25 de abril

minha filha não comia. agora come.

por luíza diener

sansalee

a introdução alimentar da constança teve um início meio fiasquento: começou comendo alguma coisa, mas logo rejeitou os alimentos, ficou doente, associou comer à doença. ela tinha 6 meses. ficou quase até os 7 adoentada e eu segurei a amamentação até lá, volta e meia oferecendo alguma fruta, só pra constar, visto que ela rejeitava tudo.

passamos três meses tentando dar comidinhas amassadas, sem muito sucesso.
aí me rendi ao blw  – que resumindo de um jeito bem leigo e tosco, trata-se de dar a comida em pedaços para o bebê comer sozinho – e foi assim que ela recuperou o interesse pelos alimentos. até então, olhava pra gente comendo e era a mesma coisa que nada. se eu tentava dar algo pra ela, ela fechava a boca e virava a cara mesmo. não apavorei porque sabia que ela estava garantida no leite materno, mas continuei a insistir.
foi então que, com quase 9 meses, ela aceitou uma colheirada de feijão. fiquei feliz da vida, soltei fogos e quase liguei pra família para fazermos uma festa de comemoração.
não fiz isso, mas escrevi este post e recomendo ele aos interessados em saber mais sobre essa história.

foi a partir daí que o feijão salvou nossas vidas. desde então, praticamente toda comida que eu dou pra ela contém feijão. percebo que ela come infinitamente melhor se ele estiver presente em sua papinha.
claro que ela continuou a comer pouquinho, afinal esse nunca foi seu forte. mama moderadamente, come moderadamente. não dá pra esperar muito mais que isso, né?
então o comer muito dela era tipo o equivalente a uma colher de sopa nos primeiros dois meses e duas colheres de sopa nesse último mês. todos felizes, todos contentes e zero expectativa de que passasse disso.

e como está o blw e esse lance todo de comer com a mão? cada vez menor. conforme ela passou a aceitar a comida na colher, eu passei a cada vez mais amassar com o garfo e dar diretamente na boca dela.
entusiastas e amantes da causa, acho lindo, mas no estado de cansaço que me encontro com esse lance dona de casa/mãe de dois/blogueira, a praticidade é minha melhor amiga. então, se eu vou ter que dar banho nela de qualquer jeito e quero comer em paz, coma com a mão, minha filha. mas se eu preciso comer rápido e não dá tempo praquele banho esperto, vou dando papinha pra ela com uma mão e comendo com a outra, sem espaço pra bagunça e sujeira.
algumas vezes amasso tudo no garfo, separo comida por comida pra ela provar o sabor de cada uma. mas se vejo que tem alguma coisa que ela não vai gostar, escondo no meio da gororoba sem dó nem piedade, misturando tudo e tacando azeite pra finalizar.

há pouco mais de um mês – sansa com seus 9 meses e meio – parei com essa história de cozinhar tudo no vapor e passei a dar a comida da casa. agora que ela já aceita bem, já provou vários alimentos e seu sistema digestivo está um pouco mais maduro é hora de comer todos nós.
claro, por comida da casa entenda: uma comida feita com pouco sal, mas bem temperadinha. todos os temperos naturais como alho, cebola, coentro, cebolinha, páprica, pimenta do reino (sim. pouca, mas sempre presente), cúrcuma, louro, tomilho, orégano, sálvia, manjericão e por aí vai. nada de caldo knorr, ajinomoto, glutamato monossódico e esses temperos prontos. nessa todo mundo ganha.
comida com pouco sal não precisa ser comida sem graça. e se hilan e eu acharmos que mesmo assim a comida está meio desmaiada, salgamos com moderação ainda na cozinha, mas o saleiro nem vai pra mesa.
benjamin já se acostumou com a comida pouco salgada. aliás, esse nosso hábito já tem quase 3 anos, desde a época que benjoca começou a comer nossa comida também.
e posso falar: comer nossa comida fez constança se alimentar bem melhor.

mas foi só agora, já está com seus 10 meses, que ela começou a comer de verdade. tem poucos dias que isso finalmente aconteceu.
comer bem, de raspar o prato, encher o bucho, não deixar nada sobrando. desde então está mandando ver, mais e melhor que o irmão (ele, que na idade dela parecia um troglodita morto de fome, hoje torce o nariz pra praticamente tudo que colocamos no seu prato).
se antes comer muito era sinal de devorar meia banda de uma fruta ou ingerir de uma a duas colheres de sopa de papa, agora ela parece um pequeno saco sem fundo.
ontem ela comeu meia goiaba enquanto esperava a hora da janta chegar, mamou, esperou mais um pouco, jantou o equivalente a um prato de sobremesa, comeu quase uma maçã inteira e finalmente perdeu o interesse. em seguida, quando fui esquentar a janta do benjoca, ela começou a chorar e abrir a boca e eu dei mais umas três colheres de sopa cheias pra ela. e ainda bebeu água. tudo isso em menos de uma hora.

