21 de janeiro

nenhum método é perfeito

por luíza diener

vetores

montessori, criação com apego, livre demanda, desescolarização, waldorf, alimentação saudável… essas expressões, dentre tantas outras, você já deve ter lido – ou ainda vai ler – aqui no blog, bem como autores que defendem certas teorias, ou práticas de vida para mães e bebês.

bato o pé veementemente contra nana nenês, encantadoras e qualquer outro método que prometa uma mudança de comportamento do bebê, especialmente por um motivo: cada bebê e criança é de um jeito e o que se aplica a um, não necessariamente funcionará com o outro. logo, esperar que todos os bebês reajam igualmente a qualquer tipo de técnica é massificar o comportamento deles, como se fossem robozinhos pré-programados que respondem com eficiência aos comandos emitidos.

justamente por seguir essa linha de pensamento, tenho que considerar sempre que o mesmo pode acontecer inclusive para métodos, pedagogias e vivências positivas.

quem lê um ou outro post meu sobre montessori, pode ter a ideia errada de que eu vivo isso ao pé da letra. na verdade, me baseio em muita coisa, mas acho que até montessori cria alguns comportamentos limitadores para as crianças (e outros livres demais) que não se encaixam com o estilo de vida que levamos aqui em casa.
exemplo disso é o quarto atual dos meninos: é um beliche com grades móveis. sim, grades! grades pequenas, menores que as de berço, que abrem e fecham, mas grades. não coube (couberam?) dois colchões no chão ou duas mini camas. então o negócio foi apelar pro bom e velho belichão e a gente vai se virando como pode.

criação com apego? lindo, amoroso, muito colo e carinho, mas confesso que às vezes deixo meu filho de castigo e não dou conta dessa de abraçar no auge da birra. não mesmo (pra quem não viu, leia este post).

livre demanda? sim. peitas sem tempo marcado, sem essa de 10 minutos em cada seio. mas se eu vejo que ela acabou de mamar, está saciada e está pedindo o peito por consolo num momento que eu tenho um turbilhão de coisas para fazer (dois filhos, gente! as prioridades se dividem de um jeito que chega dói o coração), não vejo problema em dar a pequena para ser consolada pelo pai, pela avó, pela tia ou pessoas que sei que a amam profundamente e podem fazer isso tão bem quanto eu (e sem um peito).

desescolarização? há que tirar a escola de dentro da criança (e dos pais) e lutar contra o comportamento estereotipado e massificado que muitas vezes nos é imposto sem que nem percebamos. mas já faço planos para que benjamin vá muito em breve para o jardim de infância, mesmo que eu precise lutar dentro da escola e também abrir mão de certos conceitos em prol de uma causa maior: a convivência.

alimentação saudável? uma das poucas bandeiras que ergo (junto com a amamentação), mas ainda assim tenho negligenciado muito isso. temos comido muito fora de casa, tenho cozinhado pouquíssimo e com isso benjamin acaba comendo comida com mais sódio que eu gostaria, com temperos artificiais, muito açúcar, muuuito carboidrato refinado e  batata frita nos finais de semana. pra quem vê de fora, ele ainda se alimenta relativamente bem, mas pros padrões que eu um dia considerei razoáveis, vejo que poderia mudar muita coisa.

e mais tantas outras coisas que eu poderia passar o dia listando.

talvez por não contar tudo o que acontece por aqui e usar o blog muitas vezes para apresentar soluções – não problemas – alguns podem achar que os métodos que apresento são 100% infalíveis ou que levo uma vida linda e descomplicada.
não e não!
longe de mim ser perfeita. nunca foi nem nunca será meu objetivo. ao contrário, minha intenção com esse blog é mostrar a maternidade de um modo real, não utópico. forneço a informação, o caminho das pedras e cada um analisa e retém o que é bom. cada um adapta o que quiser conforme sua realidade e o jeito dos seus filhos.

pra esculhambar de vez, quero contar alguns segredinhos para vocês: brigo com o marido quase todo santo dia (às vezes na frente dos filhos), arrumo encrenca no meio da rua com gente que nunca vi na vida (e às vezes com as que já vi também), volta e meia pulo a janta do mais velho em troca de um pão com peito de peru, tenho pensado em colocar ele na escola pra ter um tempinho de paz e sossego, sexo virou raridade aqui em casa há tanto tempo que já nem lembro mais, na gravidez deixei benjamin assistir uma hora ininterrupta de teletubbies só pra eu ficar deitada no sofá até o marido chegar, tem tanto tempo que eu não lavo o banheiro que já to pensando em nomear  e comemorar aniversário dos mofos pretos que se formaram nos cantos (o mesmo para as comidas estragadas há meses dentro da geladeira).

vão em paz e sejam imperfeitas.

