01 de agosto

meu segundo amor

por luíza diener

quem acompanha este blog há mais tempo (ou quem se aventurou a ler os posts escritos há mais de um ano) talvez se lembre do meu antigo caso de amor canino, o ringo. também mencionei o ringo no post da semana passada.

o ringo não foi o cachorro que eu escolhi. ele me escolheu. uma vez li (não lembro em qual livro) clarice lispector dizer que é o cachorro que tem que escolher o dono, não o contrário. e sempre concordei. foi pelo fato de o ringo ter eleito a mim como sua dona (muito mesmo antes dele ser meu) que a gente sempre se deu tão bem.
quem conheceu sabe que ele tinha verdadeira veneração por mim (faz bem pro ego, confesso) e só eu sei a falta absurda que ele me fez quando sumiu. até hoje sonho que o reencontro.

sábado eu lavei um tapete antigo que havia sido guardado limpo – teoricamente – mas que já estava empoeirado. depois de lavado e centrifugado eu encontrei uns tufos de pelo emboladinhos, parecendo um bolinho de cabelo. não eram pretos nem brancos e muito menos aquele toco de pelo de espeto. eram castanhos, macios e bem fininhos. o pelo do meu ringote (lembrei agora e os olhos se encheram de água).
hilan até brincou da gente guardar pra clonar e ter outro ringo. brinquei que se quisesse ter outro ringo eu teria comprado outro cocker, não um bulldog.

e foi isso. quando o ringo sumiu, em novembro de 2009, eu não aguentei ficar sem cachorro. eu quis outro cão, mas que não fosse cachorro de caça, nem que fosse alucinado por nadar, muito menos que fosse um cocker. até cheguei a olhar canis da raça e pensei em um de outra cor, mas na verdade eu enfiei na minha cabeça que não queria um cão que remetesse a ele, pois não queria ocupar o seu lugar.

sem que eu soubesse, naquele mesmo mês o tov nascia.
no começo de janeiro de 2010 ele veio para a nossa casa.
aquela bolinha monocromática de latido rouco e raro e orelha caída (sim, a orelha dele ainda não tinha levantado). não tinha um dente na boca, era super curioso e encrencava com toda caixa e garrafa que via na frente.
achei que finalmente realizaria o sonho da minha vida de ter um cachorro da raça que eu escolhi, comigo desde filhotinho. ia ser lindo, eu sabia.

mas não. foi ele pisar as patas no meu apartamento e eu comecei a encrencar com aquela coisa mais fofa do mundo, sem entender por quê. hoje eu tenho certeza que era o meu subconsciente lutando pra não deixar o lugar do ringo ser ocupado (como se isso fosse possível).
duas semanas e meia depois eu descobri que estava grávida. passei a gravidez in-tei-ra encrencando com ele. tudo que ele fazia eu exagerava e ficava com medo de quando viesse a ter um filho. será que eu ia dar conta, sendo que mal aguentava um cãozinho?

sete meses depois o benjamin nasceu. ficamos duas semanas na casa do meu avô e o tov passou quase um mês na casa do meu cunhado. ele voltou e eu percebi que morri de saudade. mas não consegui conciliar direito o bebê humano e o peludo e o tov ficou meio que de escanteio.

no começo do mês passado fomos ao rio de janeiro e o tov voltou a ficar na casa do “tio” (ele é muito querido por lá).
paralelo a isso houve a suspeita de o benjamin ser alérgico ao cão, então decidimos deixa-lo (o cão) mais uns dias por lá para ver se a suspeita era verdadeira, mas não fez diferença alguma.

quase seiscentas palavra para dizer que, depois de três semanas, ontem o tov voltou para casa.
fiquei tão, mas tão feliz de vê-lo que não sabia se cumprimentava os cunhados, o sobrinho, a sogra ou o cachorro (com todo o respeito, família, mas vocês entendem, né?).

