o fim da história dA mãe e o começo de uma nova história

[clique aqui para ler a parte I e a parte II]

os dias seguintes à festinha foram nublados e chuvosos. brasília enfrentou mais de 100 dias sem chuva. eu tive mais de 100 dias ensolarados e brilhantes para conhecer A mãe, mas ela foi aparecer justo quando a cidade resolveu chorar tudo aquilo que segurou nos últimos meses.

olhava de longe e via aquele parquinho vazio e ensopado. ninguém se arriscava a sair com os pequenos.
o céu constantemente cinza expressava o que eu sentia por dentro. domingo, segunda, terça feira. nada.
no fim do dia de quarta o tempo firmou um cadim e lá fomos nós, quase seis da tarde, sozinhos.
aproveitamos todos os brinquedos e ele – finalmente – pode usar o disputadíssimo balanço por quanto tempo quisesse.

mas nenhuma outra alma viva se arriscou a aparecer.
a não ser, é claro, um casal de adolescentes que ficava se agarrando embaixo do bloco e quando percebiam que o benjamin estava olhando, eles paravam.
a vontade foi de dizer “olha, filho, é o casalzinho. daqui a pouco eles aparecem com um bebezinho igual a você, pra brincarem aqui no parquinho “, mas me contive.
já estava escuro e voltei pra casa.

quinta, mais um dia chuvoso. à tarde fomos à livraria de um shopping acompanhados de paloma e clarice. finalmente um bebê pra ele agarrrar, morder, aprontar junto brincar e uma mãe pra tagarelar, reclamar de pediatra e outros assuntos correlatos.

na sexta já havia combinado com outra amiga, a fabi, e suas duas lindas filhotas, de irmos ao parquinho aqui da quadra.
o dia amanheceu lindo, sem nuvens e com um céu azulão.
era a sorte mudando.
quando chegamos ao parquinho, as babás quase tiveram um treco. não conseguiam parar de olhar. em um determinado momento até as crianças pararam tudo que faziam pra olhar as filhas da fabi e o benjamin.
seria uma invasão alienígena?
acho que sim, porque logo chegou outra mãe com um bebê de 9 meses e aí o parquinho foi dominado de vez.
em questão de minutos todas elas sumiram sem deixar rastro e até agora eu não entendi por quê.

puxamos papo, fomos para debaixo do bloco por causa do sol quente (aqui em brasília tem essa coisa maravilhosa chamada pilotis, que nos permite ficar embaixo do bloco, dando origem a essa expressão super usada na cidade e que não faz tanto sentido em outros lugares). ficamos mais um bom tempo por lá e a outra mãe foi embora.
mas ela ainda não era A mãe. era só mais Uma mãe.
fabi foi embora, eu subi, botei o benjoca pra dormir e fui pro computador.

e adivinhem? entrei no facebook e vi que a lidia, mãe da tetê (a aniversariante, lembram?), me marcou em uma publicação no mural de quem, minha gente? isso mesmo, dA mãe. e adivinhem mais o quê? ela colocou o link do post prA mãe ler.

e agora? eu fico feliz ou cavo um buraco bem fundo pra me esconder?
porque a história era tão linda sem que a mãe tivesse nome, rosto ou perfil no facebook.
mas de repente lá estávamos nós, frente a frente virtualmente, com um link que me dedura, me desmascara e me faz parecer uma louca completa.
bom, já que a lidia me desmascarou, o jeito era me jogar.
adicionei ela no facebook e deixei logo uma mensagem “oi! é a luíza, da sua quadra, amiga da lidia, tudo bem? te add, tá? bjs”

tá. e se ela não souber quem é? tipo, a lidia tem um milhão de amigos e eu nem falei que era a mãe do benjamin, ou que estávamos na festinha da tetê. e pra completar, na minha foto do perfil estava ninguém mais ninguém menos que ariel, a pequena sereia.
aí não dá, né, gente?

depois disso, devo ter atualizado minha página no facebook um milhão de vezes. quando chegava mensagem nova eu sentia borboletas no estômago e ia timidamente olhar e não era nada demais. nunca era Ela.

claro! também, depois desse texto maluco quase lésbico, quem não se assustaria?
a menina só meu viu duas vezes na vida, a gente nunca nem chegou a conversar e de repente um post desses falando esse tanto de coisa. credo em cruz!

só uma semana depois ela viu o comentário da lidia no fb, comentou e disse que sentiu-se lisonjeada.
ela disse que tinha voltado de viagem e combinou de combinarmos (?) uma ida ao parquinho.
mais uns 3 dias depois nos falamos mais uma ou outra vez e ficou por isso mesmo.

acho que a grande graça foi ser um amor não correspondido e todos esses encontros e desencontros que tivemos.
mas foi só eu receber a segunda mensagem dela que o fogo da paixão cessou.
acho até que depois disso peguei o telefone dela com a lidia, mas nunca telefonei.
e ficou por isso mesmo.

