13 de fevereiro

mãe: um ser estressado

por luíza diener

quando eu era pequena, não entendia por que minha mãe era tão brava e estava sempre estressada ou chateada com alguma coisa.

aí era só conversar com outras amigas que elas logo falavam “sua mãe? imagina! sua mãe é ótima, super boazinha! precisa só ver a minha”. e eu ficava pensando “ahhh! como eu queria ser filha da mãe de fulana” ou “ah, duvido que na casa de beltrano as coisas sejam desse jeito”.

veja bem: minha mãe não era do tipo que proibia tudo. olhando hoje, acho que ela era maravilhosa. era criativa, inteligente, descolada. dava bastante liberdade pra fazermos as coisas, dentro dos limites da casa, já pré-estabelecidos.
mas, na época, a impressão que eu tinha era que ela vivia cansada e chateada. eu só olhava pra ela e pensava: “minha mãe é uma chata! não me deixa fazer nada! na casa das minhas amigas elas podem fazer várias coisas que na minha nem se sonha! mas ela vai ver só! quando eu tiver a minha casa e o os meus filhos, vai ser tudo diferente”!

tenho apenas uma coisa a dizer a respeito: ahahahahahahah!

é claro que eu to pagando a língua. o benjamin ainda não tem consciência de que eu sou uma chata, mas eu tenho. e como tenho!

começou na gravidez, com todos aqueles hormônios malucos, o cansaço que não passa nunca e coisa e tal.
quando ele nasceu, foi super difícil conciliar o pensamento materno-romântico com a realidade nua e crua das noites mal dormidas, as roupas sempre azedas de leite, me sentindo a eterna nega do subaco cabeludo.

na minha imaginação fértil, eu seria uma mãe diferente. nunca levantaria a voz para o meu filho, não surtaria nunca e seria sempre amável e carinhosa, como a insuperável mãe do caillou.
mas a vida real é bem diferente dos desenhos. beeeeeeeem.

em geral o benjamin dorme relativamente cedo e levanta num horário bom, mas às vezes ele pira e quer acordar no meio da noite pra brincar. aí é um sufoco.
eu acordo um bagaço, nervosa, irritada, gritando pras paredes, brigando com o marido, chutando o cachorro. ponho a culpa na diarista, que não lavou a louça direito, no vizinho, que ronca à noite inteira, toma banho às 6h30 da manhã com um sabonete muito fedido e fica assoando o nariz até expelir todo o pulmão (e acordar a casa toda).
aí passo o dia inteiro que nem um zumbi, me escorando pelos cantos, tirando uns cochilos esquisitos.

mas mesmo quando eu durmo bem, estou sempre tensa. um pouco menos, mas continuo.

eu sou muito cricri. uma legalista por natureza, presidente do crazy mamas country club.
não deixo meu filho assistir tv, não gosto que ele coma açúcar (só socialmente, e olhe lá), odeio aquelas musiquinhas infantis sintéticas e acredito que isso influencia a criança a ter um gosto musical limitado no futuro.
aliás, muitas coisas que eu estimulo ou veto aqui em casa são justamente pensando no futuro dele.

mas não quero sair convertendo ninguém a isso, pelo contrário.
se você não se importa, vá em frente.
eu é que não queria me importar tanto.

e como o benjamin é daqueles macacos meninos cheios de energia e curioso ao extremo, preciso estar sempre alerta.
ele está sempre ligado no que acontece ao seu redor. repete palavras e expressões que usamos (inclusive as ruins), observa nossos comportamentos, ações e reações. uma verdadeira esponjinha.

para a criança tudo é um aprendizado e, na minha opinião,  o melhor jeito dele acontecer é nas tarefas cotidianas: alguns biscoitos ensinam a contar, brinquedos coloridos ensinam as cores, as frutas ensinam as formas e por aí vai.
ensino o benjamin a comer, não a “papar”. a dormir, não a “mimir”. que “auau” é o barulho do cachorro, não o nome dele (e muito menos de outros bichos) e mais tantos outros exemplos que dariam um post à parte.

eu vesti o uniforme de professora 24h e não tiro nem pra tomar banho ou dormir.

sei que às vezes eu deveria ceder um pouco. e eu cedo. mas na minha cabeça, sempre o faço contrariada, geralmente em prol do social, só para não arrumar encrenca ou para fugir de uma discussão desnecessária. mas lá dentro eu fico insatisfeita.
você até pode dizer “ah, luíza, mas é porque é primeiro filho. vai ver que no segundo você vai relaxar mais”. bem que eu quero, mas não conto com isso.

porque não é uma característica nova, que eu adquiri com a maternidade.
ela apenas foi potencializada pela enorme  peso da responsabilidade de criar um filho.

