07 de agosto

mama, constança, mama

por luíza diener

mama

amamentar: um dos meus assuntos e ações favoritos dentro do tema maternidade. durante a gravidez eu sonhava que amamentava meu bebê. sonhava como um momento mágico. sonhava que tentava amamentar e não conseguia. sonhava que esquecia de amamentar. independente do sonho, lá estava essa questão pendente no meu inconsciente.

no instante em que constança nasceu eu acoloquei no peito, quase que num reflexo instintivo. mas ela não pegou de imediato. acredito que, como eu, ela estava cansada demais por causa do parto.

algum tempo depois – não lembro se foram minutos ou horas, porque minha noção de tempo estava distorcida – ela mamou.

pra sempre vou lembrar dessa hora. estávamos sozinhas no quarto, sem ninguém para conversar ou distrair. coloquei ela junto ao seio, naturalmente, e então, naturalmente, ela aceitou.

até então algumas coisas eram vagas pra mim. durante a gestação, a ideia de ter um bebê não era muito concreta, apesar de eu saber em teoria o que me esperava. apesar de conversar com o bebê, imaginá-lo sempre, fazer planos e planos, isso foi mínimo comparado ao momento em que finalmente a tive em meus braços.

ali, deitada na minha cama, com ela mamando, senti um amor me invadir de um jeito que acho que nunca encontrarei palavras para descrever por completo. foi como se naquele exato momento todo o amor que sinto por ela me invadisse de uma vez só.

receba amor condensado de uma só vez! receba! shu!

ela pegou o peito bonitinho. ficou ali, com aquela boca de peixinho mamando e mamando. era como se ela e eu tivéssemos feito aquilo a vida inteira. como se tivéssemos nascido para isso. claro que nem tudo são flores e eu tive alguns probleminhas que narrarei adiante.

nos primeiros dias foi só colostro. e, como disse no post do colostro, ela pedia pouquíssimo para mamar. só acordava por causa de fralda suja e olhe lá. aí eu aproveitava que a troca da fralda acordava ela e colocava no peito.

aliás, o primeiro mês de vida dela foi todo assim. ela não pedia peito, ou eu não entendia quando ela queria, porque estava acostumada com o benjamin, que berrava de fome.

lady sansa não. lady sansa parecia tranquilinha na dela, suave na nave. mas era só colocá-la no peito que ela sugava com uma força tão grande que parecia que o mundo ia acabar.

dois dias depois do parto, o leite desceu. fiquei feliz, comemorei, mas fiquei apreensiva com o que me esperava, porque já havia passado por aquilo anteriormente.

quando o leite vem, o corpo não sabe de quanto o bebê precisa. o que vai determinar isso é a frequência com que ele mama. e aí aconteceu: o leite desceu de uma vez (receba leite condensado! receba!).

meu peito encheu que parecia que ia explodir. ficou enorme. veio tanto leite que ficou tudo entupido. eu tentava ordenhar e não saía uma gota sequer.
nessas horas, a vantagem de ser mãe de segunda viagem é a experiência. por isso, para o peito empedrado, fiz algumas coisas que funcionaram com o benjamin também e vou passar as dicas aqui:

  • massagem: é bom usar um óleo vegetal para facilitar. na falta de alguma coisa mais específica (todo mundo diz que óleo de semente de uva é bom) eu usei azeite mesmo e surtiu um ótimo efeito. a massagem deve ser feita em movimentos circulares, ao redor de todo o seio, na direção peito-mamilo. o mamilo também deve ser massageado para ficar mais macio e facilitar a pega do bebê. o ideal é massagear algumas vezes por dia. quando o leite empedra, a saída é mais difícil, o que complica pro bebezinho, que ainda não tem muita força.
  • ordenha manual: não sei pra vocês, mas ordenha me lembra vaca e no fundo, no fundo, foi assim que eu me senti algumas vezes, mas depois entrei num romance com a amamentação e passou. divagações à parte, esse foi um santo remédio. demorei quase 2 anos para aprender a ordenhar, mas aprendi. e vi a diferença que fez ordenhar após as massagens (antes disso era quase impossível). falo da ordenha manual porque, se você estiver com o mamilo rachado amiga, vai doer.
  • concha de amamentação: há quem ame, há quem abomine. pra mim foi uma salvadora da pátria. vocês não estão entendendo… meu peito ficou lotado nas duas vezes. era colocar a concha e, minutos depois, ela já estava cheia. tinha que tirar logo antes que transbordasse e molhasse sutiã, blusa, tudo.não usava diretão, o dia todo, não. colocava quando via que tava muito cheio e ela ainda não queria mamar. e também colocava durante as mamadas, no seio oposto. ajudou demais.
  • mamar, mamar, mamar: essa tarefa é toda do bebê. a sua é ficar atenta para os sinais dele. pode ser que ele seja apavorado como benjamin. pode ser que ele seja discreto, como constança. ou pode ser que ele tenha seu próprio e peculiar jeito de pedir para mamar e você vai precisar aprender a identificar. não tenha medo de acostumar mal. a tarefa do bebê é mamar, dormir, crescer. a sua é cuidar para que isso aconteça da melhor maneira possível. então deixe que ele mame à vontade, para que seu corpo entenda o ritmo do bebê e passe a produzir conforme a necessidade dele.

