22 de novembro

o dilema da visita ao bebê

por luíza diener

na gravidez eu recebi poucas visitas. algumas amigas que eu não via há tempos resolveram me encontrar. afinal, segundo algumas delas, seria a única vez em que eu estaria grávida do benjamin. mas fora elas, foi ok.
mas depois que ele nasceu… ah! choveu de gente para me visitar!

no hospital até que não foi muita gente.uma hora depois do benjoca nascer eu fui para o quarto e já estavam lá minha mãe, minha irmã, seu então namorado (hoje, quase-marido) e, claro, o hilan. foi uma delícia e, apesar do cansaço, eu me senti extremamente contente por ter uma pequena parte da minha família reunida. o clima era de festa.

no dia seguinte, ainda no hospital, recebi a visita da minha melhor amiga de adolescência e achei aquilo simplesmente fantástico. pra melhorar, ela era maquiadora e me ajudou a ficar com cara de mamãe diva, não de pós parida semi-morta.

fora isso, recebi apenas uma visita relâmpago de uns colegas de trabalho do marido – que trabalhavam naquele mesmo hospital – e confesso que também não me incomodei.

o parto havia sido tranquilo, a recuperação estava ótima: eu podia movimentar-me com liberdade, falar à vontade, meu filho mamava como um bezerrinho. e tudo corria bem. mesmo assim, ninguém mais foi me visitar, até porque eu já havia deixado claro para todos que não queria visitas no hospital.

então recebi alta e fui não para a minha casa, mas para a casa do meu avô.
veja bem, se fosse ficar em casa, teria meu marido por perto somente nos primeiros dias mas, assim que ele retornasse ao  trabalho, eu teria que lidar com comida para fazer, casa por arrumar, roupas e mais roupas para lavar. por isso optei por ficar duas semanas na casa do meu avô, que tinha empregada e até enfermeira.

no começo foi bom, foi cômodo, mas foi estranho.

e aí muitas pessoas resolveram me visitar. algumas – aquelas que considero próximas – trouxeram-me uma alegria imensa. essas eram mais íntimas, ligaram antes de vir, fizeram uma visitinha breve e, enquanto estiveram presentes, foram a melhor companhia que eu poderia desejar. para essas eu não tinha problema em entregar meu filho para segurarem, amamentar na frente delas nem nada parecido.

mas também recebi visitas meio aleatórias. inclusive acredito que algumas nem chegaram a me encontrar grávida – e com quem não tinha lá muita intimidade. pessoas que chegaram sem avisar, tarde da noite, no ápice da histeria do meu filho.

e nessas horas eu não entendo. por que é que algumas pessoas que nem te conhecem direito insistem em visitar mães moribundas e amarelas e bebês vesgos com cara de tartaruga?

se esperassem um pouco mais, poderiam encontrar-nos em melhor estado: a mãe menos acabadinha, o filho com uma melhor coordenação sobre os globos oculares, chorando menos, golfando menos, com menos cólicas.

diferente de quando estava no hospital, depois de alguns dias eu comecei a ter dificuldades para amamentar: meu leite desceu de uma vez e meu peito empedrou. melhorou um pouco quando coloquei conchas para amamentação nos peitos, mas elas enchiam de leite depressa e eu precisava esvaziá-las o tempo inteiro.

mas com visitas não dava e era só eu abaixar um pouco que o leite vazava, deixava minha blusa e sutiã com um cheiro azedo e eu precisava correr para trocar.

houve uma situação peculiar que me irritou um bocado e eu fiquei meio sem reação: já estávamos com visita, quando chegaram várias pessoas juntas. elas organizaram uma comitiva e todas queriam pegar o bebê, tirar fotos (com flashes!), conversar alto.

pra completar, o benjamin desde recém-nascido criou sua própria rotina: era o sol se pôr que ele ficava irritado, cansado e com sono. então cabia a mim dar banho nele, amamentar e fazê-lo dormir. adivinha que horas que eu recebi a tal caravana? justamente neste horário crucial.

as visitas anteriores já estavam perto de ir quando a caravana chegou. eu não sabia se dava atenção às pessoas que ainda estavam na casa, às que haviam acabado de chegar (e eu não via há muito tempo), ao meu marido ou ao meu filho. graças a deus meu marido foi compreensivo e me ajudou a contornar a situação. em um momento eu usei a desculpa de retirar-me para amamentar, mas quando voltei eles continuavam lá. isso meu deu um tempo para pensar no que fazer e acalmou meu pequeno por alguns instantes.

