26 de julho

num mundo de delicadezas

por luíza diener

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já devo ter mencionado anteriormente, mas passei as últimas três semanas da gestação de repouso.
ou pelo menos tentando repousar (quando se tem criança em casa, quem dá conta?).

por ser realmente mais complicado fazê-lo com um filho pequeno a tiracolo, havia dias que eu sentia vontade de sumir. entrar num mundo só meu, onde não existisse louça para lavar, casa para limpar, cachorro pra passear, filho pra cuidar. foi difícil, porque eu sentia-me extremamente cansada, mas a vida não parou pra me ver descansar. então só me restava chorar, chorar, até acalmar a alma.

mais difícil que isso foi ter que aprender a pedir ajuda. o medo de ouvir não era grande. o medo de incomodar alguém, ainda maior. mas, se não falasse, como iriam adivinhar que eu estava precisando?

e, claro, para a minha surpresa, eu estava enganada. algumas pessoas extremamente queridas dispuseram-se a me ajudar. vizinhos, amigos, parentes. por orgulho besta (e às vezes preguiça), não aceitei toda ajuda oferecida, mas fiquei muito grata àqueles que o fizeram de coração.

tudo o que fizeram por nós, por menor que tenha parecido, foi enorme para mim.

uma amiga fofa demais revelou-se amigona do peito quando abriu a casa para, semanalmente, irmos benjoca e eu passar o dia com ela e as filhas. o benjamin brincava com as meninas pela manhã, almoçávamos todos juntos, eles tomavam banho (juntos também. uma graça) e dormiam. e aí sobrava tempo pras duas comadres tagarelarem por uma horinha ou duas e ainda comerem um docinho. foi uma delícia e espero que, quando chegar a vez dela, eu possa retribuir tudo e mais pouco.

outra amiga volta e meia dava um pulo aqui em casa depois do trabalho. o mais lindo era ver que ela não vinha só para me encontrar. era pra ver eu E o benjoca. se ela passasse numa hora que ele estivesse dormindo, depois cobrava o abraço de urso apertado que somente joca sabe dar.

até minha irmã e mãe, que estão sempre ocupadas com seus respectivos trabalhos, nas últimas semanas caçaram tempo em suas

agendas e vieram ou nos visitar ou levar o benjamin para passear com elas e dar um tempinho para hilan e eu descansarmos (até ensaiamos ir ao cinema, mesmo que o programa tenha furado por falta de planejamento prévio).

lembro-me de um dia em particular em que minha mãe não foi trabalhar de manhã para poder acompanhar-me numa consulta médica e na ecografia. foi uma manhã extremamente desgastante. tudo parecia dar errado. até machucar o meu pé eu consegui (uma ferida que demorou semanas para cicatrizar). à tarde eu estava com minhas forças completamente exauridas, mas não conseguia parar de agradecer à minha mãe por ter me acompanhado naquela manhã difícil, mas necessária.

para balancear o dia, meu padrasto – esposo de mamãe – inventou um programa para fazer com o benjoca: passear de metrô. foram andando até a estação de metrô, de lá foram para o shopping, deram uma voltinha e retornaram à casa. durou a tarde inteira. enquanto isso eu fiquei de pernas pro ar na casa deles. nem lembro o que eu fiz – provavelmente dormi – mas sei que foi ótimo e tudo que deu errado naquela manhã, deu certo naquela tarde. graças a eles.

as poucas semanas finais da gravidez pareceram arrastar-se, mas logo nossa pequena constança chegou, trazendo muito mais amor e alegria para o nosso lar. e desordem. não, não foi ela que trouxe a desordem, mas o foco mudou completamente e deixamos de priorizar algumas coisas dentro de casa.

desta vez foi surpreendente o tanto de ajuda que começou a surgir sem nem ao menos pensarmos nela. minha mãe tirou uma semana de férias e encheu minha casa de provisões: sopas, comidas, saladas (as saladas não paravam de chegar). vinha aqui em casa, dava atenção pro joca, fazia festa com o tov, trocava fralda suja da sansa. lavou uma louça quilométrica que estava acumulada, mas também mandou uma faxineira aqui pra casa uma vez por semana, por três semanas consecutivas. quer mãezona melhor?

aliás, nós e a louça. a louça e nós. motivo de tantas brigas matrimoniais, alívio constante quando ela é pouca ou nenhuma dentro da pia.

eu só fiquei sabendo dias ou semanas depois, mas a enfermeira que acompanhou meu parto lavou um pouco da minha louça no dia da chegada da pequena. se eu soubesse disso, teria dado-lhe aquele abraço de urso do benjoca.

não só nela, mas em todas as pessoas amadas que estiveram comigo naquele dia. parecia que eu estava imersa numa atmosfera constante de amor.

