o começo do começo do começo

era sexta à noite chuvosa. duas amigas adolescentes entediadas, enfurnadas dentro de casa.
uma delas sugere: “estou falando com um conhecido no msn. na verdade eu só o conheço de vista, da faculdade. ele sugeriu que fizéssemos alguma coisa agora à noite”.
a outra, já farta de segurar inúmeras velas pra amiga, dá de ombros e murmura qualquer coisa, sem dizer que sim ou que não.
“ele vai levar um amigo dele. disse que o amigo é fofo”.
(como assim, ele é fofo? )
“e qual seria o programa?”
“eles vão para um cais na beira do lago, jogar barquinhos de papel”.

isso sim é fofo. por que ela não disse antes?
a ideia do programa era diferente, o que a convenceu a sair de casa. mesmo assim, o ânimo não era dos maiores. por outro lado poderia ser pior, poderia ser aquela balada de sempre, com as mesmas pessoas de sempre, as mesmas músicas de sempre, o mesmo tédio de sempre.
“tá. vamos”.

sem saber que cara eles tinham, ela avista dois rapazes ao longe, acocorados na beira d’água.
com certeza eram eles.
ao se aproximarem, eles gentilmente vão  falar com as duas garotas.
um mais extrovertido e tagarela, outro mais recatado. este segurava um papel contendo instruções passo a passo de como fazer uma dobradura de barco.
ela achou graça e ficou sem graça.
sem saber por que, seu estômago gelou e sentiu suas maçãs do rosto esquentarem a ponto de parecer que iam pegar fogo.

começou a chover e todos foram para um lugar coberto.
estava mais iluminado e ela percebeu: eles são lindos!

decidiram ir para outro lugar, que também não deu certo.
por fim pararam num boteco qualquer, porque ela queria comer churrasquinho e beber coca cola.
os assuntos eram os mais diversos, mas a empatia era unânime.
as horas não passaram, voaram.
trocaram telefones – sob a promessa de repetirem o evento em breve – e cada um foi pro seu canto.

na volta, as amigas conversavam empolgadas no carro.
mas ela tinha que ir pra casa, pois viajaria no dia seguinte para visitar os avós.

o sábado foi arrastado. ela passaria o dia a centenas de quilômetros da noite anterior.
voltou para casa no mesmo dia, mas já era muito tarde.

no domingo, encontraram-se os quatro novamente.
falavam sobre porcos, barcos de papel, golfinhos, japão.
está tarde. o estabelecimento vai fechar.
não tem problema, a gente vai pra outro lugar.

descobriram locais secretos que não fechavam nunca.
não importava mais a hora nem o trabalho no dia seguinte.
aqueles encontros mágicos eram à prova de tempo e por isso se repetiram dia após dia, independente do dia da semana.

no fundo ela sabia que aquele frio na barriga que sentiu lá no começo era um presságio.
em um desses encontros mágicos o garoto recatado, como quem não quer nada, sentiu-se cansado e pousou a cabeça nos joelhos dela. o frio virou gelo, as bochechas incendiaramm novamente. borboletas de todas as cores ganharam vida dentro de seu estômago.

nas horas em que não se encontravam pessoalmente, conversavam pela internet.

uma noite ela teve um sonho maluco, confuso, onde a única coisa que ficou clara foi que um era a metade do outro e, juntos, eles se completavam.
não contou pra ninguém. preferiu manter segredo, com medo de estar enganada.

o segredo durou menos de um dia.

na noite de quarta-feira resolveram ir ao cinema. o filme escolhido era bonito, poético, passava-se no japão.
ele pegou em sua mão.
ela achou aquilo normal.
apesar do sentimento que começava a surgir no seu coração, a razão fazia ela pensar diferente. aquilo era apenas uma demonstração de amizade. uma amizade muito bonita, daquelas que dão vontade de não perder nunca na vida.

o filme acabou.
o amigo mais extrovertido era também muito divertido e agitado. estava sempre fazendo uma piada, movimentando-se pra lá e pra cá.
então ela preferiu sentar-se em um banco, perto de uma carrocinha de churros.
o amigo mais quieto uniu-se a ela e os dois ficaram em um interminável bate papo.
por alguma razão até hoje ignorada, ele deitou-se em seu colo.
ela não achou nada estranho ou invasivo. era como se aquilo fosse daquele jeito desde sempre.
as mãos dela correndo por seus cabelos, ambos pensando no quanto aquilo era bom. tinha alguém falando, mas ela nem sequer percebeu.