mas pouco tempo depois ele começou a esgoelar-se de cansaço e eu senti sobre mim olhares que pareciam dizer “você não cuida direito desse menino. faça-o parar de chorar”. talvez ninguém tenha pensado isso de fato, mas foi assim que eu me senti: incompetente.
aí eu soltei um: “então, gente, o benjamin realmente precisa dormir, por isso vou dar banho nele. quem quiser, me acompanhe”.

boa parte da comitiva ficou na sala e só duas ou três pessoas me acompanharam no banho. isso já foi mais tranquilo e acho que até o fim do banho uma ou duas pessoas perderam o interesse e saíram. lavei, sequei, vesti e voltei para a sala: “gente, o benjamin vai dormir agora. dá boa noite, filhinho” (nessas horas, falar pelo bebê ajuda a amenizar a situação).

depois que ele dormiu – não demorou muito – to-dos continuavam lá (acredite!), mas de fato eu não fiquei muito incomodada. até porque, depois que o bebê vai embora, a graça some, né? afinal, quem vai querer ficar olhando pra cara de zumbi de uma recém parida inchada e amarela?

voltei para minha própria casa depois de duas semanas e, por incrível que pareça, não recebi mais visita de quase ninguém, o que eu achei ótimo.
foi quando voltei para casa é que eu senti mesmo o que é cuidar de um bebê. com marido trabalhando, sem empregada, roupa por lavar, casa por arrumar, comida por fazer e bebê para cuidar, não me restava tempo para mais nada.
até porque, depois de uns 15 dias de nascido, ele parou de dormir tanto o dia inteiro e começou a demandar ainda mais da minha atenção.

pra ser bastante sincera, até hoje não gosto de receber visitas inesperadas, porque passo longe de ser a pessoa mais organizada do planeta terra.
toda vez que toca o interfone dizendo que alguém chegou, é um corre pra lá pra arrumar as coisas, guardar os brinquedos espalhados, fechar a porta da cozinha pra ninguém ver a montanha de louça suja na pia e esconder o cachorro que tá fedido.

mas sempre que recebemos as visitas, especialmente de gente que já é íntima, fico depois com uma sensação boa e tenho certeza de que tanto eu quanto meu filho somos queridos. e acredito que essa deva ser a essência da visita. tanto para quem a faz, quanto para quem a recebe. não aquele sentimento de obrigação, mas uma oportunidade para encontrar pessoas a quem queremos bem.

no próximo filho vai ser diferente, porque não pretendo ficar na casa de ninguém. irei me sentir muito mais segura no meu próprio lar, mas também não vou fazer cerimônia com quem vier me visitar. se precisar de ajuda, pedirei. se precisar que saiam, também pedirei com muita educação. afinal, o que vale é desfrutar da companhia de quem está com a gente.

mas, mesmo assim, andei elaborando umas dicas de etiqueta para quem vai visitar recém-nascidos. aguardem um próximo post (;

confira também os outros blogs patrocinados pela natura mamãe e bebêcoisa de mãeit mãemãe de gurimamatracamamíferas,mundo ovo e vida de gestante.

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20 Comments »

  1. Adorei,

    Espero que quando Pietro nascer, as visitas percebam que tudo tem momento.

    Comentário by Pamella Monica — novembro 22, 2012 @ 10:45 am

  2. tenho uma menina de 4 e um bebê de 1 mês… cuidar de um baixinho as vezes nos toma MUITO E MUITO tempo. Prepare-se Luíza! Com dois ficamos muito mais arredias, (as vezes histéricas), e na boa… ficamos com o poder de fuzilar as visitas indesejadas apenas com um olhar! Visita chata que não avisa ou até mesmo as que avisam mas chegam e vão logo agarrando nossos pacotinhos sem ao menos lavar as mãos… dá nos nervos!

    Comentário by Sandra — novembro 22, 2012 @ 10:47 am

  3. Hehehe…bem por aí! Depois do segundo a gente fica mais despachada. Proibi visitas a maternidade e avisei meus amigos que EU os convidaria quando fosse a hora. E a hora só chegou depois de 4 meses!!! Depois de passar pelo pior do pós parto, depois de me acertar com a amamentação, e principalmente, depois do pequeno estar preparado pra tanta bagunça.
    Simplesmente não entendo os "sem-noção" que não sabem respeitar uma família numa hora dessas!