é uma coisa que pode até parecer besta pra quem não tem ou não gosta de cachorro, mas to escrevendo aqui com o coração quase explodindo de alegria.
a casa vai voltar a ficar cheia de pelos, cheirando a xixi e bufa de cachorro, mas quem se importa? o nosso filhote está de volta!

e igual quando a gente tá naquele namoro vai-não-vai, termina, morre de sentir falta e, quando volta, promete que vai fazer tudo diferente, agora eu to nesse sentimento de valorizar mais e cuidar mais desse pequeno.

o amor e o querer que eu tinha pelo outro cão agora está de volta.

aí vocês puxam a minha orelha pra ver se eu to cuidando direitinho desse morceguinho peludo, tá?

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categorias: amor

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10 Comments »

  1. Ahhh …… Eu te entendo em relação a perda de um caozinho e a vinda de um filhote tempos depois……
    As vezes se você tivesse ficado + de 'luto' e depois arrumado outro caozionho, vc teria curtido + a fase de filhote dele! =)))
    Espero que agora vocês se dão bem e fique em harmonia em casa com o Tov….
    Eu sou tããão apaixonada pelo meu bulldog mas tãããããão que qdo viajei no Carnaval, tinha vontade de ligar 3-4 vezes por dia para perguntar como vai o soltador de pelo desengonzado hahahahaha……
    Beijos e ate +! =)

    Comentário by @luluzinhaaaaaa — agosto 1, 2011 @ 12:10 pm

  2. óin!
    eu AMO meus filhos caninos tb, mas ando implicante com eles. Todo relacionamento acaba que é assim, né?

    Vida longa pro relacionamento de vcs com o Tov!

    beju beju

    Comentário by Carol — agosto 1, 2011 @ 12:57 pm

  3. Ainda bem que a fase boa voltou!
    Imagino a saudade que ele estava também…

    Beijosss

    Comentário by Talita — agosto 1, 2011 @ 2:02 pm

  4. Aiaiaiai
    que delicia eu amoo dogs mas sei que tem hora que da um mega tabalho e na gravidez acho que nossa prioridade é outra estranho isso né

    beijos

    Comentário by Maya — agosto 1, 2011 @ 3:03 pm

  5. Lu, só a gente que tem peludo em casa sabe o que é esse amor! Adoro! Beijo, querida

    Comentário by Dani — agosto 1, 2011 @ 3:37 pm

  6. Também sou louca por cachorros, animais em geral! Sei exatamente o que você está sentindo. Eu já tive um bulldog francês tb, se chamava Nero e era a coisa mais querida do mundo!!! Que saudade eu tenho! Pode deixar que eu puxo mesmo a orelha para saber s o Tov está bem cuidado e amado como todo cão merece.

    Só queria dizer mais uma coisa, vocês não me conhecem, mas eu acompanho o blog há mto tempo. Mesmo antes de me casar, e eu nem estava planejando filhos. Só gosto do assunto e ficava sonhando com o futuro "distante". O futuro se tornou presente e descobrimos hoje que estou grávida!!!! ehehe Não sei explicar, aliás sei! Senti vontade de contar para vocês pq aqui no blog aprendi tanto, me emocionei com vocês, com o Benjamin, sonhei tanto ao ler cada post com o dia que chegaria a minha vez. É isso! Beijos nos 4!!!

    Comentário by Thalita — agosto 1, 2011 @ 4:20 pm

  7. Ai, Lu! Que post lindo. Amo cachorros demais e tenho uma mania doida de adotar os abandonados na rua. To vendo a hora que meu marido vai perder a paciência comigo. Cuida direitinho do Tov, ele é mto fofo. Sou louca por bulldoguinhos. Bjbj

    Comentário by Fabíola Pisetta — agosto 1, 2011 @ 8:09 pm

  8. Muitas vezes as pessoas passam a detestar animais depois que os filhos nascem, mas quem gosta deles de verdade nunca vai deixar de gostar e cuidar deles com todo o carinho, o tempo diminui, mas o amor não. Além disso acho super legal as crianças crescerem com animais, Benjamin e Tov serão grandes amigos, tenho certeza!
    Beijos

    Comentário by Kelly — agosto 1, 2011 @ 9:55 pm

  9. Apoio total ao fato de as crianças crescerem juntinhas com algum bichinho de estimação!
    beijinhos 😉

    Comentário by Sabrina — agosto 2, 2011 @ 1:17 am

  10. aaiii eles são a coisa mais fofa desse mundo

    Comentário by Marcela — setembro 27, 2013 @ 10:15 am

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