
Nasci em 1981 e não sei você, mas a impressão que eu tenho é que quem nasceu nessa época com certeza, direta ou indiretamente, foi atingido pelo famigerado boom dos divórcios.
Hoje com meus 28 anos vejo o estrago que isso causou em mim e na minha geração. Como diria sabiamente Tyler Durden do filme Clube da Luta: “Somos uma geração criada por mulheres, será que precisamos realmente de outra em nossas vidas?”. Pode parecer machista esta frase, mas em parte ela é a mais pura verdade. Eu e muitos dos homens que lêem este post neste momento fomos criados pelo que chamo da tríade do homem moderno: mãe, avó e tia.
Não me entenda mal, não é que eu desmereça a criação das minhas queridas mãe/avó/tias, admiro a dedicação e a coragem de topar o desafio de criar uma criança sem um pai, porém sei que elas e eu (principalmente) sofremos a ausência de uma figura masculina. Então tive que me virar e minhas mãe/avó/tias também. Lembro-me que fui aprender a andar de bicicleta com dez anos! Meu primo me colocava sentado no banco da minha monark e me empurrava ladeira abaixo. Logo em seguida a cena patética de um rapagão se estatelando no asfalto. Depois de muito treino e tombos consegui.
Você só percebe que tem algo errado com você quando você se compara com os outros.
Lembro que tinha amigos que sabiam andar de bicicleta desde os quatro anos de idade! Qual foi o seu segredo: Meu pai me ensinou! Ah sim, claro! Onde eu arrumo um pai a esta hora da pós modernidade?
As feministas podem falar o que quiserem, mas é o homem que dirige para o hospital quando a mulher entra em trabalho de parto.
Imaginem vocês: eu com vinte tantos anos de idade e nem sequer sabia qual era a diferença entre o acelerador e o freio de um automóvel. Sofrível. O meu maior medo de não saber dirigir era não poder levar a Luíza para hospital quando ela entrasse em trabalho de parto (sim, eu sofria por antecipação). Aprendi a dirigir com a minha namorada, hoje minha esposa Luíza, não esquecendo também das quinze aulas do curso de direção.
A minha geração não quer repetir os mesmos erros dos nossos pais, mas cometer erros novos.
Diferente de mim, o meu filho não vai precisar entrar no google para aprender a ser um bom pai e nem um bom marido. Meu filho vai saber andar de bicicleta e dirigir. Meu filho vai andar de cabeça erguida e pé ancorado no chão. Meu filho vai saber que quando o medo vier, o pai dele – que é o homem mais forte do mundo – vai estar ali para ajudá-lo. Prometo estar do seu lado.
Bônus:
Para não dizer que não falei das flores – Entra aqui
Para os homens: Compartilhe sua infância, você foi criado pela tríade? Por favor comente!
vc é muito fofo, sabia?
ficou lindo seu post pq vc colocou sua alma aí.
amo vc.
*
pra sempre!
Comentário by nuazi — novembro 16, 2009 @ 12:55 pm
Fala jhow… Estava lendo seu comentário no blog que está indicado em seu "gmail talk"… Acredito que a capacidade de abrir o coração publicamente ja seja complicado, mas você se superou e ainda colocou na net… O que eu tenho a dizer sobre isso: "só aprendemos a ser filho quando nos tornamos pai…" O pai, que você não teve, pode lhe ensinar muitas coisas, mas tenha CERTEZA de que o pai que você será é fruto do que o Pai lhe ensinou… Você pode ter valores, mas a alma com a qual você vai educar seu pimpolho é divina. Se vale uma colocação de quem teve pai e mãe, aqui segue: Meu pai me ensinou a não levar desaforo para casa, minha mãe me ensinou o perdão!! Vou lhe enviar por e-mail uma coisa que escreví sobre eles… O que eu quero dizer com isso?! Tive uma mãe que foi mais que mãe, foi avó… O pai babão que sou hoje, aprendí com o lado feminino… Claro, o lado masculino foi fundamental para MUITAS coisas, como dirigir…rs. Mas o lado materno foi o TERNO fundamental da minha existência, afinal, sou parte dela até hoje!! Beijo e bom dia!!