ainda não está 100% porque, pra comer desse tanto, necessariamente sua comida tem que ter feijão. se ontem ela comeu arroz, feijão, uma moqueca vegetariana (que eu inventei), carne com abóbora e devorou tudo no almoço e na janta, hoje eu aproveitei o mesmo arroz e moqueca, mas servi frango e lentilha e não surtou o mesmo efeito. não mesmo. apesar de ter devorado o frango que destroçou e comeu com as próprias mãos, não deu muita bola pro arroz com lentilha e comeu a moqueca com uma cara blasé de játivi.

prince george baby george te despreza

por mim, tudo bem! enquanto estiver comendo, vou testando todo tipo de feijão pra que ela se alimente bem. vem, carioca, vem branquinho, vem guandú, vem fradinho, vem pretão, vem bolinha, vem azuki, vem todo mundo!

esse post inteiro pra dizer que, se seu bebê não come, há esperança para você também.
eu não cheguei a me desesperar não, porque sempre tive a segurança de que, até 1 ano de idade, o leite materno é o alimento principal. então tenho aproveitado esse momento para ela descobrir novos sabores, se deliciar com as mais diversas frutas, verduras, legumes, carnes, etc.
temos vivido bem sem suco, sem massas como macarrão, pão, bolo, biscoito, sem açúcar, leite, chocolate e outras tantas coisas. ela terá a vida inteira para provar e sou adepta do lema de que tudo tem seu tempo. evito dar algumas dessas coisas (e proíbo outras mesmo) porque quero que seu paladar se acostume aos alimentos naturais, saudáveis e apropriados para a sua idade. conforme for crescendo, passará a ter alguns deles introduzidos à sua alimentação, como foi com o benjamin. bons hábitos alimentares começam desde cedo e é um investimento que vale a pena.

 

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11 Comments »

  1. Ótimo texto. Uma massagem na alma de quem está iniciando a introdução alimentar. Também gostaria de saber como anda a alimentação do Benjoca, já que ele anda seletivo. Tenho uma filha da mesma idade dele e que está nessa de recusar muitas coisas :/

    Comentário by Kalidja — abril 25, 2014 @ 6:48 pm

  2. Oi, Luíza.
    Sei que não tem nada a ver com o assunto do post, mas queria saber da sua experiência.
    Tenho um bebê de 1a1m. Ele é amamentado no peito e come as comidas da casa. Durante a noite ele acorda várias vezes para mamar. Tem vários dentinhos que eu escovo de 2 a 3 vezes ao dia. Porém, hoje fui à pediatra e ela me disse que o leite materno durante a noite causa cáries. E que se eu quiser continuar a amamentar à noite preciso limpar a boca dele toda vez após as mamadas. Isso ou tirar o leitinho noturno.
    Pois bem, como foi com o Benjoca? Ele mamava à noite? Se sim, teve cáries.
    Eu tô só o pó com a amamentação (sou só peitos e cabelo). E parece que agora até a pediatra conspira contra o meu leitinho…
    E a Sansa? Como você faz a higiene bucal?
    Li e reli vááários artigos de odontopediatras, de sites de amamentação… E é totalmente controverso. Odontopediatras dizem que é cariogênico, os pró-amamentação dizem que não e que, ao contrário, previne o surgimento das cáries.
    Se puder responder, agradeço. Beijinho nos pequenos =*

    Comentário by Paula — abril 25, 2014 @ 9:40 pm

  3. Oi, Paula, tudo bem?
    Então, esse assunto é um pouco controverso e já conversei com várias pessoas a respeito. Porém, já ouvi de diversos pediatras e odontopediatras que o leite materno não é cariogênico. O leite de vaca – esse sim – pode provocar cáries, mas o que já me informei a respeito é que o leite materno justamente ajuda a preveni-las.
    Com o Benjamin eu fazia a última escovação à noite, amamentava ele à noite sem fazer nenhum tipo de limpeza e só ia escovar os dentes novamente de manhã.
    Uma vez eu discuti com uma odontopediatra justamente sobre o assunto. Não sei se ela ficou chateada, mas ficamos um bom tempo sem nos falar após essa conversa.
    Meses depois ela veio me procurar pra dizer que eu tinha razão, que ela foi atrás de literaturas e referências e que de fato o leite materno não faz mal aos dentes do bebê. E faz sentido, né?
    Não acho que certos profissionais façam isso por maldade, mas é senso comum e muitas vezes eles não se atualizam (ou não querem se atualizar/dar o braço a torcer).

    Eu sei que amamentar é bem cansativo mesmo, mas você pode tentar descansar durante as mamadas. Por exemplo, à noite, você pode dormir enquanto amamenta ele e depois é só colocá-lo de volta no berço ou onde quer que ele durma.