    Comentário by Fernanda — novembro 22, 2012 @ 8:36 pm

  4. A pior visita que recebi foi de um casal amigo do marido, e com quem eu não tenho muita intimidade, que resolveu aparecer justamento no momento em que chegamos em casa, vindo do hospital! Lembro que a mulher falava o tempo todo que não gostava de visitar recém nascido e blá blá blá. Eu tentei ser simpática, mas além de cansada, dolorida (cesariana) e com cara de zumbi eu fiquei aborrecida com a visita. Permaneci no quarto com o bebê e o meu marido fez sala pros amigos!

    Comentário by Janete Domingues — novembro 22, 2012 @ 10:54 am

  5. Muito boom o post, falei sobre isso no meu Blog dia desses.
    Realmente o que falta na visita indesejada é bom senso, mesmo família tem que ligar avisando que está indo visitar (com bb ou sem).
    Sou como vc, meio desorganizadinha e sempre fico doida arrumando as coisas qdo alguém chega sem avisar =/
    Beijocas

    Comentário by Louca eu? — novembro 22, 2012 @ 11:24 am

  6. Como disse uma amiga "me senti tão invadida qdo meu bebê nasceu"
    Acho de ótimo tom ligar, avisar e fazer visita de médico, e o melhor NÃO SE METER E NEM ACHAR QUE O BEBÊ CHORA MUITO!
    Todo bebê chora e se não gosta de bebê chorando, pode aparecer mais tarde, não ligo.

    Comentário by Camila Lima — novembro 22, 2012 @ 12:04 pm

  7. GENIAL! falou por mim!!

    Comentário by Larissa Nasato Castellazzo — novembro 22, 2012 @ 3:30 pm

  8. Recebi algumas visitas demoradas demais no hospital e isso me deixou chateada porque não consegui dizer que eu precisava dormir…em casa, até que foi mais tranquilo porque as pessoas só começaram a me visitar depois de 15 dias. Ainda bem!!! Porque esse começo é bem difícil. Além do cansaço, têm as dores da amamentação, a vontade zero pra se arrumar e fazer sala pras pessoas. Eu costumo visitar só depois de uns 10 dias, se a pessoa for muito íntima (e sempre ligo para saber qual a melhor hora). Se for alguém menos próximo, prefiro esperar passar os 30 dias. E nunca é demais ligar antes.

    Comentário by myriam — novembro 22, 2012 @ 4:10 pm

  9. kkkkk, não posso deixar de rir um pouco, eu recebi váaaaarias visitas no hospital, isso porque moro longe da família, viu? Foram só os colegas de trabalho, mesmo, e algumas amigas, além da mãe, sogra, sogro, cunhado que pareciam morar no hospital comigo (ficamos 5dias lá porque a baby foi prematura) e só pra contrariar a pediatra que não queria que eu as recebesse, elas chegavam bem na hora da visita médica… tenho que rir, né não? Mas falando um pouco sério, tem uma página do livro "a vida do bebê do rinaldo de lamare" que é mais ou menos assim: não carregue o bebe, não toque nas mãos do bebe, não beije o bebe, etc… que ele sugere que seja colada na porta do quarto do bebê!! Na primeira vez que li aquilo fique horrorizada, então de que adianta visitar um bebê se vc mal pode olhar p ele??? Mas a medida que os dias vão passando, o cansaço vai batendo e o bebê chora mais alto… dá vontade mesmo é de colar aquilo na porta de casa e mandar as visitas pro beleléu (pro raio que o parta ou pra PQP…). Mas é como vc falou, tem pessoas e pessoas, né? tem visita que a gente queria que ficasse de vez em casa pra ajudar com o pequeno, né não? Bem, melhor sorte agora na segunda gravidez, tá? Que as suas visitas tenham mais noção!! hehe

    Comentário by Diana — novembro 22, 2012 @ 7:03 pm

  10. Ah pessoal, entendo e respeito mt a opinião de vcs. Eu tb acho bem complicado receber visitas, afinal estamos com cara de parida, fraca e amarela rsrsrs mas eu tive filha de parto normal, sangrei muito, pari na quarta e saí do hospital sexta. Nesse meio tempo recebi várias visitas no hospital. Claro, eu estava cansada, com sono e me habituando a nova rotina com a filhota, mas sabes, eu fiquei muito feliz. Entendo que a visita, ou melhor, os visitantes, todos vem com mt alegria visitar o bebê a mamãe. Podem até ser inconvenientes, mas tenham certeza que a inteção de quem visita é a melhor. Eles não chegam para incomdar ou serem inconvenientes. O fato de virem com boa intenção me deixa feliz, saber que as pessoas vem com o coração aberto, com alegria. Acabei curtindo a visita e deixando de lado qq inconveniente. Adoro receber e reconhecer o carinho que as pessoas tem para comigo e minha filha. Estamos sempre de braços abertos para recebr amor, carinho e amizade!