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categorias: Tags:, , , , , educação, erros comuns, erros comuns, mães extraterrestres, para mães

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77 Comments »

  1. Olha pensava que era,só eu que nâo conseguia fazer as coisas la em casa …porque só o que houvia,falar das mulheres la de casa, que antigamente,elas conseguiam fazer tudo,com os filho,pequeno, e eu nao consigo fazer nada se meu filho nao tiver,dormindo ou se tiver alguem pra me ajudar.Mas começei a nalizar as crianças de antigamente, eram que nem umas mumias ne ,as mãe enrolavam as crianças tanto que ela nao tinham mesmo como se mecher,as crianças de hoje nascem ja muito espertas…Mas é bom saber que não é so eu que passo por isso bjs…

    Comentário by Bibiani Vicente da Silva — janeiro 22, 2014 @ 2:26 pm

  2. Ai, Luíza, você é mara! Vou te mandar foto do meu banheiro (com mofo!). Bjos

    Comentário by Adriana — janeiro 22, 2014 @ 5:46 pm

  3. Oi prima,
    achei seu blog e estou curtindo horrores! Parabéns!!! 🙂
    Vi no vídeo que a Iara foi a enfermeira quem assistiu ao nascimento da Constança, né? Ela tb será enfermeira do nascimento do Théo (29 semanas, já!) 🙂

    Beijão!!! 🙂

    Comentário by Rejane Ribeiro — janeiro 22, 2014 @ 6:10 pm

  4. Um dos melhores posts dos últimos tempos!

    Comentário by Talita Pessoa — janeiro 22, 2014 @ 7:44 pm

  5. Muito bom! Temos que parar com essa imagem de mulheres, mães, esposas perfeitas, porque isso é incompatível com a realidade!

    Comentário by Mariana — janeiro 22, 2014 @ 10:01 pm

  6. Amei!!!

    Comentário by Nayara Cássia — janeiro 22, 2014 @ 10:15 pm

  7. Eu sei que todas já disseram, mas obrigada!!!!! É tão bom ouvir essas coisas. O último parágrafo foi super consolador, sobre o sexo então, um alívio. Porque, às vezes, me sinto um ET. Como é difícil conciliar tudo e atender às expectativas de todos. Vou confessar, às vezes, depois de trabalhar o dia inteiro, cansada, às onze da noite a filha dorme, depois de ficar mamando um tempão, eu penso, agora chega!!! Aí vem o marido querendo "conversar". Ai, gente, parece que eu não posso ter um minuto para fazer nada, só para vegetar um pouquinho. Estar junto é bom, é uma delícia, mas sério, às vezes, eu quero só deitar e dormir, só isso…. e sei que esse sono dura até a próxima mamada (duas, três ou uma hora depois)…. UFFFFFFF…..
    Obrigada pelo espaço, precisava desabafar…..

    Comentário by Elisa — janeiro 23, 2014 @ 8:22 am

  8. Luíza, é a primeira vez que comento aqui, mas desde que soube da gravidez descobri e acompanho seu blog. Tive meu filhote com 23 anos prestes a acabar a faculdade (que tive que trancar) e sem saber nada sobre maternagem. Hoje, o Manoel está prestes a completar 7 meses e sou muito grata por todas as informações e caminhos que você oferece aqui no seu espaço. Tenho certeza que hoje sou a mãe que sou por causa de você e de tantas outras mães que mantém blogs acolhedores como o seu.

    Muito bom ler esse seu depoimento, da um conforto por saber que não estamos sós. Todos temos imperfeições e um beijo no ombro de quem critica.

    Comentário by Gabriela — janeiro 23, 2014 @ 11:30 am

  9. Simplesmente AMEI!!!! Esse post veio numa hora em que estou justamente toda triste por só ter descoberto alguns desses métodos só agora com o meu caçula nos braços (tenho dois meninos… um de 3 anos e 5 meses e outro de 2 meses)…. estava pensando em tudo o que fiz e não fiz na criação do primeiro e me sentindo a pior mãe do mundo… Mas esse seu post foi libertador.. valeu por uma sessão de terapia!!! AMEI!!! E parabéns pelo blog… já o acompanho tem um tempinho (acho que desde que vc engravidou pela segunda vez…) e adora as suas postagens, mas essa caiu como uma luva pra mim…E viva a imperfeição!!!

    Comentário by Renata — janeiro 23, 2014 @ 5:40 pm

  10. Luiza, tenho acompanhado frequentemente seu blog e estou amamdo, vejo q não sou a única “imperfeita” e isto me deixa muito feliz.