o peito foi desempedrando, mas eu arrumei outro problema: fissura nos mamilos. ok, não foi aquela coisa absurda daquelas histórias que a gente lê por aí que sangra, dá pus e tudo mais. mas feriu, formou uma pelezinha branca e doeu. doeu demais! toda vez que ela queria mamar eu via estrelas. algumas vezes dava vontade de tirar ela de uma vez. o reflexo era de sair na mesma hora, mas aquilo acabava por machucar ainda mais. aí observei algumas coisinhas que ajudaram bastante:

  • posição durante a mamada: notei que a hora que mais machucava durante a amamentação era de manhãzinha. fui tentar descobrir a razão e vi que era por causa da má posição durante a noite. ela pedia para mamar, eu deitava com ela na minha cama e acabava por dormir. no escuro, de qualquer jeito e com uma bebê que ainda estava aprendendo a arte de mamar. resultado: seios feridos. percebi que ela ficava deitada de barriga pra cima e só com a cabeça virada pro meu peito. o mesmo no meu colo. então passei a amamentar sentada, cheia de almofadas para apoiar o corpinho dela, meus braços e minhas costas. sim, porque a posição do bebê é importante, mas a da mãe também. se você estiver desconfortável não vai conseguir amamentar direito e pode acabar querendo terminar as mamadas antes, para aliviar a sua dor.
    também deixei ela bem coladinha comigo, barriga virada pra mim, bem pertinho.
    amamentar sentada pode ser mais fácil, mas não nos primeiros dias de pós parto. o ideal é tentar várias posições, até encontrar a melhor e mais confortável para os dois.
  • a pega correta: muito se fala sobre a “pega” do bebê. como é isso? quando o recém-nascido quer mamar, costuma abrir a boca à procura do peito. essa hora minha amiga, é a sua oportunidade. você pega o seu mamilo e entucha ele dentro da boca do guri ou guria. tem que fazer ele pegar a aréola toda ou o máximo que for possível. se ele ficar mamando só na pontinha do bico, pre-pa-ra, que vai ser hora de uma ferida poderosa. a tal boca de peixinho é o seguinte: os lábios do bebê têm que ficar virados para fora. se perceber que o lábio está pra dentro, isso pode atrapalhar o vácuo que a sucção correta promove. além do bebê engolir ar e isso dar gases nele, pode machucar você também. a pega incorreta vem acompanhada de dor (se o bebê pega certinho e seu mamilo não está ferido, não é pra doer!). se isso acontecer, coloque seu dedo mindinho no cantinho da boca dele até abri-la (não puxe de uma vez). deixe ele procurar o peito de novo e entuche mamilo outra vez.
  • tratando dos mamilos feridos: faça-o da forma mais natural possível. viu que o peito começou a doer? passe seu próprio leite no mamilo e deixe secar naturalmente. aliás, o melhor a fazer é deixar as peita de fora por quanto tempo você conseguir. sol também ajuda a tratar as feridas.

pronto. em poucos dias tudo voltou ao seu normal e começamos uma nova etapa de amamentação. ela passou a mamar melhor e por muito mais tempo. com 25 dias de vida já tinha engordado 1,1 kg e eu fiquei toda orgulhosa da minha pequena. também passou a mamar mais à noite e dá-lhe acordar. mas faz parte do processo.

se você me perguntar de quanto em quanto tempo ela mama e quanto dura cada mamada, eu não saberei te responder. mas posso te dizer o seguinte: ela mama sempre que pede e que eu posso dar.
a desvantagem do segundo filho é que não dá pra parar tudo que se está fazendo pra contemplar a cria mamando. às vezes preciso fazer isso enquanto como. noutras, enquanto brinco com o mais velho. mas a verdade é que, sempre que dá, eu paro para admirar a pequena e estabelecer aquele vínculo esperto.

nem sempre é fácil, mas a amamentação é o melhor presente que uma mãe pode oferecer ao seu bebê, especialmente nos primeiros meses de vida. é alimento e amor em forma de leite. ele sai ganhando, mas a gente também.

estou curtindo muito poder amamentar novamente após seis meses de recesso.
e que venham mais meses. que venham os anos!

*sobre a foto: esta semana foi a primeira vez que constança me olhou nos olhos enquanto mamava, justamente na semana mundial do aleitamento materno. por sorte eu estava com o celular e pude captar o olhar dela pra mim (não pra câmera).

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categorias: amamentação, constança, para bebês, para mães, publicidade

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13 Comments »

  1. lindo post, muito informativo! também adoro amamentar, to me preparando já rsrsrs

    Comentário by Mariana Lins — agosto 7, 2013 @ 11:39 am

  2. Luíza, sua linda….vc é sempre tão doce com suas palavras que é impossível não se emocionar!
    Amamentar é linda. é algo que vamos lembrar e carregar para o resto de nossas vidas <3

    Comentário by Carla Nascimento — agosto 7, 2013 @ 11:50 am

  3. [link para post do colostro]

    Comentário by ANA — agosto 7, 2013 @ 12:05 pm

  4. " a tarefa do bebê é mamar, dormir, crescer. a sua é cuidar para que isso aconteça da melhor maneira possível"
    Sem mais!