    Acho que mais importante que amamentar ou não durante a noite, tem que se observar os hábitos alimentares durante o dia. Como você disse, escovar periodicamente, passar fio dental em todas as escovações (mesmo que o bebê tenha dentes separados), evitar (ou melhor, não dar) doces, refrigerantes, bebidas açucaradas.
    Benjamin foi ter cárie depois de desmamar, mesmo tendo todos esses hábitos. A provável causa? Comia muito biscoito de polvilho, o dia inteiro. Isso mesmo, biscoito de polvilho, sem açúcar. Nunca tinha colocado uma bala na boca, nem pirulito, refrigerante, chocolate. Mas como ele comia, literalmente, o dia inteiro (não só o biscoito), o carboidrato virava açúcar e dava na mesma. Desde então passei a regrar mais a alimentação dele, botar uma hora pra terminar e, depois disso, escovar seus dentes.

    Faça o que seu coração estiver te falando para fazer. Benjamin mamou de dia e à noite por bastante tempo. Constança continua mamando à noite. Foi isso que meu coração me disse 😉

    Beijos

    Comentário by luíza diener — abril 26, 2014 @ 1:11 am

  4. Muito obrigada!!
    Eu amo amamentar e estava aflita com o desmame noturno.
    Ele não come nenhum tipo de doce e fiquei um tanto abismada sobre o biscoito. Meu bebê também come biscoito de polvilho (come pão francês – puro – também) algumas vezes na semana, somente pela manhã. Confesso que não passava fio dental, fui orientada a fazer só a partir dos dois anos.
    Obrigada de novo hehe

    Beijos

    Comentário by Paula — abril 26, 2014 @ 1:16 pm

  5. Amo seus textos. E bom q vc nao tem frescuras com as criancas! Rsrs… tenho dois meninos de 3 e um de 7 meses. Ta muito dificil faze-lo comer bem. De raspar o prato. Mas confio q essa fase vai chegar!! Parabens pelo seu jeito descontraido de contar sua vida de mae.

    Comentário by ana paula — abril 25, 2014 @ 10:47 pm

  6. Adorei! Minha filhota ainda tá na barriga, mais já fico pensando nas comidinhas que ela vai comer. 🙂
    Lembro também do meu afilhado que também com 7 meses comeu um baita prato de pirão de feijão. Ele adorava, foi um dos primeiros alimentos que ele comeu com gosto. Viva o feijão!

    Comentário by Graziela — abril 27, 2014 @ 9:58 am

  7. Luíza, estava pegando uma receita agora e me lembrei de vc. Já conhece a Lidiane Barbosa, nutricionista? Vale visitar o site dela (http://www.lidianebarbosa.com.br/) e dar uma olhada nas receitas. São sem glúten, sem lactose e sem soja. Já fiz algumas, embora ninguém aqui em casa tenha intolerância e tem o da Helouse )https://www.facebook.com/HelouseNutricionista?fref=ts), que é nutri tb, irmã de uma amiga minha. Tb tem receitas ótimas para quem tem restrições alimentares. Dê uma olhada! Bjão.

    Comentário by Carolina Frîncu — abril 27, 2014 @ 10:22 pm

  8. Minha mãe utilizou este método de deixar eu comer com as próprias mãos e deu certo pois hj como quase de td. Certamente irei usar com a minha filha, caso necessário.

    Comentário by Cassia — maio 2, 2014 @ 7:19 am

  9. Nossa Luiza!! Ó céus… Porque vc não teve a Sansa antes que eu tenha a mina filha rsrsrsrs sofri muitooooo com a introdução da segunda filha e na verdade sem mta informação sempre achei que, claro devagar, mas que com 8 meses no máximo o bebê já tinha que estar comendo tudo de verdade. E coitada, quem sofreu foi ela…e eu tb, óbvio, sempre angustiada porque ela não comia nada e de um jeito ou de outro tentava fazer ela comer o que eu achava que ela tinha que comer. Era Ipad, Xuxa, patati patatá…afffffff…enfim…não somos perfeitas e eu sei que errei ai…ela tb mamava no peito e muito bem…tb não deveria ter me angustiado e esperar que tudo tenha seu tempo e que ela, por si mesma, tenha interesse em comer. Teria poupado mto stress e terapia kkkk….obrigada como sempre por compartilhar com a gente! Só assim sabemos que somos normais e o que pode ser errado, pode ser normal, já que dá certo no final!! Beijos!!!

    Comentário by Carina — maio 2, 2014 @ 11:27 am

  10. O principal é que a alimentação seja saudável né? Cada fase pede um tipo de alimento, e é essencial que nenhuma fase seja "queimada" – Amamentação materna, depois suquinhos, as frutinhas e legumes bem amassadinhos e por ai vai! http://www.cdinfantil.com.br/blog/10-dicas-de-ali

    As mamães devem ficar de olho na alimentação dos pequenos!
    Bjos!
    Bruna

    Comentário by Criança Feliz — maio 21, 2014 @ 10:46 pm

  11. Luiza, bom dia!
    Estou no mesmo barco que vc, minha filha está com quase 8 meses e não quer comer, de jeito nenhum! Estou tentando, mas fico muito angustiada! Uma pergunta: quando vc oferecia a fruta, no meio da manhã ou de tarde, e ela não comia, vc amamentava ou esperava o almoço/jantar, para ela ficar com fome?

    Obrigada!

    Comentário by Loriza — agosto 14, 2014 @ 10:29 am

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