    Comentário by Juliana — novembro 23, 2012 @ 8:08 am

  11. Estou doidinha pra ver as dicas de etiquetas e bem que você poderia colocar " Não espirrar perto do bebê" hahahahahha

    Comentário by Aracyana — novembro 23, 2012 @ 10:01 am

  12. mães moribundas e amarelas e bebês vesgos com cara de tartaruga (amay isso, kkk)

    Comigo foi parecido… e ainda tive que aguentar azamigavéia da minha sogra (fiquei na casa dela uma semana) que NUNCA tinha visto na veeeda, e ainda por cima chegavam dando um monte de receitinha caseira pro bebê… fiquei tã tão feliz qdo fui pra minha casinha… 🙂

    Comentário by Fairuce — novembro 27, 2012 @ 9:02 am

  13. Não gosto de visitar recém nascidos e em geral não faço, mas sabe que em geral minhas amigas ficam agoniadas pq eu não vou no início!? Acho que é um momento de adaptação importante pra família e procuro respeitar, mas no mundo crente as visitas (mesmo as inconvenientes) são quase obrigatórias!

    Comentário by Fernanda — novembro 27, 2012 @ 9:17 pm

  14. Ai eu ja estou num desespero enorme, pois no próximos dias meu filho Miguel vai nascer e ja estou vendo a romaria de visitas na minha casa, meu marido fala que eu sou uma pessoa antisocial, mas eu pelo menoos acho que esse é um momento dos pais, do bebê recém nascido, e de quem vai ajudar os futuros papais com a casa, ou o bebê. Fiquei sanendo que estou gravida tem só apenas 20 dias, e uma coisa noitei, desde então, eu e meu marido não tivemos um só final de semana, ou feriado só pra gente. Então fico imaginando quando o bebê nascer, pois ja tem pelo menos meia duzia de pessoas dizendo que vem até mesmo passar um tempo aqui em casa e o mais engraçado é que não são da familia não, tem filhos pequenos, ai ja viram o drama… Agora imagina a loucura que vai ser… Eu sinceramente prefiriria que todos me visitassem na maternidade, para que nos primeiros 15 dias eu e meu marido pudessemos curtir o nosso filhote, e conseguir ir colocando as coisas em ordem…

    Comentário by Aline — dezembro 3, 2012 @ 12:08 am

  15. também vou avisar que nao quero muitas visitas no hospital. em casa tudo bem, mas nos primeiros momentos temos que ter somente família, para dar calma e intimidade com o bebe. 🙂

    Comentário by thaís — janeiro 25, 2013 @ 11:54 am

  16. Eu achava as visitas em casa um tremendo inconveniente: sujavam tudo, se intrometiam no modo como fazíamos as coisas, mexiam nas coisas da neném com as mãos sujas e não me deixavam amamentar em paz, nunca ligavam antes de ir e quando ligavam não nos perguntavam se podiam ir ou como estava minha disposição para receber visitas depois de uma noite toda em claro acalmando um bebê com cólicas…argh! Só de lembrar fico irritada. As pessoas pensam que o bebê é um parque de diversões e sequer param pra pensar que você está num momento de fragilidade e que o bebê é um ser vulnerável a qualquer tipo de coisa. Se não fossem minha mãe e irmãs… estaria frita.

    Comentário by Karoline — janeiro 25, 2013 @ 3:09 pm

  17. Luisa ,fazia tempos que eu não lia seus posts,mas bebê vesgos com cara de tarataruga …achei o máximo!!!Foto linda …

    Comentário by Netinha — março 7, 2013 @ 9:56 am

  18. […] eu vi um texto sobre isso no Potencial Gestante (o dilema da visita ao bebê), que tem um trecho com o qual me identifiquei […]

    Pingback by Sobre visitas | Adriana Diniz — março 11, 2013 @ 4:03 pm

  19. Quando eu tive a Pétala, no dia que eu cheguei em casa veio um monte de gente me ver, sendo que eu tava péssima pke não dormia a 4 dias nem um pouco e minha pequena mamando direto e um monte de gente conversando alto na minha sala…

    Comentário by Ingrid — abril 23, 2014 @ 3:42 pm

  20. Belo post.

    Comentário by ketina — setembro 24, 2014 @ 12:41 pm

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