pra não esquecer nunca na vida

o relato de um milagre, ou favor imerecido.


na verdade tudo começou há mais de 10 anos. talvez tenha sido em 97, se não me engano.
preocupada por todas as meninas da minha idade apresentarem sinais de puberdade e pela maioria já ter menstruado e eu, nada, parecendo uma criancinha, manifestei à minha mãe o desejo de procurar um médico e ver se eu tinha algum problema.
na época eu deveria ter 12 ou 13 anos mas tinha corpo de 8.

no começo minha mãe achou graça daquilo e falou que era normal, que ela mesmo só tinha virado “mocinha” com mais 14 anos. mas então porque não era assim com minhas amigas? com minhas irmãs?

sei que, atendendo ao meu pedido ela me levou tanto a uma ginecologista, quanto a um endocrinologista. pelo visto, no endócrino foi tudo ok, visto que não lembro de ter voltado lá muitas vezes.
já no ginecologista eu voltei. e fiz um tanto de ecografias que eu não entendia pra que aquilo tudo. menina estudiosa que era, lembrei das aulas de ciências do colégio e aproveitava pra acompanhar tudo durante o exame: esse é o ovário esquerdo, ovário direito, as trompas… tudo legal! parecia uma aula prática onde a cobaia era eu mesma!

mas não sabia que, por detrás da aparência serena da minha mãe havia um clima muito mais tenso que eu poderia imaginar.
só vim a descobrir quando, alguns meses depois, fiz mais uma ecografia e o médico fez questão de mostrar tudo outra vez, dando atenção ao útero: está tudo bem com o útero, olha aqui!
útero, legal!

foi no caminho de volta para casa (o exame era em uma clínica no lago sul e eu lembro exatamente do trajeto de volta para casa) que minha mãe irrompeu em lágrimas, misturado com um suspiro de alívio e começou a me explicar:

“da primeira vez que você fez o exame, o médico te diagnosticou com útero infantil. era essa a explicação que ele tinha para a sua ausência de menstruação. o útero estava ali, presente, mas nunca iria se desenvolver. por saber do seu desejo de ter filhos quando crescer (eu sempre me considerei uma potencial gestante) suas irmãs até se ofereceram para –  quando você viesse a se casar e manifestar o desejo de ter filhos – funcionarem como barriga de aluguel. mas por você mesma, nunca seria capaz de ter um filho dentro de você.  passamos esses meses muito preocupadas”.

claro que as palavras não foram bem essas, mas é o resumo do que eu absorvi.
minha mãe, que é uma mulher de muita fé e muito temente a Deus, disse que passou esses meses todos orando e pedindo misericórdia a Deus, para que ele pudesse me conceder esse milagre. ela não fez nenhuma promessa, nenhum trato com deus ou santo algum. apenas pediu para que esse favor fosse concedido a mim, que de nada sabia, nem nunca fiz nada que merecesse tal milagre. juntamente com ela, outros parentes e pessoas queridas; muitas que talvez eu nunca nem tenha conhecido, mas que se importaram com isso assim, de graça, sem querer nada em troca.
e então aconteceu: depois de ter consultado com médicos diferentes e feito tantos exames, lá estava o diagnóstico: o útero estava normal!

alguns podem chamar de erro médico, displicência, sorte ou o que for.
eu gosto de dar a isso o nome de milagre, ou favor imerecido.

e, como se fosse a coisa mais natural do mundo, engravidar assim tão rápido, quase que por acidente, lá estava eu dia desses dando a notícia pra um e pra outro como se fosse tudo fruto da minha boa sorte ou do meu potencial de gestante, até que minha tia me liga lá do rio de janeiro e me lembra: não esquece do tamanho desse milagre. você sabe do que eu estou falando né?
na hora eu me toquei. ela não precisou dizer mais nada.

 

hoje eu me sinto infinitamente privilegiada de poder carregar um serzinho dentro de mim! especialmente por saber que isso não foi mero fruto do meu esforço mas – sempre e sempre – um eterno milagre!

dedico este post ao meu Pai

 

leia a história contada com mais detalhes – narrada pela minha mãe – aqui.

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79 comments

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  5. Que coisa linda Luiza! Ler o relato da sua mãe tb, muito emocionante! Parabéns pela linda família, Deus te abençoe nesta nova gestação, em cada minuto! Feliz milagre!!

  6. Não sei se vc vai ler isso Luiza, mas até esse exato momento mesmo já tendo ouvido tantos relatos a respeito do milagre de poder gerar um filho posso dizer que hoje me senti imensamente tocada, estou com 18 semanas de gravidez que não foi nada planejada e pra ser bem sincera até hoje com meus 25 anos por estar priorizando outras coisas não tinha muita vontade de ser mãe. Mas lembro-me também de já ter sido diagnosticada de que talvez teria dificuldades para engravidar e hoje lendo esse post posso dizer que através de tudo que venho lendo no seu blog desde a primeira vez que estive aqui senti uma "coisa" a mais nesse tão conturbado momento que estou vivendo, já que além de tudo não estou com o pai da criança, gostaria muito de te agradecer pois esse blog tem me ajudado muito e acho que vc não faz idéia do quanto. Bjão! Ah to muito ansiosa pra saber o sexo do seu bebê…

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