10 de maio

Medo de homem: E se meu filho for gay?

por hilan diener

Não sei os homens que lêem o blog, mas passou pela minha cabeça “ E se meu filho for gay?” Antes que me crucifiquem quero dizer que me preocupo mais com a saúde dele do que sua futura sexualidade, mas que passou isso na minha cabeça passou, um medo que tenho certeza que passa na cabeça da maioria dos homens.

Quando tomei consciência que seria pai de menino algo estranho começou a se formar dentro de mim. Fiquei com um estranho desejo de ver os gols da rodada do brasileirão. E vi! Coisa que eu nunca fiz.  E me senti pressionado – por mim mesmo – de comprar um carro. A impressão que eu tenho é que gostaria que o Benjamin me olhasse e visse um exemplo de homem macho, machão com M maiúsculo. Pura bobagem, mas tá acontecendo o que eu posso fazer?

Percebi que o meu padrão de masculinidade se construiu não em oposição a feminilidade, mas com o intuito de impedir a homossexualidade!

E creio que a maioria dos pais da geração passada pressionou os filhos de todo modo a ser um machão. Será que justifica este pavor todo? Então fui ver o que já tinham escrito a respeito dos homens e vemos que existe MUITO mais literatura para as mulheres e seus medos do que para nós. Lógico! Afinal “medo é coisa me maricas!.”  Porem existe um livro fantástico que ganhei de um amigo tempos atrás. Eis:

Este livro é uma abordagem psicológica do homem por inteiro, como ele realmente é. E por que é como é. É incrível como você vai lendo e relembrando das coisas que construíram sua masculinidade e como a figura do pai tem fator importantíssimo na sua construção da identidade.  O autor revela que com o passar do tempo, o homem descobre que “ser homem” não é aquilo que ele esperava, pois a nossa sociedade diz que o macho da espécie sempre está com tudo, que tem direito a tudo, mas no fundo percebe que na hora da conquista é o homem que tem que se adequar e tomar a iniciativa na hora da abordagem e se revolta com isso, pois na cabeça dele o homem “é o que pode tudo”, mas agora ele vê que é o homem que tem que se adequar ao que a mulher quer ouvir ou que ele tem que ser aquilo que a mulher valoriza e usa de todos os artifícios e mentiras para conquistar essa mulher!

Segundo o autor existe dois tipos de homens:

1) Os egoístas – São os homens “machões” típicos, bons de briga e que não levam desaforos para casa, são grandes conquistadores, mas no fundo não gostam das mulheres, pois desenvolveram um método de conquista apenas para levar as mulheres para a cama. Eles tem muita raiva das mulheres e “se vingam” conquistando-as e levando-as para a cama para depois esperar que elas corram atrás deles!

2) Generosos – São os homens sensíveis, tímidos, não são os “machos padrão”! Esses são aqueles que levam desaforos para casa, são os “nerds”, os bons no estudo, fogem das atividades esportivas e também fogem das mulheres por não terem desenvolvido a raiva que os machões tem delas e são muito amigos delas, porém se frustam em ver os machões sairem com milhares de mulheres por ano e eles quando muito conseguem namorar apenas uma mulher durante sua vida inteira!

Separei algumas frases do livro para vocês para terem idéia de como é forte e honesto:

“ A supervalorização da agressividade como parte da masculinidade determina um associação da raiva ao desejo sexual, que, em muitos homens, jamais desfaz. Os machões têm raiva das mulheres e as desejam; mas gostam mesmo é dos homens, seu amigos. Os homossexuais têm raiva dos homens e os desejam; mas gostam e são amigos das mulheres.”

“Mesmo nos ambientes familiares mais ‘sofisticados’ existe a tendência para impor aos meninos o padrão oficial de masculinidade… Não tenho noticia de nenhum caso em que um menino de 8 anos de idade tenho chegado em casa chorando porque algum outro bateu nele e seu pai – ou mãe – tenha dito: ‘ Meu filho, faça como Cristo: ofereça a outra face” Quem oferece a outra face é bicha!”

“ A exigência familiar e social no sentido de o homem ser um profissional destacado é brutal. Mais importante do que ser feliz é ter sucesso profissional, é ser motivo de orgulho para a família.”

Você acha este livro para comprar aqui

Quero saber de vocês? que acharam?