pelo menos enquanto ele é pequeno, não dá pra relaxar tanto. não dá pra mudar as regras do jogo o tempo todo só pra ficar confortável em um determinado momento e botar outras coisas a perder a longo prazo.

eu sei que logo o benjamin vai crescer e perceber o tanto que eu às vezes eu encrenco, brigo, boto limites em certas situações.
ele vai querer fazer coisas que vão além de meter o dedo na tomada ou tomar banho na vasilha de água do tov.
algumas regras serão mais flexíveis e outras mais rígidas, quando um simples não não for suficiente.

nesse momento, por mais que eu endureça sin perder la ternura, a megera vai se estabelecer, a mãe alheia sempre será mais verde, legal e divertida do que eu.
mas eu não me importo. prefiro ser vista como mãe chata (por cumprir meu papel de mãe) a ser amiguinha da garotada e não ter moral nenhuma na hora do vamos ver.

certa vez eu ouvi de uma psicóloga que o confronto faz parte da maternidade (e paternidade) e é extremamente necessário, porque às vezes seu filho vai mesmo pensar diferente de você e em alguns momentos a decisão dos pais vai ter que se impor sobre a dos filhos.

educar vai além de ser legal. claro que a amizade tem que existir também mas, como sempre disse minha véia, “eu sou sua mãe, não sua coleguinha!”

a gente gera, bota no mundo, cuida e ama dessa maneira e intensidade que eles só vão entender quando forem pais/mães.

e por enquanto vai queimando um pouco o filme com eles, que são os ossos do ofício.

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categorias: educação, erros comuns, mães extraterrestres, para mães

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19 Comentários »

  1. perfeito! e eu q achei q era mega descolada…
    quero ver agora, Joao Pedro com 1 ano e 2 meses, e eu grávida de novo! Feliz, mas preocupada com a mãe que vou me tornar…stress ao quadrado ! afff…pobre marido.

    Comentário by Grazi — fevereiro 13, 2012 @ 11:26 am

  2. É isso aí… eu também sou a mãe bruxa meméia que "só diz não"! Também me sinto a última das mortais quando acordo azeda e cansada e acabo de bico o dia inteiro… e pior, ainda tenho que, quase sempre, ouvir reclamações da minha mãe, que era IGUALZINHA, sobre isso!hahahahaha
    Mas, minha filha me sinaliza que está tudo bem… que eu sou assim porque tenho que ser… e, pra cada "você é a mais pior mãe do mundo e é mandona", surgem 10 mil "mãe, eu te amo muito!"

    Comentário by Mariana — fevereiro 13, 2012 @ 11:31 am

  3. Acabei de me ver nesse post. Mãe é um ser estressado, ainda mais quando trabalha e estuda.
    A Isabelle tem dessas de que quando eu não deixo fazer o que ela quer ela fala: "vc não é mais minha amiga" eu respondo "mas sou sua mãe!" Toda a chatisse é importante a longo prazo. Por outro lado posso contar sempre com o carinho dela quando estou muito nervosa ou triste com alguma coisa.

    Parabéns pelo post. :)

    Comentário by Amanda — fevereiro 13, 2012 @ 11:55 am

  4. Pode parecer clichê…Mas mãe é tudo igual, mudam apenas os nomes e endereços…

    Comentário by Mariana Barbieri — fevereiro 13, 2012 @ 12:10 pm

  5. Nooossa ameiiiiii seu post Luiza, como sempre!hahahahahahaha super me identifico…estou numa fase assim, alias uma fase nada, pq eu sou como vc, penso assim como vc, e n vou mudar!Acredito que sendo assim iremos educar nossos filhos da maneira mais correta possivel.Perfeitas jamais seremos, mas com toda certeza ser mãe jamais será uma tarefa facil, mas estamos sempre na luta!!hehe beijão pra vocÊs

    Comentário by pamela — fevereiro 13, 2012 @ 12:21 pm

  6. E é aí que eu me estrepo, porque penso como você e ajo mais ou menos como você (só as 'variáveis da proibição' é que mudam). O problema é que trabalho fora e minha filha fica com a minha mãe, então é uma festa sem fim. Se ela faz birra, a casa inteira se transforma no Cirque du Soleil pra distrair. Outro dia a vi "descendo a mão" na minha mãe e minha irmã e tive que falar pra não deixar, vocês acreditam? "Gente! Segura o braço dela, não deixa ela fazer isso!" Não tenho a menor condição de parar de trabalhar e, por enquanto, estou sem dinheiro, mas assim que minha condição der uma melhorada, vou colocar numa escolhinha também, porque criada com vó em tempo integral não vai dar certo.