uma amiga – a mesma que abriu a casa semanalmente para nós – passou na portaria do meu prédio e deixou um escondidinho de frango feito por ela mesma (sem glúten e sem leite, pra agradar a família toda), um pacote de biscoito especial pro benjoca e o melhor bolo de cenoura com chocolate que já comi na vida.

outra, quando veio conhecer a pequena, trouxe presente para todos (eu disse to-dos) da casa: roupinha pra sansa, um kit todo especial pro joca, uns agradinhos pra mamãe aqui… até no hilan ela pensou. e nem o tov ficou de fora nessa história.

uma terceira ofereceu-nos um jantar especial na nossa casa: ela e o marido se auto-encarregaram de trazer toda a comida, servir, lavar a louça e deixar nossa casa impecável ao saírem.

presentinhos que chegam a torto e a direito não apenas pra pequena, mas pro grandalhão também. emails carinhosos, lindas palavras no facebook. telefonemas carregados de emoção.

cada um encontrou seu modo de viver conosco essa alegria de trazer mais uma pessoinha a este mundo.

a pequena constança nasceu justamente num tempo em que o nosso país encontra-se inconformado e revoltoso. em uma época em que o amor do mundo parece ter se esfriado, cada um fechado em sua própria redoma de egoísmo e hedonismo. mas esses pequenos grandes gestos estão aí para provar o contrário: ela já chegou cercada de delicadezas e pessoas que só desejam o seu bem.

esses são apenas alguns exemplos de coisas que fizeram e tem feito por nós. elas enchem-me de gratidão dia após dia e completam minha felicidade. fazem com que eu sinta que nossa família é extremamente amada – às vezes por pessoas que mal conhecemos.

sinto todo esse amor chegar e tento transmiti-lo de volta a todo instante, mesmo que eu tenha uma certa dificuldade em fazê-lo.

resta valer-me das palavras – que com elas eu consigo me expressar melhor – para agradecer de coração a todos nos tem enviado carinho, cada um à sua maneira.

obrigada!

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categorias: amor, constança, desperate housewife, erros comuns, quer uma dica?

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15 Comments »

  1. Lindo post! GRatidão é algo raro hoje em dia, mas é tão importante sermos gratos por tudo!!! Que bom que tantas pessoas ajudaram vocês, pois vocês são tão queridos, tanto pelas pessoas que conhecem vocês realmente, do dia-a-dia como pelos que acompanham o blog, e já se sentem um pouco por dentro de tudo também rsrsrsrsrs Nós aqui do outro lado do computador também desejamos muitas coisas boas!!!! Felicidades sempre, e um coração grato também, como agora!!! Abraço forte pra todos, enviado por toda minha família que também acompanha vocês (maridão, eu, filho de 3 anos e a pequena que está na barriga, pra chegar a qualquer momento rsrsrs).

    Comentário by Mariana Lins — julho 26, 2013 @ 10:16 am

  2. Obrigada vc por compartilhar sua rotina, suas emoções de forma tão sincera! E em especial por me fazer enxergar certas coisa por outros ângulos! E tbm por me dar coragem em tomar certas decisões que estavam escondidinhas lá no fundo do meu ser..rs Parabéns pela família!

    Comentário by Bruna Pedotti — julho 26, 2013 @ 10:16 am

  3. Lindo post! GRatidão é algo raro hoje em dia, mas é tão importante sermos gratos por tudo!!! Que bom que tantas pessoas ajudaram vocês, pois vocês são tão queridos, tanto pelas pessoas que conhecem vocês realmente, do dia-a-dia como pelos que acompanham o blog, e já se sentem um pouco por dentro de tudo também rsrsrsrsrs Nós aqui do outro lado do computador também desejamos muitas coisas boas!!!! Felicidades sempre, e um coração grato também, como agora!!! Abraço forte pra todos, enviado por toda minha família que também acompanha vocês (maridão, eu, filho de 3 anos e a pequena que está na barriga, pra chegar a qualquer momento rsrsrs).

    Comentário by Mariana Lins — julho 26, 2013 @ 10:19 am

  4. Nossa Luiza! Só você!! rsrs Espero de coração que uma dessas mensagens de carinho tenha sido algo que eu escrevi!!!
    Desejo que mais ajuda sempre apareça!!! Principalmente com a Louça! Abraços!