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categorias: pai grávido

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21 Comments »

  1. acho essa angústia totalmente normal… a gente tem medo que as escollhas do filho/a o tornem muito vulnerável numa sociedade tão preconceituosa. Mas, pensa uma coisa: hoje em dia é bem mais fácil ser diferente do padrão do que quando nós nascemos, então se nossos filhos forem homossexuais não sofrerão tanto… conflitos eles terão em outras áreas da vida também! Mas, o mais importante é que sejam felizes por serem honestos com seus desejos e com sua família, né? Não se preocupe tanto com isso! Seja espontâneo e passe para seu filho o que você tem de melhor como homem e como ser humano! Parabéns pela honestidade, isso já mostra uma qualidade fundamental para ser um bom pai!

    Comentário by Carolina Pombo — maio 10, 2010 @ 2:14 pm

  2. Obrigado pelo comentário. Espero sinceramente que eu consiga ser espontâneo.

    Comentário by hilandiener — maio 10, 2010 @ 2:54 pm

  3. Existem muito mais homens entre o egoístas e o generoso do que supõe nossa vã filosofia…

    Comentário by lia — maio 10, 2010 @ 4:34 pm

  4. Eu tb acho. Ele fala que existem as variáveis e tal, mas que os dois grandes grupos e mais comuns são estes.

    Comentário by hilandiener — maio 10, 2010 @ 4:49 pm

  5. Acho legítimo a sua angústia (oi?). Apesar de ser mulher também pensei dias atrás: e se meu filho for viado??? Compartilhei isso com meu marido e fiz piadinha, mas na verdade é que a gente não está preparado para lidar com nada fora do padrão social esperado. Depois que Alice nasceu, escrevi sobre isso em um blog, o Desabafo de Mãe. Afinal, a minha preocupação não surgiu só agora, eu também pensei: e se ela for sapata??? Meu post foi selecionado e publicado na coluna do Noblat. Pensa na repercursão!!! Nos comentários mais sem noção. Eu morri de rir ao perceber como a sociedade é preconceituosa e tem o pensamento linear.
    Continue dividindo com a gente essas questões. Acho muito bacana!!! E vai pensando nos programas de macho que vai fazer com o Ben.

    Bjsss

    Comentário by Tathy — maio 10, 2010 @ 1:53 pm

  6. Pelo visto não sou só eu né? Que bom! Acho que a cobrança para mulher é bem menor. Abs!

    Comentário by hilandiener — maio 10, 2010 @ 2:53 pm

  7. Geeente tô bege…
    meu marido é a descrição perfeita do tipo "Generoso" em TODOS os aspectos!
    achei bom até!

    Comentário by Denise — maio 10, 2010 @ 7:29 pm

  8. hahahah! tá vendo como o trem parece! é incrivel

    Comentário by hilandiener — maio 10, 2010 @ 7:45 pm

  9. acho que se seu filho for gay, terá a sorte de ter um pai compreensível e acolhedor. Quem deseja mais que isso dos pais?
    =)

    Comentário by amanda — maio 10, 2010 @ 11:19 pm

  10. Acolher e compreender não é facil. Mas com amor tudo é possivel né?

    Comentário by hilandiener — maio 11, 2010 @ 8:30 pm

  11. Puxa, que alívio saber que outros pais também pensam como meu marido, que é do tipo “generoso”… Perfeita descrição!

    Li um livro, também ótimo, que recomendo:
    Educando Meninos (James Dobson)

    Comentário by Mariana — maio 11, 2010 @ 4:24 pm

  12. Mariana tem o link deste livro?
    Depois pede pro seu marido dá uma olhada no site tá?

    Comentário by hilandiener — maio 11, 2010 @ 8:32 pm

  13. Eu e minha esposa ( que está grávida do Cauê) conversamos sobre o assunto e posso dizer que foi uma ótima conversa. Chegamos a conclusão de que os valores que pretendemos transmitir à nosso filho passam pelo caráter, respeito, honestidade, ética. Enfim, descobrimos que o mais importante é ser DO BEM. Sejam quais forem suas escolhas, pretendemos ter a mente bastante oxigenada para discutir sobre o assunto, respeitá-las e apoiá-las. As escolhas que envolvem absoluta paixão relegam os rótulos à um patamar de menor ou nenhuma importância. Boa sorte e felicidade à todos.