até que ela olhou pelo reflexo e sua amiga beijava o rapaz saidinho.
ferrou.
ela engoliu seco, sentiu vergonha, teve um impulso de afastar-se.
teve medo de que aquele momento lindo fosse maculado pela atitude de sua amiga.
“agora ele vai pensar que, porque nossos amigos ficaram, nós temos que ficar também. agora ele vai se aproximar de mim para tirar vantagem deste momento. quero ir embora”.
“eles se beijaram” – ela disse.
“eu vi” – ele respondeu.
ela disfarçou, levantou e saiu de perto.

os quatro voltaram a conversar.
ela pediu para ir.
a amiga não queria.
ela inventou qualquer desculpa. era meio de semana. mas a gente está de férias. mas eles não. vamos logo! tá, deixa só eu me despedir.
enquanto o recém formado casal se despedia em meio a longos e intermináveis beijos e abraços, ela morria de frio no estacionamento.

ele a abraçou e assim eles ficaram.

conversavam abraçados um de frente para o outro, compartilhando o mesmo casaco.
ele era quase uma cabeça maior que ela, sendo assim, ela acomodou-se perfeitamente debaixo do seu queixo e ficou olhando longe enquanto conversavam um assunto qualquer, que ela nunca viria a recordar-se.

então ela virou para cima. ele correspondeu. foi quando a luz dos olhos meus e a luz dos olhos seus resolveram se encontrar.
ninguém conseguiria cronometrar quanto tempo aquilo tudo durou. minutos, segundos, horas entre um abraço, um olhar e um longo beijo.

na volta para casa, as amigas permaneceram mudas.
ligaram uma música – a mesma dos últimos cinco dias.
ela sentiu vontade de encolher-se no banco do passageiro e assim o fez.
sentiu vontade se chorar encolhida e assim o fez.

e voltou para casa feliz, pois sabia que finalmente havia encontrado o amor da sua vida.

 

agradecimentos especiais:

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36 comments

  1. Ai que coisa linda! Parece aqueles contos açucarados para garotinhas. Mas nem é. Aconteceu desse jeitinho aí. Como eu sei? Eu sou o tagarela da história.

  2. Nossa Luíza, mais que linda história…uma história de amor inspirada por Deus..

    Benjoca vai ficar orgulhoso dos pais quando ouvir a história.

    Beijos

  3. QUE LINDOOOOOOOO! Eu sempre achei vocês um casal fofo… e olhe que só conheço pelos vídeos do blog mas acho que amor é algo que emana! Dá pra sentir daqui (eu moro em Natal) esse amor imenso que existe aí.
    Pode parecer bem bobo, mas eu fiquei com muita vontade de ler mais sobre a história de vocês… Se rolar inspiração, vai postando aí! Um beijão, Bia

  4. Que fofo!!! A história poeticamente contata fica ainda mais fofa! 😀
    Luv U guys…

    E o outro casal? Também viveram felizes para sempre?!! Fiquei curiosa… kkkkkk
    bjs

    1. ele beliscava a nossa bunda (hilan included) e dizia fué, gritava pros carros no meio da rua, andava de farol alto, independente da hora do dia, chama urso de urxo e falava coisas sem sentido para pessoas aleatórias como “hoje eu não almocei” ou “morri aqui ontem”

  5. Ah…. perai que eu vou ali buscar o lenço!!!
    Estou super emocionada com a história mais que linda de vocês!!! =D

    To toda arrepiada com esse conto de fadas (sou viciada em Disney não é a toa).
    O Benji vai ficar super orgulhoso do amor dos pais!
    E a gente, morre de inveja dessa alma gêmea encontrada!
    *prontofalei!

    hahahahaha
    Desejo cada dia mais amor para vocês, e que seja assim forever and ever!
    Beijos pra vocês, seus lindos!

  6. Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii…..
    Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
    Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

    será que consigo parar de suspirar? que história linda, contada de forma tão delicada. senti borboletinhas pelos dois……aiiiii
    gente que sonho!
    que sejam muito felizes, ever ever after!
    lindos!

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