o apego

não sei se já escrevi sobre isso antes, ou se foi apenas um post imaginário que nunca foi ao ar, mas ultimamente tenho vivido um momento de extremo apego ao filhote.

seja da parte do benjamin para comigo ou vice versa, o fato é que estamos cada vez mais grudadinhos.

e não sei por que cargas dágua isso gera um incômodo inexplicável em muitas pessoas ao redor.

foi por volta dos 8 pros 9 meses que ele começou com essa história de chorar quando eu saio e chorar quando eu volto. é a tal da ansiedade de separação. e daí que ele nunca melhorou disso.
claro que hoje em dia ele fica bem mais tranquilo na minha ausência e até mesmo na minha presença, mas no colo de outras pessoas.
também desenvolvi uma ferramenta mágica pra momentos em que bate aquele desespero depois dele ser passado de colo em colo e só querer saber de mim: dona teta. funciona que é uma beleza e permite que ele volte à sua atividade normal.

mas voltando ao apego, cada dia mais temos nos curtido de um tanto que eu nem imaginava que seria tão rápido. achei que só quando ele tivesse lá pelos seus 2 anos, com um vocabulário mais avançado e correndo para todos os lados.

mas não. há momentos em que um olha pro outro e já dá risada. em que ele começa a resmungar e eu sei que não é pura manha.
mãe que é mãe sabe quando é sono, fome, cansaço ou só enjoo mesmo.
às vezes, quando ele está a brincar, eu me esparramo no chão e chamo: “deita aqui com a mamãe” e ele vem rapidão e encosta a cabecinha nimim. e eu me derreto inteira.

aí já ouvi coisas do tipo “claro que ele é grudado assim, ele passa o dia inteiro com você”.

queria o quê? eu parei de trabalhar pra cuidar do meu filho e era pra ele passar o dia inteiro aonde? numa creche? com a babá? na casa da avó?

nada contra quem faz isso, pelo contrário!

mas parece que há um grande problema do filho passar o dia inteiro com a mãe, né?
alguém me explica o mal nisso?

também já ouvi “mas é porque ele ainda mama, aí fica muito dependente de você”.

hello-ou! meu menino tem 1 ano de idade. é mais que óbvio que ele ainda mama.
tem um tal de ministério da saúde e uma coisa chama oms que recomendam a amamentação prolongada até, no mímimo, 2 anos de idade.

eu só queria saber qual é o grande absurdo de uma mãe ter um filho – que ainda é bebê (porque é, né?) – apegado a ela. aliás, qual é o problema de um filho de qualquer idade ser apegado à mãe?
falam como se eu tivesse um filho de 30 anos que ainda liga pra mim pra perguntar qual roupa usar para ir trabalhar ou pra me consultar qual é o melhor lugar para sair pra almoçar.

é claro que o bebê que passa quase 24h ligado à sua mãe vai ter mais dificuldades de afastar-se dela. lógica pura.

e eu devo fazer o quê? arrumar um milhão de atividades longe dele só pra ele amadurecer (oi?) e eu mostrar pra todo mundo como meu pequeno é grande, forte e cheio de autonomia?
desmamá-lo pra ele deixar de depender de mim pra passar a depender – literalmente – de uma vaca?

acho que a cultura de hoje vive na base do medo.
medo de apegar-se demais e depois sofrer o abandono.

ninguém nunca morreu por excesso de amor, especialmente de amor genuíno e incondicional.

quando chegar o tempo certo ele vai ter suas atividades extras longe de mim e eu dele.
quando ele achar que é o momento (ou enjoar da minha teta), ele vai desmamar.
mas tudo isso vai acontecer de forma natural e agradável para ambos.
eu não vou pegar um bando de literatura e palpites vagos só pra nos encaixar no padrão dessa cultura maluca que cria uma geração de robozinhos que busca o amor nas coisas mais vagas e vazias.

viva o amor visceral!

*sei que essa foto não tem muito a ver com o contexto, mas é que essa cara fofa dele me mata!

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59 comments

  1. Lú, você expressou exatamente o que sinto e como sinto quando alguém faz um comentário idiota desses. Infelizmente eu não pude optar por ficar em casa com minha filha, mas ainda amamento sempre e quando ela quer. Ela está com 9 meses e também sofre de ansiedade da separação. Todas as manhãs têm sido sofridas! Deixá-la chorando sempre me corta o coração e me faz querer abrir mão do trabalho. Meus dias em casa têm sido somente para ela, que não vai com mais ninguém e por isso minha casa anda um caos…rs. Às vezes me sinto culpada por deixá-la, e tento compensar tudo no fim de semana dando muitos beijos, amassando, apertando e dando mamar sempre que ela pede.

  2. É isso aí Luíza. Não concordo com uma coisa: "é claro que o bebê que passa quase 24h ligado à sua mãe vai ter mais dificuldades de afastar-se dela. lógica pura." Minha experiência como professora, pedagoga, filha e mãe me mostra justamente o contrário. A criança que passa tempo integral com a mãe nos primeiros anos de vida (eu diria os primeiros 3) é mais segura que aquelas que se separam das mães forçadamente num período em que não tem maturidade para essa separação. Minha primeira filha dormiu NA MINHA CAMA até os quatro anos de idade. Ela NUNCA estranhou nenhum ambiente. Foi feliz e sorridente para escola desde o primeiro dia de aula enquanto outros esperneavam. Peguei ela no colo 100% das vezes em que ela chorou. Ela cresceu com a CERTEZA de que eu estaria lá, na hora que ela precisasse. Resultado disso: uma menina confiante, segura e SUPER sociável. Direto e reto me perguntam como eu fiz para criar uma criança tão sociável assim. Parece incoerência, mas eu digo: grudei nela. rs

  3. é a total inversão de valores que vivemos hj. Deixa os pequenos serem pequenos e nós sermos mães corujas pô!!!!! Logo logo essas criaturinhas adoráveis crescem e as vezes nem querem nossos beijos, abraços. Vivo com meu filhote no colo, e canso de escutar "essa criança vai ficar mal acostumada. Da ultima vez respondi (a grossa!!!!) problema é meu, se ele ficar mal acostumado, quem vai ter q lidar com isso sou eu. e tem mais, filhos crescem muito ráido, pra achar que colo pode fazer mal"!!!!!

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