário by Laura — maio 24, 2014 @ 7:36 pm

  22. […] há um tempo atrás eu tinha lido dois posts da Luisa lá do Potencial Gestante, falando insanidade gravídica. E eu como nunca fui normal, fiquei achando que essas duas coisas comigo iam acontecer de forma […]

    Pingback by Em que momento eu tomei ácido?! | Lêmures na pança — maio 29, 2014 @ 9:58 am

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