* * *

6 meses se passaram e eu nunca mais a vi ou tive notícias.
talvez ela tenha se mudado. talvez não.

mas o fato é que eu descobri que não existe A mãe. existem amigas e amigas. pessoas que vêm e vão em nossas vidas. algumas ficam para sempre.

lembra que eu mencionei uma outra mãe ali em cima, que também mora na mesma quadra que eu? falei que era uma mãe qualquer, mas não A mãe.
pode até ser, mas é a mãe que eu mais encontro no parquinho, que temos tantas coisas em comum e outras nem tanto.
a primeira impressão que eu tive dela era de uma pessoa enjoada, que não curte o filho, que tá ali só porque não tem outra opção.
mas depois vi que ela é bem diferente do que eu imaginava, que ela é a mãe mais sossegada que eu já conheci, sem essas frescuras e medo do filho se sujar, de colocar as coisas na boca e coisa e tal. uma pessoa que só de eu ver lá longe passeando com o filho (ou com os cachorros), eu faço questão de mudar minha rota pra encontrá-la, nem que seja pra trocar meia dúzia de palavras.
fui à casa dela apenas uma vez e nunca tive coragem de chamá-la pra minha (que é uma verdadeira e eterna bagunça).
talvez ela nem saiba meu nome, mas o do meu filho ela lembra de cor.
mas de alguma forma a considero minha amiga.

a fabi, também mencionada, passou a fazer parte do meu convívio depois do primeiro post sobre o parquinho. nisso resolvemos nos encontrar e colocar a meninada pra brincar.
resumindo: hoje ela é muito mais do que A mãe. ela é A amiga, parceira dos programas mais absurdos aos mais triviais. com ou sem filhos a tiracolo, sempre arrumamos um motivo pra nos encontrarmos. ela é o meu toddynho, companheira de aventuras.

toda vez que o benjamin a vê, reconhece e corre já de bracinhos abertos para ela. o mesmo para suas duas filhotas (já contei um pouco aqui).
ele as chama pelo nome e lembra-se de orar por elas todas as noites.
tenho por elas um sentimento como se fizessem parte da minha família. vejo que o mesmo acontece com o benjamin.

e ela estava ali, bem debaixo do meu nariz.
she’s a keeper.
they are.

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7 comments

  1. Amei seu texto! É sempre bom quando aprendemos a tirar o melhor de todas as situações que nos aparecem! Melhor ainda conseguir dividir essa experiência com as demais mães que te acompanham!
    Tenha um ótimo dia!

  2. Luiza…eu ainda não havia lido seus posts sobre esse assunto dA Mãe…gostei muito e me identifiquei! Vivo procurando uma mulher, mãe, que possa e queira ser minha amiga de verdade, pra conversar, rir, para que as crianças brinquem junto…muito engraçado…

    Bj

  3. Eu entendo perfeitamente esse post… eu AMO conhecer uma nova mãe em Brasília… eu adoro quando a conhecida começa a se tornar mais amiga… e cresce a possibilidade de eu aumentar o número de amiguinhos para a Bruna!!!

  4. sabe que minhas amigas hoje são as mães dos amigos do meu filho de 8 anos. automaticamente mulheres que tem interesses em comum (os filho da mesma idade) e frequentam o mesmo lugar (o colégio).

    bjos

  5. Poxa, estava torcendo por um super final feliz!!
    Mas, o importante é valorizarmos as pessoas que estão ao nosso lado! Como vc fez!
    Parabéns!
    Adorei saber o final da história!
    Beijos

  6. Sei BEM como vc se sente! Eu sou freqüentadora de parquinhos desde que o Luisinho tinha uns 6 meses e vibro toda vez que encontro outra mãe. Se ela for legal, então….
    E no aniversario de 1 aninho do meu filho, metade dos convidadonhos eram os amiguemos do parquinhos e suas mamães…
    Aqui em São Paulo encontro mais mães do que vc aí em Bsb. Mas qdo vou a Bsb encaro os parquinhos da quadra tb diariamente e puxo papo com quem estiver por lá. E Poxa, já encontrei babás tb que eram A babá! Hehe
    bom, boa sorte aí com a sua nova fase e espero que vc encontre cada vez mais mães legais no seu parquinhos! Elas existem, juro!
    Bjs

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