    Comentário by Luanda Lima — julho 26, 2013 @ 10:27 am

  5. Que legal! Imagino como vc deve ter agradecido, só a gente que é mãe sabe em como essa rede de apoio é necessária e bem vinda. Eu quase chorei com esse texto, pq me lembrei de mim. Tive tão pouca ajuda nesse sentido, e alguma que tive fui cobrada depois. Um pouco acho que foi culpa minha, eu não pedi para as pessoas certas, tenho certeza que algumas, poucas amigas teriam se solidarizado comigo se soubessem que eu precisava. Elas não tem filhos e não imaginam como é. bjo grande e que essas ajudinhas continuem aparecendo de vez em quando…rsrss

    Comentário by Francine Barrionuevo — julho 26, 2013 @ 11:18 am

  6. AMOR!!!! Sua familia é abençoada e muito amada!!!!!
    Que esse amor só multiplique a cada dia, afinal, tenho certeza que assim como eu, várias mães de primeira,(e agora de segunda) viagem se emocionam e se inspiram com seus relatos (parabéns, você tem um jeito todo especial de escrever!)

    Achos vocês uns amados! <3
    Beijo de coração

    Ahh, sabe que conheci seu blog próximo ao nascimento do meu filho, e passei várias noites em claro (amamentando) o lendo… sou grata por isso .

    Comentário by Augusta — julho 26, 2013 @ 2:50 pm

  7. Você não pensa em colocar o Joca em uma escolinha? nem meio período? Pq ajuda um monte, viu? e eles aprendem tanto!! a Minha chora quando não vai 🙂 Beijosss

    Comentário by Andreza — julho 26, 2013 @ 3:08 pm

  8. Você sempre me emociona…Vocês merecem todo amor que recebem, pois são de um astral incomparável…Nos traz emoção, alegria, muitos risos…Aqui em casa falo de vc e sua família como se conhecesse pessoalmente…Adoro o blog, adoro vcs!!! Felicidades sempre!

    Comentário by Verônica Batista — julho 26, 2013 @ 4:36 pm

  9. Luíza, sempre lendo seus textos e, agora que engravidei de novo, volto aqui todos os dias, pois será o segundo filho e sempre dá aquela tensão de não darmos conta. Estou adorando esses seus textos contando as etapas, pré e pós-nascimento. Parabéns pela família linda.
    E, quanto a ajuda, também sofro muito para pedí-la e sofri muito quando fui diagnosticada com descolamento ovular nessa segunda gravidez e tive que ficar de repouso por 15 dias. Como sou eu que cuido quase que integralmente do meu filho, a sorte maior foi ter o pequeno na escola e, assim, quando ele saia, eu podia descansar a tarde toda. Mas já passou e agora é só felicidade.
    Agora, só um palpite: compra uma lava-louças, menina (rs)! Aqui em casa, a lava-louças é a minha melhor amiga. Resolve quase tudo. Só não lava as panelas, mas desde que ela habita meu lar, nunca mais tive pilhas de louça na bancada da cozinha. Vai por mim. E uma pequenina já resolve!
    Beijo

    Comentário by Marcele — julho 26, 2013 @ 9:56 pm

  10. Texto lindo! Nem chorei huahuahua Obrigada você por me ajudar tanto, por ser tão amiga e minha irmã gêmea na maternidade!

    Comentário by Tati — julho 27, 2013 @ 1:39 pm

  11. eu é que tenho tanto a agradecer, tati! obrigada de todo o coração!!

    Comentário by Luíza Diener — julho 29, 2013 @ 12:21 am

  12. Um bebê nasce e o amor se renova em volta da gente. Não sei se é assim a frase do Guimarães Rosa, mas podia ser. É impressionante como a nossa vida consegue ser imersa em amor quando nasce um bebê. Lindo o post!
    Beijos

    Comentário by Denise — julho 27, 2013 @ 10:46 pm

  13. Não tem coisa melhor que contar com o carinho das pessoas que nos cercam. Fico feliz que vc tenha tido todo esse apoio, é fundamental para a mãe, para o casal, para a família e pra tudo! 🙂

    abraços a todos d'aí!

    Comentário by Rafael Noris — julho 30, 2013 @ 12:39 am

  14. Bom dia! Faz pouco tempo que conheci seu blog. Tenho acompanhado e me apaixonado por sua emoções. Fiquei empolgadíssima com seus relatos de parto em casa, confesso que até sonho com um parecido. Tive meu primeiro filho de parto cesárea devido algumas complicações. Passei aqui para te dizer q estarei sempre acompanhando com admiração embora nem sempre paro para comentar. Abraço
    Bia Santos

    Comentário by Bola Boneca — julho 30, 2013 @ 9:32 am

  15. […] e até mesmo para os papais. mas hoje quero falar sobre alguns gestos que valem como presentes. como já disse anteriormente, quando constança nasceu, recebi agrados e delicadezas de algumas pessoas que fizeram com que eu […]

    Pingback by potencial gestante – gestos que valem como presentes — agosto 21, 2013 @ 9:02 am

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