    Comentário by Pamela — janeiro 26, 2014 @ 9:28 pm

  11. #tamujunto! kkkk
    Adorei o post!
    beijos

    Comentário by Priscila Abreu — janeiro 26, 2014 @ 9:30 pm

  12. Hahahaha!!!! Ótimo ler isso, ainda mais hoje, um dia que estou especialmente cansada e esgotada psicológicamente. Somos todas imperfeitas, graças à Deus!!!!!!

    Comentário by Flávia-Avassaladora — janeiro 26, 2014 @ 10:24 pm

  13. adorei! bem assim, sem tirar nem pôr!

    0/ tamo junto!

    Comentário by Cacau — janeiro 27, 2014 @ 4:40 pm

  14. As prioridades sempre serão nossos filhos e nossa sanidade mental né?!Adorei tua honestidade!!!Bjos!

    Comentário by Renata Martins — janeiro 27, 2014 @ 7:56 pm

  15. Luiza perfeição esse post!!!! =D Amei!!!!! Parabéns!!!!

    Comentário by Gabriela Bosse — janeiro 27, 2014 @ 9:05 pm

  16. Tipo assim: "de perto ninguém é normal" ou, como eu prefiro: de perto todo mundo é bem parecido. A gente faz o que pode, só dá o que tem e só mostra o que é. Tudo bem, tem horas que me sinto a pior das piores ou ainda, a fraude do ano, mas depois que li alguns dos seus texto essa sensação horrível tem se amenizado… acho que me sentindo mais humana, demasiadamente humana…

    Comentário by Flávia Ilíada — janeiro 28, 2014 @ 2:40 pm

  17. a gente é assim né … quem diz o contrário vive num mundo de sonhos, só pode srrsrsrr… amei seu post e a coisa de dar nomes aos fungos do banheiro e das comidas estragadas na geladeira… tamo suuuuper juntas!!! beijo

    Comentário by Priscila Manchenho — fevereiro 4, 2014 @ 12:25 pm

  18. Luiza… Luiza… Sua, sua… Cabeça de melão, me abraça aqui!!!! Tu roubou este postd e mim! (Oi?) eu teria escrito ele,s e eu ai da escrevesse alguma coisa, foi por eu nunca ter escrito esse post, rs, que eu abandonei o blog, deixa eu copiar, e dar creditos,q ue eu volto, hahaha. Cara, é isso! O que eu escrevi é oq ue eu concordo, acho bonito, gostaria muito de fazer, mas olha, sou humana, sempre dou conta, as vezes expectativa e realidade se encontram num choque! Obrigad Luiza, obrigada Luiza por ter dito o que eu também gostaria de dizer! Clap, clap, clap!!!

    Comentário by Tchella — fevereiro 7, 2014 @ 8:44 pm

  19. Meu filho ainda nem nasceu, mas ja sinto que o caminho eh por ai mesmo…tenho o maior medo de bater no peito e dizer que vou fazer assim, assado sem antes vivenciar um dia-a-dia com crianca. Brigada pela honestidade, Luiza.

    Comentário by Dene Edwards — fevereiro 13, 2014 @ 1:43 pm

  20. Adorei!!!!! Viva as imperfeições!!

    Comentário by Nat — fevereiro 13, 2014 @ 2:01 pm

  21. Com vontade de levantar da cadeira e gritar SIM!!!!!!!

    Comentário by Carol — fevereiro 21, 2014 @ 2:20 pm

  22. Já tinha lido este post, mas valeu a pena a releitura que acabei de fazer. Ai ai… Tem horas que acredito ser a única desordeira. Felizmente somos as imperfeitas que querem o melhor para os filhos. Amo vc também Lu! Já sonhei várias vezes com vc. O último sonho foi semana passada, mas já me esqueci rsrsrs…

    Comentário by Nilza — abril 10, 2014 @ 7:36 pm

  23. Hahaha…é tão bom ver que essas coisas não acontecem só comigo…o final do post foi o melhor!!!!
    Eu não fico pesquisando modos e técnicas para criar minha filha….normalmente eu penso em como fui criada, o que deu certo e o que eu não gostei ou senti falta…ai vou moldando tudo ao meu jeito e do meu marido.
    E pelo que falam da Lívia….ta dando certo…rs

    Comentário by Amanda Ribeiro Silva — junho 18, 2014 @ 12:40 pm

  24. […] nenhum método é perfeito […]

    Pingback by potencial gestante – dicas para lidar com ataques de raiva, birras e choramingos — fevereiro 24, 2015 @ 3:58 pm

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