    Aguardamos a visita: http://pinguinhodegente.wordpress.com/

    Comentário by pinguinhodegente — maio 13, 2010 @ 7:18 pm

  14. É MEU CARO (a) acredito que se nós formos um bom pai e uma boa mãe , jamais quereriamos que nossos filhos fossem um bom homosexual, não vamos ser hipócritas, vamos assumir uma postura de uma família natural que não quer o pior para os nossos filhos, vamos encarar o fato de que certas decisões que nossos filhos tomarem, serão baseadas pelos fundamentos da educação e exemplos que demos para eles no passado. Vamos encarar o fato de que se seu filho ou filha tomar uma decisão de ser homosexual, seu coração vai sangrar de dor, não por uma questão de preconceito mas sim que vc sabe que não é o melhor caminho para eles.Devo lembrá-los que o maior número de pessoas que se suicidam pelo mundo, são pessoas que participam das praticas a homosexuais. Pq são pessoas perturbadas interiomente com uma constante crise existencial e também de identidade própria.

    Comentário by FREITINHAS — outubro 7, 2010 @ 12:38 pm

  15. de onde o senhor tirou esta estatística?

    Comentário by aline — maio 27, 2011 @ 10:18 am

  16. qual estatística?

    Comentário by hilan diener — maio 27, 2011 @ 12:40 pm

  17. Acredito que esse medo da homossexualidade num filho não trata-se de forma alguma de preconceito e sim, de instinto de preservação da espécie. Deixando mais claro, medo de sua descendência não ocorrer. Vivemos no mundo do "politicamente correto", e falar de homossexualidade nesse contexto é um ato de coragem. Parabéns!

    Comentário by Ana Pires — junho 16, 2010 @ 3:35 pm

  18. Obrigado!!!

    Comentário by HilanDiener — junho 18, 2010 @ 9:07 pm

  19. Primeiro achei muito interessante sua idéia de escrever sobre paternidade, poucos homens se propõe a isso, talvez por que ainda na cabeça de muitos homens isso não seja importante. Você não pareceu nada preconceituoso, acho que todo homem pensa sobre isso e até mesmo nós mulheres. Eu tenho um casal e já cheguei a pensar sobre isso, mas para mim o importante é fazer dos meus filhos pessoas de bem que sejam ut´éis a sociedade. Sempre achei lamentável esse esteriotipo do machão e detesto as mães e os pais que incentivam seus filhos a serem agressivos. Custa ensinar aos filhos a não bater e a respeitar as pessoas, não só se respeita pai e mãe, mas todo mundo, por que todos somos iguais. Adoro o Flávio Gikovate, já vi várias palestras com ele e concordo todo mundo fala de Jesus, ams ninguém prega o que ele faz, acho lamentável um pai que diz se apanhar na rua apanha em casa, gente isso é retroceder no tempo. Não há lugar para neo barbáros,hoje estudamos, temos argumentos auficentes para resolver nossos conflitos com palavras não com socos. Eu vivo em conflito com meu marido por que ele acha que bateu levou, até concordo que se alguém te bate você tem direito a defesa, mas não vou ficar transmitindo esse tipo de valor aos meus filhos. Meu marido apanhava de alguns colegas porque era pequeno e isso ficou na mente dele, mas eu também apanhei e muito enem por isso acho que mues filhos devam ser valentões. Não sei onde meu marido se encaixa, por que nunca foi pegador, nos conhecemos ainda novinhos e as meninas achavam ele feio, sem graça, e era estudioso, mas gosta de esportes e artes marciais, acho que também não dá apra se rotular os homens apenas nessas duas categorias.
    Que nós pais não incentivamos a agressivavidade em nosso filhos por puro medo ou para que el eles se encaixem em padrões masculinos que consigamos criar cidadãoes honestos, felizes e capazes de melhorar o mundo e as pessoas ao seu redor, tanto faz se els forem homo, heterro, azul ou verde. Hilan, ah vc tem bom gosto como eu, amamos uma Luísa, é o nome da minha filhota, rsrsrsrs!!!

    Comentário by Loren — junho 18, 2010 @ 3:33 pm

  20. Nossa que super comentário! obrigado!!!
    Espero que volte sempre! abs!!

    Comentário by HilanDiener — junho 18, 2010 @ 9:06 pm

  21. Fique tranquilo, querido. Papi do Céu ama o Benjamin muito mais do que todos nós e está muitíssimo interessado na vidinha dele. Que Deus lhe encha de sabedoria e amor para educá-lo a cada dia.
    Amo vocês

    Comentário by daisy — outubro 16, 2010 @ 8:00 pm

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