    Amamentar é tudibão *–*

    Comentário by Camila Lima — agosto 7, 2013 @ 12:23 pm

  5. Que fofa a mãozinha dela agarrando sua blusa 🙂
    Me deu uma saudade de amamentar agora….mas já amamentei 2 e encerrei a fábrica 😉

    Comentário by Monica — agosto 7, 2013 @ 1:35 pm

  6. Luíza, eu aprendi com a minha médica a usar uma luminária com aquela lâmpada que esquenta para que o calorzinho da luz substitua a luz do sol. Mas tem que ser a uns 20 a 30cm de distância e por pouco tempo para não piorar. Ajuda a cicatrizar depois que fica ferido e a fortalecer quando não feriu. ; ) É bom para quem, como eu, pariu no inverno e mora num apartamento cheio de vizinhos e totalmente impróprio para um topless. rsrsrs

    Comentário by Gabriela — agosto 7, 2013 @ 3:32 pm

  7. Nao sei se alguem passou por isso, mas se sim, vai ai uma dica:
    Eu sentia o empedramento (junto da dor horrorosa) mas nao na mama inteira, apenas em pontos isolados. E percebi que a unica forma que conseguia fazer com que esse ponto isolado se desempedrasse era encontrar uma posicao em que a succao pegasse o leite exatamente daquele ponto. Ou seja, posicoes bem estranhas. Pelo que pude concluir, o fato de dar de mamar em posicoes (exemplo ele com a barriga na minha barriga) nao muito variadas é que acabava causando o empedramento nesses pontos especificos. Entao a solucao foi, toda vez que via que uma das minhas mamas estava mais duras em determinados pontos, nao esperava empedrar e comecar a doer, eu já tratava de fazer malabarismo (colocava o bebe mamando na minha lateral como se ele ficasse em baixo do meu braco, ou tentava outra, deixar ele meio sentadinho (com apoio de almofada, ou deitava com o bebe). Dessa forma conseguia que o leite pudesse ser esvaziado deforma uniforme.

    Comentário by Mari — agosto 7, 2013 @ 4:06 pm

  8. Nossa, amamentar o segundinho é outra história! Meu Benjamin parece que já nasceu sabendo, empurrava o peito com a mãozinha desde o primeiro dia pra ajustar a posição, haha! É tão lindo quando a gente ja sabe o que fazer – parece que o corpo já aprendeu também! Eu tive bem menos tempo de transbordamento – leia-se, peito vazando o dia inteiro – desta vez. Só o mocinho é que mamava demais, o dia inteiro, e depois voltava uma quantidade absurda de leite. Ainda bem que passou logo, porque assustava até o pediatra!

    Comentário by Anamaria Kaiser Saggin — agosto 7, 2013 @ 5:19 pm

  9. Gente, ela é linda demais!!

    Comentário by Ivana Gibara — agosto 7, 2013 @ 6:48 pm

  10. Tive mastite no meu segundo filho (com febre e tudo) e quem resolveu foi meu marido, que é acupuntor, só com as agulhinhas. Então fica a dica, que acupuntura pode ajudar sim, e de quebra é natureba 😉

    Comentário by Monica — agosto 8, 2013 @ 3:40 pm

  11. Olá, adorei o seu blog, ao ler alguns posts, vi que você é uma pessoa esforçada que só quer falar e ser ouvida na blogosfera, assim como eu. Posso dizer que gostei muito do que li, vc tem um potencial enorme e sei que será um grande blog de fácil entendimento e conteúdo gostoso de ler. Sou Luciana Shirley do blog http://coisasecoisasdalu.blogspot.com.br/ se desejar me visite e siga, mas só se gostar, eu vou retribuir seguindo também o seu.

    Comentário by Luciana — agosto 10, 2013 @ 10:04 pm

  12. A Constança é linda demais, meu Deus! Que amor!

    Bateu saudade de amamentar bebezinho de colo, viu. Claro que depois da fase inicial de adaptação, porque no meu caso sangrou, quase morri de dor. Apelei pros bicos de silicone até o machucado sarar e, graças a Deus, a Clarissa não desacostumou do peito e pude continuar normalmente.

    Aproveita mesmo o quanto puder, são momentos inesquecíveis… :')

    Comentário by Helen — agosto 11, 2013 @ 12:07 am

  13. sou mãe de primeira viagem meu filho vai fazer dois meses. Ele só acalma no peito e mama muito só quer meu colo se ele dorme e eu tento colocar no carrinho chora muito mama tanto q chega gorfar.Fico preocupada pois volto trabalhar em novembro e não quero ver ele sofrer hj posso da mama o tempo todo pois meu marido me ajuda fazendo serviço mais e depois se ele não acostumar com ninguem tenho medo de estar fazendo tudo errado.bjs e adorei o potencial gestante.

    Comentário by jessika dias — agosto 15, 2013 @ 7:55 pm

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