    *Coração partido. Por que não pode ser criada com a mãe em tempo integral, meu Deus? :(

    Comentário by Helen — fevereiro 13, 2012 @ 12:43 pm

  7. Meus Deus Luíza, e quando é que tu relaxa? hueheuheuheu
    tadim do Benjoca, cada mãe com sua loucura/jeito de criar o filho.
    eu tbm pensava como tu, vou ser uma mega hiper blaster mãe, n vou brigar e blablabla – HA HA HA
    a realidade é totalmente outra mesmo. Quando me sinto muito mala/chata/chatonilda realxo e penso: ele veio zerado e quem tem que dar o exemplo sou eu, então ficar gritando não dá, maaaaaaassssssssssssss ………………….

    ps: como tu faz pra limpar a casa/fazer comida/necessidades sem ter o benjoca na frente da tv? o Otávio n brinca muito tempo sozinho nem a pau, nem gosta muito de assistir desenho tbm… mas eu vou tentando. algum conselho?

    beijos

    Comentário by Mamãe do Otávio — fevereiro 13, 2012 @ 1:18 pm

  8. Bah Luiza, eu sou igualzinha! eu nao relaxo! é 24h por dia ensinando, full time! agora o drama tem sido: ele nao come fora de hora e ponto final. alias, desde sempre, mas conforme vai crescendo, as pessoas vao querendo dar coisas e mais coisas fulltime, o lucas tem um pezinho na obesidade, ele tem verdadeiro prazer por comer, ele nao tem fundo, se deixar ele passar 24h por dia comendo, eu nao acho isso bonito, e mato no peito quando querem dar coisas para ele fora de hora, vez ou outra eu cedo, assim como voce, para evitar discussoes desnecessaria, vai dá logo esse pao pra criança, me culpando, a cada mordida dele eu me retorço na cadeira hahahaha a gente se esforça tanto para dar nosso melhor. e a cobrança sempre existe, néam? mesmo com tudo isso, se teu filho der uma choradinha fora da hora que o vizinho achava que ele podia dar, logo vem um querendo te dizer o que fazer. e depois dizem para tu relaxar, relaxar como delsdocellll tem tanta coisa para ensinar para ele, relaxar nada, bora lá ter trabalho que o trabalho ainda nao acabou! é ou nao é? bjo, me identifico muito cntg, guria! Desde sempre né? desde grávidas! ;)

    Comentário by tchella — fevereiro 13, 2012 @ 2:05 pm

  9. Olha Lu, eu fico chateada as vezes por ser a mãe bruxa, mas quando penso que estou sendo responsável e dando o meu melhor para criar um serzito legal para esse mundo louco eu fico feliz. Afinal é bem fácil liberar a tv e as guloseimas néam?hoje aposto que ele nem percebe que não tem "acesso" a este tipo de produto, se você deixar ele vai amar e você terá horas a mais de descanso, mas ele vai lembrar de te culpar depois que estiver gordinho e alienado :o ) Aqui em casa é lei: Patati Patatá e açúcar só por cima do meu cadáver! E tenho dito!
    beijos

    Comentário by Bia — fevereiro 13, 2012 @ 4:33 pm

  10. Nossa Luiza, hahahahah
    Acabei de perceber ao ler seu post que sou uma mãe cricri chata pra caramba!!!!!!!!!!!!!!!!!! Antes não tivesse lido seu post, risos!
    Pra vc ainda há uma luz no fim do túnel, é seu primeiro filho como vc disse!
    Eu estou no meu segundo e vivo estressada querendo controlar tudo! Minha filha tem 5 anos e comeu chocolate e doces pela primeira vez aos 2 anos. Meu bebê de 1 ano ainda não comeu, mas percebo que quando proibo meu marido e peço para meus sogros não darem eles todos ficam me olhando com cara de : "aLocaControladoraChataCricri" risos. Peguei um dia minha mãe dando um pedacinho de chocotone pro meu Matheus de 1 ano e quase surtei!
    além disso, sempre ensinei minha filha a falar as palavras corretamente, nunca usei linguagem de bebês e desde os 3 anos ela fala o português mais correto que vi numa criança, ela é cheia de regras e limites, é educada, porém desafiadora, acho que faz parte!!!
    tudo tem seu lado bom e ruim, hoje colho os frutos da minha luta, em manter a rotina, eles dormem a noite inteira desde 10 dias de vida, dormem as 8 da noite os dois para que eu possa curtir meu marido, enfim!
    ai ai, foi um desabafo e um consolo pra vc, se mantenha firme, pois quando o filho é mal educado a culpa é da mãe mas quando ele é certinho, educado é pq a mãe é estressada, controladora???????????? Ah me poupe!
    Bjos