Comentário by Roberto — novembro 16, 2009 @ 1:33 pm
É dificil mesmo quando o pai falha no processo de educação ou, até mesmo, somente em estar presente e colocando limites. Hoje nos formamos através da informação que buscamos ou recebemos, deixando a experiência de lado, somente para reparar os danos com nossos filhos.
Ótimo post!
Comentário by palmerio — novembro 16, 2009 @ 4:01 pm
Cara,
Acho que todos nós um dia temos um 'estalo" e parece que conseguimos ver tudo com mais clareza e maturidade é engraçado mesmo isso, parace que é de um dia para o outro um momento e BUMMM _Estou maduro.Mas não é bem assim… O tempo nos trás a maturidade e as experiências nos trazem sabedoria.
Não é de uma hora pra outra e você meu amigo cresceu e tornou-se um grande homem e VOCÊ SERÁ UM ÓTIMO PAI, medos todos temos friozinho na barriga da em todos nós homens, mas nem todos nós seremos corajosos de admitir.
Sei que Luiza ainda nao está grávida mais já desejo que esse bebê seja muuuuito feliz e cheio de saúde.
parabéns pelo post é muito verdadeiro.
Comentário by judá dos santos — novembro 16, 2009 @ 5:50 pm
Lindo texto, Hilan.
Corajoso.
Os pais são campos de experiência. Por isso são igualmente importantes. Tem coisas que só aprendemos na troca de sentimentos com um deles. E às vezes com os dois juntos.
Parabéns pelo texto
Comentário by Thiago Diniz — novembro 16, 2009 @ 6:54 pm
Cara! sem palavras! Para variar os comentários sempre são mais legais que os posts propriamente ditos!
Comentário by luíza diener — novembro 16, 2009 @ 7:42 pm
Nunca tinha questionado a presença do pai. Sempre ficou bastante obvio em minha vida que, mesmo, era a Mãe quem mandava no ambiente. Depois fui vendo que deveria ser diferente. Ser criança, e apenas receber presente e abraço do papai, estava lindo. Meus pais são juntos até hoje, mas meu pai exerceu mais foi um papel de backstage. É o perfil da minha família, e hoje em dia me vejo como uma mulher mandona, querendo ser a dona da situação. Como mudaria se o meu pai fosse o centro da casa…?
Comentário by luda — novembro 16, 2009 @ 7:49 pm
Apesar de ser mulher eu sou filha de pais separados (eu tinha apenas 8 meses) e meu marido tbm nem conheceu o pai! Somos parte dessa estranha geração que apredeu a conviver em família por ter vontade de fazer diferente! Enquanto minha mãe me encorajava a ter muitos namorados e não casar eu queria casar e ter filhos. Tive uma filha e depois casei. Tá! eu mudei um pouco a ordem das coisas! Mas consegui construir minha família junto com meu marido que tbm vinha de uma família sem a estrutura completa! Acho que isso é fazer realmente diferente! Não vou dizer que é fácil, mas sim que é diferente! como não fui criada com pai eu acabo querendo agir como minha mãe: tomo a frente e tento fazer tudo! E meu marido como não teve pai às vezes tem dificuldade em saber o papel dele dentro de casa! Mas vamos aprendendo juntos e isso é que é bom e gostoso! errar e acertar! Por isso nós nos nomeamos "Família Feliz".
Adorei esse post!
Abraços!
Comentário by Larissa m. hernandes — novembro 17, 2009 @ 8:15 pm
Adorei seu texto, Hilan, e a coragem de se abrir tanto! Sou filha de pais separados, mas meu pai sempre foi muito presente, embora eu sinto que tenha perdido momentos importantes com ele.