    Comentário by Ana Paula Soares — fevereiro 13, 2012 @ 5:32 pm

  11. Lu, me sinto assim também. Sou chata assumida e – o pior – a Ciça já descobriu isso. Me chama de chata, diz que eu sou brigona e já falou que queria ter uma mãe menos brigona (imagina como me sinto?) e até que queria ser filha de outra pessoa (a professora, algum personagem de desenho). Triste, né? Mas eu sempre penso que mãe é um ser chato por natireza. É isso mesmo, eu não sou amiga dela (no sentido de coleguinha), eu sou mãe. Eu que coloco limite, eu que digo não, não e não, eu que pago a língua e venho toda autoritária dizendo que ela vai fazer tal coisa "porque sim"… Não é fácil, não é legal, mas eu acho necessário. Às vezes eu também queria me importar menos com coisas estéticas, de alimentação, culturais etc. , umas vezes consigo, mas na maioria dos casos, não. As regras são mais para mim do que para ela… Beijos, colega, tamo juntas!

    Comentário by Paloma — fevereiro 13, 2012 @ 5:37 pm

  12. Como mãe de dois, posso dizer que tudo vai ser diferente no segundo filho. Primeiro, porque cada filho é um filho e cada um precisa de uma educação personalizada. E segundo, que nao dá pra ficar 24 horas por dia em cima de uma única crianca. Maternidade é um eterno cuspir pra cima…

    Comentário by mari mari — fevereiro 13, 2012 @ 8:37 pm

  13. Lu, relaxa um pouco!!! eheh!!! Sei que é bem difícil de uma mãe relaxar, pois são tantas responsabilidades, né?
    Mas vc tem que ter algum momento seu…

    Bjinhos

    Comentário by Carol Meoli — fevereiro 13, 2012 @ 9:32 pm

  14. Sinceramente, acho q vc é um exemplo. Nada melhor pra se deixar a esse mundo que um filho bem criado. Continue assim… Tenho certeza q ele um dia lhe agradecerá. Bjs!!!

    Comentário by Dani — fevereiro 13, 2012 @ 10:14 pm

  15. Luiza, desde que me tornei uma "potencial gestante", descobri o seu blog e me amarro nos seus posts. Sou fã, rio e me emociono, reflito e me apaixono todos os dias por esse desconhecido mundo materno/paterno.
    Acho que não serei tão exigente, mas vejo sentido em tudo que você diz. Também já quis ser filha se outra mãe (até afilhada de outra madrinha), e hoje olho pra trás e vejo que não teria feito melhor se estivesse no lugar dela. Acho que o Benjoca vai sentir isso um dia, mesmo que doa e que demore a passar. Beijo grande.

    Comentário by Paloma Dias — fevereiro 13, 2012 @ 11:12 pm

  16. Adorei!Bom saber que não sou a única a achar péeeeessimo ouvir adultos falando como debilóides…papar…mimir…pinxeja…blaghhhhhhhh!!!

    Comentário by sandra — fevereiro 14, 2012 @ 9:21 pm

  17. Oi Luíza! Adorei seu texto, gostei das reflexões. Ainda não sou mãe mas me identifiquei com muita coisa. Seu texto me fez lembrar um livro que li sobre os arquétipos femininos "A Deusa Interior: um guia sobre os eternos mitos femininos que moldam nossas vidas" de Jennifer e Roger Woolger. Os autores falam sobre as diferentes personalidades femininas e de como elas se relacionam de maneira diferente com questões como maternidade, sexo, vida profissional etc. Muito interessante. Abraço!

    Comentário by Gabi — fevereiro 16, 2012 @ 9:50 am

  18. menina, é sempre um consolo lembrar q existem outras "surtadas" como eu, pq às vezes vem a sensação de que vc ta pirando e que é pura falta de capacidade de lidar com uma situação exigente, que é o "estado de mãe"… um beijo

    Comentário by juliana — fevereiro 20, 2012 @ 5:51 pm

  19. OI adorei o post, realmente é um alivio saber que existe por ai outros estressadas como eu, meu filho só tem 7 meses, e meu marido ja diz que sou neurotica, eu quero que o Pedro goste de coisas saudaveis, frutas, legumes e saladas, eu sei que é inevitavel e ele vai acabar comendo doce, mas me irrita saber que eu casa eu faço de um jeito e na casa da minha sogra é diferente….. me irrita nao me perguntarem o que pode ou não dar a ele…………… ele so tem 7 meses e logo eu vou ter ulcera hehehe

    Comentário by lucila — abril 21, 2012 @ 10:59 pm

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