Beijos
Comentário by Paloma, a mãe — novembro 18, 2009 @ 12:55 am
sabe o que é engraçado? no meu trampo tem mais 2 amigos mais novos, um de 23 (o alexandre que tambem é amigo da lud) e uma de 25 e os pais deles ainda são casados, fiquei falando que eles são estranhos por ainda terem pais casados, mas se vc for ver, até a própria luda que comentou ai tambem tem os pais casados até hoje, então acho que a geração 77 a 82 é que é filho de pais separados,heheheh
Comentário by Boi — novembro 18, 2009 @ 1:29 am
Que bom que você gostou. Acho que não tem muito haver com o fato de estar casado e sim presente não é? Em muitos casado o casal não se separa, mas o pai fica de backstage como disse a luda, logo acima.
Comentário by Hilan — novembro 18, 2009 @ 10:40 am
Para variar os coments são sempre melhores que os posts! obrigado pela participação
Comentário by Hilan — novembro 18, 2009 @ 10:42 am
Querida, tem um selinhon especial pra vc lá no meu blog!
beijos
Comentário by Treinante — novembro 19, 2009 @ 4:02 pm
Concordo, Hilan: a figura masculina é essencial e insubstituível. O mais legal pra mim a respeito dos homens é que eles são mais lúdicos, costumar saber se divertir melhor q as mulheres (compare chá de panela com churrascão de despedida de solteiro!).
Agora, sobre dirigir pra maternidade: sempre tem o motorista do taxi, né? hehehe
Comentário by lia — novembro 20, 2009 @ 5:13 pm
Eu acho que não conseguiria ligar para o taxi nessa situação. hahahaha
Comentário by Hilan — novembro 20, 2009 @ 5:31 pm
Aprendi dirigir e andar de bicicleta sozinha. Estudei, fiz lição de casa sozinha, perdi o ano, recomecei, fiz faculdade, pós, tudo do meu bolso sem apoio de meu pai, que ainda diz que sou burra de ficar gastando com estudo!
Pai…pra que serve mesmo?
Comentário by Dam — agosto 23, 2010 @ 1:58 pm
É por isso que a igreja não aceita a separação do casal. O problema de se separar não está no aqui e agora. mas está na educação dos filhos. A criança cresce sem noção do que é um pai. O pai é parte fundamental no crescimento. Como o amigo Roberto disse "Meu pai me ensinou a não levar desaforo pra casa", porra, mãe nenhuma ensina isso para um filho. Por isso que eu falo, a separação é uma merda. Se o cara tece um filho antes de casar, SEJA HOMEM PORRA, assuma o filho e construa uma familia com um PAI, uma MÂE e um FILHO. Esses 3 elementos são inseparáveis e o mais precioso bem que existe na face da terra, preservá-los é o nosso dever.
Comentário by Eduardo — maio 6, 2011 @ 10:33 pm
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Comentário by visit x — agosto 10, 2011 @ 5:14 pm
Nossa que texto profundo!!!
Eu fui criada sem pai e isso me prejudicou muito, apesar de ter irma e mãe que me supriram…mas sem uma presença masculina é muito complicado!!!
Graças a Deus meu marido é o oposto do que meu pai sempre foi… eu Agradeço a Deus por ele esta superfeliz e ser sempre maravilhoso quando o assunto é paternidade!!! Virei sua fã!!! Que vc seja esse paizão pra sempre!!!
Comentário by Ana — agosto 29, 2011 @ 3:18 pm
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Meu Deus, será que sou uma aberração?Porque eu fui criada sem pai, e não me fez falta nenhuma! Eu aprendi a dirigir na auto escola,e minha vó me ensinou a andar de bicicleta! Nunca fiz esse drama todo n.Tem gente q tem pai, e o abençoado n serviu pra nada!hahaha
Não importa por quem a gente foi criado n , mas COMO fomos criados. E oq mais se ve por ai,nesse pessoal mais velho, onde as familias eram ditas " normais" com pai e mãe, o pai teve papel de provedor da familia, mas a figura do paizão que brinca, q participa, a sociedade sabiamente inventou agora!
Mae é uma necessidade, o pai é uma invençao!
Sou feminista mesmo!!! heheh
Comentário by Lara — novembro 4, 2011 @ 3:16 pm